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    Livro: Siga Os Balões

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  • March 4, 2014
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    Saio de casa com o intuito de achar algo que me inspire a escrever. Estou numa caçada do irrisório cotidiano. Motivado a encontrar algo circunstancial e poder relatar o comportamento humano. Seja em um jovem bêbado saindo de uma festa, numa criança fazendo birra ou num adulto desinteressado que só pensa em poder colocar a cabeça no travesseiro e descansar. Torno-me um simples observador, alheio ao tempo e espaço. Chove. Mas eu não me preocupo em estar molhado, é só uma pequena garoa e a aceito de bom grado.

    Ando sem direção pelas ruas escuras e movimentadas do bairro desconhecido do qual fui parar. Mais a frente encontro um café. Resolvo entrar, talvez tire a sorte grande. Sento-me no balcão localizado ao fundo do local. Tiro da bolsa meu caderno e uma caneta. Peço um cappuccino e ponho a me observar o ambiente. Rústico e acolhedor. Passo os olhos ao redor, há pessoas de todos os tipos aqui, mas não posso absorver histórias delas. Todas agem da mesma forma. Conversam, alimentam-se, agem naturalmente. Não há mistério nisso.

    Meu cappuccino chega, tomo um gole e continuo a observar. Meu olhar encontra um casal com atitudes diferentes e por isso destacam-se entre todos ali. Ao contrário de muitos, eles não estão se divertindo, trocando carinhos e muito menos apreciando a companhia do outro. Não sei o que conversam, mas a discussão é obvia entre eles.

    O rapaz está de cabeça baixa, tem o semblante triste e decepcionado. A moça, com um olhar firme e acusador, parece determinada e enquanto esta fala o moço só balança a cabeça concordando seja lá com o que ela diz. Apesar da discussão desse casal, ambos continuam sentados próximos. Movem-se em sintonia, o que na minha visão representa o quão importantes são na vida um do outro.

    O moço levanta a cabeça e olha firmemente nos olhos da companheira. Noto dessa vez uma suplica oculta nesse gesto simples. Fico perguntando-me o que ele fez, ou será que foi ela? Não sei. Mas concluo que eles vão se resolver e, se não, fico a imaginar como será a vida deles dali para frente. Há amor em volta desse casal, mas só isso não basta.

    A moça percebe meu olhar e sustenta-o, o rapaz acompanha seu gesto. Logo estou sendo encarado pelos dois e entendo que estou invadindo a privacidade deste casal. Por fim, sinto que está na minha hora. Desvio o olhar, guardo meu caderno e caneta, tomo o ultimo gole do meu cappuccino já frio, deixo o dinheiro em cima da mesa e saio do café para entrar na fria e solitária noite.

    February 1, 2014
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    Você me transborda de tanta presença em mim. Provoca um rompante e quebra a ponte justamente na intercepção de meus medos e minha coragem insana de amar. Os resquícios não me deixam mentir que você passa por aqui e não permanece, ou permanece e cansa logo e vai embora deixando um turbilhão de neuras que se propagam por todo o meu corpo provocando um alagamento em meus olhos e me afogo em meio às salivas que não descem mais à garganta.

    Você me provoca acidez na boca causada pela amargura de suas palavras mal escolhidas para dizer que não me quer mais. Me deixa estacionada em frente a porta da sala após sair sem nenhuma preocupação de ter ferido meu ego emocional. É que a sua ignorância não tem limites comigo e é sua forma de dizer que tem algo ai dentro de você que se importa, mesmo que seja em manter o controle para não perder a sua indestrutível arma da razão.

    Mas ambos sabemos que você perde o contexto das coisas ao entrar pela porta da frente novamente e declarar que não sumirá mais e que estava de cabeça quente e que você é aquele amor-vem-e-vai que toda mulher um dia vai ter e que são esses amores os verdadeiros. Você me convence a te deixar entrar e ficar mais um dia comigo, ai é o caos total novamente.

    Você me sorri e me desenha. Seus olhos conversam comigo e me dizem que você é aquele cara-com-cara-de-idiota-mesquinho-possessivo e eu sorrio da forma como me pede um abraço de reconciliação. Você não tem jeito, eu não tenho jeito e nós não temos jeitos. Somos aquele emaranhado de sensações que causam choques, desentendimentos e reconciliações. Nos chocamos com nossa teimosia. Cada qual contando uma versão, querendo descrever de forma diferente o mesmo lado da moeda.

    É que você não entende o que eu quero dizer quando te digo que não importo mais e você foge de novo para o seu mundo de cafajestes que tiveram uma desilusão amorosa e bebe um porre e esquece na mesma hora que te mandei embora e me liga falando as palavras carregadas e embargadas. Custo entender o que você diz: “eu bebi para substituir a minha abstinência de você”. Vinte minutos depois entrego o dinheiro para o taxista enquanto você já deitou de qualquer jeito na minha cama e caiu no sono.

    Cansada dos nossos jogos te observo dormir e decido: não vou mais te expulsar da minha casa. É porque percebo que você me pertence e eu a você. Que em cada célula do meu corpo você está presente e a cada gota do seu sangue eu habito. E não há briga que nos tira a presença do “nós” em nossas vidas.

    December 19, 2013
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    A escritora mineira de BH, Fernanda Mello decidiu deixar suas crônicas mais dinâmicas e expressar seus pensamentos sobre relacionamentos de uma forma diferente. É que ela transformou seus textos em videos recheados de poesia. Com seu carisma e sotaque envolve quem a ouve em suas crônicas digitais. Penso que aqui o objetivo é estimular e encorajar as pessoas a debaterem sobre este tipo de assunto: relacionamento e comportamento, tornando mais fácil cada um deixar sua opinião em claro, tirar seus modo de pensar do papel.

    Quer mais um motivo para conferir seu trabalho? Além de escrever crônicas, ela já compôs músicas para alguns artistas famosos, como Wanessa Camargo e Jota Quest, inclusive a letra de Só Hoje, é dela. Deixo abaixo uma das minhas crônicas digitais preferidas e sua transcrição. Para conhecer melhor seu trabalho, visite seu blog.

    ENCONTROS E DESENCONTROS

    Percebo que, hoje em dia, as pessoas estão muito exigentes em relação ao amor.  Qualquer passo em falso: Adeus!  Não aceitamos erros alheios. Não aceitamos qualidades no outro que, pra nós, sejam defeitos. Queremos que todos estejam conectados com nossas expectativas, que estão altíssimas e não param de crescer. O que nos é possível, não nos interessa. Almejamos o perfeito. O irreal. O ilusório. Queremos sempre o melhor, mesmo que o “melhor” não se adéque à nossa vida.

    Vivemos – na verdade – na era da Intolerância. Do imediatismo.  Da falta de paciência. Seja com downloads lentos, celulares fora de serviço. Ou pessoas que não seguem o nosso ritmo.

    No meio do caos,  esquecemos o essencial: para se relacionar, é preciso tempo.  Tolerância. E uma boa dose de bom senso. Não, pessoas não são descartáveis. Não existe manual, nem informações no rótulo.  Quer saber? Todo mundo tem lá seus “defeitos”. Mas, nessas horas, não existe “loja autorizada”, nem garantia. No máximo, uma terapia ou um bom ombro amigo pra se reajustar.

    Agora, minha pergunta: porque andamos, assim, tão exigentes? Será culpa da tecnologia e sua crescente evolução? Será falta de auto-conhecimento e amor próprio? Será que, no fundo, temos medo de amar e nos autoboicotamos com situações que nunca vão dar em nada?

    Pode ser um pouco de cada coisa. Outro dia, ouvi uma frase interessante de uma amiga: o dilema da mulher moderna é saber, ao certo, o que ela procura. Porque, se ela procurar, vai achar! Achei de uma sabedoria incrível. E pensei: ao dizer isso, sei que muita gente vai me criticar. Mas pense comigo: será que estou, de fato, errada?

    Não, não vamos colocar a culpa no outro. Se as coisas não estão dando certo, temos grande responsabilidade sobre elas.  Não vamos começar nosso discurso manjado que queremos viver o amor, quando, na verdade, atraímos pessoas problemáticas, instáveis e avessas a compromisso. Se isso acontece uma vez ou outra, tudo bem. Do azar no amor, ninguém foge.

    Mas se o padrão prevalece, então, está na hora revermos nossos conceitos. A gente acha o que – na verdade –  procura. Se encontramos pessoas (e amores) que só nos trazem infelicidade, angústia e ansiedade, o melhor a fazer é nos voltarmos para dentro. E repensarmos quem somos.  E o que realmente queremos.

    Olha, eu não sou psicóloga, nem dona de nenhuma verdade. Adoro lugar comum, gosto de escrever sobre o que meu coração dita. Sei que ninguém gosta de aceitar suas culpas, muito menos admitir quando faz escolhas erradas. Mas, se estou aqui hoje, dando a cara à tapa, é porque descobri que me boicotei durante muitos anos. É, fugi do amor com medo de perder minha liberdade. Ou com medo de perceber que ter um relacionamento não traz garantia nenhuma de felicidade.  (Adeus sonhos de adolescente!).

    Agora, eu vejo que viver o amor nada mais é do que conhecer a si mesmo profundamente e entender quem a gente é. E o que nos faz bem. Portanto, antes de colocar a culpa da sua vida amorosa no outro. No destino. Em algum karma. Ou em qualquer lugar fora de você, pense bem. Nós encontramos fora o que – na verdade – mora aqui dentro.

    November 7, 2013
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    Tentar voltar no tempo para mudar algo é a mesma coisa que tentar calçar um sapato que não te serve mais: é esforço em vão. Isso acontece porque o passado não permite que ninguém o mude, ele permanece intacto mesmo diante de suas forças para muda-lo. Não adianta bater o pé porque o que ficou para trás não muda mais. O que resta a nós são as lembranças, que por sinal devem ser guardadas em um local seguro com tanto carinho quanto possível.

    O tempo não é como uma música onde você pode voltar e começar a ouvir desde o inicio. Ele é permanente. O que aconteceu agora não pode ser mudado depois. E também não vejo razão para tentar mudar algo. O que foi feito era o que parecia certo e mesmo que no final tenhamos errado, sempre aprendemos alguma coisa. Se todas as vezes que quiséssemos mudar o passado e pudéssemos o fazer, não sairíamos do lugar, não evoluiríamos e nunca conheceríamos o futuro.

    Como diz nossa querida Clarisse Lispector: se passado fosse bom, seria presente. Aprender a perdoar o passado é a melhor forma de deixa-lo para trás. Estar de bem com ele é garantia de felicidade para o presente e futuro. Esse tempo é responsável pelo maior parte do que somos hoje e são por causa de escolhas feitas antes que encontramos onde estamos. Porque a decisão que tomamos no passado nos levou para esses caminhos que trilhamos no presente.

    Talvez a razão de sermos tão apegados ao passado é que não damos valor às coisas que possuímos e só vamos saber o quanto elas nos são importantes quando as perdemos, quando as deixamos no pretérito perfeito e não podemos fazer nada para as possuirmos novamente. Esse é o nosso erro: não dar valor ao que possuímos enquanto os temos e tentar recuperá-lo quando já nos é inalcançável, o que nos leva a querer a voltar ao passado e tentar muda-lo.

    Mas tratando-se de pretérito perfeito precisamos nos conformar que ele é imutável, estático e voltar a ele não é a melhor solução, pois ele não permite devolução. O que resta é aceitar o produto sendo estragado ou não e construir em cima deste o seu futuro.

    November 5, 2013
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    A vida é feita de escolhas. O amor também. Podemos escolher entre a felicidade plena e linear, ou a vulnerabilidade da paixão. Mesmo quando temos a chance de optar pela serenidade de um sentimento maduro, concreto e estável, há quem prefira aquela dúvida de um olhar correspondido. Não tem jeito, algumas pessoas não se adaptam ao outono de uma relação duradoura. Preferem o fogo no vão da incerteza, o desafio constante da autoestima.

    Não é fácil escolher entre o calor que incendeia e o morno que aquece. É uma armadilha do destino, que instiga as nossas vontades urgentes. Uma paixão que desatina nos faz refletir sobre tudo que nos envolve. Somos tomados por um desejo de eternidade daquela sensação flutuante de êxtase. O problema é que a paixão nunca será eterna. O fogo que queima a pele é inebriante, porém efêmero, como todo ápice da vida. Nem sempre temos a maturidade necessária para entender isso.

    A adrenalina do caos emociona. Mais do que isso: ensina. Estar envolvido num turbilhão de sentimentos, dúvidas e sorrisos, permite uma visão além do corpo. Lidarmos com a tempestade nos prepara para as adversidades do tempo. Enfrentar obstáculos é mais do que edificante. É recompensador.

    Muitas vezes fazemos escolhas erradas. Escolher é também renunciar, abdicar algo que não consideramos o ideal para aquele momento. A resposta se acertamos ou não pode vir muito tempo depois, mas o segredo é sempre tomar uma decisão com o coração, jamais com a cabeça. Se a razão lhe cobrar depois, responda que a sua consciência emocional está tranquila. O que não podemos fazer é insistirmos numa escolha equivocada. Não existem decisões definitivas.

    Nenhuma escolha é fácil, especialmente na vida amorosa. Aquele cara que mexe comigo como ninguém, ou aquela pessoa que me completa e me entende? Uma vida suspeitando daquela mulher que não sei se posso confiar, ou aquele homem bem sucedido, gentil e que me faz rir?

    Nossa felicidade depende das nossas escolhas. Quero ser feliz agora ou pra sempre?

    Você escolhe!

    Sobre o Autor: Chico Garcia é jornalista e cronista da vida real. Romances, experiências e novas descobertas em cada palavra, em cada memória. Conheça seu blog!

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