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  • September 21, 2017
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    Às vezes me sinto sem ar. Perdida. Quando a minha ansiedade aparece, tudo para de funcionar. Eu tenho a sensação de que todas as coisas do mundo colidem e começam a acontecer ao mesmo tempo. Piadas, sorrisos, tristezas, dor, mágoa, calor. Tudo. É difícil de enxergar outras coisas, é complicado ver algo que está bem ali, mas eu simplesmente não consigo perceber. Me sinto sufocada. Sozinha. Eu achei que já tinha me acostumado a ficar sozinha, mas recentemente descobri que eu não gosto dessa sensação. Parece que eu preciso de alguém ao meu lado, se não, é complicado funcionar. Ou talvez eu só esteja jogando um monte de expectativas em cima das outras pessoas, o que é injusto. Ninguém pode arrumar a bagunça que você mesmo causa.

    Eu sinto medo. Medo de sair da zona de conforto – e também de ficar parada nela para sempre – de arriscar, de levar um tapa na cara, de me magoar. O medo me paralisa, me impede. É quase pior que a própria ansiedade; ele não me deixa viver, mesmo quando eu sei que deveria dar uma chance para as experiências novas. Engraçado: logo eu, que sempre gostei de rotina, não aguento mais repetir sempre os mesmos passos e cair nas mesmas situações. Cansei de sempre idealizar tudo. Quero começar a agir, mas o que fazer quando parece que o seu primeiro instinto é ficar com os pés fincados no chão? Quando parece que nada de tira daquele lugar?

    Eu sei que vai passar. Eu já aprendi anteriormente que a ansiedade é a coisa mais desafiante que eu já encarei, mas ela não vai ficar aqui por tempo determinado. Eu me esforço, tento uma vez, e mais outra. Insisto. Uma das minhas maiores qualidades é, mesmo depois de conseguir juntar os caquinhos, ter coragem para mergulhar em algo que pode quebrar tudo outra vez.

    Só quero um tempo pra mim.

    Um respiro profundo. Alguns minutinhos.

    Qualquer coisa, que me faça recuperar o equilibrio que eu já tive, mas que agora se perdeu em algum lugar dentro de mim.

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