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    Livro: O papel de parede amarelo

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    Playlist: Maio

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  • Maio 26, 2018
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    Título: O Papel de Parede Amarelo

    Autor (a): Charlotte Perkins Gilman

    Editora: José Olympio

    Sinopse: Um clássico da literatura feminista pela primeira vez no Brasil. Uma mulher fragilizada emocionalmente é internada, pelo próprio marido, em uma espécie de retiro terapêutico em um quarto revestido por um obscuro e assustador papel de parede amarelo. Por anos, desde a sua publicação, o livro foi considerado um assustador conto de terror, com diversas adaptações para o cinema, a última em 2012. No entanto, devido a trajetória da autora e a novas releitura, é hoje considerado um relato pungente sobre o processo de enlouquecimento de uma mulher devido à maneira infantilizada e machista com que era tratada pela família e pela sociedade.

    Vou começar essa resenha falando primeiramente sobre a autora Charlotte Perkins Gilman, nascida em 1860 em Connecticut, nos Estados Unidos. Gilman viveu até 1935; publicou diversos livros, e seu tema principal a ser debatido foi o feminismo. Além de ter sido uma romancista, também escreveu sobre arquitetura, política e economia. Eu ganhei “O Papel de Parede Amarelo”, seu conto mais famoso, de aniversário, e a dedicatória que minha amiga escreveu resume um pouco do sentimento que tive sobre a obra perfeitamente: “Te presenteio com essa altura curta, porém de altíssimo impacto.”

    Charlotte teve uma infância difícil; o pai abandonou a família e eles viviam na pobreza. A educação que ela possuiu foi curta, mas a autora conseguiu estudar por um tempo na escola de Design em Rhode Island. Se casou em 1884, mas se separou em 1894. Charlotte não se adequou a vida de esposa em casa: ela se sentia limitada, melancólica e depressiva. Esse é, inclusive, um dos maiores temas abordados em seus livros, e o fator que leva alguns críticos a citarem este conto como uma quase autobiografia.

    A protagonista deste conto não leva nome, e durante a leitura percebemos que ela é um reflexo de milhares de mulheres em apenas uma personagem; apesar desta possuir características bem específicas. O conto é narrado por uma esposa que sofre com problemas mentais. Seu marido é médico e a leva para uma casa afastada da cidade, porque ele “acredita” que é naquele local que ela poderá melhorar. Desde o início, fica claro que a sua vontade é totalmente negada. Os homens da família – que recebem o título de médicos e pessoas mais experientes que a protagonista -, decidem o futuro e o destino dela.

    Todos os passos dela são controlados pelo marido, que tenta fazer acreditá-la que ele sabe o que é melhor para ela. Seus dias são preenchidos com a companhia da cunhada – que é a única mulher que também aparece no conto -, que apenas obdece às ordens de John.

    “Agora passo muito tempo deitada. John diz que é bom para mim, que devo dormir o máximo que puder. Na verdade adquiri o hábito por causa dele, porque ele me obrigava a dormir por uma hora depois de cada refeição.”

    Os grandes momentos psicólogicos do conto giram em torno do papel de parede amarelo do quarto em que a protagonista passa grande parte dos seus dias. Desde o início, ela o odiou: ele era feio, desconfortável, e com padrões que se alteravam. O papel é uma metáfora para os seus transtornos psicológicos, e também para a mulher presa e dominada dentro de casa do século 19. Com o tempo ela se torna obcecada em decifrar aquele papel de parede.

    “À noite, sob qualquer tipo de luz – à luz de crepúsculo, à luz de velas, à luz de lampiões ou à luz da lua, que é a pior -, transforma-se em grades! Estou falando aqui do padrão em primeiro plano, e a mulher que se esconde por trás dele torna-se tão evidente quanto pode ser. (…) Durante o dia ela é discreta, calada. Imagino que seja o padrão que a mantenha tão quieta. É intrigante.”

    A protagonista tenta desesperadamente criar um plano para salvar a mulher que está por trás daquele papel de parede. O climax é construído aos poucos, e pode ser que esse tenha sido um dos motivos pelo conto de Charlotte ter sido rotulado como um thriller durante muitos anos. Mas ele é, na verdade, um retrato sombrio da limitação e da liberdade roubada da mulher que deveria viver à sombra do marido, e que não possuía nem autonomia para manifestar-se sob a sua própria saúde mental.

    Descobrimos que o papel guarda não apenas uma mulher, mas várias, que se livram daquele local de aprisionamento rastejando. A autora narra o conto de uma maneira cru e honesta.

    “Não quero sequer olhar pelas janelas – há tantas mulheres rastejando, e elas rastejam tão depressa! Fico imaginando: e se todas saírem do papel de parede como eu sai?”

    Como citado no início do texto, ele é curto. Eu li durante uma aula de Sociologia, mas o impacto é fortíssimo. Fiquei horas pensando sobre o conto e também já selecionei a próxima obra da Charlotte que lerei: “Herland”, publicado em 1915. O papel de parede é uma ótima sugestão para dar de presente para as amigas e também para conhecer mais sobre a literatura feminista. Minha vontade de estudar e saber mais sobre a Charlotte é enorme!

    Maio 7, 2018
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    Título: Simon vs A Agenda Homo Sapiens (Com amor, Simon)

    Autor (a): Becky Albertalli

    Editora: Intrínseca

    Sinopse: Simon tem dezesseis anos e é gay, mas ninguém sabe. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Tudo muda quando Martin, um colega da escola, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso que se identifica como Blue e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte. Martin começa a chantageá-lo, e, se Simon não ceder, seu segredo cairá na boca de todos. Pior: sua relação com Blue poderá chegar ao fim, antes mesmo de começar. Agora, o adolescente avesso a mudanças precisará encontrar uma forma de sair de sua zona de conforto e dar uma chance à felicidade ao lado do menino mais confuso e encantador que ele já conheceu. Uma história que trata com naturalidade e bom humor de questões delicadas, explorando a difícil tarefa que é amadurecer e as mudanças e os dilemas pelos quais todos nós, adolescentes ou não, precisamos enfrentar para nos encontramos.

    “Com Amor, Simon” pode ser considerado um dos livros de literatura young adult que mais ganhou espaço no Brasil esse ano. O enredo ganhou destaque com o filme, que foi lançado em Abril (eu ainda não assisti! E tô louca para poder ver!). Antes de assistir o longa, eu queria ler o livro. Eu já sabia um pouquinho do que me esperava: a autora Becky Albertalli é a mesma de Os 27 Crushes de Molly, romance que eu li no final de 2017. A autora de Atlanta é conhecida por escolher protagonistas que não se encaixam no padrão que sempre vemos nos livros jovens. Molly tinha transtorno de ansiedade e era gorda, fugindo dos padrões estéticos; e Simon é gay.

    Simon está no último ano do ensino médio e ele tem certeza da sua sexualidade; a única coisa que ele não sabe é como vai compartilhar isso com os seus amigos, e com o mundo. Ele não quer que o fato de ele ser gay se torne uma grande coisa, principalmente entre a sua família. Os seus dois pais sempre querem se envolver na vida dos filhos (o protagonista tem duas irmãs), e Simon não sabe qual será a reação dos seus pais quando ele revelar o seu segredo.

    A única pessoa que sabe da verdade sobre Simon é Blue, um garoto anônimo da sua escola que ele se corresponde por e-mails, que também é gay. Os dois, apesar de serem extramamente próximos, não se conhecem pessoalmente. Eles apenas sabem que frequentam o mesmo ensino médio. Blue também está encarando, assim como Simon, a jornada de se assumir: para a família e para os outros. Porém, cada um deles tem ritmos diferentes. Em alguns momentos, Simon se sente mais confiante que Blue e vice-versa.

    Apesar de ter amigos muito próximo e que o conhecem pela vida inteira (Leah e Nick), Simon constrói um laço de amizade forte com a nova recém chegada no grupo, Abby. Ela é a primeira pessoa o qual ele confia para contar sobre o fato de ser gay. E aqui entram questões que o personagem encara: ele tem medo de os amigos não o verem mais do mesmo jeito. A diferença entre Leah, Nick e Abby é que a última não conhece a vida inteira de Simon. Por isso, ele se sente mais livre para mostrar quem é.

    O mais interessante da história é como Becky Albertalli – que é experiente nisso – sabe tratar de temas complicados de forma delicada e honesta com os seus personagens. Simon não é perfeito – ele está longe de ser o melhor amigo do mundo ou o melhor filho -, e acompanhamos a sua jornada de autoconhecimento aos poucos. Sair da zona-de-conforto depois de tantos anos não é nada fácil para ninguém: mas é ainda mais difícil quando você não se encaixa no padrão heterossexual. Inclusive, surgiu um debate quando o filme foi lançado, se assumir-se gay era um tema que “ainda” valia um filme. A resposta é: sim. Os LGBTQ+ sofrem com preconceito e exclusão todos os dias, e o ato de bater no peito e dizer quem você é, é pura resistência.

    A relação de Blue e Simon não é forçada e acontece naturalmente. Mas o menino não é o único apoio que ele tem. Os seus amigos, Leah, Abby e Nick, também estarão ao lado dele, mas Simon encontra dificuldades em se relacionar com Leah – que ele conhece há anos -, e revelar seu segredo para ela. Os dois parecem seguir caminhos diferentes ao longo da história; este ponto também foi bem realista para mim. Muitas vezes temos amigos que amamos, mas que em determinados momentos conflitos entram no meio e balançam a amizade. Isso não quer dizer que você deixe de amar menos aquela pessoa.

    A leitura fluiu rapidamente; “Simon” é daqueles livros gostosos de ler que você se encanta rapidamente. A sua importância também é enorme: a literatura LGBTQ+ jovem ainda está ganhando espaço no mercado editorial, e o sucesso deste livro só abre mais chances para outros também ganharem as livrarias. Vários amigos estavam lendo ao mesmo tempo que eu, e a opinião deles me marcou: “eu gostaria de ter lido um livro como esse quando estava me descobrindo.”

    Fevereiro 13, 2018
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    Big Little Lies completa no dia 19 deste mês um ano da exibição do seu primeiro episódio na HBO, emissora conhecida por apostar em séries polêmicas (Game of Thrones, True Blood) e que não possuem cautela nas cenas explícitas, por exemplo. Quando esta série protagonizada por Nicole Kidman, Reese Whiterspoon e Shailene Woodley entrou para o catálogo, algumas pessoas torceram o nariz, achando que ela seria um guilty pleasure (termo que na tradução significa “prazer culposo”, e normalmente é usado para taxar séries protagonizadas por mulheres, como produções bobas). Mas Big Little Lies apresenta, tanto na sua adaptação televisiva quanto no seu script original – derivado do livro escrito pela australiana Liane Moriarty – um seriado que traz mulheres como protagonistas da própria história, esta que muitas vezes, está longe de ser fácil.

    Madeline é forte e passional. Separada, precisa lidar com o fato de que o ex e a nova mulher, além de terem matriculado a filhinha no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline, parecem estar conquistando sua filha mais velha. Celeste é dona de uma beleza estonteante. Com os filhos gêmeos entrando para a escola, ela e o marido bem-sucedido têm tudo para reinar entre os pais. Mas a realeza cobra seu preço, e ela não sabe se continua disposta a pagá-lo. Por fim, Jane, uma mãe solteira nova na cidade que guarda para si certas reservas com relação ao filho. Madeline e Celeste decidem fazer dela sua protegida, mas não têm ideia de como isso afetará a vida de todos. Reunindo na mesma cena ex-maridos e segundas esposas, mães e filhas, bullying e escândalos domésticos, o romance de Liane Moriarty explora com habilidade os perigos das meias verdades que todos contamos o tempo inteiro.

    Eu comecei a ler o livro nas férias antes de iniciar a série, mas a expectativa foi tanta que eu me revezei entre os capítulos e os episódios (o que fez eu me adentrar na história de maneira intensa). São mais de 400 páginas que narram a rotina e a vida pessoal de Madeline, Celeste e Jane, que possuem apenas uma coisa em comum: os seus filhos pequenos estudam na mesma escola, em uma cidade litorânea na Austrália. Fora isso, elas são muito diferentes, mas encontram entre si fatores em comum que fazem crescer uma amizade entre as três. Madeline e Celeste são amigas há um bom tempo, mas a chegada de Jane na cidade – que é mais nova que as duas e mãe solo -, transforma a dupla em trio.

    Há algumas diferenças leves entre o livro e a série, e elas atrapalham em pouco a trama. A maioria dos diálogos são exatamente iguais no seriado produzido por Reese Whiterspoon. O maior trunfo de Big Little Lies é narrar, de maneira honesta, a vida dessas três mulheres, e de outras personagens presentes no livro. Apesar de Madeline e Celeste viverem uma vida aparentemente “perfeita”, descobrimos que a perfeição está longe de ser uma característica da rotina delas. Elas podem ter uma casa maravilhosa, serem casadas com homem bem sucedidos e possuírem uma vida financeira estabilizada, mas suas vidas íntimas possuem traumas, dores e muitos conflitos. Jane é a única das três que é vista na cidade como alguém que não possui uma vida ideal, por ser mãe solteira e ter o filho apontado na escola como o causador de bullying contra uma colega.

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    O enredo possui como pano de fundo um assassinato, que ocorre durante um evento escolar organizado apenas para os pais da comunidade que possuem filhos na escola. Os capítulos e as cenas do seriado são mesclados com depoimentos de outras pessoas que também estavam na festa. Apesar de mover a trama, o grande foco são as relações entre os personagens e a vida das protagonistas, e como cada uma delas enfrenta suas próprias batalhas. Celeste (Nicole Kidman) é alvo de violência doméstica em um casamento que é visto pelos outros como exemplar. Porém, ninguém sabe de verdade o que se passa na vida dela, que sofre com o marido abusivo Perry (Alexander Skarsgård). As cenas de violência são tensas e cruas, levando à tona a discussão sobre violência doméstica e como ela pode acontecer, sim, com qualquer pessoa, não importa o status social.

    Jane (Shailene Woodley) não chegou perto dos 30 anos e encontra uma chance de recomeçar de novo naquela cidade. Como esperado, nem tudo ocorre como ela planejou. O seu filho Ziggy enfrenta diversos problemas na escola, ao ser acusado de praticar bullying, fazendo Jane questionar o comportamento do próprio filho. Em paralelo, descobrimos que muitas das suas aflições e traumas foram causados por uma experiência que gerou a criança: Jane foi vítima de estupro.

    Madeline (Reese Whiterspoon) tem uma rotina que inclui cuidar dos filhos, administrar a peça de teatro da cidade, manter o casamento com Ed (Adam Scott), e sobreviver à sua relação conturbada com a filha mais velha, Abigail (Kathryn Newton), que para revolta de Madeline, está passando muito tempo com o pai que sumiu quando ela era ainda bebê, e a madrasta Bonnie (Zoë Kravitz).

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    É difícil elencar todos os temas abordados pelo seriado e pelo livro, mas eles tem o traço em comum de serem conflitos que estão presentes na jornada de todas as mulheres que aparecem na série – e não só as principais -, seja o papel da maternidade (que é muito questionado durante os episódios; algumas mulheres são julgadas por não possuírem uma carreira para cuidar dos filhos, e outras, por terem!), abuso sexual, traumas e sororidade, e amizade feminina.

    Cada um deles é desenvolvido com maestria e ganha espaço em tela, nos fazendo questionar e refletir após terminar os episódios. Big Little Lies mostra o quanto a união entre mulheres pode ser poderosa e literalmente, salvar vidas. Por mais que algumas personagens tenham conflitos entre si em muitos momentos, a série não transforma isso em uma típica representação machista que mulheres não podem ser amigas de outras mulheres; pelo contrário, ela justifica o quanto essas mesmas pessoas que brigaram anteriormente, podem se unir quando necessário.

    Essa história é importante e vai mexer com você, eu garanto. Seja no papel ou na televisão, não deixe de dar uma chance.

    Janeiro 31, 2018
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    Título: Sempre Teremos O Verão

    Autor (a): Jenny Han

    Sinopse: Belly sempre esteve dividida entre os Fisher. Mas isso parecia ter ficado no passado. Assim como os incríveis dias de verão na casa de praia em Cousins Beach. Conrad, seu primeiro amor, se tornou apenas uma recordação. Agora, era Jeremiah quem ela amava, era com ele que Belly imaginava o futuro.
    Eles resolvem se casar e passar o resto da vida juntos, mesmo que para isso precisem enfrentar as famílias, que desde o início são contra essa decisão. Mas quando Belly retorna à casa de praia e reencontra Conrad, antigos sentimentos vêm à tona. Com o dia do casamento se aproximando, as incertezas só aumentam. Seria possível voltar atrás? Ou melhor, seria o certo a fazer? Mais uma vez ela está na casa de praia, dividida entre os dois únicos meninos que já amou.
    Neste último volume da série O verão que mudou minha vida, Belly está mais madura e se vê diante de uma importante decisão que mudará sua vida e a dos Fisher para sempre.

    Preço Sugerido: R$27,90

    Sempre Teremos O Verão é o terceiro e último livro da série criada por Jenny Han, e a responsável por tê-la deixado conhecida pelo grande público que lê YA (Young Adult). Eu resenhei o primeiro livro aqui no blog em 2017, “The Summer I Turned Pretty”. O enredo trata sobre a protagonista Belly, que viveu grande parte dos seus verões em uma casa em Cousins, com os filhos da melhor amiga de sua mãe. Sendo assim, as duas famílias se uniram e mantiveram-se próximas durante muito tempo. Belly cresceu com os irmãos Jeremiah e Conrad. O primeiro se tornou o seu melhor amigo desde a infância, e o segundo, o seu primeiro amor.

    Nos dois primeiros livros, acompanhamos o crescimento da personagem, quando ela tem apenas quinze anos, até os seus dezoito (e posteriormente, chegando à vida adulta). É nessa passagem que Belly, Jeremiah e Conrad estão amadurecendo. Eles não são mais crianças, mas também ainda não são adultos, e muito menos seguros de todas as suas decisões e comportamentos. O triângulo amoroso não aparece de maneira forçada; Jenny Han consegue fazer com que o sentimento entre os personagens aconteça de forma gradual, mesmo ele sempre estando lá. Histórias de romance, aliás, são o trunfo dessa autora.

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    Eu li o primeiro e o terceiro livro em inglês (quando viajei para a Georgia, decidi comprar as edições em inglês mesmo, já que aqui no Brasil a coleção só vende pela internet). We’ll Always Have Summer ganhou uma capa diferente (que eu adorei, aliás!). Os outros dois livros da série também tiveram suas capas alteradas nos Estados Unidos.

    Neste último volume, um tempo longo se passou desde o último verão em Cousins. Belly está terminando o seu primeiro ano na faculdade, e encontra-se completando dois anos de namoro com Jeremiah. O seu relacionamento com Conrad, que aconteceu durante um Natal no passado, encontrou o seu fim após seis meses, no seu baile de formatura do ensino médio. É nessa nova fase da universidade que Belly conhece novos amigos, passa por outras experiências e solidifica seu relacionamento com Jeremiah. Ela tem certeza absoluta que ele é o cara certo para ela, mesmo que o seu primeiro amor tenha sido Conrad.

    O seu namoro ocorria bem, até que Belly descobre que Jeremiah ficou com outra garota da faculdade durante o curto tempo em que eles estiveram separados. A situação é o bastante para causar uma frustração enorme na garota, e o término do namoro dos dois. Mestre em trazer plot twists durante o enredo, Jenny Han nos surpreende quando Jeremiah pede Belly em casamento (!). A personagem acaba aceitando, porque acredita que ela e o namorado vão enfrentar toda essa situação juntos.

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    Quando eu li a sinopse do livro e descobri que tinha um casamento envolvido, fiquei surpresa. Afinal, os personagens dão muitas provas ao longo da história de não serem maduros o suficiente para um compromisso desses. O tópico do casamento é o principal do último livro, e tudo gira ao redor da data e da cerimônia. Mas é óbvio que os pais de BellyJeremiah não aceitam a situação com facilidade. Nem Belly tem certeza se é isso mesmo que ela quer fazer. Apesar de achar que os seus sentimentos por Conrad estão enterrados e mortos, nós sabemos muito bem que apenas a presença do personagem seria suficiente para uma reviravolta.

    Um dos pontos legais é que, igual ao segundo livro, também temos vários capítulos na visão de Conrad, o que nos ajuda a compreender melhor o personagem, que desde o primeiro livro carrega uma aura de mistério consigo mesmo. É difícil entendê-lo, mas descobrimos que ele é mais simples do que parece, quando Jenny Han dá voz ao personagem para expor os seus sentimentos, ao invés de o enxergamos apenas pela visão de Belly.

    Apesar do último livro ter um desenvolvimento mais lento – ele não é tão focado em ações, e sim pensamentos e diàlogos -, alguns capítulos são de tirar o fôlego. A única coisa que eu gostaria de ter visto era um desenvolvimento melhor do relacionamento de Conrad e Belly. Apesar de sabermos que eles são o casal principal nessa história – o famoso meant to be -, ainda sinto que uma tensão muito grande foi construída ao redor dos personagens, praticamente um amor platônico, sem que os leitores pudessem mesmo saber como seria a rotina e o convívio deles sendo um casal de verdade, após tantos conflitos para ficarem juntos.

    Porém, o final me satisfez bastante. Eu acredito que foi uma conclusão que fez justiça a história, apesar de que poderia ter sido desenvolvido um pouquinho melhor.

    Janeiro 21, 2018
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    Título: O Diário de Anne Frank

    Autor (a): Annelies Marie Frank

    Editora: Princips

    Sinopse: ‘O Diário de Anne Frank’ é um retrato da menina por trás do mito. Um livro que aprofunda e aumenta nossa compreensão da vida e da personalidade de um dos fortes símbolos da luta contra a opressão e a injustiça. Uma obra que deve ser lida por todos, para evitar que barbaridades dessa natureza voltem a acontecer neste mundo.

    Apesar de ser apaixonada por livros, eu nunca havia lido O Diário de Anne Frank, algo que eu considerava um horror para alguém que é viciado em leitura, rs! No final de 2017 minha mãe me presentou com uma edição do livro. Todo mundo basicamente já sabe do que se trata a história, mas admito que eu não estava preparada para sentir tantas emoções durante as páginas. Em 1942, Anne Frank – filha de Otto e Edith Frank -, ganhou um caderno de autógrafos no seu aniversário de 13 anos, que ela escolheu transformar em diário.

    As anotações começaram em 14 de Junho de 1942, quando já havia tido inicio na Holanda as leis rigorosas contra os judeus (lembrando que a segunda guerra mundial começa em 1939 e termina em 1945). Apesar de ter nascido em Frankfurt, na Alemanha, Anne se mudou com a família para Amsterdã em Agosto de 1933. No início do seu diário, as anotações e experiências relatadas pela menina ainda são leves (e algumas passagens até mesmo engraçadas). Afinal, Anne ainda estava no início da adolescência. Ela frequentava a escola e se orgulhava em querer ser uma das melhores da classe. Desde os seus primeiros relatos, ela também revela o seu amor pela escrita.

    “Por alguns dias não escrevi nada porque fiquei pensando na finalidade e no sentido de um diário. Sinto algo especial ao escrever o meu diário. Sei que mais tarde, nem eu nem ninguém achará algo interessante nos desabafos de uma garota de treze anos. No fundo tudo isso tanto faz. Gosto de escrever e quero aliviar o meu coração de todos os pesos.” 20 de Junho de 1942

    Um dos sonhos de Anne é se tornar jornalista. Por mais que ela não entenda a importância do seu diário, no primeiro ano em que começa a escrevê-lo, é possível notar a princípio o talento que ela possuia com as palavras. Anne é inteligente, articulada, e com pouca idade, promove reflexões fortes sobre a sua personalidade, a sociedade e o mundo, que se tornam ainda mais complexas a partir dos anos. A sensação que eu tive é de que eu queria ser amiga dela. Começamos a construir um laço e uma intimidade com Anne, já que conhecemos a sua rotina, os seus gostos, e os seus questionamentos.

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    Em 6 de Julho de 1942 a família Frank se esconde no anexo. Anne, Otto, Edith e Margot (a irmã mais velha de Anne) se escondem no local junto com a família Van Daan (Peter, Auguste e Hermann). De início, todos se dão bem: mas é questão de tempo até a convivência se tornar mais difícil. Fica claro que Anne e os seus famíliares, assim como todos que viviam no anexo, achavam que a situação seria apenas temporária. Eles escolhem se esconder após diversos judeus da vizinhança serem presos ou desaparecerem. Todos os dias, uma nova família conhecida dos Frank era presa pela Gestapo (polícia nazista).

    Os relatos da menina vão ficando cada vez mais tensos e profundos. É perceptível o amadurecimento forçado de Anne no decorrer dos meses. Se você comparar os primeiros relatos do diário aos últimos, vai notar que ela se tornou uma pessoa muito diferente. As passagens relatam a angústia, o medo e a dor de se viver preso todos os dias. Alguns capítulos também relatam a ansiedade de ouvir as bombas caindo na cidade e muito próximas ao anexo.

    “Ontem à noite houve um curto-circuito. E ainda por cima o barulho infernal dos canhões de defesa. Não sou capaz de me habituar às bombas e aos aviões. Tenho medo e quase sempre fujo para a cama dos meus pais. Vai achar que sou criança, mas só queria que assistisse! Não ouvimos as nossas próprias palavras, tanto é o barulho dos canhões.” 10 de Março de 1943

    As relações familiares também encontram dificuldades e conflitos. Anne é muito próxima do seu pai, Otto, mas tem brigas constantes com a sua mãe. No seu diário, ela escreve que a família não a leva muito a sério, por ser mais nova, assim como os outros integrantes do anexo. Anne é independente, e acredita que o seu pai e mãe deveriam compreendê-la mais. São questões que a maioria dos adolescentes enfrentam, mas que ganham mais força em Anne por ela estar numa situação extrema.

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    Também acompanhamos o primeiro amor de Anne, que foi Peter Van Daan, o filho do casal que dividia o anexo com os Frank. Mais velho que Anne, ela e Peter não encontram afinidades no primeiro ano do anexo. É no último que eles realmente se tornam amigos, quando Anne está prestes a completar quinze anos. Os dois trocam confidências, e se tornam bons amigos, o que rapidamente se desenvolve para uma paixão. A menina enconta em Peter alguém com o qual ela pode trocar segredos, experências e pensamentos, apesar de dizer algumas vezes que o acha muito fechado.

    “As coisas continuam difíceis. Sabe o que quero dizer? É que eu queria ser beijada, queria esse beijo que tanto esperamos. Será que o Peter vê em mim alguém mais do que uma boa pessoa? Não significo outra coisa para ele? Você sabe que sou forte, que sei suportar sozinha o meu fardo e que não estou acostumada a pedir ajuda.” Primeiro de Abril de 1944

    O esconderijo foi descoberto em 4 de Agosto de 1944. É triste ler os últimos relatos de Anne, pois ela encontra esperanças com a intervenção da Inglaterra na guerra e a perda da Alemanha de alguns territórios. É uma experiência dolorosa saber o que vai acontecer com Anne Frank, e imaginar a jornalista incrível que ela poderia ter sido futuramente: esse era o seu sonho. Escrever e publicar livros. Eu refleti um tempo sobre quantos futuros a guerra leva. Crianças e adolescentes que poderiam ter sido muito mais do que foram, e que ainda tinham coisas enormes para viver. Isso me levou à pensar em quantas meninas e meninos a Guerra da Síria levou, por exemplo. Quantos futuros brilhantes foram roubados?

    “Sinto-me tão livre, tão jovem! Quando me dei conta disto pela primeira vez fiquei contente, pois não suponha que os golpes que ninguém está livre de sofrer, me pudessem esmagar rapidamente. Mas sobre este assunto já falei muitas vezes.” 8 de Julho de 1944

    Esta é uma leitura que eu indico, de verdade, para todo mundo. Crianças, jovens, adultos: todo mundo pode usufruir dos relatos da Anne e levar algum aprendizado consigo mesmo, seja sobre o passado, ou sobre quem você quer ser no futuro.

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