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  • Arte: Juliana Rocha
    Comportamento, feminismo

    #MeuCorpoNãoÉPúblico

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    Série: The Defenders

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  • September 8, 2017
    postado por
    Arte: Juliana Senra

    Arte: Juliana Senra

    No final de Agosto, todo mundo ficou sabendo de mais uma notícia que deixou explícito o quanto as mulheres sofrem com o abuso sexual no Brasil. Uma passageira no ônibus foi alvo de Diego Ferreira de Novais, que ejaculou no seu pescoço. O caso ganhou uma repercussão maior quando o juiz responsável pela causa – José Eugenio do Amaral Souza Neto – não considerou a situação como estupro. Nas palavras dele: “Na espécie, não entendo que houve o constrangimento, tampouco violência ou grave ameaça (…)”.

    O autor do crime já possuía diversas passagens pela polícia por acusações de estupro. Ele foi liberado no dia 30 de Agosto, e no dia seguinte, cometeu o crime novamente, contra outra mulher no transporte público.

    Notícias como essa chocam, revoltam e nos causam desprezo. Mas para muitas mulheres, elas infelizmente não são novidade. Quando eu soube da posição do juiz, eu não fiquei supresa. Porquê no Brasil, nossos direitos são negados e crimes como o abuso sexual passam ímpunes. Eu já vi milhares de vezes isso acontecer; todas nós também vemos, por meio de nossas amigas, colegas, conhecidas, e celebridades. É difícil ser mulher. É difícil resistir todos os dias. Seja no ônibus, na rua, no trabalho, ou até mesmo em nossa própria casa.

    Uma semana antes deste crime acontecer, eu havia testemunhado mais exemplos de como o machismo nos atrapalha diariamente. Não que eu já não tivesse certeza disso, mas vê-lo na sua frente é ainda mais perturbador, e magoa. Duas vezes na mesma semana, eu sai de casa cedo para ir ao centro da cidade (fazendo o caminho de todos os dias), e um homem se aproximou de forma abrupta de uma mulher, enquanto seguia ela pela rua. Ela, nervosa, andava rápido; mas ele insistia. No próximo dia, ele fez o mesmo comigo. E tenho certeza que continua repetindo esse comportamento com outras mulheres.

    Quando eu relatei o que aconteceu em casa, recebi os mesmos conselhos que eu ouço há anos. “Toma cuidado”, “não responda, não se mete com esse tipo de homem, você não sabe o que ele pode fazer.” Nós crescemos ouvindo isso. Nós passamos a vida inteira tendo que tomar cuidado, carregando um medo enorme com a gente, porque não sabemos do que o agressor é capaz. Eu reagi uma vez, quando um homem dentro de um táxi gritou uma cantada para mim, e eu sai atrás do carro e o confrontei.

    O fato é claro: não somos nós que precisamos mudar o nosso comportamento. São os responsáveis que precisam tomar essa atitude.

    Arte: Joana Plautz/Texto: Bê Brandão

    Arte: Joana Plautz/Texto: Bê Brandão

    O resultado da indignação criou o projeto #MeuCorpoNãoÉPúblico, promovido no Catarse e criado por Agatha Kim e o grupo Mad Women, que tem como intuito gerar uma resposta e um sentimento de união entre nós, mulheres. “Um movimento de solidariedade a ela e a todas as mulheres que sofrem abusos diários dentro do transporte público. Esse movimento é para abrir os olhos de que essas histórias acontecem.”

    As mulheres criaram diversos banners que podem virar panfletos, T-shirt, enfim, tudo que você quiser. Nós temos passe livre para divulgar todas as artes, e o projeto nos incentiva a imprimir e colá-los pela cidade, no metrô, no ponto de ônibus, onde você preferir. Você pode acessá-los todos aqui.

    As ilustrações misturam criatividade, textos e desenhos que representam essa campanha de maneira sensacional. Divulgue, mande para as amigas e todo mundo que você conhece! E se possível, apoie o projeto no Catarse também.

    Arte: Juliana Rocha

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