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    Autores, Comportamento, Textos

    Por que não podemos mudar?

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    Comportamento, Reflexão, Textos

    Minha jornada com a saúde mental

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    Beleza, Moda, Tendência

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  • Resultados para: ansiedade

    Março 29, 2018
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    Eu lido com ansiedade já faz alguns bons anos. É algo que esteve sempre presente na minha vida, e eu já falei algumas vezes aqui no blog sobre isso. Somente em 2016 fui diagnosticada com Transtorno de Ansiedade Generalizada, e foi ai que a minha jornada para cuidar de mim mesma e desse sintoma começou; descobrir com o que você está lidando, e as maneiras de tornar a sua vida melhor, é um processo. Ele começa devagar e acredito que eu sempre vou ter alguma coisa nova para aprender.

    Nesse post eu quero compartilhar algumas atividades e atitudes que eu faço rotinamente para que a minha vida em si seja melhor. Todo mundo que lida com ansiedade sabe como é difícil, e que ela desencadeia diversos outros sintomas e problemas na nossa vida. Nada que está escrito aqui é absoluto e funciona para todo mundo, afinal, a ansiedade nunca é igual. Cada pessoa possui o seu jeito específico para tratar; e isso a gente vai descobrindo com o tempo e depois de algumas tentativas! O que está escrito aqui são apenas sugestões. É claro que nem todos os dias são fáceis. Anteontem e hoje, por exemplo, foram difíceis. Mas eu sei que essa sensação não dura para sempre, e que as coisas podem melhorar.

     Terapia

    Eu faço terapia há tanto tempo que nem me lembro quando comecei. De verdade (acho que aos treze anos?). Eu descobri tanto sobre mim desde que comecei que chega a ser impressionante. Na nossa cultura muitas pessoas encaram terapia como algo fútil ou que você só precisa caso tenha algo de muito errado com você; essa é uma suposição muito comum e totalmente errônea. Ir ao psicólogo é algo que eu recomendaria fortemente para todo mundo, e não tem absolutamente nada de estranho nisso. Cuidar da saúde mental é tão importante quanto a física. Vale lembrar que vários convênios médicos oferecem esse serviço.

    Exercício é fundamental

    Eu nunca fui muito fã de esportes, quem dirá de exercícios fisícos. Eu não sou a pessoa mais fitness do mundo, mas descobri na academia e em outras práticas que essa é uma parte essencial do tratamento para a ansiedade. Eu só comecei a frequentar a academia regularmente em 2017. Durante todo o ano de 2016 fiz caminhadas ao ar livre, o que é uma boa dica para quem não pode gastar com a mensalidade da academia. E também funciona! Eu corria e caminhava três vezes na semana. Faz uma diferença grande no meu humor (graças à famosa serotonina).

    Não guarde os seus sentimentos

    Normalmente, os ansiosos costumam guardar tudo para si. Até que uma hora acabamos explodindo. Uma das melhores formas de  fazer a ansiedade aliviar um pouco (principalmente quando a minha cabeça está cheia demais e os pensamentos não param nunca) é colocar as coisas no papel. Escrever, anotar, mesmo que seja coisas aleatórias. Desenhar também é uma das coisas que eu mais curto fazer nos momentos que estou super ansiosa, porque começo a me sentir mais tranquila. Uma sugestão interessante também é manter um planner, em que você possa anotar as atividades que precisa realizar.

     

    Pratique yoga

    No início do ano passado eu estava tendo crises fortes, e mesmo com exercícios e a medicação, elas não paravam. Minha psicóloga na época me disse: “porque você não tenta fazer yoga?”. Essa foi uma das ideias mais certeiras que já me falaram. No mês que vem eu completo um ano na prática do yoga. Ele não é considerado um exercício físico, e sim algo que você vai praticar, seja com posturas, técnicas de respiração ou meditação. Existem diversas modalidades do yoga, por isso se você não curtir uma, sempre há outras opções para testar. As aulas que eu faço são de hatha yoga. Além de dicas práticas que ajudam a melhorar a sua ansidade, você vai aprendendo a viver a vida de uma maneira mais devagar, e a enxergar as coisas de um jeito diferente.

    Respeite o seu tempo

    Um dos maiores desafios do ansioso é respeitar o seu próprio tempo. Todos os dias eu tenho que me lembrar que o meu ritmo não é o mesmo dos outros, e que se eu insistir em entrar na mesma rotina que todo mundo, vou enlouquecer. Foi uma lição difícil de aprender, que cada um tem seu momento, e que eu não preciso seguir o de todas as outras pessoas, e está tudo bem assim. É um exercício diário, principalmente quando eu estou fazendo algo e já pensando na próxima atividade que eu terei que fazer. Tento respirar fundo e focar naquele momento.

    Agosto 9, 2015
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    “A minha ansiedade não me define.”

    Ilustração de autoria de Ambivalently Yours.

    Confesso, eu queria muito saber a resposta da pergunta que dá título a esse post. Eu sempre fui uma pessoa ansiosa, desde criança. Não era só o primeiro dia de aula ou o passeio da escola que me deixavam sem dormir; coisas meio clichês para todo mundo no ensino fundamental. Mas sim outras situações relativamente normais, como ir à algum lugar aleatório, ir na casa de um amigo, e quando fui crescendo só ficou pior. O que é compreensível, porque aos 13 e 14 anos você tem aquela sensação de que os seus problemas são gigantes, e que se eles não forem resolvidos, sua vida não vai ter solução nunca mais (ok, ou talvez eu era extremamente dramática, porém melhorei nesse aspecto) Eu era mais emotiva no passado, mas com o tempo fui ficando mais racional. Aprendi a tentar “controlar” mais as coisas, com muito treino, é claro. Não foi nada fácil.

    Mas tem épocas do ano em que a ansiedade volta a bater. Eu sempre tive uma característica forte de imaginar as situações na minha cabeça, querer planejar tudo, e sempre esperar, aguardar, e inventar mil coisas que poderiam acontecer. Na maioria das vezes, elas não se concretizavam. Eu sou meio pessimista, então sempre criava uma situação ruim que eu achava que aconteceria. Resultado? Mais ansiedade, nervosismo, o que resultava em situações chatas.

    A ansiedade se manifesta de maneiras diferentes para muitas pessoas. Algumas não conseguem se expressar direito, outras acabam com dores físicas (meu caso) como dor de cabeça, ou sei lá, ficam paralisadas. Sem saber o que dizer. E é bem complicado aprender a contornar a situação, a confiar em você (por quê quase tudo está muito ligado à insegurança que sentimos), a tentar entender essa sensação que quando nos invade, parece muito complicado de superar. Cada um tem a sua própria maneira de tentar enfrentar isso.

    Eu acredito que a ansiedade pode ser dividida em boa e ruim. Quando eu estou esperando um acontecimento legal, algo que eu sei que vai ser positivo (como por exemplo, o show que eu fui) eu encaro as coisas com uma positividade bem maior. Ou seja, tem aquele frio na barriga, mas ele não é ruim: pode trazer uma felicidade junto, uma expectativa, de algo que você sabe que vai valer a pena. Agora, quando é uma situação que você já não está encarando com bons olhos… Como por exemplo, vestibular. Minha ansiedade anda a mil. O motivo? O último ano da escola já me cansou muito, o Enem tá chegando, eu preciso passar, e mais outras milhares de questões que ficam batendo na nossa cabeça o dia inteiro, e nos atormentando.

    Muito disso tem relação do lugar em que estamos. Se eu estou confortável com a situação, com as pessoas, com o local, a ansiedade pode até estar ali, mas ela não se manifesta de um jeito que me atrapalhe. Mas quando você está insatisfeito com muitas variáveis, é quase impossível fugir dela. E é fato: se você é ansioso (a) como eu, não dá para fingir que a ansiedade não existe. Ela vai aparecer, uma hora ou outra. E se você, como eu, às vezes não sabe como agir, talvez o primeiro passo para melhorá-la seja começar a falar dela. E é fundamental estar ao lado de pessoas que te ajudem. Às vezes nós achamos que os problemas de todo mundo são bobos, e estar ao lado de quem não tenta te entender nem um pouco, só deixa tudo pior.

    Eu já descobri os motivos que me deixam ansiosa. Normalmente, eles não variam. Se passam anos, e continuam quase os mesmos. Mas daqui a algum tempo o cenário pode mudar, mas as razões não. Por isso é importante tentar enxergá-las, saber quais são. Eu já compreendi que fugir não adianta nada (por mais que em momentos de extremo nervosismo, isso seja o que a gente mais quer fazer. Sair correndo mesmo). E sempre vai ter alguma coisa na vida que vai tentar nos desestabilizar. Eu já fiz a primeira ação que precisava para tentar resolver esse problema: escrever sobre ele, para que nem tudo exista só na minha cabeça.

    Dezembro 22, 2013
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    Imagem: Reprodução

    Mão suando, frio na barriga, vontade de sair correndo, voltar para debaixo das cobertas e o estômago parece que acabou de ser atingido por um caminhão. Os especialistas nomeiam isso de ansiedade, e eu de neura. Seja lá o que for, é uma coisa que atrapalha constantemente todo mundo (inclusive eu). A definição de ansiedade segundo a ciência é: “A ansiedade é uma excitação do sistema nervoso central, que acelera o funcionamento do corpo e da mente. Quando estamos ansiosos, liberamos o neurotransmissor noradrenalina, que provoca toda essa excitação. É um processo que pode ser tanto hereditário como adquirido através das experiências que temos nos ambientes mais hostis.”

    Com certeza eu não devo ser a única pessoa que sofre desse mal, que é irritante e beira ao insuportável em muitos momentos. E o pior é que é bem complicado controlá-lo: você só consegue depois de muito treino e bons conselhos para se sentir mais confiante. Lidar com situações diferentes, ir para lugares novos, não esquecer de um compromisso ou até mesmo ter que enfrentar uma briga e uma situação complicada, ou acordar cedo: tudo isso é motivo de ansiedade para mim. Parece uma coisa simples, fácil de lidar, mas eu garanto, não é! Ela também pode provocar outras doenças, como gastrite. Não, não quero deixar ninguém (mais) nervoso falando sobre as consequências que algo que parece inofensivo pode causar.

    É uma vontade de compartilhar isso com pessoas que também tem que passar por essas situações. É complicado não ficar nervoso com coisas que você sabe que vai ter que enfrentar, e isso acontece com todo mundo. Mas saber amenizar a situação só vem com o tempo. Como? Enfrentando as coisas que te deixam com medo. Pode parecer muito complicado, mas a sensação no final de que você conseguiu ultrapassar aquela situação só vai te deixar mais feliz, com uma sensação de dever cumprido.

    Os graus de ansiedade são bem diferentes. Algumas pessoas tem um grau mais avançado, que as impedem de fazer coisas simples no dia-dia. Dai, é caso de visitar um especialista para se informar e procurar ajuda, pois curar-se sozinho de uma ansiedade de nível mais alto sem a ajuda de um médico não é indicado. Mas a que eu falo aqui, é sobre aquela que algumas pessoas sofrem e é mais leve, mas mesmo assim nos faz ficar com medo, bate aquele nervosismo, e pensamos em desistir.

    Eu confesso que antes era mais complicado lidar com isso. Agora, se tornou mais fácil, depois de muito treino, conversas e frases de efeito que eu digo para mim mesma quando estou prestes a ter que enfrentar algo. Muitas vezes nós já pensamos na pior hipótese, e pensamos logo de um jeito negativo. Eu admito que fico olhando só o lado ruim, e não enxergo as possibilidades boas que poderiam acontecer. O que é péssimo. Olhar pelo lado bom das coisas é algo que todo mundo precisa aprender a fazer. Pensar que coisas legais podem acontecer também. E é algo que eu sempre tento desenvolver: ser mais positiva.

    Com o tempo nós vamos aprender a lidar com isso, porém o melhor remédio para resolver a ansiedade é a autoconfiança. Essa é a melhor resposta: estar seguro de si mesmo. Saber o que você vai fazer, o que você quer fazer, e que desafios só nos fazem crescer. E que problemas estão ai para serem resolvidos, mesmo que nunca seja simples. Quando você não se importa com o que os outros vão pensar, com o que vai acontecer, com o rumo que as coisas podem tomar, as coisas fluem bem mais fácil, eu garanto.

    Resolver essa dificuldade não é a coisa mais simples do mundo: eu sei bem disso. Mas aos poucos, confiando em si mesmo, a gente consegue. Conseguindo enxergar coisas boas no futuro e nas situações que teremos que passar. E superando aquele maldito frio na barriga!

    Maio 13, 2019
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    Eu já falei sobre ansiedade algumas vezes aqui no blog, mas de vez em quando penso o quanto eu deveria falar mais sobre isso. No final de Abril completei três anos de medicação do tratamento para transtorno de ansiedade, dentre outros síntomas, e parece que passou rápido demais. Três anos foram voando, mas viver com um transtorno nunca é fácil e é uma jornada doída, em que você enfrenta algumas coisas difíceis no caminho. E mesmo que sejam só alguns anos, eu me vejo como uma pessoa muito diferente de quem eu era em 2015, quando se trata da minha saúde mental.

    Não existe um segredo 

    Outro dia eu li um texto no Man Repeller  em que a autora narrava a sua vida com Síndrome de Pânico. Ela confessa que durante uma época, apesar de ter mantido uma dieta balanceada, um clima “good vibes” e feito tudo o que as pessoas diziam que ela precisava fazer, ela continuava tendo ataques de pânico. E isso me lembrou o quanto, de verdade, não existe um segredo absoluto sobre como a sua doença, ou no meu caso, o transtorno de ansiedade, vai funcionar. É claro que uma rotina faz toda a diferença – e às vezes eu dedico horas no meu dia em atividades que vão me fazer bem -, mas mesmo assim, eu posso ter uma crise amanhã. Ou no outro dia. E eu não tenho culpa disso.

    Por muito tempo eu achei que ter uma crise significava que eu tinha voltado pra estaca zero. Que todo o meu trabalho em tomar a medicação e ir na aula de yoga, ou na terapia, tinha se perdido por causa disso. Mas não é verdade. Foi assim que eu descobri que é uma jornada; em alguns dias eu vou estar bem, e em outros não. E o meu progresso não precisa ser linear.

     Eu tenho medo da ansiedade atrapalhar os meus relacionamentos

    Lidar com um transtorno não afeta só você mesmo na maioria das vezes: pode afetar os seus relacionamentos também. Não é fácil conhecer alguém novo e mostrar para aquela pessoa que você enfrenta alguns problemas. Eu mesma já tentei esconder as características do transtorno de ansiedade: aquela que você pode passar mal numa festa e precisar ir pra casa porque teve um ataque de pânico, ou aquela que lida de maneira diferente com algumas situações que, para os outros, são normais. Transtornos mentais ainda são um tabu enorme e muitas pessoas nunca nem ouviram falar sobre eles, ainda menos sobre os efeitos físicos e psicológicos que eles podem causar em alguém.

    É um pouco assustador quando eu me relaciono com alguém e tento colocar para debaixo do tapete tudo isso. Em algum momento, a pessoa vai acabar descobrindo, e eu confesso que ainda estou tentando aprender a não sentir vergonha, a não ficar me culpando ou pior, ficando ainda mais ansiosa pelo que os outros vão pensar de mim ou se eles vão me rotular como instável, transtornada, etc.

    Alguns meses são mais difíceis que outros

    Às vezes eu consigo lidar super bem com a minha ansiedade e manter tudo no controle. Eu tenho muitos privilégios que me permitem conseguir cuidar da minha saúde mental, quando a gente sabe muito bem que metade da população brasileira não tem acesso à plano de saúde, a consultas esporádicas ou medicamentos. Tudo isso tem um preço, um custo, tempo, planejamento, é difícil fazer as coisas sem apoio. 

    A sociedade não conversa sobre isso e a nossa cultura invalida os transtornos mentais, as doenças psicológicas. Elas ainda são consideradas “frescura”, ou pouco relevantes comparados à um problema físico. Sem falar na dificuldade do acesso à informação. Para a sua família ou os seus amigos entenderem o que você passa, eles precisam de informação. As pessoas próximas de mim não entenderam de um dia para o outro o que era o meu transtorno de ansiedade. Foi preciso ajuda dos médicos também para eles enxergarem os sintomas e como lidar com isso.

    Sendo assim, algumas fases são mais complicadas. Se um monte de coisas novas acontecem comigo, ou problemas, ou términos, parece que eu não consigo lidar com tudo ao mesmo tempo e a minha ansiedade bate como nunca. Sem falar no desânimo, no medo de ter uma crise, na vontade de ficar na cama. Houveram semanas que eu quase não saía de casa e desaparecia da faculdade. Mas é um ciclo, como muitas coisas da vida. Por mais que pareça que você está no fundo do poço, tem uma maneira sim, de sair dele. 

    A medicação é importante

    Tá aí outro tabu. Algumas pessoas acham problemático você tomar uma medicação para o seu transtorno, mas a verdade é que faz diferença quase absoluta no seu tratamento. Com o tempo, eu parei de me importar muito com o que outras pessoas achavam e considerar a opinião apenas dos profissionais (médicos, terapeutas). É relevante seguir as instruções da minha medicação, e com isso vem várias coisas que você tem que mudar: beber pouco, não fumar, ficar longe de drogas. Coisas que podem não ser tão simples em alguns ambientes, mas eu aprendi que o que causa um efeito X nos outros, pode ser muito mais forte pra mim.

    É um compromisso consigo mesmo. É uma responsabilidade que você assume de querer melhorar. De querer estar bem, de fazer o possível para que você leve uma vida equilibrada, sabe? E mais importante, de aprender a respeitar quem eu sou, respeitar os meus sintomas, a minha jornada, e não atropelar as minhas dificuldades.

    O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma organização não-governamental que faz um trabalho importante de conscientização da saúde mental e oferece apoio para todo o Brasil pelo número 188, com ligação gratuita, 24 horas.

    Setembro 10, 2018
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    Título: 13 Segundos

    Autor (a): Bel Rodrigues

    Editora: Galera Record

    Sinopse: Lola está no último ano do ensino médio e acabou de terminar um relacionamento. Ela sabe que foi a melhor decisão, mas ainda assim não é fácil encarar o vestibular e um coração partido ao mesmo tempo. Tudo que Lola quer agora é colocar a vida em ordem, descobrir a si mesma e reavaliar suas prioridades. Sua maior paixão é o canto, e por isso, incentivada pelos amigos, ela cria um canal no Youtube onde posta covers de suas músicas favoritas. Ela também quer se divertir, sair para beber com os amigos e conhecer pessoas. Em uma dessas noites que ela se envolve com John. O que era para ser só uma noite acaba ficando mais complicado quando ela descobre que ele faz intercâmbio no colégio dela… e do ex. Lola não quer se envolver, mas é difícil ignorar John, com todo aquele charme canadense. E quando tudo parece ter se alinhado, treze segundos são suficientes para mudar drasticamente a vida da garota. 13 segundos é um livro potente, que dialoga com os julgamentos que mulheres jovens enfrentam cotidianamente simplesmente por buscarem serem livres, por quererem ser elas mesmas.

    Quando eu soube que o livro da catarinense Bel Rodrigues havia sido o mais vendido no estande da Rocco na última Bienal, eu já fiquei ansiosa para ler a obra de estreia da autora, que é conhecida na internet por fazer review de livros no Youtube. A capa me chamou a atenção, assim como a sinopse, e não demorou muito para eu garantir a minha cópia de 13 Segundos. 

    Sabe aquele tipo de livro que você sente que estava faltando no mercado literário brasileiro? 13 Segundos trás uma fórmula que conhecemos bem, com uma protagonista adolescente se formando no ensino médio, uma vida relativamente normal, festas e melhores amigos. Porém, a autora subverte esses clichês e transforma a história em algo mais profundo, abordando temas como o sexo, assédio, machismo e revenge porn.

    “A pornografia de vingança é uma expressão que remete ao ato de expor publicamente, na Internet, fotos ou vídeos íntimos de terceiros, sem o consentimento dos mesmos, mesmo que estes tenham se deixado filmar ou fotografar no âmbito privado.”

    Quantos livros brasileiros, voltados para os jovens, que nós conhecemos que falam abertamente sobre sexo? Sobre o prazer feminino? Sobre se orgulhar do seu próprio corpo? Estas são características que encontramos em Lola, menina de 17 anos que vive com a mãe e a irmã mais nova – Nina -, em Curitiba. Ela terminou um namoro longo com Leo, seu primeiro amor, e que foi muito importante em sua vida; porém, por motivos de ciúmes, desconfiança e brigas, Lola decide passar o último ano da escola sozinha. Ela sabe que está melhor assim, por mais que seja dificil superar um relacionamento.

    Lola tem a companhia de suas melhores amigas: Ariel, Melissa e Anna. A amizade feminina é um tema abordado desde os primeiros capítulos; a união, os conselhos, os bons momentos – e os ruins também -, são enaltecidos pela autora e a personalidade dos amigos da protagonista são muito bem trabalhados. É interessante ver como a autora exclui a rivalidade feminina desta história, mesmo que Lola tenha um desafeto na escola – Becca -, e já vemos um estilo de young adult brasileiro bem diferente dos maiores sucessos dos anos anteriores.

    Os planos de Lola de ter um ano tranquilo, sem envolvimentos amorosos, começam a mudar quando ela se envolve durante as férias com John, um intercambista que nasceu no Brasil, mas mora no Canadá. Apesar de ter medo de encarar outra relação, já que a sua última acabou de maneira muito ruim, os interesses em comum, a química explosiva e a compatibilidade fazem com que Lola se envolva com John, aos poucos; mesmo que de início eles só queiram uma amizade colorida.

    Apesar do romance ocupar boas partes do livro e cativar o leitor do inicio ao fim, o foco da história nunca deixa de ser Lola, sua vida e suas paixões. Ela sempre gostou de música, e quando o coral da escola fecha por motivos econômicos, a personagem cria o seu canal no Youtube – após muito convencimento por parte dos amigos -. De inicio ela fica com medo de ter uma reação negativa e comentários de ódio na internet, mas supera o medo e começa a postar seus vídeos. É aí também que a autora aborda o machismo, perante as mensagens que a garota recebe na internet evidenciando o seu corpo, e não a sua voz.

    A trajetória de Lola é marcada por altos e baixos, conflitos e mágoas do seu relacionamento antigo. Apesar de acreditar guardar só sentimentos bons pelo ex namorado, ele ainda a persegue e não aceita o final do namoro. O romance de Lola com John afeta Leonardo, que torna Lola vítima do revenge porn, ao vazar um vídeo sexual dela de 13 segundos. Isso é o bastante para destruir boa parte da vida da protagonista, dos seus sonhos e da sua rotina, que irá demorar muito tempo para voltar ao normal.

    Os capítulos em que Bel Rodrigues aborda este tema – e suas consequências – são emocionantes e muito bem escritos. A autora consegue, com maestria, fazer com que a gente se sinta um pouco na pele da Lola, com todas as dificuldades que ela passou, principalmente quando narra os sentimentos de angústia, dor, depressão e ansiedade. Todo mundo que já passou por pelo menos um desses momentos, vai conseguir se identificar. Vale até mesmo fazer um paralelo do livro nacional com “Amor Amargo”, norte-americano e que também aborda relacionamentos abusivos e como é a jornada da vítima para se recuperar.

    Esse é um assunto que deve ser discutido, debatido e abordado na literatura brasileira. Assim como outras questões, como a liberdade sexual, tão bem exemplificada por Bel Rodrigues em uma personagem que acredita em si mesma, nos seus gostos e não tem medo de seguir os seus desejos – assim como todos os outros protagonistas masculinos, que já lemos milhares de vezes -. A autora chega no mercado para inovar e trazer discussões importantes à tona.

    13 Segundos é o livro do mês de Setembro do Infinistante, clube do livro criado por Melina Souza, Loma Sernaiotto e a Maki. Para saber mais e participar clique aqui.

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