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  • Maio 25, 2019
    postado por
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    Título: Feminismo Para os 99%: Um Manifesto

    Autores (as): Cinzia Arruza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser

    Editora: Boitempo

    Sinopse: Moradia inacessível, salários precários, saúde pública, mudanças climáticas não são temas comuns no debate público feminista. Mas não seriam essas as questões que mais afetam a esmagadora maioria das mulheres em todo o mundo? Inspiradas pela erupção global de uma nova primavera feminista, Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser, organizadoras da Greve Internacional das Mulheres (Dia sem mulher), lançam um manifesto potente sobre a necessidade de um feminismo anticapitalista, antirracista, antiLGBTfóbico e indissociável da perspectiva ecológica do bem viver. Feminismo para os 99% é sobre um feminismo urgente, que não se contenta com a representatividade das mulheres nos altos escalões das corporações.

    Boitempo lançou em Março no Brasil “Feminismo Para Os 99%: Um Manifesto”, assim como diversos outros países, que publicaram o livro na véspera ou no dia 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher. A obra tem um viés mais acadêmico, pois foi escrito por três professoras: Cinzia Arruza, professora de Filosofia na New School for Social Research em Nova York, Tithi Bhattacharya, diretora de estudos globais em uma Universidade na Indiana, e Nancy Fraser, professora de Filosofia e Política também em Nova York.

    O prefácio da versão brasileira foi escrito por Talíria Petrone, eleita deputada pelo PSOL em 2018; a carioca é professora e ativista. Nas primeiras páginas, escritas por Talíria, já percebemos sobre o que se trata o livro: ele vai debater sobre um feminismo que vai contra às correntes liberais. Um feminismo anti-capitalista e antirracista; uma roupagem que ganha força nas últimas décadas com as greves feministas – como a Women’s March, em 2018, as greves Argentinas, brasileiras, dentre outras -, e que possui a participação da classe trabalhadora.

    O feminismo é uma urgência no mundo. O feminismo é uma urgência na América Latina. O feminismo é uma urgência no Brasil. Mas é preciso afirmar que em todo feminismo liberta, emancipa, acolhe o conjunto de mulheres que carregam tantas dores nas costas. E não é possível que nosso feminismo deixe corpos pelo caminho.” (PETRONE, Talíria, pag. 12)

    O debate incitado pelas autoras nos ajuda a enxergar a massificação do movimento e a agenda liberal. A equidade entre homens e mulheres está muito longe de ser apenas salários iguais; as autoras exemplificam líderes como Hilary Clinton, que não movem realmente a estrutura de base das mulheres trabalhadoras, das mulheres negras, das lésbicas, e das mulheres pobres.

    Então, em geral, o feminismo liberal oferece o álibi perfeito para o neoliberalismo. Ocultando políticas regressivas sob uma aura de emancipação, ele permite que as forças que sustentam o capital global retratem a si mesmas como “progressistas”. Aliado ao sistema financeiro global nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que oferece cobertura à islamofobia na Europa, este é o feminismo das fêmeas detentoras do poder (…)” (pag 39)

    É necessário questionar as supostas políticas feministas, que caminham lado a lado com a opressão de classes sociais, como mulheres imigrantes; as autoras exemplificam o quanto o capitalismo, aliado à constante busca do lucro e reprimindo camadas da sociedade, é um grande aliado do machismo. Quando o movimento se alia a uma visão comercial do que é ser feminista, dando voz apenas para mulheres brancas, de classe média alta e que possuem o poder do capital, ele perde o sentido; o Manifesto do Feminismo para os 99% busca colocar no protagonismo mulheres trabalhadoras, que enfrentam rotinas exaustivas – sendo responsáveis também pela casa -, mulheres negras, mulheres indígenas.

    Fica claro que há dois caminhos: rejeitar a política populista e reacionária, e a política neoliberal, intitulada de progressista e que mascara as atuais estruturas de poder. O livro possui onze tezes: cada uma delas debate um tema específico que o Feminismo para os 99% pretende abraçar. É importante questionar o nosso papel no movimento, e quando nos intitulamos de feministas: A quem o nosso movimento está ajudando? Ele está fazendo um trabalho de base? Ele enxerga que todas as mulheres, independente da raça e da classe, necessitam de direitos urgentemente?

    O feminismo para os 99% não opera isolado de outros movimentos de resistência e rebeldia. Não nos isolamos de batalhas contra a mudança climática ou a exploração no local de trabalho; não somos indiferentes às lutas contra o racismo institucional e a expropriação. Essas lutas são nossas lutas, parte integrante do desmantelamento do capitalismo, sem as quais não pode haver o fim da opressão sexual e de gênero.

    As autoras fazem uma introdução interessante ao feminismo marxista; no final do livro, após a apresentação das teses, em um “Posfácio”, discorrem sobre como a luta contra o capitalismo e as teorias desenvolvidas por Marx e Engels em O Manifesto Comunista e Marx em O Capital, influenciam o Manifesto Para os 99%. De maneira didática, elas conceituam algumas teorias de Marx e explicam o que é reprodução social. Esses pontos são relevantes, principalmente para justificar o que o livro mais acredita: a capacidade das mulheres trabalhadoras de realizarem greves.

    A América Latina é citada diversas vezes. Quantas vezes vemos as manifestações protagonizada pelas feministas do Sul em destaque? Pouquíssimas. e exemplos é o que não faltam nos últimos anos (principalmente na Argentina).

    REFERÊNCIAS

    FEMINISMO COM CLASSE. Marxismo, Feminismo Radical e Sociologia. Disponível em <https://medium.com/qg-feminista/marxismo-feminismo-radical-e-sociologia-3a418657f25c>. Acesso em 24 de Maio de 2018.

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    1. Camila Faria Mai 30, 2019

      Demais esse livro Ana, preciso ler para ONTEM. Amei a dica/resenha.

    2. Gabriela Soares Jun 01, 2019

      A Boitempo é muito boa, né? Sei que eles têm livros maravilhosos porque minha mãe é professora e usa alguns livros infantis deles, então a gente fuça muito o site hahah mas ainda não conhecia esse! Gostei muito da dica, Ana!

      Um beijão,
      Gabs | likegabs.com.br

    3. Stephanie Ferreira Jun 06, 2019

      Preciso MUITO ler este livro Ana, já tinha visto algumas resenhas que tinham me deixado curiosa, mas adorei a resenha ?

    4. Taís Jun 11, 2019

      Li esse livro acho que em abril e amei demais, muuuito bom e só de ver teu post fiquei com vontade de ler de novo. Super necessário esse livro!

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