Mascarada Parte V
01/04/2011 | Categoria: Amor, Conto

— Você também não pode me julgar. — Eu me virei para ele, com um sorriso sarcástico. — Esqueceu que é exatamente isso que faz com os outros? Você veio na noite deste baile principalmente para fugir de mim e me machucar. Você não sabe nada sobre sentimentos. Assim como eu nunca soube.

Ele me olhou com a expressão de dúvida, como se estudasse minhas palavras. — Nós dois já fomos rejeitados de algum jeito para agirmos assim. E sabemos disso. Mas você tem que entender que, se fugir do amor, eu vou fugir também.

— Você age como se me conhecesse muito bem. — Eu comentei. — Como se fôssemos amigos em comum há muito tempo. Você age como se soubesse mais de mim do que eu mesma, como se adivinhasse os meus pensamentos e tudo o que eu digo… não faz sentido. Por que você não adivinha.

— Eu não sei o que você pensa, acredite, sua cabeça é uma das mais confusas e difíceis do qual eu já lidei. Mas eu sei que no fundo, você se apaixonou e deu errado. Nós dois. Por isso agimos assim. A diferença é que queremos dar o troco em cada pessoa que nos magoou, fazendo o mesmo com os outros.

Eu suspirei fundo enquanto bebia uma taça de vinho que havia sido colocada pela empregada na mesa ao meu lado. Eu dei um sorriso para ela, enquanto ela se direcionava para a saída. Acompanhei os olhares de Henry e ela com nojo.

— O que você mais faz, afinal? — Eu ri sarcasticamente. — Além de ler mentes, é claro. Você corteja qualquer mulher que cruze o seu caminho? Eu deveria saber.

Ele deu um longo cole no seu copo. — Não. — Ele respondeu, firme. — Elas apenas me procuram. — Mas agora, me conte qual é a sua grande história sobre ter medo do amor.


Mascarada parte IV
30/03/2011 | Categoria: Amor, Conto

— É a minha casa. — Ele observou, em silêncio, enquanto descia e me dava a sua mão para me ajudar a chegar até uma casa, linda e perfeita sob a luz da noite. Ela era grande, extensa e se encontrava nos fundos de uma propriedade que eu não conhecia. Suas janelas eram brancas e vastas, o telhado de madeira decorado para brilhar e a arquitetura parecia ter sido planejada detalhadamente para qualquer um que fosse vela.

— E o que estamos fazendo aqui? — Eu não poderia demonstrar sentimentos de grandeza. Eu havia achado tudo lindo e perfeito: qualquer mulher, principalmente eu, Rose, que gosto de coisas caras, amaria. Mas eu não poderia demonstrar. Ele deveria achar que aquilo tudo não passava de uma casa para mim. — Quero voltar para onde eu nunca deveria ter saído. Aliás, você não me deu escolhas.

— Você ficará parada na chuva ou irá entrar em casa comigo? — Ele deu um sorriso tranqüilo. — Acredito que a chuva não satisfaça muito o seu cabelo e nem o seu vestido.

Eu olhei para mim mesma, e percebi que estava molhada e quase suja. Corri depressa com minha mão na dele a fim de me equilibrar no salto alto. Uma mulher como eu nunca poderia descuidar da beleza. Ela era essencial para conquistar as vítimas.

Entramos na casa e eu percebi que tudo ainda era mais inacreditável do que eu imaginava. Ele vivia sozinho ali, apenas na companhia de algumas empregas que lhe faziam tudo – exatamente tudo – que ele pedia e mandava. Eu dei um sorriso fraco para uma delas enquanto me encaminhava para a sala. A lareira se acendeu imediatamente e sentei no sofá.

— Porque você é assim com as pessoas? — Eu questionei. — Frio, impassível. Você parece ter um longo e sombrio passado.

— Você não pode julgar as pessoas de frias. — Ele respondeu. — Não sou eu que tem prazer em machucar os outros, afinal.


Mascarada Parte III
14/03/2011 | Categoria: Amor, Conto

Esta é a continuação do conto “Mascarada.” A parte I e II podem ser conferidas nas páginas anteriores do site.

— Eu sei que sentimentos movem algumas pessoas. — Eu respondi. — Mas essas pessoas não são como eu. Talvez algum dia você conheça alguém que o rejeite, além de mim, mas até lá, terá que aprender que as coisas não acontecem de modo como você quer, nem sempre.

— Você não está me rejeitando. Se quisesse realmente fazer isso, já teria ido embora há muito tempo, Rose. — Ele deu um riso abafado enquanto curvava os lábios em um sorriso irritante de vitória.

— Eu não estou indo embora porque não tenho como ir. — Provoquei. — E eu nunca vou embora de nenhuma festa como essa sem conquistar alguém. Mas você já é a pessoa desta noite. Se não, já teria ido embora, como você mesmo disse. E não foi. — Eu ri, levantando os ombros. — Quem é mesmo o vitorioso?

— Você sabe, que até o final dessa noite, estará apaixonada por mim como todas as outras. — Ele colocou sua mão na minha, me conduzindo para o carro que me levaria para casa. — É assim que as coisas tem que acontecer.

Eu bufei, entrando no carro. Não tinha escolha alguma, não poderia ir sozinha para casa. O temporal caia lá fora, o céu já estava escuro e a noite sombria caia como nunca antes. A cidade estava com as luzes quase apagadas, escuras. É como se toda a cidade estivesse no baile.

Eu não entendia o jogo que estava acontecendo entre nós. Era óbvio que os dois precisavam provar algo para alguém, talvez ele quisesse fazer ciúmes para alguma garota da cidade com qual pretendia se casar. Um partido como ele não ficava solteiro por muito tempo, principalmente com o belo sorriso e a conta bancária. Um de meus planos era conquistar o seu amor – como o de todos os outros ao longo de tantas noites – mas ele me parecia que já havia vindo preparado e sabia de tudo. Ele sabia jogar aquele jogo quase melhor do que eu.

— Onde estamos indo? — Eu perguntei, enquanto tentava avistar minha casa ao longo das ruas desertas. Não enxerguei nada, apenas uma casa distante. O medo estampou minha expressão. Eu nunca havia passado por isso antes.

Certamente, não é a sua casa.


Mascarada Parte II
01/03/2011 | Categoria: Amor, Conto

— O que você sabe sobre mim? — Eu ri, tentando demonstrar superioridade. — Você nada mais é do que um homem rico que acha que o mundo gira em torno de si mesmo.

— Eu não sou apenas um homem rico, e sei muito mais sobre você, que nem imagina. Todos os homens que você já quebrou os corações, eles estão sofrendo hoje. — Ele deu um sorriso malicioso. — Eu sei que você planejava me dar a melhor noite de minha vida e me largar em pé no meio do salão também, mas eu já sei o que você faz. Eu sou pior.

É impossível não se apaixonar por mim e você sabe muito bem disso. — Eu respondi, tirando suas mãos de minha cintura. — Não me procure mais, a não ser que seja para dizer que você não vive sem mim. E mais tarde ou não, isso vai acontecer.

Eu sai no meio da dança e o deixei parado sozinho, com os olhos chocados. Ele não acho que eu fosse o deixar tão cedo, mas não ia desistir nunca de ver seu coração aos pedaços e seus olhos cheios de lágrimas pedindo para que eu se apaixonasse por ele. Eu não ia me apaixonar! Amor, amor. Para que isso existia? Absolutamente nada. Só fazia as pessoas correrem atrás de um sentimento invisível que poderia destruir seus corações em segundos. Eu não entendia as pessoas que morreriam por ele todos os dias, achavam que suas vidas não teriam mais sentido. Eu achei isso. E me ferrei do jeito mais destruidor que poderia existir.

Sai do salão com pressa, pois não queria ver aquele homem nunca mais na minha vida. Pegaria carona com o primeiro que oferecesse, afinal, uma dama como eu – Rose – nunca ficava sem um acompanhante. Eu era a mais bonita, e eles nunca me deixariam sozinha na chuva que caía lá fora. Me aproximei de alguns homens de terno enquanto puxava um pequeno guarda-chuva para me proteger da chuva.

— Você pode me dar uma ajuda? — Eu dei um sorriso cintilante para o homem parado ao meu lado. — Não tenho como voltar para casa.

— Mas é claro, dama. — Ele me deu a mão para seguir até o carro, quando senti mãos pesadas sob meus ombros.

— Não se preocupe com isso, ela vai embora comigo. Eu vou levá-la. — A voz dele encheu meus ouvidos! Eu mal sabia o seu nome. O que ele queria comigo?

— Eu sou a garota quebra, corações, você não se lembra? — Eu dei um sorriso falso para ele enquanto segurava meu vestido e saia para a chuva. Ele tentou me puxar, mas eu resisti bravamente, enquanto continuava a sentir o frio e a chuva forte em minha pele.

— Talvez você seja, mas é inegável que tem sentimentos e não pode esconde-los em todos os momentos. — Ele sorriu. — Porque a vida é muito mais que conquistas, fingimento. A vida são os nossos sentimentos. É tudo sobre eles, o tempo todo. Quer você queira ou não, eles nos movem.

Obrigada pelos comentários do conto. Ele continuará claro! E terá provavelmente umas cinco partes.


Mascarada Part I
27/02/2011 | Categoria: Amor, Conto

A menina de cabelos pretos e olhos azuis como o mar entrou no salão de festas. O palácio havia sido decorado de sua melhor maneira, e ela estava mais bonita do que nunca. Os olhares automaticamente se voltaram para ela, a estranha desconhecida que nunca adentrara as festas da alta sociedade. Seus lábios estavam preenchidos por um vermelho como o vinho. Os cabelos ondulados caiam nas costas, e o vestido rosa claro a passava imagem de pureza. O que ela menos tinha. Afinal, Rose só estava ali para quebrar corações. Ela queria ouvir as lágrimas, a amargura, a decepção de homens que tanto haviam quebrado com o seu coração. Mas ela se cansou disso, e decidiu que agora era a sua hora de quebrar alguns. Porque aquela raça realmente merecia. E o que mais dói em seu coração, até hoje, é pensar que nunca mais realmente se apaixonou por alguém. E isso não ia mudar naquela noite.

— Quer dançar? — A voz sedutora surgiu atrás dela, enquanto esperava parada perto de uma das mesas coberta de panos de linho. Ela sorriu involuntariamente, olhando para o homem alto e moreno, com um terno de melhor qualidade, parado em sua frente. Eu o encarei. — Você é muito corajoso. — Eu respondi, com minha voz dura de sempre. — Me chamar para dançar quando nenhum outro homem neste lugar ainda se aproximou.

— Eu não sou como os outros homens deste lugar, e essa é a primeira coisa que você tem que saber de mim. — Ele me respondeu, enquanto colocava suas mãos na minha cintura e me levava para o centro do salão, que tocava alguma entendiante música para os casais que fingiam estar apaixonados. Muitos dos homens ali iriam se encontrar com suas amantes depois da festa, enquanto sorriam para suas esposas idiotas que assistiam à tudo com um copo de vinho na mão. Submissas.

Ele me levava consigo enquanto a música embalava nossos ouvidos e nossos pés. Aos poucos, a dança se tornou perfeita, e t0do o público do salão se virou para nós, presenciando esse momento quase perfeito. Eu me virei para ele e pensei que talvez já estivesse tarde demais para quebrar seu coração. Mas não era. Ele havia me convidado para dançar e agora eu deveria jogá-lo fora, como fazia com todos os outros.

— Você me parece o tipo de dama que encanta a todos. — Ele disse. — Mas não se prende à ninguém.

— Eu nunca dou uma chance. — Eu sorri amarelo. — As pessoas é que me devem muitas chances hoje em dia.

— Porque você simplesmente foge do amor? — Eu dei um passo para trás. — Eu te conheço, Rose. Eu sei quem você é.

— Você não sabe quem eu sou. — As palavras fugiram da minha boca. Droga! Não podia ser assim. — Eu quebro corações quando quero. E ninguém vai me impedir.

Eu vou impedir. — Ele colocou o dedo em minha boca vermelha. — Você não vai quebrar o meu.