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  • August 21, 2013
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    Não adianta. Nós brigamos, ficamos semanas sem se falar, mas ele sempre volta, ou eu. E quando voltamos é como se nunca tivéssemos partidos. Voltamos com uma saudade que nem dá para discutir o porquê brigamos da ultima vez. E ele vem com aquele papo que não vive sem mim e eu não vivo sem ele.

    A gente teve aquela época de ficar junto, mas no final descobrimos que somos mais amigos do que qualquer outra coisa. Somos bons em tudo mesmo, namorados, ficantes, enrolados, amigos, na cama. Vai ver é isso, somos tudo o que é possível. É inexplicável nossa relação, nem da para explicar esse amor que sentimos um pelo outro.

    Ele já me viu de todas as formas possíveis, me conhece de ponta cabeça e do avesso, e eu o desvendo como quero e como ele é. Nos conhecemos como ninguém. Somos aquele casal que as pessoas perguntam: “vocês são namorados ou amigos?” e respondemos que não sabemos e começamos a rir de tal pergunta. Mas no fundo sabemos a resposta é só medo de encarar a realidade e perder tudo o que já construímos.

    Não há incomodo no silencio. Falamos besteira mesmo e nos divertimos com nossos filmes idiotas. Temos um CD inteiro como trilha sonora. Já dançamos feito loucos juntos. Brigamos de novo, mas logo em seguida estamos nos declarando do nosso jeito. Ele é um babaca e eu uma idiota. Nos implicamos de toda forma, nos apelidamos com cada nome que não faz sentido algum.

    Ele diz das meninas que pegou e de qual achou mais gostosa e eu acho cômico o desprezo que ele sente por cada uma por saber que não é nenhuma delas a sua metade. Eu conto dos caras que vi e de alguns poucos que beijei e ele ri da minha cara de nojo e ao me ver confessar que nenhuma beijo me satisfaz. Nos olhamos e sabemos o porque de nenhum outro nos fazer feliz.

    Mantemos um tempo afastados, procurando outras pessoas, outras coisas, outros amores, outras aventuras, mas nenhuma é o suficiente, sempre falta algo que não sabemos o que é, ou sabemos, mas não queremos admitir pra nós mesmos. E voltamos de novo, nos preenchendo mais uma vez e cada um descobrindo o que faltava.

    Acontece que vivemos procurando nos outros o que vamos achar apenas em nós dois juntos. Porque mesmo que não queiramos assumir, mesmo que ele ou eu vá embora, sempre voltamos. Porque meu melhor amigo é meu primeiro e único amor e mesmo que o tempo passe, somos para sempre.

    Esse texto foi inspirado em um outro da autora Tati Bernardi. Você pode conferi-lo aqui.

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