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    Filme: Extraordinário

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    Playlist: Dezembro

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    Séries

    Série: Atlanta

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    Música

    As mulheres indicadas ao Grammy

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  • July 31, 2017
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    Título: O Mínimo Para Viver (“To The Bone”)

    Diretor (a): Marti Noxon

    Lançamento: 14 de Julho (Disponível na Netflix)

    Elenco: Lily Collins, Liana Liberato, Keanu Reeves, Ziah Colon, Alex Sharp, Retta, e mais

    Sinopse: Uma jovem (Lily Collins) está lidando com um problema que afeta muitos jovens no mundo: a anorexia. Sem perspectivas de se livrar da doença e ter uma vida feliz e saudável, a moça passa os dias sem esperança. Porém, quando ela encontra um médico (Keanu Reeves) não convencional que a desafia a enfrentar sua condição e abraçar a vida, tudo pode mudar.

    ATENÇÃO: SE OS TEMAS QUE ENVOLVEM DISTÚRBIOS ALIMENTARES SÃO UM GATILHO PARA VOCÊ, NÃO RECOMENDAMOS QUE ASSISTA AO FILME.

    Produzido pela Netflix, o “Mínimo para Viver” causou polêmica antes mesmo de sua estréia. Muitas pessoas criticaram a Netflix por lançar um filme que abordasse a anorexia de maneira gráfica, o que poderia gerar trigger warnings (os gatilhos). Sim, eles estão presentes no filme – do início ao fim – o que é avisado logo antes da primeira cena, mas o filme consegue abordar de maneira justa e fiel um distúrbio que atinge mais de 150 mil pessoas por ano, somente no Brasil. O longa é baseado em fatos que ocorreram na vida da própria diretora, Marti Noxon. A norte-americana de 52 anos lutou para desenvolver o filme, que foi negado por muitos produtores homens. O intuito, segundo ela, não era falar somente de anorexia e bulimia, mas sim abrir uma discussão sobre imagem corporal e transtornos alimentares.

    Ellen (Lily Collins) tem 20 anos e batalha contra a anorexia há muito tempo. A doença tomou grande parte da vida dela – e dos seus famíliares – e ela já passou por diversos tratamentos. Nenhum deles pareceu funcionar. É como se ela estivesse perdendo a esperança e não soubesse mais como virar o jogo. Do outro lado, também está uma complicada relação famíliar com a mãe, a madrasta, e o pai que nunca está presente. A pessoa que ela mais se dá bem é a sua irmã postiça, Kelly (Liana Liberato).

    Após ser mandada para casa no centro de treinamento que participava – por ser uma “má influência” para os outros pacientes -, a sua madrasta recorre a outra esperança de que Ellen consiga se tratar: Dr. Beckham (Keanu Reeves) representa um ponto de esperança para todos eles. Ele é conhecido por seus métodos diferentes, e por ser extremamente sincero com os seus pacientes. É assim que Ellen descobre que se ela não melhorar logo, a sua vida vai chegar ao fim.

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    É então com uma nova proposta de tratamento que Ellen vai parar em um casa – que é uma espécia de clínica – onde vai dividir o teto com outros seis pacientes, que também sofrem de transtornos alimentares. Eles não são muito explorados – a ótica principal do filme sempre foca na protagonista – mas também podemos entender um pouco mais sobre eles. Não sabemos os motivos que levaram os seis jovens a estar ali, mas todos eles possuem suas próprias batalhas diárias.

    Luke (Alex Sharp) é um ex dançarino de Londres que machucou o joelho. Ele está na clínica há seis meses, e está, aos poucos, superando a doença e carrega consigo um ar positivo e piadista, em que tenta, ao mesmo tempo, cuidar dos outros colegas. O seu sonho é ficar saudável novamente para voltar a dançar. Megan (Leslie Bibb) também ganha mais espaço na tela, pois a personagem – contra todas as possibilidades – desenvolve uma gravidez.

    Todos os personagens possuem uma carga dramática. Lily Collins consegue, de maneira célebre, nos emocionar com os constantes conflitos que Ellen tem que encarar. Ao mesmo tempo que ela quer sobreviver, a protagonista também quer achar um motivo para continuar vivendo. Afinal, ela precisa avançar no tratamento para garantir a sua própria vida. Ellen é sensível, mas guarda tudo para si mesma. Ela carrega uma aura de mistério consigo mesma, e é díficil para ela deixar que outras pessoas entrem na sua vida.

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    Apesar das dificuldades, Ellen e Luke desenvolvem uma amizade, e até mesmo um romance delicado, aos trancos e barrancos. Luke possui uma visão muito diferente da vida que a de Ellen. Ao mesmo tempo que ele quer seguir em frente, ela ainda não encontrou a força necessária para fazer isso. É em meio a reflexões e bons diálogos que Ellen questiona Dr. Beckham qual o motivo que ela teria para viver. E ele responde que não existem motivos específicos; mas se ela quiser, ela pode virar o jogo.

    Obviamente, a superação da doença está longe de ser fácil. E o tempo todo as cenas do longa nos mostram isso. São momentos de questionamento, tristeza e dúvidas que levam Ellen e alguns pacientes a quase desistir da superação da doença. Alguns fatores poderiam ter sido mais explorados. Senti falta de saber do passado dos personagens e o que levou cada um até ali; e de que maneira eles encontrariam uma forma de superar a doença, que é complexa, e precisa de muito mais que 1h35 para ser verdadeiramente explorada.

    O filme abre uma porta importante para os debates dos transtornos alimentares. Nós vemos muito pouco o tema sendo abordado na mídia: e quando isso acontece, é sempre de maneira discreta. A Netflix é uma plataforma com milhões de usuários, o que significa que muitas pessoas terão a oportunidade de ver o filme, e podem tentar compreender a doença – e por que tantas pessoas tem que enfrentá-la – e, posteriormente, discutir o assunto.

    July 22, 2017
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    Foto: Guadalupe Bastos @_lupe

    Foto: Guadalupe Bastos @_lupe

    Eu andei sumida na última semana do blog, pois eu fui para Porto Alegre acompanhar o show do The Maine. Eles são a minha banda favorita, e essa já é a quinta passagem da banda pelo Brasil (eles desembarcaram aqui pela primeira vez em 2011, e desde então, não pararam mais!). A turnê atual, que conta com shows por SP, Limeira, POA, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, é a do último álbum, intitulado de “Lovely Little Lonely“.

    O The Maine possui seis álbuns na sua discografia, e ganhou ainda mais sucesso no mainstream – eles são independentes desde o terceiro álbum – com o disco “American Candy“, lançado em 2015. O grupo possui um estilo que passa pelo rock e pelo pop (algumas músicas são mais puxadas para um dos gêneros, e a mistura deles é muito boa!).


    A banda vai te agradar se você curte o gênero do pop punk (ou principalmente se as letras são, para você, parte essencial da música). Para citar grupos que tem um estilo semelhante: Paramore, We The Kings, The Summer Set, The Cab, Yellowcard…

    Cada álbum tem um tom diferente. Eles sempre estão evoluindo e inserindo coisas novas na musicalidade da banda. Ou seja: nenhum dos discos é totalmente parecido. O mais interessante é que a cada novo trabalho, eles conseguem manter a qualidade da música e se tornarem ainda melhores. Alguns discos do The Maine tem uma vibe mais pesada (como o “Forever Halloween”) e outros são muito mais dançantes (como o “American Candy”).

    Kennedy em Porto Alegre. Foto: Guadalupe Bastos @_lupe

    Kennedy em Porto Alegre. Foto: Guadalupe Bastos @_lupe

    Eu sou suspeita para falar, mas o show do grupo é sempre um daqueles momentos incríveis. Além de serem talentosos, a banda também é muito querida e acessível com os fãs; essa é uma das características principais do The Maine. Sempre antes do show rola um meet & great de graça com a banda (que está incluido no ingresso) e você pode dar um abraço em todos eles antes de vê-los no palco. Nesse ano, por exemplo, deu tempo até pra conversar rapidamente com o Kennedy (guitarrista) e com o John (vocalista). Eu sinto que eles dão o melhor de si mesmos no palco e o show é uma experiência maravilhosa!

    O meu primeiro show da banda foi em 2015, e 2017 foi ainda mais legal. Ser fã de The Maine é uma alegria, juro! Os caras são sempre simpáticos.

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    O último cd deles, que deu vida à esta turnê, é uma mistura de músicas rock com algumas canções de melodias mais lentas. Nas palavras de John O’Callaghan para a Rolling Stone do Brasil: “Gravamos e escrevemos de maneiras que não estávamos acostumados, e nos preocupamos em entregar algo que pudesse ser facilmente digerido, caso alguém escutasse apenas uma faixa, mas que também formasse um trabalho integralmente coeso.” Lovely Little Lonely é recheado de interludes que completam cada música, e dão inicio a outra. É um disco contínuo, e perfeito para ouvir do inicio ao fim, sem pausas.

    Eu preparei uma playlist com os meus hits favoritos da banda, misturando todos os álbuns. É ótimo para quem ainda não conhece o trabalho deles, e pra quem já é fã, e está familiarizado com as transiçòes que o The Maine já passou!

    July 12, 2017
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    large-4

    Às vezes eu tiro uma força de dentro de mim que eu nem sei de onde saiu. Às vezes penso que não tenho mais vontade, nem paciência, nem mente para encarar alguns desafios. Passo semanas na fossa, ou meses. E cometo o erro de achar que não vou conseguir sair de lá. Que as coisas não tem mais sentido, que tudo é complicado demais, que não é pra mim. Não é vitimismo: é apenas quando o corpo cansa e você fica exausto de repetir as mesmas ações, e ter os mesmos objetivos que ainda não se realizaram.

    Mas aos poucos, eu me reconstruo de novo. Não se engane: leva tempo. Eu nunca fui de fazer as coisas rápido. Minhas decisões demoram para serem tomadas, as mudanças não são encaradas em cinco dias e eu sempre repenso tudo na minha mente. Converso, reflito, choro, tenho crises, volto, peço ajuda, peço um abraço. Respiro fundo, começo outro ciclo, acho que não vou conseguir. Consigo. Por mais que a gente ache que está sozinho, sempre tem alguém que pode te estender a mão. Que pode te ouvir, te aconselhar, e vai te ajudar a acreditar de novo em quem você é.

    Desde criança eu resistia até o final, mesmo nas situações mais difíceis. Ir embora quase sempre nunca foi uma opção; até eu aprender que finalmente ir pode ser o melhor remédio. Mas eu costumo segurar as pontas até o final, até elas escorregarem dos meus dedos. Em resumo, eu não desisto facilmente. Essa característica pode nos levar a boas ou más experiências. Boas, porque sempre tentamos de novo. Más, porque algumas pessoas ou situações não valem a insistência.

    O fato é que depois que eu consigo me curar, sempre tem um ponto de esperança e positividade que me fazem seguir em frente. No início eu não acho que vou encontrar essa sensação, essa força física e mental novamente, mas o processo de reconstrução nos ensina que devemos lutar e persistir por aquilo que acreditamos. Mesmo que doa, mesmo que seja complicado, se você quer muito algo – de verdade – é necessário tentar. É preciso dar uma outra chance. E é o que eu estou fazendo agora: me dando mais uma chance. Mais uma tentativa. Abrindo outra oportunidade para mim.

    Eu mereço. Eu mereço. 

    Afinal, mesmo que vez ou outra eu me quebre, eu sempre acho um jeito de me reconstruir. Eu sempre acho um jeito de me curar.

    July 12, 2017
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    large-2

    Julho começou com o lançamento do tão aguardado álbum da banda californiana HAIM, formada pelas irmãs Este, Danielle e Alana. O primeiro disco saiu em 2013, e desde então a expectativa para o segundo era grande, e elas não decepcionaram (óbvio). Atualmente, as garotas representam um dos maiores nomes da música pop rock alternativa. O destaque fica para “Want You Back”, o primeiro single.

    Dá para ouvir o álbum completo do HAIM no Spotify. Acredite: você não vai se arrepender.

    July 6, 2017
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    Título: Outros Jeitos de Usar A Boca (Milk & Honey)

    Autor (a): Rupi Kaur

    Editora: PLANETA

    Preço: R$17,94, R$19,90 e R$19,90

    Sinopse: Outros jeitos de usar a boca é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume – publicado nos EUA como “milk and honey” – é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

    Rupi Kaur é uma poeta contemporânea nascida na Índia, que vive em Toronto, no Canadá. Ela tem 24 anos e começou a chamar a atenção do público na internet quando postava os seus poemas no Instagram. Sim, uma maneira diferente de mostrar arte, e que deu muito certo: em 2014, Rupi lançou “Milk & Honey”, que conquistou #1 lugar no “The New York Times” e abriu as portas para um novo jeito de fazer poesia. A artista (que também desenha), é feminista e grande parte dos seus poemas aborda os traumas, as dores e as histórias sobre ser mulher.

    O livro é dividido em quatro partes: “a dor”, “o amor”, “a ruputura” e a “cura”. Cada um deles trás poemas honestos e dolorosos sobre as vivências de Rupi e de muitas outras mulheres. É possível se identificar com cada um deles; os poemas são escritos com poucas pontuações e com versos bem livres.

    A dor

    O livro já começa de forma abrupta e dolorosa. Os primeiros versos nos contam experiências sobre repressão, abuso (tanto de maneira física quanto em relacionamentos tóxicos), e de ter a sua voz tirada de você desde o inicio.

    “O terapeuta coloca

    a boneca na sua frente

    ela é do tamanho das meninas

    que seus tios gostam de apalpar

    mostre onde ele colocou as mãos

    você mostra o lugar

    entre as pernas aquele

    que ele arrancou com os dedos

    igual a uma confissão

    como você está se sentindo

    você desfaz o nó

    da garganta

    com os dentes e diz bem

    um pouco dormente

    sessões nos dias da semana

    As palavras de Rupi tem o poder de tocar o leitor desde o inicio. Elas nos machucam, nos dão alívio e também nos fazem refletir. A autora consegue expor tudo o que ela sentiu: desde as sensações até as mágoas que ela guarda no corpo. Sabe aquele sentimento de sororidade? É exatamente isso que o livro nos provoca: vontade de nos unir, de dar as mãos e de encontrar apoio em outras mulheres (e também, dar esse apoio para elas).

    É nesta parte do livro que a autora também escreve bastante sobre as suas relações famíliares e o relacionamento complicado com o seu pai, que é pouco presente. Ela cita os momentos em que o ambiente familiar a reprime, e não a deixa realmente ser quem ela é, ou seja, ter voz.

    “Você me diz para ficar quieta porque

    minhas opiniões me deixam menos bonita

    mas não fui feita com um incêndio na barriga

    para que pudessem me apagar

    não fui feita com leveza na língua

    para que fosse fácil de engolir

    fui feita pesada

    metade lâmina metade seda

    difícil de esquecer e não tão fácil

    de entender”

    O amor

    A segunda parte do livro possui diversos poemas que falam sobre um relacionamento importante da vida da autora, que a desperta sentimentos conflituosos. Em alguns momentos eles são positivos e em outros, a fazem questionar tudo. Mas não é apenas sobre amar ao outro, e sim, amar a si mesmo e saber se respeitar. Porém, Rupi questiona constantemente o fato de nós, mulheres, sermos influenciadas pelos fatores externos a nunca gostarmos de nós mesmas.

    “tenho tanta dificuldade

    de entender

    como alguém

    pode derramar sua alma

    sangue e energia

    em alguém

    sem pedir

    nada em troca”

    tenho que esperar até ser mãe

    Ela também explora a sexualidade de forma aberta, ao mesmo tempo que utiliza metáforas (ou em outros momentos, poemas que vão direto ao ponto) para falar dos desejos e do prazer da mulher, um assunto essencial que muitas vezes, fica de fora das publicações literárias, como se as pessoas do sexo feminino só estivessem aqui para dar o prazer à alguém, e não obtê-lo para elas mesmas.

    “Só de pensar em você

    minhas pernas abrem espacate

    como um cavalete com uma tela

    implorando por arte”

    As ilustrações de Rupi também desempenham papel importante nos poemas, e suas ilustrações são responsáveis por dar vida à todas as palavras. Elas aparecem em praticamente todas as páginas.

    A Ruptura

    A penúltima parte do livro mergulha fundo em um sentimento de tristeza e término. Quando acabamos um capítulo da vida, quando enfrentamos uma desilução amorosa (alguém que mudou, de certa maneira, quem você era) e que deixou um buraco profundo e difícil de ser preenchido. É com maestria que Rupi Kaur reflete os sentimentos de amar e não ser correspondido, ou de ser amado e não poder corresponder da mesma maneira; e de ter que aprender a gostar de quem você é, antes de tudo.

    “eu sempre

    me enfio nessa confusão

    eu sempre deixo

    que ele diga que sou incrível

    e meio que acredito

    eu sempre pulo pensando que

    ele vai me segurar

    na queda

    irremediavelmente eu sou

    a amante

    a sonhadora e

    isso ainda acaba comigo”

    São poemas que refletem a insegurança, a dúvida, o questionamento sobre si mesmo. Algo que é presente em muitos de nós e também promove uma fácil identificação.

    “ele só susurra eu te amo 

    quando desliza a mão

    para abrir o botão da sua calça

    é aí que você tem

    que entender a diferença

    entre querer e precisar

    você pode querer esse menino

    mas você com toda a certeza

    não precisa dele”

    A cura

    O livro é finalizado com poemas que falam sobre reconstrução. Depois de toda a dor e a mágoa que a autora passa – e nos envolve também – desde o início da obra, é aqui que acompanhamos os seus passos em que ela se cura dos traumas e das experiências pelas quais passou. Rupi aborda também em diversos momentos o racismo que sofre, o machismo, e fala sobre o fato de encontrar a segurança em outras mulheres.

    “parece que é deselegante

    falar da minha menstruação em público

    porque a verdadeira biologia do meu corpo

    é real demais

    é legal vender o que

    uma mulher tem entre as pernas

    mas não é tão legal

    mencionar suas entranhas

    o uso recreativo deste

    corpo é considerado

    uma beleza mas

    sua natureza é

    considerada feia”

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    Os padrões de beleza são questionados, e todas as dores que as mulheres – como um coletivo – já tiveram que enfrentar durante a sua vida são detalhadas por meio dos seus poemas. O fato de sermos bombardeadas pela mídia com versões “perfeitas” de como deveríamos ser, ou o fato de sermos expostas como um objeto em diversos momentos. Fica claro, no poema acima, o quanto o nosso físico é importante: mas o nosso íntimo, aquilo que é real sobre o sexo feminino “deve” ser escondido e ignorado. Sim, mulheres mestruam. E sim, mulheres tem pelos. E ao contrário do que muitos pensam, nós não precisamos esconder isso.

    “quero pedir desculpa a todas as mulheres

    que descrevi como bonitas

    antes de dizer inteligentes ou corajosas

    fico triste por ter falado como se

    algo tão simples como aquilo que nasceu com você

    fosse seu maior orgulho quando seu

    espírito já despedaçou montanhas

    de agora em diante vou dizer coisas como

    você é forte ou você é incrível

    não porque eu não te ache bonita

    mas porque você é muito mais do que isso”

    O livro se tornou o meu favorito de 2017 (sem dúvidas), e é o tipo de leitura que eu indico para basicamente todo mundo que eu conheço. É importante valorizar o trabalho de Rupi Kaur, para que seja possível que as poetas contemporâneas ganhem mais espaço, e nós também ganhamos com isso, pois podemos ver realidades e dores de milhares de mulheres refletidas no papel.

    A obra já foi traduzida para várias línguas nos últimos dois anos. No momento, a autora finalizou o livro sucessor. Você pode acompanhá-la nas redes sociais, como o Instagram e o Twitter, em que ela é super ativa.

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