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  • Março 5, 2018
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    Sempre quando chega a época das premiações de filmes eu me empolgo para assistir mais longas, e esse ano a emoção foi ainda maior (eu assisti a maioria dos indicados do Oscar desse ano das principais categorias). Já falei de Lady Bird (definitivamente um dos que eu mais amei), Call Me By Your Name e Loving Vincent.

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    Molly’s Game

    Dirigido por Aaron Sorkin (de “A Rede Social”) o filme protagonizado por Jessica Chastain levou uma indicação em Melhor Roteiro Adaptado. O enredo trata da história real de Molly Bloom, uma norte-americana que começou a vida na carreira esportiva, mas um acidente a forçou a parar de praticar o esporte, que era quase uma obrigação na sua família supostamente perfeita. Quando entra na fase de jovem adulta, Molly está sem emprego e sem muita dignidade. Ela acaba se tornando secretária de um homem – insuportável – que organiza jogos de poker. Com o tempo, ela se torna ainda melhor que o próprio chefe no ramo, e cria os seus próprios jogos, que são frequentados por celebridades de Hollywood e movimentam milhões.

    O roteiro foi baseado no livro autobiógrafico lançado pela própria Molly em meados de 2013, quando perdeu todo o dinheiro que tinha e começou a ser perseguida pelo FBI, principalmente por ter se envolvido – supostamente -, com a máfia russa. Os diálogos trazem a característica dos filmes que são dirigidos por Aaron: rápidos, engraçados e carregados de irônia, o que torna o filme de duas horas rápido de assistir. Destaque também para a atuação de Idris Elba, que interpreta Charlie, o advogado de Molly. Eu ainda acho que o filme merecia uma indicação para a principal categoria da noite.


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    The Big Sick

    O filme pode ser classificado como um romance, mas ele está longe de ser apenas isso. Com roteiro criado por Kumail Nanjiani (de Silicon Valley) e Emily V. GordonThe Big Sick aborda o relacionamento de Kumail e Emily (Zoe Kazan), que são duas pessoas com gostos em comum, mas com origens bem diferentes. Kumail vem de uma família paquistanesa bem tradicional, que espera que ele case com uma mulher do Paquistão (assim como ocorreu com o seu irmão). Porém, ele cresceu nos Estados Unidos e não se identifica com a cultura do país em que nasceu. Emily não sabe de toda essa história, e se decepciona quando descobre que os dois não teriam grandes chances de levar o relacionamento para a frente.

    O roteiro fala sobre culturas diferentes – e seus respectivos questionamentos -, e como desafiar os seus pais radicalmente, mesmo sem querer quebrar o forte laço familiar. Relações são o foco do filme, e não apenas a dos protagonistas. Também conhecemos a mãe e o pai de Emily, que são tão complicados quanto os de Kumail: mas tudo isso sem os personagem perderem a sua essência e humanização. As cenas dramáticas estão presentes, assim como as engraçadas. O que eu mais gostei no filme é que o namoro de Emily e Kumail não é um conto de fadas: é complicado, sincero, doído, apesar de ainda valer a pena. As cenas do casal são bem condizentes com a realidade do que nós passamos no dia-dia. A indicação é para Melhor Roteiro Original.

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    Eu, Tonya

    Colecionando três indicações ao Oscar (Melhor Atriz para Margot Robbie, Melhor Atriz Coadjuvante para Allison Janney e Melhor Montagem para Tatiana Riegel), Eu, Tonya é um dos mais fortes nessa temporada de premiações. O filme, que é cheio de momentos carregados de drama e até pitadas de comédia, trás como protagonista Tonya Harding, interpretado brilhantemente por Margot. Esse é um papel difícil, mas a atriz segura-o de maneira eficiente: ele é baseado na trajetória de uma patinadora no gelo dos anos 90 que foi a primeira mulher norte-americana a completar o difícil salto triple axel em 1991.

    Tonya poderia ter tido uma carreira memorável na patinação, se não fosse o acidente que ocorreu nas vésperas das Olímpiadas na Noruega. A personagem é complexa e tem uma vida difícil; ela sofre abuso verbal e físico da mãe, que sempre a bate e exige mais de Tonya do que ela pode fazer. Assim, ela cresce achando que a violência sempre deve fazer parte da sua vida. O abuso continua quando ela se casa e passa a sofrer de violência doméstica. Nada para Tonya era fácil: sua vida pessoal e muito menos a profissional. Ela tentava se provar constantemente, pois os juízes da patinação não a aprovavam, já que ela fugia dos padrões de garota com a família ideal (o que os EUA buscava na época para representá-los).

    Janeiro 27, 2018
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    Nas férias eu sempre faço maratonas de séries. Apesar de amar filmes, as produções da Netflix sempre ganharam um espaço maior no meu coração. Mas sempre quando chega a temporada das premiações (Oscar, Globo de Ouro…) eu começo a assistir os filmes que foram indicados. E é sempre uma boa surpresa: alguns se tornam os meus favoritos, como Lady Bird, Call Me By Your Name e Loving Vincent.

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    Com direção de Luca Guadagnino e 4 nominações ao Oscar, “Me Chame Pelo Seu Nome” é aqueles filmes mágicos, que misturam elementos que vão atrair o telespectador a se emocionar e se apaixonar pelo romance mostrado na tela. Me lembrou um pouco o francês “Azul É A Cor Mais Quente”, por mostrar o primeiro amor de uma forma honesta, vulnerável, bonita e dolorosa, como muitas vezes é também na vida real. O protagonista é Elio (Timothée Chalamet), que está passando o verão na sua casa de praia com os pais na Itália dos anos 80.

    Todos os anos o seu pai, que é professor, convida um aluno ou colega de trabalho para se hospedar na casa. É assim que Elio conhece Oliver (Armie Hammer) um cara mais velho, inteligente e instigante. O amor dos dois acontece de forma natural e aos poucos: nada é forçado no longa, e você sente a paixão crescer durante as cenas. Os cenários são impecáveis, e as cenas não possuem pudores. O mais interessante também é que não há rótulos e nem definições de sexualidade: Ollio e Oliver querem experimentar. O filme trás como tema principal um relacionamento entre duas pessoas. E é difícil ver no cinema atual filmes LGBTQ+ que não possuem tragédias ou mortes.

    Call Me By Your Name se destaca pelo elenco incrível, pelas cenas lindas e a delicadeza do qual narra uma história de amor.


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    E o título de filme mais criativo e emocionante que eu vi esse ano vai para Loving Vincent, que levou 7 anos para ficar pronto, desde o momento de sua pré-produção. O longa, dirigido por Dorota Kobiela Hugh Welchman, fala sobre a história após a morte de Van Gogh na França em 1890, e a última carta que ele escreveu para o seu irmão Theo, que deve ser entregue por Armand (Douglas Booth). O filme ganha um tom investigativo, já que o protagonista tenta entender o que levou Vincent ao suícidio.

    Levou mais de dois anos para que as pinturas e animações do filme ficassem prontas. Diversos artistas participaram do processo, e os atores gravaram basicamente tudo em telas verdes e alguns cenários. O filme relata passagens do artista após ele começar a pintar. Sua relação com a família, com as pessoas dos lugares em que ele morou (e como eles não o recebiam bem, principalmente após Vincent cortar a sua orelha), os anseios e as complexidades que o personagem enfrentou. Porém, toda essa visão é externa, já que descobrimos os fatos por relatos dados ao personagem de Douglas Booth. Para quem gosta de Van Gogh e quer saber mais sobre ele, esse filme é essencial.

    O cast também conta com Saoiorse Ronan (Marguerite Gachet), Eleanor Tomlinson (Adeline Ravoux), e o ótimo Robert Gulaczyk como Van Gogh. É uma obra de arte na tela grande, vale muito a pena assistir, e torcer para que ele leve o prêmio de Melhor Animação no Oscar!

    Janeiro 1, 2018
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    Título: Lady Bird

    Diretor (a): Greta Gerwig

    Elenco: Saoiorse Ronan, Laurie Metcalf, Tracy Letts, Lucas Hedges, Timothée Chalamet, Beanie Feldstein

    Estreia no Brasil: 5 de Abril de 2018

    Sinopse: Uma jovem se muda para Sacramento, no estado da Califórnia, e lá vive durante um ano. Amigos, amores e aventuras fazem parte de sua jornada em sua nova cidade.

    Sabe quando você fica extremamente ansioso para ver um filme, contando os dias até a estreia? Foi assim que eu me senti quando assisti ao trailer de Lady Bird pela primeira vez em Setembro. O longa, dirigido pela ótima Greta Gerwig – no seu primeiro filme como diretora -, está indicado em quatro categorias no Globo de Ouro e conseguiu a proeza de ter aprovação 99% no Rotten Tomatoes, que faz um apanhado geral das críticas de um determinado filme, produzindo a nota final.

    A protagonista da história é a adolescente de 17 anos Christine, que se denomina Lady Bird. E ela não admite ser chamada pelo seu nome de nascença. Sua vida muda de trajetória quando ela e a família – que está passando por problemas financeiros -, vão morar em Sacramento, na Califórnia. Isso desagrada a menina, que quer se tornar artista e acha todo aquele clima de cidade pequena muito chato. Lady Bird é uma das personagens mais legais que eu já vi no cinema nos últimos tempos; sendo super bem trabalhada pelo roteiro, ela é autêntica, engraçada, e descontraída. E parte da identificação que temos com ela é dada pela atriz Saoiorse Ronan, que está sensacional no papel.

    O enredo se baseia no descobrimento e nas experiências de vida de Christine. Ela é matriculada pela família em um colégio católico, onde tem que rezar todos os dias. A sua mãe sonha que ela vá para a universidade Davis, que foi a mesma frequentada pelo seu pai. Lady Bird quer estudar em Nova York, mas os seus pais não tem dinheiro para pagar e ela não tem notas lá muito boas: sua experiência é com a arte, com a performance e com o teatro.

    Um dos principais temas que rodeiam o filme é a relação mãe e filha, que ganha pouco espaço na televisão e no cinema. Relações femíninas e suas complexidades, aliás, costumam ser jogadas para escanteio. Mas não é o que acontece no filme, que foca em Lady Bird e sua mãe, Marion (Laurie Metcalf). As duas possuem personalidade forte e tem opiniões sobre praticamente tudo. Por isso, o confronto acontece o tempo todo: uma não aceita à outra em diversos momentos. Ambas as personagens são críticas: com a próxima e consigo mesma. A última vez que vi uma amizade-relação parental ser tão bem explorada foi em Gilmore Girls.

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    Apesar de não ser o foco principal, os relacionamentos amorosos de Lady Bird também estão presentes, o que faz todo sentido, já que a trajetória de Christine é sobre amadurecimento e novas experiências (denominado no cinema como coming out age). Lady Bird passa pela primeira paixão (aquela mais ingênua e mágica da adolescência, que nós achamos que vai durar pra sempre), até a famosa cilada com o cara gato e bad boy da escola. Kyle (Timothée Chalamet) é quase uma sátira de personagens masculinos clichês que nós já vimos em milhares de séries e filmes, e não por isso, deixa de ser muito bem pensado por Greta Gerwig. Preste atenção nas falas do personagem.

    Esses momentos são engraçados e difíceis ao mesmo tempo para Christine: a perda da virgindade, a decepção, a frustração com os namoros. Tudo está ali, de maneira honesta e realista, bem como nós vemos acontecer também na nossa vida. Claro, tudo com um toque de drama à mais, mas nada exagerado. O filme claramente prefere dar mais atenção à outras questões na vida da personagem: o que é bem positivo, afinal, ela não é nenhuma garota esperando para ter sua vida alterada por causa de um romance (viu a diferença que faz o filme ser dirigido por uma mulher?).

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    A escolha da carreira e da faculdade, o futuro, também é bem trabalhado durante as cenas. O que escolher, que caminho seguir, e como não deixar a família de lado? Todos nós já passamos por isso ou ainda vamos enfrentar o assunto. E é na delicadeza e sinceridade que Greta trata desses temas, que deixa o longa ainda mais atrativo. As doenças mentais também ganham espaço, mesmo que de maneira sutil. Os sentimentos, o sofrimento e a dor são tratados em diálogos entre os personagens. O pai de Lady Bird, por exemplo, sofre de depressão durante anos e é demitido do trabalho, o que complica ainda mais as economias da família.

    Como o filme se passa em 2002, se prepare também para uma trilha sonora cheia de hits da década passada, com menções honrosas a Alanis Morisette (“Hand In My Pocket”) e Justin Timberlake (“Cry Me a River”).

    Lady Bird é uma história cheia de momentos hilários, sofridos e realistas. Leve sua amiga e o lencinho de papel (seja para chorar de rir ou de tristeza). Enquanto isso, eu fico na torcida para que ele ganhe uma nomeação ao Oscar e muitos prêmios no Globo de Ouro. Amém, Greta Gerwig!

    Dezembro 14, 2017
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    Título: Wonder (Extraordinário)

    Direção (a): Stephen Chbosky

    Elenco: Julia Roberts, Owen Wilson, Jacob Trembley, Izabela Vidovic, Noah Jupe, Daveed Diggs

    Sinopse: Auggie Pullman (Jacob Tremblay) é um garoto que nasceu com uma deformação facial, o que fez com que passasse por 27 cirurgias plásticas. Aos 10 anos, ele pela primeira vez frequentará uma escola regular, como qualquer outra criança. Lá, precisa lidar com a sensação constante de ser sempre observado e avaliado por todos à sua volta.

    Em 2014 eu tive a oportunidade de ler “Extraordinário”, um dos livros mais emocionantes e delicados que já estiveram na minha estante. Faz três anos que eu realizei essa leitura, e nesta semana pude assistir Wonder nos cinemas, adaptação da história escrita pela nova-iorquina R.J Palacio. O longa é dirigido por Stephen Chbosky, responsável por “As Vantagens de Ser Invisível.” Eu gosto muito do diretor, porque ele consegue trazer temas difíceis para a tela de uma maneira honesta. E não foi diferente desta vez.

    O protagonista Auggie (Jacob Tremblay) possui uma doença rara que faz com que ele tenha um rosto deformado. Aos 10 anos de idade, ele convive com a família, que inclui o pai, a mãe e a irmã mais velha. Diferente das outras crianças, Auggie nunca frequentou a escola. Mas mesmo que ele seja diferente dos outros fisicamente, no interior, ele é uma criança parecida com as outras. É apaixonado por Star Wars, tem um interesse enorme em ciências – sua matéria favorita – e uma das coisas que ele mais deseja ter é um melhor amigo. Após anos sendo educado em casa, sua mãe, Isabel (Julia Roberts) acredita que ele precisa ter a experiência escolar. E a oportunidade ideal seria a entrada no quinto ano em uma escola onde todos os alunos também serão novos.

    Mas é claro que essa não vai ser uma experiência fácil. Crianças sabem ser cruéis – assim como adolescentes e adultos -, mas os pais do Auggie, apesar de também estarem com medo do que vai acontecer, tentam pensar positivo. E é assim que começa a jornada do menino, que vai sair da sua concha direto para o mundo (o que pode ser, em muitos momentos, assustador). O período de adaptação de Auggie é complicado. Ele tem que enfrentar o bullying praticado por colegas que não o conhecem, mas também ganha o apoio de Jack Will (Noah Jupe) e Summer (Millie Davis) personagens com grande destaque no livro que também possuem seu espaço no filme.

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    Uma das coisas mais legais do livro e que também está presente aqui é o espaço que todos os outros personagens principais recebem. Nós conhecemos a história pela percepção de Via (Izabela Vidovic), Jack WillMiranda (Danielle Rose), todos aqueles que possuem uma importância significativa para Auggie, sejam como amigos ou familiares. A irmã de Auggie, por exemplo, se sente deslocada da família. Ela ama o irmão, porém sente falta da atenção para os pais, já que eles precisam dedicar boa parte do seu tempo ao caçula. E é numa tentativa de também sair da sua zona-de-conforto que ela se inscreve para o teatro da escola.

    Cada cena e cada diálogo traz uma delicadeza, uma sensação e um sentimento importante para o enredo. Seja quando Auggie começa a experimentar o que é uma nova amizade, sejam as frustrações e a tristeza de se sentir excluído pelos colegas. Os diálogos são poderosos e emocionam: uma das cenas mais significativas acontece quando Auggie questiona sua mãe do porquê ele ser “tão feio”, e ela responde que ele não é, e que mesmo sendo sua mãe, a opinião dela importa, pois ela é quem o conhece melhor no mundo.

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    A história por si só já é emocionante, mas um ponto forte foi a escolha do elenco. Todos os atores desempenham seu papel com maestria, tornando possível compreender todos os personagens (sem exceção), as atitudes de cada um, os seus sentimentos, e como isso tudo influencia a vida do Auggie. Julia Roberts ganha destaque e está incrível no papel, mostrando uma mulher que  apesar de dedicar boa parte da sua rotina para cuidar do filho, ainda encontra força para seguir seus objetivos (como concluir sua tese de mestrado).

    Jacob Trembley, que ganhou o coração de Hollywood em O Quarto de Jack mostra outra ótima performance. É muito difícil não se encantar por Auggie (e querer protegê-lo o tempo todo!) e acredito que a atuação de Jacob ajudou nisso. O protagonista só tem 10 anos, mas tem qualidades que o tornam uma criança madura e corajosa. Durante as cenas, vamos acompanhando a trajetória dele em conhecer um pouquinho mais do mundo lá fora, o que exige força e muita cara à tapa.

    Os preceitos ensinados pelo professor da turma de quinto ano, Sr. Browne (Daveed Diggs), também marcam uma presença importante no longa: “Quando você tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil.”

    Outubro 19, 2017
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    Título: A Morte Te Dá Parabéns (Happy Death Day)

    Diretor (a): Christopher B. Landon

    Gênero: Suspense, terror

    Elenco: Jessica Rothe, Israel Broussard, Ruby Modine, Charles Aitken, Rachel Matthews.

    Sinopse: Uma mulher é assassinada e fica presa entre vida e morte. Ela deve resolver o mistério de seu próprio assassinato, ressucitando várias vezes até descobrir quem foi o responsável pelo crime. Só quando ela compreender o que causou sua morte, pode conseguir escapar de seu destino trágico.

    Quando eu assisti o trailer de A Morte te Dá Parabéns, confesso que o longa não me chamou muito a atenção. O gênero de suspense não é o meu favorito, e eu quase nunca assisto filmes desse estilo no cinema. Mas após ler as críticas positivas sobre ele, eu resolvi apostar. O filme é uma boa pedida para quem quer assistir algo com os amigos que seja engraçado, leve, mas uma boa escolha para assistir em Outubro, mês em que as estreias de terror dominam os cinemas.

    Eu usei a palavra “leve”, porque esse não é um filme de terror que aposta em cenas sangrentas que vão deixar o telespectador chocado. Ele segue a vibe de “It”, com um suspense inteligente, que te deixa curioso e sim, provoca vários sustos no cimema. Um dos trunfos mais legais do filme está na protagonista, Tree (interpretada pela atriz relativamente desconhecida, Jessica Rothe) uma universitária que, apesar de ser irritante e prepotente, tem carisma suficiente para fazer com que o público torça por ela. O dia do aniversário de Tree é um momento que a personagem, desde a morte da sua mãe – que também comemorava o aniversário no mesmo dia que a filha -, prefere esquecer.

    Porém as coisas mudam de rumo quando ela é assassinada, de maneira misteriosa, no dia do seu aniversário. Tree acorda no dia seguinte com a certeza de que teve um dejá vú, mas ela só está repetindo novamente o fatídico momento da sua morte. O filme mistura uma boa trilha sonora com momentos engraçados – e assustadores – em que a personagem tenta descobrir o que está acontecendo e quem é o seu assassino. O problema é que desmascará-lo não é uma tarefa fácil, já que Tree tinha uma legião de pessoas que tinham diversos motivos para se vingar dela.

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    A única pessoa que parece disposta a ajudá-la é Carter (Israel Broussard), que esteve com ela na noite anterior do seu aniversário. Por mais que Tree o rejeite no início, o personagem de Carter é como se fosse uma representação da redenção que ela precisa alcançar, até descobrir definitivamente quem está matando-a.

    As sequencias em que Tree está prestes a perder a vida são bem cativantes. Ela morre de diversas formas diferentes (e algumas, bem surpreendentes), e as cenas cumprem a proposta de deixar quem está assistindo ao filme com os olhos grudados na tela. Uma das melhores cenas acontece no hospital – quando as suspeitas de quem é o seu assassino começam a crescer -, quando ela é perseguida no estacionamento pelo assassino, e posteriormente, em plena rodovia. A cena é de tirar o fôlego e uma das melhores do filme.

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    O que eu também achei interessante no filme foi a forma como a protagonista é conduzida. No inicio, nós só vemos a superficialidade dela. Mas posteriormente, após as suas experiências horrorosas com a morte, as outras camadas da personagem começam a ser reveladas. A atriz também sustenta bem o papel, convencendo tanto nas cenas de alivio cômico, quanto nas de suspense. A personagem também é irônica, corajosa e engraçada. Ou seja: ela passa longe do clichê de mocinha em apuros, tão comum nos filmes de terror (e que ninguém aguenta mais ver).

    Destaque também para os plot twist que ocorrem durante o enredo, que conseguem nos convencer (e mudar de ideia logo depois!). Apesar de alguns erros, como uma saída um pouco previsível para o motivo do assassino estar atrás de Tree, e uma fórmula que já está batida no cinema, “A Morte Te Dá Parabéns” é o longa ideal para assistir com os amigos nas vésperas do dia 31.

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