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  • December 30, 2014
    postado por

    Hoje uma história, a da adolescente de 17 anos Leelah Alcorn, movimentou a internet e os principais meios da imprensa internacional. Leelah foi uma garota transgênera que, desde os 4 anos de idade, sentiu que era uma garota presa num corpo de um garoto, e aos 14 anos, aprendeu o que significava a palavra transgênero, e sentiu que finalmente tinha entendido o que ela realmente era. Leelah mantinha o seu tumblr, onde postava algumas ilustrações que ela fazia e podia compartilhar um pouco da sua opinião.

    Ela viveu em Kings Mill, cidade pequena de Ohio, nos Estados Unidos, e cometeu suicídio ao ir na frente de um caminhão numa rodovia perto da sua casa. O motivo, é que ela não era aceita pelos próprios pais – que eram cristãos e não a entendiam – e ela não tinha mais amigos, e a sua vida piorava cada vez mais. O que realmente chocou muitas pessoas, foi como a sociedade ainda é tão intolerante e como os pais não aceitavam a sua própria filha, quem ela era, como ela queria ser. Leelah sonhava em poder fazer a cirurgia da mudança de sexo, mas seus pais não aceitavam.

    Ela publicou uma carta no Tumblr, antes de cometer o suicídio, explicando todos os seus motivos, e dizendo que não quer que a sua morte seja em vão, que realmente represente alguma diferença para os transgêneros do mundo todo e pede que os pais aceitem seus filhos, e nunca os digam que o que eles são, é errado. Você pode conferir o post completo aqui.

    Eu tentei traduzir todo o texto; o meu inglês não é perfeito, não sou profissional, e provavelmente tem alguns erros, mas postei aqui para vocês poderem ler a carta e realmente entender tudo isso.

    Por favor não fique triste, é para o melhor. A vida que eu vivia, não é a vida que vale a pena se viver… porque eu sou transgênero. Eu poderia entrar em detalhes para explicar porque eu me sinto desse jeito, mas essa nota será provavelmente longa o suficiente. Para simplificar, eu me sentia uma garota presa em um corpo de um garoto, e eu me senti desse jeito desde que eu tinha 4. Eu nunca soube que havia uma palavra para esse sentimento, nem que era possível para um garoto se tornar uma garota, então eu nunca contei à ninguém e só continuei a fazer tradicionais coisas de garoto para tentar me ajustar.

    Quando eu tinha 14, eu aprendi o que transgênero significava e chorei de felicidade. Após 10 anos de confusão, eu finalmente entendi o que eu era. Eu imediatamente contei à minha mãe, e ela reagiu de modo extremamente negativo, me dizendo que era uma fase, que eu nunca seria uma garota de verdade, que Deus não cometia erros, que eu estava errada. Se você está lendo isso, pais, por favor nunca digam isso aos seus filhos. Mesmo se você for cristão ou contra pessoas transgêneras, nunca diga isso à ninguém, especialmente aos seus filhos. Isso não fará nada além de fazê-los odiar a si mesmos. E foi exatamente o que fez comigo.

    Minha mãe começou a me levar ao terapeuta, mas ela apenas me levou a terapeutas cristãos, que eram preconceituosos, então eu nunca realmente tive a terapia que eu precisava para curar a minha depressão. Eu só tive mais cristãos me dizendo que eu era egoísta, errado, e deveria olhar para Deus para procurar ajuda.

    Quando eu tinha 16, percebi que meus pais nunca me aceitariam, e que eu teria que esperar até 18 para começar qualquer tipo de tratamento transgênero, o que absolutamente quebrou o meu coração. O quanto mais você espera, mais longa é a transição. Eu me senti sem esperanças, que eu iria só parecer um homem pelo resto da minha vida. No meu aniversário de 16, quando eu não recebi o consentimento dos meus pais para começar a minha transição, eu chorei até dormir.

    Eu tomei uma espécie de atitude de “foda-se” em torno dos meus pais e me assumi gay na escola, pensando que depois, para se assumir como trans seria um choque menor. Mesmo que a reação dos meus amigos tenha sido positiva, meus pais ficaram bravos. Eles sentiram que eu estava atacando a imagem deles, e que eu era uma vergonha para eles. Eles queriam que eu fosse o perfeito hétero filho cristão, e isso era obviamente o que eu não queria.

    Então eles me tiraram da escola pública, tiraram meu laptop e o meu telefone, e me proibiram de ter qualquer rede social, me isolando completamente dos meus amigos. Essa provavelmente foi a parte da minha vida do qual eu mais fiquei depressivo, e eu estou surpreso que eu não tentei me matar. Eu fiquei completamente sozinho por 5 meses. Sem amigos, sem suporte, sem amor. Só o desapontamento dos meus pais e a crueldade da solidão.

    No final do ano escolar, meus pais finalmente voltaram atrás e me deram o meu telefone, e me deixaram ter redes sociais. Eu estava animado, eu finalmente tinha os meus amigos de volta. Eles estavam extremamente animados para me ver e falar comigo, mas só em um primeiro momento. Eventualmente, eu percebi que eles não davam a mínima para mim, e eu me senti mais solitário do que eu já me sentia antes. Os únicos amigos que eu achei que tinha, só gostavam de mim porque me viam cinco vezes na semana [na escola].

    Após um verão sem ter quase nenhum amigo, mais o pensamento de ter que pensar sobre a faculdade, guardar dinheiro para me mudar, manter as minhas notas altas, ir para a igreja toda semana me sentindo como uma merda porque todo mundo lá era contra tudo o que eu vivia para [o que ele era], eu decidi que eu tive o suficiente. Eu nunca vou poder fazer a minha transição com sucesso, nem quando eu me mudar. Eu nunca vou ser feliz com o jeito que eu pareço ou minha voz [no caso, ele diz “the way I sound”, não há uma tradução literal]. Eu nunca vou ter amigos o suficiente, que me satisfaçam. Eu nunca vou ter amor o suficiente para me satisfazer. Eu nunca vou achar um homem que me ame. Eu nunca vou ser feliz. Ou eu vivo uma vida inteira como um homem solitário que deseja que ele fosse uma mulher ou eu vivo a minha vida como uma mulher que odeia a si mesma. Não há ganho. Não há saída. Eu já estou triste o suficiente, eu não preciso que minha vida fique pior. As pessoas dizem “as coisas melhoram”, mas isso não é verdade no meu caso. Só piora. Todo dia, só piora.

    É essa a essência disso, é por isso que eu sinto que quero me matar. Me desculpe se essa não é uma razão suficiente para você, mas é o suficiente para mim. Por mim, eu quero que 100% das coisas que eu tenho legalmente sejam vendidas e o dinheiro (mais o dinheiro que eu possuo no banco) seja dado para direitos civis trans e grupos de suporte, eu não dou a mínima para qual. O único jeito de eu descansar em paz é se um dia, as pessoas transgênicas não sejam tratadas do jeito que eu fui, que eles sejam tratados como humanos, com sentimentos verdadeiros e direitos humanos. Gêneros precisam ser ensinados nas escolas, quando mais cedo, melhor. A minha morte precisa significar algo. Minha morte precisa ser contada no número de pessoas transgênicas que cometeram suicídio neste ano. Eu quero que alguém olhe para esses números e diga “isso está ferrado” e conserte. Conserte a sociedade.

    Por favor.

    Leelah Alcorn.

    São acontecimentos assim, que nos fazem perceber que ainda precisamos lutar por muitas coisas. Precisamos lutar pelos direitos LGBT, pelo feminismo, pelos trans, tentar de todos os modos acabar com o preconceito. Somos nós que fazemos a diferença no mundo. A Leelah não era aceita pelos próprios pais. Que mundo é esse? Em que os próprios país não aceitam os filhos? O detalhe é que a mãe e o pai dela, ainda postaram no Facebook que ela morreu atingida pelo caminhão; eles não mencionaram suicídio, e ainda fingiram que eles não tinham nenhuma culpa em tudo que aconteceu.

    Não adianta fingir que não temos um papel nisso tudo. Tem muita coisa errada que precisamos mudar, e o nosso pensamento é a primeira delas. Pais, ensinem seus filhos. Nós, jovens, ensinamos nossos amigos. A maior prova de que tudo tá errado? O Bolsonaro – que foi o deputado com o maior número de votos no Rio de Janeiro – disse para a deputada Maria do Rosário que só “não a estuprava, porque ela não merecia.” Quem vocês acham que votou nele? O povo, com certeza, que ou concorda com um absurdo desses, ou não se informa sobre nada que acontece ao seu redor.

    Vamos começar 2015 com outros propósitos, e tentar fazer alguma diferença.

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