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    A importância de O Diário de Anne Frank

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  • January 21, 2018
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    Título: O Diário de Anne Frank

    Autor (a): Annelies Marie Frank

    Editora: Princips

    Sinopse: ‘O Diário de Anne Frank’ é um retrato da menina por trás do mito. Um livro que aprofunda e aumenta nossa compreensão da vida e da personalidade de um dos fortes símbolos da luta contra a opressão e a injustiça. Uma obra que deve ser lida por todos, para evitar que barbaridades dessa natureza voltem a acontecer neste mundo.

    Apesar de ser apaixonada por livros, eu nunca havia lido O Diário de Anne Frank, algo que eu considerava um horror para alguém que é viciado em leitura, rs! No final de 2017 minha mãe me presentou com uma edição do livro. Todo mundo basicamente já sabe do que se trata a história, mas admito que eu não estava preparada para sentir tantas emoções durante as páginas. Em 1942, Anne Frank – filha de Otto e Edith Frank -, ganhou um caderno de autógrafos no seu aniversário de 13 anos, que ela escolheu transformar em diário.

    As anotações começaram em 14 de Junho de 1942, quando já havia tido inicio na Holanda as leis rigorosas contra os judeus (lembrando que a segunda guerra mundial começa em 1939 e termina em 1945). Apesar de ter nascido em Frankfurt, na Alemanha, Anne se mudou com a família para Amsterdã em Agosto de 1933. No início do seu diário, as anotações e experiências relatadas pela menina ainda são leves (e algumas passagens até mesmo engraçadas). Afinal, Anne ainda estava no início da adolescência. Ela frequentava a escola e se orgulhava em querer ser uma das melhores da classe. Desde os seus primeiros relatos, ela também revela o seu amor pela escrita.

    “Por alguns dias não escrevi nada porque fiquei pensando na finalidade e no sentido de um diário. Sinto algo especial ao escrever o meu diário. Sei que mais tarde, nem eu nem ninguém achará algo interessante nos desabafos de uma garota de treze anos. No fundo tudo isso tanto faz. Gosto de escrever e quero aliviar o meu coração de todos os pesos.” 20 de Junho de 1942

    Um dos sonhos de Anne é se tornar jornalista. Por mais que ela não entenda a importância do seu diário, no primeiro ano em que começa a escrevê-lo, é possível notar a princípio o talento que ela possuia com as palavras. Anne é inteligente, articulada, e com pouca idade, promove reflexões fortes sobre a sua personalidade, a sociedade e o mundo, que se tornam ainda mais complexas a partir dos anos. A sensação que eu tive é de que eu queria ser amiga dela. Começamos a construir um laço e uma intimidade com Anne, já que conhecemos a sua rotina, os seus gostos, e os seus questionamentos.

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    Em 6 de Julho de 1942 a família Frank se esconde no anexo. Anne, Otto, Edith e Margot (a irmã mais velha de Anne) se escondem no local junto com a família Van Daan (Peter, Auguste e Hermann). De início, todos se dão bem: mas é questão de tempo até a convivência se tornar mais difícil. Fica claro que Anne e os seus famíliares, assim como todos que viviam no anexo, achavam que a situação seria apenas temporária. Eles escolhem se esconder após diversos judeus da vizinhança serem presos ou desaparecerem. Todos os dias, uma nova família conhecida dos Frank era presa pela Gestapo (polícia nazista).

    Os relatos da menina vão ficando cada vez mais tensos e profundos. É perceptível o amadurecimento forçado de Anne no decorrer dos meses. Se você comparar os primeiros relatos do diário aos últimos, vai notar que ela se tornou uma pessoa muito diferente. As passagens relatam a angústia, o medo e a dor de se viver preso todos os dias. Alguns capítulos também relatam a ansiedade de ouvir as bombas caindo na cidade e muito próximas ao anexo.

    “Ontem à noite houve um curto-circuito. E ainda por cima o barulho infernal dos canhões de defesa. Não sou capaz de me habituar às bombas e aos aviões. Tenho medo e quase sempre fujo para a cama dos meus pais. Vai achar que sou criança, mas só queria que assistisse! Não ouvimos as nossas próprias palavras, tanto é o barulho dos canhões.” 10 de Março de 1943

    As relações familiares também encontram dificuldades e conflitos. Anne é muito próxima do seu pai, Otto, mas tem brigas constantes com a sua mãe. No seu diário, ela escreve que a família não a leva muito a sério, por ser mais nova, assim como os outros integrantes do anexo. Anne é independente, e acredita que o seu pai e mãe deveriam compreendê-la mais. São questões que a maioria dos adolescentes enfrentam, mas que ganham mais força em Anne por ela estar numa situação extrema.

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    Também acompanhamos o primeiro amor de Anne, que foi Peter Van Daan, o filho do casal que dividia o anexo com os Frank. Mais velho que Anne, ela e Peter não encontram afinidades no primeiro ano do anexo. É no último que eles realmente se tornam amigos, quando Anne está prestes a completar quinze anos. Os dois trocam confidências, e se tornam bons amigos, o que rapidamente se desenvolve para uma paixão. A menina enconta em Peter alguém com o qual ela pode trocar segredos, experências e pensamentos, apesar de dizer algumas vezes que o acha muito fechado.

    “As coisas continuam difíceis. Sabe o que quero dizer? É que eu queria ser beijada, queria esse beijo que tanto esperamos. Será que o Peter vê em mim alguém mais do que uma boa pessoa? Não significo outra coisa para ele? Você sabe que sou forte, que sei suportar sozinha o meu fardo e que não estou acostumada a pedir ajuda.” Primeiro de Abril de 1944

    O esconderijo foi descoberto em 4 de Agosto de 1944. É triste ler os últimos relatos de Anne, pois ela encontra esperanças com a intervenção da Inglaterra na guerra e a perda da Alemanha de alguns territórios. É uma experiência dolorosa saber o que vai acontecer com Anne Frank, e imaginar a jornalista incrível que ela poderia ter sido futuramente: esse era o seu sonho. Escrever e publicar livros. Eu refleti um tempo sobre quantos futuros a guerra leva. Crianças e adolescentes que poderiam ter sido muito mais do que foram, e que ainda tinham coisas enormes para viver. Isso me levou à pensar em quantas meninas e meninos a Guerra da Síria levou, por exemplo. Quantos futuros brilhantes foram roubados?

    “Sinto-me tão livre, tão jovem! Quando me dei conta disto pela primeira vez fiquei contente, pois não suponha que os golpes que ninguém está livre de sofrer, me pudessem esmagar rapidamente. Mas sobre este assunto já falei muitas vezes.” 8 de Julho de 1944

    Esta é uma leitura que eu indico, de verdade, para todo mundo. Crianças, jovens, adultos: todo mundo pode usufruir dos relatos da Anne e levar algum aprendizado consigo mesmo, seja sobre o passado, ou sobre quem você quer ser no futuro.

    November 15, 2017
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    Título: A Química Que Há Entre Nós

    Editora: Globo Alt

    Autor (a): Krystal Sutherland

    Sinopse: Grace Town é esquisita. E não é apenas por suas roupas masculinas, seu desleixo e a bengala que usa para andar.
    Ela também age de modo estranho: não quer se enturmar com ninguém e faz perguntas nada comuns.
    Mas, por algum motivo inexplicável, Henry Page gosta muito dela. E cada vez mais ele quer estar por perto e viver esse sentimento que não sabe definir.

    Onde comprar: Amazon, Saraiva, FNAC

    “Our Chemical Hearts” é o livro de estreia da australiana Krystal Sutherland, que atualmente reside em Hong Kong. O primeiro lançamento da autora foi classificado como Young Adult. À primeira vista, e pela sinopse, ele é um livro de romance que todos nós já lemos milhares de vezes: garoto encontra menina “estranha”, que foge dos padrões, e se apaixona por ela. Mas não se deixe enganar pela sinopse: Krystal aborda de maneira profunda os relacionamentos humanos, principalmente os que acontecem entre os jovens.

    Henry Page é o nosso protagonista, um garoto que está no último ano do colegial e possui uma vida relativamentra tranquila. Ele tem dois melhores amigos: Lola e Murray, que o conhecem há anos; eles fazem tudo juntos, e passaram por muita coisa. Henry ajudou Lola no processo de assumir sua homossexualidade, e Murray, a tentar superar a ex-namorada. O personagem é apaixonado por escrever – o seu sonho é ser o diretor chefe do jornal da escola, para tentar entrar em uma faculdade razoavelmente boa -, mas ele só é bom com as palavras no papel. No dia-dia, Henry nunca teve experiências amorosas, muito menos quis sair da sua zona de conforto.

    É na escola que Henry conhece Grace Town, uma menina de sua cidade que estudava em outra escola. Grace chama sua atenção logo de cara, mas não pelos motivos óbvios: ela está sempre séria, não fala com ninguém, usa roupas grandes demais para ela – que parecem não ser sua -, e carrega um mistério consigo. Pouco se sabe sobre ela, e é Henry que se aproxima pela primeira vez. O que ele descobre é que, além dele ser encarregado de trabalhar no jornal da escola, Grace também é. Ela é experiente com a escrita, e carrega consigo um poema do Pablo Neruda. Porém, por motivos desconhecidos, faz alguns meses que ela não escreve.

    Mesmo que a aproximação dos dois de início seja tímida, Grace e Henry encontram milhares de gostos em comum logo de cara. Suas personalidades são diferentes, mas eles gostam de coisas semelhantes. É no escritório da escola em que produzem o jornal que a amizade dos dois cresce; e Henry se vê instigado por aquela garota ele conhece tão pouco. Ela não explica porque anda com roupas velhas ou sempre está usando a sua bengala. Muito menos porque não deixa o amigo entrar na sua casa, e porque vai aos cemitérios todo dia após deixa-lo em casa, sempre percorrendo o mesmo caminho.

    A personagem é complexa e bem trabalhada. Ainda no início do enredo, a própria autora brinca com o fato de Grace ser uma suposta Manic Pixie Dream Girls, tipo de personagem feminina que é muito criticado na cultura pop (ex: Ramona Flowers de Scott Pilgrim e Summer de 500 Dias com Ela). Quando a história ainda não havia chegado na metade, eu, como leitora, estranhava a paixão repentina de Henry por Grace, que simplesmente não mostrava quem ela era de verdade. Mas é no decorrer da leitura que vamos desvendando-a camada por camada, até conhecer quem ela realmente é.

    Grace sofreu um acidente de carro há alguns meses e ainda tentava se recuperar do fato. É na tragédia que ela perde o namorado, o melhor amigo e o companheiro do lugar que ela mora: Dom. Os dois se conheciam desde a infância e o garoto teve um papel extremamente importante na vida de Grace, e no “eu” que ela deixou para trás. Uma pessoa extrovertida, que possuía muitos amigos e estava sempre no centro de tudo: o oposto do que ela havia se tornado.

    O romance entre Grace e Henry se desenvolve, mas com muitas dificuldades e momentos de dúvidas. Henry não quer competir com o fantasma de Dom, alguém que marcou a vida da menina de uma maneira inapagável. Mas ao mesmo tempo, ele quer que ela goste dele de verdade. A autora usa elementos também, para ressaltar o amor idealizado e romântico que o protagonista tanto deseja, por uma esfera realista. A própria Grace o questiona se ele quer a imagem que ele inventou dela, ou quem ela realmente é.

     “- Queria ver como você reagiria. Se eu me esforçasse a ser ela por uma noite. Grace Kintsukuroi, toda costurada com ouro fundido. Você nunca tinha me olhado daquele jeito antes, quando me viu pela multidão. Acho que você tem sentimentos por alguém que não existe.”

    Esse é um dos trunfos do livro: o tempo todo, nós percebemos – assim como os amigos de Henry – que o relacionamento dos dois personagens é crível, amoroso e intenso (tudo ao mesmo tempo) mas é difícil demais para ser bom de verdade. A intensidade dos sentimentos dos dois chega a limites, e ambos acabam machucados. Henry, por não ser correspondido do jeito que queria, e Grace, por não conseguir superar o trauma do acidente.

    “Fechei os olhos e pensei. Tentei pensar em um período maior do que poucas horas em que eu estivera feliz de verdade com Grace. Eu me lembrava da ansiedade, do estresse, da dor, da tristeza, o ácido do meu estômago devorando tudo na altura do pulmão. Eu me lembrei de amá-la, com desespero.”

    O livro aborda o luto, a dor, a solidão, o amor, e os sentimentos a flor da pele com profundidade, delicadeza, mas de uma maneira realista e bem dolorida. Para os fantasiosos, como eu, parece que a autora nos dá um tapa na cara, dizendo: “chega de romantizar tudo!”. Porém, ainda fica a conclusão de Henry que esse amor foi válido e o marcou de maneira impressionante, e só porque não deu certo, não quer dizer que não valeu a pena.

    Krystal Sutherland me supreendeu com maestria. Ela transformou uma história que poderia cair no lugar comum, para um enredo sobre superação e corações partidos, de uma maneira muito honesta.

    November 5, 2017
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    Título: Os 27 crushes De Molly

    Autor (a): Becky Albertalli

    Editora: Intrínseca

    Sinopse: Molly já viveu muitas paixões, mas só dentro de sua cabeça. E foi assim que, aos dezessete anos, a menina acumulou vinte e seis crushes. Embora sua irmã gêmea, Cassie, viva dizendo que ela precisa ser mais corajosa, Molly não consegue suportar a possibilidade de levar um fora. Então age com muito cuidado. Como ela diz, garotas gordas sempre têm que ser cautelosas. Tudo muda quando Cassie começa a namorar Mina, e Molly pela primeira vez tem que lidar com uma solidão implacável e sentimentos muito conflitantes. Por sorte, um dos melhores amigos de Mina é um garoto hipster, fofo e lindo, o vigésimo sétimo crush perfeito e talvez até um futuro namorado. Se Molly finalmente se arriscar e se envolver com ele, pode dar seu primeiro beijo e ainda se reaproximar da irmã. Só tem um problema, que atende pelo nome de Reid Wertheim, o garoto com quem Molly trabalha. Ele é meio esquisito. Ele gosta de Tolkien. Ele vai a feiras medievais. Ele usa tênis brancos ridículos. Molly jamais, em hipótese alguma, se apaixonaria por ele. Certo? Em Os 27 crushes de Molly, a perspicácia, a delicadeza e o senso de humor de Becky Albertalli nos conquistam mais uma vez, em uma história sobre amizade, amadurecimento e, claro, aquele friozinho na barriga que só um crush pode provocar.

    “Os 27 Crushes de Molly” foi um livro que me chamou a atenção pelo título, pela capa, e por ser um Young Adult. Eu comentei algumas vezes no blog que esse é, definitivamente, o meu gênero favorito (talvez mude no futuro, quem sabe?). “The Upside of Unrequited” traz como protagonista a adolescente de dezessete anos Molly Peskin. Ela tem uma irmã gêmea chamada Cassie – que não poderia ser mais diferente de Molly -, e duas mães incríveis, Nadine e Patty, e um irmão mais novo, o Xavier.

    O livro é narrado em primeira pessoa por Molly, e justamente por isso ela é a personagem que dá todo o tom a história. Eu consegui me identificar bastante com ela. Ela é uma garota insegura, que sofre de ansiedade e também tem que lidar com a sua auto estima. Molly é gorda e sofre diversas experiências com gordofobia, e micro agressões o tempo todo. Apesar de ter uma família que a apoia em todos os momentos, ela também precisa enfrentar o mundo lá fora, e isso é algo que a assusta.

    A protagonista prefere viver na sua zona de conforto, sem se arriscar muito. E este é um dos motivos pelo qual ela teve diversas paixões platônicas, que passaram longe de se concretizar. O medo de ser rejeitada era enorme, a impedindo de realmente tentar algo, e ela carrega essa frustração de nunca ter tido uma experiência amorosa, ou não ter dado o seu primeiro beijo, enquanto as melhores amigas já estavam vivendo relacionamentos.

    “Acontece algo horrível quando um cara acha que você gosta dele. É como se ele estivesse todo vestido e você estivesse nua. É como se seu coração de repente ficasse fora do corpo, e, sempre que ele quisesse, pudesse esticar a mão e espremê-lo.”

    No meio de tantas dúvidas, ela encontra conforto na amizade com a irmã Cassie, que também é sua melhor amiga. As duas sempre foram muito próximas e dividiram momentos especiais a vida inteira. Molly sente uma espécie de conexão especial com a irmã, que começa a se perder quando Cassie começa o seu primeiro relacionamento oficial. A sua namorada, Mina, começa a ocupar o lugar que antes era de Molly, e o ciúme se instala na relação das duas irmãs.

    O livro aborda relacionamentos o tempo todo: sejam eles familiares ou amorosos, e suas complexidades. Este é um dos trunfos da autora, que explora não só o que Molly sente, mas os outros personagens também. Representação também é um ponto que merece ser citado, e algo que sempre está presente nos livros da autora Becky Albertalli. Temos, em um dos enredos do livro, um casamento LGBTQ+ acontecendo (o das mães de Cassie e Molly), um namoro entre duas garotas sendo tratado de forma honesta e sensível, e também a personagem Mina, que é assumidamente panssexual.

    A autora também insere personagens preconceituosos que não aceitam as escolhas da família de Molly e Cassie. Eles não são estranhos, mas sim a própria avó das garotas e a tia delas. E ao mesmo tempo em que o ambiente em que elas vivem seja extremamente tolerante, elas precisam lidar com pessoas especiais para elas – da sua própria família -, que não aceitam Nadine, Patty e Mina como elas são.

    A vida amorosa de Molly é um dos pontos mais desenvolvidos durante o enredo. Apesar de ter uma queda por Will – o melhor amigo de Mina -, o coração dela bate mais forte mesmo é por Reid, um garoto que gosta de filmes nerd e festas à fantasia medievais. É o primeiro crush de Molly que realmente pula do seu imaginário para a vida real. Tudo está lá: a expectativa, emoção, paixão, e o medo de não ser correspondida.

    Apesar do livro ser focado nos romances da personagem, eu sinto que as partes mais importantes são no fato de ela tentar conhecer e compreender a si mesma, mesmo com a sua ansiedade a mil e as cobranças que faz. O mais legal, para mim, não era Molly ser correspondida, mas sim se aceitar mais como ela realmente era. Talvez por eu ter passado por situações parecidas, o meu desejo era ver a personagem feliz, sem precisar de um namorado para isso. Afinal, nossas inseguranças não vão sumir milagrosamente por causa de um amor correspondido, certo?

    “Eu penso no assunto. Não consigo decidir se é engraçado ou triste, mas passei tanto tempo querendo um namorado que não consigo imaginar não querer um. Consigo me imaginar dizendo que não quero um, mas não consigo conceber essa realidade.

    E talvez isso seja mais uma coisa minha, um pouco traumatizada depois de vinte e seis histórias de amor não correspondido. Talvez seja um efeito coleteral.”

    “Os 27 Crushes de Molly” é um livro leve que trata de temas importantes e traz uma representação que falta (e MUITO!) em livros jovem adulto. Eu esperava mais do desfecho – pelo motivo que comentei acima -, mas não deixei de gostar do livro por isso. Minha próxima pedida é “Simon vs The Homo Sapiens Agenda”, a obra mais elogiada (e consagrada) da autora.

    August 6, 2017
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    Título: Siga Os Balões – O Livro

    Autor (a): Daniel Duarte

    Editora: BestSeller

    Preço Sugerido: R$22,70 na Saraiva, R$27,07 no Submarino, e R$27,07 na Americanas

    Sinopse: Um projeto que espalha em pedaços de papel a vida cotidiana. Criado pelo carioca Daniel Duarte, o projeto “Siga os balões” tem um simples objetivo: compartilhar amor e boas vibrações pela Internet. Unindo as cores vibrantes de suas ilustrações com as doces mensagens de seus textos motivacionais, Daniel ensina como enxergar o lado bom de todos os aspectos da vida. Entre crônicas inéditas e ilustrações com um visual totalmente diferente, “Siga os balões” é o que você precisa para dar uma pausa na rotina, respirar e se inspirar.

    Eu conheci o projeto do carioca Daniel Duarte no Instagram há alguns meses atrás, e foi paixão à primeira vista. A página do Daniel, intitulada de “Siga Os Balões”, possui mais de 200 mil seguidores na rede social, e ele consegue levar para milhares de pessoas – por meio da internet – textos sinceros, emocionantes e que te confortam. Eu explico: juntamente com as ilustrações lindas, o autor coloca o que ele escreve na descrição. Podem ser pensamentos, confissões, conselhos ou experiências baseadas na sua própria vida: ele sempre consegue nos sensibilizar. E sensibilidade é algo que, muitas vezes, nós acabamos deixando de lado no dia dia tão atribulado. E é por isso mesmo que a página do Daniel representa para mim um local de conforto tão grande!

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    Criado em Julho de 2014, o sucesso na internet foi tanto que a inspiração logo virou livro, lançado no ano passado. Segundo Daniel, todo o processo levou em torno de um ano. O intuito do livro é de servir como um amigo para os leitores, e é essa a sensação que nós temos durante a leitura. São textos sobre amor, relacionamentos, sonhos, perdas, tristezas, e aquela fase que todo mundo passa em que temos que simplesmente levantar e seguir em frente. É aquela leitura ideal para quando você precisa de uma forcinha do universo, de uma palavra que te deixe pra cima.


    Ninguém sabe como vai viver depois de uma partida, seja ela qual for. Por mais que você se sinta metade novamente, eu te garanto que ninguém nasceu para ser metade de ninguém. Nascemos para nos amarmos e sermos completos para nós mesmos, e isso de longe é egoísmo ou arrogância, mas você simplesmente não pode prometer à alguém algo que nem você tem. Antes de qualquer novo clique no coração alheio, aviso aos novos navegantes e aos velhos de coração partido: primeiro a gente se ama… e depois também.

    – Manuais

    O ponto alto também são as ilustrações, que vão te deixar completamente apaixonado. Além de serem criativas e diferentes, as frases e palavras são colocadas de maneiras distintas. Várias páginas são compostas pelos desenhos. Você vai querer fotografar tudo, eu te garanto! Vale comentar que a edição do livro é muito bem trabalhada, e a folha é de um material mais sofisticado.


    Tem dias em que me pego repetindo em voz alta: ‘Aguenta firme. É só metade do caminho.’

    No meio da bagunça e no meio das partidas.

    No meio, amadurecemos, e tudo não é tão mágico; tudo se torna difícil demais para lidar.

    Essa é a vida te ensinando a ser forte.

    (…)

    As coisas não ficam fáceis, isso é fato, mas é possível que fiquem melhores.

    Então aguenta firme. A gente não acaba assim.

    Se nada der certo por agora, ainda teremos a sexta-feira.

    – Sexta-Feira

    É possível se identificar com a maioria dos textos, e se encantar também com a delicadeza em que o autor escreve sobre temas difíceis, sejam mágoas que a gente guarda, ou corações partidos. A escrita do Daniel faz o leitor se sentir próximo e acolhido. Sabe aquele livro que você presenteia para um amigo? “Siga Os Balões” é exatamente esse!


    Tenho preguiça dessa onda de conquista 007.  Não levanto nem para desligar o despertador, imagina ficar horas procurando o gosto musical do outro na linha do tempo.

    Não faço a mínima ideia de como flertar ou ser sexy ao mesmo tempo.

    Eu só consigo ser eu. Só eu mesmo.

    Gaguejando às vezes, mas com o peito aberto para mergulhar livre, porque, se eu der com a cara no concreto, vai ser só uma vez.

    – Não faça jogo

    July 6, 2017
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    Título: Outros Jeitos de Usar A Boca (Milk & Honey)

    Autor (a): Rupi Kaur

    Editora: PLANETA

    Preço: R$17,94, R$19,90 e R$19,90

    Sinopse: Outros jeitos de usar a boca é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume – publicado nos EUA como “milk and honey” – é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

    Rupi Kaur é uma poeta contemporânea nascida na Índia, que vive em Toronto, no Canadá. Ela tem 24 anos e começou a chamar a atenção do público na internet quando postava os seus poemas no Instagram. Sim, uma maneira diferente de mostrar arte, e que deu muito certo: em 2014, Rupi lançou “Milk & Honey”, que conquistou #1 lugar no “The New York Times” e abriu as portas para um novo jeito de fazer poesia. A artista (que também desenha), é feminista e grande parte dos seus poemas aborda os traumas, as dores e as histórias sobre ser mulher.

    O livro é dividido em quatro partes: “a dor”, “o amor”, “a ruputura” e a “cura”. Cada um deles trás poemas honestos e dolorosos sobre as vivências de Rupi e de muitas outras mulheres. É possível se identificar com cada um deles; os poemas são escritos com poucas pontuações e com versos bem livres.

    A dor

    O livro já começa de forma abrupta e dolorosa. Os primeiros versos nos contam experiências sobre repressão, abuso (tanto de maneira física quanto em relacionamentos tóxicos), e de ter a sua voz tirada de você desde o inicio.

    “O terapeuta coloca

    a boneca na sua frente

    ela é do tamanho das meninas

    que seus tios gostam de apalpar

    mostre onde ele colocou as mãos

    você mostra o lugar

    entre as pernas aquele

    que ele arrancou com os dedos

    igual a uma confissão

    como você está se sentindo

    você desfaz o nó

    da garganta

    com os dentes e diz bem

    um pouco dormente

    sessões nos dias da semana

    As palavras de Rupi tem o poder de tocar o leitor desde o inicio. Elas nos machucam, nos dão alívio e também nos fazem refletir. A autora consegue expor tudo o que ela sentiu: desde as sensações até as mágoas que ela guarda no corpo. Sabe aquele sentimento de sororidade? É exatamente isso que o livro nos provoca: vontade de nos unir, de dar as mãos e de encontrar apoio em outras mulheres (e também, dar esse apoio para elas).

    É nesta parte do livro que a autora também escreve bastante sobre as suas relações famíliares e o relacionamento complicado com o seu pai, que é pouco presente. Ela cita os momentos em que o ambiente familiar a reprime, e não a deixa realmente ser quem ela é, ou seja, ter voz.

    “Você me diz para ficar quieta porque

    minhas opiniões me deixam menos bonita

    mas não fui feita com um incêndio na barriga

    para que pudessem me apagar

    não fui feita com leveza na língua

    para que fosse fácil de engolir

    fui feita pesada

    metade lâmina metade seda

    difícil de esquecer e não tão fácil

    de entender”

    O amor

    A segunda parte do livro possui diversos poemas que falam sobre um relacionamento importante da vida da autora, que a desperta sentimentos conflituosos. Em alguns momentos eles são positivos e em outros, a fazem questionar tudo. Mas não é apenas sobre amar ao outro, e sim, amar a si mesmo e saber se respeitar. Porém, Rupi questiona constantemente o fato de nós, mulheres, sermos influenciadas pelos fatores externos a nunca gostarmos de nós mesmas.

    “tenho tanta dificuldade

    de entender

    como alguém

    pode derramar sua alma

    sangue e energia

    em alguém

    sem pedir

    nada em troca”

    tenho que esperar até ser mãe

    Ela também explora a sexualidade de forma aberta, ao mesmo tempo que utiliza metáforas (ou em outros momentos, poemas que vão direto ao ponto) para falar dos desejos e do prazer da mulher, um assunto essencial que muitas vezes, fica de fora das publicações literárias, como se as pessoas do sexo feminino só estivessem aqui para dar o prazer à alguém, e não obtê-lo para elas mesmas.

    “Só de pensar em você

    minhas pernas abrem espacate

    como um cavalete com uma tela

    implorando por arte”

    As ilustrações de Rupi também desempenham papel importante nos poemas, e suas ilustrações são responsáveis por dar vida à todas as palavras. Elas aparecem em praticamente todas as páginas.

    A Ruptura

    A penúltima parte do livro mergulha fundo em um sentimento de tristeza e término. Quando acabamos um capítulo da vida, quando enfrentamos uma desilução amorosa (alguém que mudou, de certa maneira, quem você era) e que deixou um buraco profundo e difícil de ser preenchido. É com maestria que Rupi Kaur reflete os sentimentos de amar e não ser correspondido, ou de ser amado e não poder corresponder da mesma maneira; e de ter que aprender a gostar de quem você é, antes de tudo.

    “eu sempre

    me enfio nessa confusão

    eu sempre deixo

    que ele diga que sou incrível

    e meio que acredito

    eu sempre pulo pensando que

    ele vai me segurar

    na queda

    irremediavelmente eu sou

    a amante

    a sonhadora e

    isso ainda acaba comigo”

    São poemas que refletem a insegurança, a dúvida, o questionamento sobre si mesmo. Algo que é presente em muitos de nós e também promove uma fácil identificação.

    “ele só susurra eu te amo 

    quando desliza a mão

    para abrir o botão da sua calça

    é aí que você tem

    que entender a diferença

    entre querer e precisar

    você pode querer esse menino

    mas você com toda a certeza

    não precisa dele”

    A cura

    O livro é finalizado com poemas que falam sobre reconstrução. Depois de toda a dor e a mágoa que a autora passa – e nos envolve também – desde o início da obra, é aqui que acompanhamos os seus passos em que ela se cura dos traumas e das experiências pelas quais passou. Rupi aborda também em diversos momentos o racismo que sofre, o machismo, e fala sobre o fato de encontrar a segurança em outras mulheres.

    “parece que é deselegante

    falar da minha menstruação em público

    porque a verdadeira biologia do meu corpo

    é real demais

    é legal vender o que

    uma mulher tem entre as pernas

    mas não é tão legal

    mencionar suas entranhas

    o uso recreativo deste

    corpo é considerado

    uma beleza mas

    sua natureza é

    considerada feia”

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    Os padrões de beleza são questionados, e todas as dores que as mulheres – como um coletivo – já tiveram que enfrentar durante a sua vida são detalhadas por meio dos seus poemas. O fato de sermos bombardeadas pela mídia com versões “perfeitas” de como deveríamos ser, ou o fato de sermos expostas como um objeto em diversos momentos. Fica claro, no poema acima, o quanto o nosso físico é importante: mas o nosso íntimo, aquilo que é real sobre o sexo feminino “deve” ser escondido e ignorado. Sim, mulheres mestruam. E sim, mulheres tem pelos. E ao contrário do que muitos pensam, nós não precisamos esconder isso.

    “quero pedir desculpa a todas as mulheres

    que descrevi como bonitas

    antes de dizer inteligentes ou corajosas

    fico triste por ter falado como se

    algo tão simples como aquilo que nasceu com você

    fosse seu maior orgulho quando seu

    espírito já despedaçou montanhas

    de agora em diante vou dizer coisas como

    você é forte ou você é incrível

    não porque eu não te ache bonita

    mas porque você é muito mais do que isso”

    O livro se tornou o meu favorito de 2017 (sem dúvidas), e é o tipo de leitura que eu indico para basicamente todo mundo que eu conheço. É importante valorizar o trabalho de Rupi Kaur, para que seja possível que as poetas contemporâneas ganhem mais espaço, e nós também ganhamos com isso, pois podemos ver realidades e dores de milhares de mulheres refletidas no papel.

    A obra já foi traduzida para várias línguas nos últimos dois anos. No momento, a autora finalizou o livro sucessor. Você pode acompanhá-la nas redes sociais, como o Instagram e o Twitter, em que ela é super ativa.

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