• large-4
    Comportamento, Textos

    Reconstrua

    ver post
  • large-3
    Playlist

    Playlist: Julho

    ver post
  • imagem.aspx
    Livros

    Livro: Outros Jeitos de Usar a Boca

    ver post
  • large
    Textos

    Hábitos

    ver post
  • August 13, 2013
    postado por

    Peguei meu celular para ver as horas, apertei qualquer tecla e vi aquele ícone da caixa postal no canto superior da tela. Odiava aquele ícone, me incomodava, era como se tivesse aversão por ele, odiava mais ainda ter que gastar meus créditos para ouvir uma mensagem – que na maioria das vezes não passava de chiados de uma ligação não desligada. Resolvi por fim, discar o numero para ouvir a tal mensagem e tirar de uma vez aquele símbolo incomodo.

    Ah, oi! Se lembra de mim? Sou eu, o primeiro e único, como eu costumava dizer. Lembrou agora? Parece estupido eu estar aqui, mas a saudade bateu mais forte que o orgulho. Sei que tem muito tempo que não nos falamos e a culpa é minha, mas sabe me deu uma vontade danada de falar com você para lhe dizer umas verdades que só percebi há algum tempo. No fundo você sempre esteve certa: eu ia me arrepender. E estou aqui para confessar meu arrependimento. Me gabei por muito tempo quando terminamos, achava que estava feliz sem você, me diverti, fiquei com varias, ia onde queria, fazia o que queria e voltava quando desejava, sem compromisso e achava que tinha a liberdade. Mas tudo foi perdendo a graça à medida que o tempo ia passando. No final de tudo, eu não tinha para quem ligar, não tinha um ombro amigo quando precisasse alguém para me cuidar, para estar ao meu lado sempre. Faltava algo e por fim percebi que faltava você. Ultimamente tudo me lembra de você, todas as musicas, todos os textos e frases que vejo. Tudo tem você. Andei olhando fotos suas e vejo o quanto está bem, parece que realmente me esqueceu como eu pedi um dia. Me desculpa por todas as lagrimas e magoas, por toda dor que te causei…Bom é isso, espero que esteja bem, mesmo que não aconteça, estarei esperando sua ligação.

    As lagrimas caiam dos meus olhos e aquela sensação que achava que nunca mais ia sentir, estava ali, lembrava perfeitamente daquela voz. No fundo queria retornar sua ligação, matar a saudade, marcar um encontro e começar novamente. Mas deixei que passasse, não iria permitir que acontecessem as mesmas coisas. Ficou para trás.

    October 19, 2012
    postado por

    Carta a quem já me disse Adeus

    Eu não vou me desculpar pelo lado ruim, nem me perguntar por quantas vezes você pensou em ir embora antes de fazê-lo. Não vou me ater aos rabiscos, aos malfeitos, às partes tortas e a nenhuma dessas coisas que passam pela nossa cabeça assim que somos abandonados. Não vou te culpar por alguma crise de choro ou por alguma cirrose futura, nem espalhar aos quatro ventos alguma história que me torne vítima e tiranize você.

    Eu vou sentir sua falta. Aliás, eu já sinto. Sinto que eu deixei escapar a minha melhor chance de ser feliz – e isso não é nenhum estado depressivo que se agrava e se repele automaticamente depois de algum tempo. É conformismo. Constatação das brabas. Daquelas verdades inconvenientes que são pregadas na parede do quarto feito papel de parede que a gente não escolheu. E nem adianta tirar porque a pintura vai descascar e esfarelar tudo. Vai sujar o chão. E as marcas de que um dia eu te perdi vão continuar ali – nas ruínas de um quarto velho e torto no segundo andar de uma casa desalmada qualquer.

    Adeus serve pra gente reconhecer no rosto de quem vai embora alguma história da qual tenhamos participado. Os traços do outro vão sempre contar um pouco da gente – principalmente quando a gente ajuda a carregar as caixas, com o coração na mão. Você tinha olhos baixos e meio marejados, e eu sabia que era de saudades da brisa da casa de praia. Dos passeios de barco. Do céu estrelado. E me olhou com tanto carinho antes de me beijar a testa – e eu sei que isso significou muito pra você. Que você foi embora com o coração dilacerado. O meu, em 3/4 e o seu em 7/8. Grudou as mãos suadas antes de devolver as alianças. Mas parece que fez uma força extra-humana para tirá-las dos dedos – é que o costume molda a gente, ainda mais se é voluntário. Moldou o seu corpo. Desacostumou-se aos outros. Se rendeu a minha forma. Mas agora você vai embora quebrada, e eu também. Cada caco reunido com o pouco de força que a gente ainda tinha. E nós deixamos as fotos na estante. Pra lembrar que aqueles dois se amaram, e que amor que é amor não se acaba.

    Você foi a melhor coisa que me aconteceu em muito tempo – e só Deus sabe como eu amei você. Do meu jeito, mas amei. Com pretensões, com modos de indicativo e imperativo, sem modo algum, com gentileza e cadeiras puxadas pra você cair diretamente nos meus braços. Com trinta e sete minutos de conversa antes do dentista, com pano e água gelada pra baixar a febre, com o coração na mão pra pedir desculpas depois de ter feito você chorar. Amor não se acaba, morena. Amor fica intacto no espaço e no tempo. A gente é que muda e faz dele fantasia. Abstração. O factual continua com a vida, mas o amor ficou guardado entre o dia em que você me disse que não entendia nada disso de amor, e o dia em que me deu Adeus. Suspenso no ar. Como se ele desacreditasse piamente naquele vocabulário extenso que englobou a nossa despedida.

    Sobre o autor: Daniel Bovolento é colunista de alguns sites e blogs e também redator publicitário. Está no twitter @danielbovolento e escreve em seu site, sempre atualizado Entre todas as coisas.

    September 13, 2012
    postado por

    “Oi, como você está? É a terceira vez que tento te ligar, mas só fica na caixa postal. Desculpe-me incomodar a esta hora, mas preciso lhe falar algumas coisas. Serei breve, eu prometo.”


    Talvez você não tenha mais o meu número na agenda do seu celular, nem mesmo as mensagens que lhe mandava naquele tempo (o nosso tempo, se é que você é capaz de lembrar). E as nossas fotografias? Tudo bem, era apenas uma ou duas, pouquíssimas, já que você nunca se sentia muito à vontade em frente às câmeras. Lembra daquela vez da nossa formatura no último ano do Ensino Fundamental? Você ficou tão revoltado com os flashs e gritou em meio ao discurso da Elisa. É verdade, um discurso muito chato e quase todos os formandos dormiam. Prometi ser rápida, mas estou enrolando, né? Desculpa, não gosto nem de imaginar o que você vai pensar de mim quando ouvir esta mensagem – se é que vai.
    Eu só queria te lembrar de tudo que nós vivemos um dia. Já faz um ano, exatamente um ano hoje (o relógio que fica no meu quarto marca meia-noite) que o laço existente entre nós “acabou-se”. Devo te dizer que acreditei que seria fácil. Que eu iria superar logo, afinal, nunca alguém despertou tanto sentimento em mim quanto você… O primeiro beijo, o primeiro namorado, o primeiro amor. E é como dizem: O primeiro a gente nunca esquece! E isso não é tão bom quando se trata de sentimentos, bem… Eu sempre te achei o garoto mais bonito da escola. E o mais idiota, também. Todas as garotas eram apaixonadas por você e eu ficava com ciúmes, mas negava até o fim. Éramos amigos até a oitava série, quando nos beijamos pela primeira vez no baile do final do ano. Não poderia ter sido mais perfeito, mas, ao contrário de mim, você não aparentava querer algo mais sério. Nosso primeiro encontro foi em um parque de diversão que havia acabado de chegar à cidade. Admito que preferia ir ao cinema ou ver um filme em tua casa, com aquele frio que sempre faz nos invernos gaúchos e estava em alta, é claro: Final de julho, início de agosto. Desde então, ficamos mais próximos, você sabe da história, creio eu. Não quero te contar tudo porque irei chorar. Sei disso. E sei também que você conhece minha voz de choro como ninguém. Estou vestindo aquela sua camisa azul listrada, que você me deu quando derramou café na minha camiseta dos Ramones. Ainda sinto seu perfume e as lembranças daquela noite em que você apareceu em minha casa com flores, uma caixa de bombons em formas de coração (que você nunca me disse onde comprou) e alguns DVDs de filmes românticos, muitos deles eram adaptações das obras do Nicholas Sparks. Algo completamente surpreendente, afinal, era você. E, para me confundir ainda mais, estava chovendo. Aquelas chuvas que os raios chegam a clarear a casa inteira como se tivesse uma lâmpada prestes a queimar: Pisca uma, duas, três vezes e apaga de vez. Então você me pediu em namoro. Foi engraçado porque, mesmo querendo, você não sabia fazer um bom jogo de palavras, mas eu lembro de como terminamos aquela noite: Apertados no sofá, com um cobertor que mal cobria nós dois. Não vimos os filmes, não comemos os bombons… Só dormimos com o barulho da chuva. Mas tudo acabou como era previsto. Nada é para sempre, principalmente o amor de dois jovens que não têm noção do que é o futuro e quais são as surpresas que existem lá, neste tão temido tempo… E eu tentei esquecer. Mas não tinha como, entende? Não sei como ou porquê tivemos um fim. Quem foi que decidiu? Por que foi tão de repente não dando tempo nem de reparar nossos erros? Por que tudo se quebrou tão rápido e cedo? Procurei em outros homens o que encontrei em você. Mas essa é a verdade: Só você tem. E eu mal sei o que é que me prende tanto a ti. Passei maquiagem na noite de hoje, coloquei um vestido para festa e prometi não me abalar. “Promessas foram feitas para serem quebradas”, aquela frase que você mesmo escreveu na parede do meu quarto, com a tua caligrafia torta. Tenho até hoje os travesseiros coloridos. Procurei também aquela coragem que você me passava, a proteção, o carinho. Lembra-se daquela vez em que decidimos pintar nossos cabelos o mais colorido possível para a viagem de formatura? Ou quando você perdeu a aposta com seus amigos e teve que ir de pijama para a escola, onde nós fomos juntos? Eu preciso encontrar isso. Em outro alguém, mas é algo totalmente impossível. Não há outra pessoa com carisma, sorriso, olhos, inteligência, o jeito. Eu precisava só te dizer isso, mesmo que você mal se lembre de mim. Só não esqueça que sou capaz de enfrentar o mundo com apenas uma mão, se você estiver ao meu lado, segurando a minha outra mão e dizendo que tudo vai ficar bem. Eu não te amo pelo que você é, simplesmente te amo por tudo que você me fez ser quando estivemos juntos. E é por isso que eu te agradeço.
    Tu, tu, tu, tu.

    Escrito ao som da música Love Story, da Taylor Swift. Aconselhável ler escutando-a.

    P.S: Estou pensando em continuar a escrever essa crônica/conto, deixe um comentário dizendo o que achou!

    July 29, 2012
    postado por

    Você tem meia hora para mudar minha vida

    Tire o meu ar de tédio. Faça o que eu achar melhor e me convença. Corresponda às minhas expectativas e me faça trocar os porta-retratos por fotos de nós dois. Trate de se arrumar com meu perfume preferido e use os vestidos que eu te dei. Não demora e vem logo. Você tem pouco tempo pra mudar toda a minha vida. Coloca um sorriso no meu rosto da forma mais espontânea que conseguir. Arrume a mesa do almoço e compre um livro bem bacana pra gente ler a dois. Anda, corre! Você não pode me deixar aqui.

    Diga aquilo que eu gosto de ouvir. Dispense as partes em que você me decepciona e que arruma briga à toa. Eu não quero ter ouvir reclamações todos os dias. Ignore a sua TPM e se doe a mim. Acho justo que você me ame assim, do jeito que eu vou te amar. Vá ao trabalho e ligue de surpresa. É que eu gosto de ser surpreendido de um jeito meio planejado por mim. Bata a porta e deite na cama. Ou melhor, se jogue sem restrições. Quero que os seus olhos brilhem como nunca brilharam antes com outro cara. Vai, você pode fazer isso. Eu sei que com esforço você consegue ser a tal pessoa da minha vida.

    Me dê sempre as mãos e nunca use botas. Faça barulho ao pisar do meu lado. Eu quero ouvir que tenho companhia e quero que você me ensine a cavalgar algum dia. Se não souber, aprenda.  E depois me ensine. Se apaixone primeiro e me apaixone depois. Seja uma boa mãe sem falar de filhos. É que eu quero que você me mate de amores e compense aqueles meus outros amores que não deram certo. Mas pode ser você mesma. Eu não quero te mudar, não. Isso é impressão sua. Eu quero é que você venha assim de fábrica.

    Grite alto e me tire da mesmice. Me pegue pelos ombros e me faça balançar todo o corpo, com ou sem ritmo. Dance comigo no meio da rua e esbanje felicidade. Abdique dos amigos que eu não gosto e ame todos os meus melhores amigos. Goste de praia e nem tanto assim de neve. Fique fria porque isso não é problema nenhum. Não espere muita coisa quando eu estiver com sono, mas seja sempre compreensiva. Anda, corre! Você consegue ser a tal mulher da minha vida. Como disse Adriana Calcanhoto: Entre por essa porta agora e diga que me adora! Tá esperando o quê? Não, eu não quero que você mude. Ninguém quer mudar ninguém. E é por isso que a gente diz antes tudo o que quer de alguém porque a culpa nunca é nossa. Eu não tenho defeito e se vier algum problema, ele é todo seu. Eu já te disse o que fazer pra ficar aqui pra sempre. Se adiante, vamos! Pode surgir agora e aproveitar a sua meia hora. Mas agora você já tem menos tempo e ainda tem que mudar a minha vida.

    Sobre o autor: Daniel Bovolento é colunista de alguns sites e blogs e também redator publicitário. Está no twitter @danielbovolento e escreve em seu site, sempre atualizado Entre todas as coisas.

    July 27, 2012
    postado por

    Vitor Roque é leitor do nosso site está postando sua história no Elas Disseram! Ele possui sua conta no Twitter e uma página no Facebook! Tem 14 anos e mora em Florianópolis. Adora livros: a sua série favorita é “Harry Potter”, e recentemente, também está acompanhando “Jogos Vorazes.”

    O suplico de meu pai não foi suficiente para me frear, puxei a mesa sem tocá-la, apenas com um leve levantar de minhas mãos e a joguei contra o garoto, mas meu avô entreviu quebrando a mesa no meio do trajeto.

    — Devia ter orgulho de ser um bruxo, sabia que somos os últimos da espécie? — Falou meu avô.

    — Ah claro, porque isto melhora muito nossa situação vovô, não entende como todos os outros bruxos desapareceram? Foram mortos, todos eles, exterminados como se fossem animais, quanto tempo acha que resta para que o mesmo aconteça conosco? — Falei com a voz esganiçada.

    — Você não sabe do que fala Ethan! — Falou meu pai com um tom superior.

    —Acredite pai, sei muito bem do que estou falando.

    No momento em que terminei de falar uma fumaça invadiu o salão de jantar, todos saíram correndo para ver o que havia acontecido, fogo muito fogo. Homens cobertos de preto invadiram o castelo com machados e outros tipos de armas nas mãos.

    Logo percebi que exatamente o que eu havia dito estava acontecendo, eles vieram para exterminar os últimos bruxos, e vieram em número, pareciam mais de duzentos homens para combater uma família de no máximo quarenta membros.

    Tudo em que eu pensava era em correr, em me salvar mais isto seria difícil, quatro destes homens estavam me cercando, minha visão estava ficando embaçada eu quase não conseguia enxergar, apenas pude ver um clarão, e os quatro homens caindo ao chão, logo após isto a voz de meu pai invadiu minha cabeça.

    — Corra Ethan! Corra!

    Eu não sabia o que estava fazendo, se eu estava correndo ou estava parado. Apenas ouvia os berros e via clarões, homens de preto caindo ao chão, tentei correr o mais longe possível, porém esqueci-me de olhar para onde, apenas me lembro de estar caindo numa escuridão não sabia no que ou em que iria aterrissar. Foi então que apaguei, não sentia, via, ouvia, apenas caia em direção a sabe-se lá o que.

    Abri os olhos ainda com a visão embaçada, porém em poucos segundos ela voltou ao normal. Eu estava no fim das escadarias do castelo, fiquei fascinado do como os homens encapuzados não me encontraram ali, afinal este local é um dos mais visíveis de todo o castelo, achei melhor não pensar muito, subi cautelosamente as escadarias me certificando de que não havia mais nenhum daqueles homens no castelo, porém minha cautela acabou ao olhar para meu lado direito e ver o corpo de meu pai no chão, corri para resgatá-lo, porém cheguei tarde demais, ele já estava morto.

    Tudo estava fazendo sentido. Por isso os homens encapuzados não tinham me pego, pois achavam que eu estava morto assim como meu pai. O extermínio, tudo como eu havia dito, tudo estava se encaixando, meu pai se fora e agora eu teria de achar o resto de minha família para dar a eles a má notícia.

    Levantei-me com os olhos cheios de lágrimas, no momento pelo qual nossa família passava ter o castelo destruído e um de seus líderes mortos não ajudaria muito. Porém quando olhei para frente do corpo de meu pai meu estômago embrulhou, nunca vira aquilo em minha vida, corpos, muitos corpos espalhados pelo chão do salão principal, meus familiares, primos, tios, irmãos, todos eles estirados no chão, todos eles mortos.

    Sai correndo do castelo rumo à floresta, não me restará nada, nem uma muda de roupa, nem um grão de arroz, apenas a roupa do corpo, e o ódio de todos que destruíram minha família, porém vingança não estava nos meus planos neste momento, tudo o que eu queria era sobreviver, ou pelo menos tentar, talvez deixar de usar meus poderes, arranjar um emprego decente, a guerra entre os reinos complicaria tudo isso, mas minha esperança não poderia morrer, eu teria de lutar para sobreviver, criar uma família, realizar uma pequena parcela dos sonhos que criei quando estava em meu quarto sozinho vendo minha família entrar em um abismo sem fim.

    — Ethan…

    Uma voz chamou por meu nome, me virei e deparei-me com meu irmão Andrew, talvez meu irmão favorito, ele sempre me ajudará quando meu pai me dava broncas.

    Andrew! — Balbuciei. — Dei-lhe um abraço tão forte que ele chegou a gemer de dor, porém vi que ele também estava feliz em me ver.

    — O que aconteceu lá Andrew? Todos estão mortos!

    subir
    elas disseram TODOS OS DIREITOS RESERVADOS © 2017 // DESIGN POR SARA SILVA