10 Apr 2011


— Eu não tenho medo do amor. Eu só tenho medo das conseqüências tolas que ele faz com as pessoas, as tornando preocupadas, vulneráveis e mesquinhas o tempo todo, como o mundo só girasse por um motivo. — Eu dei um sorriso irônico enquanto esperava pela sua resposta. — É claro que já me apaixonei, todo mundo já se apaixonou uma vez e isso é um pouco… comum para os dias de hoje. Mas não deixa de ser triste, quando as pessoas descobrem que não é nada daquilo que elas imaginavam.

— Não, você está errada. O amor não é algo triste. As conseqüências podem ser difíceis, mas não são tão importunas. No fim, você descobre que tudo vale a pena, como agora.

Eu tirei os meus olhos dos castanhos escuros dos dele. — O que você quer dizer com isso?

— Eu quero dizer que sempre vale a pena depois de um tempo, pelas memórias que você guarda. Quando você se apaixona por alguém que sempre gostou.

— Você não me conhece. — Eu o cortei, me levantando do sofá. — Não pode dizer que está se apaixonando por mim. Eu não irei cair nesse jogo. Mentiroso.

Ele se levantou também, segurando meus braços e me forçando a olhar para ele.

— Não finja mentiras, Rose. — Ele disse, sussurrando no meu ouvido em um tom baixo. Parecia que só eu estava ouvindo aquilo, que naquela cena, só havia nós dois. Mas eu sabia que no fundo ele estava esperando para que eu caísse aos seus pés e risse de mim. Como já me fizeram antes.

— Eu não estou fingindo, Henry. — Eu me soltei dele, pegando minha bolsa e me aproximando da porta de saída com a pressa maior do que minhas aflições. Eu vi a chuva intensa pela janela. Um lado meu quis ficar, continuar ali, naquele jogo interminável que se seguiria noite a fora. O outro decidiu que eu tinha que ir embora, e logo. Antes que ele vencesse. — Eu só…

Não consegui terminar as palavras quando foi tomada por um beijo dele. Seus lábios colaram nos meus rapidamente sem que eu pudesse me soltar. Era um jogo de rato e gato. Ele era intenso, e eu, não queria fazer nada daquilo. Suas mãos caíram na minha cintura e ele continuava à me beijar. Com amor, com paixão. Até que eu consegui me desprender de suas mãos.

— Você está maluco? — Eu ajeitei a barra do meu vestido e meus cabelos que, naquela altura, já estavam bagunçados demais para uma dama como eu. — Ponha-se no seu lugar. Não são os homens que me beijam. Eu é que beijo eles. Sempre.

— Rose, pare de fingir que você… não sente nada.


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