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    Ronda Quinzenal #1 – O que há de mais interessante na internet

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    Comportamento, feminismo

    Podcasts que eu amo e indico #1

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  • Arte por Camila Rosa (@camixvx) no Instagram.
    Amor, Comportamento

    Ficar sozinha me torna confiante

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  • Maio 18, 2019
    postado por

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    Você já teve aquela sensação de estar prestes a virar uma borboleta? Como se, depois de tanto tempo, finalmente estivesse pronta para sair do casulo?

    É uma sensação maravilhosa, mas que, por algum motivo, causa desconforto nas pessoas. Antes de tudo, é preciso entender uma coisa que eu quero que você leve para o resto da sua vida: o ambiente em que você está provavelmente odeia renascimentos. E nós, meu bem, fomos feitas para renascer a todo momento.

    A verdade é que se falamos ou fizemos algo há três anos, então definitivamente não podemos contrariar nós mesmos. Acontece que a pessoa que você era há três anos está morta. E isso não é algo ruim. Tenha empatia pelo seu passado. Você tinha sentimentos, sentia dor, dava amor e tinha sonhos. E ali, no curso da história, dançava no meio da pista quando um caminhão repleto de futuro te cortou em pedaços. E você despedaçou, se perdeu por algum tempo, mas renasceu.

    Você agora está cada vez mais viva, depois de ter encarado a morte.

    Não me importa o que você fez há um ano. Não me importa se machucou alguém ou se foi machucada – mas, ainda assim, eu sinto muito.

    O que me importa é o que você é, e o que você pode ser. Não entra na minha cabeça porquê passamos tanto tempo pensando no que as pessoas foram ou fizeram, se poderíamos gastar todo esse tempo e energia focando no que elas podem ser.

    Você já parou para pensar no que você pode realizar agora mesmo? No poder que tem nas mãos?

    Ignore aqueles que dizem que você não pode entrar em constante evolução. É para isso que você está aqui, meu bem. Voe.

    Abril 22, 2019
    postado por
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    Djamila Ribeiro é brasileira, mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo, colunista da Carta Capital e da Marie Claire Brasil. É pesquisadora, escritora e responsável por uma das coleções de livros mais relevantes do Brasil na última década: “Feminismos Plurais”, inicialmente lançado pelo selo Sueli Carneiro, e que ganha nova edição pela Pólen Livros. Djamila consegue estabelecer no país discussão sobre temas importantes trazendo como viés o feminismo negro. Tivemos três lançamentos até o final de 2018: “Lugar de Fala”, escrito por Djamila, “O que É Encarceramento em Massa?“, de Juliana Borges, e “O Que É Empoderamento?“, por Joice Berth, além de “O que é racismo estrutural?”, de Sílvio Almeida, e “Interseccionalidade”, de Carla Akotirene, em 2017.

    O próximo nome da coleção chegou no início do mês de Abril: “Racismo Recreativo”, de Adilson Moreira.

    Além de ter no currículo os seus próprios títulos, a autora também faz um trabalho fundamental como editora, pois conseguiu estabelecer uma coleção que trouxesse a discussão de maneira didática; todos os livros estão no valor de R$19,90.

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    Começar a leitura da coleção Feminismos Plurais foi um dos primeiros passos para mim em uma trajetória de conseguir compreender profundamente a ligação do feminismo com a raça, a classe e o gênero. Bell hooks já nos explica que para ser feminista é necessário ser antirracista, e entender as complexidades estruturais disso é relevante.

    Juliana Borges trás em “O Que É Encarceramento em Massa?”, uma das pautas que por diversas vezes, é esquecida nos movimentos sociais: o que é ser antipunitivista? Porque a maioria da população carcerária é negra? A população feminina nos presídios só aumentou nas últimas décadas; porém essas mulheres tem cor e classe social específicas. Como o feminismo deve agir sob esse tema?

    Entre 2006 e 2014, a população feminina nos presídios aumentou em 567,4%, nos colocando no ranking dos países que mais encarceram no mundo, ficando no 5º lugar. 67% destas mulheres são negras e 50% são jovens. Justificando

    Já a arquiteta e ativista Joice Berth desmistifica o que significa empoderamento. Desde o início do boom do feminismo no Brasil ouvimos essa palavra todos os dias, mas o que ela realmente significa? O que pode ser considerado se empoderar? Uma pesquisa profunda feita pela acadêmica abre os nossos olhos sobre o conceito. O empoderamento é um processo que deve partir de si mesmo – e não apenas de maneira individual, mas sim coletiva -, ou seja, a atitude de empoderar-se deve promover alterações na estrutura social, caso contrário, só irá manter o status quo.

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    “Quem Tem Medo do Feminismo Negro?”, foi lançado em 2018 pela Companhia das Letras, e reúne textos de algumas colunas que Djamila escreveu para a Carta Capital, além de inéditos. Os temas debatidos são diversos, e o interessante é que os textos são curtos e rápidos de ler; além da linguagem acessível, a autora aborda diversas problemáticas, como o ativismo nas redes sociais, o racismo sofrido pela tenista Serena Williams, e também a sua trajetória na infância, os passos que ela enfrentou até chegar a se empoderar.

    As ações serão no sentido de manter os lugares construídos por uma sociedade machista e racista. Mulheres podendo ser até belas, recatadas e do lar, mas não agentes de mudança e ocupando espaços de poder. Da população negra limpando, mas não sentando nos banco da universidade. Da manutenção das mulheres negras dentro de uma lógica escravista. É como se eles dissessem: “vocês já viram demais.

    O sucesso e relevância da autora é tanto que os seus livros vão ser lançados na França em Maio, coincidentemente no mesmo país de uma de suas maiores referências: Simone de Beauvoir. Djamila estuda o pensamento da filósofa francesa há anos e “O Segundo Sexo”, é uma das suas maiores referências em diversas publicações da autora paulista.

    Escolhida pelo próprio governo de Emmanuel Macron, a ativista participou do programa “Personalidades do Amanhã”, com diversos ativistas também da América Latina.

    REFERÊNCIAS

    • RIBEIRO, Djamila. “Feminismo negro não exclui, amplia”, diz Djamila Ribeiro. Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/sociedade/feminismo-negro-nao-exclui-amplia-diz-djamila-ribeiro/>. Acesso em: 20 de Abril de 2018.
    • JUSTIFICANDO. “Pesquisadora discute encarceramento em massa com base em pensadoras negras.” Disponível em: <http://www.justificando.com/2017/12/08/pesquisadora-discute-encarceramento-em-massa-com-base-em-pensadoras-negras/>. Acesso em: 21 de Abril de 2018.
    • SOUZA RODRIGUES, Wallesandra. “O que é empoderamento?” Disponível em: <http://revistaalabastro.fespsp.org.br/index.php/alabastro/article/download/247/121>. Acesso em: 21 de Abril de 2018.
    • RIBEIRO, Djamila. “É hora de enfrentamento e resistência.” Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/politica/e-hora-de-enfrentamento-e-resistencia/>. Acesso em: 21 de Abril de 2018.

    Março 28, 2019
    postado por

    kenrick-mills-709743-unsplashUma das coisas que eu mais amo fazer é escrever, principalmente poemas. Acredito de verdade que eles são uma forma de passar pelo processo de cura que é necessário quando vivemos experiências de uma vida inteira em apenas alguns segundos.

    Decidi, então, estrear um novo tipo de post aqui no blog chamado “#PoemaDeQuinta”. Os poeminhas sairão nas quinta-feiras e, sim, é um trocadilho, pois eles são humildes! haha

    Aqui vai, então, o primeiro poema. É um pedaço do meu coração para vocês! <3

     //

    Para as almas livres

    //

    Eu vejo você lutando para resistir

    Enxergo os seus olhos caírem

    em profunda inspiração

    quando observam os quatro cantos do mundo

    //

    Eu vejo a sua confusão

    em cada um dos passos que você toma

    Eu vejo os medos dançarem

    por cima do seu corpo

    mas nunca por cima da sua alma

    //

    Eu vejo o jeito que você olha para a lua

    e se pergunta quantas vidas já pisaram na Terra

    Eu vejo a câmera nas suas mãos

    te dizendo o que e quando focar

    //

    E você

    fruto de experiências de uma vida inteira

    escolhe focar em coisas que possuam a liberdade

    que você deseja

    alcançar um dia

    //

    As árvores te enchem os olhos, não é?

    Você adoraria florescer

    mas meu bem

    você ainda não percebeu

    que das suas cicatrizes nascem flores?

    //

    Olhe um pouco para si e perceba:

    a sua alma livre despeja infinito

    onde só existem finitos

    Não seja outra coisa além de eterno

    Setembro 2, 2018
    postado por
    Charlotte-Perkins-Gilman

    Charlotte Perkins Gilman é uma das maiores romancistas norte-americanas; apesar dos seus livros não serem tão conhecidos no Brasil, Charlotte tem renome no mundo por ser uma das primeiras autoras a abordar o feminismo nos EUA, no início dos anos 1900. Ela nasceu em Connecticut em 1860, e faleceu na década de 30 na Califórnia. Foi reconhecida pela sua escrita durante a sua vida, e obteve sucesso com as suas publicações. Ela também escreveu livros sociólogicos – com viés econômico -, poemas e contos.

    Criticou a arquitetura – que aumenta as restrições às mulheres no século 19 -, o modelo de casamento burguês (um dos principais tópicos de “O Papel de Parede Amarelo”), e outros temas que ganharam destaque no movimento feminista nos anos 60. Ela foi pioneira ao debater, em livros de sucesso, demandas das mulheres na época que nunca haviam sido colocadas em pauta.

    Design sem nome

    Eu tive a oportunidade de ler dois livros da autora (ganhei os dois de presente). O primeiro é o conto “O papel de parede amarelo”, publicado no Brasil pela editora José Olympio. Classificado como uma história “assustadora e de terror” em meados do século 19, ele ganhou uma nova roupagem e visão após a onda feminista; críticos começaram a enxergar o que estava por trás da história do livro, que trás como protagonista uma esposa que enlouquece e vive sob os cuidados do marido, que é medico, em uma casa no interior.

    Um clássico da literatura feminista pela primeira vez no Brasil. Uma mulher fragilizada emocionalmente é internada, pelo próprio marido, em uma espécie de retiro terapêutico em um quarto revestido por um obscuro e assustador papel de parede amarelo. Por anos, desde a sua publicação, o livro foi considerado um assustador conto de terror, com diversas adaptações para o cinema, a última em 2012. No entanto, devido a trajetória da autora e a novas releitura, é hoje considerado um relato pungente sobre o processo de enlouquecimento de uma mulher devido à maneira infantilizada e machista com que era tratada pela família e pela sociedade.

    A mulher está em constante domínio pelas ordens e recomendações do seu cônjuge – que acredita que sabe o que é o melhor para ela -, enquanto passa os seus dias praticamente presa naquela casa, e no seu novo quarto, que possui um papel de parede amarelo que ela odeia. É durante o processo de rasgar o papel, que chega a libertação, a raiva e o sentimento de se desprender daquela pessoa – e do casamento – que a mantêm como refém. A história possui pinceladas autobiográficas, pois acredita-se que Charlotte não foi feliz no casamento.

    Já o segundo livro que eu li foi “Herland”, que ganhou o título no Brasil de “A Terra Das Mulheres”. Não se sabe ao certo em que década o livro se passa, mas Charlotte, durante sua carreira, percorreu diversos gêneros, e distopia também foi um deles. Neste romance, conhecemos três homens jovens e que trabalham como exploradores; Van – o narrador -, embarca com seus colegas Terry e Jeff em uma expedição para uma ilha desconhecida, em que acredita-se que só vivem mulheres. Porém, há pouquíssimos relatos sobre o lugar.

    Publicado pela primeira vez em 1915, Herland – A Terra das Mulheres é uma novela que coloca os holofotes sobre a questão de gênero. Escrito pela feminista Charlotte Perkins Gilman, o livro descreve uma sociedade formada unicamente por mulheres que vivem livres de conflitos e de dominação. A história é narrada por um estudante de sociologia que, junto a dois companheiros, chega ao lendário país ocupado por mulheres. As diferentes visões dos três exploradores geram um choque cultural com a organização social utópica que terão de confrontar. Herland subverte questões como a definição de gênero, a maternidade e o senso de individualidade. Gilman, nesta obra, cria uma história revolucionária e dá uma importante contribuição às discussões sociológicas sobre os papéis masculino e feminino em sociedades de qualquer época.

    Herland é um país habitado somente por mulheres. Não há guerra, conflitos, fome ou pobreza. A maternidade é um dos maiores trunfos do local; os papéis de gênero são totalmente invertidos. Já que não conhecem a opressão, todas as mulheres exercem seus trabalhos e tarefas sem acreditar que há qualquer tipo de diferença entre elas e o outro sexo. São questionadas o tempo todo pelos visitantes, que não conseguem acreditar que não há homens no país.

    Apesar de abordar diferentes temas feministas, Charlotte é criticada justamente em um ensaio escrito por Lindy West, na edição atual de Herland, sobre a falta de interseccionalidade no livro. A autora peca, pois só representa, em suas histórias, mulheres brancas, o que se torna ainda mais contraditório ao criar um país somente habitado por mulheres (onde não são citadas mulheres negras).

    Agosto 11, 2018
    postado por

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    Eu sou a minha própria artista. Dentro dos livros de história sobre a minha vida, eu criei arte para tentar explicar o furacão de sentimentos que ecoam no meu coração.

    As palavras existem dentro de mim porque eu sinto muito de uma forma que não consigo fazer com que eu seja entendida.

    Eu enxergo o mundo de cabeça para baixo. As estrelas do céu são os pedaços de chão que eu piso todos os dias. As calçadas servem como iluminação na minha jornada e eu me vejo capaz de nadar em um oceano onde as águas são os astros e a poeira cósmica do universo.

    Eu enxergo o mundo com os olhos cegos. Penetro o meu olhar nas pessoas que mais sorriem, pois elas são as que mais sofrem. Durmo pensando em como gostaria de extinguir a dor e injetar pelo menos cinco segundos de felicidade real, mas, novamente, o que seria da arte senão uma válvula de escape para toda a dor da humanidade?

    Eu enxergo o mundo com as tintas mais sensíveis. Encaro o quadro vazio e permito que a minha alma grite alto o suficiente para sair de mim e expressar o que sinto. Se cada um de nós pararmos para pensar, não existe uma definição exata para o que é o mundo. Nós temos apenas uma ideia individual e ilusória sobre o que ele é.

    Eu enxergo o silêncio do mundo. Enxergo o escuro, o quieto, as meias palavras, a boca entreaberta, o olhar vago… Eu não gosto de deixar nada passar despercebido, mas eu sou uma desconhecida para os outros e, principalmente, para mim. Quem sou eu, além de alguém que cria a própria arte para não enlouquecer?

    Quem sou eu, além de alguém que está constantemente quebrada e nunca inteira?

    Eu sou a minha própria artista, porque se não for eu, quem será por mim? Todo mundo está ocupado com a própria loucura. Não cabe a mim pedir que alguém me salve de mim.

    Minha essência jorra em cada pedaço de arte que eu crio em meus momentos de solidão, e se sentes que o teu mundo está prestes a explodir, saiba: eu renasço a cada extinção. Você também.

    Se chegar a hora em que o teu coração berrar por uma liberdade que você não consegue explicar, saiba: você é o artista da sua própria vida. Você é o fogo no centro do frio e um mar de emoções durante uma tempestade de rasos.

    Eu renasço a cada extinção porque eu preciso carregar a minha alma para onde ela pertence, que é um lugar que ainda não conheço. A minha casa é o lugar nenhum, e eu sinto a necessidade de continuar criando arte até descobrir o caminho para lá.

     

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