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    Livro: A Quimica Que Há Entre Nós

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  • November 15, 2017
    postado por
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    Título: A Química Que Há Entre Nós

    Editora: Globo Alt

    Autor (a): Krystal Sutherland

    Sinopse: Grace Town é esquisita. E não é apenas por suas roupas masculinas, seu desleixo e a bengala que usa para andar.
    Ela também age de modo estranho: não quer se enturmar com ninguém e faz perguntas nada comuns.
    Mas, por algum motivo inexplicável, Henry Page gosta muito dela. E cada vez mais ele quer estar por perto e viver esse sentimento que não sabe definir.

    Onde comprar: Amazon, Saraiva, FNAC

    “Our Chemical Hearts” é o livro de estreia da australiana Krystal Sutherland, que atualmente reside em Hong Kong. O primeiro lançamento da autora foi classificado como Young Adult. À primeira vista, e pela sinopse, ele é um livro de romance que todos nós já lemos milhares de vezes: garoto encontra menina “estranha”, que foge dos padrões, e se apaixona por ela. Mas não se deixe enganar pela sinopse: Krystal aborda de maneira profunda os relacionamentos humanos, principalmente os que acontecem entre os jovens.

    Henry Page é o nosso protagonista, um garoto que está no último ano do colegial e possui uma vida relativamentra tranquila. Ele tem dois melhores amigos: Lola e Murray, que o conhecem há anos; eles fazem tudo juntos, e passaram por muita coisa. Henry ajudou Lola no processo de assumir sua homossexualidade, e Murray, a tentar superar a ex-namorada. O personagem é apaixonado por escrever – o seu sonho é ser o diretor chefe do jornal da escola, para tentar entrar em uma faculdade razoavelmente boa -, mas ele só é bom com as palavras no papel. No dia-dia, Henry nunca teve experiências amorosas, muito menos quis sair da sua zona de conforto.

    É na escola que Henry conhece Grace Town, uma menina de sua cidade que estudava em outra escola. Grace chama sua atenção logo de cara, mas não pelos motivos óbvios: ela está sempre séria, não fala com ninguém, usa roupas grandes demais para ela – que parecem não ser sua -, e carrega um mistério consigo. Pouco se sabe sobre ela, e é Henry que se aproxima pela primeira vez. O que ele descobre é que, além dele ser encarregado de trabalhar no jornal da escola, Grace também é. Ela é experiente com a escrita, e carrega consigo um poema do Pablo Neruda. Porém, por motivos desconhecidos, faz alguns meses que ela não escreve.

    Mesmo que a aproximação dos dois de início seja tímida, Grace e Henry encontram milhares de gostos em comum logo de cara. Suas personalidades são diferentes, mas eles gostam de coisas semelhantes. É no escritório da escola em que produzem o jornal que a amizade dos dois cresce; e Henry se vê instigado por aquela garota ele conhece tão pouco. Ela não explica porque anda com roupas velhas ou sempre está usando a sua bengala. Muito menos porque não deixa o amigo entrar na sua casa, e porque vai aos cemitérios todo dia após deixa-lo em casa, sempre percorrendo o mesmo caminho.

    A personagem é complexa e bem trabalhada. Ainda no início do enredo, a própria autora brinca com o fato de Grace ser uma suposta Manic Pixie Dream Girls, tipo de personagem feminina que é muito criticado na cultura pop (ex: Ramona Flowers de Scott Pilgrim e Summer de 500 Dias com Ela). Quando a história ainda não havia chegado na metade, eu, como leitora, estranhava a paixão repentina de Henry por Grace, que simplesmente não mostrava quem ela era de verdade. Mas é no decorrer da leitura que vamos desvendando-a camada por camada, até conhecer quem ela realmente é.

    Grace sofreu um acidente de carro há alguns meses e ainda tentava se recuperar do fato. É na tragédia que ela perde o namorado, o melhor amigo e o companheiro do lugar que ela mora: Dom. Os dois se conheciam desde a infância e o garoto teve um papel extremamente importante na vida de Grace, e no “eu” que ela deixou para trás. Uma pessoa extrovertida, que possuía muitos amigos e estava sempre no centro de tudo: o oposto do que ela havia se tornado.

    O romance entre Grace e Henry se desenvolve, mas com muitas dificuldades e momentos de dúvidas. Henry não quer competir com o fantasma de Dom, alguém que marcou a vida da menina de uma maneira inapagável. Mas ao mesmo tempo, ele quer que ela goste dele de verdade. A autora usa elementos também, para ressaltar o amor idealizado e romântico que o protagonista tanto deseja, por uma esfera realista. A própria Grace o questiona se ele quer a imagem que ele inventou dela, ou quem ela realmente é.

     “- Queria ver como você reagiria. Se eu me esforçasse a ser ela por uma noite. Grace Kintsukuroi, toda costurada com ouro fundido. Você nunca tinha me olhado daquele jeito antes, quando me viu pela multidão. Acho que você tem sentimentos por alguém que não existe.”

    Esse é um dos trunfos do livro: o tempo todo, nós percebemos – assim como os amigos de Henry – que o relacionamento dos dois personagens é crível, amoroso e intenso (tudo ao mesmo tempo) mas é difícil demais para ser bom de verdade. A intensidade dos sentimentos dos dois chega a limites, e ambos acabam machucados. Henry, por não ser correspondido do jeito que queria, e Grace, por não conseguir superar o trauma do acidente.

    “Fechei os olhos e pensei. Tentei pensar em um período maior do que poucas horas em que eu estivera feliz de verdade com Grace. Eu me lembrava da ansiedade, do estresse, da dor, da tristeza, o ácido do meu estômago devorando tudo na altura do pulmão. Eu me lembrei de amá-la, com desespero.”

    O livro aborda o luto, a dor, a solidão, o amor, e os sentimentos a flor da pele com profundidade, delicadeza, mas de uma maneira realista e bem dolorida. Para os fantasiosos, como eu, parece que a autora nos dá um tapa na cara, dizendo: “chega de romantizar tudo!”. Porém, ainda fica a conclusão de Henry que esse amor foi válido e o marcou de maneira impressionante, e só porque não deu certo, não quer dizer que não valeu a pena.

    Krystal Sutherland me supreendeu com maestria. Ela transformou uma história que poderia cair no lugar comum, para um enredo sobre superação e corações partidos, de uma maneira muito honesta.

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