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  • May 30, 2016
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    Todo mundo sempre tá falando sobre amor. O amor correspondido, o não correspondido, o coração partido, os términos, as traições, ou seja lá o que for. Definições de amor e romance não faltam em nenhum lugar, assim como reclamações sobre relacionamento. Mas eu vejo pouca gente falando de algo que na verdade, nem é chamado de amor pela maioria. Aquele, que fica sempre esquecido, de lado. Tudo bem, é compreensível que ele não seja muito lembrado. Afinal, ele nunca chega a se concretizar: pelo menos, em 90% das vezes. Mas para as pessoas que sentem – normalmente as sonhadoras, que leram uns dez livros da Meg Cabot na adolescência – ele é real. E tem algum tipo de sentimento que não seja real, por acaso? Eu afirmo que não.

    Todos podem ser, mesmo que eles nunca sejam reconhecidos, mesmo que eles não vejam à luz do dia e que só você mesmo saiba sobre eles. Eu confesso que tenho muita experiência no dito cujo. Amor platônico (quem nunca?) é algo meio engraçado e dramático para mim. Resultado de uma mente fértil que sempre gostou de idealizar praticamente todo mundo que vê pela frente, ele foi o responsável por grande parte das minhas paixões. O curioso é que elas sempre eram intensas, mas acabavam rápido, e não de  maneiras muito agradáveis.

    “Mas e a outra pessoa?” Elas nunca chegavam a saber de nada. Juro. Pelo menos eu acho. A maioria nunca nem suspeitou que eu nutrisse algum sentimento afetivo por eles. A paixão platônica não tem muitos limites. Ela pode surgir do nada, literalmente: sem você menos esperar aparece aquela pessoa impossível, inalcançável, seja lá por qual motivo. E isso é o suficiente para você, romântico que adora Taylor Swift, começar a criar histórias na sua cabeça. Eu não tomava atitudes drásticas. Não tentava, de verdade, me aproximar daquelas pessoas. E isso não significa que o sentimento seja menos válido; é só que, no fundo, eu não queria destruir aquela idealização legal que eu tinha de alguém. Ou eu não queria arriscar, ou não tive coragem.

    E às vezes a gente tem medo mesmo, e não há nada de errado nisso. Óbvio que um relacionamento real é muito melhor. Mas estamos falando aqui do que é platônico, algo que não se realiza; e talvez seja justamente isso que atrai tantas pessoas. Você não vai se machucar, não vai se decepcionar (em tese): então, assim tá ótimo. Por outro lado, amor platônico também pode te fazer querer ouvir músicas melancólicas e passar dois dias sem sair de casa. No meu caso, quando eu superava, eu sempre olhava para trás e dava algumas risadas das situações que aconteceram comigo.

    Foram muitas: a paixão que eu tive aos 14 anos por um garoto mais velho, e quando eu finalmente arranjei coragem e falei com ele, descobri no dia seguinte que ele mudaria de colégio (e de cidade). Na época, foi triste. Hoje, eu acho engraçado. Ou quando eu fiquei três meses tentando falar com um cara, só para depois descobrir que ele tinha namorada (não tá fácil pra ninguém, né?). E não foram somente essas; existiram outras, que me provocaram frio na barriga, dor de cabeça ou tristeza por algumas semanas. Talvez elas não sejam as únicas: pode ser que eu ainda tenha muitas outras paixões platônicas.

    Mas o que sempre fica na minha cabeça é que você deve se permitir sentir o que quiser. E que, modéstia a parte, arriscar é sempre melhor. Mesmo que seja só para descobrir que a realidade é bem diferente daquilo que você tanto imaginou.

    1. Gabriela Lira Jun 02, 2016

      Minha vida em um texto! Eu bato carteira em amores platônicos hahahah.Já tive vários.Hoje em dia embora eu guarde muitas coisas para mim, quando estou interessada dou um jeitinho dá pessoa meio que perceber.

      Na maioria das vezes é melhor arriscar e ter em mente, ainda que não queiramos, que o amor idealizado não existe e que a realidade é completamente distinta!

      Beijos

      http://www.poesiaemtranse.com

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