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  • Maio 26, 2018
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    Título: O Papel de Parede Amarelo

    Autor (a): Charlotte Perkins Gilman

    Editora: José Olympio

    Sinopse: Um clássico da literatura feminista pela primeira vez no Brasil. Uma mulher fragilizada emocionalmente é internada, pelo próprio marido, em uma espécie de retiro terapêutico em um quarto revestido por um obscuro e assustador papel de parede amarelo. Por anos, desde a sua publicação, o livro foi considerado um assustador conto de terror, com diversas adaptações para o cinema, a última em 2012. No entanto, devido a trajetória da autora e a novas releitura, é hoje considerado um relato pungente sobre o processo de enlouquecimento de uma mulher devido à maneira infantilizada e machista com que era tratada pela família e pela sociedade.

    Vou começar essa resenha falando primeiramente sobre a autora Charlotte Perkins Gilman, nascida em 1860 em Connecticut, nos Estados Unidos. Gilman viveu até 1935; publicou diversos livros, e seu tema principal a ser debatido foi o feminismo. Além de ter sido uma romancista, também escreveu sobre arquitetura, política e economia. Eu ganhei “O Papel de Parede Amarelo”, seu conto mais famoso, de aniversário, e a dedicatória que minha amiga escreveu resume um pouco do sentimento que tive sobre a obra perfeitamente: “Te presenteio com essa altura curta, porém de altíssimo impacto.”

    Charlotte teve uma infância difícil; o pai abandonou a família e eles viviam na pobreza. A educação que ela possuiu foi curta, mas a autora conseguiu estudar por um tempo na escola de Design em Rhode Island. Se casou em 1884, mas se separou em 1894. Charlotte não se adequou a vida de esposa em casa: ela se sentia limitada, melancólica e depressiva. Esse é, inclusive, um dos maiores temas abordados em seus livros, e o fator que leva alguns críticos a citarem este conto como uma quase autobiografia.

    A protagonista deste conto não leva nome, e durante a leitura percebemos que ela é um reflexo de milhares de mulheres em apenas uma personagem; apesar desta possuir características bem específicas. O conto é narrado por uma esposa que sofre com problemas mentais. Seu marido é médico e a leva para uma casa afastada da cidade, porque ele “acredita” que é naquele local que ela poderá melhorar. Desde o início, fica claro que a sua vontade é totalmente negada. Os homens da família – que recebem o título de médicos e pessoas mais experientes que a protagonista -, decidem o futuro e o destino dela.

    Todos os passos dela são controlados pelo marido, que tenta fazer acreditá-la que ele sabe o que é melhor para ela. Seus dias são preenchidos com a companhia da cunhada – que é a única mulher que também aparece no conto -, que apenas obdece às ordens de John.

    “Agora passo muito tempo deitada. John diz que é bom para mim, que devo dormir o máximo que puder. Na verdade adquiri o hábito por causa dele, porque ele me obrigava a dormir por uma hora depois de cada refeição.”

    Os grandes momentos psicólogicos do conto giram em torno do papel de parede amarelo do quarto em que a protagonista passa grande parte dos seus dias. Desde o início, ela o odiou: ele era feio, desconfortável, e com padrões que se alteravam. O papel é uma metáfora para os seus transtornos psicológicos, e também para a mulher presa e dominada dentro de casa do século 19. Com o tempo ela se torna obcecada em decifrar aquele papel de parede.

    “À noite, sob qualquer tipo de luz – à luz de crepúsculo, à luz de velas, à luz de lampiões ou à luz da lua, que é a pior -, transforma-se em grades! Estou falando aqui do padrão em primeiro plano, e a mulher que se esconde por trás dele torna-se tão evidente quanto pode ser. (…) Durante o dia ela é discreta, calada. Imagino que seja o padrão que a mantenha tão quieta. É intrigante.”

    A protagonista tenta desesperadamente criar um plano para salvar a mulher que está por trás daquele papel de parede. O climax é construído aos poucos, e pode ser que esse tenha sido um dos motivos pelo conto de Charlotte ter sido rotulado como um thriller durante muitos anos. Mas ele é, na verdade, um retrato sombrio da limitação e da liberdade roubada da mulher que deveria viver à sombra do marido, e que não possuía nem autonomia para manifestar-se sob a sua própria saúde mental.

    Descobrimos que o papel guarda não apenas uma mulher, mas várias, que se livram daquele local de aprisionamento rastejando. A autora narra o conto de uma maneira cru e honesta.

    “Não quero sequer olhar pelas janelas – há tantas mulheres rastejando, e elas rastejam tão depressa! Fico imaginando: e se todas saírem do papel de parede como eu sai?”

    Como citado no início do texto, ele é curto. Eu li durante uma aula de Sociologia, mas o impacto é fortíssimo. Fiquei horas pensando sobre o conto e também já selecionei a próxima obra da Charlotte que lerei: “Herland”, publicado em 1915. O papel de parede é uma ótima sugestão para dar de presente para as amigas e também para conhecer mais sobre a literatura feminista. Minha vontade de estudar e saber mais sobre a Charlotte é enorme!

    1. FERNANDA Mai 28, 2018

      ”Por acaso” achei seu blog, e gostei muito, está lindo.

      Sobre o livro eu nunca tive visto nada á respeito e me interessei muito, aparente ser bem forte e ter pontos de vista válidos para os dias atuais.
      http://www.fernandasantos.blog

    2. Camila Faria Mai 28, 2018

      Ana, que indicação maravilhosa! Fiquei interessadíssima em ler, vou procurar. Estou lendo um livro feminista e vegetariano chamado A Política Sexual da Carne e tenho me interessado cada vez por essa literatura feminista. Um beijo!

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