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  • Março 21, 2018
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    Eu confesso que os últimos dias foram bem difíceis. Tanto pelo assassinato da vereadora negra, lésbica e feminista Marielle Franco no Rio de Janeiro, tanto por outros diversos motivos. O fato é que eu tive sinais suficientes e fortíssimos de que o feminismo é algo que além de importante, pode ser complicado. Lutar pelo que você acredita não é simples: você sofre, cai, precisa arranjar forças para começar de novo e coragem para colocar em prática tudo aquilo que você acredita. Eu sempre soube que a realidade era doída, mas quando ela bate na sua porta com tudo é preciso encarar de frente e bater o pé no chão com firmeza. Os nossos ideais são talvez a coisa mais importante que nós temos nessa vida.

    E é nos momentos mais complicados que eu corro o risco de me perder. De me deixar levar, de ficar confusa e sem saber o que fazer. E quem me ajudou foram justamente outras mulheres. Mulheres fortes, que apareceram há pouco em minha vida, mas me acolheram tão bem, que eu sinto que nos conhecemos há anos. Acho que essa é uma das maiores definições de sororidade, e eu pude senti-la com força na minha vida. Quando eu precisei muito, outras garotas estavam lá do meu lado, literalmente limpando as minhas lágrimas e dizendo que tudo ia ficar bem.

    O feminismo só pode ser completo se ele for interseccional. Nós mulheres estamos longe de ser iguais; cada uma de nós tem que lidar com um desafio ou com uma luta diferente. As mulheres negras possuem uma vivência completamente diferente da que eu, uma mulher branca, tenho. E é essencial aprender, respeitar e compreender isso. Afinal, se eu ficasse só na minha caixa, com os meus pensamentos, como poderia praticar o apoio ao feminismo de verdade? Ele não se resume às lutas do meu dia-dia. Eles são todas as nossas lutas.

    E esse processo de entender o outro é longo: você deve ouvir muito mais do que falar. É fundamental ter consciência do seu lugar de fala, de não querer que a sua opinião seja a verdade absoluta, principalmente sobre pautas que você nunca enfrentou na pele, e apenas conhece por relatos ou estatísticas. É importante notar que todas nós temos muitos objetivos diferentes, mas podemos encontrar algo em comum, que é a vontade de se unir.

    A união é uma das coisas mais bonitas que o feminismo já me ensinou. Ele me mostrou que na hora do vamos ver as mulheres ao meu lado foram aquelas que eu mais pude contar. E isso me deu uma sensação de que eu não estava sozinha, algo essencial quando parece que tudo ao seu redor está desmoronando (e que você vai cair junto também).

    O fato é que eu nunca vou saber tudo sobre feminismo. Sempre vai ter algo novo para aprender. Todo dia, em toda experiência nova (mesmo tendo que aprender na marra). Por isso eu quero ouvir mais, participar mais, e ler também. É praticamente um estudo: pesquisar com quem entende mais que você, com quem vivenciou outras coisas, e buscar referências. É um processo interno importante. É desta maneira que eu vou ter mais força pra resistir todos os dias.

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