Conto: O Último Bruxo
22/07/2012 | Categoria: Conto

Iremos continuar com a sua tag de “Contos”, após o sucesso que alguns fizeram. Hoje começaremos a postar a história escrita por um dos nossos leitores, o Vitor, que também faz parte do mundo dos blogueiros. Ele já trabalhou em seu próprio site e também design e layout. Você pode segui-lo no Twitter (que tem várias frases engraçadas!). Ele adora séries de TV, como The Secret Circle, e é fã da cantora Megan Nicole.

A família toda estava reunida, mais de trinta pessoas em torno de uma frágil mesa de madeira, os tempos não eram os melhores, aquele tinha sido um ano difícil, para uma família que tira seu sustento do comércio as guerras não eram um bom negócio. Estávamos todos conversando, rindo, espantando todos os males que nos cercavam, eis que meu avô, praticamente o chefe de toda a família levanta-se e pede silêncio, era o momento do discurso de fim de ano, eis que meu avô, praticamente o chefe de toda a família levanta-se e pede silêncio. Era o momento do discurso de fim de ano, discurso chato, e igual todos os anos:

— Meus caros familiares. Estão aqui para celebrar mais um ano que se passa, mais uma vez cá estou eu diante de todos vocês para lembrar os valores de nossa família, o quanto temos a celebrar…

— E o que temos a celebrar? — As palavras saíram de minha boca involuntariamente. Eu já estava cheio de todos fingindo que estávamos em uma ótima situação. Não tínhamos absolutamente nada a comemorar: a família estava falida, o reino estava em guerra, em alguns dias chegávamos a passar fome por não ter conseguido vender nada e com isso ficar sem dinheiro para trazer comida para o castelo.

— O que foi que disse Ethan? — Perguntou meu avô assustado.

Eu pude ver o como os olhos dele sabiam o que eu havia dito e sabia o porquê, afinal ingenuidade não era uma coisa que meu avô possuía, mas também pude ver quase que uma lágrima tentando descer de seus olhos. Eu sei que não deveria ter dito isto em meio a toda a família, principalmente em pleno ano novo, mas era impossível agüentar aquela falsidade ecoando por todos os cômodos do castelo, castelo este que em muito em breve não será mais nosso, é mais do que óbvio que precisaremos vendê-lo para continuar sobrevivendo.

— Eu disse que não temos motivos para comemorar, olhe para nossa família, falida, não temos motivos para comemorar, além do mais somos a família mais odiada de toda a terra!

— Família mais odiada, de onde tirou isso Ethan? — Perguntou meu pai Anthony que se levantava da mesa partindo em minha direção.

— Por quê? Porque nós somos bruxos pai, bruxos! E nos tempos em que vivemos bruxos não são bem-vindos, ou você acha que nossas vendas não estão boas só por causa da guerra? Além do mais, vivemos neste projétil de castelo por termos de nos camuflar para não sermos todos enviados para o inferno! — Berrei, passando o braço direito em cima da mesa derrubando copos, pratos, talheres e outras coisas que estavam sob a mesa.

— Cale a boca! — Berrou um garoto no outro canto da mesa, devia ter entre quatorze, quinze anos, eu nunca o vira, devia ser mais um primo de último grau.

Eis que o garoto levanta-se e com um aceno de mão me faz voar contra a parede, caio inconformado sob o olhar de todos, eis que ergo minha mão também.

Ethan, não!


Autor: Meg Cabot
11/07/2012 | Categoria: Autores, Conto, Escrita, Textos

Amo o verão. É calor, férias, e de repente, os garotos estão tirando a camisa. Na adolescência, eu amava ficar na piscina com um bom livro… Meu problema era que, quando vinha um desses garotos até minha amiga Julia e eu, ele era tão…imaturo. Não tinha nada a ver com aqueles que apareciam nos livros que eu lia.

A Julia falava que eu não estava sendo realista. “Então eu não posso esperar que me liguem quando eles me dizem que vão ligar ?”, perguntava. “Os caras dos livros são inventados”, ela respondia. “Não espere esse tipo de perfeição na vida real”. Percebi que a Julia estava certa. Os garotos dos livros eram inventados. “Sabe o que eu devia fazer”, disse, inspirada. “Sempre amei escrever: Por que não criar meu garoto perfeito e colocá-lo na minha história e tentar publicá-la?” “Você é louca”, disse Julia. “Suas notas em inglês são horríveis. E você só tem 16 anos. Jamais iriam publicar um livro seu.” Era verdade, minhas notas em inglês eram péssimas. Não sabia o que era gerúndio e Julia era muito melhor que eu em análise sintática. Julia tirava As, enquanto eu, Bs. E mais : minha família não tinha PC ( naqueles dias, era muito caro, poucas casas tinham).

Eu sabia que, para ser uma autora, eu teria que digitar meu manuscrito, enviar nos editores ( que provavelmente o rejeitariam), antes de achar aquele que pagaria pela minha obra.. Só porque meus pais acreditavam que dar o básico a seus filhos (comida, casa, educação) bastava, eu ia ter que ganhar meu próprio dinheiro para comprar meu PC (ou uma máquina de escrever elétrica). “O que você vai fazer ?”, Julia debochou, espalhando bronzeador. “Parar de vir à piscina, arrumar um emprego e começar a escrever seu romance bobo?”

Eu consegui um emprego no dia seguinte. Ia cuidar de duas garotas o dia inteiro, enquanto os pais delas trabalhavam. Elas eram umas fofas. Amavam brincar de Barbie e isso me ajudava a trabalhar nos trechos do meu livro em que eu estava bloqueada…Ainda que isso rendesse perguntas estranhas dos pais delas, tipo: “Por que a minha filha está falando que o Ken é um fantasma chamado Jesse e que a Barbie é uma médium?”

Ops. A briga que Julia e eu tivemos quando parei de ir à piscina todo dia (exceto nos fins de semana) foi épica. “Por que você está fazendo isso”, ela ficava perguntando. “É irreal, você nunca vai ganhar dinheiro para comprar um computador e ninguém vai publicar seu livro. E você não vai arrumar um namorado andando com duas crianças o dia todo.” Nossa briga durou para sempre. Ficamos brigadas na escola e nos verões seguintes. (Peguei o mesmo emprego, todo verão, por seis anos.) Não culpo Julia por ficar brava, mas ela estava errada:

• Arrumei um namorado. Ele era engraçado e cuidava de mim.
• Eu ganhei dinheiro o suficiente para comprar meu PC. Mas meus pais ficaram tão impressionados com meu esforço que me deram um…
• Sim, publicaram meu trabalho. 75 livros e ainda estou contando…
• Nem todos os caras perfeitos são inventados. Às vezes, eles são apenas muito tímidos para tirar a camisa.
• Para compensar todos os verões que eu passei trabalhando, comprei uma casa com piscina na Flórida, onde o verão nunca acaba.

E a Julia, bom, ela leu todos os livros que eu escrevi.

Sobre o autor: Meggin Patrícia Cabot, mas conhecida como Meg, é mundialmente conhecida por ser autora de mais de 60 livros, onde seu maior bestseller é a série “Diário de Uma Princesa” contendo dez volumes. Nasceu em Bloomington, Indiana nos EUA, no dia 1 de fevereiro de 1967. Já teve alguns textos publicados na revista Capricho, onde tinha sua própria coluna “Diário da Meg”. Escreve praticamente para o público jovem. A editora Record é responsável pelas traduções de seus livros.


Telefonema
29/06/2012 | Categoria: Conto, Escrita, Textos

Antes de qualquer coisa, penso mil vezes, analiso como foram os dois anos que se passaram e se realmente vale a pena discar aquele numero que apesar dos anos continuam gravados em minha memória. Tentava tirá-lo da cabeça, mas era impossível. Parece cômico, mas eu que nunca conseguia decorar nem mesmo o numero da minha casa, estava obcecado por um há anos.

Peguei meu celular, disquei facilmente, sem parar para consultar uma caderneta ou pensar qual seria o próximo numero. Percebi meus dedos trêmulos e antes que apertasse o botão “ligar”, respirei profundamente…

Desliguei antes mesmo de dar o primeiro toque, fechei os olhos, pensei por um instante e disquei novamente e mais uma vez desliguei antes do sinal. Repeti essa ação durante varias vezes ao dia e em nenhuma delas tive coragem de ouvir o primeiro toque.

Já estava anoitecendo, nem percebi que o dia estava acabando. Tomei coragem mais uma vez e disquei. Dessa vez dando a chance do telefone tocar.

– Alô?… Alô?… Quem “ta” falando?…

Desliguei! Entrei em choque porque não cogitei a possibilidade dela ter se casado, mas foi o que acontecera. Ela se casou!


Karma
25/06/2012 | Categoria: Conto, Textos
Karma

O choro vinha de dentro. Mas ela insistiu consigo mesma que não iria derramar uma lágrima sequer. Tudo estava ficando escuro. Ela sabia que em algum lugar atrás dos prédios o Sol estava se pondo, mas só podia ver o trecho entre um quarteirão e outro, e na parte do céu que lhe pertencia, já era noite.

Entrou num bar que já conhecia, e que mesmo que fosse chamado assim, se aproximava mais de um café.

~

Certa vez, quando tinha 6 anos sua melhor amiga descobriu que seu nome significava Pérola. Sua memória era ruim, mas tinha plena certeza que de jamais havia visto alguém tão feliz. Passou dois dias com um sorriso no rosto, e sempre achava um jeito de dizer que se chamava pérola dali pra frente. Então, Ameli passou a procurar, em todo lugar, qual seu nome.

Pearl vinha do inglês, então, durante várias semanas, saía na rua procurando por alguém que falasse outra língua, e lhe dissesse se sabia qual era seu nome nesta outra língua.

Até que depois de já ter esquecido disso, uma ou duas semanas depois, sua mãe chegou em casa com um presente. Na ida para o trabalho viu um livrinho pequeno, que tinha escrito em sua capa “Significado dos nomes”, e resolveu levá-lo para Ameli na volta. Se apressaria na saída do escritório, onde trabalhava como advogada, para que sobrasse tempo antes de pegar o trem na volta pra casa, e ela pudesse comprá-lo.

Ao chegar em casa, chamou a menina e lhe deu o livro, que de tão fino parecia uma revista, e podia nem ter o nome de Ameli em sua lista de significados, mas aquilo prenderia sua atenção por pelo menos alguns minutos. Foi aprontar o jantar, deixou sua filha entretida na sala procurando entre os nomes com A onde estaria o seu.

Ficou quieta por cerca de 20 minutos.

Quando a fome começou a bater, a menina pensou em desistir, mas logo tirou a ideia da cabeça quando lembrou que teria que recomeçar a procurar do início da lista de nomes.

Se enganou com um nome parecido com o seu, e foi feliz por pouco tempo, mas logo seu coração começou a bater forte de novo quando avistou seu nome logo abaixo. Seus olhos diziam “alegria”, e foi pulando alegre até a cozinha, gritando para sua mãe, e logo para o seu pai, que decia as escadas, que havia finalmente encontrado o significado do seu nome. E não deixou que ninguém lesse, ela mesmo queria descobrir.

Tinha o pai e a mãe como plateia durante os instantes em que tentava, com sucesso, juntar as letras das palavras que podiam ser consideradas difíceis para uma criança com a sua idade.

Logo que começou, o rosto da mãe, com aquela falsa ansiedade de quando prestamos atenção numa criança que nos conta algo que é para ela muito interessante, ficou tenso e preocupado quando espiou nas letras miúdas do papel o que sua filha tentava descobrir, ainda, com tanta determinação. Mesmo assim deu um sorriso quando a menina a olhou enquanto terminava de ler “aquela” no significado.

Até que, facilmente, terminou a última palavra, quando olhou para sua mãe, que não sabia o que dizer, e o rosto desolado de seu pai, que não tinha tido tempo de fingir, e que até então mantinha a expressão de falso interesse. Livie já tirava a revista das mãos da pequena, e Charlie lhe dava um beijo carinhoso, os dois lhe chamando para jantar, ignorando – porque não havia outra coisa a fazer – a lágrima solitária e silenciosa que caía no rosto de Ameli, ou, segundo o livro, “aquela que sofre”.

A tristeza em seu rosto durou até a noite, e voltou pela manhã quando se lembrou da chamada, quando sabia que Pearl seria chama de “minha pérola” e ela só poderia ser chamada de “minha sofredora” pela professora. Mas depois, como toda criança, esqueceu daquilo com facilidade.

Porém, quando pensou no porque de tanto azar, de ter sido tantas vezes amada apenas superficialmente, lembrou daquela história que tinha guardado a tanto tempo na memória, e agora era essa única resposta que podia encontrar, mesmo que não fosse lógica.

Suspirou e afundou na cadeira como quem desistia.

– Olá, meu nome é Angeline, e vou te servir hoje – um sorriso sincero deu um susto em sua tristeza, e lhe pareceu também ter rompido a melancolia do dia.

– Boa tarde, eu gostaria de um café bem forte.

– Claro! Vou te trazer já!

E por um instante foi interrompida pela alegria, mesmo que por pouquíssimo tempo. Olhou para a janela à sua frente e foi surpreendida por um raio, entre duas nuvens que podiam ser vistas na brecha entre prédios, viu um pedaço do pôr-do-sol em seus últimos minutos.

Sentia que a noite estava chamando-a.

Mas ela sabia que, por esta noite, quem quer que ela conhecesse, não saberia seu nome.

~

Leu o nome na camisa – Você gosta de Kooks?

– Muito!

– Eu também – respondeu, mesmo não conhecendo nenhuma música deles.

– E do que mais você gosta?

Pensou um pouco e falou o que lhe veio a cabeça. – De saias jeans – passou a mão na saia.

– Eu também, que coincidência – ele falaria isto para qualquer resposta dela. – Mas… qual seu nome?

Olhou para a rua do primeiro andar, e aquele era o único lugar onde ela queria estar, amava aquela cidade. – Berlim.

– Oh, vejamos! Você tem o mesmo nome que nossa cidade! É sério?

– Não.

– Então, prazer em conhecê-la, Bérlim!

Espero que tenham gostado!


Partes de mim – O jogo
06/05/2012 | Categoria: Conto, Escrita

– Que bom que você está aqui! Fico angustiado quando estou longe de você. – o Nicky me deu um abraço de urso.

– Não fique! – falei.

– Prometo que não. – percebi que ele gostava de tocar meu rosto. – Você está linda, você é linda, mas hoje você está mais linda.

– Obrigada! – eu ainda ficava sem graça quando ele me fazia esses elogios.

– Sua bochecha está rosa, não precisa ficar com vergonha! – ele sorriu.

– Não consigo evitar. – abaixei a cabeça.

– É a culpa não é sua! – ele brincou.

– Mas é sua! – acusei-o.

– Certo! A culpa é minha… – ele se interrompeu, pois o sinal tocou. – Temos que ir!

– Gostaria de não ir à aula hoje. – fiquei triste quando me lembrei que tínhamos que nos separarmos.

– Podemos fugir! – ele sugeriu.

– Há claro, e depois eu perder matéria de prova, boa idéia! – falei com sarcasmo.

– Fui uma péssima idéia! Confesso! – ele pegou minha mão e fomos para minha sala. – Você conhece minha irmã a Alice? Ela também estuda aqui!

– Já ouvi falar nela, mas eu nunca a vi… Por quê? – por que ele estava falando dela?

– Ela gostaria muito de ti conhecer… Quero dizer conhecer pessoalmente, por que ela já ti viu de longe inclusive ela veio comigo só para te conhecer. – a irmã do Nicky querendo me conhecer?

– Você contou de mim para ela? – perguntei.

– É claro! Por quê? Não era para contar? – ele ficou ofendido.

– Não é isso! É que eu não imaginei que você ia contar pra alguém da sua família. – confessei.

– E por que não? Toda a minha familia sabe de você! – ele estava tranqüilo.

– Serio? O que eles falaram? – fiquei nervosa.

– Eles querem te conhecer! – ele ainda estava bem relaxado.

– O que eu faço? – fiquei muito mais nervosa.

– Não se preocupe! Esse encontro só vai acontecer quando você estiver preparada. – ele me acalmou.

– Assim espero! – já estávamos na minha sala.

– Não gosto nem um pouco disso! – ele mudou de assunto.

– Disso o que? – perguntei.

– Eu quis dizer que não gosto nem um pouco dessa parte de deixar você! – acho que não era isso.

– Eu também não gosto de deixar você, mas é preciso!…

– Fica bem! – ele segurou meu rosto e me deu um beijo na testa.

– Tchau! – me virei para entrar na sala. Levei o maior susto, lá estava o Phelyp, na porta da sala olhando para mim e de repente entendi do que o Nicky falava, olhei para trás, mas ele não estava lá, eu ri sozinha.

– Do que você está rindo? – perguntou-me o Phelyp.

– Lembrei de uma coisa! – falei, entrando na sala, ele veio atrás de mim.

– Posso saber o que é? – ele estava me irritando.

– Não é do seu interesse… – peguei meus materiais e o ignorei.

Eu não queria fazer isso com ele, mas ultimamente ele queria saber tudo o que eu faço e isso me deixava muito irritada. Fiquei com pena dele quando ele saiu, ele estava todo sem graça, mas eu não podia fazer nada, até as coisas que eu pensava ele queria saber, ele estava me deixando sufocada.

Não consegui prestar atenção em nenhuma aula, minha cabeça estava na família do Nicky, o que eles pensariam de mim quando me conhecessem? Será que eles gostariam de mim? O que eu devia fazer? Eu tremia só de pensar nesse encontro.

A segunda aula acabou e enquanto a Sra. Collp não chegava fui conversar com as meninas, contar a elas o que o Nicky e eu conversamos, eu precisava compartilhar isso com alguém se não eu ia explodir.

– Preciso conversar com vocês! – me sentei ao lado delas.

Contei a elas, confessei que não sabia o que fazer, ainda estava confusa, eu o conhecia há três dias e a familia dele já queria me conhecer, não estava preparada, elas questinoram disseram que eu iria conhecer apenas a familia de um amigo, mas claro discordei, do jeito que as coisas andavam não seria consideravel dizer que o Nicky era apenas meu amigo, nisso elas concordaram comigo, mas no final, elas acabaram me convencendo que era besteira, mas mesmo assim, sentia calafrios só de pensar.

A Sra. Collp já estava na sala, então tive de voltar para meu lugar, ainda bem que essa era a ultima aula antes do intervalo e isso me alegrava muito, pois faltava pouco tempo para que eu visse o Nicky, só ele conseguia me distrair, me tirar da cabeça o que eu não queria pensar.

Mesmo ficando nervosa só de pensar no assunto, eu gostaria muito de conhecer a irmã dele, claro que a família também, mas a Alice estava mais fácil, qualquer dia desses nós poderíamos nos conhecer, já que estudávamos na mesma escola.

Eu sei que só tem três dias que o Nicky e eu nos conhecemos, mas desde o primeiro dia até hoje, nossa relação mudou muito, estamos mais próximos um do outro, criamos uma intimidade grande para quem se conhecem há pouco tempo.

Mas tem um lado ruim da historia, quanto mais eu me aproximava do Nicky mais eu me distanciava da Amy e da Ana, até dos meus outros amigos como, por exemplo, o Phelyp, eu contava tudo a ele antes de conhecer o Nicky, mas agora eu só o ignorava, só dava más respostas. Eu preciso fazer alguma coisa, não quero perder meus amigos, mas também não quero deixar o Nicky, eu tenho que encontrar uma saída.

Tentei fugir dos meus pensamentos um pouco para prestar atenção na matéria que a Sra. Collp estava explicando, mas foi tarde demais, o sinal tocou bem na hora em que consegui me concentrar, pelo menos eu ia encontrar com o Nicky.

Ele estava encostado na parede perto da porta me esperando, as meninas deviam ter o visto e por isso não me esperaram.

– Aconteceu alguma coisa? – foi o que ele me perguntou quando me viu.

– Não, por quê? – perguntei confusa.

– Você está com uma cara…

– Pra falar a verdade, não consegui prestar atenção em nenhuma aula, fiquei pensando como seria conhecer sua família, não consigo imaginar! – porque eu não conseguia mentir para ele?

– Não fique pensando nisso, eu ti disse que você só vai conhecer minha família quando você estiver preparada, amor! – uma carga elétrica veio quando ele me chamou de amor.

– Está bem! – ele viu minha reação e apenas sorriu.

– O que quer fazer hoje? – o assunto se encerrou.

– Acho que quero ir para a biblioteca! – eu queria ficar em um lugar bem calmo.

– Então vamos! – ele concordou.

Ele pegou minha mão e nós fomos para a biblioteca. Eu sabia que as meninas estariam lá, elas sempre reservavam um dia para passar na biblioteca, e essa semana elas não foram nenhuma vez.

O Nicky e eu fomos nos sentar com elas, o Phelyp, o Pietro a Clarissa, a Gabriela o Thiago e até mesmo o Emm, meu irmão, estavam juntos delas, de longe pareciam que eles estavam jogando alguma coisa.

– Estamos jogando de verdade ou conseqüência, vocês querem entrar na brincadeira? – perguntou-nos o Phelyp.

– Claro! – disse o Nicky.

Nós dois nos sentamos enquanto o Pietro rodava uma caneta e por azar meu a caneta parou entre mim e a Gabriela, ela perguntava. Olhei para as meninas e que olharam entre si, já sabíamos o que vinha pela frente, eu queria sair correndo dali, mas se fizesse isso, concerteza me arrependeria depois.

– Que rápido, já é sua vez! – comentou o Nicky, ele provavelmente não sabia o que aconteceria.

Continuação proxima semana

Partes anteriores: aqui


Partes de mim – Canção 2
28/04/2012 | Categoria: Conto, Escrita

Enquanto ele cantava, eu seguia cada frase no papel, às vezes quando levantava a cabeça para olhá-lo nossos olhos se encontravam, mesmo cantando ele não parava de olhar para mim, eu percebia seus olhos me observando mesmo quando eu acompanhava a letra da música no papel, isso me deixava com vergonha e eu me corava.

Percebi que aquela música tinha algo de especial, não sabia o que era, mas tinha certeza que existia algo de diferente, era como se fosse inspirada em alguém, era muito linda a letra e o ritmo era bem romântico, era uma música calma.

A voz do Nicky era impressionante, inexplicável, era a voz mais linda que eu já ouvi.

Quando ele parou de tocar eu não consegui falar nada. Eu não conseguia olhar para aquele rosto inteiramente perfeito, o silencio não ajudava em nada, agradeci por ele ter falado algo.

– E então? O que achou? – perguntou-me ele.

– O que posso dizer além de perfeito? – respondi depois de um minuto.

– Você gostou mesmo? – percebi que “perfeito” não era o elogio ideal.

– Você canta muito bem, a letra da música é linda, parece que teve uma inspiração, o ritmo combinou muito com a letra: calma e romântica. Não tenho muito que dizer Nicky, o elogio mais apropriado que posso fazer é dizer que é tudo perfeito. – eu estava completamente encantada pela música e por ele.

– Obrigado! Você estava certa quando falou que tinha uma inspiração, exatamente por isso que foi a música que mais gostei das que fiz. – quem seria sua inspiração?

– Essa pessoa deve ser muito especial para você! – falei.

– Essa pessoa é você! – eu não acreditei quando ele falou.

– O que? – perguntei incrédula.

– Eu fiz essa música para você! Você é a inspiração dela. Eu não parei de pensar em você um minuto ontem, queria escrever o que eu estava sentindo, então peguei meu caderno e o resultado foi essa música. Depois que terminei de escrevê-la, sempre me lembrando desse seu lindo rosto – ele tocou meu rosto com as costas da sua mão –, fiz a melodia, queria que ela fosse calma, como o som da sua voz é pra mim e também queria que ela fosse delicada para que sempre que eu a tocasse eu me lembrasse do seu rosto! – ele me olhava nos olhos como nunca olhou.

– Eu… eu não tenho o que dizer! – falei por fim.

– Posso te fazer uma pergunta? – disse ele mudando de assunto, assim eu esperava.

– Já fez uma! – eu ri, ele também – Pode fazer até duas ou mais.

– Por que você não quis responder a pergunta do Phelyp? – eu pensei que ele não voltaria mais a esse assunto.

– Não sei! Talvez por que eu não sabia o que responder! – falei a verdade.

– Talvez!… Vamos, não quero que você se atrase! – eu me levantei junto com ele.

– Sim senhor! – brinquei para quebrar o clima.

Sempre que ele está perto de mim ele pega minha mão, por isso só andávamos de mãos dadas, eu gostava disso, não me importava nem um pouco com o que as pessoas iam dizer.

Quando estávamos perto da minha sala o sino tocou, infelizmente eu tinha que ficar longe dele mais duas horas, cada momento que eu ficava com ele, se tornava mais difícil a despedida.

– Vai ser difícil ficar longe de você! – falei fazendo biquinho.

– Que biquinho mais lindo! – ele sorriu e tocou meus lábios. – Acredite, vai está sendo difícil pra mim também. – depois tocou meu rosto, ainda estávamos de mãos dadas.

– Kat, o Sr. Bruce está chegando! – a Ana veio me avisar.

– Estou indo. – falei.

– Ficaria feliz se você também pensasse em mim hoje, mas me promete que vai prestar atenção na aula? – ele preocupava comigo.

– Eu posso prometer, mas se eu não conseguir? – perguntei.

– Exatamente por isso que eu vou preparar um questionário especial! – eu ri.

– Não gostei dessa idéia! – eu disse.

– Estou falando serio! – ele me deu um beijo e saiu.

Dessa vez não esperei ele desaparecer, assim que ele virou as costas eu fui para a sala, o Sr. Bruce entrou comigo, então eu não estava atrasada. Será que o Nicky falou serio do questionário? Serio ou não ele tinha razão, eu precisava me concentrar nas matérias.

Quando me sentei vi um bilhete em minha mesa.

Desculpe por ter atrapalhado vocês dois, mas é que todo mundo aqui estava dizendo que vocês estão namorando, e eu pensei que você não queria que isso acontecesse!

PS: Estava lindo!

Ana

Peguei outro papel e escrevi:

Ana está tudo bem! Muito obrigada por se preocupar comigo. Na verdade eu não me importo com o que eles estão falando, o que mais importa sou eu!

Kat

Coloquei o bilhete entre uma caneta e a tampa e joguei para a Ana, ela sentava duas mesas antes da minha, então tive de chamá-la, eu também não queria atrapalhar a aula do Sr. Bruce que, aliás, já tinha começado e eu precisava prestar atenção.

Depois de um tempinho ela olhou para trás e disse bem baixinho: “Você tem razão” e voltou a assistir à aula.

Felizmente, às duas horas passaram rápidas, como o Nicky pediu, eu prestei atenção nas matérias com algumas exceções, é claro. Eu ainda estava saindo da porta da sala com as meninas quando vi o Nicky encostado na parede me esperando então eu tive de despedir delas.

– Até amanhã meninas! – nem esperei elas dizerem nada e fui falar com a Nicky.

– Oi! – eu estava completamente feliz por vê-lo novamente.

– O que o Sr. Bruce passou hoje? – ele perguntou-me sorrindo.

– Raiz! E a Sra. Moore pediu uma redação fictícia. – eu já estava preparada.

– Muito bem! Você prestou atenção. – ele sorriu.

– Você pediu, eu obedeci! – falei.

Fomos até o estacionamento falando de como foram minhas aulas, ele me fez falar por detalhes o que aconteceu – para certificar-se que eu tinha prestado mesmo atenção.

Só tinha dois dias que eu o conhecia e já pareciam meses, não sou do tipo que me enturmo com todo mundo, mas com ele era diferente, eu conseguia ser eu mesma. Quando estávamos juntos era só eu e ele e ninguém mais.

– Posso te ligar hoje? – eu já estava dentro do meu carro e ele estava sobre a janela.

– Concerteza! – falei.

– Promete que não vai esquecer-se dessa vez? – ele estava inseguro.

– Prometo! Vou estar com o celular grudado em mim. – brinquei.

– Tchau Kat! – ele me deu um beijo, mas não foi embora.

– Vou sentir sua falta! – disse.

– Eu também! – ele passou a mão em meu rosto e me deu mais um beijo no rosto, depois ele se foi.

Precisei ficar quieta um pouco para me recuperar, eu precisava lembrar a mim mesmo que tinha de respirar, mas eu não conseguia pensar em nada quando ele está perto de mim.

______

Só estava o Emm quando cheguei em casa, provavelmente minha mãe saiu para resolver coisas mais importantes que nós meu pai estava no trabalho e a Duda já deveria ter ido mais cedo para o balett.

– Quero conversar com você, Kat! – parecia que o Emm estava triste.

– Aconteceu alguma coisa Emm? – fiquei preocupada.

– Vou ser direto, mas primeiro me promete que vai tentar me ajudar e não vai rir de mim? – ele perguntou.

– Prometo, eu sempre vou te ajudar no que você quiser! – ele estava me deixando cada vez mais preocupada.

– Eu estou gostando da Ana! Me ajuda, por favor?! – eu não achei nada engraçado.

– Que bonitinho Emm! Mas o que você quer que eu faça? – eu concerteza ia ajudá-lo.

– Não sei! Ela gosta de algum menino? – ele pareceu bravo com essa hipótese.

– Não que eu saiba. Mas se ela gostasse com certeza ela contaria a mim.

– Pergunta a ela! Por favor?

– Emm só perguntar não vai adiantar nada!

– O que vou fazer então?

– Você precisa ir conquistando ela aos poucos, começa a conversar mais com ela, convida ela para sair, eu posso convidá-la para vir aqui em casa mais. Depois vai presenteando-a. Você vai ver que você vai conseguir. – parecia que ele gostou da idéia.

– Muito obrigado pelas dicas Kat! Amo muito você! – ele me deu um beijo e saiu todo animado para seu quarto e eu fui para o meu rindo dele.

Naquela noite jantamos toda a família, foi meu pai quem buscou a Duda e minha mãe chegou junto com eles. Percebi que meu pai não estava muito bem com minha mãe, mas eu não quis perguntar o que era.

Após o jantar a Duda o Emm e eu fomos brincar, fizemos um programa de irmãos e depois fui para eu quarto. O Nicky me ligou depois que tomei meu banho. Ficamos conversando um tempão e depois que desliguei fui dormir.

Continuação próxima semana.

Partes anteriores: aqui


Partes de Mim – Canção
21/04/2012 | Categoria: Conto, Escrita

Quando acordei, não sabia se era só um sonho ou se tudo aconteceu, fiquei perdida em pensamentos até concluir que tudo não passava de um sonho quase real.

Levantei-me da cama e fui arrumar para começar meu dia, hoje ainda era terça, havia uma longa semana pela frente.

Depois de me arrumar fui até o quarto da Duda dar-lhe um beijo, mas ela ainda estava dormindo, então não quis incomodá-la. Desci para tomar meu café da manhã, meus pais já haviam saído para os seus trabalhos e o Emm ainda estava em casa, inclusive tomando seu café da manhã.

– Bom dia Emm! – dei-lhe um beijo.

– Dormiu bem? – ele me perguntou.

– Dormi e você?

– Não muito, cheguei tarde ontem à noite.

– Vocês se divertiram? – quis saber.

– Os meninos sim eu não, mas depois a gente fala nisso, vamos acabar chegando atrasados, prometo que depois te conto tudo. – senti que ele estava fugindo.

– Você quer carona? – mudei de assunto.

– No seu carro ou vai usar o da familia? – não entendi a pergunta.

– No meu carro, lógico! – respondi.

– O que deu em você? Você não gosta que andem em seu carro.

– Claro que não, só por que não convido constantemente não quer dizer que eu não goste! – fiquei aborrecida.

– Eu combinei de sair com o Mike, então vou com meu Jeep mesmo… O grandão  como você mesmo diz. – ele riu.

– Mas ele é mesmo grandão! – fiz biquinho.

– Não Kat, é porque você realmente é pequinina – levou a mão em meu cabelo e o bagunçou.

– Ei…

-Vamos Kat! – ele veio até mim e me puxou.

Depois que chegamos à garagem foi cada um para seu carro, eu estava com muitas saudades das meninas, e eu estava louca para chegar à escola.

Assim que estacionei meu carro decidi ir direto para o refeitório, mas quando estava indo lá estava ele encostado-se a seu carro, nossos olhos se cruzaram quando olhei para ele. Agora eu entendi por que pensei que tinha sonhado.

Ele veio até mim com um sorriso esplêndido que logo me causou náuseas.

– Oi! – ele disse pegando minha mão.

– Oi! – eu ainda estava confusa.

– Como está? – sua voz era linda.

– Não sei, acho que estou bem! – confessei a ele minha confusão.

– Há! – foi só o que ele disse. Ele pegou minha mochila eu tentei protestar, mas já era tarde de mais.

– Pode, por favor, parar de reclamar e me deixar te ajudar? – perguntou-me ele.

Eu não falei nada, deixei que ele fizesse o que ele quisesse e o segui indo para uma mesa do refeitório. Não falamos nada durante o caminho, eu só fiquei olhando para baixo tinha medo de desmaiar por olhar para ele, mas eu sabia que seus olhos não me deixavam um minuto. Ele arrastou uma cadeira para que eu me sentasse.

– Obrigada! – falei.

– Se não se importa, por não atendeu meus telefonemas? – fiquei com vergonha de ter esquecido.

– Ai… Sinto muito, mas eu me esqueci que você ligaria eu dormir mais cedo ontem. Provavelmente foi minha mãe quem atendeu o seu telefonema…

– Não eu não quis ligar na sua casa, só liguei mesmo no seu celular – ele me interrompeu.

– Sinto muito, mesmo! – falei de novo.

– Estou curioso, queria saber o que você vez ontem à noite? – ele não pareceu se interessar naquele assunto.

– Na verdade nada! Só passei um tempinho com minha irmãzinha antes dela ir para as aulas de balett e fui me deitar… Você toca? – ouvi uma voz parecida com a dele, perto de nós, então percebi que vinha do seu fone de ouvido.

– Muito pouco! Mas só compus algumas músicas que não me agradaram muito com exceção de uma que fiz ontem. – explicou ele.

– Gostaria de ouvir você cantando. – consegui olhar em seus olhos.

– Você terá esse prazer hoje, mas não agora, o sinal vai tocar! – assim que ele falou o sino tocou.

– Você é bom nisso! – elogiei-o. Ele nada falou, além de sorrir e pegar minha mão, depois nós fomos para a minha sala. Ele me contou o que havia feito ontem e por que não gostou das suas composições anteriores. Eu já estava começando a me acostumar com seu jeito.

– Tenha uma boa aula! – ele não se demorou quando chegou à porta da minha sala.

– Você também! – consegui falar depois que ele me beijou.

Quando eu não podia mais velo entrei na sala, nenhum professor havia chegado então eu fui falar com as meninas.

– Oi Ana! Oi Amy! – cumprimentei-as.

– Oi! – elas falaram juntas.

– E o Nicky? – perguntou-me a Amy.

– Vocês acreditam que eu pensei que eu tinha sonhado? – confessei a elas.

– Não acredito que você fez isso! – disse a Ana.

– Você falou isso a ele? – a Ana tinha razão, a Amy não falou nada por mal.

– Não, pior, eu fiquei com cara de: “o que está acontecendo aqui?” na hora que eu o vi hoje! – falei.

– Kat, você nem disfarçou? – ela falou.

– Não consegui!

A Sra. Moore atrasou um pouco então ficamos conversando durante um bom tempo, não demorou muito para que o sinal tocasse e se seguisse a ultima aula antes do intervalo.

Eu estava ansiosa para chegar o almoço por duas coisas, a primeira ver o Nicky, a segunda para ouvi-lo cantando. Sua voz era perfeita, seria mais perfeita ainda se ele cantasse?

Nesse momento eu não estava preocupada com nada, só pensava em como seria com o Nicky, nunca esperei tanto para acabar uma aula do jeito que esperei hoje, eu olhava o relógio de minuto a minuto para ver quanto tempo faltava, eu não agüentava mais ficar dentro daquela sala.

– Kat, você está me ouvindo? – o Phelyp estava puxando minha camiseta para chamar minha atenção.

– Hã? Há sim, estou! – falei confusa.

– Nem parece… Mas, você e o Nicky…? – eu não estava nem um pouco a fim de responder a essa pergunta. Olhei no relógio novamente e por minha sorte só faltava um minuto então eu aproveitei a sorte.

– Hã… Phelyp depois a gente conversa, já vai bater o sinal… Tchau! – antes mesmo de bater o sinal eu saí da sala correndo olhando para trás para checar se ele não vinha atrás de mim.

Assim que eu cheguei ao refeitório o sinal tocou, resolvi sentar na mesma mesa que o Nicky e eu nos sentamos hoje de manhã e esperar até que ele chegasse e isso não demorou muito.

– Você me deixou preocupado! – ele falou ao se sentar.

– É mesmo? – fingi não me importar.

– Passei na sua sala e suas amigas me disseram que você saiu correndo antes do sinal tocar. Pensei que você estivesse passando mal! Mas quando te encontro aqui você está sorrindo! – ele ficou serio.

– Desculpe…

– Por que fez isso? – ele estava mesmo preocupado.

– Sabe o Phelyp?… Não você não sabe!…

– Claro que sei! Da sua sala não é? Seu amigo! O que tem ele?

– Bom ele veio me perguntar se nós estávamos namorando…

– E você não quis responder! – foi uma afirmação e não uma pergunta.

– É… Foi por isso que saí correndo! – eu não conseguia mentir para ele.

– Não faça mais isso comigo, você me deixou muito, muito preocupado mesmo! Promete? – ele tentava não mostrar a tristeza, mas eu podia ver.

– Prometo! – falei.

– Lembra que te falei que cantaria pra você a música que compus? Então posso cantar agora? – nós estávamos perdendo tempo.

– Com certeza! – falei ansiosa demais.

– Eu escrevi a letra em um papel, para ficar mais fácil para você. – ele pegou uma folha e a desdobrou, lá estava escrita a música.

Continuação próxima semana.

Partes anteriores: aqui e aqui


Partes de mim – Encontro inesperado 2
14/04/2012 | Categoria: Conto, Escrita

– Meu nome é…

– Katie! – fiquei confusa.

– Como você sabe meu nome? – perguntei.

– Eu sei mais de você do que pensa. Sei que você ficou com um menino chamado Ted e que você também namorou um menino chamado Kim…

– Ei, ei, calma aí. Como você sabe disso? Quem te contou? Você saiu investigando minha vida? Você…

– Eu é que te peço calma, preciso de um tempo para responder a todas essas perguntas e pode ter certeza que se me da um tempo eu te respondo todas. – ele ficou assustado com minha reação, podia ver isso.

– Mas como que você quer que eu fique calma sendo que você sabe da minha vida sem mesmo me conhecer? – perguntei a ele.

– É simples, só confiar em mim!

– Eu confio! – não prestei atenção ao que estava falando, só queria uma explicação.

– Bom, antes mesmo de te conhecer eu já havia escutado algumas coisas sobre você Kat… Posso te chamar assim? – ele interrompeu-se.

Só balancei minha cabeça e fiz sinal para ele continuar.

– De tanto ouvi falar bem de você eu pedi ao meu amigo que me apresentasse você, mas de longe. Confesso que quando te vi te achei com cara de criancinha e mimada, mas ontem mudei minha opinião. – ele falou.

– Serio você achou isso mesmo? – perguntei a ele.

– Você não vai brigar comigo nem nada? Você não se importou?

– Claro que não. Na verdade eu me preocupei mais com o modo de como pareço para as pessoas, será que todas acham que eu sou assim?

– Não! – ele nem pensou antes de responder. – Eu sei disso por que quando falei ao meu amigo isso ele achou um absurdo, sabe você é bem popular para os meninos, tenho certeza que ficaria surpresa de saber a quantidade de garotos que te admira e gostaria de ficar com você.

– Deve estar falando isso só para me impressionar. – as palavras saíram sem que eu pensasse se devia ou não falar.

– Claro que não Kat! Só estou dizendo o que mais da metade dos machos dessa escola falam de você, acho que você julgou rápido demais. – ele sorriu.

– Você tem razão! – concordei.

Ficamos olhando um para o outro, levei o maior susto quando o sino tocou, ele riu de mim.

– Será que posso te levar até sua sala? – ele me perguntou.

– Ótima idéia! – falei.

Ele me acompanhou, fomos conversando e nos divertindo, se conhecendo.

– Obrigada por ter me acompanhado, mas preciso entrar. – disse.

– Foi muito bom te conhecer! – ele olhava em meus olhos.

– Também adorei conhecer você! – falei com a maior dificuldade, tentando conduzir as palavras para fora da minha boca.

– Te vejo no final das aulas? – em vez de afirmar, ele perguntou.

– Claro! – concordei.

Ele me deu um beijo demorado no rosto e foi para sua sala, fiquei ali, sem reação como sempre acontecia quando ele chegava perto de mim. Esperei até que ele desaparecesse de vista para entrar na sala.

– Quem é ele Katie? – o Phelyp me pegou de surpresa.

– Você sabe muito bem que eu não gosto que me chamem de Katie! – fiquei irritada com a intromissão.

– Desculpe! Mas você não me respondeu! – ele insistiu.

– Um amigo que conheci, mas a propósito, você tem alguma coisa a ver com isso? – o ignorei deixando ele sem graça até ter necessidade de sair.

O Phelyp era meu melhor amigo homem. Nossa historia é bem complicada, ficamos pela primeira vez no baile dos alunos, mas não era nada serio, temos até uma música que tocou quando nos beijamos e até hoje quando a ouvimos nos lembramos desse dia. Depois de uns dois meses terminamos tudo, mas nossa amizade não acabou continuou sendo a mesma até hoje.

– Como foi com o Nicky? – perguntou a Ana interrompendo meus pensamentos.

– Foi ótimo! Mas fiquei impressionada o quanto ele sabe de mim. – falei pensativa.

– Era de se imaginar, todos só reparam em você! – senti um tom estranho em na voz da Amy.

– Meninas vão se sentar para que eu possa começar a aula! – a Sra. Collp acabara de entrar na sala.

Fiquei pensando no tempo que passei com o Nicky, foi tão diferente do que costuma ser, e eu sabia que havia mudado minha rotina, disso eu tinha certeza. De repente me lembrei do que a Amy acabara de falar, não entendi o motivo da sua reação.

– Kat vem o sinal já tocou! – ouvi a Ana.

– Onde está a Amy? – olhei para todos os lados e não a encontrei.

– Ela precisou passar na secretaria, para entregar algumas coisas a Sra. Carmim. Por quê? – será que ela sabia de alguma coisa que eu não sabia?

– Você sabe por que ela falou aquilo? – perguntei.

– Que todo mundo repara só em você? Ah Kat, você sabe que isso é verdade, mas ela não falou por mal, sabe como é a Amy.

– É eu sei, mas e se…

– Não vai acontecer nada e vocês não irão brigar, sei disso.

Ela pegou minha mão e saímos da sala. A Ana tinha razão era melhor eu esquecer essa historia.

– Onde você pensa que vai? – Nicky estava esperando encostado na parede da minha sala.

– Estou indo embora… Na verdade, o que você está fazendo aqui? Não combinamos de nos encontrar só lá em cima? – não esperava que ele viesse.

– Quis fazer uma surpresa! – ele piscou para mim.

– Vejo vocês amanhã! – a Ana saiu apressada, provavelmente nos deixando sozinhos.

Ele não falou nada só ficou olhando para mim.

– Como foram suas aulas? – ele recomeçou a conversa.

– Sabe que nem sei o que aconteceu…

– Como assim não sabe? – dessa vez ele quem ficou surpreso.

– Eu não estava prestando atenção em nada, estava pensando em você. Na verdade eu nem ouvi o sinal tocar, foi a Ana quem me chamou parar ir embora. – expliquei.

– Pensando em mim é? – Nick fez cara de desentendido, mas sabia que ele tinha gostado.

– Tem algum problema? – perguntei.

– Não, é só que eu não esperava.

– Confessa que você adorou saber isso.

– Você não sabe o quanto.

Ele pegou minha mão, não tentei tira-la, e fomos para o estacionamento.

– Não posso demorar! – falei.

– Eu sei, eu também não. Mas eu não queria…

– Sinto muito, mas eu preciso mesmo ir! –

– Tudo bem! –por algum motivo sabia que estava sendo dificil para ele, também estava sendo para mim.

Ele me pegou de surpresa abraçando-me, quando ele me soltou fiquei parada ali, sem fazer e dizer nada e quando ele viu que eu ia continuar do mesmo jeito por um bom tempo ainda ele falou.

– O que foi? Porque está me olhando assim? – ele estava rindo, mas sabia que estava sem graça. Ele abriu a porta do meu carro.

– Você me pegou de surpresa! – falei.

– Fui impulsivo, admito… Perdoe-me?

– Não, está tudo bem, gostei, mas como disse, não esperava. – liguei o carro, para ir embora

– Posso te pedir uma coisa?

– O que você quiser! – consegui olhar para ele.

– Você pode me dar o seu numero, para eu saber se você está mesmo bem quando chegar a sua casa? – eu não ia recusar isso.

– Claro só um momento. – peguei uma caderneta que tenho em meu carro e anotei o numero do meu celular e da minha casa caso ele não conseguisse no meu telefone.

– Obrigado! – foi só o que ele disse antes de partir.

Fiquei olhando até que ele entrasse em seu carro em um L200 Triton vermelho, era muito lindo.

Antes de começar a dirigi certifiquei-me se estava mesmo bem, se estava respirando normalmente e se não estava mais tonta para que não ocorresse nada na estrada de volta a minha casa, quando percebi que estava tudo no lugar fui embora, mas com a cabeça em outro mundo.

Eu queria saber mais sobre o Nicky, ele me respondia uma pergunta e se formavam outras mil em minha mente, mas ele não me respondia à maneira que eu queria, ele sempre fazia com que eu ficasse pensando em suas respostas por um tempo para que as entendessem completamente, não eram respostas normais eram mais completas.

O Nicky era diferente de tudo, ele me fazia refletir a cada frase que dizia, eram coisas filosóficas, suas reflexões eram precisas e profundas do tipo que nos fazem perder aos sentidos das frases pronunciadas.

Quando enfim cheguei a minha casa, pude pensar em cada momento que passei com ele este dia, esse concerteza era um dia que eu nunca esqueceria e que ele estaria eternamente em minha vida.

– Você chegou maninha! – saiu correndo a Duda do sofá quando me viu entrar.

– Estava com saudades? – perguntei.

– Muita! E você?

– Mais do que você…

Fui para seu quarto brincar com ela. A Duda era minha irmã mais nova, ela tinha seis anos e eu parecia sua mãe, sempre que eu tenho tempo saímos juntas para nos distrairmos. Eu faço esse papel por que eu não quero que aconteça com ela o que aconteceu comigo. Minha mãe sempre dizia que não tinha tempo para mim, não me dava o carinho de mãe que eu precisava e eu guardava uma grande magoa dela por isso, então por tanto eu fazia de tudo para estar presente na vida da Duda.

– O Emm já chegou Duda? – perguntei a ela quando estávamos saindo do quarto dela.

– Já! Ele tinha chegado antes de você. – ela me respondeu.

– Eu vou lá conversar com ele, você quer ir? – eu precisava contar a ele o que aconteceu hoje.

– Não, eu vou arrumar para o balett, te vejo mais tarde.

– Tá bom, qualquer coisa me chama! – dei um beijo nela e fui para o quarto do Emm procurá-lo, esperava que ele não estivesse ocupado para me ouvir.

A porta estava aberta e eu o escutava conversando, provavelmente ele estava no telefone, entrei e sentei-me na cama para esperá-lo, não demorou muito e ele se sentou a meu lado.

– Algum problema? – perguntei.

– Não, só estava marcando com alguns amigos para sairmos à noite. – ele já sabia que eu queria conversar com ele. – Mas o que aconteceu com você?

– Eu sei que você está preocupado comigo, mas não precisa, não aconteceu nada de ruim, pelo contrario, hoje conheci um menino por acidente…

– Como assim, Kat?

– A Sra. Kareen me pediu um favor, quando eu estava voltando para a sala, acabei esbarrando em um menino, no almoço ficamos juntos e aí somos amigos agora. – contei-lhe a historia em resumos.

– Tem certeza que vocês são só amigos?

– Pra falar a verdade eu não sei o que acontece, todas as vezes que eu o vejo sinto-me estranha, paro de respirar e fico tonta, confesso que não há palavras para descrever sua beleza, mas eu não entendo.

– É simples Kat, você se sente atraída por ele. – ele estava serio, mas eu não consegui deixar de rir.

– Você só pode estar brincando, eu o conheci hoje…

– Não importa Kat, eu estou falando serio e eu não estou dizendo que você esta apaixonada por ele, só estou dizendo que você está atraída por ele.

– Você tem certeza disso? – eu ainda estava em duvida.

– Olha, se eu não te conhecesse eu falaria que você está sim apaixonada por ele, quando você falou dele seus olhos brilharam, você nem percebeu, mas você ficou descontrolada, mas como sei que você não vai aceitar essa hipótese falo que você está atraída. – estava começando a acreditar nele.

– Acho que você tem razão… Como sempre! – me entreguei.

– Como sempre! – ele pegou minha mão. – Não tenha medo mana, ele pode não ser só mais um talvez ele seja “O” em sua vida! – foi o que ele disse antes de me dar um abraço e sair para se arrumar.

Fiquei sentada em sua cama mais alguns minutos pensando no que o Emm me falara a pouco, eu sabia que ele tinha razão, mas o que ia fazer a respeito disso? Estava com medo de me magoar como sempre acontecia, eu não tivera nenhuma relação seria antes e depois do Kimberlee que me fez sofrer muito, eu não queria ser decepcionada por mais ninguém. O que preciso fazer?

Fui para meu quarto dormir, ainda era cedo, meu pai acabara de sair para seu trabalho que tinha a noite, minha mãe estava em seu escritório trabalhando – como sempre – e eu não podia conversar com ela, não que eu queira. A Duda tinha ido para o balett, o Emm ia sair com seus amigos, e eu não tinha ninguém para me fazer companhia, então o melhor mesmo era dormir e me aprofundar em meus eternos sonhos.

Continuação na proxima semana.

Quem quiser conferir a primeira parte é só clicar aqui


Partes de mim – Encontro inesperado
07/04/2012 | Categoria: Conto, Escrita

Já faz algum tempo – e coloca tempo nisso – que postei o prologo de um livro que estava escrendo – quem não se lembra pode encontrá-lo aqui -, prometi que em breve estaria publicando o primeiro capitulo, mas acontece que parei de escrevê-lo, faltou-me inspiração e tempo para conclui-lo, mas hoje resolvi abrir ele e comecei a lê-lo e percebi que ele merecia uma chance de ser mostrado, percebi que suas páginas mereciam ser lidas e reconhecidas… Então todo final de semana estarei postando um capitulo sendo este dividido em duas partes – são grandes os capitulos, por isso tive de dividi-los – quero pedir que se vocês puderem comentem após ler, pois preciso da ajuda de vocês, seja para criticar, elogiar, enfim só quero ter opiniões diferentes. Aqui vai a primeira parte do capitulo 1.

Encontro inesperado parte 1

As duas primeiras aulas tinham acabado a Sra. Kareen – professora de inglês – já havia chegado à sala de aula e preparava os materiais para começar sua aula.

Ela pediu-me para que fosse até a secretaria e pegasse uns textos que havia preparado para nossa aula e como estava muito ocupada com os outros materiais precisava de ajuda.

Fiz o que pediu, mas quando estava voltando distraída lendo os textos, nem percebi que uma pessoa vinha em minha direção e acabei esbarrando nela.

Todos os papeis caíram e se espalharam no chão, fiquei olhando frustrada sem saber o que fazer, nem percebi em quem esbarrei. Quando finalmente resolvi pegar os papeis que caíram já não estavam mais lá. Olhei para frente e vi aquele garoto segurando as folhas e erguendo-as em minha direção.

Sua beleza era tão perfeita que fiquei sem fala. Olhei naqueles olhos perfeitos e não conseguia parar de olhá-los. Seu rosto era maravilhoso, incrivelmente bonito.

– Seus textos! – ele ergueu novamente as folhas em minha direção, mas eu não tive tempo de pensar em pegá-los, sua voz era irresistível, delicada e suave.

– Ah, claro, obrigada! – consegui falar. Ele sorriu, meu encantamento foi além do que eu podia imaginar.

– Por nada! – como poderia existir algo como ele?

– Desculpe por isso, não foi minha intenção, eu estava muito distraída. – tentei explicar.

– Não se preocupe! A culpa não é sua, eu é que devia prestar mais atenção por onde ando. Você me perdoa? – ele estava tentando tomar toda a culpa para ele.

– Só se você me desculpar!

– Nem precisa você não fez nada, mas se insiste te desculpo sim. – ele era muito simpático.

-Sendo assim, você também está desculpado – falei sorrindo. – Bom, obrigada pelas folhas… Tenho que ir agora.

– Eu também preciso ir.

Por mais que eu precisasse sair dali eu não queria, estava sendo um grande sacrifício para eu ter de me afastar dali. Quando finalmente consegui sair e já havia me afastado, ouvi de longe:

– Até o intervalo! – olhei para trás e ele sorria para mim, eu não entendi o que ele quis dizer, mas eu deixei afinal eu precisava mesmo entregar os papeis a Sra. Kareen.

Quando cheguei à sala, meus pensamentos continuaram naquele menino. Minhas amigas perceberam que acontecera alguma coisa comigo, mas não me perguntaram nada. Tentei prestar atenção na aula de inglês, mas não consegui, eu só pensava naquele encontro inesperado que aconteceu. Tentava desvendar um mistério, as perguntas saltavam da minha cabeça sem poder controlá-las. Da onde foi que ele apareceu? Nunca havia visto ele na escola antes, será que estava só de passagem?

Quando, enfim, tocou o sinal e enquanto minhas amigas e eu íamos para o refeitório contei a elas o que aconteceu nesse pequeno tempo. Estávamos no corredor e quando olhei para frente o vi. Ele estava encostado na parede a minha espera como havia falado.

Olhei de longe aquele rosto perfeito que qualquer pessoa gostaria de ter, e como na primeira vez que olhei em seus olhos fiquei sem fala.

– O que foi Kat? – foi à pergunta da Amy que me fez acordar.

– Nada! – respondi, e andei mais rápido indo a sua direção, elas vieram atrás de mim.

Ele estava rindo, mas estava sem coragem de perguntar, por mais que gostaria de saber o por que.

– Agora estou entendendo o que você quis dizer… Você falou mesmo sério! – fiquei surpresa de ter conseguido falar quando cheguei bem perto dele.

– Eu sempre falo serio, existem algumas exceções, mas são poucas. Você não tinha entendido? – perguntou-me.

– Não!…

– Kat, nos apresente seu amigo. – falou Ana.

– Ah claro! – tinha me esquecido delas. – Ana, Amy, esse é o… – só então me lembrei que eu não sabia o seu nome.

– Nicky, prazer em conhecê-las! – ele se apresentou, vendo que eu também não sabia seu nome.

– Prazer Nicky! – falou a Ana.

– Uau. Você é muito lindo! – falou a Amy, eu fiquei morrendo de vergonha.

– Obrigado! – ele agradeceu sorrindo.

– Vamos para a biblioteca Amy, precisamos terminar nosso trabalho. – sabia que não tinha trabalho nenhum, ela só estava querendo nos deixar a sós. – Vamos! A gente se vê!

– Tudo bem, vamos! – ela concordou.

Esperamos até que elas saíssem de vista e começamos conversar…

Continuação proxima semana.


Aquele dia
16/01/2012 | Categoria: Amor, Comportamento, Conto

Entrei em choque…! Foi assim que fiquei quando te vi entrando por aquela porta, não conseguia acreditar que você estava ali, para falar a verdade estava tão fora de mim que não reconheci sua voz, não consegui enxergar seu rosto… foi só quando você saiu para dar um ultimo recado ao seu pai que consegui voltar ao normal, na verdade, normal não, porque nessa hora meu coração começou a acelerar, comecei a tremer e até me disseram que minha boca ficou branca. Mas não fui só eu quem teve reação de nervosismo, você também teve, quando você foi falar com minha mãe, percebi que você estava nervoso porque até mesmo sua voz mudou…

Lembro de quando sentamos naquela mesa, um de frente para o outro, os dois ainda em choque por estar juntos depois de tanto tempo, eu ainda tremia, mas aos poucos fui voltando ao normal e me descontraindo, por sorte você também. E eu não posso deixar de citar o momento em que comecei a te dar suco, para falar a verdade eu ainda estava em estado de choque.

Você cochichando que me amava e eu também, nossos silêncios olhando nos olhos, segurando nas mãos um do outro disfarçadamente e logo as tirando, a vontade de beijar e não poder. Como esquecer os sorrisos bobos dos dois?

Quando dei por mim já não estávamos mais naquela mesa e sim andando na rua, juntos, pela primeira vez, estávamos tão bobos que não parávamos de rir, riamos a toa, de qualquer coisa. Lembro-me que peguei em sua mão duas vezes, mas você as afastou por medo de alguém ver, achei isso tão engraçado, foi protetor.

Finalmente cumpri com uma promessa que fiz: bagunçar seu cabelo. Te surpreendi fazendo isso, foi tão engraçado, mas você também me surpreendeu, me distraindo, fazendo eu olhar para o lado somente para bagunçar meu cabelo também. Mas há algo injusto nesta historia, enquanto eu precisava pular e fazer o maior esforço para tocar seu cabelo, você apenas bagunçava o meu, com a maior facilidade, mas claro que isso ia acontecer, sou tão pequena ao seu lado, não é a toa que você me chama de sua pequena.

Fomos brincando assim até chegarmos perto da loja, nos assustamos encontrando meu irmão e sua namorada, você se assustou tanto que nem quis entrar na loja, acho que você queria mostrar ao meu irmão que não iria fazer nada. Dessa vez quem se surpreendeu fui eu, assim que sai da loja você bagunçou meu cabelo. Até você fazer uma brincadeira e eu fingir que emburrei, essa parte foi uma gracinha, você ficou tão preocupado em me fazer voltar a brincar que você me chamou de todos os nomes possíveis de apelido, até mesmo de marrentinha, mas nada disso adiantou, foi então que do nada sinto seu beijo em meu rosto e foi questão de segundos para aparecer aquele sorriso que você tanto gosta.

Nosso momento estava chegando ao fim, tínhamos que nos despedir e foi isso que fizemos, apenas demos beijos nos rostos e viramos as costas um para o outro. Aquela tarde havia acabado, mas nunca será esquecida por mim, porque foi a melhor tarde da minha vida…