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    Reflexão

    O que eu quero te dizer

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  • June 25, 2017
    postado por
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    A série norueguesa Skam, que estreou na Escandinávia em 2015, virou um fenômeno nas redes sociais rapidamente (ela é exibida na internet), e ganhou milhares de fãs no mundo todo e no Brasil também. Nós já vimos diversas séries adolescentes ganhando popularidade, mas o diferencial do seriado, criado por Julie Andem, é que os dramas da série são relatados de maneira honesta e o mais próximo possível da vivência dos jovens, pelo menos os da Noruega (que foram a inspiração principal da criadora).

    Outro detalhe é que os atores são todos iniciantes e bem novos. Ou seja, os personagens de 17 e 18 anos são interpretados por pessoas desta idade, dando um tom bem mais verdadeiro aos episódios (eles tem espinhas e repetem roupas, assim como na vida real, sem ilusões). Além da trama bem executada, os personagens também são bem trabalhados. O destaque do post de hoje fica para a representação feminina na série, que tenta ao máximo fugir dos clichês, nos mostrando garotas fortes, mas humanas, que falham e cometem erros como nós. Como a produção da série é chefiada por uma mulher, essa representação é mais verdadeira do que as das séries que conhecemos, que retratam a vida dos adolescentes.

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    A primeira protagonista da série é Eva Mohn (Lisa Teige). Acompanhamos a entrada dela no ensino médio (no tão turbulento primeiro ano), o relacionamento dela com o seu namorado Jonas e o término da amizade com as suas duas melhores amigas, que eram muito próximas de Eva no ano anterior. Eva é insegura, tem poucos amigos e tem que enfrentar mudanças não apenas no ambiente em que vive, ao mudar de colégio, mas em si mesma. Ela se sente perdida: sua vida gira praticamente em torno do namorado, já que ela perdeu as amigas, e ainda não conseguiu se enturmar na escola nova.

    É uma personagem bem realista, que podia ser você, a sua amiga, ou alguém que você conhece. O único relacionamento que ela tem em sua vida não é estável: o ciúmes permeia o seu relacionamento com Jonas, apesar dos dois gostarem um do outro. Eva tem medo de que o namorado esteja a traindo, e eles ficam nesse jogo de brigas e desconfianças, quase que interminável. Fica claro que a personagem ainda está descobrindo quem ela é, mas não possui espaço para fazer isso no namoro.

    Eva também enfrenta slut shaming no colégio, quando ela fica com um cara mais velho do terceiro ano que tinha namorada, sem saber. Skam aborda de maneira bem real o fato das garotas sempre receberem o título de “vadias” ou “vagabundas”, enquanto os homens normalmente saem ílesos. É nesse momento difícil que Eva recebe o apoio de amigas que ela conheceu recentemente: Sana e Noora, que a defendem sem pensar duas vezes.

    Um dos temas abordados na temporada é como relacionamentos adolescentes – e namoros no geral – podem limitar algumas pessoas, quando o casal não possui o próprio espaço ou não conhece a si mesmo de verdade. É aquele clichê tão real: “como amar ao outro, se você nem ama a si mesmo?”.

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    A evolução da personagens é nítida ao longo das outras temporadas. Apesar do seu destaque ter diminuído, é possível observar outras fases pelas quais Eva passa: a de fim do namoro, quando ela se liberta e vai para todas as festas possíveis, ou decidindo que não quer se envolver de maneira séria com mais ninguém, e focando apenas nas suas amizades. O interessante é o paralelo com a Eva do primeiro ano e a do segundo: ela era insegura, e agora, Eva encontra confiança em si mesma para fazer o que tiver vontade, sem medo de julgamentos sobre a sua vida sexual.

    Essa tornou-se uma das características mais legais da representação da personagem: Eva fica com quem quiser, quando quiser, e tem diversas ficadas ao longo dos episódios, sempre sentindo-se livre para dizer quando ficou com alguém ou quando não quer um relacionamento sério. Ela torna-se feliz com as suas decisões. Quer character development maior que esse?

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    A segunda temporada é protagonizada por Noora Saetre (Josephine Frida Pettersen), uma das personagens mais querida pelos fãs da série. A primeira imagem que temos de Noora – vista na primeira temporada pelos olhos de Eva – é de uma garota independente, corajosa, confiante, bem resolvida, feminista e obcecada por batom vermelho. Em todas as cenas ela aparece com esse batom: um dos fatores que só incentiva aquela imagem de garota poderosa – e sem grandes problemas na vida, pelo que as cenas nos mostram – que temos de Noora.

    Mas conforme vamos conhecendo quem Noora realmente é, é que a autora da série só confirma o fato de que a imagem de que temos que alguém, pode não ter muito a ver com o que ela é de verdade. Não que Noora não seja todas as características que citamos: ela é, mas também tem grandes doses de insegurança e dúvidas, como qualquer outra pessoa. Ela também é extremamente sentimental, característica que só percebemos mais tarde. O lema da segunda temporada é: “Todo mundo que você conhece está lutando uma batalha da qual você não sabe nada sobre. Seja gentil. Sempre.”

    Na minha visão, a Julie Andem tentou quebrar aquele estigma de que as mulheres feministas são intocáveis. Que nós não podemos demonstrar nossos sentimentos, nos apaixonar ou mostrar vulnerabilidade, algo muito presente nos episódios de Noora, principalmente quando ela se envolve com William, um garoto que, segundo ela própria, “é o maior clichê de todos”, mas que de alguma forma consegue conquistá-la.

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    O relacionamento dos dois divide opiniões entre os fãs da série. Alguns odeiam, e outros amam. O fato é que a personagem, muitas vezes, parecia anular-se ao lado de William. Mas a criadora da série – pelos dialógos, por exemplo – deixa claro que isso não seria o ocorrido. Entre uma conversa de Noora Sana, em que a primeira questiona a amiga dizendo que ela não queria mudar suas opiniões por causa de William, Sana argumenta que não havia nada de errado em alterar suas opiniões – se ela não se sentisse obrigada a fazer isso -, não importasse o gênero da pessoa.

    Para mim, o lado mais especial da personagem é a sua relação com as amigas, principalmente com a Vilde. Noora é observadora, e quando percebeu que a amiga tinha problemas alimentares, tentou ajudá-la, mesmo não a confrontando diretamente sobre o assunto. Durante todas as temporadas, ela é atenta ao que acontece com as pessoas que ama: quando ajuda Sana a revelar os seus sentimentos para o garoto que ela gosta, por exemplo.

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    A última temporada é construída a partir dos olhos de Sana Bakkoush (Iman Meskini). Logo nos primeiros episódios da série, a personagem já diz uma das suas frases mais famosas, ao explicitar na frente das novas amigas que ela “é a maior perdedora de todas, pois é uma muçulmana em um país sem fé”. Tudo isso é dito em um tom irônico e debochado, características da personagem que não tem papas na língua. Durante as três temporadas, Sana dá alfinetadas na cultura norueguesa e na sociedade machista em que vive. Ao se tornar amiga de Eva, Noora, Vilde e Chris, ela começa a interagir mais com a cultura do seu país, mas sem nunca abandonar os preceitos islâmicos, como não ingerir bebida alcóolica.

    Na terceira temporada, vemos a aproximação inusitada da personagem com Isak, que se torna seu parceiro na aula de biologia. Os dois, tão diferentes, acham coisas em comum, mas se aproximam de verdade porque vivem debatendo sobre religião, homossexualismo, islamismo e até mesmo a teoria da evolução. São cenas em que mostram dois contrapontos: um garoto ateu e uma menina muçulmana, que apesar de começarem uma amizade aos tropeços, se tornam melhores amigos, porque passam a compreender as dificuldades um do outro.

    Isak é um garoto que se descobriu gay e tem medo de sofrer preconceito, e Sana, uma muçulmana que é julgada constantemente na escola, nas ruas, e às vezes até no próprio grupo de amigos.

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    Mas é na quarta temporada que conhecemos Sana a fundo: seus hábitos, suas relações famíliares – como a amizade com o irmão Elias -, os seus questionamentos sobre a sua própria religião, e como é difícil ser fiel aos seus costumes, quando todos os seus amigos e o ambiente que vivem caminham de maneira completamente contrária. Ao mesmo tempo que suas amigas mantém relacionamentos e vão a festas, Sana quer acompanhá-las, mas sem perder a sua essência, as suas raízes e a sua fé. As cenas mais importantes são as que a personagem se silencia em um quarto e reza: ela faz isso no primeiro episódio desta temporada, quando procura um quarto vazio em uma festa lotada, para realizar a sua oração. Ela é interrompida, porém, por um casal que entra no quarto de maneira abrupta. E então fica claro a grande dúvida da personagem: como conciliar a sua fé com o ambiente que ela está?

    Sana sempre demonstrou uma imagem de garota forte e que aguenta tudo: ela não tinha medo de ninguém, sempre falava a sua opinião e parecia conseguir enfrentar qualquer dificuldade. Mas quando passamos a ver tudo pelos olhos dela, é que enxergamos que Sana usa a sua personalidade dura para se proteger do preconceito e das críticas da sociedade perante ela e a sua família, que são constantes no seu dia-dia. É interessante também ver o interesse amoroso dela com Yousef, um garoto ex-muçulmano. Porém, a relação deles é construída apenas na base de diálogos, trocas de reflexões e em alguns momentos a falta de comunicação (tão comum entre os adolescentes) que gera desentendimentos entre os dois. Mas o mais legal é ver que a autora construiu um “ship” de maneira bem diferente, respeitando ambas as religiões dos atores, que também são muçulmanos na vida real. Ou seja: ela mostra que dá sim, para dois adolescentes gostarem um do outro, sem ter contatos sexuais.

    1. Taís Jun 25, 2017

      Eu tinha visto comentários sobre Skam, mas acabei não dando muita bola na época pra assistir e fui ver outras séries norueguesas, acabei esquecendo dessa série, seu post foi bom pra me relembrar que preciso ver uma hora dessas! :)

    2. Julie Chagas Jun 26, 2017

      Eu nunca tinha ouvido falar desta série!! Tô precisando me atualizar hahaha

    3. Thami Sgalbiero Jun 27, 2017

      Não sabia que a série era exibida na internet, assim vai ser mais fácil de assistir, porque eu to louca pra assistir essa série. Parece que tem a mesma essência de Skins, nessa parte de pegar personagens mais humanos e menos fictício possível. Quando o mostram o lado sentimental e humano do personagem, a gente se derrete e sente junto né? Tipo nessa questão da Noora que você comentou, que ela parece ser super forte, independente, confiante e tal, mas ela também tem inseguranças e medos. Só digo uma coisa: queria ser Eva, mas acabo sendo a Noora, porque muitas vezes sou julgada por coisas que só quem sabe sou eu, ninguém tá sentindo igual e acha que é drama, sabe? Pedi solicitação no grupo agora e vou assistir.
      Beijos!

    4. Simone Benvindo Jun 27, 2017

      Caramba, não conhecia esta série não. Gostei muito do tema abordado e pelo seu post envolve muita coisa e descobertas a respeito da convivência dos jovens. Gostei
      Charme-se

    5. Camila Faria Jun 27, 2017

      Ainda não tinha ouvido falar da série Ana e achei super interessante. Eu não costumo ter muito interesse em séries com essa temática teen, mas a abordagem me pareceu ser tão bacana e atual que fiquei com vontade de assistir!

    6. Luly Jun 27, 2017

      Como é que eu nunca tinha ouvido falar nessa série na minha vida, gente? Ela aborda praticamente todos os temas que mais me interessam na vida! Adorei a profundidade das personagens, adorei tudo, eu quero assistir DEMAIS agora!

    7. Bruna Jun 29, 2017

      Não conhecia essa série ainda.Mas fiquei super interessada.

      Adoro séries com representatividade feminina. Não é por acaso que a minha série preferida em todo o mundo é Buffy The Vampire Slayer (uma série profunda, inteligente e cheia de personagens fortes). Tenho a impressão de que vou adorar Skam também!

      E, olha, amei o seu espacinho. O seu blog é lindo. E tem um conteúdo que me chama muito a atenção. Eu me identifiquei bastante. Pretendo ser uma leitora assídua haha
      Beijão <3

    8. Thalita Jun 29, 2017

      Tô pasma, nunca tinha ouvido falar dessa série :O

      Beijos,
      http://www.thalitamaia.com

    9. Amanda Jul 10, 2017

      Eu amo Skam, é uma das minhas séries favoritas e gosto muito do fato dela abordar temas que são super importantes, como o feminismo, homossexualidade, o preconceito religioso… Até já fiz um post indicando alguns motivos pra assistir ela. =)
      Esse squad feminino é o meu favorito! Realmente, a Eva amadureceu muito desde a primeira temporada. E sim, ela fica com quem ela quiser e sempre se sentindo livre. A Noora <3 Já me apaixonei por ela logo de cara. Tem uma cena em que ela fala pra Vilde algo do tipo: "É irônico você se dizer feminista e chamar as outras de vadia", em defesa na Eva. E o que falar do meu amorzinho vulgo Sana? Afff, fofura. Amei conhecer um pouquinho mais dela nessa última temporada e amei o que tu falou, que dá sim pra dois adolescentes gostarem um do outro sem ter contatos sexuais.
      Uma pena que Skam já terminou, queria conhecer mais as outras meninas, a Vilde que eu tanto gosto e a Chris que é outro amorzinho. E queria conhecer mais os outros personagens, tipo o Even, Jonas… O último episódio acabou comigo, mas fico feliz de ter assistido e vou levar várias lições com essa série. Seja gentil. Sempre.

      P.s.: Gostei muito daqui, vou acompanhar tudinho já. <3

      Beijos, quebrarosilencio.blogspot.com ?

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