Autor: Liliane Prata
10/06/2012 | Categoria: Autores, Textos

Definitivamente, ele não gostava de fotos. Se estava passeando no campo e ouvia alguém comentando “Olha o passarinho!”, já fugia.

Quando aparecia uma pessoa alegremente munida de uma câmera, disposta a tirar uma foto da turma do colégio, da faculdade, dos colegas do trabalho, arranjava uma desculpa. Ia ao banheiro. Inventava um telefonema urgente. Essas coisas.

Com o passar do tempo, foi ficando mais ágil. “Deixa que eu tiro!”, gritava, assim que as pessoas alegres apareciam com suas câmeras. “Vamos colocar no automático”, disse um amigo, certa vez. Pego de surpreso, tudo o que conseguiu improvisar foi um ar comovido acompanhado por um “Quem tira a foto tem que ter vida”. Nunca mais repetiu aquela resposta patética, apesar de ter ouvido, na ocasião, um ou dois suspiros de pessoas tocadas pela sua sensibilidade – o nível de álcool estava elevado naquela noite.

Às vezes, tinha que fazer alguma concessão. “Não tenho nenhuma foto com você. Sorria!”, dizia o colega, o amigo, a nova namorada. Resignado, ele olhava para a câmera e lançava seu melhor sorriso amarelo, que dificilmente seria aceito por algum porta-retrato. De fato, ficava orgulhoso ao visitar algum amigo e constatar que nunca havia foto sua nas paredes alheias. Muito menos nas paredes da sua casa: esse, sim, era um lugar que não admitia exceções.

Fotos dele mesmo, só em documentos. De resto, não tinha fotografia nenhuma, nem da mãe, do pai, da namorada ou de quem quer que fosse. “Toma, coloca na sua carteira”, disse uma namorada, estendendo-lhe sua melhor 3×4. Ele riu do humor da moça. Ela era mesmo uma graça.

Quando casou, não quis ver as fotos do casamento. Posar para fotos da lua-de-mel, nem pensar. “Que coisa mais anti-romântica”, esbravejou, quando a mulher, esperançosa, sacou uma câmera da bolsa.

Um dia, eles tiveram um filho. As coisas iam bem, até que a mulher fotografou o bebê e cismou: o marido ia ver ao menos uma das fotos.

“Ele está aqui na minha frente, não preciso de foto”, ele argumentou. Ela apelou: “E quando você viajar a trabalho, como vai ser? Não vai se lembrar mais de que tem família?” Ele coçou a cabeça. “Fico triste”, confessou. “Eu sempre lembro que tenho família, mas fotos são lembranças em carne viva”.

Ela não quis nem saber. Esperou que ele fizesse a mala da viagem seguinte e enfiou lá dentro, no meio das roupas, uma foto. Ela segurando o bebê. Dessa vez, ele não ia escapar. Ia se emocionar ao ver sua família e parar com toda essa bobagem.

Já no hotel, assim que foi pegar uma camisa na mala, ele deu de cara com a foto. Ficou estático. Queria desviar o olhar, mas, sem saber por que, não conseguiu. A imagem de seu filho e de sua mulher brilhava à sua frente, mesmo o papel sendo fosco. Foi tomado por uma emoção desconhecida, uma bola amarga no estômago, uma vontade de chorar.

Ele colocou a foto na carteira e nunca mais foi o mesmo.

Sobre o autor: Liliane Prata nasceu em 20 de outubro de 1980 numa cidade pequena de Minas, atualmente mora em São Paulo. É formada em jornalismo e em filosofia. Durante 8 anos foi colunista da revista Capricho. Escreve todo tipo de texto, mas prefere os de ficção. Tem também seu próprio blog: Liliane Prata, sendo seu objetivo mostrar seu trabalho.


Autor: Caio Augusto Leite
08/06/2012 | Categoria: Autores

Num canto qualquer, de uma grande cidade, um jovem cansado de nada ser. Talvez não fosse o cansaço exclusivo do rapaz, mas marca essencial da juventude do mundo. Mundo tão grande, coração apertado. O jovem cansado gritava, berrava, chorava – sempre em silêncio. Quem o ouvia? Ninguém o ouvia. Tudo era saudade – de pião, bola na rua, de baile de formatura. Saudade do simples da vida, do vento no rosto, do beijo gostoso da primeira namorada.

Num canto qualquer, um quarto cheio – cheio de vazio, e um silêncio cheio de significado. Um jovem qualquer, uma agonia invisível, uma vontade de ir. De ir para onde? Para longe dali, do quarto, da cidade, dos contatos frios. Seria loucura? É certo que sim, mas não é de loucuras que se vive o homem? Precisa coragem – queimar seus navios. Desbravar novas terras, novos olhares, novas pessoas que se falem de perto, que se deem as mãos, que se cheirem e se ouçam – se sabe da voz.

Num canto qualquer, um coração tristonho – querendo ter paz, querendo salvar o pobre rapaz da dor que em si se instalou. Precisa de outros, não mais os que batem tão ao lado. Não compreendem esses corações a luta que o seu trava, pois talvez sejam apenas órgãos humanos e não mais figura poética absoluta de amor. Se acaso encontrasse ou a ti lhe chegasse um peito irmão que nas veias e artérias de tanto amor – maior confusão – a dor lhe tiraria em sorrisos tão vãos.

Num canto qualquer um escritor pensando, pensando demais, rachando mesmo a cabeça para unir as pontas do começo com o fim de um texto. Numa cidade tão grande o escritor tão cansado de nada ser. Saudade de nada. Esperança de tudo – frases feitas e tão vazias. Um mundo tão grande e tudo tão perto – um mundo encolhido e a gente sozinho. Sozinho? Quem, onde?

Num canto qualquer – eu ou você, homem – mulher. Tristes, felizes, juntos, cansados. Buscando a paz – paz que não é pra quem quer. Seguir, seguir, seguir, será que vão conseguir? Creio que sim, a vida arruma seu jeito até para nós que vivemos num canto qualquer, de uma cidade qualquer, em um texto qualquer.

Sobre o autor: Caio Augusto Leite tem 19 anos, cursa letras na Universidade de São Paulo, e escreve poesias, crônicas e contos. Começou a fazer sucesso com o seu Tumblr, o “Vento de Maio” e também atualiza constantemente o seu blog. Vem ganhando espaço na internet, por meio das redes sociais.


Frases: Verônica H
29/05/2012 | Categoria: Autores

“Eu não quero viver como se sobrevivesse a cada dia que passo sozinha. Não quero andar como se procurasse meu complemento em cada olhar vago. Eu acho que mereço mais por tudo o que eu posso fazer por alguém.”

“Ela não sabe se ama demais ou se odeia demais. Só sabe que é demais, e faz disso todo o seu mundo.”

“Como pode alguém com tantos pensamentos passar despercebida pela vida na Terra? Como posso me conformar em ser apenas eu? Tenho tanto a ser, tenho tanto a lembrar.”

“As vezes não somos o que queremos ser, as vezes somos mais do que nós mesmos. Ser uma pessoa só é desperdício, ser mais que só alguém é melhor  do que fugir da realidade.”

“Antes eu achava que minha timidez era o problema, agora eu vejo que o problema é usar minha timidez como desculpa para não viver.”

“Você não sabe como é bom me ver livre de você. Não me leve a mal, você até que é uma pessoa bacana, mas gostar de você foi a grande perda de tempo da minha vida.”

“Mas o mundo cresceu tanto e em tão pouco tempo, cada dia pessoas nascem, pessoas morrem e passam despercebidas. Fazer a sua parte deixou de ser uma virtude e passou a não ser mais que sua obrigação.”

“Desisti de sustentar uma imagem e procurar o amor da minha vida no caminho. Quem quiser olhar pra mim vai ter que se conformar com minhas Havaianas roxas e meu cabelo despenteado, minha desatenção e minha falta de correspondência. Ando abatida e pensando demais.”

“Mas agora era diferente. Era saudade ao lado, falta ao vivo, era o medo da perda. Era a perda ao lado, ao vivo.”

“Eu nunca deixo mesmo claro o que eu tô sentindo. E fica parecendo que eu não sinto. Mas é incrivelmente triste quando desistem do meu mistério.”

“Eu não sei de onde você surgiu. Com uma rapidez absurda, me fez sorrir espontânea, enquanto caia num abismo desconhecido. Minha capacidade de manipular sumiu, minha mania de mentir sumiu, minha vontade de enganar sumiu. Eu fico vulnerável demais enquanto falamos e acho que você sabe disso.”

“Nós dividimos a espécie mais triste de solidão: aquela em que as outras pessoas do mundo só significam companhia em casos extremos e mais fazem volume num espaço pequeno do que preenchem alma.”

“As horas não passam… O tempo me odeia e testa meu limite porque sabe que é recíproco.”

“Eu invejo quem ignora os motivos da dor. A inocência é linda, o não saber é reconfortante. Eu sei o que eu sinto e sei o motivo de sentir. Sei finais escritos e imprevistos.”

Sobre o autor: Verônica Heiss é blogueira e escritora. Seus textos ficaram ainda mais populares nos últimos anos após começarem a se espalhar pela internet. Ela atualiza o seu blog, o H-Verônica, e sabe falar sobre os mais variados assuntos.


Autor: Clarissa Corrêa
09/05/2012 | Categoria: Autores

O amor não é uma desculpa. Você não pode justificar o ciúme com o amor. Sinto ciúme de você porque te amo demais. Eu já disse isso, mas hoje vejo diferente. Se eu amo demais, o problema é meu. Dizer que ama e quantificar o amor só serve para quem sente. Se eu tenho o maior amor do mundo, o mais puro e o que mais me faz feliz o problema é exclusivamente meu. Sabe por quê? Não importa o amor que eu sinto, não para o outro. Para o outro importa como eu demonstro, me comporto e vivo esse amor. O que adianta eu dizer que o meu amor é o mais puro de todos se eu não mostro isso? O amor não é uma palavra bonita. O maior problema do mundo, hoje, é esse. As pessoas acham que falar basta. Não, falar não basta. O amor não tem que ser dito, ele precisa ser sentido, senão ele não sobrevive.

Quem escreveu? Clarissa Corrêa é uma escritora brasileira e também blogueira, postando seus textos no seu site. Sua popularidade aumentou ainda mais com as redes sociais em que seus textos e frases sempre são citadas, chamando a atenção para novos leitores. Também possui conta no Twitter e página no Facebook.


Autor: Fabrício Carpinejar
01/05/2012 | Categoria: Autores

Pensava que escrevia por timidez, por não saber falar, pelas dificuldades de encarar a verdade enquanto ardia, arvorava, arfava. Há muitos que ainda acreditam que começaram a escrever pela covardia de abrir a boca. Nas cartas de amor, por exemplo, eu me declarava para quem gostava pelo papel, e não pela pele, ainda que o caderno seja pele de um figo. O figo, assim como a literatura, é descascado com as unhas, dispensando facas e canivetes. Não sei descascar laranjas e olhos com as unhas, e sim com os dentes. Com as mãos, sei descascar a boca do figo e o figo da boca, mais nada. Acreditei mesmo que escrever era uma fuga, pedra ignorada, silêncio espalhado, um subterfúgio, que não estava assumindo uma atitude e buscava me esconder, me retrair, me diminuir. Mas não. Escrever é queimar o papel de qualquer forma. Desde o princípio, foi a maior coragem, nunca uma desistência, nunca um recuo, e sim avanço e aceitação. Deixar de falar de si para falar como se fosse o outro. Deixar a solidão da voz para fazer letra acompanhada, emendada, uma dependendo da próxima garfada para alongar a respiração. Baixa-se o rosto para levantar o verbo. É necessário mais coragem para escrever do que falar, porque a escrita não depende só de ti. Nasce no momento em que será lida.

Quem é? Fabrício Carpinejar é um autor brasileiro mestre em literatura pela UFRGS, é poeta, jornalista, já escreveu 17 livros e seu nome é muito popular na internet. Fez ainda mais sucesso depois que os seus textos começaram a ser lidos por um grande número de jovens nas redes sociais. Nasceu em Caxias do Sul, em 23 de Outubro de 1972 e possui seu site oficial.


Autor: Tati Bernardi
15/04/2012 | Categoria: Autores

Você me pergunta se já li “As horas” e me manda um trecho do livro. Não acho o trecho nada demais. A última vez que nos falamos faltavam dois dias para o Natal. Hoje é sexta-feira da paixão. Você sempre lembra de mim dois dias antes de datas religiosas. Sua loucura é burocrática.

Você quer me contar que sente angústia e não sabe amar. Você sempre quer me contar que sente angústia e não sabe amar como se isso fizesse de você mais misterioso e complicado e “escolhido pelo capeta” do que os outros mortais. Ninguém sabe amar, todo mundo tenta amar porque é preciso pra não se matar, todo mundo ama entre essa de não saber e tentar e não se matar. Ter um estômago enjoado é o que nos diferencia de bonobos. Buhuhu pra você. Mimimi pra você.

Lembro de quando eu não sabia dirigir carro automático mas te vi dormindo tão bonito e quis tirar o seu carro da rua perigosa e colocar na minha vaga. Eu demorei trinta minutos pra conseguir fazer isso. Eu voltei pro quarto e você me olhou com dó e disse que não conseguia ficar e foi embora. Eu também não consigo ficar. Eu também não consigo pensar que estou estacionada na vaga de uma pessoa.

Eu só quis tanto que você ficasse porque é mais fácil querer quando a pessoa já é mais um vulto de desculpas se esvaindo do que uma carne entregue e densa numa cama. Você foi embora esse dia e nunca mais voltou. A gente dançou Bluebird abraçadinho no show, a gente voltou com as janelas do carro bem abertas porque estava calor e o calor tinha cara de uma felicidade que corava e aquecia o sangue. Eu te abracei tomando cuidado pra não te sufocar quando você teve uma crise de ansiedade. Eu estava tendo uma crise de ansiedade mas a enxerguei melhor em você.

Eu amava você. E suas janelas emperradas e seus bonequinhos no banheiro e a voz mansa e doce de mal elemento e o cinismo genial me afastando de você enquanto eu queria amarrar meu cabelo no seu pé e seguir do seu lado mesmo sendo desconfortável. E de como seus olhos ficam assustadoramente psicóticos quando você bebe. Você foi embora nessa noite e nunca mais voltou.

Sua camiseta colorida eu dei pro meu porteiro. Sua meia puída eu joguei fora. Seu chinelo sujo com o nome dos noivos de um casamento em Angra eu guardei um tempo, pra lembrar que seus pés eram pequenos e gordinhos. Depois dei pro faxineiro do prédio. Nesse dia do chinelo eu chorei. Chorei muito. Era sua última coisa comigo e ela foi pro meu faxineiro e isso me pareceu tão injusto e triste e sujo de se fazer.

Você já faz um ano e cinco meses. Ficamos juntos três semanas e dois dias há um ano e cinco meses. Um milhão de pessoas de um milhão de galáxias ficaram três semanas e dois dias comigo. Mas você eu já desisti de esquecer. Pra sempre eu vou sentir um elevador de gelo seco em todos os meus andares quando você aparece de alguma maneira. Quando tem foto sua, quando tem recado seu, quando tem você atravessando a avenida.

Esse texto nem ficou bom, porque agora amo outra pessoa e então eu nem consigo te dizer nada incrivelmente bonito. Mas queria vomitar a última micrograma de sal viciante no fundo de um saquinho de salgadinhos que fazem mal mas que, na pressa, às vezes usamos como refeição.

Lembro de você, antes de atender o entregador de pizza no interfone, me dizendo que não aguentava mais fazer o personagem “homem perfeito pra mim”.

Eu nunca te preferi por causa dos seus trechos de livros, músicas, mãos dadas, dedicações corporais, gostos para poesias, diálogos inteligentes e comidas entregues em casa. Eu nunca te preferi por causa das suas histórias de aventuras ou do seu sucesso enquanto jovem talentoso e gato com carrão a apartamento no metro quadrado mais caro de São Paulo.

Eu nunca te preferi como uma menina que te prefere porque você é um personagem muito trabalhado para ser preferível. Tudo isso era só uma boa música e uma boa fotografia e uma boa direção e um bom roteiro. Mas eu amava o negativo preto e branco e de ponta-cabeça. A fagulha de ideia da sua existência. O seu nariz aristocrático e a sua boca corada mesmo quando você empalidecia no começo da noite.

Eu amava você dormindo, de barriga pra baixo, os cachos espalhados no meu nariz, o suor na nuca secando ao longo da noite, sua barriga enchendo de ar de forma errada porque você respira mal. Eu amava você chamando seu bruxismo de vampirismo e depois dizendo que eu te deixava nervoso. Eu amava o medo que você tinha de eu te amar em tão pouco tempo e do sentimento ser grande o suficiente para eu perceber, colorir e decorar suas minuciosidades desimportantes.

Amava sem você fazer nada, só respirando pesado, só lutando com seu peito angustiado, só perdido, só tentando ficar mesmo não sabendo como.

Quem é? Tati Bernardi é uma autora e cronista brasileira, que escreve a mini série da Globo “Aline”, dentre outros tantos programas da emissora e é colunista de variadas revistas famosas brasileiras. Jovem, com uma escrita acessível, Tati é adorada pelas jovens pelo simples motivo de que seus textos transparecem sentimentos, o que os torna mais fácil de serem identificados. Saiba mais sobre ela no seu site, onde posta seus textos.


Autor: Clarissa Corrêa
04/04/2012 | Categoria: Autores

Tenho uma particularidade instigante: preciso da solidão. Gosto de pessoas, preciso delas, não sei viver sozinha. Mas sou mimada, preciso quando eu quero. Sou egoísta, gosto de ver televisão sozinha, sem ninguém falando junto. Sou chata, não gosto de dividir banheiro com ninguém. Sou espaçosa, bagunço as minhas coisas. Preciso da solidão pra ler, pra olhar para o teto, pra tirar ponta dupla do cabelo, pra fazer as unhas, pra pensar em tudo, pra fazer nada. Preciso da solidão pra ser eu mesma. Pra fazer alongamento, rir de mim, chorar comigo. Não entendo como tem gente que não abre a janela em dias nublados. Eu adoro janelas abertas, esteja um dia lindo de sol ou um carregamento de nuvens cinzas. Tenho que sentir o ar que vem lá de fora, seja ele qual for. Com seu gosto, cheiro, textura. Falo algumas coisas esquisitas como essa, por exemplo, ar com textura. Conheço cores que ninguém conhece, vejo alguns filmes que grande parte da população acha tosco. Não gosto de deixar as coisas pela metade, mas já deixei…

Quem escreveu? Clarissa Corrêa é uma escritora brasileira e também blogueira, postando seus textos no seu site. Sua popularidade aumentou ainda mais com as redes sociais em que seus textos e frases sempre são citadas, chamando a atenção para novos leitores. Também possui conta no Twitter e página no Facebook.


Autor: Clarice Lispector
26/03/2012 | Categoria: Autores

“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente.

O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.

Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. […] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta?

E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso.

Não sou maduro bastante ainda. Ou nunca serei.”

Quem Escreveu? Clarice Lispector foi uma escritora e jornalista brasileira, que nasceu na Ucrânia mas conseguiu a naturalização do Brasil. Foi uma das escritoras mais marcantes do Brasil e do mundo, além de ser colunista nos jornais antigos, como “Jornal do Brasil”, “Correio da Manhã” e “Diário da noite.” Seus romances fizeram sucesso no país, o primeiro intitulado de “Perto do Coração Selvagem” e o mais famoso de “A Paixão Segundo G.H.”


Autor: Luís Fernando Veríssimo
26/02/2012 | Categoria: Autores

Pensando bem, em tudo o que a gente vê, e vivencia, e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente. Existe uma pessoa, que se você for parar pra pensar, é na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa faz tudo certinho: chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas.Mas nem sempre precisamos das coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada. A pessoa errada te faz perder a cabeça, fazer loucuras, perder a hora, morrer de amor. A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar, que é para na hora que vocês se encontrarem a entrega seja muito mais verdadeira. A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa. Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lagrimas, essa pessoa vai tirar seu sono, mas vai te dar em troca uma inesquecível noite de amor. Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar toda a vida esperando você. A pessoa errada tem que aparecer para todo mundo, porque a vida não é certa, nada aqui é certo. O certo mesmo é que temos que viver cada momento, cada segundo amando, sorrindo, chorando, pensando, agindo, querendo e conseguindo. Só assim, é possível chegar aquele momento do dia em que a gente diz: “Graças a Deus, deu tudo certo!”, quando na verdade, tudo o que Ele quer, é que a gente encontre a pessoa errada, para que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente.

Nossa missão: Compreender o universo de cada ser humano, respeitar as diferenças, brindar as descobertas, buscar a evolução.

Quem é? Luís Fernando Veríssimo é um escritor brasileiro que nasceu em Porto Alegre, em 26 de Setembro de 1936. Ele é conhecido por suas várias crônicas e textos de humor, publicados em vários jornais brasileiros. Ele é roteirista de televisão e autor de teatro. Tem mais de 60 títulos publicados, e é considerado um dos autores mais prestigiados da cultura contemporânea. Um de seus livros, “Comédias para se ler na escola”, já foi tema de vestibular e é muito popular entre escolas brasileiras.


Autor: Rosemary Urquico
04/02/2012 | Categoria: Autores

Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.

Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.

Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.
Compre para ela outra xícara de café.

Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.

É que ela tem que arriscar, de alguma forma.

Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.

Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.

Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.

Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.

Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.

Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.

Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.

Quem é: Rosemary Urquico é uma autora americana, que escreveu o texto “Date A Girl Who Reads”, que foi adaptado e traduzido por brasileiras para o português. Pouco se sabe da autora, somente que ela mantem seus blogs na internet há alguns anos e alcançou sucesso com o texto acima.