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  • Arte: Juliana Rocha
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  • October 29, 2013
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    Mas um dia a gente se encontra em uma rua qualquer e você me convida para um café que fica na próxima esquina no qual costumávamos nos encontrar. Pedimos o de sempre e o clima de nostalgia nos acompanha. Você me observa enquanto mexo o saquinho de chá dentro da xícara e isso é sinal de que a vergonha passou por mim e ficou. E percebemos que nada mudou, quero dizer, eu e você mudamos, mas o nós de nós dois juntos, isso não mudou nada. E de repente começamos a rir porque estamos pensando exatamente sobre isso e estamos nervosos. Mordo os lábios. Mais um sinal o que indica meu nervosismo por estarmos ambos calados. E você coloca sua mão em meu queixo fazendo com que meus dentes soltem meu lábio inferior, como fez inúmeras vezes antes.

    E de repente começamos uma conversa desenfreada por lembranças que somente nós conhecemos. E já não falamos mais do passado, mas o que queremos do futuro. Percebo que continua querendo formar em engenharia e você ri por eu ainda sonhar em ter meus livros nas prateleiras das bibliotecas e livrarias. Isso te faz lembrar da promessa que fiz sobre escrever nossa história e confesso que falta apenas alguns capítulos, mas terei de acrescentar mais um para contar esse encontro inesperado que tivemos.

    Depois de outros dois anos, estamos aqui. Queria acreditar que as coisas não mudaram tanto, mas mudaram e mesmo parecendo o contrário somos pessoas diferentes agora. Temos os mesmos planos, mas de uma forma mais madura. O silencio paira sobre a gente e ao te olhar encontro em seu pescoço a corrente que te dei de presente no seu aniversário. Você afirma que nunca a tirou desde nossa ultima conversa e sempre que te perguntam dela você diz apenas que é algo especial. Não sei como reagir quanto a isso e tentando mudar de assunto pergunto sobre sua mãe. Você diz que ainda continua citando meu nome a toda discussão que vocês têm e que talvez até hoje ela não tenha aceitado nosso fim. Eu dou risada disso, porque só ela agiria assim. Você entorta a cabeça para o lado e dá um sorriso, dizendo que esse som é o mais lindo que já ouviu. Volto a mexer meu chá.

    Te pergunto sobre as garotas e você diz que namorou uma, mas não durou três meses, ao questionar o porque, você apenas me responde que não era ela. Tenho a impressão que sua resposta quer dizer mais do que aparenta, mas não digo nada. Você continua contando que ficou com muitas meninas depois que terminamos, mas com o tempo tudo foi perdendo a graça. Já eu conto que fiquei na minha durante um tempo, tentando me adaptar a nova rotina, mas depois comecei a sair com algumas amigas e encontrei uma nova forma de encarar a vida. Digo sobre os caras, que não namorei outro e nem quero por agora, brinco que estou na lei do desapego, só para não confessar que não quero correr o risco de me machucar novamente, porque as feridas antigas ainda estão abertas.

    Olho o relógio, vejo que já se passaram duas horas e meia e realmente preciso ir. Você me passa seu numero e eu o meu a você. Agradeço pelo chá, pela tarde e pela conversa. Antes de ir, você me compra um bombom, o de sempre de alguns anos atrás, agradeço mais uma vez. Nos despedimos, você me acompanha até a porta do café e eu vou embora sem olhar para trás.

    Enquanto caminho ouço meu celular tocar indicando uma nova mensagem. Ao olhar sorrio: “A melhor tarde que tive desses dois anos, obrigado. Podemos repetir?”.

    October 15, 2013
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    Você sempre me disse que sua maior mágoa era eu nunca ter escrito um texto sobre você. Nem que fosse te xingando, te expondo. Qualquer coisa.

    Você sempre foi o único homem que me amou. E eu nunca te escrevi nem uma frase num papelzinho amassado.

    Você sempre foi o único amigo que entendeu essa minha vontade de abraçar o mundo quando chega a madrugada. E o único que sempre entendeu também, depois, eu dormir meio chorando porque é impossível abraçar sequer alguém, o que dirá o mundo.

    Outro dia eu encontrei um diário meu, de 99, e lá estava escrito “hoje eu larguei meu namorado sentado e dancei com ele no baile de formatura”. Ele, no caso, é você. Dei risada e lembrei que em todos esses anos, mesmo eu nunca tendo escrito nenhum texto para você, eu por diversas vezes larguei vários namorados meus, sentados, e dancei com você. Porque você é meu melhor companheiro de dança, mesmo sendo tímido e desajeitado.

    Depois encontrei uma foto em que você está com um daqueles óculos escuros espelhados de maconheiro. E eu de calça colorida daquelas “bailarina”. E nessa época você não gostava de mim porque eu era a bobinha da classe. Mas eu gostava de você porque você tinha pintas e eu achava isso super sexy. E eu me achei ridícula na foto mas senti uma coisa linda por dentro do peito.

    Aí lembrei que alguns anos depois, quando eu já não era mais a bobinha da classe e sim uma estagiária metida a esperta que só namorava figurões (uns babacas na verdade), você viu algum charme nisso e me roubou um beijo. Fingindo que ia desmaiar. Foi ridículo. Mas foi menos ridículo do que aquela vez, ainda na faculdade, que eu invadi seu carro e te agarrei a força. Você saiu cantando pneu e ficou quase dois anos sem falar comigo.

    Eu não sei porque exatamente você não mereceu um texto meu, quando me deu meu primeiro cd do Vinícius de Morais. Ou quando me deu aquele com historinhas de crianças para eu dormir feliz. Ou mesmo quando, já de saco cheio de eu ficar com você e com mais metade da cidade, você me deu aquele cartão postal da Amazônia com um tigre enrabando uma onça.

    Também não sei porque eu não escrevi um texto quando você apareceu naquela festa brega, me viu dançando no canto da mesa, e me disse a frase mais linda que eu já ouvi na minha vida “eu sei que você não gosta de mim, mas deixa eu te olhar mesmo assim”.

    Talvez eu devesse ter escrito um texto para você, quando eu te pedi a única coisa que não se pede a alguém que ama a gente “me faz companhia enquanto meu namorado está viajando?”. E você fez. E você me olhava de canto de olho, se perguntando porque raios fazia isso com você mesmo. Talvez porque mesmo sabendo que eu não amava você, você continuava querendo apenas me olhar. E eu me nutria disso. Me aproveitava. Sugava seu amor para sobreviver um pouco em meio a falta de amor que eu recebia de todas as outras pessoas que diziam estar comigo.

    Depois você começou a namorar uma menina e deixou, finalmente, de gostar de mim. E eu podia ter escrito um texto para você. Claro que eu senti ciúmes e senti uma falta absurda de você. Mas ainda assim, eu deixei passar em branco. Nenhuma linha sequer sobre isso.

    Depois eu também podia ter escrito sobre aquele dia que você me xingou até desopilar todos os cantos do seu fígado. Eu fiquei numa tristeza sem fim. Depois pensei que a gente só odeia quem a gente ama. E fiquei feliz. Pode me xingar quanto você quiser desde que isso signifique que você ainda gosta um pouquinho de mim.

    Minhas piadas, meu jeito de falar, até meu jeito de dançar ou de andar. Tudo é você. Minha personalidade é você. Quando eu berro Strokes no carro ou quando eu faço uma amiga feliz com alguma ironia barata. Tudo é você. Quando eu coloco um brinco pequeno ao invés de um grande. Ou quando eu fico em casa feliz com as minhas coisinhas. Tudo é você. Eu sou mais você do que fui qualquer homem que passou pela minha vida. E eu sempre amei infinitamente mais a sua companhia do que qualquer companhia do mundo, mesmo eu nunca tendo demonstrado isso. E, ainda assim, nunca, nunquinha, eu escrevi sequer uma palavra sobre você.

    Até hoje. Até essa manhã. Em que você, pela primeira vez, foi embora sem sentir nenhuma pena nisso. Foi a primeira vez, em todos esse anos, que você simplesmente foi embora. Como se eu fosse só mais uma coisa da sua vida cheia de coisas que não são ela. E que você usa para não sentir dor ou saudade. Foi a primeira vez que você deixou eu te olhar, mesmo você não gostando de mim.

    E foi por isso, porque você deixou de ser o menino que me amava e passou a ser só mais um que me usa, que você, assim como todos os outros, mereceu um texto meu.

    Sobre o autor: Tati Bernardi é uma autora e cronista brasileira,  é colunista de variadas revistas famosas brasileiras. Jovem, com uma escrita acessível, Tati é adorada pelas jovens pelo simples motivo de que seus textos transparecem sentimentos, o que os torna mais fácil de serem identificados. Saiba mais sobre ela no seu site.

    October 8, 2013
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    Se eu não tivesse você pra me lembrar de limpar as mãos, os braços, o queixo e o lábio no seu, eu sairia por aí cheio de molhos, doces, sorvetes e de todas as coisas que lambuzam a gente quando a gente se permite lambuzar. Talvez eu tivesse mais dinheiro guardado na poupança e nada, nadinha, nada mesmo na agenda e fora dela por seus convites fora de hora e fora de padrão e você gosta de ver as estrelas? Só gosto delas quando aponto pra algumas e você toca no meu braço me mandando baixar a mão. Sem isso seriam só umas estrelas salpicadas num céu-azul-escuro-sem-graça-nenhuma-e-sem-você.

    Se eu não me embaraçasse em você pra achar alguma posição confortável na cama, talvez eu caísse no chão fugindo de um sonho ruim em todas as noites frias. E tenho certeza de que engordaria menos, mas olha pra mim e diz se você se importa tanto com isso ou se prefere que a gente divida a sobremesa e divida os momentos e divida a nossa vida numa estranha divisão que não diminui e nem deixa cada um com só um pouquinho do outro. Se eu não tivesse você eu teria reprovado em álgebra porque não saberia somar. Não saberia daquelas coisas que você me ensina e nem me encantaria com facilidade quando você pega no volante e diz que vai me levar pra algum lugar bacana que eu ainda não conheço. Bobagem, meu bem, você é meu lugar-comum-especial-pra-vida-toda nessa noite.

    Se você não tivesse esbarrado, me olhado, insistido em não parecer invisível e me dado aquela puxada sensível no braço eu nunca, nunca, nem mesmo hoje em dia, acreditaria que tem coisas erradas que precisam acontecer pra gente se encontrar lá na frente porque o nosso clichê foi assim. Foi no jeito com que eu paro subitamente de falar pra te ouvir disparando sentenças e se pegar constrangida, me olhando e se perguntando o que é que eu tô olhando. Eu tô olhando a sua forma desordenada, fora do tom, um tanto quanto desafinada de gesticular e me fazer rir no meio da praça de alimentação do shopping por ser você.

    Se eu não tivesse você, eu ia ter aquele vazio que eu tinha faz tanto tempo e tanta chuva e tanta gente que passava e esbarrava e nunca ficava como você ficou. Você ficou e ficou mais um pouco, fica mais um pouco, vai ficando e não se acomoda, viu? Me incomoda, me acorda quando eu dormir no seu banco de carona e te deixar sozinha, me atordoa com a saudade que nem dura uns três dias direito e me diz que a noite só foi boa porque eu desejei que fosse, porque eu deitei com você do outro lado da linha. Me diz que não importa quão brega-apaixonado-bobo-despreocupado eu possa parecer, que importa é que dá pra ver como eu fico feliz e me faço feliz por ter você. Diz que me odeia, mas diz com aquela forma meio irritada pra si mesma porque você sabe que é uma daquelas mentiras mal contadas, daquelas que faria o seu nariz crescer e que nem entonação de atriz faria mudar. Diz que se eu não tivesse você, você daria um jeito de me acordar com voz de sono só pra eu virar pro lado e sonhar em ter você mais uma vez.

    Sobre o autor: Daniel Bovolento é colunista de alguns sites e blogs e também redator publicitário. Está no twitter @danielbovolento e escreve em seu site, sempre atualizado Entre todas as coisas.

    September 25, 2013
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    Você soltou minha mão e continuou seu caminho sem mim. E eu fiquei apenas observando nossas vidas se afastarem a cada novo passo que dava sem olhar ao menos para trás. Não houve despedidas. Sua partida surpreendeu-me tanto que não pude pensar em um modo de te fazer permanecer, e mesmo se houvesse uma maneira, não seria o suficiente para te fazer ficar, porque você, meu bem, já havia decidido ir. O seu silencio por tanto tempo já era a resposta para a pergunta que me incomodava por dentro. Eu só não sabia que silencio também é resposta, mas agora eu sei e percebi que há muito você me dava pistas de que iria embora deixando comigo a sua falta e alguns poucos pertences. Eu só não previa que seria tão logo. E se fosse possível pedir, pediria que voltasse, que ficasse mais um pouco e me desse a honra de apreciar a sua insubstituível companhia e pudesse preparar-me para a sua ida, ou talvez ficasse mais difícil ainda o adeus.

    Não houve nem mesmo um olhar de “sinto muito!”. Não houve troca de olhares porque você não foi capaz de sustentar a angustia que meus olhos traziam. E enquanto me permanecia – ou tentava – determinado a olhar-te com meus olhos duros e cheio de dores, porem em busca de respostas, sua cabeça cabisbaixa dava a certeza que a sua covardia e orgulho eram maiores que qualquer sentimento de afeto que um dia sentiu por mim. A sua falta de consideração por uma despedida justa me trouxe uma sensação esmagadora que me afeta nas noites de solidão causada pela sua não presença. E fico horas deitado na cama acompanhado com o silencio que um dia foi preenchido por sua respiração. Duas, três, quatro horas da manhã e nada do sono chegar me tirando o vazio que ficou por você ter ido. É comum acostumarmos com rotinas, porém não se acostuma com noites silenciosas, pelo contrario se torna cada vez mais difícil.

    É que os dias também ficam monótonos quando não esta aqui e fico preso nas lembranças que você deixou, na esperança de que um dia elas não doam mais e que só me arranquem sorrisos ao invés de lagrimas. Já aprendi que devo evita-las porque a dor latejante que sentimos ao lembrar de algo que partiu fica insuportável quando estamos sozinhos, mas fica difícil não pensar em você quando esta tudo quieto ou quando meu olhar vago se prende a algo. E eu te encontro e reencontro nos meus sonhos, no sofá da sala e em cada lugar que frequento, porque você foi, mas deixou um pedacinho seu em cada canto.

    E eu sinto a sua falta. Falta porque ela é a única que me trás você de volta. E você não disse um “adeus, meu bem” o que me deixou esperanças de que sua partida fosse breve e que logo voltasse. Você foi e eu fiquei. Fiquei na angustia da espera e esqueci de continuar meu caminho. Ate mesmo quando sumiu de vistas permaneci parado no lugar na expectativa de que meus olhos voltassem a te ver retornando para meus braços que continuam abertos para você. Enfrentei a chuva do inverno e nada de você retornar. Peguei gripe, fiquei todo ensopado esperando por você, no final tudo em vão, porque você não voltou.

    Mais uma noite chegou. Apaguei a luz, mas dessa vez também apaguei você.

    August 25, 2013
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    Confessa rapaz, confessa que se arrependeu de ter a deixado ir e que agora você não sabe o que fazer a não ser procura-la em todo lugar. Na esquina da tua casa, nos cabelos castanhos escuros e curtos de outras mulheres que encontra por ai, no cheiro que não sai do seu nariz, em todas as músicas que escuta tem um pouco dela. Em cada lugar que vai encontra um pedaço dessa moça que você deixou escapar. Confessa rapaz que não está sendo fácil esquecê-la e que tudo o que faz, cada passo que dá, cada atitude que tem, cada movimento a lembrança dela vem a tona e te faz sentir remórcio por ter a deixado.

    E você continua na insistência de encontra-la mesmo sabendo que ela não vai a lugar nenhum onde procura, porque ela não frequenta esses lugares que você vai. Mas você não desiste e cada nova mulher que beija tentando esquecê-la, tem um pouco dela. Seja nas suas mãos procurando aquele cabelo macio ou no modo que cada uma te beija, porque não é como ela o beijava e talvez seja por isso que nunca fique com a mesma mulher, porque não encontrou ela naquele beijo ou naquela conversa.

    E você pode até se interessar por outra, achar outra bonita, mas não é ela. Nenhuma outra vai ter aquele sorriso que ela tinha. Nenhuma vai te fazer dormir tarde, e muito menos te fazer feliz como ela fazia. Você achava que deixando-a ia ser mais feliz, que estava fazendo certo, você escolheu a vida de um cafajeste, achando que teria mais vantagens nisso. Mas o que você não sabia era que ela permaneceria em você em todos os sentidos, em todos os teus pensamentos.

    Você foge para não lembrar, se esconde para não vê-la, mas tudo o que faz só trás mais lembranças e dor por ter deixado talvez a única mulher que amou.

    Mas rapaz, você não vai encontrar o toque dela, aquele beijo ninguém tem e não vai ser fácil encontrar uma mulher que esteja disposta a te amar como ela te amava, a cuidar de você, a te esperar como ela sempre esperou. Não adianta insistir rapaz, você não a encontrará em lugar nenhum, conforme-se com isso. A culpa foi toda sua, você fez essa escolha, então arque com as consequências, ou melhor viva com as lembranças.

    E você nunca irá esquecê-la ou encontra-la em outra mulher porque ela é única, rapaz e você sabe disso. Você sabe que ela é insubstituível.

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