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    Ronda Quinzenal #1 – O que há de mais interessante na internet

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  • Junho 28, 2019
    postado por
    Arte por Camila Rosa (@camixvx) no Instagram.

    Arte por Camila Rosa (@camixvx) no Instagram.

    Eu sempre fui uma pessoa que lidava bem com a minha própria companhia. Teoricamente. Mas isso nunca foi uma verdade absoluta quando se tratava de relacionamentos, sejam eles amorosos ou amizades. Meu primeiro quase-relacionamento aconteceu quando eu tinha 20 anos, talvez mais tardiamente do que todos os meus amigos que já tinham se envolvido com alguém na adolescência; por isso, quando ocorreu, foi explosivo. Sabe quando você simplesmente mergulha sem pensar duas vezes, apostando todas as suas fichas? A verdade é que há um ano atrás, pouco depois do fim dos meus 19 anos, eu sabia zero coisas sobre como era se relacionar com alguém. Eu não sabia que pessoas eram profundamente complexas; você não só gosta de alguém e ponto final. Existe um pacote completo, e nele estão contidos o contexto social, a personalidade, a jornada, as características de alguém e como ela vê o mundo, que pode ser de uma maneira muito diferente da sua.

    E essa pessoa, de certa forma, era completamente diferente de mim. É claro que é possível crescer muito se relacionando com uma pessoa distinta de você em diversos âmbitos; eu aprendi coisas que definitivamente nunca vou esquecer. Mas essa primeira experiência era apenas uma prévia do que é deixar de lado quem você é, pelo outro. Esquecer da sua rotina, dos seus gostos, de quem deve ficar em primeiro lugar na sua vida (eu simplesmente esqueci que eu devia ser minha prioridade). Essas ações possuíam um porquê – que ainda são questões para mim até hoje -, e se originam de problemas de alto estima e outras coisas que eu sempre enfrentei. Alguns dizem que a chave de tudo isso é o amor próprio.

    Minha insegurança sempre me fez, usando uma analogia terapeuta, abandonar o meu barco pelo do outro sem nem saber onde ele ia parar. Eu tenho o costume de embarcar nas relações e na vida de outras pessoas sem nem ter certeza sobre o que elas querem. Para onde elas vão. Ou se elas realmente tem coisas em comum comigo. Às vezes eu sei que não vai funcionar, mas insisto mesmo assim. Parece obrigatório ter algo para preencher aquele espaço vazio; o que me leva sempre para o mesmo ponto inicial: decepcionada e frustrada quando aquilo não dá certo no final da história.

    Eu sei que a minha maneira de se relacionar pode não se adequar tão bem à como a sociedade caminha – ou melhor, corre -, na atualidade: é tudo muito instantâneo, rápido demais, quase nem sobra tempo pra respirar e pensar na coisa certa a fazer. É algo difícil e que pressiona as suas maiores inseguranças e medos, especialmente se você acha que outra pessoa vai te dar a resposta para os seus problemas.

    No meio de toda essa jornada sobre como sobreviver a esse turbilhão, eu me apoiei em livros e autoras que me deram alívio e respostas para coisas que eu queria muito saber. “Complexo Cinderela”, lançado por Colette Dawling em 1981 é um dos livros mais famosos sobre o tema, que aborda a construção social no qual nós mulheres somos levadas a acreditar que, por mais que tenhamos uma vida bem-sucedida, uma carreira promissora, sempre vamos precisar de uma força maior para nos proteger: o homem. É um sistema e uma filosofia aplicada em mulheres desde os seus primeiros passos. Nós crescemos ouvindo que precisamos de um parceiro, que todo mundo tem um espaço a ser preenchido – especificamente nós, seres que “precisam de ajuda” -, e essa busca frustrada nos leva a relacionamentos abusivos, tóxicos e situações infelizes.

    Arte por Amy (awfullyadorable.tumblr.com).

    Uma experiência mais recente – e um pouco mais madura, mas que também me fez cometer erros semelhantes do passado -, me fez embarcar na leitura de “Mulheres que Correm com Os Lobos”, um clássico escrito pela psicóloga Clarissa Pinkola Estés, que aborda os arquétipos da Mulher Selvagem, uma característica que está presente em todas as mulheres (por mais que algumas ainda não a tenham se conectado com ela). O livro é profundo e trás contos de séculos passados, com extrema relevância cultural que se aplicam facilmente com as situações da mulher moderna de hoje, e como nós precisamos recuperar nossa intuição. A minha, por exemplo, anda enterrada e a minha maior dificuldade é conseguir escuta-la.

    É por isso que eu acredito veemente que eu preciso de um tempo sozinha. Pra mim. Pra respirar, para descobrir mais sobre o que realmente importa e depositar minha energia no que tem futuro: em coisas que envolvem a minha personalidade, que me trazem experiências positivas. Se colocar no lugar do outro e ser calejado o tempo inteiro dói; se decepcionar por algo que você simplesmente não pode controlar é quase como uma auto punição. E eu ando cansada de me tropeçar por outras pessoas. É hora de abrir espaço para que eu seja o meu foco.

    Responder para Váh // Cancelar resposta

    1. Váh Jul 02, 2019

      Eu sempre me identifico com seus textos…
      E fiquei curiosa pra ler esses livros, principalmente o Complexo Cinderela, talvez eu esteja precisando bastante de algumas respostas nesse momento.
      Ah, já estou te seguindo no twitter e no instagram :)

      https://www.heyimwiththeband.com.br/

    2. Pamela Jul 03, 2019

      Eu acredito que todo mundo tem que ter esse tempo de qualidade sozinha pra evoluir, pra aprender a se amar e pensar que sozinha a gente se basta sim.
      Eu penso que nascemos sozinhos então podemos aprender a fazer outras coisas sozinhos.
      Eu estou solteira há anos e nos últimos anos eu aprendi a me curtir em restaurante sozinha, cinema e outros lugares.
      Amo a minha própria companhia.
      Beijos
      https://www.pamlepletier.com

    3. Ava Jul 04, 2019

      “se decepcionar por algo que você simplesmente não pode controlar é quase como uma auto punição”
      Isso é tão verdade sabe. às vezes nos preocupamos com o que está externo e esquecemos dos nossos próprios sentimentos. Talvez porque achamos que isso possa ser egoísmo. Mas ás vezes é bom ser um pouco egoísta, mas no bom sentido. Cuidar de si, se importar com o que se estar sentido. Quando estamos verdadeiramente bem todo o resto acaba se harmonizando e concordo muito com o que você escreveu. Espero que esse tempo seja construtivo pra você.
      Abraços,
      Ava

    4. Vanessa Brunt Jul 04, 2019

      Que texto maravilhoso e importante! A solidão para mim é momento de lida e de atenção e me identifiquei com cada entrelinha.

      http://www.semquases.com

    5. Taís Jul 05, 2019

      Que texto ótimo, Ana!
      Essa frase aqui ”e essa busca frustrada nos leva a relacionamentos abusivos, tóxicos e situações infelizes” infelizmente é uma grande verdade, muita gente nessa pressão de ter que estar com alguém, acaba caindo em relacionamentos nada saudáveis. E como é importante a gente focar realmente em nós. Nos conhecer melhor, nos sentirmos felizes com nós mesmas!

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