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    Uma pausa para resistir

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    Filmes

    Filme: Nasce Uma Estrela

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  • Outubro 16, 2018
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    Título: Nasce Uma Estrela (A Star is Born)

    Diretor (a): Bradley Cooper

    Elenco: Lady Gaga, Bradley Cooper, Sam Elliot, Rafi Gavron

    Sinopse: Jackson Maine (Bradley Cooper) é um cantor no auge da fama. Um dia, após deixar uma apresentação, ele para em um bar para beber algo. É quando conhece Ally (Lady Gaga), uma insegura cantora que ganha a vida trabalhando em um restaurante. Jackson se encanta pela mulher e seu talento, decidindo acolhê-la debaixo de suas asas. Ao mesmo tempo em que Ally ascende ao estrelato, Jackson vive uma crise pessoal e profissional devido aos problemas com o álcool.

    A Star is Born estreou no Brasil em 11 de Outubro, e carregando boas críticas mundo afora – principalmente durante a sua estreia no festival de Veneza, e posteriormente nos Estados Unidos – o longa é inspirado no remake de mesmo nome, estrelado por Barbra Streisand e Kris Kristofferson em 1977. A nova versão começou a ser produzida em 2015, quando Bradley Cooper estava escrevendo o roteiro. Esse é o primeiro filme dirigido pelo ator, e também a estreia de Lady Gaga no cinema; os dois artistas se conheceram há um tempo atrás, e após cantarem juntos, a química imediata mostrou que Gaga era a pessoa perfeita para interpretar a protagonista Ally.

    Acompanhamos no longa, desde as primeiras cenas, a jornada de Ally, que tem 30 e poucos anos e uma voz poderosa. Apesar de todo o seu talento, ela não engatou na carreira de cantora, ao ser negada diversas vezes por gravadoras, principalmente pela sua aparência física (“diziam que o meu nariz era muito grande”, a personagem relata durante as cenas). Mesmo sem a fama, Ally se apresenta em um bar de drags à noite, quando sai do seu trabalho “fixo”. É lá que conhece, meio que por acaso, Jackson Maine (Bradley Cooper), vocalista de uma banda famosa que procurava um bar aleatório pela cidade após o seu show. Ele fica impressionado com a voz da protagonista, e encantado por ela.

    O primeiro ponto que vale destacar é como Gaga e Bradley estão confortáveis na pele dos personagens. Ambos são complexos, cheios de nuances e o filme explora, em suas quase duas horas e meia, a personalidade de Ally e Jackson. A garota é um pouco envergonhada e nunca cantou as suas próprias músicas, apesar de ser uma compositora talentosa. E Jackson tem toda a confiança de um músico famoso, mas carrega o vício em bebidas e drogas junto com ele. Os dois atores mergulham com tudo nos papéis. Destaque também para a capacidade de Bradley de representar tão bem um rockstar. O ator passou 9 dias na companhia de Eddie Vadder, vocalista do Pearl Jam, músico em que Jackson foi livremente inspirado.

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    Apesar de o filme levar o gênero de “músical”, cada canção e performance colocada nele tem um sentido, e nada é solto. O contexto das letras da músicas – escritas por Lady Gaga – e que foram todas gravadas ao vivo (sim, acredite!), possuem coerência com as cenas; “Shallow”, por exemplo, um dos grandes destaques do filme, é o momento em que Ally canta na frente de uma multidão pela primeira vez, incentivada por Jackson. Ali, ela deixa de esconder o seu talento. As vozes de Gaga e Bradley se encaixam muito bem.

    Nada destoa no filme; sejam as cenas de backstage – que eram novidade apenas para Bradley, já que Gaga está na indústria há mais de 10 anos -, são genuínas e nos dão aquele gostinho de realmente saber o que há por trás da vida de um artista tão reconhecido. O longa é uma jornada do romance de Jackson Maine e Ally, que só cresce, e da ascensão da mesma pelo sucesso. É o namorado que a incentiva a percorrer seu sonho, quando a convida para fazer parte da sua turnê.

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    Enquanto a carreira de Ally toma os seus pontapés iniciais, a de Jackson percorre o caminho contrário. O vício no álcool e nas drogas, causado por diversos problemas que o personagem já enfrentou, é um dos temas mais bem explorados no filme. É nestas cenas que vemos também uma das melhores atuações de Bradley Cooper, que consegue convencer do início ao fim do longa o sofrimento do personagem e sua grande dificuldade em lidar com os próprios demônios. Em uma das cenas, quase no final do filme, em que os dois atores contracenam, o personagem de Bradley chora e pede desculpas à Ally por ter quase estragado sua carreira com o seu vício; é uma das cenas que merece destaque, e que nos faz acreditar que A Star is Born promete indicações às principais premiações.

    O filme é tocante, dramático, e mais do que isso, surpreendentemente belo. Ele fala sobre amor, paixão, dor, traumas, doenças mentais e como a caminhada ao sucesso pode ser cruel, mas também trás muita realização ao mesmo tempo. As performances são de tirar o fôlego, e as atuações, genuínas e surpreendentes. É a história de um romance intenso, mas que não deixa de explorar as nuances particulares de seus dois protagonistas. 

    Agosto 19, 2018
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    Título: Para Todos os Garotos que Já Amei

    Diretor (a): Susan Johnson

    Roteiro: Sofia Alvarez e Jenny Han

    Elenco: Lana Condor, Noah Centineo, Janel Parrish, Israel Broussard, Anna Catchcart, John Corbett

    Sinopse: Lara Jean Song Covey (Lana Condor) escreve cartas de amor secretas para todos os seus antigos paqueras. Um dia, essas cartas são misteriosamente enviadas para os meninos sobre os quem ela escreve, virando sua vida de cabeça para baixo.

    Jenny Han é uma das minhas autoras favoritas dos livros de gênero Young Adult e eu sou apaixonada pela série protagonizada por Lara Jean. Em 2015, eu li o primeiro livro, e já faz alguns anos que a notícia de que a história viraria filme saiu. Eu, obviamente, fiquei super empolgada, mas quando somos muito fãs de um livro, sempre carregamos aquele misto de preocupação e medo da adaptação ficar muito diferente da história original, o que quase sempre acontece. Mas a boa surpresa aqui é que o filme de To All The Boys I’ve Loved Before, dirigido pela norte-americana Susan Johnson, é muito fiel ao livro.

    Para quem não conhece a história, o longa trás como protagonista a adolescente de 16 anos Lara Jean, irmã do meio de uma família composta por três garotas coreanas e o seu pai. A mãe das meninas morreu quando elas ainda eram pequenas, por isso, o pai representa um grande papel no ambiente familiar. As irmãs Song – Kitty, Lara Jean e Margot – são extremamente unidas. Kitty é a caçula da família; Lara Jean é a que está crescendo e Margot é a mais velha (e a mais madura), que está prestes a embarcar para a Escócia para iniciar a faculdade.

    Cada uma tem suas características únicas – que são bem trabalhadas durante o livro e no filme também não ficam à mercê – e a cultura coreana, tão retratada no livro, também ganha seu espaço no filme. Lembrando que a autora Jenny Hann também tem descendência coreana. Nascida na Virginia, ela se esforça para representar essa cultura e a diversidade na sua trilogia de livros. É refrescante ver uma personagem asiática sendo abordada em um filme de grande repercussão, sendo lançado na Netflix (ainda mais na época que o white-washing anda tão forte). É uma quebra de padrões das protagonistas que estamos sempre acostumados a ver.

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    Lara Jean é uma jovem extremamente romântica, apesar de nunca ter tido uma experiência amorosa real. Quando ela queria terminar uma paixão, costumava escrever cartas para o garoto do qual estava apaixonada; ao todo, foram cinco, de amores que marcaram sua vida em fases diferente. Porém, o plot twist ocorre quando suas cartas são misteriosamente enviadas, e os garotos que as inspiraram recebem-as. O que mais a preocupa é o fato de Josh, seu amigo de anos, vizinho e namorado de sua irmã mais velha, tenha recebido a sua. Lara Jean nutre uma paixão platônica por Josh há muito tempo, mas só descobriu quando viu o garoto com Margot.

    Ao mesmo tempo que Josh recebe a dele, Peter Kavinsky, menino que Lara conhece desde pequena, também tem acesso à carta. Ele é ex-namorado de uma antiga amiga de Lara Jean – Genevive -, mas as duas se afastaram devido a brigas antes do início do ensino médio. Lara Jean entra em pânico, pois Josh não pode descobrir que ela gosta dele; e Peter quer causar ciúmes na antiga namorada. Isso é o suficiente para os dois se unirem e assumirem um namoro fake.

    Pode parecer clichê, mas é um clichê bem explorado e que trás uma história convincente e personagens bem elaborados. Lara Jean encontra na companhia de Peter um suposto namorado e também um amigo: os dois trocam confidências (ela, sobre a mãe que faleceu, e ele, sobre o pai distante) e essa é a primeira experiência que ela tem de algum relacionamento. Por isso, é fácil se identificar com a personagem, principalmente se você já passou por aquela fase de inícios. É o primeiro beijo, a primeira briga, a primeira difícil sensação de como é gostar de alguém, e ter que lidar com a parte boa e ruim dessa pessoa (e tudo o que isso traz).

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    Uma das características do filme que mais me impressionou foi a semelhança com o livro e o cuidado para que o longa ficasse com a mesma essência, em todos os detalhes. A escolha do elenco, para mim, foi totalmente certeira. Lana Condor (Lara Jean) incorporou a personagem principal, seja no jeito de agir, de falar, de se vestir, e de realmente enxergarmos aquela versão dos livros na tela; assim como Noah Centineo (Peter), que foi o Peter Kevinsky perfeito. Ele é um dos personagens mais importantes da história, e o ator fez jus à personalidade encantadora, doce e (bem) confusa de Peter. No inicio, eu achei que o ator  escolhido para ser o Josh (Israel Broussard) teria sido um bom Peter; mas antes da metade do filme mudei de ideia. O Noah conseguiu ser ainda melhor do que o personagem que eu imaginei em minha cabeça tantas vezes.

    Destaque também para a estética do filme, que trabalhou as cores pastéis e claras – as favoritas da personagem – e que foram utilizadas em todas as capas do livro; tivemos até mesmo a cena de Lara Jean preparando os seus famosos cupcakes.

    A autora Jenny Han acompanhou todo o processo de filmagem, e eu acredito que isso tenha sido fundamental para que o filme tivesse o mesmo jeito especial dos livros, e não caísse no clichê caricato que já vimos em muitas produções adolescentes da Netflix (alô, Barraca do Beijo).

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    “Para Todos os Garotos que Já Amei” também ressalta um ponto importante da amizade feminina, e do companheirismo e união entre irmãs. A relação de Kitty, Margot e Lara Jean é extremamente importante para a personagem principal. Durante toda a sua vida Margot sempre foi a líder, a sua inspiração e quem ela queria seguir os passos; agora que a irmã foi para a universidade, é papel de Lara Jean cuidar da irmã mais nova de onze anos, e ser o “exemplo”. O filme, porém, também tem tropeços, como na representação da rivalidade feminina representada por Genevive e Lara Jean, tão presente no primeiro livro. Porém, são nas duas sequencias que é desenvolvida de maneira mais profunda a amizade de ambas, e a personagem de Genevive também passa a ser explorada, e conhecemos outras facetas dela.

    É um filme delicado e romântico, que respeita a versão literária e encanta ainda mais os fãs do livro, e também aqueles que não conheceram a obra. Palmas para Jenny Han e a Netflix!

    Julho 1, 2018
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    Título: #GIRLBOSS

    Autor (a): Sophia Amoruso

    Editora: Seoman

    Sinopse: Sophia Amoruso passou a adolescência viajando de carona, furtando em lojas e revirando caçambas de lixo. Aos 22 anos ela havia se conformado em ter um emprego, mas ainda estava sem grana, sem rumo e fazendo um trabalho medíocre que assumiu por causa do seguro-saúde. Foi aí que Sophia decidiu começar a vender roupas de brechó no eBay. Oito anos depois, ela é a fundadora, CEO e diretora criativa da Nasty Gal, uma loja virtual de mais de 100 milhões de dólares, com mais de 350 funcionários. Além da história de Sophia, o livro cobre vários outros assuntos e prova que ser bem-sucedido não tem nada a ver com a sua popularidade; o sucesso tem mais a ver com confiar nos seus instintos e seguir a sua intuição. Uma história inspiradora para qualquer pessoa em busca do seu próprio caminho para o sucesso.

    Desde que #GIRLBOSS, escrito por Sophia Amoruso – criadora da Nasty Gal – foi lançado há dois anos atrás, eu fiquei empolgada para ler o livro. Como ele saiu de estoque rápido, acabei não comprando. Em Junho, finalmente pude lê-lo. É uma leitura que apareceu justamente quando eu estava precisando de inspiração e no final do meu primeiro semestre na faculdade de Administração Pública. Talvez se eu tivesse lido quando ele foi lançado, não teria compreendido alguns temas que Sophia debate, como o empreendedorismo, o que é complicado em montar o seu próprio negócio, os erros que ela cometeu em empregos anteriores, e até questões como demissão.

    São assuntos que se tornam comuns na nossa vida, principalmente na faixa etária dos 20 anos. Quando entramos na faculdade (ainda mais na área dos cursos de Administração) ouvimos as palavras empreender, marketing e liderança umas 20 vezes durante a semana. Sophia trata de tudo isso de maneira divertida, objetiva e sincera. Apesar de os capítulos carregarem frases inspiradoras que já ouvimos algumas vezes, elas realmente nos convencem: afinal, ela conseguiu se tornar CEO e alcançar o sucesso com a sua marca, tudo antes dos 30. Mas nada aconteceu milagrosamente, e ela conta em detalhes sua jornada (que começou no Ebay) até abrir a sua primeira loja física na California.

    Em meio aos capítulos, Sophia também encontra espaço para falar sobre moda. Onde nasceu sua inspiração para trabalhar no meio e como ela sempre gostou de criar suas próprias roupas, e como transitou entre diversos estilos, sendo o punk a sua grande paixão na adolescência.

    O livro não nos traz respostas exatas ou soluções mágicas, mas é uma boa leitura para quem gosta de falar, entender e compreender mais sobre moda e negócios por uma visão feminina (algo que nós sabemos que o mercado ainda carece). Atualmente, Sophia não é mais a CEO da Nasty Gal, e investe em outra marca: a Girl Boss Media.

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    Filme: Com Amor, Simon (Love Simon)

    Diretor (a): Greg Berlanti

    Elenco: Nick Robinson, Jennifer Garner, Katherine Langford, Alexandra Shipp, Logan Miller, Jorge Lendeborg Jr, Josh Duhamel

    Sinopse: Aos 17 anos, Simon Spier (Nick Robinson) aparentemente leva uma vida comum, mas sofre por esconder um grande segredo: nunca revelou ser gay para sua família e amigos. E tudo fica mais complicado quando ele se apaixona por um dos colegas de escola, anônimo, com quem troca confidências diariamente via internet.

    Baseado no livro de Becky Albertalli, “Love, Simon” foi aguardado pelos fãs com muita expectativa, principalmente pela comunidade LGBTQ+. Apesar de vários progressos estarem sendo feitos, é fato que a juventude queer ganha pouco espaço na televisão e nos cinemas. Ter um filme que trás um personagem gay adolescente como protagonista sendo produzido por um grande estúdio e exibido em diversos países é um grande passo. Simon está no último ano do ensino médio. Ele tem uma família que o apoia e amigos fieis; mas se sente vazio porque ele ainda não assumiu que é gay, e essa é a questão mais complicada em sua vida: como se assumir? E quando? As pessoas vão o enxergar de maneira diferente?

    Ele começa a adentrar mais fundo nos seus próprios sentimentos quando conhece outro menino gay da escola – Blue -, e eles se correspondem anonimamente por e-mails. Aos poucos, criam uma relação especial e também são como uma rede de apoio um para o outro. Afinal, ambos ainda não se assumiram. O assunto é tratado de maneira honesta e delicada, e mostra também a visão dos amigos de Simon, que assim como no livro, ganham um espaço considerável na tela para desenvolver suas próprias histórias. Nick Robinson está ótimo no papel e ele incorporou o personagem e deu vida ao Simon, de uma maneira bem semelhante ao do livro.

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    Mikaela Straus – conhecida pelo nome artístico de King Princess – lançou o seu primeiro EP, “Make My Bed”, produzido por Mark Ronson, no início do mês. A cantora e produtora, que viveu no Brooklyn por boa parte da sua vida – e agora mora em Los Angeles -, tem 19 anos e conquistou o público ao cantar a sua verdade, trazendo a visão queer para o pop atual – algo que Troye Sivan, Hayley Kyoko e Kehlani também estão fazendo -. Com 19 anos, suas músicas falam sobre amor e coração partido, usando apenas pronomes femininos. 1950, seu primeiro single, faz referência a época em a comunidade LGBTQ+ ainda tinha que se esconder em público.

    O EP, que contém cinco faixas, trás canções que misturam guitarras com pegada radiofônica. Segundo a Pitchfork, King Princess acerta em cheio ao trazer para suas letras vulnerabilidade, e comparam 1950 com o impacto que “Royals”, da Lorde, teve no início da carreira da neozelandesa.

    Abril 9, 2018
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    Tom of Finland (2017) – Dirigido por Dome Karukoski

    Produzido pela Finlândia, Tom of Finland foi um daqueles filmes que se tornou uma surpresa agradável e que em uma hora e cinquenta minutos me ensinou sobre cultura, arte e direitos LGBTQ+ que eu ainda desconhecia. Protagonizado por Pekka Strang (Tom) o longa conta a trajetória de Touko Valio, nascido em 1920 na Finlândia. É durante a Segunda Guerra Mundial que Tom começa a explorar a sua sexualidade. Ele cresceu em um ambiente artístico, e por isso, desenha e produz desde jovem. Os seus desenhos possuem caráter homoerótico, e é por meio deles que ele explora os seus desejos e o seu talento.

    Na época, era proíbido na Europa qualquer tipo de manifestação e prática homossexual. Ou seja, os desenhos que Tom produzia de cenas eróticas eram ilegais e ele estava em constante risco de ser preso pelas leis do seu país. Por mais que sofresse preconceito da sociedade e da própria família, a sua arte alcança níveis inesperados (na época, nos Estados Unidos, a cultura gay ganhava ainda mais força, principalmente na Califórnia). Ele se torna ídolo para milhares de pessoas no mundo inteiro, e ninguém pode mais impedir os seus desenhos de ganharem vida própria.

    O filme carrega uma atmosfera pesada em alguns momentos – como quando trata de temas como a AIDS e a perseguição aos gays na Europa -, mas também trás cenas de esperança e união, quando Tom encontra pessoas que o apoiam e acreditam no que ele faz. A história é baseada na vida do artista que faleceu em 1991.

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    Capitão Fantástico (2016) – Dirigido por Matt Ross

    Um dos melhores filmes que assisti este ano: é assim que defino Capitão Fantástico. Com uma história elaborada e cheia de nuances, o filme de Matt Ross (e também com roteiro feito por ele), trás o pai de família Ben (Viggo Morten) que cria os seus seis filhos de uma maneira totalmente diferente do resto da sociedade. Eles vivem em uma floresta próximo de Washington, aprendendo a caçar e a viver da terra. Porém, apesar desse estilo de vida, as crianças são educadas com afinco e possuem conhecimento tanto prático quanto acadêmico. Tudo estaria ótimo se a mãe deles não estivesse longe há meses: ela sofre de Transtorno Bipolar, e precisa se tratar em uma cliníca. Os filhos sentem a sua falta e o que eles mais querem é ver a mãe.

    A família embarca em uma jornada que possui relação com a figura materna. É difícil, doído, emocionante e todos eles aprendem muito sobre si mesmos. Afinal, eles foram ensinados a viver de uma maneira diferente, mas não sabem lidar, por exemplo, com pessoas da sua idade, relacionamentos e convivío social. O filme tem uma forte pegada política e questionadora, que critica duramente o capitalismo e o status quo, mas sempre com uma mensagem de que fica à cargo do telespectador tirar as suas próprias conclusões. Destaque para a cena final ao som de “Sweet Child O’Mine”, sendo o momento mais bonito do filme.

    O longa rendeu uma indicação ao Oscar, Bafta e Globo de Ouro para o protagonista Viggo Morten.

    Março 25, 2018
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    Black Panther (Pantera Negra) – Dirigido por Ryan Coogler

    Falar sobre Pantera Negra é falar sobre um filme político, importante e que pode ser considerado um dos melhores de 2018; além de um marco nos filmes sobre super-heróis. Aguardado com ansiedade desde o seu anúncio, o longa trás no elenco nomes como Lupita Nyong’o (Nakia), Chadwick Boseman (T’Challa), Michael B. Jordan (Erik), Daniel Kaluuya (W’Kabi), Letitia Wright (Shuri), e diversos outros que já possuem peso na indústria cinematográfica, ou que despontaram no filme. Com uma trilha sonora impecável, figurinos, cenários e cenas de ação de tirar o fôlego, as quase duas horas de filme passam voando.

    Se você ainda não assistiu – ou sabe pouco sobre a história, o que é quase impossível! -, Black Panther percorre a famosa trajetória do herói com o personagem T’Challa, futuro rei de Wakanda, um país africano rico e com tecnologias avançadas. Wakanda não interage com o resto do mundo, pois quer presevar a sua riqueza. O antagonista aparece no personagem de Eric, provavelmente um dos “vilões” mais carismáticos do cinema nos últimos anos. Interpretado com maestria por Michael B Jordan, o filme explora as diversas camadas dos personagem. Diferente de outros filmes de heróis, o vilão aqui possui motivos convincentes para se opor ao protagonista.

    Um dos trunfos do filme é dar espaço e destaque para todos os seus personagens, principalmente às mulheres, que são representadas de diversas formas no longa, seja pela sua força e inteligência. Destaque também para a trilha sonora sensacional produzida inteiramente por Kendrick Lamar.

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    Coco (Viva – A Vida É Uma Festa) – Dirigido por Lee Unkrich e Adrian Molina

    Vencedor na categoria Melhor Animação no Oscar, Coco é um daqueles filmes que não importa a idade que você tiver, vai ser difícil não se encantar e se apaixonar pelos personagens e pela história. O enredo é uma homenagem ao Dia de Los Muertos, um dos feriados mais importantes do México e que ocorre em 2 de novembro. Na cultura mexicana, o feriado é uma oportunidade de comemorar a vida daqueles que já se foram. Miguel (Anthony Gonzalez) tem o sonho de se tornar músico, algo que é reprovado pela sua família, principalmente pela avó, Abuelita (Reene Victor). Ele acredita ser parente de Ernesto De La Cruz, um dos maiores músicos mexicanos e o seu grande ídolo.

    O filme é inspirador e cheio de referências a cultura mexicana, que é com certeza o parte mais interessante de Coco. Ele também trás diversos números musicais, e “Remember Me”, um dos mais especiais, ficará grudado na sua cabeça. É um filme fofo: mesmo se você não gosta de animações, vale a pena assistir.

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    Tomb Raider (A Origem) – Dirigido por Roar Uthaug

    Quando os dois primeiros filmes de Tomb Raider foram lançados em 2000 com Angelina Jolie, eu ainda era uma criança. Me lembro que assisti os filmes milhares de vezes até uns dez anos de idade. Naquela época, eu obviamente não sabia nada sobre feminismo (afinal, nem se falava sobre o assunto), e apesar da sexualização desnecessária que se fazia com a personagem de Jolie, eu já via um exemplo de girl power na televisão sem nem ao menos saber. Por isso, fiquei bem empolgada quando soube que ia rolar um prequel da série baseada no jogo, e com a maravilhosa Alivia Vikander como protagonista.

    O filme trás Lara Croft na busca pelo seu pai, que a deixou quando era criança. Ela embarca numa jornada atrás dele em companhia de Lu Ren (Daniel Wu), numa pequena ilha localizada no Japão. Ao encontrar anotações deixadas pelo seu pai – de maneira proposital -, ela decide procurá-lo. As cenas de ação foram muito bem elaboradas, e mesmo que Lara pratique artes marciais e seja ágil e corajosa, o filme destaca o lado humano da personagem. Ela sofre, se machuca, geme, e os closes não focam em nenhuma parte do seu corpo (algo extremamente comum em filmes com protagonistas mulheres).

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