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    Uma carta sobre sensibilidade

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  • Maio 10, 2018
    postado por

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    Caro amigo,

    eu me sinto como uma viajante embarcando em um trem com destino à lugar nenhum.

    Gostaria de voltar para as noites em que eu corria pelas montanhas e sentia-me à vontade com os meus pensamentos explodindo sem medo das reações externas. Eu vivo dentro de um mundo cercado pela minha alma inquieta, o que significa que não estou nem um pouco acostumada com o mundo exterior. Sei até onde a minha inquietude vai, mas não faço a menor ideia até onde o mundo exterior rasga a pele das pessoas para conseguir o que quer. Isso é assustador.

    Pego minhas malas e subo no trem com o coração na mão – será que estou tomando a decisão certa? Não estou gostando muito das minhas companhias. Preciso de um mergulho em mim. Os meus sentimentos estão prestes a voar quilômetros para longe de mim e eu não sei onde estou nesse exato momento. O trem está parando em uma estação lotada de seres que morrem, mas que não vivem. Deveria descer aqui? Eu realmente só queria que minha cabeça fizesse sentido.

    Escrevo esta carta porque você me escuta e não precisa forçar palavras exageradas para me consolar. Não quero um ombro-amigo, só quero um amigo. Eu sei que você entende o que sinto, mesmo estando tão cansado quanto eu. A estrada é cansativa, não é? A minha sensibilidade me faz sentir como um fardo na minha própria vida. Não entendo o por quê de eu me machucar com coisas que ninguém jamais pensaria duas vezes. Os olhares costumam arder, enquanto o meu medo me engole nas menores situações diárias.

    Minha essência derrete pelos outros, o que é bom a partir do momento em que me coloco no lugar deles para entendê-los e ajudá-los, mas acaba com a minha saúde quando eu estou em qualquer outro local. A maior parte do meu verão tem sido nadar na minha cama e ficar confortável com o vazio. Eu não deveria fazer isso. Você não deveria fazer isso. Sei que estou sendo confusa, é só que é exatamente assim que me sinto. Sou uma pessoa sensível com muito amor para dar, mas não dou amor à pessoa que está do meu lado o tempo inteiro: eu.

    Nós vivemos em um universo de estrelas partidas ao meio, onde somos ensinados a odiar a própria pele e invejar as demais. Eu quero que saiba que eu não invejo você, tampouco odeio você. Quero que pegue a minha mão e caminhe pela areia movediça chamada sensibilidade. Não iremos afundar, apenas tropeçar e levantar, tropeçar e levantar, tropeçar e… Renascer. Não posso deixar o mundo exterior matar a minha alma sensível. Sou uma poeta de palavras tortas, mas intenções boas. Eu tenho medo de ser machucada mais uma vez, mas honestamente, é o que irá acontecer. Só preciso me manter forte, afinal, a tempestade traz a purificação dos corpos.

    P.S Não ceda à dor deste mundo, amigo, a sua sensibilidade vale a pena.

    Abril 22, 2018
    postado por
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    Recomeçar é parte da nossa natureza.

    Como espíritos livres que somos, corremos o máximo que podemos da mesmice, mas não é tão simples quanto parece. Existem coisas que precisamos fazer todos os dias e que acabam, de alguma forma, sufocando. Vai dizer que nunca foi dormir pensando em como queria que o dia seguinte simplesmente passasse direto, em branco? É uma sensação comum essa de achar que está perdendo tempo com coisas que, no fim, não agregarão em nada. Como seria bom se a vida fosse viajar e descobrir o mundo. Essa é a expectativa da população. A realidade é descobrir quem realmente somos enquanto lutamos para nos encaixar nas caixinhas impostas desde quando nascemos.

    É preciso recomeçar, então. Respirar fundo, derramar algumas lágrimas, tomar um sorvete e levantar da cama. Não tem problema não se conhecer de verdade. Digo, eu sei que eu odeio brócolis, mas não sei qual é o meu maior sonho. Deixa eu falar uma coisa: está tudo bem com isso. Minhas costas estão prontas para carregar uma mochila com os sonhos mais loucos e improváveis e mesmo assim eu não me importo de não saber quais são agora. Por enquanto, estou preocupada em seguir em frente. Quero dançar com os meus medos e tomá-los como coadjuvantes da minha história, não como protagonistas. O corpo é meu. Eu possuo controle sobre as confusões que incendeiam a minha mente.

    Se o tempo está passando muito rápido, é sinal de que estou cada dia mais perto de saber o meu propósito nesse lugar. Se ninguém tem tempo mais para ninguém, é sinal de que meu coração é da velha guarda e, por isso, raro. Nós não precisamos fingir que não temos olhos brilhantes e almas alucinadas por um mínimo de atenção. Se você sente a necessidade de correr para o mar mais próximo e navegar em águas desconhecidas, o que está esperando? É a sua chance de recomeçar. Imagine a sua vida como uma estrada de 200 km. Não faço a menor ideia de como fazer contas matemáticas, mas sei contar uma boa história.

    Você está no km 45. Também não sei se a sua jornada na Terra acaba nos duzentos ou antes, mas preste atenção: você está quase lá. De cinco em cinco, você chega lá. E se não sabe onde é o lá, outra novidade – não tem problema. Apenas continue caminhando e prepare-se para a visão mais bonita que você verá em toda a sua vida. É aquela luz de queimar os olhos de quem não sabe apreciar, só que, por você estar ali, não será prejudicada com tanta claridade. É o Sol do amanhã, é o recomeço tomando forma e se mostrando da maneira mais crua possível. Você está no km 60. Já se passaram 15 km e você ainda vê a luz.

    Esse é o fim do texto, mas também é o início dele. Não existe ordem cronológica aqui e nem na China.

    P.S Para leitores de outros planetas, a regra é a mesma. Você faz o seu tempo.

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