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    “Booksmart” é um retrato engraçado e realista sobre crescer

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  • Junho 24, 2019
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    Eu nunca gostei de incertezas,

    mas você sempre foi o meu maior talvez

    misturado de agora-vai-dar-certo, ou de mentiras que eu contava para mim mesma,

    dizendo que eu estava com os pés no chão.

    Sempre fui um talvez carregado de esperança,

    com a certeza que a semana que vem chegaria,

    talvez você tenha tempo para um café,

    para um filme

    talvez eu consiga convencer a mim e aos outros,

    talvez dessa vez eu não terminasse carregando os pedaços, colhendo-os do chão.

    Quem sabe Quinta-Feira que vem vai ser diferente,

    talvez com a luz da noite você me ache melhor, ou talvez depois de três copos de bebida

    a gente tenha chance de existir de novo.

    Ou no próximo mês, quando as coisas melhorarem

    quando os seus machucados sararem,

    quando você resolver voltar, quando a sua vida estiver resolvida.

    Mas a verdade é que as suas coisas já estão resolvidas faz tempo.

    O café nunca esteve nos planos, muito menos o filme,

    as Quintas eram só uma distração falha,

    não importa a luz, ou a bebida,

    ou a cor do batom.

    O talvez sempre foi muito frágil,

    negável e quebradiço,

    nunca se sabe até quando ele vai existir.

    Ele não tem força.

    Não há como o talvez tentar resistir.

    Junho 21, 2019
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    Junho trouxe diversos lançamentos do pop. Essa é a época do verão lá fora, e normalmente os artistas aproveitam esses meses para lançar novos projetos. Taylor Swift anunciou que o seu novo álbum, intitulado Lover – e bem diferente da última era, Reputation -, vai sair em Agosto. O novo single, You Need to Calm Down, trouxe a participação das drag queens de RuPaul e outros artistas, como Hayley Kyoko e até Katy Perry.

    Mas quem andou me chamando a atenção nas últimas semanas foi a Bea Miller. Ela surgiu em meados de 2014 no The X Factor, e desde então não parou a sua carreira musical, lançando EPs e um primeiro álbum, antes mesmo de sair da sua adolescência. Nessa nova fase, as suas músicas ficaram mais maduras e com letras que misturam o pop e o eletrônico (lembrando um pouco a Billie Eilish em alguns momentos). Sem falar na sua estética na nova fase: os clipes são sensacionais.

    Junho 10, 2019
    postado por

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    Me sinto sempre o plano B

    nunca bom o suficiente

    sempre o talvez ou o quem sabe

    Me encontro na ilusão de ser prioridade, e no final me pergunto

    como eu vim parar aqui?

    Há um breve momento de achar a suficiência,

    sempre revestida de migalha,

    de dias marcados e do relógio correndo

    é sempre pouco, e eu vou embora esperando mais

    Exceto que o mais nunca vai chegar,

    pois ele não me pertence

    os sábados, os cafés, as risadas

    elas não são para mim

    eles nunca verdadeiramente foram para mim

    Por isso sempre me contentei com o incerto,

    com o mais ou menos,

    com o copo de leite meio aguado e o cigarro quase acabado,

    a declaração mal feita,

    o tempo esgotado, o adeus nunca verdadeiramente finalizado.

    Acordei de manhã querendo ser inteira

    mas eu nunca sei como

    pois deixo minhas metades em todos os lugares.

    Acordei querendo um alívio

    querendo não existir ou ser sugada pelo vazio.

    Não sei ser inteira

    não sei coletar todos os meus pedaços

    não aprendi a ser a primeira escolha.

    nem para mim,

    nem para mais alguém.

    Junho 7, 2019
    postado por
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    Booksmart (ou “Fora de Série”, como é intitulado no Brasil), é o filme de estreia de Olivia Wilde – atriz de House -, como diretora. O longa ganha como gênero o título de Coming of Age, que ganhou força nos últimos anos na indústria cinematográfica – eles são dirigidos por mulheres e apresentam uma versão mais real, sincera e doída sobre o que é crescer -. A lista é longa: Lady Bird, dirigido por Greta Gerwig, The Miseducation of Cameron Post – que traz Chloe Moretz como protagonista representando uma jovem que é obrigada pela família à passar por uma terapia de conversão sexual -, Frances Ha (também dirigido pela Greta), dentre outros. Nenhum deles é um sucesso absoluto de bilheteria, e muito menos levam o título de blockbuster, mas em uma indústria dominada por diretores homens, male gaze e representações infiéis do que é ser uma mulher jovem, essas produções ocupam um espaço até pouco tempo atrás dominado por filmes clichês e irreais.

    Duas grandes amigas conhecidas por serem os maiores prodígios da escola estão prestes a terminar o ensino médio. Faltando poucos dias para o grande momento, elas percebem que estão arrependidas por terem estudado tanto e se divertido tão pouco. Determinadas a não passarem por todo esse tempo sem nenhuma diversão, elas decidem correr atrás dos 4 anos perdidos em apenas uma noite.

    As nossas protagonistas, Amy (Kaitlyn Dever) e Molly (Beanie Feldstein) são melhores amigas fieis. Elas enfrentaram quatro anos de ensino médio juntas, e sempre se orgulharam de não fazer parte de grupos sociais; o objetivo de Amy e Molly era passar em uma faculdade de prestígio: e elas conseguiram. É o último dia de colégio – elas se sentem extremamente felizes com as suas conquistas -, e decididas que a melhor época de suas vidas está por vir: a faculdade. É com uma pitada de diálogos sarcásticos e assuntos comuns que representam os jovens contemporâneos – também conhecidos como millennials – que elas descobrem a grande verdade: seus colegas, que elas julgavam ser incapazes, também iam para boas faculdades. Tudo isso enquanto verdadeiramente aproveitaram as experiências de ser jovem.

    A dupla de protagonistas tem sua própria narrativa. Amy é uma jovem queer assumida, mas ela nunca teve uma experiência enquanto estava na escola. Ela é apoiada pela melhor amiga e pela família, e é interessante ver o filme representando a paixão dela pela colega Ryan (Victoria Ruesga), uma personagem que não se adequa nos padrões de feminilidade, e Amy em nenhum momento questiona isso; “Essa é a performance de gênero dela, não sua orientação sexual“, um debate raro em filmes que contam e falam sobre jovens. Essas cenas são um exemplo da originalidade e da honestidade de Booksmart. Ressaltado pelo The New York Times, o filme passa longe de sustentar clichês sobre mulheres lésbicas, como Mean Girls fez com a personagem de Janis lá em 2004. Já se passaram alguns anos, mas a visão masculina sobre mulheres LGBTQI+ continua sendo reforçada: Azul É A Cor Mais Quente está aí para mostrar isso.

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    Molly é a protagonista que eu mais me identifiquei. A primeira cena já mostra que a personagem vai roubar a cena na uma hora e meia de filme: Molly se prepara para viver o seu último dia no ensino médio enquanto escuta um áudio de autoajuda e meditação, lembrando-a que ela é capaz de qualquer coisa. Sua vida sempre foi toda planejada; ela é perfeccionista e a líder de tudo o que se propõe a fazer. É engraçado e muito realista ver o quanto ela se decepciona ao perceber que projetou em seus colegas uma realidade que não existia: todos eram suficientemente bons, assim como ela. Eles eram interessantes e Molly acabou se auto excluindo com algo que idealizou na sua cabeça. Mas, por mais que seja controladora, é ela quem propõe a Amy que as duas aproveitem o seu último dia e frequentem as festas que nunca se atreveram a ir.

    O filme mistura cenas hilárias com diálogos sobre feminismo, empoderamento, livros e diversas referências; o tempo todo o cenário mostra a visão política e democrata das duas personagens. No carro de Molly e no quarto de Amy vemos adesivos e cartazes de protestos, e a palavra “resist”, em consonância com as manifestações que aconteceram nos Estados Unidos nos últimos anos, são frequentes.

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    O ponto alto do filme são as cenas vergonhosas e bem vida real sobre a experiência das duas personagens. É a primeira vez que Amy realmente tenta se aproximar de uma garota, e a direção – feita por um olhar feminino – mostra a bagunça que os relacionamentos jovens podem ser: a ansiedade, e principalmente a sensação de não saber o que esperar. A decepção que Amy sente quando ela descobre que Ryan não correspondia os seus sentimentos é algo fácil de se relacionar. Desde descobrir isso em uma festa, quando a personagem espera que suas expectativas finalmente sejam alcançadas, até ver sua paixão platônica beijando outra pessoa. Molly também enfrenta as sensações da rejeição; é tudo doloroso e parece que vai durar pra sempre, mesmo que a decepção só exista até o final daquela festa.

    A única cena de sexo no filme é genial; é difícil achar um filme que relate tão bem o lado estranho e nada confortável sobre primeiras vezes tendo praticamente nenhuma experiência. E que isso tá tudo bem: não precisa ser perfeito ou ideal (e na maioria das vezes nunca é). Com séries como Riverdale, que mostram uma perfeição quase inalcançável em seus personagens de 17-18 anos, é um alívio ver filmes como Booksmart mostrando a imperfeição de ser jovem.

    Além de explorar os pontos dramáticos e mostrar personagens femininas versáteis, inteligentes e que ainda estão construindo sua personalidade, o Coming of Age não foca no par romântico de nenhuma dessas personagens. É fácil dar uma busca na Netflix sobre filmes clássicos que trazem protagonistas mulheres, e ver suas jornadas resumidas à conquistar o personagem masculino que vai, milagrosamente, mudar as suas vidas. O destaque aqui é sobre a complexidade de descobrir quem você é – ou quer ser – no início da vida adulta, quando todas suas premissas se provam erradas. E para que isso acontecesse nunca foi necessário que Amy, Molly, Lady Bird e qualquer outra personagem tivesse um homem ao seu lado.

    Booksmart estreia no Brasil em 13 de Junho.

    Maio 25, 2019
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    Título: Feminismo Para os 99%: Um Manifesto

    Autores (as): Cinzia Arruza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser

    Editora: Boitempo

    Sinopse: Moradia inacessível, salários precários, saúde pública, mudanças climáticas não são temas comuns no debate público feminista. Mas não seriam essas as questões que mais afetam a esmagadora maioria das mulheres em todo o mundo? Inspiradas pela erupção global de uma nova primavera feminista, Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser, organizadoras da Greve Internacional das Mulheres (Dia sem mulher), lançam um manifesto potente sobre a necessidade de um feminismo anticapitalista, antirracista, antiLGBTfóbico e indissociável da perspectiva ecológica do bem viver. Feminismo para os 99% é sobre um feminismo urgente, que não se contenta com a representatividade das mulheres nos altos escalões das corporações.

    Boitempo lançou em Março no Brasil “Feminismo Para Os 99%: Um Manifesto”, assim como diversos outros países, que publicaram o livro na véspera ou no dia 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher. A obra tem um viés mais acadêmico, pois foi escrito por três professoras: Cinzia Arruza, professora de Filosofia na New School for Social Research em Nova York, Tithi Bhattacharya, diretora de estudos globais em uma Universidade na Indiana, e Nancy Fraser, professora de Filosofia e Política também em Nova York.

    O prefácio da versão brasileira foi escrito por Talíria Petrone, eleita deputada pelo PSOL em 2018; a carioca é professora e ativista. Nas primeiras páginas, escritas por Talíria, já percebemos sobre o que se trata o livro: ele vai debater sobre um feminismo que vai contra às correntes liberais. Um feminismo anti-capitalista e antirracista; uma roupagem que ganha força nas últimas décadas com as greves feministas – como a Women’s March, em 2018, as greves Argentinas, brasileiras, dentre outras -, e que possui a participação da classe trabalhadora.

    O feminismo é uma urgência no mundo. O feminismo é uma urgência na América Latina. O feminismo é uma urgência no Brasil. Mas é preciso afirmar que em todo feminismo liberta, emancipa, acolhe o conjunto de mulheres que carregam tantas dores nas costas. E não é possível que nosso feminismo deixe corpos pelo caminho.” (PETRONE, Talíria, pag. 12)

    O debate incitado pelas autoras nos ajuda a enxergar a massificação do movimento e a agenda liberal. A equidade entre homens e mulheres está muito longe de ser apenas salários iguais; as autoras exemplificam líderes como Hilary Clinton, que não movem realmente a estrutura de base das mulheres trabalhadoras, das mulheres negras, das lésbicas, e das mulheres pobres.

    Então, em geral, o feminismo liberal oferece o álibi perfeito para o neoliberalismo. Ocultando políticas regressivas sob uma aura de emancipação, ele permite que as forças que sustentam o capital global retratem a si mesmas como “progressistas”. Aliado ao sistema financeiro global nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que oferece cobertura à islamofobia na Europa, este é o feminismo das fêmeas detentoras do poder (…)” (pag 39)

    É necessário questionar as supostas políticas feministas, que caminham lado a lado com a opressão de classes sociais, como mulheres imigrantes; as autoras exemplificam o quanto o capitalismo, aliado à constante busca do lucro e reprimindo camadas da sociedade, é um grande aliado do machismo. Quando o movimento se alia a uma visão comercial do que é ser feminista, dando voz apenas para mulheres brancas, de classe média alta e que possuem o poder do capital, ele perde o sentido; o Manifesto do Feminismo para os 99% busca colocar no protagonismo mulheres trabalhadoras, que enfrentam rotinas exaustivas – sendo responsáveis também pela casa -, mulheres negras, mulheres indígenas.

    Fica claro que há dois caminhos: rejeitar a política populista e reacionária, e a política neoliberal, intitulada de progressista e que mascara as atuais estruturas de poder. O livro possui onze tezes: cada uma delas debate um tema específico que o Feminismo para os 99% pretende abraçar. É importante questionar o nosso papel no movimento, e quando nos intitulamos de feministas: A quem o nosso movimento está ajudando? Ele está fazendo um trabalho de base? Ele enxerga que todas as mulheres, independente da raça e da classe, necessitam de direitos urgentemente?

    O feminismo para os 99% não opera isolado de outros movimentos de resistência e rebeldia. Não nos isolamos de batalhas contra a mudança climática ou a exploração no local de trabalho; não somos indiferentes às lutas contra o racismo institucional e a expropriação. Essas lutas são nossas lutas, parte integrante do desmantelamento do capitalismo, sem as quais não pode haver o fim da opressão sexual e de gênero.

    As autoras fazem uma introdução interessante ao feminismo marxista; no final do livro, após a apresentação das teses, em um “Posfácio”, discorrem sobre como a luta contra o capitalismo e as teorias desenvolvidas por Marx e Engels em O Manifesto Comunista e Marx em O Capital, influenciam o Manifesto Para os 99%. De maneira didática, elas conceituam algumas teorias de Marx e explicam o que é reprodução social. Esses pontos são relevantes, principalmente para justificar o que o livro mais acredita: a capacidade das mulheres trabalhadoras de realizarem greves.

    A América Latina é citada diversas vezes. Quantas vezes vemos as manifestações protagonizada pelas feministas do Sul em destaque? Pouquíssimas. e exemplos é o que não faltam nos últimos anos (principalmente na Argentina).

    REFERÊNCIAS

    FEMINISMO COM CLASSE. Marxismo, Feminismo Radical e Sociologia. Disponível em <https://medium.com/qg-feminista/marxismo-feminismo-radical-e-sociologia-3a418657f25c>. Acesso em 24 de Maio de 2018.

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