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  • Maio 1, 2017
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    Eu conheci o movimento Fashion Revolution – que já existe há três anos – faz pouco tempo. Mas esse curto espaço antes e pós conhecer o projeto me influenciaram de uma maneira positiva rapidamente. A ideia dele é incentivar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda, uma questão que eu comecei a refletir mais ultimamente. Acho que a minha ficha demorou a cair, mas quando eu percebi que a maioria das minhas roupas traziam etiquetas de Bangladesh e da Turquía, eu me toquei que havia algo extremamente errado aí. Quando realmente custava aquela blusa de 10 dólares da Forever 21? Quanto realmente é o valor que as pessoas que produzem essas roupas tem que pagar, para que depois elas sejam vendidas por um preço tão baixo?

    Eu consumi em lojas de fast fashion durante 18 anos da minha vida. Eu acreditei que as roupas poderiam me trazer felicidade durante todo esse tempo. Sim, eu adoro moda, eu adoro falar sobre o assunto. Mas, até onde esse consumismo todo afeta o planeta? São fatores complexos, mas que podem ser questionados com perguntas simples. E é desta ideia que surgiu o Fashion Revolution, atualmente presente em diversos países, que busca conscientizar por meio de informação e eventos sobre todas essas questões. Todo ano ocorre eventos, na semana de 24 a 30 de Abril, justamente na época em que aconteceu o desabamento de um prédio em Savar, Bangladesh, de oito pisos que servia de espaço para uma fábrica. Os trabalhadores não tinham mais condições de estar lá em segurança, mas foram ignorados, o que resultou em 1127 mortos. Eles produziam para marcas como H&M e Primark.

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    O movimento está bem forte aqui no Brasil. Coordenado por Fernanda Simon, as ações no nosso país são bem presentes: desde eventos em várias capitais, até campanhas nas ruas de São Paulo, como você pode conferir no vídeo abaixo. Também vale acompanhar a página no Facebook, onde você pode se atualizar sobre tudo o que está rolando e como ajudar. Na área brasileira do site do Fashion Revolution, há posts com informações que te ajudam a entender mais sobre a cadeia de produção da moda e como isso afeta os trabalhadores diretamente.


    Nesta última semana ocorreram vários eventos pelo Brasil, e aqui em Florianópolis, onde eu moro, também. Eu fui no dia do encerramento (30/04) e pude conferir de perto as marcas sustentáveis que estavam presentes, o trabalho de muitas pessoas criativas e engajadas, que faziam tudo à mão e por produção própria. Ou seja, é um produto totamente diferente do que nós estamos acostumados: é sustentável e você sabe de onde vem.

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    Neste dia rolou o Troca-Troca, em que você poderia levar 10 peças (incluindo sapatos e acessórios) em bom estado para poder trocar com outras pessoas. Era necessário apenas fazer a sua inscrição de maneira prévia. Ou seja, é uma ótima forma de você adquirir roupas novas sem precisar comprá-las e sim trocando com outra pessoa. Eu gosto bastante dessa ideia: eu acredito que roupas possuem histórias, e é legal fazer parte disso com uma peça que era de outra pessoa.

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    Eu também tive a oportunidade de conhecer a Zakii, criada pela Lais Costa. Os acessórios são todos feitos por ela, e são simplesmente maravilhosos! A marca tem como fundamento o empoderamento: “A Zakii tem como objetivo fortalecer o mercado de moda afro. Entre suas principais características estão a diversidades de produtos voltados a padronagens africanas, que valorizam mulheres interessadas em fortalecer uma cultura tão diversa.”

    As vendas também são feitas online pelo site, que está passando por uma reformulação pois vai se tornar também um blog. Vale super a pena acompanhar tudo no instagram da Zakii!

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    A designer Roberta Kremer também estava presente. As peças dela são bem criativas e originais: feitas com tingimento natural e tinta vegetal, todos produzidos em Florianópolis. Cada peça era mais única que a outra. Ela também faz vendas pelo site. Não deixe de conhecer o trabalho dela. São roupas produzidas de maneira sustentável, bem diferente de como estamos acostumados.

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    Também rolou uma oficina de upcycling, que significa transformar produtos que não teriam mais função ou resíduos em algo de maior uso e qualidade. A oficina foi cordenada por Fernanda Alface, que faz parte do coletivo Lactuba Lab, “um espaço onde organicamente se reúnem amigos e interessados afim de semear espontâneas experiências”, você pode conferir a página no Facebook aqui.

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    A Lafrikana é uma marca social inovadora que propõe o empoderamento de refugiados na comunidade de Kabiria, em Nairobi, na Quênia, por meio dos tecidos africanos e da produção das roupas, que trás um engajamento por trás de todas as peças. Cada estampa possui uma importância cultural, um significado. As roupas geram uma forma de trabalho digna para estes refugiados. É uma forma de fazer moda consciente.

    Conhecer o Fashion Revolution foi uma experiência muito boa, e também abriu os meus olhos para outra forma de consumir, principalmente de locais em que você sabe quem fez a sua roupa, como o processo aconteceu, e também é uma maneira interessante de incentivar o consumo consciente, e essas pessoas tão talentosas citadas aqui no post, que nos mostram uma outra maneira de enxergar a moda.

    Se você quiser entender mais sobre o assunto, eu indico muito o documentário “The True Cost”, disponível na Netflix, que nos mostra como a indústria da moda pode ser violenta, injusta e cruel para muitas pessoas que produzem as nossas roupas. É de abrir os olhos e fazer você refletir muito, e essencial para entender o que significa o slow fashion e a moda sustentável.

    Abril 14, 2017
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    Eu já falei algumas vezes aqui no blog que eu enfrento problemas com ansiedade, e tenho certeza que eu não sou a única. A ansiedade se tornou uma doença que ganhou mais atenção nos últimos anos, portanto, mais pessoas foram diagnosticadas. Mas ela sempre existiu na nossa sociedade. E eu sempre tento melhorar o meu estado mental praticando exercícios. Comecei a caminhada faz mais de um ano, e mais recentemente, o yoga.

    O yoga, muito mais do que apenas uma prática, é uma filosofia de vida. Em algumas culturas ele é extremamente valorizado. Na Índia, por exemplo, com o hinduísmo, no Tibete, na Indonésia, dentre outros. A verdade é que a gente ouve falar pouco sobre o yoga (pelo menos, era isso que acontecia comigo!). Eu não sou nenhuma expert no assunto, mas a impressão que eu tenho, desde que comecei a prática-lo, é que ele nos ensina a desapegar dos estímulos externos. Limpar a nossa mente (de verdade!) e aprender a viver mais o presente.

    Na teoria, você pode até pensar que isso parece simples. Mas é bem mais difícil do que parece! Nós somos cobrados constantemente na sociedade em que vivemos. Eu me formei no ensino médio, e já tinha que ir para a faculdade. Não passei no vestibular, e estudei um ano no cursinho. Não passei, de novo. E fiquei sem rumo. Eu não sabia o que eu ia fazer, qual seria o meu futuro, e a minha ansiedade atingiu o ápice. E então eu percebi que eu nunca vivia o agora. E isso é algo que a gente faz e nem percebe: vivemos sempre o amanhã, a semana que vem, o ano que vem. E isso causa estresse, dúvidas, doenças mentais, enfim, diversos problemas.

    Me indicaram o yoga, e eu pensei: “por quê não tentar?”. No início a gente acha a prática bem diferente. Até mesmo estranha. Afinal, ficamos um tempo em uma mesma posição, são vários exercícios de respiração, coisas que te fazem criar consciência corporal. Existe algum momento do seu dia que você para de pensar em um turbilhão de atividades que precisa fazer? Ou planos? O yoga é o momento em que a gente para, se foca, e tenta se concentrar apenas naquele momento. O meu professor sempre diz que a posição corporal é importante, mas a externa é mais ainda, para que exista o equilíbrio.

    Vale a pena fazer?

    Varia de pessoa para pessoa, mas o yoga é a atividade ideal para mim. Eu sou um tipo de pessoa que é bem sensível ao que acontece no meu redor, e me focar, prestar a atenção no que eu faço, nunca foi algo simples. Eu sempre estou pensando lá na frente, imaginando um monte de coisas. E isso faz com que eu viva em uma constante batalha interna. O yoga te ajuda a prestar mais a atenção no que está ao seu redor. E cada aula te traz um ensinamento diferente. As posturas exigem força (esqueçam esse papo de que você fica parado no yoga: a aula é bem desafiadora!), e concentração naquilo que você está fazendo. Não no futuro.

    A minha mãe, que é mega agitada, não curtiu muito (ela só fez uma aula). Algumas pessoas reclamam que não conseguem se focar, mas isso é super comum. Eu tenho dificuldades também para esvaziar os meus pensamentos. Mas com o tempo nós vamos exercitando o corpo e a mente, aprendendo a nos respeitar mais. Algo que eu achei curioso, é que a gente mal conhece nosso próprio corpo. Eu convivo com ele há 18 anos e tenho dificuldade em algumas posturas, porque não sei como me posicionar do jeito correto.

    Yoga no cotidiano

    Outro aprendizado legal do yoga é que você é incentivado o tempo todo a colocá-lo em prática durante a sua rotina. É o chamado “estado de yoga”, ou seja, mesmo que a aula tenha terminado, você continua naquela tranquilidade e calmaria, presente no que está fazendo naquele momento. O yoga me ajuda bastante. Por exemplo: quando você tem um dia estressante, e bate aquela ansiedade (ou é complicado lidar com uma situação), fazer uma postura por 5 minutos ou um exercício de respiração já faz uma mega diferença. Não é preciso muito tempo de prática. Depois de algumas aulas você já se acostuma a se concentrar muito mais.

    Eu ainda estou aprendendo mais, a cada dia, sobre o yoga. Eu realmente queria compartilhar com vocês essa ideia, que vai do contrário a absolutamente tudo que nós somos ensinados. Você não precisa fazer tudo ao mesmo tempo, você não precisa ser o melhor em 50 tarefas ou se ocupar com várias atividades ao longo do dia, só para provar ao mundo que é capaz. E muito menos cobrar coisas de si mesmo. Conforme eu vou fazendo mais aulas, contarei um pouco mais sobre. Se você tiver vontade, e quiser mudar pelo menos um pouquinho o seu estado de espírito, eu super recomendo.

    Março 16, 2017
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    Blogs e sites comconteúdofeminista

    Quando eu conheci a palavra “feminismo”, eu sabia muito pouco sobre ela. Na verdade, eu quase não a ouvia na rua, e também não tinha ninguém próximo de mim que falasse: “eu sou feminista.” Eu não me lembro exatamente quando a ouvi pela primeira vez, mas eu tenho certeza que eu descobri sobre ela por meio da internet. Foi por meio de sites e blogs que eu aprendi sobre o que era a luta por igualdade de gênero, e de direitos das minorias, como as mulheres negras, trans, e a comunidade LGBTQ+.

    Eu li muitos textos, artigos, e matérias de revistas para poder me informar sobre o que era esse movimento. E nos primeiros momentos, eu já me identifiquei. Hoje, eu continuo sempre tentado me informar e saber mais sobre esse assunto e diversos outros que também estão incluídos na luta do feminismo, e os meus grandes aliados são esses sites que eu cito aqui no post, que além de falar sobre o movimento, também enaltecem e divulgam o trabalho de mulheres, de maneira diferente do que já foi feito antes.

    Arte da designer e ilustradora Amanda Gotsfritz

    Arte da designer e ilustradora Amanda Gotsfritz

    • THINK OLGAO site é um dos mais reconhecidos do Brasil quando se fala de campanhas feministas e informação para empoderar mulheres, que é um dos lemas do portal criado pela jornalista Juliana de Faria em 2013. Além dos posts que falam sobre mulheres inspiradoras, direitos da mulher negra e violência doméstica, a Olga é responsável pela campanha Chega de Fiu Fiu, que fez uma pesquisa extensa sobre o assédio no Brasil, e que em breve, vai virar filme. Leia: “Por Um Jornalismo Não Sexista”, e “Homens Famosos Não Pagam Por Seus Crimes“.

     

    • GIRLS WITH STYLEO GWS, comandado por Nuta Vasconcellos e Marie Victorino, fala sobre moda de uma maneira diferente. Além de conteúdo sobre auto estima, e de como usar tendências ao seu favor (e não de maneira que elas te deixem insegura), o site aposta nos movimentos do slow fashion e divulga produtos veganos e eco-friendly. O que eu mais gosto no blog é de como as autoras conseguem captar as novidades do mundo fashion, sem ser artificial, e sim incentivando as mulheres a amarem a si mesmas. Tem muito texto reflexivo também! Ah, e elas promovem oficinas e workshops no espaço GWS. Leia: O Que É Empreender?” e “Nem Gorda, Nem Magra.”

     

     

    • REVISTA CAPITOLINA: Uma revista independente feita para garotas jovens, a Capitolina tem como intuito principal abordar temas de interesse do público feminino, mas de uma forma que não é encontrada facilmente por aí. Tem espaço para colunas de games, tecnologia, cinema & tv, fotografia, dentre outros. Ela possui diversas edições, cada uma com um tema específico. A nova edição saiu neste mês, com o tema “luta.” A partir daí, os posts são baseados neste tema. Os textos, além de muito bem feitos, ainda trazem diversas informações interessantes (ótimo para aprender mais). Leia: “Quem foi Harriet Tubman?“, e “Sertanejo e sofrência: o que as mulheres estão cantando?”

    Sintam-se livres nos comentários para deixar sugestões de blogs que vocês conhecem, gostam e acompanhem também! E vai rolar outros posts como esse ainda!

    Maio 29, 2016
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    large (1)“Não” significa NÃO.

    Nos últimos três dias, eu fiquei meio paralisada. Não sabia o que dizer. Porém, três sentimentos me dominaram enquanto eu lia outras notícias sobre o caso da garota de 16 anos que foi alvo de um estupro coletivo no Rio de Janeiro: revolta, desprezo e nojo. E depois, senti impotência. Porque eu só queria, de alguma forma, poder ajudar essa menina. E acho que todas nós, mulheres e feministas, sentimos isso. É uma luta diária e constante. Em alguns momentos, sentimos que estamos avançando. Que o pensamento de muitas pessoas está mudando e que, quem sabe, a igualdade pode estar aí, presente no futuro. Mas então, casos como esse acontecem e somos obrigados a nos perguntar se um dia vai ser possível que as minorias alcancem o seu espaço. E também me fazem questionar os limites do ser humano. A capacidade que muitos tem de cometerem barbáries e nem por um momento, se colocarem no lugar do outro.

    Precisamos falar sobre a cultura do estupro. Precisamos falar sobre como todos os estupradores não podem sair impunes. Precisamos falar e repetir que a culpa NUNCA é da vítima. É preciso propagar, falar, discutir e debater todos os dias sobre o machismo. Não tolere piadas e difamações de ninguém: quando alguém fizer isso, chame a atenção dessas pessoas. Logo depois de conhecer o feminismo, comecei a perceber como nós, mulheres, somos ridicularizadas o tempo inteiro. Na escola, na balada, no ponto de ônibus. São “brincadeiras” que acontecem o e que não são nada engraçadas: são mais um ato de perpetuar a cultura que normaliza o abuso contra a mulher.

    Às vezes eu sinto que quero fazer mais. Que palavras e atitudes não são só o suficiente, mas precisamos, de todos os modos que nós tivermos, nos expressar e nunca nos calar. Apoiar umas às outras é a etapa mais importante disso tudo. Todos esses crimes contra a mulher, que tanto nos aterrorizam e machucam todas nós, devem nos lembrar que devemos estar juntas sempre. A sociedade impõe uma rivalidade entre nós: recuse-a. Nós não somos inimigas. Vamos reafirmar as nossas relações, nos unir, nos apoiar, afinal, estamos enfrentando os mesmos problemas. Se você vê que outra garota precisa de ajuda – pode ser algo simples, ou mais complicado – não tenha medo ou vergonha. Quantas vezes a gente não presencia uma menina sendo agarrada numa festa sem ser por vontade própria? É triste dizer, mas são muitas. E acontece toda hora. É nosso papel ajudá-la. O movimento “Vamos Juntas?” incentiva justamente isso.

    Eu gostaria de poder tirar um pouco da dor que todas as vítimas sentiram ou irão sentir. De todos os traumas que ficarão guardados dentro delas.

    O nosso sistema de justiça, como nós sabemos, falha muitas vezes e oferece poucas proteções às vitimas. São inúmeros os casos em que os criminosos saem impunes, são pouquíssimas as vezes que as mulheres acham apoio nas delegacias de polícia e que elas não são desacreditadas. Isso contribui para que mais abusos aconteçam, pois não temos leis e o amparo necessário.

    Por isso, devemos continuar lutando e dizendo às nossas opiniões. Comece em casa, na escola, em qualquer lugar: nossas atitudes e nossas vozes são algumas das maneiras que temos para acabar com essa cultura que tanto nos oprime. 

    Abril 17, 2016
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    Você provavelmente já ouviu falar, nos últimos meses, do que está acontecendo com a Kesha. A cantora norte-americana de 29 anos está passando por um dos momentos mais difíceis de sua vida: em 2014, a cantora iniciou um processo contra o produtor Dr.Luke, que administra a sua carreira e também é o dono da gravadora responsável pelos lançamentos da cantora, a Kemosabe Records (em parceria com a Sony). No processo, Kesha o acusa de abuso sexual, mental e físico. Ela também alegou que não possuía liberdade criativa na sua carreira (ou seja, era controlada pelo produtor e pela gravadora). Essa situação traumática também levou Kesha a desenvolver bulimia (ela foi internada em 2014), e diversos problemas psicológicos.

    A primeira liminar do julgamento aconteceu em 19 de Fevereiro deste ano, e a vitória inicial foi dada ao produtor. A justificativa do Supremo Tribunal nos EUA, é que o processo envolvia contratos milionários e “comuns” para a indústria musical. E o pior: ela teria que continuar a sua carreira, gravando mais seis álbuns, que seriam chefiados pelo Dr. Luke. A cantora tentou se libertar do contrato, mas até agora, ela ainda não conseguiu. Ou seja: a carreira de Kesha está completamente parada. Ela não pode gravar singles, álbuns ou nenhuma música nova. E a sua situação econômica também se encontra complicada, já que um processo como este é extremamente caro.

    Esse acontecimento invadiu as redes sociais e a cantora está recebendo um apoio incondicional dos fãs e de outros artistas. Impossibilitada de se expressar artisticamente, Kesha continua presa ao seu abusador. Esse caso nos leva a debater e refletir sobre como a mulher ainda sofre com a injustiça das leis e como o abuso, de todas as formas, ainda não é reconhecido, e sim desvalidado. A mulher precisa passar por uma guerra para prová-lo. No final de Fevereiro, a cantora disse, em um post no Facebook: “Infelizmente, eu acredito que o meu caso não esteja dando às pessoas que sofreram abusos a confiança necessária para que eles possam denunciar, e isso é um problema. Mas eu só queria dizer que, se você já sofreu algum abuso, por favor, não tenha medo de falar sobre isso. Existem lugares onde você pode se sentir segura e existem pessoas que vão te ajudar.”

    Kesha é conhecida no mundo inteiro e já possui uma carreira consolidada. Mesmo assim, a cantora não conseguiu provar perante à lei o que sofreu. Se até mesmo as acusações de alguém que possui uma grande voz na mídia são ignoradas, o que acontece com todas as outras mulheres? Aquelas que não possuem dinheiro para iniciar um processo e contratar um advogado, para as que não tem apoio de ninguém – pois, muitas vezes, nem a família ou os amigos reconhece ou acredita na pessoa que sofreu um abuso -, e as que precisam viver, todos os dias, com o seu abusador?

    Diversas artistas deram declarações em apoio à cantora. No BRIT Awards, Adele, quando levou uma das principais categorias da noite, dedicou o primeiro a Kesha. Ariana Grande, em entrevista, disse que um artista masculino não estaria naquela posição: “Os diferentes padrões que temos que enfrentar no mundo são chocantes.” A manifestação feita por Kelly Clarkson reafirmou o que muitos já desconfiavam: Kesha não foi a única a ser controlada por Dr. Luke. Ela revelou que foi chantageada pela gravadora para trabalhar com ele. Se ela não o fizesse, eles não lançariam o seu álbum. “Eu fugi de diversas situações realmente ruins, musicalmente. É realmente difícil porque ele só vai mentir para as pessoas e isso faz com que o artista fique mal. Ele é difícil de trabalhar, foi humilhante.”

    No inicio de Abril, Dr. Luke venceu o processo e as acusações foram retiradas. A juíza da corte de Nova York disse que as agressões não foram comprovadas, e que o “estupro não seria um crime de ódio motivado pelo sexo” (oi???). A sentença final causou repúdio na mídia, entre os fãs da cantora, e todos aqueles que apoiaram Kesha durante tudo isso. Por enquanto, o processo encontra-se fechado, e não há possibilidade futura de uma reabertura do mesmo.

    A sentença injusta e que deixou muitas pessoas inconformadas, é um exemplo de como a cultura do estupro está presente em todos os âmbitos da sociedade. Nós ainda precisamos conquistar e lutar por muitas coisas. Kesha passou por inúmeras situações de abuso e experiências traumáticas na sua vida, e sua luta ainda não terminou, assim como a de muitas mulheres, que continuam tendo suas vozes silenciadas.

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