Livro: A Rainha Vermelha
08/04/2017 | Categoria: Livros

imagem.aspx

Título: A Rainha Vermelha

Editora: Seguinte

Autor(a): Victoria Aveyard

Sinopse: O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho? Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe — e Mare contra seu próprio coração.

Fazia um bom tempo em que eu não lia um livro com o tema de distopia. Esse gênero literário pode estar meio batido, mas The Red Queen foi uma surpresa agradável que me cativou bastante. Eu comecei a leitura com expectativas, afinal, ele havia ganhado o prêmio de melhor estréia de autor do Goodreads em 2015, e também ficou em primeiro lugar na lista do The New York Times.

A protagonista desta história é Mare, uma garota de 17 anos que vive junto com a sua família – e mais milhares de pessoas – em extrema pobreza. Eles estão acostumados a lutar por suas vidas todos os dias, simplesmente porque possuem sangue vermelho, o que significa que eles fazem parte da população que é separada dos prateados, que possuem poderes e uma vida de luxo. Só o que essas pessoas conhecem é o medo, a fome e a impotência. Qualquer pessoa que se atreva a questionar esse sistema não sobrevive.

Algumas pessoas são contra a segregação que impera nesta sociedade distópica, mas eles vivem às espreitas e poucos realmente sabem que esse grupo existe. A Guarda Escarlate é uma organização que luta contra a corte, e Mare toma conhecimento deles aos poucos. Ela vive momentos de conflito com a sua família. O seu irmão mais velho foi para a guerra – assim como todos os outros garotos jovens – e nunca mais retornou. Ela não sabe se ele está vivo ou morto.

A sua vida muda de cabeça para baixo quando Mare é colocada em situações de perigo e descobre que ela não é quem imaginava ser. A personagem também possui poderes: ela pode controlar a eletricidade. Mas como isso é possível, se os vermelhos não tem poderes? Existem mais pessoas como ela? Mare, que sempre viveu com muito pouco, se vê de uma hora para a outra no meio da família real e dos prateados, tendo que esconder a sua identidade como uma peça no jogo da rainha Elara, e sendo noiva de Maven, o filho mais novo do rei Tiberias VI. Essas são as pessoas que ela mais odiou durante a sua vida inteira; sendo manipulada por eles e com todos os seus passos sendo observados, Mare não sabe como agir.

O livro é repleto de ação e capítulos que nos deixam super curioso para saber o que vai acontecer em seguida. A autora sabe colocar diversos elementos surpresa ao longo da história, e por mais que o livro seja grande, a sua narrativa é rápida. Mare Barrow é super bem trabalhada durante cada parte do enredo, e temos uma heroína forte, corajosa e muito teimosa. A minha característica favorita das distopias são as protagonistas poderosas. Por mais que ela passe por milhares de dúvidas e momentos em que sua vida é colocada em jogo, Mare não deixa ninguém domina-la.

O romance é desenvolvido aos poucos, e temos uma rivalidade acirrada entre dois irmãos que são muito diferentes: Maven tem todas as qualidades que um próximo rei precisa, mas quem realmente é o sucessor do trono é Cal, seu irmão mais velho. Mare se torna próxima de ambos, e cada um deles desperta um lado diferente nela. Apesar de incrementar a história e Maven e Cal serem ótimos personagens, o foco aqui não é o romance.

O elemento sobrenatural é um dos pontos chave. Cada prateado possui um poder: há até mesmo uma hierarquia entre eles. Alguns poderes e algumas famílias são mais valorizadas do que outras, e entre este povo – que se acha tão melhor que os vermelhos – também existem disputas acirradas e muitas mentiras. É interessante ver como a autora trabalha com tudo isso. Temos muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, mas ela consegue equilibrar bem isso durante a leitura. Só resta ler a sequencia para saber quais focos serão mais explorados no segundo livro.

O livro me conquistou muito, e eu me empolguei com a história rapidamente. É uma indicação certeira, e quem é fã de A Seleção e Jogos Vorazes, por exemplo, vai curtir.


Livros sobre o verão
04/03/2017 | Categoria: Livros

jenny han

Título: The Summer I Turned Pretty – O Verão Que Mudou A Minha Vida

Autor (a): Jenny Han

Editora: Galera Record

Gênero: Young Adult

Sinopse: A vida de Belly é medida em férias de verão. Para ela, todas as coisas boas só acontecem entre os meses de junho e agosto, quando está na casa de praia junto a Susannah, única e melhor amiga de sua mãe e uma espécie de tia, e seus dois filhos, Jeremiah e Conrad. Mais do que irmãos postiços e companheiros de férias, os filhos de Susannah tornaram-se o centro das suas emoções. A véspera do aniversário de 16 anos de Belly marca também o fim daquele que parece ser o último verão onde estarão todos reunidos em Cousins Beach. A partir do ano seguinte todos estarão ocupados demais e talvez algum deles já nem esteja mais entre nós…

A Jenny Han é uma das minhas autoras favoritas, e eu sempre tive vontade de ler essa série, que é uma das mais famosas dela. Um livro que mistura romance, amizade, e te envolve de uma maneira que só essa autora sabe fazer, “The Summer I Turned Pretty” traz como protagonista Belly, uma garota prestes a fazer 16 anos. Ela sempre passa as suas férias de verão na praia. Jeremiah e Conrad são seus amigos de infância, e desde os onze anos de idade, ela possui uma paixão (quase) platônica por um dos irmãos, que nunca a correspondeu, e sempre a viu como uma menina mais nova.

Enquanto Conrad é mais tímido e fechado – e também o mais velho -, Jeremiah é alguém com quem Belly sempre pode contar nos momentos de companheirismo. Ele é engraçado e tem uma conexão especial com ela. Os dois a encantam de uma maneira diferente. Apesar do triângulo amoroso ser o ponto chave do livro, as relações familiares e o amadurecimento são os protagonistas da história. 

A personagem ainda é uma adolescente, mas ela tem que crescer e entender que nem tudo é do jeito que a gente quer. Belly é mimada demais no início do enredo, e aos poucos ela vai aprendendo a respeitar mais os rumos que as outras pessoas escolhem, mesmo que ela não tenha as mesmas vontades. Eu confesso que me vi um pouco nela em alguns momentos. Quando nós temos 15 ou 16 anos, parece que aquelas paixões são definitivas e que vão definir muita coisa na nossa vida. Mas, mais tarde, a gente descobre que não é bem assim. 

É um livro super envolvente e eu com certeza quero terminar a série. No final da história, eu já sentia que conhecia muito bem os personagens.

 sarah dessen

Título: Aquele Verão

Autor (a): Sarah Dessen

Editora: iD

Gênero: Young Adult

Sinopse: Há muita coisa acontecendo na vida de Haven… Primeiro, o casamento do pai com Lorna Queen, a “Mulher do Tempo” da televisão local. Depois, o casamento da irmã Ashley com o chato Lewis Warsher, que não parece combinar com Ashley de jeito algum. Haven também não consegue ignorar o fato de ter quase um metro e oitenta e cinco de altura e ainda continuar crescendo. Ela mal consegue ver quem ela é agora ou onde ela pode se ajustar. Então, o antigo namorado de Ashley, Sumner Lee, aparece e reacende as lembranças de Haven do verão quando seus pais eram felizes, a irmã era descolada e despreocupada, e tudo era perfeito… ou pelo menos assim parecia.

Aquele Verão é o livro de estreia de Sarah Dessen, publicado em 1996. Mesmo sendo apenas o seu primeiro livro, nós já temos um gostinho enorme do seu estilo, sempre tão próprio: suas personagens estão constantemente lidando com a família. Seja com o pai, em “O Que Aconteceu Com o Adeus“, ou com o irmão, em “Bons Segredos“. Haven é uma adolescente que passa por momentos confusos. A sua vida mudou completamente após a separação dos seus pais, e o ideal de “família feliz” terminou em poucos meses, quando o seu pai traiu sua mãe. Após pouco tempo, ele está casando novamente. Lorna Queen, sua colega de trabalho – ambos são jornalistas – é a sua noiva, e Haven não consegue lidar com ela. A ideia de outro casamento a assusta, mesmo que sua irmã mais velha, Ashley, pareça estar aceitando tudo tão bem, ela não sente o mesmo.

Casamentos são uma grande questão na vida da protagonista: sua irmã também está prestes a pisar no altar, e agora será apenas Haven e a mãe morando em casa. Apesar dela e de Ashley serem próximas, a relação entre as duas nunca foi das melhores. Um misto de admiração e ciúmes sempre esteve presente. Haven é mais tímida, e Ashley é o destaque da família, seja com os seus namorados, o noivo e a cerimônia chegando.

As coisas começam a mudar quando Sumner Lee, ex-namorado de Ashley, reaparece na cidade. Haven mantinha uma boa relação de amizade com ele, mas que chegou ao fim após ele e Ashley terminarem, há alguns anos. Sumner encanta todos ao seu redor. Ele é comunicativo, divertido, e consegue trazer o melhor de Haven vir à tona. Porém, ele é mais velho que ela, e sempre a enxergou como uma “irmã mais nova”, mesmo que agora Haven tenha crescido, e ela mesma não consiga mais se reconhecer ao se olhar no espelho.

O enredo toma rumos inesperados, e a Sarah Dessen sempre gosta de fazer reviravoltas: eu desejava um final para a personagem, mas ela conseguiu fazer algo diferente e realista. Para os fãs da autora, essa leitura é muito legal para perceber o quanto ela evoluiu no seu trabalho, mas sempre soube fazer histórias especiais.


Livro: Juntando Os Pedaços
15/01/2017 | Categoria: Livros

Título: Juntando Os Pedaços – Holding Up The Universe

Autor (a): Jennifer Niven

Editora: Seguinte

Sinopse: Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer o rosto das pessoas. Quando ele olha para alguém, vê os olhos, o nariz, a boca… mas não consegue juntar todas as peças do quebra-cabeça para gravar na memória. Então ele usa marcas identificadoras, como o cabelo, a cor da pele, o jeito de andar e de se vestir, para tentar distinguir seus amigos e familiares. Mas ninguém sabe disso — até o dia em que ele encontra a Libby. Libby é nova na escola. Ela passou os últimos anos em casa, juntando os pedaços do seu coração depois da morte de sua mãe. A garota finalmente se sente pronta para voltar à vida normal, mas logo nos primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa de seu peso e vai parar na diretoria. Junto com Jack. Aos poucos essa dupla improvável se aproxima e, juntos, eles aprendem a enxergar um ao outro como ninguém antes tinha feito.

Uma das minhas primeiras leituras de 2017 é o livro da minha nova autora favorita, Jennifer Niven. Os temas escolhidos por ela fizeram eu me apaixonar pelas suas histórias, como aconteceu com “Por Lugares Incríveis.”  E dessa vez eu também consegui me identificar com os personagens. Os dois protagonistas possuem as suas próprias dificuldades: Jack tem 17 anos e sofre de uma doença que o faz não lembrar de nenhum rosto, inclusive o dos familiares e das pessoas que ele mais ama. Mas, apesar de sofrer com isso há um tempo, ele nunca revelou para ninguém, e acaba levando uma vida superficial no ensino médio, com a esperança de agradar a todos para que não descubram a sua doença e ele não seja excluído.

Libby recebeu o título de “a adolescente mais gorda dos Estados Unidos” quando, após a morte da mãe, atingiu o limite e descontou toda a sua raiva, frustração e tristeza na comida. Ela teve que ser retirada de casa com ajuda médica, pois precisava se tratar. Além dos problemas com ansiedade e depressão, ela sofreu bullying na infância, o que dificultou ainda mais a sua jornada. Mas depois de passar anos se recuperando em casa, ela decide ir para a escola novamente.

Os dois, mesmo sendo diferentes, tem os seus caminhos cruzados na escola. Jack faz parte do grupo de meninos que zoa Libby por causa do seu peso, e uma situação infeliz logo no primeiro dia de aula dela, faz com que os dois se conheçam, mas não de uma maneira favorável. Libby perde as esperanças de ter o ano letivo que ela esperava, ao ser vítima novamente de bullying.

Os dois personagens são profundamente trabalhados e dividem a narração do livro. Ao mesmo tempo que o leitor começa a entendê-los, eles também vão amadurecendo e encontrando a si mesmos. Jack e Libby são de mundos opostos, mas tem muito mais em comum do que eles imaginam. Os dois são muito solitários e tem medo de mostrar quem são – seja pela opinião alheia, ou porque não querem se magoar – e carregam questões importantes dentro de si. Libby precisa vencer a sua insegurança enorme, e Jack, o fato de que possui uma doença incurável e que modifica toda a sua vida.

A autora consegue mostrar de maneira honesta como os padrões sociais e os preconceitos que acompanham a vida dos jovens podem afetar alguém de maneira muito séria. Libby é rejeitada por muitos dos seus colegas, e pessoas enviam mensagens anônimas para ela a ofendendo, e questionando o motivo dela ser gorda. Achei importante a Jennifer Niven tocar no assunto da gordofobia – apesar de não ter utilizado a palavra –  e mostrar como a sociedade acha que é errado alguém ser acima do peso, ao invés de enxergá-la pelo que ela é. E não pela sua aparência. O tempo todo, os rótulos são questionados no decorrer dos capítulos.

O romance dos protagonistas serve de pano de fundo para problemas complexos que eles possuem em suas vidas. Eu também achei interessante conhecer mais sobre a prosopagnosia, uma doença que atinge milhares de pessoas no mundo todo: e muitas delas nem sabem disso. A narração acompanha a luta de dois jovens que precisam se encontrar, e se aceitarem pelo que eles são. E também se permitirem apaixonar-se e amar de verdade pela primeira vez.


Livro: Depois de Você
17/12/2016 | Categoria: Livros

download

Titulo: Depois de Você

Autor (a): Jojo Moyes

Editora: Intrínseca

Preço Sugerido:R$19,90 na Saraiva

Sinopse: Quando uma história termina, outra tem que começar. Em Depois de você, Lou ainda não superou a perda de Will. Morando em um flat em Londres, ela trabalha como garçonete em um pub no aeroporto. Certo dia, após beber muito, Lou cai do terraço. O terrível acidente a obriga voltar para a casa de sua família, mas também a permite conhecer Sam Fielding, um paramédico cujo trabalho é lidar com a vida e a morte, a única pessoa que parece capaz de compreendê-la. Ao se recuperar, Lou sabe que precisa dar uma guinada na própria história e acaba entrando para um grupo de terapia de luto. Os membros compartilham sabedoria, risadas, frustrações e biscoitos horrorosos, além de a incentivarem a investir em Sam. Tudo parece começar a se encaixar, quando alguém do passado de Will surge e atrapalha os planos de Lou, levando-a a um futuro totalmente diferente.

O livro retoma a vida de Louisa Clark um tempo depois da morte de Will. Ela viajou por diversos lugares do mundo, conheceu novos países, e fez tudo aquilo que havia prometido para si mesma que iria fazer, após ler a carta deixada por Will. Mas mesmo tentando se arriscar, Lou ainda está com um sentimento de luto enorme no seu coração. Por mais que tente, ela sempre sente falta dele, em todos os momentos. E fica mais difícil ainda seguir em frente. Lou compra um apartamento em Londres, e agora ela vive sozinha. Apesar de ter dito para si mesma que sua vida não iria continuar pacata, ela se contenta com um trabalho em um bar no aeroporto, onde é importunada pelo chefe e observa, todos os dias, pessoas se encontrarem e se despedirem.

É aí que ela começa a frequentar um grupo de apoio para pessoas que perderam alguém que elas amavam. Lou conhece pessoas que ficaram viúvas, outras que tiveram que enfrentar a morte de um parente próximo de anos, ou no caso dela, um homem que ela conviveu por seis meses, mas que fez toda a diferença em sua vida. Ela conhece Jake, um adolescente que perdeu a mãe e tem que superar a perda ao mesmo tempo que lida com os romances frustrados do pai; e também se aproxima do suposto “pai” dele, Sam, um paramédico que acaba cruzando o seu caminho quando ela mais precisa.

Louisa também tem uma surpresa reveladora, e que resgata um pedaço enorme de Will para a sua vida: ele tem uma filha com uma mulher que era a sua namorada na época da faculdade, mas nunca teve contato com a garota – ou sabia que ela existia, já que a mãe preferiu esconder o fato que estava grávida por não confiar nele -, e então conhecemos Lily. Ela é uma adolescente rebelde, que não se dá bem com a família e odeia o padrasto. Lily tem poucos amigos e não sabe para onde ir, e quando conhece Louisa, as duas se aproximam logo de cara, mesmo que os conflitos entre ambas sejam enormes.

Nessa sequência vemos não só a evolução de Lou, mas sim a do pai e da mãe de Will. O Sr. e a Sra. Traynor estão em momentos diferentes da vida: ele vai ter o terceiro filho, após se casar novamente, e ela mora sozinha. Os dois tem interesse em conhecer Lily e poder se aproximar de uma parte da vida do filho que ninguém, até aquele momento, tinha conhecimento.

A protagonista continua a nos cativar, e Jojo Moyes não deixa de lado as suas características que os leitores amam tanto: o fato de nos fazer gostar dos personagens e as reviravoltas no enredo, que te deixam surpreso e emocionado ao mesmo tempo. Na minha opinião, o segundo livro é um amadurecimento ainda maior de Louisa, que é – e sempre foi – a grande protagonista desta história. Ela se apaixona novamente, se decepciona, mas aprende a reencontrar o seu caminho, levando consigo todas as coisas positivas que Will deixou.


Os livros que amei em Outubro
27/10/2016 | Categoria: Livros

Outubro foi um ótimo mês para adiantar as minhas leituras. Os meus dias andam super corridos e por isso às vezes a leitura fica de lado, mas eu consegui retomar o meu hábito aos poucos em Agosto e li alguns livros que já entraram para a lista dos meus favoritos de 2016. Todas as sugestões aqui foram obras que me fizeram rir, se emocionar, e acreditem, chorar muito também (acho que esse foi um mês emotivo gente). 

por-lugares-incriveis

Por Lugares Incríveis – Jennifer Niven – Editora: Seguinte

Este livro pode ganhar o título de o melhor que eu já li em 2016. Eu sei, talvez eu diga isso em muitos posts aqui do blog, mas eu nunca havia me envolvido tanto com os personagens como aconteceu em “Por Lugares Incríveis.” Violet Markey é uma menina de 17 anos que perdeu a irmã mais velha em um acidente de carro já faz algum tempo. Mas ela ainda não conseguiu superar a morte da irmã, e agora é uma pessoa muito diferente do que ela era antes do acidente. Theodore Finch tem poucos amigos, sofre bullying na escola, lida com a rejeição do pai – que agora possui outro filho e uma nova família – e vive na inconstância. Um dia ele está feliz, e no outro, profundamente triste.

Os dois se conhecem e vão despertar um no outro sentimentos que muda a vida dos dois drasticamente, de uma hora para a outra. O tema principal do livro são as doenças mentais, como depressão, transtorno bipolar e ansiedade. A autora trata de temas complexos de maneira mais aprofundada, e acredite, você vai se emocionar e entender um pouco mais sobre a luta das pessoas (e na história, dos jovens, principalmente) que lidam com isso. O livro, de certa maneira, também pode ser levado como um alerta: os nossos problemas e os das outras pessoas devem ser reconhecidos e validados, e não ignorados. Eu senti uma conexão enorme com essa história e me apeguei muito aos personagens. Sabe aquele livro que você termina e parece que te deixa um aprendizado? Foi exatamente assim comigo. Indico para todo mundo ler. Mas se prepare, porque ele mexe com o seu emocional de verdade!

harry-potter

Harry Potter and The Cursed Child – J.K Rowling, John Tiffany e Jack Thorne 

Foi emocionante para mim visitar o mundo criado por J.K Rowling outra vez. Não quero dar spoilers, mas se você é fã da série, não deixe de ler o livro: você não vai se arrepender. Além de saber mais sobre o futuro de personagens queridos, acompanhamos uma história praticamente protagonizada por Albus Potter, que desafia Harry constantemente. O personagem agora já tem 40 anos e é pai de três filhos. Ele trabalha no Ministério da Magia e conhecemos uma versão bem mais madura do antigo protagonista. O melhor amigo de Albus é Scorpius Malfoy, que possui poucas semelhanças com o pai. Os dois se dão bem logo de cara e desenvolvem uma forte amizade.

A história é instigante, e você não vai ficar satisfeito até chegar na última página. Eu li apenas em dois dias: o enredo é extremamente envolvente e cheio de surpresas para os fãs da série. Não deixa nada a desejar, e o formato de peça dá um tom diferente para essa série de livros tão consagrada. Eu li a versão em inglês, mas foi tranquilo, pois o vocabulário não é difícil. A versão em português será lançada pela Rocco no dia 31 em todo o Brasil.

sarah-dessen

Uma Canção de Ninar – Sarah Dessen – Editora: Seguinte

Sarah Dessen é uma das minhas escritoras favoritas de livros Young Adult. “Uma Canção de Ninar” é romântico, envolvente, mas com alguns toques de realidade. Ele não cai nos clichês e traz uma protagonista cética: Remy não acredita no amor. Sempre que está próxima de se envolver muito com alguém ela termina tudo. Ela tem medo de se magoar, principalmente após ver a mãe se casando e logo depois se divorciando, como se fosse quase um hábito, ano após ano. Com o fim do colégio e o início da faculdade em outro estado se aproximando, Remy quer aproveitar o seu último verão em casa. É aí que ela conhece Dexter, vocalista de uma banda que está fazendo shows na cidade. E ela tem uma regra bem clara: nada de músicos.

Mas Dexter é muito diferente de qualquer outro cara que Remy já ficou. A começar pelas manias irritantes dele, e o seu jeito atrapalhado e nada perfeccionista. Ele não tem nada a ver com ela, mas por insistência do próprio Dexter, os dois se aproximam, e de maneira surpreendente, eles dão muito certo juntos. O livro fala sobre diversas formas de amor e de como as pessoas o visualizam de maneira diferente. Cada personagem lida com esse sentimento de uma maneira muito distinta, e isso foi o mais legal de perceber durante a leitura.


Livro: O livro de Memórias
25/09/2016 | Categoria: Livros

livro-de-memorias

Título: O Livro de Memórias

Autor (a): Lara Avery

Editora: Seguinte

Gênero: Young Adult

Sinopse: Sammie sempre teve um plano: se formar no ensino médio como a melhor aluna da classe e sair da cidade pequena onde mora o mais rápido possível. E nada vai ficar em seu caminho — nem mesmo uma rara doença genética que aos poucos vai apagar sua memória e acabar com sua saúde física. Ela só precisa de um novo plano. É assim que Sammie começa a escrever “o livro de memórias”: anotações para ela mesma poder ler no futuro e jamais esquecer. Ali, a garota registra cada detalhe de seu primeiro encontro perfeito com Stuart, um jovem escritor por quem sempre foi apaixonada, e admite o quanto sente falta de Cooper, seu melhor amigo de infância de quem acabou se afastando. Porém, mesmo com esse registro diário, manter suas lembranças e conquistar seus sonhos pode ser mais difícil do que ela esperava.

Quando me deparei com a capa maravilhosa do “O Livro de Memórias”, da autora norte-americana Lara Avery, eu me apaixonei na hora e fiquei louca para comprá-lo. Mas eu não fazia a menor ideia de que a história iria me impactar tanto! A protagonista é Sammie, uma menina que está prestes a se formar no colégio e embarcar no próximo ano para a NYU, sua faculdade dos sonhos em Nova York. Ela trabalhou durante quatro anos da sua vida para conquistar esse objetivo, dando atenção total aos seus estudos.

Sammie sempre teve muitos planos e ela quer fazer algo de diferente para a sociedade e ter uma carreira de sucesso. Com poucos amigos, a sua única companheira na escola é Maddie, que é sua parceria no Clube de Debate, e a acompanha até a final nacional. A sua vida é planejada em detalhes, mas quando ela descobre que possuí uma doença genética incurável, a NPC (Niemann Pick Type C), conhecida popularmente como uma “Alzheimer de jovens”, todo o seu futuro parece estar em risco. A NPC é uma doença real e muito rara em jovens: apresenta inúmeros efeitos, entre eles a demência, a perda das habilidades motoras, expectativa de vida reduzida, e a perda de memória.

Ela não suporta a ideia de se esquecer de tudo que planejou, e por isso, tem a ideia de iniciar um diário em seu notebook para lembrar de todos os momentos importantes de sua vida e as experiências recentes que ela passou. Dentre elas, está o seu primeiro romance. Sammie teve, por anos, uma paixão platônica por Stuart Shah, um menino inteligente e mais velho da sua escola, que estava tentando a vida de escritor em Nova York. Quando ele volta para a cidade, é a sua chance de tentar se aproximar dele.

O romance está muito presente no livro, de forma delicada e empolgante. Ele é intercalado com os capítulos mais sérios, em que a doença começa a progredir com mais rapidez na personagem. É um livro que te faz embarcar na história. Encontrei na Sammie algumas características semelhantes às minhas, e outras muito diferentes. Mas mesmo assim, você se apega a personagem e a luta diária dela. A presença da mãe e do pai, e o envolvimento da família com a doença também abala o leitor. Sammie possui irmãos mais novos, e eles também vão ter que lidar com as inconstâncias da doença.

Um dos meus personagens favoritos foi o Cooper, o amigo de infância da personagem. Eles eram muito próximos quando novos, mas o ensino médio e suas transformações inevitáveis entraram no caminho. Porém, com a descoberta da doença, os dois se aproximam de novo, e Sammie encontra naquele garoto – que aparentemente não tem nada a ver com ela – uma pessoa que consegue mudar a sua vida para melhor.

Eu confesso que eu não esperava me envolver tanto com essa leitura. Não sei é porque eu ando meio emocional nos últimos dias, mas o enredo me pegou de jeito. E depois de algumas pesquisas, eu achei o Tumblr criado pela Laura Avery, em que famílias reais contam suas experiências dolorosas com a NPC. Mais do que apenas um livro jovem adulto, ele me fez refletir muito sobre o quanto algumas pessoas tem que lutar para sobreviver todos os dias, e como nós devemos dar atenção e visibilidade para doenças que muitas vezes, não vemos na mídia. E a autora conseguiu fazer isso com maestria neste livro.


Livro: Olhos D’água
27/08/2016 | Categoria: Livros

livro-olhos-dagua-e-book-conceico-evaristo-pdf-679111-MLB20480954464_112015-F

Título: Olhos D’água

Autor (a): Conceição Evaristo

Editora: Pallas

Preço Sugerido: R$17,90 na Saraiva

Sinopse: Em Olhos d’água, Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem.

Mês passado eu fiz um post contando sobre os últimos livros que eu havia lido, e vocês puderam perceber pela lista que a vez era dos autores brasileiros. E seguindo essa linha, eu li uma das obras mais emocionante a qual me deparei neste ano: Olhos D’água, de autoria de Conceição Evaristo, fez eu refletir, chorar, e questionar cada vez mais a desigualdade social, o preconceito e o racismo presentes no Brasil.

A autora tem 69 anos e é mineira, nascida em Belo Horizonte. Seus livros abordam a condição do negro, com foco especial na mulher. Olhos D’água ganhou o Prêmio Jabuti em 2015 na categoria Contos. “Minha literatura não é pior nem melhor do que qualquer outra, só nasce de uma experiência diferente da qual eu me orgulho e que não quero camuflar”, revelou, em entrevista para O GLOBO.

O livro possui diversos contos, e todos eles trazem como protagonistas afro-descendentes. O primeiro leva o título da obra, e já nos dá uma experiência de como será as outras histórias. A protagonista relembra as lutas de sua mãe, enquanto questiona-se qual seria a verdadeira cor dos olhos dela. Ele é seguido por “Ana Davenga”, um dos que mais me impactou. A escrita da autora faz o leitor se sentir um observador, e ele fica apreensivo e aflito com os acontecimentos. Ana é uma mulher que leva o sobrenome do seu parceiro, o Davenga, que é o amor de sua vida. Porém, ele é um criminoso e ela nunca sabe se ele vai voltar em segurança para casa ou não, apesar de já estar acostumada com essa sensação.

Você vai sentir vários baques de realidade enquanto lê o livro. As histórias só são “ficção” na teoria, pois tudo o que acontece na obra é uma reflexão da nossa sociedade e da realidade que muitos de nós sabe que existe, mas ignora, porque não vive nela. Mas ela está ali, presente, todos os dias: um exemplo disso é “Duzu-Querença”, e “Di Lixão”, que retratam moradores de rua e suas trajetórias. Nós vemos mendigos todos os dias. Mas esquecemos que eles possuem uma trajetória, uma história de vida e são seres humanos. Assim como eu e você, que possuem uma situação social e financeira muito melhor.

Temas como a homossexualidade e a sensualidade também estão muito presentes na obra. “Luamanda”, traz como protagonista uma mulher de 50 anos que já teve diversas experiências amorosas e sexuais na sua vida, e que mesmo sendo considerada pela sociedade uma mulher “mais velha”, ela ainda tem encontros, e neste conto, encara-se no espelho relembrando o seu passado, antes de um deles. O amor entre duas mulheres marca “Beijo na Face”, que é narrado em terceira pessoa. Nele conhecemos Salinda, uma mulher que sofre com o ciúme desenfreado e as ameaças violentas do marido. Ela possui uma amiga que é a sua verdadeira paixão, porém o relacionamento é secreto.

Também acompanhamos a vida complicada daqueles que vivem na favela e as diferenças sociais, tão presentes no livro, citadas e exploradas em “Zaíta esqueceu de guardar os brinquedos”, “Lumbiá”, “Os Amores de Kimbá”, e outros contos. A violência é um tema muito presente. Grande parte da família e dos protagonistas do livro tem que lidar com a inconstância, o medo e as consequências de viver no morro.

Posso dizer que Conceição Evaristo consegue abordar todos esses temas com maestria. Alguns contos são curtos e o livro pode ser lido em poucos dias, mas não se engane: a profundidade dele é enorme, mesmo com poucas páginas. É uma leitura que deve ser feita devagar, para que você possa compreender de verdade as histórias e os personagens fortes presentes nele. Com certeza, um dos melhores livros que li em 2016 e essencial para se ter na cabeceira e realmente te fazer pensar sobre a sociedade em que nós vivemos, e suas injustiças. 


Os últimos livros que eu li
16/07/2016 | Categoria: Livros

Enquanto eu estava dando uma olhada na lista dos últimos livros que eu havia lido lá no Goodreads, percebi que todos eles eram brasileiros! Eu sempre gostei de literatura nacional, mas nos últimos meses os autores brasileiros tem sido o meu foco principal (e não só pela lista do vestibular!). A verdade é que temos autores incríveis e talentosos aqui: alguns já são conhecidos do público, outros nem tanto, e também há os mais novos. E eu acho importante a gente dar o nosso apoio lendo e comprando esses livros para valorar a profissão dos autores e a importância da literatura no país.

40 dias

Título: Quarenta Dias

Autor (a): Maria Valéria Rezende

Editora: Alfaguara

Sinopse: “Quarenta dias no deserto, quarenta anos.” É o que diz (ou escreve) Alice, a narradora de Quarenta dias, romance magistral de Maria Valéria Rezende, ao anotar num caderno escolar pautado, com a imagem da boneca Barbie na capa, seu mergulho gradual em dias de desespero, perdida numa periferia empobrecida que ela não conhece, à procura de um rapaz que ela não sabe ao certo se existe. Alice é uma professora aposentada, que mantinha uma vida pacata em João Pessoa até ser obrigada pela filha a deixar tudo para trás e se mudar a Porto Alegre. Mas uma reviravolta familiar a deixa abandonada à própria sorte, numa cidade que lhe é estranha, e impossibilitada de voltar ao antigo lar. Ao saber que Cícero Araújo, filho de uma conhecida da Paraíba, desapareceu em algum lugar dali, ela se lança numa busca frenética, que a levará às raias da insanidade.

Este livro é o vencedor da categoria “melhor livro de romance” da 57ª edição do Prêmio Jabuti, o mais importante da literatura brasileira. A autora nos leva para uma jornada com a protagonista da história, a professora Alice, que levava uma vida confortável em João Pessoa. Alcançando a meia-idade, ela é obrigada pela única filha, Norinha, a se mudar para Porto Alegre, para cuidar do futuro neto. Vítima do egoísmo da primogênita, ela se muda para o Sul e tem que deixar tudo o que era dela para trás.

Em meio a tantos conflitos e tentando se ajustar em uma realidade que não tem nada a ver com o qual ela tinha anteriormente, Alice, após ser enganada pela filha e o genro, decide abandonar o novo apartamento e embarcar em uma busca por Cícero Araújo, o filho desaparecido de uma amiga da Paraíba. Cícero pode ser um pretexto para ela escapar de tudo, mas Alice vai se arriscar a conhecer pessoas e um mundo diferente do qual ela nunca esperaria achar naquela nova cidade. O livro aborda diversos temas, e o foco principal deles é as minorias. Os negros, os pobres e os moradores de rua ganham um espaço fundamental nessa obra, que relaciona também com tudo isso o modo como a sociedade ignora os idosos e os moradores das periferias.

poética

Título: Poética

Autor (a): Ana Cristina Cesar

Editora: Companhia Das Letras

Sinopse: Ana Cristina Cesar deixou em sua breve passagem pela literatura brasileira do século XX uma marca indelével. Tornou-se um dos mais importantes representantes da poesia marginal que florescia na década de 1970, justamente pela singularidade que a distanciava das “leis do grupo”. Criou uma dicção muito própria, que conjugava a prosa e a poesia, o pop e a alta literatura, o íntimo e o universal, o masculino e o feminino — pois a mulher moderna e liberta, capaz de falar abertamente de seu corpo e de sua sexualidade, derramava-se numa delicadeza que podia conflitar, na visão dos desavisados, com o feminismo enérgico, característico da época. Entre fragmentos de diário, cartas fictícias, cadernos de viagem, sumários arrojados, textos em prosa e poemas líricos, Ana Cristina fascinava e seduzia seus interlocutores, num permanente jogo de velar e desvelar. Cenas de abril, Correspondência completa, Luvas de pelica, A teus pés, Inéditos e dispersos, Antigos e soltos: livros fora de catálogo há décadas estão agora novamente disponíveis ao público leitor.

Ana Cristina Cesar é uma das poetas brasileiras mais importantes que o país já teve. Carioca, formada na PUC-RJ e com um mestrado em tradução literária na Universidade de Essex, na Inglaterra, ela produziu boa parte do seu material nos anos 70. Eu conheci o seu trabalho completo por meio dessa edição especial, que traz todas as suas obras, além de críticas importantes sobre os seus trabalhos. Este ano, ela foi escolhida para ser homenageada pela Flip na Festa Literária Internacional de Paraty.

Quando eu comecei o livro, achei que ele possuía uma compreensão bem difícil. O que é um fato: é bem complicado tentar “decifrar” os poemas da autora, mas depois que você ler mais sobre a vida dela e os temas que ela costumava abordar, vai poder compreendê-los melhor. Ana escreve sobre o amor, desejos, representação feminina e dores de um jeito único que eu nunca havia lido antes. Eu havia conhecido outros poemas dela em 2015 quando li uma coletânea com os poetas marginais, mas só pude realmente ver a sua essência depois da leitura do Poética. É imperdível: o livro divide muitas opiniões, mas ela conseguiu me conquistar.

1808

Título: 1808

Autor (a): Laurentino Gomes

Editora: Planeta

Sinopse: Considerada por muitos historiadores como a mais importante decisão tomada pelo príncipe regente e futuro rei Dom João VI durante os treze anos de permanência da corte portuguesa no Rio de Janeiro, a efetivação do Reino Unido colocou um ponto final no período colonial brasileiro e deu início de fato ao processo de Independência do país. “A criação do Reino Unido foi decidida em meados de 2014 no Congresso de Viena, que reuniu na Áustria as potências vencedoras de Napoleão”, explica Laurentino Gomes. “Foi uma decisão tomada praticamente à revelia da corte portuguesa no Rio de Janeiro e anunciada na Europa muito antes de que os próprios brasileiros e portugueses tomassem conhecimento dela.” Lançado originalmente na Bienal do Rio de Janeiro de 2007, 1808 permanece há sete anos consecutivos na lista dos livros mais vendidos, um recorde no mercado editorial brasileiro na categoria não-ficção. Publicado em português e inglês, atualmente suas edições internacionais estão disponíveis em mais de vinte países, incluindo Portugal, Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia, Índia e África do Sul.

Se você, assim como eu, é apaixonado por História, eu super indico a leitura do 1808, um dos livros mais aclamados do país. Escrito pelo jornalista paranaense Laurentino Gomes, o livro conta com detalhes a chegada da família real portuguesa ao Brasil e as suas consequências, que ainda são refletidas na sociedade brasileira até a atualidade. A obra é um aprendizado e tanto para aqueles que desejam saber como era a vida não só da corte, mas sim dos escravos e da população, que não tinha acesso ao mínimo de educação ou hábitos de higiene, e também possuía pouca noção do que estava ocorrendo ao seu redor.

Além de ajudar a entender muito sobre o desenvolvimento do Brasil, ele também auxilia bastante nos conhecimentos de História do Brasil que vivem caindo no vestibular. Eu já quero ler as duas sequências: 1822 e 1889.


Livro: Confissões de uma garota excluída, Mal-Amada e (um pouco) dramática
29/05/2016 | Categoria: Livros

Thalita

Título: Confissões de Uma Garota excluída, Mal-Amada e (um pouco) dramática.

Autor (a): Thalita Rebouças

Editora: Arqueiro

Preço Sugerido: R$29,90

Sinopse: Tetê acaba de se mudar com a família toda para Copacabana, no Rio de Janeiro, para a casa dos avós. O lindo e espaçoso apartamento da Barra da Tijuca em que morava teve que ser vendido, pois com a crise o pai foi demitido, e o resultado é que a vida dela virou de cabeça para baixo. Além de perder a privacidade, tendo que dividir o espaço com cinco parentes malucos que brigam o tempo todo, ela perdeu todas as suas referências. A única coisa que a deixa feliz é cozinhar. E, claro, comer as delícias que faz. O lado bom foi se livrar do antigo colégio, no qual sofria bullying por causa de seu jeito peculiar. Sem contar sua desilusão amorosa… O problema é que ela está apavorada, porque agora tudo será novo e estranho, com o ensino médio, com a nova escola, e sem conhecer ninguém. E morre de medo de ser excluída ou de sofrer bullying novamente. Ela está bem mal, para dizer a verdade. Ou talvez seja um pouco de drama, porque já no primeiro dia as coisas parecem ser um pouco diferentes… Pelo jeito, tudo vai mudar, e para melhor.

Ai, que saudade de ler um livro da Thalita! Para quem não sabe, ela é uma das minhas autoras brasileiras favoritas. Eu já li a maioria das suas obras, e estava super ansiosa para esse novo lançamento. A capa me conquistou de primeira: simplesmente fiquei apaixonada. O design do livro não deixa nada a desejar. As ilustrações são fofas e combinam com a paixão da protagonista, que é cozinhar.

A personagem da vez é a Teanira (sim, a Thalita tem um talento incrível para dar nomes engraçados) uma garota de 15 anos que é tímida, nerd, apaixonada por leitura e tem uma auto estima lá no pé. Ela não curte cuidar muito da sua aparência (até porquê, não gosta nem um pouco dela) e possuí muitas inseguranças: o seu peso, o cabelo, a pele, tudo! E a maioria delas foram originadas pelo bullying que sofreu durante anos na escola anterior. Tetê recebeu milhares de apelidos e foi alvo de muitas zoações, e tudo isso deixou marcas grandes na personalidade dela.

A identificação com a personagem é muito fácil, porque é difícil não possuir pelo menos uma insegurança. Se você já foi alvo de bullying, vai conseguir entender o lado dela. É algo complicado de esquecer e de superar, principalmente na adolescência. O legal é que a autora consegue falar sobre temas delicados de um modo muito engraçado. Ao mesmo tempo que ela desenvolve a personagem e nos faz refletir, você dá muitas risadas durante a leitura. Tá de TPM ou de mau humor? Esse livro é a sua solução. Eu tinha lido umas vinte páginas e já não conseguia mais parar de rir.

Tetê mora com o pai, a mãe, os avós e o seu biso. A família tem uma participação importante no enredo e garante a parte cômica, sempre presente em qualquer livro da Thalita. Após a mudança, ela começa o primeiro ano do ensino médio em uma escola nova. No início, ela fica com muito medo de tantas coisas novas estarem acontecendo (quem não ficaria?), mas logo percebe que isso pode ser uma ótima oportunidade para recomeçar, e quem sabe, fazer amigos.

Além de experiências novas e alguns momentos turbulentos, a escola nova traz amigos que ela não esperava fazer: o quieto Davi e o extrovertido Zeca também são meio excluídos, e se dão bem com Tetê logo de cara. Ela fica feliz e surpresa por finalmente estar fazendo amizades, e até tendo novas paixões: rola quase um amor à primeira vista com Erick, o seu colega de sala (paixão platônica… quem nunca, né?).

Infelizmente, Erick tem namorada: Valentina, uma garota que implica com Tetê logo de cara. Ela entra em crise, pois não quer sofrer bullying outra fez, e tenta resolver a situação de todas as maneiras possíveis. A história tem muitas reviravoltas, confusões, e o livro é cheio de capítulos que você vai devorando, e fica desesperado para saber o que acontece a seguir.

É claro que não dava para faltar romance também, né? O Dudu é um dos personagens mais fofos que a Thalita já criou (e dizem que é inspirado em alguém da vida dela) e eu gostei de ver como ele foi introduzido aos poucos no enredo. Nada acontece de maneira instantânea, até porque, Teanira tem zero experiência no campo amoroso (Teanira é praticamente a minha gêmea, gente).

Esse livro já entrou para a minha lista dos favoritos do ano: eu li em dois dias, e olha que faz tempo que isso não acontecia! É um dos melhores da autora, sem dúvidas. Se você já é fã dela, vai amar. Se ainda não conhece o seu trabalho, essa é a oportunidade perfeita, e você não vai se arrepender. Juro!


Livro: A Garota Que Você Deixou Para Trás
07/03/2016 | Categoria: Livros

Jojo Moyes

Título: A Garota Que Você Deixou Para Trás (The Girl You Left Behind)

Autor (a): Jojo Moyes

Editora: Intrínseca

Preço Sugerido: R$20,90 

Gênero: Young Adult

Sinopse: Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo — a família, a reputação e a vida — na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra. Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo. Tecido com habilidade, A garota que você deixou para trás alterna momentos tristes e alegres, sem descuidar dos meandros das grandes histórias de amor e da delicadeza dos finais felizes.

Depois de ter lido “Como Eu Era Antes de Você” e ter me apaixonado pela escrita cativante da britânica Jojo Moyes, eu li logo em sequência The Girl You Left Behind. É impressionante como ela consegue emocionar em cada livro, envolver o leitor, e ainda nos deixar com aquela sensação de que tiramos uma lição daquela leitura. Jojo faz uma história dramática como ninguém, e também consegue nos ambientar ao cenário do qual o enredo está sendo desenvolvido.

A história começa em meados de 1916, durante a Primeira Guerra Mundial. A protagonista é Sophie, esposa de Édouard Lefèvre, um pintor francês. Sophie mora com a irmã, o sobrinho e o irmão mais novo em uma pequena cidade da França, que um dia já foi um lugar feliz, até ser dominada pelos alemães. Ela e a irmã cuidam do antigo hotel da família, o Le Coq Rouge, que sempre foi um dos maiores bens que eles possuíam. Mas depois que a guerra começou, tudo mudou: Édouard e o marido de sua irmã foram enviados para a guerra, para lutar na frente ocidental. Metade da família se separou, e a cidade entrou em caos: a maioria dos seus habitantes passa fome e luta para sobreviver no frio.

Um novo Kommandant dos alemães chega na cidade e se encanta por Sophie, ou melhor: pelo retrato dela. “A Garota Que Você Deixou Para Trás”, uma pintura feita por Édouard no inicio do relacionamento deles, mostra uma Sophie radiante. O quadro fica pendurado na casa da família, mesmo Sophie sabendo que corre o risco dos alemães o pegarem (na época, eles confiscavam tudo, inclusive obras de arte, que pudessem achar profanas ou suspeitas). O Kommandant ordena que o hotel será o novo local de refeição dos alemães, e as duas irmãs tem que cozinhar todas as noites para eles.

Elas não tem escolha nenhuma, e obedecem a ordem do Kommandant, que com o tempo, se mostra uma pessoa menos dura e diferente do que Sophie imaginava. Desesperada, ele pode ser a sua única chance de se reencontrar com Édouard de novo: ela recebe algumas cartas, mas não sabe se ele está realmente vivo, e se um dia poderá vê-lo novamente. O quadro, do qual ele tanto gosta, é a esperança que ela possui de poder mudar o rumo de tudo.

Após a introdução da história de Sophie, a autora nos transporta para os anos 2000, em que conhecemos a viúva Liv, uma mulher que vive sozinha em uma casa enorme em Londres, obra do seu marido David, que era um arquiteto genial. Ela ainda não superou a morte dele, que aconteceu há alguns anos. Todas as noites ela encara um quadro belíssimo que eles compraram juntos pouco tempo depois de casar. Ela raramente sai, mas decide se distrair em uma noite, e acaba conhecendo Paul McCafferty em um bar. Ele é irmão do dono do local, e após alguns imprevistos, eles se interessam um pelo outro.

Ela não quer se relacionar com ninguém, e Paul também não busca um relacionamento, mas os dois se envolvem aos poucos. Ele é surpreendente, charmoso, simpático e consegue trazer um pouco de alegria para a vida de Liv, que anda às cinzas e sem graça faz muito tempo. Desde a morte de David, ela nunca encontrou um motivo para ser feliz novamente. Mas não é só um romance simples que acontece entre eles! A autora tem o poder de fazer reviravoltas que vão te deixar de queixo caído, até terminar o livro. Paul é, na verdade, um advogado importante de uma empresa que ajuda a recuperar obras roubadas dos séculos anteriores, principalmente dos períodos pós Guerra. E o choque dele é inevitável quando descobre que a dona atual de uma das obras mais valiosas feitas na Primeira Guerra, é a mulher por qual ele está começando a se apaixonar.

Para mim, o ponto alto do livro foi a história de Sophie. Mas prepare-se para sofrer com a personagem: as coisas pelo qual ela passa e as suas narrações não são nada fáceis de ler. Você vai se emocionar bastante, e realmente sentir um pouco de como a Primeira Guerra foi aterrorizante e dolorosa para milhares de pessoas. Jojo vai alternando um pouco das duas histórias, e podemos descobrir qual é o rumo de Sophie e da sua família, e de como ela foi capaz de tudo para tentar encontrar o marido.

Não consigo escolher se gostei mais deste ou de Me Before You. É difícil! Ambos são leituras maravilhosas e que vão te fazer refletir muito. Essa é uma das minhas coisas favoritas sobre Jojo Moyes: os seus livros não são aqueles que você vai terminar e esquecer da história logo depois. É uma leitura impactante, que levamos conosco muito tempo depois de terminar a história.