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    Série: The Defenders

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  • June 25, 2012
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    O choro vinha de dentro. Mas ela insistiu consigo mesma que não iria derramar uma lágrima sequer. Tudo estava ficando escuro. Ela sabia que em algum lugar atrás dos prédios o Sol estava se pondo, mas só podia ver o trecho entre um quarteirão e outro, e na parte do céu que lhe pertencia, já era noite.

    Entrou num bar que já conhecia, e que mesmo que fosse chamado assim, se aproximava mais de um café.

    ~

    Certa vez, quando tinha 6 anos sua melhor amiga descobriu que seu nome significava Pérola. Sua memória era ruim, mas tinha plena certeza que de jamais havia visto alguém tão feliz. Passou dois dias com um sorriso no rosto, e sempre achava um jeito de dizer que se chamava pérola dali pra frente. Então, Ameli passou a procurar, em todo lugar, qual seu nome.

    Pearl vinha do inglês, então, durante várias semanas, saía na rua procurando por alguém que falasse outra língua, e lhe dissesse se sabia qual era seu nome nesta outra língua.

    Até que depois de já ter esquecido disso, uma ou duas semanas depois, sua mãe chegou em casa com um presente. Na ida para o trabalho viu um livrinho pequeno, que tinha escrito em sua capa “Significado dos nomes”, e resolveu levá-lo para Ameli na volta. Se apressaria na saída do escritório, onde trabalhava como advogada, para que sobrasse tempo antes de pegar o trem na volta pra casa, e ela pudesse comprá-lo.

    Ao chegar em casa, chamou a menina e lhe deu o livro, que de tão fino parecia uma revista, e podia nem ter o nome de Ameli em sua lista de significados, mas aquilo prenderia sua atenção por pelo menos alguns minutos. Foi aprontar o jantar, deixou sua filha entretida na sala procurando entre os nomes com A onde estaria o seu.

    Ficou quieta por cerca de 20 minutos.

    Quando a fome começou a bater, a menina pensou em desistir, mas logo tirou a ideia da cabeça quando lembrou que teria que recomeçar a procurar do início da lista de nomes.

    Se enganou com um nome parecido com o seu, e foi feliz por pouco tempo, mas logo seu coração começou a bater forte de novo quando avistou seu nome logo abaixo. Seus olhos diziam “alegria”, e foi pulando alegre até a cozinha, gritando para sua mãe, e logo para o seu pai, que decia as escadas, que havia finalmente encontrado o significado do seu nome. E não deixou que ninguém lesse, ela mesmo queria descobrir.

    Tinha o pai e a mãe como plateia durante os instantes em que tentava, com sucesso, juntar as letras das palavras que podiam ser consideradas difíceis para uma criança com a sua idade.

    Logo que começou, o rosto da mãe, com aquela falsa ansiedade de quando prestamos atenção numa criança que nos conta algo que é para ela muito interessante, ficou tenso e preocupado quando espiou nas letras miúdas do papel o que sua filha tentava descobrir, ainda, com tanta determinação. Mesmo assim deu um sorriso quando a menina a olhou enquanto terminava de ler “aquela” no significado.

    Até que, facilmente, terminou a última palavra, quando olhou para sua mãe, que não sabia o que dizer, e o rosto desolado de seu pai, que não tinha tido tempo de fingir, e que até então mantinha a expressão de falso interesse. Livie já tirava a revista das mãos da pequena, e Charlie lhe dava um beijo carinhoso, os dois lhe chamando para jantar, ignorando – porque não havia outra coisa a fazer – a lágrima solitária e silenciosa que caía no rosto de Ameli, ou, segundo o livro, “aquela que sofre”.

    A tristeza em seu rosto durou até a noite, e voltou pela manhã quando se lembrou da chamada, quando sabia que Pearl seria chama de “minha pérola” e ela só poderia ser chamada de “minha sofredora” pela professora. Mas depois, como toda criança, esqueceu daquilo com facilidade.

    Porém, quando pensou no porque de tanto azar, de ter sido tantas vezes amada apenas superficialmente, lembrou daquela história que tinha guardado a tanto tempo na memória, e agora era essa única resposta que podia encontrar, mesmo que não fosse lógica.

    Suspirou e afundou na cadeira como quem desistia.

    – Olá, meu nome é Angeline, e vou te servir hoje – um sorriso sincero deu um susto em sua tristeza, e lhe pareceu também ter rompido a melancolia do dia.

    – Boa tarde, eu gostaria de um café bem forte.

    – Claro! Vou te trazer já!

    E por um instante foi interrompida pela alegria, mesmo que por pouquíssimo tempo. Olhou para a janela à sua frente e foi surpreendida por um raio, entre duas nuvens que podiam ser vistas na brecha entre prédios, viu um pedaço do pôr-do-sol em seus últimos minutos.

    Sentia que a noite estava chamando-a.

    Mas ela sabia que, por esta noite, quem quer que ela conhecesse, não saberia seu nome.

    ~

    Leu o nome na camisa – Você gosta de Kooks?

    – Muito!

    – Eu também – respondeu, mesmo não conhecendo nenhuma música deles.

    – E do que mais você gosta?

    Pensou um pouco e falou o que lhe veio a cabeça. – De saias jeans – passou a mão na saia.

    – Eu também, que coincidência – ele falaria isto para qualquer resposta dela. – Mas… qual seu nome?

    Olhou para a rua do primeiro andar, e aquele era o único lugar onde ela queria estar, amava aquela cidade. – Berlim.

    – Oh, vejamos! Você tem o mesmo nome que nossa cidade! É sério?

    – Não.

    – Então, prazer em conhecê-la, Bérlim!

    Espero que tenham gostado!

    1. Jeniffer Jun 25, 2012

      Awn, a narrativa tá muito boa, só me confundi com algumas coisas na estória, mesmo assim, gostei muito <3

      Beijos
      Meu outro lado

    2. Ariane Jun 25, 2012

      Oie Ana Beatriz!
      Ain, que bom que gostou do meme, eu também gostei das suas repostas!

      O texto ficou muito bom, gostei do final!

      Bjs,
      Ariane;)

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