Vamos desacelerar?
25/05/2017 | Categoria: Comportamento

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Um tema que vem passando bastante pela minha cabeça – principalmente após aprender mais sobre o Fashion Revolution – é o fator de como as mídias sociais e a internet nos fazem querer consumir mais. Ter mais, e desejar coisas que não são nossas (mas que nós sentimos que só seremos verdadeiramente felizes quando a tivermos). Eu percebo que as redes sociais exercem um papel enorme na nossa insegurança. Em um mundo em que nós estamos usando o celular o tempo todo, parece que 50% da nossa vida é virtual. E que tudo que está ali domina também a nossa vida fora das telas. É difícil não se comparar com a vida das outras pessoas no Instagram, quando tudo mundo parece estar vivendo os seus melhores dias.

Mas na prática, é óbvio que não é bem assim. A internet te dá as ferramentas para que você crie e mostre o lifestyle que quiser. Aliás, “lifestyle” se tornou uma palavra bem popular nos últimos anos. Utilizada para definir um estilo de vida e práticas de comportamento, parece que as notícias, as fotos e o Instagram tentam te convencer o tempo todo que a sua vida sempre pode melhorar, que você sempre pode ter mais. É só viajar para a cidade X, ter o batom Y, ou estar na profissão Z. Mas ninguém fala sobre como é impossível alcançar a perfeição.

E uma das coisas mais problemáticas sobre isso é que nós somos o público alvo de toda essa insistência para que a gente consuma mais todos os dias. Eu tenho 19 anos e sou super afetada por isso, porém, no meu trabalho eu convivo com pessoas mais novas que eu: adolescentes de 13, 14 e 15 anos, que eu percebo que são muito afetados pelas redes sociais. Todos os dias, eu os ouço dizendo: “eu queria ser bonita que nem essa menina do Instagram”, ou “eu não vou postar essa foto porque não vai ter likes”. Alguém pode os culpar? Não. Eles, e nós, fomos ensinados a acreditar que o nosso valor está em um número de curtidas, em uma foto, ou em um produto que a gente pode comprar.

E isso afeta de maneira ainda pior as mulheres, que já são expostas o tempo todo a propagandas – principalmente na internet – que querem nos convencer de que precisamos ser de tal jeito e ter uma roupa, uma maquiagem ou o peso tal para realmente alcançar “a felicidade”. Quando eu tinha 14 anos eu era muito afetada por isso: eu achava que a minha vida era a mais sem graça do mundo, enquanto todo mundo da minha idade estava se divertindo. Eu me comparava demais com outras pessoas, e é claro, estava longe de estar feliz com a minha aparência.

Não é de um dia para o outro que nós vamos aprender a lidar com isso, mas na minha opinião o primeiro passo é perceber que o tempo todo as marcas querem que a gente consuma mais. Isso faz parte da premissa do capitalismo: quanto mais insatisfeito você estiver, mais você vai querer comprar para mudar de vida. Mas a gente nunca chega em um ponto em que está realmente satisfeito. Outro dia, conversando com a minha psicóloga, ela afirmou que toda essa onda de informação excessiva e marketing contribui, e muito, para os transtornos psicológicos que muitos jovens enfrentam, como a ansiedade e depressão.

Filtrar as informações que queremos receber é um bom primeiro passo, e tomar consciência disso também. Eu tento, aos poucos, ser mais cautelosa com o que eu estou consumindo, seguindo e prestando a atenção. Quando eu começo a me comparar demais com alguém, eu me forço a fechar o aplicativo. Por quê eu sei que as fotos e os vídeos vão tentar me convencer de que ainda tem algo que está faltando na minha vida, quando na verdade eu estou muito bem assim, obrigada.

Pode ser complicado ir contra a maré, mas é um jeito diferente de pensar e agir, de escolher não ser bombardeado por um conteúdo que pode nos tornar infelizes com quem nós somos, e minar a nossa autoestima (algo perigoso, e que acontece muito).

Quer saber mais sobre o assunto?


O mês de conscientização das doenças mentais
10/05/2017 | Categoria: Comportamento

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Desde 1949, o mês de Maio foi escolhido por diversas organizações – como a Mental Health America – como o mês oficial da divulgação e da conscientização sobre as doenças mentais. Eles divulgam projetos, palestras, e vídeos sobre o assunto, e mesmo sendo um tema que deve ser debatido durante todo o ano, é nesta época que nós vemos mais mobilização social sobre ele. Inclusive, o Tumblr também faz parte da campanha, e foi por causa dele que eu me lembrei que eu não queria deixar a data passar em branco.

Um dos temas abordados pela Mental Health America este ano é o “Risky Business”, que seriam determinadas coisas que podem provocar doenças mentais. O objetivo da organização é nos oferecer mais informação sobre o assunto. Algumas atitudes foram listadas, como fumar maconha (23,2% das pessoas com doenças mentais utilizam maconha. A utilização da mesma pode causar sintomas como ansiedade, ataques de pânico, distúrbios de sono e alucinações). O uso indevido de medicamentos também pode causar problemas sérios: pessoas com doenças mentais tem 3x mais chances de usar medicamentos de forma incorreta. Em 2016, mais de 3,6 milhões usavam de forma exagerada remédios que precisam de receita. Menos da metade recebeu o tratamento adequado.

Quebrando o estigma

Infelizmente, ainda existe um estigma enorme sobre as doenças mentais, e eu percebo isso todos os dias. Quando eu fui diagnosticada com transtorno de ansiedade generalizada (TAG) eu não falava muito sobre o assunto. Era algo pessoal, e eu não conseguia compartilhar com os outros. Mas conforme eu fui melhorando, eu percebi que a nossa voz pode ser uma mudança significativa para outras pessoas. Falar sobre o assunto é importante, porque ele deixa de ser um mito: as pessoas percebem que sim, isso é extremamente importante e precisa ser tratado. Não é besteira, não é algo “passageiro”. Os seus sentimentos são válidos. É um processo lento, mas hoje em dia eu falo abertamente sobre isso. Por que se eu não falar, quem vai? É muito difícil encontrar outra pessoa disposta a discutir o assunto. E eu também percebi que não tenho que ter vergonha de nada, pois uma doença mental não nos define.

Você é amado, você é inteligente e você é forte. http://posiviibes.tumblr.com/

Você é amado, você é inteligente e forte. http://posiviibes.tumblr.com/

Procure ajuda

Eu conheço muitas pessoas – principalmente jovens – que sofrem com crises de ansiedade e outros transtornos. Porém, quase nenhum deles era levado a sério ou reconhecia o problema que eles estavam enfrentando. Por isso, eu acho que nós devemos prestar mais a atenção naqueles que nos cercam. Se você vê que um amigo precisa de ajuda, o incentive para ir à terapia. Psicólogos e psiquiátras estão aí para nos ajudar. Eles são profissionais que vão te apoiar. Eu digo por experiência própria que buscar ajuda é a melhor coisa que você pode fazer: ninguém precisa lidar com isso sozinho. E olha, não precisa ter vergonha, achar que é estranho… Não tem absolutamente nada de estranho nisso. As dores físicas são sempre consideradas, então  as mentais também devem ser.

Sobre o tratamento

No final de Abril, eu completei um ano em que comecei o meu tratamento para a ansiedade. Assim como para qualquer outra doença, o tratamento não se baseia em apenas em uma coisa. São várias etapas e atividades que eu faço para me ajudar a melhorar. É essencial tomar a sua medicação de maneira correta, mas eu também busco apoio no yoga, na caminhada, na terapia. Alguns dias são mais fáceis que os outros. Alguns são complicados. Mas é importante sempre continuar buscando o que for melhor para a sua saúde. Se você passa por isso, eu repito: peça ajuda. Para os seus pais, os profissionais da escola, pesquise os médicos do seu convênio, vá no posto de saúde… Se você sente que não consegue superar isso, eu afirmo que sim, é possível. Eu passei por alguns momentos bem complicados há mais de um ano, em que achei que a minha ansiedade tinha tomado conta de quem eu era. Mas a gente é mais forte do que isso, sim.


Links importantes


Fashion Revolution: O movimento de moda sustentável
01/05/2017 | Categoria: Comportamento, Compras, Moda

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Eu conheci o movimento Fashion Revolution – que já existe há três anos – faz pouco tempo. Mas esse curto espaço antes e pós conhecer o projeto me influenciaram de uma maneira positiva rapidamente. A ideia dele é incentivar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda, uma questão que eu comecei a refletir mais ultimamente. Acho que a minha ficha demorou a cair, mas quando eu percebi que a maioria das minhas roupas traziam etiquetas de Bangladesh e da Turquía, eu me toquei que havia algo extremamente errado aí. Quando realmente custava aquela blusa de 10 dólares da Forever 21? Quanto realmente é o valor que as pessoas que produzem essas roupas tem que pagar, para que depois elas sejam vendidas por um preço tão baixo?

Eu consumi em lojas de fast fashion durante 18 anos da minha vida. Eu acreditei que as roupas poderiam me trazer felicidade durante todo esse tempo. Sim, eu adoro moda, eu adoro falar sobre o assunto. Mas, até onde esse consumismo todo afeta o planeta? São fatores complexos, mas que podem ser questionados com perguntas simples. E é desta ideia que surgiu o Fashion Revolution, atualmente presente em diversos países, que busca conscientizar por meio de informação e eventos sobre todas essas questões. Todo ano ocorre eventos, na semana de 24 a 30 de Abril, justamente na época em que aconteceu o desabamento de um prédio em Savar, Bangladesh, de oito pisos que servia de espaço para uma fábrica. Os trabalhadores não tinham mais condições de estar lá em segurança, mas foram ignorados, o que resultou em 1127 mortos. Eles produziam para marcas como H&M e Primark.

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O movimento está bem forte aqui no Brasil. Coordenado por Fernanda Simon, as ações no nosso país são bem presentes: desde eventos em várias capitais, até campanhas nas ruas de São Paulo, como você pode conferir no vídeo abaixo. Também vale acompanhar a página no Facebook, onde você pode se atualizar sobre tudo o que está rolando e como ajudar. Na área brasileira do site do Fashion Revolution, há posts com informações que te ajudam a entender mais sobre a cadeia de produção da moda e como isso afeta os trabalhadores diretamente.


Nesta última semana ocorreram vários eventos pelo Brasil, e aqui em Florianópolis, onde eu moro, também. Eu fui no dia do encerramento (30/04) e pude conferir de perto as marcas sustentáveis que estavam presentes, o trabalho de muitas pessoas criativas e engajadas, que faziam tudo à mão e por produção própria. Ou seja, é um produto totamente diferente do que nós estamos acostumados: é sustentável e você sabe de onde vem.

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Neste dia rolou o Troca-Troca, em que você poderia levar 10 peças (incluindo sapatos e acessórios) em bom estado para poder trocar com outras pessoas. Era necessário apenas fazer a sua inscrição de maneira prévia. Ou seja, é uma ótima forma de você adquirir roupas novas sem precisar comprá-las e sim trocando com outra pessoa. Eu gosto bastante dessa ideia: eu acredito que roupas possuem histórias, e é legal fazer parte disso com uma peça que era de outra pessoa.

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Eu também tive a oportunidade de conhecer a Zakii, criada pela Lais Costa. Os acessórios são todos feitos por ela, e são simplesmente maravilhosos! A marca tem como fundamento o empoderamento: “A Zakii tem como objetivo fortalecer o mercado de moda afro. Entre suas principais características estão a diversidades de produtos voltados a padronagens africanas, que valorizam mulheres interessadas em fortalecer uma cultura tão diversa.”

As vendas também são feitas online pelo site, que está passando por uma reformulação pois vai se tornar também um blog. Vale super a pena acompanhar tudo no instagram da Zakii!

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A designer Roberta Kremer também estava presente. As peças dela são bem criativas e originais: feitas com tingimento natural e tinta vegetal, todos produzidos em Florianópolis. Cada peça era mais única que a outra. Ela também faz vendas pelo site. Não deixe de conhecer o trabalho dela. São roupas produzidas de maneira sustentável, bem diferente de como estamos acostumados.

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Também rolou uma oficina de upcycling, que significa transformar produtos que não teriam mais função ou resíduos em algo de maior uso e qualidade. A oficina foi cordenada por Fernanda Alface, que faz parte do coletivo Lactuba Lab, “um espaço onde organicamente se reúnem amigos e interessados afim de semear espontâneas experiências”, você pode conferir a página no Facebook aqui.

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A Lafrikana é uma marca social inovadora que propõe o empoderamento de refugiados na comunidade de Kabiria, em Nairobi, na Quênia, por meio dos tecidos africanos e da produção das roupas, que trás um engajamento por trás de todas as peças. Cada estampa possui uma importância cultural, um significado. As roupas geram uma forma de trabalho digna para estes refugiados. É uma forma de fazer moda consciente.

Conhecer o Fashion Revolution foi uma experiência muito boa, e também abriu os meus olhos para outra forma de consumir, principalmente de locais em que você sabe quem fez a sua roupa, como o processo aconteceu, e também é uma maneira interessante de incentivar o consumo consciente, e essas pessoas tão talentosas citadas aqui no post, que nos mostram uma outra maneira de enxergar a moda.

Se você quiser entender mais sobre o assunto, eu indico muito o documentário “The True Cost”, disponível na Netflix, que nos mostra como a indústria da moda pode ser violenta, injusta e cruel para muitas pessoas que produzem as nossas roupas. É de abrir os olhos e fazer você refletir muito, e essencial para entender o que significa o slow fashion e a moda sustentável.


Porque praticar yoga?
14/04/2017 | Categoria: Comportamento, Diversão

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Eu já falei algumas vezes aqui no blog que eu enfrento problemas com ansiedade, e tenho certeza que eu não sou a única. A ansiedade se tornou uma doença que ganhou mais atenção nos últimos anos, portanto, mais pessoas foram diagnosticadas. Mas ela sempre existiu na nossa sociedade. E eu sempre tento melhorar o meu estado mental praticando exercícios. Comecei a caminhada faz mais de um ano, e mais recentemente, o yoga.

O yoga, muito mais do que apenas uma prática, é uma filosofia de vida. Em algumas culturas ele é extremamente valorizado. Na Índia, por exemplo, com o hinduísmo, no Tibete, na Indonésia, dentre outros. A verdade é que a gente ouve falar pouco sobre o yoga (pelo menos, era isso que acontecia comigo!). Eu não sou nenhuma expert no assunto, mas a impressão que eu tenho, desde que comecei a prática-lo, é que ele nos ensina a desapegar dos estímulos externos. Limpar a nossa mente (de verdade!) e aprender a viver mais o presente.

Na teoria, você pode até pensar que isso parece simples. Mas é bem mais difícil do que parece! Nós somos cobrados constantemente na sociedade em que vivemos. Eu me formei no ensino médio, e já tinha que ir para a faculdade. Não passei no vestibular, e estudei um ano no cursinho. Não passei, de novo. E fiquei sem rumo. Eu não sabia o que eu ia fazer, qual seria o meu futuro, e a minha ansiedade atingiu o ápice. E então eu percebi que eu nunca vivia o agora. E isso é algo que a gente faz e nem percebe: vivemos sempre o amanhã, a semana que vem, o ano que vem. E isso causa estresse, dúvidas, doenças mentais, enfim, diversos problemas.

Me indicaram o yoga, e eu pensei: “por quê não tentar?”. No início a gente acha a prática bem diferente. Até mesmo estranha. Afinal, ficamos um tempo em uma mesma posição, são vários exercícios de respiração, coisas que te fazem criar consciência corporal. Existe algum momento do seu dia que você para de pensar em um turbilhão de atividades que precisa fazer? Ou planos? O yoga é o momento em que a gente para, se foca, e tenta se concentrar apenas naquele momento. O meu professor sempre diz que a posição corporal é importante, mas a externa é mais ainda, para que exista o equilíbrio.

Vale a pena fazer?

Varia de pessoa para pessoa, mas o yoga é a atividade ideal para mim. Eu sou um tipo de pessoa que é bem sensível ao que acontece no meu redor, e me focar, prestar a atenção no que eu faço, nunca foi algo simples. Eu sempre estou pensando lá na frente, imaginando um monte de coisas. E isso faz com que eu viva em uma constante batalha interna. O yoga te ajuda a prestar mais a atenção no que está ao seu redor. E cada aula te traz um ensinamento diferente. As posturas exigem força (esqueçam esse papo de que você fica parado no yoga: a aula é bem desafiadora!), e concentração naquilo que você está fazendo. Não no futuro.

A minha mãe, que é mega agitada, não curtiu muito (ela só fez uma aula). Algumas pessoas reclamam que não conseguem se focar, mas isso é super comum. Eu tenho dificuldades também para esvaziar os meus pensamentos. Mas com o tempo nós vamos exercitando o corpo e a mente, aprendendo a nos respeitar mais. Algo que eu achei curioso, é que a gente mal conhece nosso próprio corpo. Eu convivo com ele há 18 anos e tenho dificuldade em algumas posturas, porque não sei como me posicionar do jeito correto.

Yoga no cotidiano

Outro aprendizado legal do yoga é que você é incentivado o tempo todo a colocá-lo em prática durante a sua rotina. É o chamado “estado de yoga”, ou seja, mesmo que a aula tenha terminado, você continua naquela tranquilidade e calmaria, presente no que está fazendo naquele momento. O yoga me ajuda bastante. Por exemplo: quando você tem um dia estressante, e bate aquela ansiedade (ou é complicado lidar com uma situação), fazer uma postura por 5 minutos ou um exercício de respiração já faz uma mega diferença. Não é preciso muito tempo de prática. Depois de algumas aulas você já se acostuma a se concentrar muito mais.

Eu ainda estou aprendendo mais, a cada dia, sobre o yoga. Eu realmente queria compartilhar com vocês essa ideia, que vai do contrário a absolutamente tudo que nós somos ensinados. Você não precisa fazer tudo ao mesmo tempo, você não precisa ser o melhor em 50 tarefas ou se ocupar com várias atividades ao longo do dia, só para provar ao mundo que é capaz. E muito menos cobrar coisas de si mesmo. Conforme eu vou fazendo mais aulas, contarei um pouco mais sobre. Se você tiver vontade, e quiser mudar pelo menos um pouquinho o seu estado de espírito, eu super recomendo.


Sites com conteúdo feminista
16/03/2017 | Categoria: Blogs, Comportamento, Textos

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Quando eu conheci a palavra “feminismo”, eu sabia muito pouco sobre ela. Na verdade, eu quase não a ouvia na rua, e também não tinha ninguém próximo de mim que falasse: “eu sou feminista.” Eu não me lembro exatamente quando a ouvi pela primeira vez, mas eu tenho certeza que eu descobri sobre ela por meio da internet. Foi por meio de sites e blogs que eu aprendi sobre o que era a luta por igualdade de gênero, e de direitos das minorias, como as mulheres negras, trans, e a comunidade LGBTQ+.

Eu li muitos textos, artigos, e matérias de revistas para poder me informar sobre o que era esse movimento. E nos primeiros momentos, eu já me identifiquei. Hoje, eu continuo sempre tentado me informar e saber mais sobre esse assunto e diversos outros que também estão incluídos na luta do feminismo, e os meus grandes aliados são esses sites que eu cito aqui no post, que além de falar sobre o movimento, também enaltecem e divulgam o trabalho de mulheres, de maneira diferente do que já foi feito antes.

Arte da designer e ilustradora Amanda Gotsfritz

Arte da designer e ilustradora Amanda Gotsfritz

  • THINK OLGAO site é um dos mais reconhecidos do Brasil quando se fala de campanhas feministas e informação para empoderar mulheres, que é um dos lemas do portal criado pela jornalista Juliana de Faria em 2013. Além dos posts que falam sobre mulheres inspiradoras, direitos da mulher negra e violência doméstica, a Olga é responsável pela campanha Chega de Fiu Fiu, que fez uma pesquisa extensa sobre o assédio no Brasil, e que em breve, vai virar filme. Leia: “Por Um Jornalismo Não Sexista”, e “Homens Famosos Não Pagam Por Seus Crimes“.

 

  • GIRLS WITH STYLEO GWS, comandado por Nuta Vasconcellos e Marie Victorino, fala sobre moda de uma maneira diferente. Além de conteúdo sobre auto estima, e de como usar tendências ao seu favor (e não de maneira que elas te deixem insegura), o site aposta nos movimentos do slow fashion e divulga produtos veganos e eco-friendly. O que eu mais gosto no blog é de como as autoras conseguem captar as novidades do mundo fashion, sem ser artificial, e sim incentivando as mulheres a amarem a si mesmas. Tem muito texto reflexivo também! Ah, e elas promovem oficinas e workshops no espaço GWS. Leia: O Que É Empreender?” e “Nem Gorda, Nem Magra.”

 

 

  • REVISTA CAPITOLINA: Uma revista independente feita para garotas jovens, a Capitolina tem como intuito principal abordar temas de interesse do público feminino, mas de uma forma que não é encontrada facilmente por aí. Tem espaço para colunas de games, tecnologia, cinema & tv, fotografia, dentre outros. Ela possui diversas edições, cada uma com um tema específico. A nova edição saiu neste mês, com o tema “luta.” A partir daí, os posts são baseados neste tema. Os textos, além de muito bem feitos, ainda trazem diversas informações interessantes (ótimo para aprender mais). Leia: “Quem foi Harriet Tubman?“, e “Sertanejo e sofrência: o que as mulheres estão cantando?”

Sintam-se livres nos comentários para deixar sugestões de blogs que vocês conhecem, gostam e acompanhem também! E vai rolar outros posts como esse ainda!


Padrão Kylie Jenner
09/03/2017 | Categoria: Comportamento

largeEsse texto não é sobre a Kylie Jenner. É sobre um padrão de beleza, de moda, de rosto, de cabelo e de roupas que é determinado para nós, mulheres, todos os anos. Em 2017 é o corpo e o rosto da Kylie, mas ano passado foi de outra mulher, e em 2018 será de outra pessoa, e por aí vai. E isso não tem nada a ver com elas: tem a ver com a mídia, com as revistas e com a infinidade de redes sociais voltadas justamente para te convencer que você tem que ter um bocão, fazer contorno e usar roupas tendência para se sentir bonita. Se sentir valorizada, bem consigo mesma.

Mas tudo isso é muito contraditório: ao mesmo tempo que eu amo maquiagem, eu sei que tudo ao meu redor me influencia para que eu só me sinta bem quando estiver usando-a. Para que eu só esteja feliz quando estiver com uma roupa parecida com a que eu vi em um site da internet. E isso nos leva a crer em metas impossíveis, e naquele pensamento doloroso de que só estaremos satisfeitas quando formos de um determinado jeito. Eu percebi isso quando, olhando pelo Instagram (que pode ser uma ótima rede social às vezes, mas também mentirosa em outros momentos) notei que o ideal de beleza estava impregnado em diversas fotos. Parecia que muitas de nós queríamos ser a Kylie. Ser vestir como ela, parecer com ela. Mas, novamente, não é sobre a pessoa. É sobre um padrão cruel que tentam nos fazer engolir.

Lutar contra isso é necessário, mas não é a coisa mais simples do mundo. São forças externas que te influenciam o tempo todo. Opiniões que estão nos sites que você lê e nas fotos que alguém te manda. É triste porque tentam fazer com que sejamos todos iguais para sermos aceitas. Como se todas as mulheres tivessem que ser semelhantes, ter o mesmo cabelo, a mesma roupa, a mesma maquiagem. E se você não for desse jeito, você está errada. “Você tem que mudar”, o mundo te diz. Você tem que fazer de tudo pra se encaixar no padrão.

Felizmente, algumas coisas estão sendo alteradas, aos poucos. Mas ainda falta uma representação enorme na mídia, no dia-dia. Uma representação de alguém que se pareça conosco, que você possa se inspirar, se espelhar, mas não desejar ser igual. Porque, por mais que todo mundo tente te convencer do contrário, você pode ser a melhor versão de você. E não precisa ser a cópia de mais ninguém. A gente é o suficiente. Sempre fomos, e sempre seremos. Só que entender isso é muito difícil. Eu demorei anos, e às vezes ainda existem dias que eu me questiono. Que eu me olho no espelho, que eu vejo uma foto no Instagram, e algo faz com que eu goste menos de mim mesma. É uma voz inaudível que fala “você ainda precisa melhorar.” Em algumas semanas, isso acontece com frequência. Em outras, não.

É sempre uma constante batalha para nós, mulheres. Desde o momento em que nos levantamos da cama, que pegamos o celular, ligamos a televisão, lemos uma revista, saímos na rua, estamos no ônibus, até a hora de se deitar de novo. Por isso que nesse 8 de Março eu não aguento ler textos clichês que alguém me envia no Whatsapp. Eu quero ver mais pessoas falando da nossa luta. Aquela que a gente tem que enfrentar todos os dias, para tentar amar a nós mesmas.


Por todas nós, mulheres.
29/05/2016 | Categoria: Comportamento, Textos

large (1)“Não” significa NÃO.

Nos últimos três dias, eu fiquei meio paralisada. Não sabia o que dizer. Porém, três sentimentos me dominaram enquanto eu lia outras notícias sobre o caso da garota de 16 anos que foi alvo de um estupro coletivo no Rio de Janeiro: revolta, desprezo e nojo. E depois, senti impotência. Porque eu só queria, de alguma forma, poder ajudar essa menina. E acho que todas nós, mulheres e feministas, sentimos isso. É uma luta diária e constante. Em alguns momentos, sentimos que estamos avançando. Que o pensamento de muitas pessoas está mudando e que, quem sabe, a igualdade pode estar aí, presente no futuro. Mas então, casos como esse acontecem e somos obrigados a nos perguntar se um dia vai ser possível que as minorias alcancem o seu espaço. E também me fazem questionar os limites do ser humano. A capacidade que muitos tem de cometerem barbáries e nem por um momento, se colocarem no lugar do outro.

Precisamos falar sobre a cultura do estupro. Precisamos falar sobre como todos os estupradores não podem sair impunes. Precisamos falar e repetir que a culpa NUNCA é da vítima. É preciso propagar, falar, discutir e debater todos os dias sobre o machismo. Não tolere piadas e difamações de ninguém: quando alguém fizer isso, chame a atenção dessas pessoas. Logo depois de conhecer o feminismo, comecei a perceber como nós, mulheres, somos ridicularizadas o tempo inteiro. Na escola, na balada, no ponto de ônibus. São “brincadeiras” que acontecem o e que não são nada engraçadas: são mais um ato de perpetuar a cultura que normaliza o abuso contra a mulher.

Às vezes eu sinto que quero fazer mais. Que palavras e atitudes não são só o suficiente, mas precisamos, de todos os modos que nós tivermos, nos expressar e nunca nos calar. Apoiar umas às outras é a etapa mais importante disso tudo. Todos esses crimes contra a mulher, que tanto nos aterrorizam e machucam todas nós, devem nos lembrar que devemos estar juntas sempre. A sociedade impõe uma rivalidade entre nós: recuse-a. Nós não somos inimigas. Vamos reafirmar as nossas relações, nos unir, nos apoiar, afinal, estamos enfrentando os mesmos problemas. Se você vê que outra garota precisa de ajuda – pode ser algo simples, ou mais complicado – não tenha medo ou vergonha. Quantas vezes a gente não presencia uma menina sendo agarrada numa festa sem ser por vontade própria? É triste dizer, mas são muitas. E acontece toda hora. É nosso papel ajudá-la. O movimento “Vamos Juntas?” incentiva justamente isso.

Eu gostaria de poder tirar um pouco da dor que todas as vítimas sentiram ou irão sentir. De todos os traumas que ficarão guardados dentro delas.

O nosso sistema de justiça, como nós sabemos, falha muitas vezes e oferece poucas proteções às vitimas. São inúmeros os casos em que os criminosos saem impunes, são pouquíssimas as vezes que as mulheres acham apoio nas delegacias de polícia e que elas não são desacreditadas. Isso contribui para que mais abusos aconteçam, pois não temos leis e o amparo necessário.

Por isso, devemos continuar lutando e dizendo às nossas opiniões. Comece em casa, na escola, em qualquer lugar: nossas atitudes e nossas vozes são algumas das maneiras que temos para acabar com essa cultura que tanto nos oprime. 


#FreeKesha
17/04/2016 | Categoria: Comportamento

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Você provavelmente já ouviu falar, nos últimos meses, do que está acontecendo com a Kesha. A cantora norte-americana de 29 anos está passando por um dos momentos mais difíceis de sua vida: em 2014, a cantora iniciou um processo contra o produtor Dr.Luke, que administra a sua carreira e também é o dono da gravadora responsável pelos lançamentos da cantora, a Kemosabe Records (em parceria com a Sony). No processo, Kesha o acusa de abuso sexual, mental e físico. Ela também alegou que não possuía liberdade criativa na sua carreira (ou seja, era controlada pelo produtor e pela gravadora). Essa situação traumática também levou Kesha a desenvolver bulimia (ela foi internada em 2014), e diversos problemas psicológicos.

A primeira liminar do julgamento aconteceu em 19 de Fevereiro deste ano, e a vitória inicial foi dada ao produtor. A justificativa do Supremo Tribunal nos EUA, é que o processo envolvia contratos milionários e “comuns” para a indústria musical. E o pior: ela teria que continuar a sua carreira, gravando mais seis álbuns, que seriam chefiados pelo Dr. Luke. A cantora tentou se libertar do contrato, mas até agora, ela ainda não conseguiu. Ou seja: a carreira de Kesha está completamente parada. Ela não pode gravar singles, álbuns ou nenhuma música nova. E a sua situação econômica também se encontra complicada, já que um processo como este é extremamente caro.

Esse acontecimento invadiu as redes sociais e a cantora está recebendo um apoio incondicional dos fãs e de outros artistas. Impossibilitada de se expressar artisticamente, Kesha continua presa ao seu abusador. Esse caso nos leva a debater e refletir sobre como a mulher ainda sofre com a injustiça das leis e como o abuso, de todas as formas, ainda não é reconhecido, e sim desvalidado. A mulher precisa passar por uma guerra para prová-lo. No final de Fevereiro, a cantora disse, em um post no Facebook: “Infelizmente, eu acredito que o meu caso não esteja dando às pessoas que sofreram abusos a confiança necessária para que eles possam denunciar, e isso é um problema. Mas eu só queria dizer que, se você já sofreu algum abuso, por favor, não tenha medo de falar sobre isso. Existem lugares onde você pode se sentir segura e existem pessoas que vão te ajudar.”

Kesha é conhecida no mundo inteiro e já possui uma carreira consolidada. Mesmo assim, a cantora não conseguiu provar perante à lei o que sofreu. Se até mesmo as acusações de alguém que possui uma grande voz na mídia são ignoradas, o que acontece com todas as outras mulheres? Aquelas que não possuem dinheiro para iniciar um processo e contratar um advogado, para as que não tem apoio de ninguém – pois, muitas vezes, nem a família ou os amigos reconhece ou acredita na pessoa que sofreu um abuso -, e as que precisam viver, todos os dias, com o seu abusador?

Diversas artistas deram declarações em apoio à cantora. No BRIT Awards, Adele, quando levou uma das principais categorias da noite, dedicou o primeiro a Kesha. Ariana Grande, em entrevista, disse que um artista masculino não estaria naquela posição: “Os diferentes padrões que temos que enfrentar no mundo são chocantes.” A manifestação feita por Kelly Clarkson reafirmou o que muitos já desconfiavam: Kesha não foi a única a ser controlada por Dr. Luke. Ela revelou que foi chantageada pela gravadora para trabalhar com ele. Se ela não o fizesse, eles não lançariam o seu álbum. “Eu fugi de diversas situações realmente ruins, musicalmente. É realmente difícil porque ele só vai mentir para as pessoas e isso faz com que o artista fique mal. Ele é difícil de trabalhar, foi humilhante.”

No inicio de Abril, Dr. Luke venceu o processo e as acusações foram retiradas. A juíza da corte de Nova York disse que as agressões não foram comprovadas, e que o “estupro não seria um crime de ódio motivado pelo sexo” (oi???). A sentença final causou repúdio na mídia, entre os fãs da cantora, e todos aqueles que apoiaram Kesha durante tudo isso. Por enquanto, o processo encontra-se fechado, e não há possibilidade futura de uma reabertura do mesmo.

A sentença injusta e que deixou muitas pessoas inconformadas, é um exemplo de como a cultura do estupro está presente em todos os âmbitos da sociedade. Nós ainda precisamos conquistar e lutar por muitas coisas. Kesha passou por inúmeras situações de abuso e experiências traumáticas na sua vida, e sua luta ainda não terminou, assim como a de muitas mulheres, que continuam tendo suas vozes silenciadas.


Vem assistir o “Essa É A Minha Vez – O Filme”
02/02/2016 | Categoria: Comportamento, Videos

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Eu descobri por meio do Twitter da Clara Averbuck, autora do incrível Lugar de Mulher  (o blog que praticamente me ensinou o que é feminismo!) sobre a realização do projeto feito pela Plan International Brasil – uma organização sem fins lucrativos que atua no pais há 18 anos – “Essa É A Minha Vez”, que tem o intuito de dar voz a diversas meninas de regiões, idades e vidas diferentes. Reunidas, elas participaram de debates e oficinas para contribuir com os objetivos definidos pela ONU, chamados de ODS’S: Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

O projeto Essa É Minha Vez configurou-se um marco importante na agenda que envolve a pauta de gênero e incidência política no Brasil. Desenvolver ações que incluem meninas de diferentes regiões com realidades distintas, demandas e perspectivas diferentes sobre o mundo e a vida foi um desafio para a Plan Brasil. No país, o projeto foi realizado nas cinco regiões sendo escolhido um estado por região para atuação do projeto. Essa escolha teve como principal base, a pesquisa Por Ser Menina realizada pela Plan Brasil em 2013.

Você pode conferir tudo no site oficial da ONG. 

A estréia do filme-documentário aconteceu nesta última Sexta-Feira (29/01) em São Paulo. Eu vi as fotos no Facebook e pareceu ter sido uma experiência maravilhosa. No final da exibição, as meninas participantes e a equipe também conversaram com quem estava por lá. Acredito que outros eventos como esse devem rolar, e se você mora nas capitais, incentivo todo mundo a ir!

Eu me emocionei bastante assistindo ao vídeo. Primeiramente, porque é muito importante, na minha opinião, poder ver como há realidades e vidas muito diferentes da sua. E ver como tem milhares de garotas lutando por aí todos os dias. Essas meninas estão fazendo a diferença e tomando atitudes. Isso me inspira a também fazer o mesmo, e acredito que quem assistir ao filme vai ter a mesma sensação. Se nós tivermos oportunidades e a chance de sermos ouvidas, podemos fazer mudanças concretas. Elas se juntaram com garotas de outros países para trazer os problemas que muitas meninas e mulheres enfrentam, como a questão da falta de oportunidade de educação: lembrando que 62 milhões de pessoas do sexo feminino no mundo todo não tem acesso a educação.

Também achei muito legal o fato de elas poderem ter assistido o discurso da Malala ao vivo. Com certeza, uma experiência inesquecível. Ter lido o livro dela no ano passado mudou a minha percepção sobre muitas coisas.

Sem mais delongas, não deixem de assistir!


Amandla Stenberg na capa da Teen Vogue
13/01/2016 | Categoria: Comportamento, It Girl, Moda

Amandla Stenberg

Eu falei bem recentemente da Amandla Stenberg no post das It Girls de 2015, e não é que ela já começou 2016 roubando a cena e trazendo atenção para assuntos que devem ser discutidos (e que merecem muita atenção)? Amandla é a capa de Fevereiro da Teen Vogue norte-americana; ela ganhou um ensaio fotográfico incrível e a sua entrevista foi feita por ninguém menos que Solange Knowles! Amandla, que tem 17 anos, falou sobre muitos temas: o sucesso do seu vídeo sobre Apropriação Cultural – que virou viral -, sobre aceitar a si mesma e aprender a amar o seu cabelo, feminismo e girl power, suas melhores amigas (um time composto por Willow Smith, Tavi Gevinson, Lorde e Kiernan Shipka!) e seus projetos futuros.

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Solange questionou Amandla se ela sentiu algum medo antes de publicar o seu vídeo sobre Apropriação Cultural, que na verdade começou como um trabalho para a escola. Ela disse que não esperava que fosse visto de forma polêmica: “Eu não esperava que fosse ser tão controverso [polêmico]. E ter o rótulo de ‘revolucionário’ preso em você logo depois foi muito intimidante. Eu meio que tive um momento comigo mesma em que eu pensei, tipo: ‘OK. É isso que você quer fazer? Você realmente quer falar sobre esses problemas? Vai valer a pena?’, e ainda há momentos que eu fico: ‘Uau, isso é muita pressão.’ Mas vale a pena porque quando as pessoas vem até mim e dizem: ‘Eu estou mais confortável com a minha identidade por causa de você’ ou ‘Eu sinto que você me deu uma voz’, é a coisa mais poderosa de todas.”

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Um dos assuntos que a atriz mais debate é sobre o seu cabelo, a aceitação e o preconceito com o cabelo afro. Ela revelou que não está cansada de falar sobre o tema como uma forma de empoderamento: “Eu sei que quando eu usei química para alisar o meu cabelo, eu o fiz por que que não estava confortável com o meu cabelo natural. Eu achava que ele era muito frisado. [aqui, ela usa o termo “poofy” e “kinky“, que poderiam significar ‘frisado’ e ‘retorcido’]. Então para mim, pessoalmente, quando eu comecei a usar o meu cabelo ao natural, foi como desabrochar, porque eu estava deixando ir todo o cabelo morto e toda a parte de mim que havia rejeitado o meu estado natural. Mas você sabe que não é assim para todas as garotas negras. Algumas tem cabelo liso porque é assim que elas gostam, e isso não significa que elas aceitam menos a si mesmas.”

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Ela também disse que, nos dias de hoje, é mais fácil encontrar garotas que sejam parecidas com você, que possam te representar, nas redes sociais, e que antes não era fácil encontrar essa representação: “Eu acho que, honestamente, as mídias sociais mudaram isso de vários modos porque no passado você só poderia olhar para filmes, ou TV, ou música ou celebridades para sentir que você tivesse alguma representação. Agora você pode ir no Instagram e ver uma garota que parece como você e que está arrasando (‘killing the game‘) e expressando a si mesma. Só por poder ver isso, já é algo tão afirmativo.”

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Sobre as suas melhores amigas (o seu #squadgoals), Amandla revelou que um dos seus amigos tem uma teoria de que quando você se torna amigo de outras pessoas poderosas e que possuam opiniões parecidas, o grupo de amigos brilha mais: “Kiernan [Shipka] está do meu lado desde o inicio. Willow é incrível. Eu sinto que nós somos destinadas a ser amigas. Nós estamos meio que na mesma vibe de longe, e então ela me manda uma mensagem do tipo: ‘Vamos sair’. Ela tem a maior energia atraente e radiante de todas. Sempre que nós saímos juntas, nós só rimos e dançamos, e vamos fazer caminhadas. E tem a Tavi – eu sou a maior fã do Rookie desde sempre. Eu checava o site todo dia, toda hora. Então o Rookie me chamou para fazer uma entrevista, e agora a Tavi é uma das minhas amigas mais próximas. Nós falamos sobre tudo e trocamos ideias entre nós; eu a mando alguns scripts, e ela os manda de volta.”

Sem título

Em parceria com a Teen Vogue e colaboradoras, Amandla também lançou três vídeos especiais no Youtube: “Black Womens Share Their Hair Stories”, “Why Black is Beautiful and Powerful” e “Things Black Girls are Tired of Hearing”, os vídeos são maravilhosos e vale muito a pena assisti-los. Eu não achei os vídeos legendados, mas se eu achar algum com legenda atualizarei aqui.



  • Você pode conferir a entrevista completa em inglês aqui. Lembrando que a tradução postada no blog não é literal.