• 7282f7c375b81a6321d7327758d135e5
    Looks, Moda

    Os sapatos queridinhos do inverno

    ver post
  • 4b9477e124aafe2457f31836952ca16c
    Playlist

    Playlist: Junho

    ver post
  • 56918b949232e9cc9429890603bd89de
    Moda, Tendência

    Tendência: Óculos vintage e cat eye

    ver post
  • pexels-photo-681794
    Comportamento, Textos

    Para todas as almas perdidas

    ver post
  • Abril 9, 2018
    postado por
    tomoffinland

    Tom of Finland (2017) – Dirigido por Dome Karukoski

    Produzido pela Finlândia, Tom of Finland foi um daqueles filmes que se tornou uma surpresa agradável e que em uma hora e cinquenta minutos me ensinou sobre cultura, arte e direitos LGBTQ+ que eu ainda desconhecia. Protagonizado por Pekka Strang (Tom) o longa conta a trajetória de Touko Valio, nascido em 1920 na Finlândia. É durante a Segunda Guerra Mundial que Tom começa a explorar a sua sexualidade. Ele cresceu em um ambiente artístico, e por isso, desenha e produz desde jovem. Os seus desenhos possuem caráter homoerótico, e é por meio deles que ele explora os seus desejos e o seu talento.

    Na época, era proíbido na Europa qualquer tipo de manifestação e prática homossexual. Ou seja, os desenhos que Tom produzia de cenas eróticas eram ilegais e ele estava em constante risco de ser preso pelas leis do seu país. Por mais que sofresse preconceito da sociedade e da própria família, a sua arte alcança níveis inesperados (na época, nos Estados Unidos, a cultura gay ganhava ainda mais força, principalmente na Califórnia). Ele se torna ídolo para milhares de pessoas no mundo inteiro, e ninguém pode mais impedir os seus desenhos de ganharem vida própria.

    O filme carrega uma atmosfera pesada em alguns momentos – como quando trata de temas como a AIDS e a perseguição aos gays na Europa -, mas também trás cenas de esperança e união, quando Tom encontra pessoas que o apoiam e acreditam no que ele faz. A história é baseada na vida do artista que faleceu em 1991.

    Captain-Fantastic-outdoor-cinema-Ibiza-2017-2

    Capitão Fantástico (2016) – Dirigido por Matt Ross

    Um dos melhores filmes que assisti este ano: é assim que defino Capitão Fantástico. Com uma história elaborada e cheia de nuances, o filme de Matt Ross (e também com roteiro feito por ele), trás o pai de família Ben (Viggo Morten) que cria os seus seis filhos de uma maneira totalmente diferente do resto da sociedade. Eles vivem em uma floresta próximo de Washington, aprendendo a caçar e a viver da terra. Porém, apesar desse estilo de vida, as crianças são educadas com afinco e possuem conhecimento tanto prático quanto acadêmico. Tudo estaria ótimo se a mãe deles não estivesse longe há meses: ela sofre de Transtorno Bipolar, e precisa se tratar em uma cliníca. Os filhos sentem a sua falta e o que eles mais querem é ver a mãe.

    A família embarca em uma jornada que possui relação com a figura materna. É difícil, doído, emocionante e todos eles aprendem muito sobre si mesmos. Afinal, eles foram ensinados a viver de uma maneira diferente, mas não sabem lidar, por exemplo, com pessoas da sua idade, relacionamentos e convivío social. O filme tem uma forte pegada política e questionadora, que critica duramente o capitalismo e o status quo, mas sempre com uma mensagem de que fica à cargo do telespectador tirar as suas próprias conclusões. Destaque para a cena final ao som de “Sweet Child O’Mine”, sendo o momento mais bonito do filme.

    O longa rendeu uma indicação ao Oscar, Bafta e Globo de Ouro para o protagonista Viggo Morten.

    Março 25, 2018
    postado por
    cinema-filme-pantera-negra-20180219-009

    Black Panther (Pantera Negra) – Dirigido por Ryan Coogler

    Falar sobre Pantera Negra é falar sobre um filme político, importante e que pode ser considerado um dos melhores de 2018; além de um marco nos filmes sobre super-heróis. Aguardado com ansiedade desde o seu anúncio, o longa trás no elenco nomes como Lupita Nyong’o (Nakia), Chadwick Boseman (T’Challa), Michael B. Jordan (Erik), Daniel Kaluuya (W’Kabi), Letitia Wright (Shuri), e diversos outros que já possuem peso na indústria cinematográfica, ou que despontaram no filme. Com uma trilha sonora impecável, figurinos, cenários e cenas de ação de tirar o fôlego, as quase duas horas de filme passam voando.

    Se você ainda não assistiu – ou sabe pouco sobre a história, o que é quase impossível! -, Black Panther percorre a famosa trajetória do herói com o personagem T’Challa, futuro rei de Wakanda, um país africano rico e com tecnologias avançadas. Wakanda não interage com o resto do mundo, pois quer presevar a sua riqueza. O antagonista aparece no personagem de Eric, provavelmente um dos “vilões” mais carismáticos do cinema nos últimos anos. Interpretado com maestria por Michael B Jordan, o filme explora as diversas camadas dos personagem. Diferente de outros filmes de heróis, o vilão aqui possui motivos convincentes para se opor ao protagonista.

    Um dos trunfos do filme é dar espaço e destaque para todos os seus personagens, principalmente às mulheres, que são representadas de diversas formas no longa, seja pela sua força e inteligência. Destaque também para a trilha sonora sensacional produzida inteiramente por Kendrick Lamar.

    178581-eight

    Coco (Viva – A Vida É Uma Festa) – Dirigido por Lee Unkrich e Adrian Molina

    Vencedor na categoria Melhor Animação no Oscar, Coco é um daqueles filmes que não importa a idade que você tiver, vai ser difícil não se encantar e se apaixonar pelos personagens e pela história. O enredo é uma homenagem ao Dia de Los Muertos, um dos feriados mais importantes do México e que ocorre em 2 de novembro. Na cultura mexicana, o feriado é uma oportunidade de comemorar a vida daqueles que já se foram. Miguel (Anthony Gonzalez) tem o sonho de se tornar músico, algo que é reprovado pela sua família, principalmente pela avó, Abuelita (Reene Victor). Ele acredita ser parente de Ernesto De La Cruz, um dos maiores músicos mexicanos e o seu grande ídolo.

    O filme é inspirador e cheio de referências a cultura mexicana, que é com certeza o parte mais interessante de Coco. Ele também trás diversos números musicais, e “Remember Me”, um dos mais especiais, ficará grudado na sua cabeça. É um filme fofo: mesmo se você não gosta de animações, vale a pena assistir.

    Alicia-Vikander-Lara-Croft-Tomb-Raider-920x584

    Tomb Raider (A Origem) – Dirigido por Roar Uthaug

    Quando os dois primeiros filmes de Tomb Raider foram lançados em 2000 com Angelina Jolie, eu ainda era uma criança. Me lembro que assisti os filmes milhares de vezes até uns dez anos de idade. Naquela época, eu obviamente não sabia nada sobre feminismo (afinal, nem se falava sobre o assunto), e apesar da sexualização desnecessária que se fazia com a personagem de Jolie, eu já via um exemplo de girl power na televisão sem nem ao menos saber. Por isso, fiquei bem empolgada quando soube que ia rolar um prequel da série baseada no jogo, e com a maravilhosa Alivia Vikander como protagonista.

    O filme trás Lara Croft na busca pelo seu pai, que a deixou quando era criança. Ela embarca numa jornada atrás dele em companhia de Lu Ren (Daniel Wu), numa pequena ilha localizada no Japão. Ao encontrar anotações deixadas pelo seu pai – de maneira proposital -, ela decide procurá-lo. As cenas de ação foram muito bem elaboradas, e mesmo que Lara pratique artes marciais e seja ágil e corajosa, o filme destaca o lado humano da personagem. Ela sofre, se machuca, geme, e os closes não focam em nenhuma parte do seu corpo (algo extremamente comum em filmes com protagonistas mulheres).

    Março 5, 2018
    postado por

    Sempre quando chega a época das premiações de filmes eu me empolgo para assistir mais longas, e esse ano a emoção foi ainda maior (eu assisti a maioria dos indicados do Oscar desse ano das principais categorias). Já falei de Lady Bird (definitivamente um dos que eu mais amei), Call Me By Your Name e Loving Vincent.

    mollys-game-tiff

    Molly’s Game

    Dirigido por Aaron Sorkin (de “A Rede Social”) o filme protagonizado por Jessica Chastain levou uma indicação em Melhor Roteiro Adaptado. O enredo trata da história real de Molly Bloom, uma norte-americana que começou a vida na carreira esportiva, mas um acidente a forçou a parar de praticar o esporte, que era quase uma obrigação na sua família supostamente perfeita. Quando entra na fase de jovem adulta, Molly está sem emprego e sem muita dignidade. Ela acaba se tornando secretária de um homem – insuportável – que organiza jogos de poker. Com o tempo, ela se torna ainda melhor que o próprio chefe no ramo, e cria os seus próprios jogos, que são frequentados por celebridades de Hollywood e movimentam milhões.

    O roteiro foi baseado no livro autobiógrafico lançado pela própria Molly em meados de 2013, quando perdeu todo o dinheiro que tinha e começou a ser perseguida pelo FBI, principalmente por ter se envolvido – supostamente -, com a máfia russa. Os diálogos trazem a característica dos filmes que são dirigidos por Aaron: rápidos, engraçados e carregados de irônia, o que torna o filme de duas horas rápido de assistir. Destaque também para a atuação de Idris Elba, que interpreta Charlie, o advogado de Molly. Eu ainda acho que o filme merecia uma indicação para a principal categoria da noite.


    024A_TBS_SG_30719

    The Big Sick

    O filme pode ser classificado como um romance, mas ele está longe de ser apenas isso. Com roteiro criado por Kumail Nanjiani (de Silicon Valley) e Emily V. GordonThe Big Sick aborda o relacionamento de Kumail e Emily (Zoe Kazan), que são duas pessoas com gostos em comum, mas com origens bem diferentes. Kumail vem de uma família paquistanesa bem tradicional, que espera que ele case com uma mulher do Paquistão (assim como ocorreu com o seu irmão). Porém, ele cresceu nos Estados Unidos e não se identifica com a cultura do país em que nasceu. Emily não sabe de toda essa história, e se decepciona quando descobre que os dois não teriam grandes chances de levar o relacionamento para a frente.

    O roteiro fala sobre culturas diferentes – e seus respectivos questionamentos -, e como desafiar os seus pais radicalmente, mesmo sem querer quebrar o forte laço familiar. Relações são o foco do filme, e não apenas a dos protagonistas. Também conhecemos a mãe e o pai de Emily, que são tão complicados quanto os de Kumail: mas tudo isso sem os personagem perderem a sua essência e humanização. As cenas dramáticas estão presentes, assim como as engraçadas. O que eu mais gostei no filme é que o namoro de Emily e Kumail não é um conto de fadas: é complicado, sincero, doído, apesar de ainda valer a pena. As cenas do casal são bem condizentes com a realidade do que nós passamos no dia-dia. A indicação é para Melhor Roteiro Original.

    thumb_review-eu-tonya

    Eu, Tonya

    Colecionando três indicações ao Oscar (Melhor Atriz para Margot Robbie, Melhor Atriz Coadjuvante para Allison Janney e Melhor Montagem para Tatiana Riegel), Eu, Tonya é um dos mais fortes nessa temporada de premiações. O filme, que é cheio de momentos carregados de drama e até pitadas de comédia, trás como protagonista Tonya Harding, interpretado brilhantemente por Margot. Esse é um papel difícil, mas a atriz segura-o de maneira eficiente: ele é baseado na trajetória de uma patinadora no gelo dos anos 90 que foi a primeira mulher norte-americana a completar o difícil salto triple axel em 1991.

    Tonya poderia ter tido uma carreira memorável na patinação, se não fosse o acidente que ocorreu nas vésperas das Olímpiadas na Noruega. A personagem é complexa e tem uma vida difícil; ela sofre abuso verbal e físico da mãe, que sempre a bate e exige mais de Tonya do que ela pode fazer. Assim, ela cresce achando que a violência sempre deve fazer parte da sua vida. O abuso continua quando ela se casa e passa a sofrer de violência doméstica. Nada para Tonya era fácil: sua vida pessoal e muito menos a profissional. Ela tentava se provar constantemente, pois os juízes da patinação não a aprovavam, já que ela fugia dos padrões de garota com a família ideal (o que os EUA buscava na época para representá-los).

    Janeiro 27, 2018
    postado por

    Nas férias eu sempre faço maratonas de séries. Apesar de amar filmes, as produções da Netflix sempre ganharam um espaço maior no meu coração. Mas sempre quando chega a temporada das premiações (Oscar, Globo de Ouro…) eu começo a assistir os filmes que foram indicados. E é sempre uma boa surpresa: alguns se tornam os meus favoritos, como Lady Bird, Call Me By Your Name e Loving Vincent.

    call-me-by-your-name-2

    Com direção de Luca Guadagnino e 4 nominações ao Oscar, “Me Chame Pelo Seu Nome” é aqueles filmes mágicos, que misturam elementos que vão atrair o telespectador a se emocionar e se apaixonar pelo romance mostrado na tela. Me lembrou um pouco o francês “Azul É A Cor Mais Quente”, por mostrar o primeiro amor de uma forma honesta, vulnerável, bonita e dolorosa, como muitas vezes é também na vida real. O protagonista é Elio (Timothée Chalamet), que está passando o verão na sua casa de praia com os pais na Itália dos anos 80.

    Todos os anos o seu pai, que é professor, convida um aluno ou colega de trabalho para se hospedar na casa. É assim que Elio conhece Oliver (Armie Hammer) um cara mais velho, inteligente e instigante. O amor dos dois acontece de forma natural e aos poucos: nada é forçado no longa, e você sente a paixão crescer durante as cenas. Os cenários são impecáveis, e as cenas não possuem pudores. O mais interessante também é que não há rótulos e nem definições de sexualidade: Ollio e Oliver querem experimentar. O filme trás como tema principal um relacionamento entre duas pessoas. E é difícil ver no cinema atual filmes LGBTQ+ que não possuem tragédias ou mortes.

    Call Me By Your Name se destaca pelo elenco incrível, pelas cenas lindas e a delicadeza do qual narra uma história de amor.


    Loving-Vincent-1

    E o título de filme mais criativo e emocionante que eu vi esse ano vai para Loving Vincent, que levou 7 anos para ficar pronto, desde o momento de sua pré-produção. O longa, dirigido por Dorota Kobiela Hugh Welchman, fala sobre a história após a morte de Van Gogh na França em 1890, e a última carta que ele escreveu para o seu irmão Theo, que deve ser entregue por Armand (Douglas Booth). O filme ganha um tom investigativo, já que o protagonista tenta entender o que levou Vincent ao suícidio.

    Levou mais de dois anos para que as pinturas e animações do filme ficassem prontas. Diversos artistas participaram do processo, e os atores gravaram basicamente tudo em telas verdes e alguns cenários. O filme relata passagens do artista após ele começar a pintar. Sua relação com a família, com as pessoas dos lugares em que ele morou (e como eles não o recebiam bem, principalmente após Vincent cortar a sua orelha), os anseios e as complexidades que o personagem enfrentou. Porém, toda essa visão é externa, já que descobrimos os fatos por relatos dados ao personagem de Douglas Booth. Para quem gosta de Van Gogh e quer saber mais sobre ele, esse filme é essencial.

    O cast também conta com Saoiorse Ronan (Marguerite Gachet), Eleanor Tomlinson (Adeline Ravoux), e o ótimo Robert Gulaczyk como Van Gogh. É uma obra de arte na tela grande, vale muito a pena assistir, e torcer para que ele leve o prêmio de Melhor Animação no Oscar!

    Janeiro 1, 2018
    postado por
    lady_bird_ver2

    Título: Lady Bird

    Diretor (a): Greta Gerwig

    Elenco: Saoiorse Ronan, Laurie Metcalf, Tracy Letts, Lucas Hedges, Timothée Chalamet, Beanie Feldstein

    Estreia no Brasil: 5 de Abril de 2018

    Sinopse: Uma jovem se muda para Sacramento, no estado da Califórnia, e lá vive durante um ano. Amigos, amores e aventuras fazem parte de sua jornada em sua nova cidade.

    Sabe quando você fica extremamente ansioso para ver um filme, contando os dias até a estreia? Foi assim que eu me senti quando assisti ao trailer de Lady Bird pela primeira vez em Setembro. O longa, dirigido pela ótima Greta Gerwig – no seu primeiro filme como diretora -, está indicado em quatro categorias no Globo de Ouro e conseguiu a proeza de ter aprovação 99% no Rotten Tomatoes, que faz um apanhado geral das críticas de um determinado filme, produzindo a nota final.

    A protagonista da história é a adolescente de 17 anos Christine, que se denomina Lady Bird. E ela não admite ser chamada pelo seu nome de nascença. Sua vida muda de trajetória quando ela e a família – que está passando por problemas financeiros -, vão morar em Sacramento, na Califórnia. Isso desagrada a menina, que quer se tornar artista e acha todo aquele clima de cidade pequena muito chato. Lady Bird é uma das personagens mais legais que eu já vi no cinema nos últimos tempos; sendo super bem trabalhada pelo roteiro, ela é autêntica, engraçada, e descontraída. E parte da identificação que temos com ela é dada pela atriz Saoiorse Ronan, que está sensacional no papel.

    O enredo se baseia no descobrimento e nas experiências de vida de Christine. Ela é matriculada pela família em um colégio católico, onde tem que rezar todos os dias. A sua mãe sonha que ela vá para a universidade Davis, que foi a mesma frequentada pelo seu pai. Lady Bird quer estudar em Nova York, mas os seus pais não tem dinheiro para pagar e ela não tem notas lá muito boas: sua experiência é com a arte, com a performance e com o teatro.

    Um dos principais temas que rodeiam o filme é a relação mãe e filha, que ganha pouco espaço na televisão e no cinema. Relações femíninas e suas complexidades, aliás, costumam ser jogadas para escanteio. Mas não é o que acontece no filme, que foca em Lady Bird e sua mãe, Marion (Laurie Metcalf). As duas possuem personalidade forte e tem opiniões sobre praticamente tudo. Por isso, o confronto acontece o tempo todo: uma não aceita à outra em diversos momentos. Ambas as personagens são críticas: com a próxima e consigo mesma. A última vez que vi uma amizade-relação parental ser tão bem explorada foi em Gilmore Girls.

    lady-bird-saoirse-ronan-lucas-hedges

    Apesar de não ser o foco principal, os relacionamentos amorosos de Lady Bird também estão presentes, o que faz todo sentido, já que a trajetória de Christine é sobre amadurecimento e novas experiências (denominado no cinema como coming out age). Lady Bird passa pela primeira paixão (aquela mais ingênua e mágica da adolescência, que nós achamos que vai durar pra sempre), até a famosa cilada com o cara gato e bad boy da escola. Kyle (Timothée Chalamet) é quase uma sátira de personagens masculinos clichês que nós já vimos em milhares de séries e filmes, e não por isso, deixa de ser muito bem pensado por Greta Gerwig. Preste atenção nas falas do personagem.

    Esses momentos são engraçados e difíceis ao mesmo tempo para Christine: a perda da virgindade, a decepção, a frustração com os namoros. Tudo está ali, de maneira honesta e realista, bem como nós vemos acontecer também na nossa vida. Claro, tudo com um toque de drama à mais, mas nada exagerado. O filme claramente prefere dar mais atenção à outras questões na vida da personagem: o que é bem positivo, afinal, ela não é nenhuma garota esperando para ter sua vida alterada por causa de um romance (viu a diferença que faz o filme ser dirigido por uma mulher?).

    Lady-Bird-1600x900-c-default

    A escolha da carreira e da faculdade, o futuro, também é bem trabalhado durante as cenas. O que escolher, que caminho seguir, e como não deixar a família de lado? Todos nós já passamos por isso ou ainda vamos enfrentar o assunto. E é na delicadeza e sinceridade que Greta trata desses temas, que deixa o longa ainda mais atrativo. As doenças mentais também ganham espaço, mesmo que de maneira sutil. Os sentimentos, o sofrimento e a dor são tratados em diálogos entre os personagens. O pai de Lady Bird, por exemplo, sofre de depressão durante anos e é demitido do trabalho, o que complica ainda mais as economias da família.

    Como o filme se passa em 2002, se prepare também para uma trilha sonora cheia de hits da década passada, com menções honrosas a Alanis Morisette (“Hand In My Pocket”) e Justin Timberlake (“Cry Me a River”).

    Lady Bird é uma história cheia de momentos hilários, sofridos e realistas. Leve sua amiga e o lencinho de papel (seja para chorar de rir ou de tristeza). Enquanto isso, eu fico na torcida para que ele ganhe uma nomeação ao Oscar e muitos prêmios no Globo de Ouro. Amém, Greta Gerwig!

    subir
    elas disseram TODOS OS DIREITOS RESERVADOS © 2017 // DESIGN POR SARA SILVA