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    Reflexão, Textos

    Um adeus para 2017

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    Série: Dark

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    Filme: Extraordinário

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    Playlist: Dezembro

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  • November 24, 2017
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    26e14d287bd9c5f49b36990e398601d0O Instagram sempre foi uma das minhas redes sociais favoritas (depois do Twitter, que nunca perdeu o posto de primeiro lugar). Mas ultimamente, eu ando tendo uma relação de amor e ódio com esse aplicativo. Explico: no começo eu me divertia vendo inspiração de roupas, fotos de gatinhos ou qualquer coisa fofa e aleatória, e acompanhava o que os meus amigos estavam fazendo. Mas já faz alguns meses que eu (e outras milhares de pessoas) percebemos que a enxurrada de fotos perfeitas e milimetricamente “espontâneas” que rodeiam a rede social só nos trazem uma coisa: insegurança. Eu não me surpreendi ao saber que não era a única a ter esse sentimento. Em Maio, uma pesquisa que aponta o Instagram como uma das redes mais prejudiciais causou comoção na internet.

    É óbvio que uma baixa auto estima, sentimentos de ansiedade e a sensação de que os seus defeitos são enormes, não aparecem somente por causa de um aplicativo. Mesmo fazendo terapia há anos, eu ainda convivo com isso: o buraco é bem mais lá embaixo. Porém, as redes sociais influenciam sim, nisso tudo. Eu percebi que a diversão tinha virado vício quando eu passava mais de 30 minutos vendo feeds, admirando pessoas com as quais eu não me identifico, e desejando ser mais fotogênica, mais bonita, mais sociável, mais tudo. Esse tipo de comportamento é obsessivo e atinge várias pessoas. Eu tenho 19 anos e aprendi a lidar um pouco melhor com o bombardeamento de imagens e vídeos que te fazem acreditar que você precisa ser perfeito (e que todo mundo tem uma vida mais divertida), mas aos 15 anos, por exemplo, é quase impossível não ser atingido por tudo isso.

    Portanto, eu me lembro exatamente de quem eu era há alguns anos atrás. E de como eu costumava me espelhar em pessoas que nunca tinha conhecido, mas que pareciam incríveis pela internet. Na época em que vivemos, uma foto pode ter um impacto enorme em você; mesmo que tudo aquilo seja uma ilusão e uma farsa, nosso cérebro processa como se fosse uma verdade absoluta. Se você não escolher bem quem segue, o seu explorar te convence que todo mundo no planeta é branco, magro e de cabelo liso. E nós sabemos que isso está muito longe de ser verdade. Essa não é a realidade em que vivemos.

    A realidade, aliás, parece ser algo que perde a sua força nos tempos em que as mídias sociais são uma constante no nosso dia-dia. Eu não conheço os hábitos de todo mundo, mas quem nunca acordou e foi direto olhar as atualizações de algum aplicativo? Todos os dias, recebemos determinadas informações. E depois de algum tempo, já estamos convencidos de que elas são concretas. Essas práticas são perigosas, e o pior é que nem percebemos. É assim que se torna cada vez mais fácil se comparar com os outros. Achar que você nunca é o suficiente. Como mulher, sei que ainda é mais difícil para nós, não nos deixarmos afetar por tanta propaganda que nos dizem que o jeito que a gente é, não é o correto. Que podemos ser mais, que devemos querer ser mais. 

    Não é exagero dizer que esse é um comportamento tóxico. Eu tento, a cada dia, me desvencilhar um pouco dessa sensação de olhar para o que está na internet e sempre achar que o que o outro tem e possui, é melhor. Não é assim que funciona. Obviamente, na prática é bem mais complicado: eu exclui o app por um tempinho (durou 3 dias) e confesso que não senti tanta falta quanto achei que faria. Me senti até mais leve. Porque eu não ficava, o tempo todo, vendo um monte de imagens que fariam eu me sentir mal. “Mas é só você escolher o conteúdo que acessa”, alguém diria, de maneira óbvia. Mas nós sabemos muito bem que a internet não é baseada apenas nas nossas vontades. Quando você menos esperar, lá está uma foto que você nem queria ver. E os seus dedos clicam (nem parece que temos poder sobre eles).

    Não, eu ainda não estou totalmente desintoxicada. Acho que vai demorar para eu conseguir. Mas eu sigo tentando diminuir um pouquinho esse vício e essa ansiedade, que é praticamente uma sabotagem a mim mesma.

    October 8, 2017
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    Eu não quero que esse texto seja romântico. Mas talvez seja difícil evitar. Aliás, evitar você é quase impossível. Eu tento, eu juro. Eu fiz uma promessa para mim mesma que arriscaria mais. Que iria me permitir sentir mais. Eu não quero ser um robô que tenta controlar todos os meus sentimentos. E afinal, se eu estou aqui, é para viver, não é? Mas as coisas são mais complicadas que parecem. Você apareceu do nada, mas eu sei que quem procurou foi eu. Então, seria injusto dizer que você surgiu sem eu querer de verdade. Mas eu ainda sei muito pouco sobre mim e você bagunça todas as minhas tentativas de autocontrole, sem ao menos saber. Parece que eu chego no meu limite; e eu não faço ideia se são borboletas no estômago ou a minha ansiedade pedindo ajuda.

    Controlar a mim mesma é algo que simplesmente não existe quando você está perto. E o pior é que você nem precisa fazer nada. É só dar um sorriso que parece que alguma coisa no meu estômago se revira 10 vezes seguida, e eu confesso, minha primeira ação é ficar paralisada. E depois querer correr. Eu sei, eu estou me auto sabotando e isso é horrível. É péssimo que a minha cabeça queira fugir de uma coisa que pode se transformar em algo bom.

    Deixar as pessoas entrar às vezes pode ser muito difícil. E eu sei que estou sendo resistente e dura demais comigo mesma. Mas é que eu tenho medo de verdade de depois, eu ter que recolher todos os pedacinhos sozinha. Porque isso já aconteceu antes. E eu tentei te deixar de lado. Tentei não prestar atenção, nem me importar. E funcionou. Por dois dias. Foi só você aparecer de novo que eu já voltei à estaca zero.

    Eu não sei se quero ficar nessa estaca zero. Eu não sei, de verdade, se devo dar uma chance para mim, para você, e simplesmente deixar as coisas acontecerem. É complicado, quando existem dias que a minha cabeça anda a milhão e eu só quero não pensar em nada. Mas não adianta: você achou um lugar na minha mente faz algumas semanas e não saiu mais. Grudou aqui e se recusa a ir embora. E eu confesso que gosto. Às vezes eu fico irritada, e digo pra mim mesma e todo mundo que chega, eu tenho prioridades importantes, mas você se tornou uma prioridade instável no meio de um turbilhão de ansiedades.

    Acho que gosto de não saber o que você vai fazer, mesmo que a instabilidade me assuste um pouquinho. Sempre foi assim. Eu gosto do que é fixo, imutável, e só precisa de cinco minutos para saber que você está bem longe de ser essas duas coisas. Mas talvez isso seja algo positivo para alguém como eu, que corre o risco de se estagnar onde está.

    Eu não quero depositar um monte de expectativas em você. De idealizar alguém que não existe, de imaginar qualidades e defeitos que não estão ali. Eu quero ser mais sincera comigo, com os outros, e não cobrar coisas impossíveis de pessoas que não merecem isso (e ninguém merece). Então, desculpa se no meio do caminho eu vou tropeçando e criando coisas na minha cabeça que nem existem. Eu custumo fazer isso. Mas quero melhorar. Tô aqui, me dispondo a alterar esse hábito.

    Daqui a uma semana, três dias, tudo pode mudar. Talvez a minha opinião não seja mais a mesma. Talvez sua paciência acabe. Mas eu queria colocar isso para fora. Quero dizer que, apesar dos pesares, é muito bom, em alguns momentos, estar próxima de alguém como você.

    September 8, 2017
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    Arte: Juliana Senra

    Arte: Juliana Senra

    No final de Agosto, todo mundo ficou sabendo de mais uma notícia que deixou explícito o quanto as mulheres sofrem com o abuso sexual no Brasil. Uma passageira no ônibus foi alvo de Diego Ferreira de Novais, que ejaculou no seu pescoço. O caso ganhou uma repercussão maior quando o juiz responsável pela causa – José Eugenio do Amaral Souza Neto – não considerou a situação como estupro. Nas palavras dele: “Na espécie, não entendo que houve o constrangimento, tampouco violência ou grave ameaça (…)”.

    O autor do crime já possuía diversas passagens pela polícia por acusações de estupro. Ele foi liberado no dia 30 de Agosto, e no dia seguinte, cometeu o crime novamente, contra outra mulher no transporte público.

    Notícias como essa chocam, revoltam e nos causam desprezo. Mas para muitas mulheres, elas infelizmente não são novidade. Quando eu soube da posição do juiz, eu não fiquei supresa. Porquê no Brasil, nossos direitos são negados e crimes como o abuso sexual passam ímpunes. Eu já vi milhares de vezes isso acontecer; todas nós também vemos, por meio de nossas amigas, colegas, conhecidas, e celebridades. É difícil ser mulher. É difícil resistir todos os dias. Seja no ônibus, na rua, no trabalho, ou até mesmo em nossa própria casa.

    Uma semana antes deste crime acontecer, eu havia testemunhado mais exemplos de como o machismo nos atrapalha diariamente. Não que eu já não tivesse certeza disso, mas vê-lo na sua frente é ainda mais perturbador, e magoa. Duas vezes na mesma semana, eu sai de casa cedo para ir ao centro da cidade (fazendo o caminho de todos os dias), e um homem se aproximou de forma abrupta de uma mulher, enquanto seguia ela pela rua. Ela, nervosa, andava rápido; mas ele insistia. No próximo dia, ele fez o mesmo comigo. E tenho certeza que continua repetindo esse comportamento com outras mulheres.

    Quando eu relatei o que aconteceu em casa, recebi os mesmos conselhos que eu ouço há anos. “Toma cuidado”, “não responda, não se mete com esse tipo de homem, você não sabe o que ele pode fazer.” Nós crescemos ouvindo isso. Nós passamos a vida inteira tendo que tomar cuidado, carregando um medo enorme com a gente, porque não sabemos do que o agressor é capaz. Eu reagi uma vez, quando um homem dentro de um táxi gritou uma cantada para mim, e eu sai atrás do carro e o confrontei.

    O fato é claro: não somos nós que precisamos mudar o nosso comportamento. São os responsáveis que precisam tomar essa atitude.

    Arte: Joana Plautz/Texto: Bê Brandão

    Arte: Joana Plautz/Texto: Bê Brandão

    O resultado da indignação criou o projeto #MeuCorpoNãoÉPúblico, promovido no Catarse e criado por Agatha Kim e o grupo Mad Women, que tem como intuito gerar uma resposta e um sentimento de união entre nós, mulheres. “Um movimento de solidariedade a ela e a todas as mulheres que sofrem abusos diários dentro do transporte público. Esse movimento é para abrir os olhos de que essas histórias acontecem.”

    As mulheres criaram diversos banners que podem virar panfletos, T-shirt, enfim, tudo que você quiser. Nós temos passe livre para divulgar todas as artes, e o projeto nos incentiva a imprimir e colá-los pela cidade, no metrô, no ponto de ônibus, onde você preferir. Você pode acessá-los todos aqui.

    As ilustrações misturam criatividade, textos e desenhos que representam essa campanha de maneira sensacional. Divulgue, mande para as amigas e todo mundo que você conhece! E se possível, apoie o projeto no Catarse também.

    Arte: Juliana Rocha

    Arte: Juliana Rocha

    August 16, 2017
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    Eu não sei vocês, mas todas as coisas que acontecem no mundo me afetam pessoalmente. Eu sempre fui uma pessoa que se revoltava com as coisas (desde criança) e quando eu cheguei na adolescência isso só aumentou; principalmente porque essa é a época em que nós entramos em contato com outras ideias, movimentos e opiniões que não estávamos acostumados a ouvir e que não foram os que os nossos pais nos ensinaram. E assim vamos crescendo, amadurecendo e nos tornando pessoas diferentes. Com as nossas próprias opiniões e ideais.E nos últimos anos os meus ideais se tornaram ainda mais importantes para mim. Desde que eu conheci o feminismo comecei a participar também de outros movimentos, que estão interligados, como o de direitos dos LGBTQs+.

    É algo que faz parte do meu dia dia faz algum tempo, pois os amigos que eu convivo também fazem parte de tudo isso, e diferente de mim, tem que lidar com os preconceitos e visões da sociedade sobre eles todos os dias, pelo simples fato de eles amarem alguém do mesmo sexo. Fazer parte de algo que luta por igualdade é importante. Quando você percebe que outras pessoas também compartilham a mesma opinião, você se sente mais forte. 

    Mas às vezes eu confesso que fico em uma bolha em que todas as pessoas que estão no meu círculo de amigos respeitam as diferenças e apoiam os outros. E quando eu me deparo com a realidade – em que o extremismo e o preconceito parecem ganhar mais força a cada dia – eu fico surpresa. Meu estômago embrulha, a minha ansiedade bate e eu tenho uma sensação horrível de impotência.

    E foi exatamente isso que eu senti nesse final de semana, quando vi as notícias do “evento” (eu me recuso a chamar aquela aglomeração de protesto) em prol do nazismo nos Estados Unidos na cidade de Charlottesville. No inicio eu fiquei com muita raiva. E depois, me bateu uma tristeza enorme. O racismo, a homofobia e o machismo não param de sair dos noticiários. Toda semana nós vemos milhares de exemplos de pessoas intolerantes, que simplesmente não se importam com o direito dos outros indíviduos. Todo dia eu ouço alguma coisa ruim sobre os homossexuais, sobre os negros, sobre as mulheres. Eu reajo, ao mesmo tempo que sinto uma sensação de impotência. Porque eu queria fazer alguma coisa, mesmo que fosse pequena.

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    E é claro que isso não está ocorrendo apenas na América do Norte. Nós, brasileiros, sabemos melhor do que ninguém que o nosso país possui um racismo velado fortíssimo. Somos uma nação miscigenada, com etnias e culturas diferentes – o que só contribui para a riqueza cultural do país – mas infelizmente a maioria dos brasileiros carrega pré-conceitos enormes consigo. Um exemplo é os ataques de islamofobia que aconteceram recentemente com um refugiado sírio no Rio de Janeiro, em que ele foi ofendido enquanto trabalhava, por alguém que mandou-o “voltar para o seu país”.

    “Mas eu já sei de tudo isso”, você pensa. É, eu sei. É muita coisa negativa para pensar. Se você, como eu, não consegue ignorar (e também tem dificuldade em lidar com tudo isso e principalmente com os sentimentos originados pela raiva e a insatisfação), esse post tem como intuíto de te lembrar de cuidar de você mesmo, enquanto luta pelas suas ideologias. É complicado encarar o mundo e as nossas lutas de vez em quando.

    Não é fácil buscar os seus objetivos enquanto o mundo parece andar milhares de passos para trás, regredindo. Mas é importante saber que, por mais que as notícias na TV mostrem o contrário, existem muitas pessoas que ainda apoiam a igualdade e a harmônia entre as culturas e etnias distintas. Na internet, nós temos muitos exemplos disso. São ONGs, projetos e personalidades que divulgam uma mensagem consciente com êxito.

    Então, no meio de tudo isso, pratique o self-care, o ato de estar observando você e a sua rotina. As suas atitudes, a sua respiração e se você não está se sentindo ansioso ou sobrecarregado. Eu já falei sobre yoga aqui no blog, que é algo que me ajuda muito neste objetivo de estar mais segura e tranquila.

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    A atriz e ativista de 18 anos Amandla Stenberg fez um vídeo bem interessante para a revista Teen Vogue, inspirado na ideia de que a nossa geração precisa prestar mais atenção à sua saúde mental (principalmente nesta época tão conturbada, onde tudo acontece ao mesmo tempo).

    Eu vi muitos adolescentes e pessoas da minha geração desenvolver doenças mentais sérias, normalmente devido ao que está acontecendo na política e como é assustador se tornar um adulto, enquanto o mundo te joga nesse ambiente caótico. (…) Esse vídeo é para ser uma espécie de recurso, para que os leitores da Teen Vogue possam tomar como referência, toda vez que eles precisarem de um pouco de ajuda.

    July 12, 2017
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    Às vezes eu tiro uma força de dentro de mim que eu nem sei de onde saiu. Às vezes penso que não tenho mais vontade, nem paciência, nem mente para encarar alguns desafios. Passo semanas na fossa, ou meses. E cometo o erro de achar que não vou conseguir sair de lá. Que as coisas não tem mais sentido, que tudo é complicado demais, que não é pra mim. Não é vitimismo: é apenas quando o corpo cansa e você fica exausto de repetir as mesmas ações, e ter os mesmos objetivos que ainda não se realizaram.

    Mas aos poucos, eu me reconstruo de novo. Não se engane: leva tempo. Eu nunca fui de fazer as coisas rápido. Minhas decisões demoram para serem tomadas, as mudanças não são encaradas em cinco dias e eu sempre repenso tudo na minha mente. Converso, reflito, choro, tenho crises, volto, peço ajuda, peço um abraço. Respiro fundo, começo outro ciclo, acho que não vou conseguir. Consigo. Por mais que a gente ache que está sozinho, sempre tem alguém que pode te estender a mão. Que pode te ouvir, te aconselhar, e vai te ajudar a acreditar de novo em quem você é.

    Desde criança eu resistia até o final, mesmo nas situações mais difíceis. Ir embora quase sempre nunca foi uma opção; até eu aprender que finalmente ir pode ser o melhor remédio. Mas eu costumo segurar as pontas até o final, até elas escorregarem dos meus dedos. Em resumo, eu não desisto facilmente. Essa característica pode nos levar a boas ou más experiências. Boas, porque sempre tentamos de novo. Más, porque algumas pessoas ou situações não valem a insistência.

    O fato é que depois que eu consigo me curar, sempre tem um ponto de esperança e positividade que me fazem seguir em frente. No início eu não acho que vou encontrar essa sensação, essa força física e mental novamente, mas o processo de reconstrução nos ensina que devemos lutar e persistir por aquilo que acreditamos. Mesmo que doa, mesmo que seja complicado, se você quer muito algo – de verdade – é necessário tentar. É preciso dar uma outra chance. E é o que eu estou fazendo agora: me dando mais uma chance. Mais uma tentativa. Abrindo outra oportunidade para mim.

    Eu mereço. Eu mereço. 

    Afinal, mesmo que vez ou outra eu me quebre, eu sempre acho um jeito de me reconstruir. Eu sempre acho um jeito de me curar.

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