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  • August 27, 2016
    postado por
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    Título: Olhos D’água

    Autor (a): Conceição Evaristo

    Editora: Pallas

    Preço Sugerido: R$17,90 na Saraiva

    Sinopse: Em Olhos d’água, Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem.

    Mês passado eu fiz um post contando sobre os últimos livros que eu havia lido, e vocês puderam perceber pela lista que a vez era dos autores brasileiros. E seguindo essa linha, eu li uma das obras mais emocionante a qual me deparei neste ano: Olhos D’água, de autoria de Conceição Evaristo, fez eu refletir, chorar, e questionar cada vez mais a desigualdade social, o preconceito e o racismo presentes no Brasil.

    A autora tem 69 anos e é mineira, nascida em Belo Horizonte. Seus livros abordam a condição do negro, com foco especial na mulher. Olhos D’água ganhou o Prêmio Jabuti em 2015 na categoria Contos. “Minha literatura não é pior nem melhor do que qualquer outra, só nasce de uma experiência diferente da qual eu me orgulho e que não quero camuflar”, revelou, em entrevista para O GLOBO.

    O livro possui diversos contos, e todos eles trazem como protagonistas afro-descendentes. O primeiro leva o título da obra, e já nos dá uma experiência de como será as outras histórias. A protagonista relembra as lutas de sua mãe, enquanto questiona-se qual seria a verdadeira cor dos olhos dela. Ele é seguido por “Ana Davenga”, um dos que mais me impactou. A escrita da autora faz o leitor se sentir um observador, e ele fica apreensivo e aflito com os acontecimentos. Ana é uma mulher que leva o sobrenome do seu parceiro, o Davenga, que é o amor de sua vida. Porém, ele é um criminoso e ela nunca sabe se ele vai voltar em segurança para casa ou não, apesar de já estar acostumada com essa sensação.

    Você vai sentir vários baques de realidade enquanto lê o livro. As histórias só são “ficção” na teoria, pois tudo o que acontece na obra é uma reflexão da nossa sociedade e da realidade que muitos de nós sabe que existe, mas ignora, porque não vive nela. Mas ela está ali, presente, todos os dias: um exemplo disso é “Duzu-Querença”, e “Di Lixão”, que retratam moradores de rua e suas trajetórias. Nós vemos mendigos todos os dias. Mas esquecemos que eles possuem uma trajetória, uma história de vida e são seres humanos. Assim como eu e você, que possuem uma situação social e financeira muito melhor.

    Temas como a homossexualidade e a sensualidade também estão muito presentes na obra. “Luamanda”, traz como protagonista uma mulher de 50 anos que já teve diversas experiências amorosas e sexuais na sua vida, e que mesmo sendo considerada pela sociedade uma mulher “mais velha”, ela ainda tem encontros, e neste conto, encara-se no espelho relembrando o seu passado, antes de um deles. O amor entre duas mulheres marca “Beijo na Face”, que é narrado em terceira pessoa. Nele conhecemos Salinda, uma mulher que sofre com o ciúme desenfreado e as ameaças violentas do marido. Ela possui uma amiga que é a sua verdadeira paixão, porém o relacionamento é secreto.

    Também acompanhamos a vida complicada daqueles que vivem na favela e as diferenças sociais, tão presentes no livro, citadas e exploradas em “Zaíta esqueceu de guardar os brinquedos”, “Lumbiá”, “Os Amores de Kimbá”, e outros contos. A violência é um tema muito presente. Grande parte da família e dos protagonistas do livro tem que lidar com a inconstância, o medo e as consequências de viver no morro.

    Posso dizer que Conceição Evaristo consegue abordar todos esses temas com maestria. Alguns contos são curtos e o livro pode ser lido em poucos dias, mas não se engane: a profundidade dele é enorme, mesmo com poucas páginas. É uma leitura que deve ser feita devagar, para que você possa compreender de verdade as histórias e os personagens fortes presentes nele. Com certeza, um dos melhores livros que li em 2016 e essencial para se ter na cabeceira e realmente te fazer pensar sobre a sociedade em que nós vivemos, e suas injustiças. 

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