Setembro 8, 2021 por em Opiniões & crônicas

Imagem: Mike Tinnion/Unsplash

Que estranho é buscar histórias que nunca viverei.

Sempre vivo inventando coisas, narrativas, finais, mesmo que os começos ainda nem tenham acontecido. Repito os mesmos erros, então os inícios furados são sempre iguais. Até quando tento fazer diferente, eles terminam do mesmo jeito.

Que engraçado, para não dizer irônico, mas nos tempos difíceis nos seguramos muito mais às verdades inventadas e sentimentos que nem existem de fato.

Licença poética, será que eu posso criar a minha?

Então dou licença a mim mesma para me segurar a ilusões de tempos curtos. Eles são tão fictícios que eu sei que daqui a alguns meses nem vou mais lembrar, e vai tudo parecer bobo, superficial, piada, e eu vou rir, porque no final sempre acabo rindo de tudo, decido que dessa vez não vou mais criar ideia sem pé nem cabeça, até que dali a um mês me vejo em mais um cenário parecido.

Nos dias ruins e sonos intermináveis me permito imaginar mais, criar, quem sabe como tantas outras pessoas eu vou ter direito aos frios na barriga, emoção, montanha-russa, me esqueci como é viver com vontade e fôlego.

Por isso gosto tanto de quem vejo viver, amar, sofrer, esperar, acompanho de perto, quem sabe eu consigo pegar um pouco dessa sensação? 

Quem sabe. 

Mas ela raramente vem. Só acontece um dia ou outro, depois de muito vinho, depois de muita imaginação, expectativa do que nunca vai se realizar. É até injusto, jogar em desconhecidos as coisas que eu queria tanto viver. Peço desculpas de antemão, mas não tem muito problema, porque os desconhecidos sempre cortam a rota mais cedo e dali a pouco eu procuro outro pra ocupar o lugar.

Mas os dias são atípicos, os momentos são de cansaço, tédio profundo, inquietação, insônia e relógio batendo as quatro da manhã. Então foda-se, o que me resta a não ser criar? Me agarro a minha própria fantasia.

A realidade anda amarga demais.


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