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  • Outubro 29, 2019
    postado por
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    Os livros fazem parte do meu dia-dia, e apesar da frequência de posts sobre esse tema ter diminuído, eles estão mais presentes do que nunca na minha rotina. Nos últimos dois anos eu tenho lido pouca ficção (diferente dos meus anos de adolescência, em que eu lia livros young adult toda semana), e feito uma imersão em livros sobre política, sociologia, filosofia, e principalmente, os de teoria feminista.

    O que eu andei lendo nos últimos meses, e principalmente, em Outubro? Depois de pegar o hábito de ler mais de um livro por vez, não consigo escolher apenas um. Todos esses vão ganhar resenha própria no site depois!

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    O Mito da Beleza (1991) – Naomi Wolf

    “Em O mito da beleza, a jornalista Naomi Wolf afirma que o culto à beleza e à juventude da mulher é estimulado pelo patriarcado e atua como mecanismo de controle social para evitar que sejam cumpridos os ideais feministas de emancipação intelectual, sexual e econômica conquistados a partir dos anos 1970. As leitoras e os leitores encontrarão exposta a tirania do mito da beleza ao longo dos tempos, sua função opressora e as manifestações atuais no lar e no trabalho, na literatura e na mídia, nas relações entre homens e mulheres e entre mulheres e mulheres.”

    Um clássico do feminismo, O Mito da Beleza é uma das referências literárias quando se fala no feminismo contemporâneo. A autora faz uma análise extensa sobre a relevância do mito da beleza; algo que toda mulher convive desde o seu nascimento, em graus e complexidades diferentes. Escrito em 1991, ele traça um contexto histórico desde o final da Segunda Guerra, quando as mulheres começam a trabalhar fora de casa. Após a queda da construção da norma de que as esposas serviam apenas para cuidar do lar, era necessário criar outra limitação que aprisionasse as mulheres. O livro também aborda a questão do trabalho e das diferenças salariais, e a origem dos desafios do sexo feminino durante a carreira. Naomi Wolf faz análises interessantes, baseadas em muitos dados. Ansiosa para ler até o final.

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    Uma Autobiografia (2019) – Angela Davis

    Lançada originalmente em 1974, a obra é um retrato contundente das lutas sociais nos Estados Unidos durante os anos 1960 e 1970 pelo olhar de uma das maiores ativistas de nosso tempo. Davis, à época com 28 anos, narra a sua trajetória, da infância à carreira como professora universitária, interrompida por aquele que seria considerado um dos mais importantes julgamentos do século XX e que a colocaria, ao mesmo tempo, na condição de ícone dos movimentos negro e feminista e na lista das dez pessoas mais procuradas pelo FBI. A falsidade das acusações contra Davis, sua fuga, a prisão e o apoio que recebeu de pessoas de todo o mundo são comentados em detalhes por essa mulher que marcou a história mundial com sua voz e sua luta.

    Depois de muitos anos, chega ao Brasil em 2019 a autobiografia da ativista marxista, vegana e abolicionista penal Angela Davis, que veio ao Brasil na semana passada, passando por diversos eventos (um deles, a conferência “Democracia em Colapso?”), promovido pela Boitempo, que publicou o livro no Brasil. Assim como outros livros da autora, Angela narra com maestria acontecimentos políticos e históricos sob a sua visão de resistência; ela reconta sua infância em Birmingham, no Alabama – uma das cidades mais conservadoras do Sul dos Estados Unidos -, sua entrada na Universidade e na militância, e sua prisão no início dos anos 1970, que originou o movimento Free Angela Davis. Apesar de mostrar o seu ponto de vista, a autobiografia não foca apenas na vida da ativista, e sim da importância das lutas que ela participou, como o movimento contra o encarceramento em massa da população negra, e o Comitê de Defesa dos Irmãos Soledad.

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    Léxico Familiar (1963) – Natalia Ginzburg

    “Neste livro, lugares, fatos e pessoas são reais. Não inventei nada”, escreve Natalia Ginzburg sobre sua obra mais célebre, Léxico familiar, de 1963. Nos anos 1930, como consequência da criação de leis raciais na Europa, inúmeras famílias foram obrigadas a deixar seu lar, tornando-se apátridas ou sendo literalmente destroçadas pela guerra que se seguiu. É nesse cenário que se inscrevem as memórias de Ginzburg. Nelas, o vocabulário afetivo de um clã de judeus antifascistas se contrapõe a um mundo sombrio, atravessado pelo autoritarismo. Trata-se de uma história de resistência, narrada em tom menor, e, sobretudo, da gênese de uma das escritoras mais poderosas do nosso tempo.

    Léxico Familiar é um daqueles livros imperdíveis para os apaixonados por História. Longe de ser uma ficção, a obra, descrita pela autora como um romance – mas que é realista da primeira à última página -, narra a Segunda Guerra Mundial, e a sua complexidade dentro do âmbito familiar, pelo olhar de uma menina jovem. Natalia era a mais nova de cinco irmãos. A família judia tenta sobreviver em meio ao fascismo da Itália. O pai, Giuseppe Levi, é um acadêmico e professor, com convicções políticas socialistas fortes – característica presente em todos os membros da casa -, para a surpresa até mesmo do próprio Giuseppe. Os irmãos de Natalia também se descobrem indivíduos políticos no decorrer dos anos da Guerra. A narração da menina jovem contrasta com as brigas familiares bobas no jantar e as prisões dos seus irmãos, exilados por serem descobertos como conspiradores pelos fascistas.

    Referências

    •  MENDES, Igor. George Jackson, teu nome é resistência. 2017. Disponível em: <https://anovademocracia.com.br/no-194/7295-george-jackson-teu-nome-e-resistencia>. Acesso em: 29 out. 2019.
    • ENGELKE, Paloma. MISTURAS POSSÍVEIS: PÚBLICO, PRIVADO E UM LÉXICO FAMILIAR. 2018. Disponível em: <http://valkirias.com.br/lexico-familiar-natalia-ginzburg/>. Acesso em: 29 out. 2019.

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    1. Ava Out 31, 2019

      Oi Ana, tudo bem?
      Ler é algo por si só enriquecedor. Obrigada por compartilhar suas leituras. Anotei algumas dicas.
      Abraços,
      Ava

    2. Simone Benvindo Nov 01, 2019

      Adorei suas leituras, os livros são muito interessante e com temas fortes

    3. Tay Ribeiro Nov 04, 2019

      Oii, amei os livros. O mito da beleza é incrível, lembro que quando li fiquei refletindo bastante.
      Vou procurar os outros
      Beijos

    4. Lívia Alli de Alcântara Madeira Nov 04, 2019

      maravilhosas essas indicações de leituras! eu li Angela Davis pela primeira vez no começo do ano e me apaixonei, leitura necessária e mt esclarecedora… O da Naomi Wolf já está na minha TBR faz um tempo

      http://www.tofucolorido.com.br
      http://www.facebook.com/blogtofucolorido

    5. Camila Faria Nov 05, 2019

      Amei a seleção Ana. Animada para ler as resenhas depois. O Mito da Beleza eu já dei uma folheada na livraria e fiquei super curiosa para ler. Beijo! :*

    6. Fernanda Rodrigues Nov 09, 2019

      Oi, Ana!
      Tudo bem?

      Ainda não li esses livros, mas já ando de olho neles há algum tempo. É tão bom ler livros sobre/de feminismo. A gente se sente acolhida, não? Aliás, acolhida e fortalecida. Não estamos doidas por sentir o que sentimos, não somos fracas. Entender o que o patriarcado faz de nós nos ajuda a lutar contra tudo isso.

      Vou ficar de olho aqui no blog, para quando você resenhar cada obra.

      Um beijo,

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