Pretérito Perfeito
07/11/2013 | Categoria: Crônicas, Escrita, Textos

Tentar voltar no tempo para mudar algo é a mesma coisa que tentar calçar um sapato que não te serve mais: é esforço em vão. Isso acontece porque o passado não permite que ninguém o mude, ele permanece intacto mesmo diante de suas forças para muda-lo. Não adianta bater o pé porque o que ficou para trás não muda mais. O que resta a nós são as lembranças, que por sinal devem ser guardadas em um local seguro com tanto carinho quanto possível.

O tempo não é como uma música onde você pode voltar e começar a ouvir desde o inicio. Ele é permanente. O que aconteceu agora não pode ser mudado depois. E também não vejo razão para tentar mudar algo. O que foi feito era o que parecia certo e mesmo que no final tenhamos errado, sempre aprendemos alguma coisa. Se todas as vezes que quiséssemos mudar o passado e pudéssemos o fazer, não sairíamos do lugar, não evoluiríamos e nunca conheceríamos o futuro.

Como diz nossa querida Clarisse Lispector: se passado fosse bom, seria presente. Aprender a perdoar o passado é a melhor forma de deixa-lo para trás. Estar de bem com ele é garantia de felicidade para o presente e futuro. Esse tempo é responsável pelo maior parte do que somos hoje e são por causa de escolhas feitas antes que encontramos onde estamos. Porque a decisão que tomamos no passado nos levou para esses caminhos que trilhamos no presente.

Talvez a razão de sermos tão apegados ao passado é que não damos valor às coisas que possuímos e só vamos saber o quanto elas nos são importantes quando as perdemos, quando as deixamos no pretérito perfeito e não podemos fazer nada para as possuirmos novamente. Esse é o nosso erro: não dar valor ao que possuímos enquanto os temos e tentar recuperá-lo quando já nos é inalcançável, o que nos leva a querer a voltar ao passado e tentar muda-lo.

Mas tratando-se de pretérito perfeito precisamos nos conformar que ele é imutável, estático e voltar a ele não é a melhor solução, pois ele não permite devolução. O que resta é aceitar o produto sendo estragado ou não e construir em cima deste o seu futuro.