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  • Janeiro 24, 2019
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    Título: Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name)

    Autor (a): André Aciman

    Editora: Intrínseca

    Sinopse: A casa onde Elio passa os verões é um verdadeiro paraíso na costa italiana, parada certa de amigos, vizinhos, artistas e intelectuais de todos os lugares. Filho de um importante professor universitário, o jovem está bastante acostumado à rotina de, a cada verão, hospedar por seis semanas na villa da família um novo escritor que, em troca da boa acolhida, ajuda seu pai com correspondências e papeladas. Uma cobiçada residência literária que já atraiu muitos nomes, mas nenhum deles como Oliver. Elio imediatamente, e sem perceber, se encanta pelo americano de vinte e quatro anos, espontâneo e atraente, que aproveita a temporada para trabalhar em seu manuscrito sobre Heráclito e, sobretudo, desfrutar do verão mediterrâneo. Da antipatia impaciente que parece atravessar o convívio inicial dos dois surge uma paixão que só aumenta à medida que o instável e desconhecido terreno que os separa vai sendo vencido. Uma experiência inesquecível, que os marcará para o resto da vida. Com rara sensibilidade, André Aciman constrói uma viva e sincera elegia à paixão, em um romance no qual se reconhecem as mais delicadas e brutais emoções da juventude. Uma narrativa magnética, inquieta e profundamente tocante.

    “Me Chame Pelo Seu Nome” conquistou milhares de pessoas no início de 2018. A estréia do filme – que recebeu indicações ao Oscar -, levou êxito também para o livro, publicado pelo egípcio André Aciman, que atualmente mora nos Estados Unidos e é professor universitário. Lançado originalmente em 2007 – dez anos antes de chegar às telas -, se tornou um fenômeno da literatura LGBTQ+ (inclusive ganhando prêmios importantes). Apesar de filme e livro serem muito parecidos, vale a pena embarcar na leitura profunda e emocionante que a versão literária nos trás do romance de Elio e Oliver.

    Narrado por Elio, um jovem de 17 anos que passa os verões em uma casa no Sul da Itália com a família todos os anos, o romance já começa direto ao ponto: o momento que o jovem conhece Oliver, um estudante norte-americano que está escrevendo sua tese de filosofia. Todos os anos, um graduando passa o verão na casa da família ajudando o pai de Oliver, professor reconhecido. O ambiente em que eles vivem ganha espaço na narração delicada e bem explorada de Aciman; não espere por diálogos rápidos ou capítulos instantâneos, como vemos muito nos romances atuais. O autor explora bem os cenários, os personagens no geral e o livro trás enormes referências à literatura, filosofia e sociologia, assuntos de importância para a família de Oliver.

    Elio é um personagem elaborado do início ao fim. Como ele é o narrador, entramos profundamente nos seus pensamentos, nas suas angústias e dúvidas, normais para um adolescente, mas que ganham uma pitada de intensidade. É possível se identificar, já que quando estamos nessa idade, tudo ganha uma dramaticidade ainda maior. E é assim que os sentimentos confusos de Elio sobre Oliver ganham as páginas: ele se interessa automaticamente pelo intelectual, – que é de Nova York -, pelas suas ideias e pensamentos. O desejo começa a nascer aos poucos, até ganhar plenitude e ele realmente se apaixonar pelo novo vizinho de quarto.

    Apesar de ganhar grande destaque, nós enxergamos Oliver apenas pela visão de Elio e dos outros moradores da casa. É fácil se afeiçoar por ele, que é charmoso e conquista diversos personagens ao longo da história. Mas Oliver também carrega uma aura de mistério, complexidade e dúvida, características que quase permeiam uma paixão platônica do protagonista por ele; o livro é repleto de momentos de romance, desejo e sexualidade entre os dois personagens. Em nenhum momento eles são rotulados; ambos se relacionam com homens e mulheres ao longo do enredo. Ao questionado, o autor afirmou que não colocou a palavra “gay” no livro e também não debateu sobre as violências que eles poderiam sofrer:

    Eu não queria aquelas típicas situações que sempre aparecem em livros sobre gays. Você sabe, a polícia atacando um casal gay, pessoas cruéis nas ruas batendo neles, alguém infectado com HIV. Eu não queria nada disso no meu romance. Eu queria imaginar: como seria a vida se um casal gay não tivesse de passar por nenhuma dessas coisas violentas e sem sentido?

    André Aciman em entrevista à Cult.

    É claro que podemos pensar a decisão do autor por outra ótica; Oliver e Elio são dois personagens brancos e de classe média alta que estão se descobrindo e vivendo o seu romance. Eles estão protegidos pela bolha em que vivem. A família de Oliver, além de de fazer parte de uma elite acadêmica, apoia a sexualidade do filho de diversas maneiras, sem questionamentos, inclusive o incentivando a aproveitar a vida e conhecer mais sobre si; sabemos que a realidade no Brasil e em diversas outras partes do mundo é muito diferente, ainda mais quando se fala de jovens negros da comunidade LGBTQ+.

    Não é também só o casal de protagonistas que ganha destaque. Marcia, amiga de infância de Oliver, também é um dos romances do jovem; o leitor também fica em dúvida se Oliver tem outros amores, o que de certa maneira quebra os padrões do amor romântico, tão presente nos livros de Young Adult (jovem adulto). A sensação é que eles estão apaixonados um pelo outro, mas também são livres.

    Como você vive a sua vida é da sua conta. Só se lembre: nossos corações e nossos corpos nos são dados uma única vez.

    Mais do que uma história sobre amor, paixão e primeiras vezesCall Me By Your Name nos relata o autoconhecimento de Oliver, sua história para descobrir quem ele realmente é, o que ele espera da vida. Conhecemos o personagem aos dezessete anos e quando o livro termina, ele já passou dos trinta; apesar da adaptação cinematográfica ser muito parecida, alguns capítulos não estão presentes. O ponto alto são as narrações, feitas com delicadeza. É um verdadeiro mergulho às sensações de se apaixonar por alguém.

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    1. Taís Jan 25, 2019

      Eu gostei bastante do filme e fiquei com muita vontade de ler o livro tb (sempre melhor, né?)
      E várias vezes fiquei lembrando de como é aquela sensação boa de se apaixonar por alguém. preciso ler esse livro logo haha

    2. VANESSA BRUNT Jan 25, 2019

      É tão maravilhoso encontrar obras que tratam de temas tão importantes e de uma maneira que mostre a naturalidade de qualquer tópico que seja voltado ao amor. Adorei a resenha e, como não conferi o filme ainda, vou deixar o livro no topo da lista.

      http://www.semquases.com

    3. Leslie Leite Jan 26, 2019

      Achei super interessante o fato de os personagens não serem rotulados, não é questão de ser gay ou não, mas o que eu pude perceber é que o desejo e o amor é algo muito mais destacado pelo autor, não interessa se esse desejo é aflorado por uma mulher ou um homem. Também achei bacana o livro trazer à tona a descoberta de um jovem, pois todo mundo passa pela autodescoberta que a adolescência promove, e nem sempre é fácil.
      Amei a sua resenha, seu jeito de escrever sempre me dá vontade de “quero mais”, haha.
      Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ?

    4. Gábi Jan 29, 2019

      Nossa, não sabia que o livro foi escrito 10 anos antes de chegar às telas!
      Preciso ler pra assistir ao filme depois =)

      Beijos,
      Gábi

      Blog @gabrielaer
      Ig: @gabrielaer

    5. Jan 29, 2019

      Nunca li o livro nem vi o filme, mas é um filme que quero muito ver, depois quem sabe leio o livro também 😀

      Beijinhos grandes ^^

    6. Gabriela Soares Jan 30, 2019

      Ahhh, eu tenho muita vontade de assistir esse filme por ele ter sido tão comentado e ainda ser LGBTQ+, mas ao mesmo tempo tenho uma impressão de que deve ser chato??? Não sei hahaha. Mas gostei muito da resenha do livro e também gostei da tua reflexão sobre eles serem protegidos por uma bolha, é bom ver histórias LGBTQ+ mais tranquilas, mas infelizmente não é a realidade da maioria :(. Vou tentar ler/assistir quando puder!

      Um beijão,
      GABS | likegabs.blogspot.com

    7. Carol Daixum Fev 07, 2019

      Eu já tinha escutado falar, mas ainda não li e nem assisti ao filme. Gostei dessa “visão” que o autor quis dar. Por mais que não seja a realidade de muitos, acho que de repente dá mais esperança também. Dica mega anotada! ?

      Beijos, Carol.
      http://www.pequenajornalista.com

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