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    Livros que eu li na faculdade #1

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  • Arte: Henn Kim @henn_kim
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  • Julho 6, 2017
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    Título: Outros Jeitos de Usar A Boca (Milk & Honey)

    Autor (a): Rupi Kaur

    Editora: PLANETA

    Preço: R$17,94, R$19,90 e R$19,90

    Sinopse: Outros jeitos de usar a boca é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume – publicado nos EUA como “milk and honey” – é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

    Rupi Kaur é uma poeta contemporânea nascida na Índia, que vive em Toronto, no Canadá. Ela tem 24 anos e começou a chamar a atenção do público na internet quando postava os seus poemas no Instagram. Sim, uma maneira diferente de mostrar arte, e que deu muito certo: em 2014, Rupi lançou “Milk & Honey”, que conquistou #1 lugar no “The New York Times” e abriu as portas para um novo jeito de fazer poesia. A artista (que também desenha), é feminista e grande parte dos seus poemas aborda os traumas, as dores e as histórias sobre ser mulher.

    O livro é dividido em quatro partes: “a dor”, “o amor”, “a ruputura” e a “cura”. Cada um deles trás poemas honestos e dolorosos sobre as vivências de Rupi e de muitas outras mulheres. É possível se identificar com cada um deles; os poemas são escritos com poucas pontuações e com versos bem livres.

    A dor

    O livro já começa de forma abrupta e dolorosa. Os primeiros versos nos contam experiências sobre repressão, abuso (tanto de maneira física quanto em relacionamentos tóxicos), e de ter a sua voz tirada de você desde o inicio.

    “O terapeuta coloca

    a boneca na sua frente

    ela é do tamanho das meninas

    que seus tios gostam de apalpar

    mostre onde ele colocou as mãos

    você mostra o lugar

    entre as pernas aquele

    que ele arrancou com os dedos

    igual a uma confissão

    como você está se sentindo

    você desfaz o nó

    da garganta

    com os dentes e diz bem

    um pouco dormente

    sessões nos dias da semana

    As palavras de Rupi tem o poder de tocar o leitor desde o inicio. Elas nos machucam, nos dão alívio e também nos fazem refletir. A autora consegue expor tudo o que ela sentiu: desde as sensações até as mágoas que ela guarda no corpo. Sabe aquele sentimento de sororidade? É exatamente isso que o livro nos provoca: vontade de nos unir, de dar as mãos e de encontrar apoio em outras mulheres (e também, dar esse apoio para elas).

    É nesta parte do livro que a autora também escreve bastante sobre as suas relações famíliares e o relacionamento complicado com o seu pai, que é pouco presente. Ela cita os momentos em que o ambiente familiar a reprime, e não a deixa realmente ser quem ela é, ou seja, ter voz.

    “Você me diz para ficar quieta porque

    minhas opiniões me deixam menos bonita

    mas não fui feita com um incêndio na barriga

    para que pudessem me apagar

    não fui feita com leveza na língua

    para que fosse fácil de engolir

    fui feita pesada

    metade lâmina metade seda

    difícil de esquecer e não tão fácil

    de entender”

    O amor

    A segunda parte do livro possui diversos poemas que falam sobre um relacionamento importante da vida da autora, que a desperta sentimentos conflituosos. Em alguns momentos eles são positivos e em outros, a fazem questionar tudo. Mas não é apenas sobre amar ao outro, e sim, amar a si mesmo e saber se respeitar. Porém, Rupi questiona constantemente o fato de nós, mulheres, sermos influenciadas pelos fatores externos a nunca gostarmos de nós mesmas.

    “tenho tanta dificuldade

    de entender

    como alguém

    pode derramar sua alma

    sangue e energia

    em alguém

    sem pedir

    nada em troca”

    tenho que esperar até ser mãe

    Ela também explora a sexualidade de forma aberta, ao mesmo tempo que utiliza metáforas (ou em outros momentos, poemas que vão direto ao ponto) para falar dos desejos e do prazer da mulher, um assunto essencial que muitas vezes, fica de fora das publicações literárias, como se as pessoas do sexo feminino só estivessem aqui para dar o prazer à alguém, e não obtê-lo para elas mesmas.

    “Só de pensar em você

    minhas pernas abrem espacate

    como um cavalete com uma tela

    implorando por arte”

    As ilustrações de Rupi também desempenham papel importante nos poemas, e suas ilustrações são responsáveis por dar vida à todas as palavras. Elas aparecem em praticamente todas as páginas.

    A Ruptura

    A penúltima parte do livro mergulha fundo em um sentimento de tristeza e término. Quando acabamos um capítulo da vida, quando enfrentamos uma desilução amorosa (alguém que mudou, de certa maneira, quem você era) e que deixou um buraco profundo e difícil de ser preenchido. É com maestria que Rupi Kaur reflete os sentimentos de amar e não ser correspondido, ou de ser amado e não poder corresponder da mesma maneira; e de ter que aprender a gostar de quem você é, antes de tudo.

    “eu sempre

    me enfio nessa confusão

    eu sempre deixo

    que ele diga que sou incrível

    e meio que acredito

    eu sempre pulo pensando que

    ele vai me segurar

    na queda

    irremediavelmente eu sou

    a amante

    a sonhadora e

    isso ainda acaba comigo”

    São poemas que refletem a insegurança, a dúvida, o questionamento sobre si mesmo. Algo que é presente em muitos de nós e também promove uma fácil identificação.

    “ele só susurra eu te amo 

    quando desliza a mão

    para abrir o botão da sua calça

    é aí que você tem

    que entender a diferença

    entre querer e precisar

    você pode querer esse menino

    mas você com toda a certeza

    não precisa dele”

    A cura

    O livro é finalizado com poemas que falam sobre reconstrução. Depois de toda a dor e a mágoa que a autora passa – e nos envolve também – desde o início da obra, é aqui que acompanhamos os seus passos em que ela se cura dos traumas e das experiências pelas quais passou. Rupi aborda também em diversos momentos o racismo que sofre, o machismo, e fala sobre o fato de encontrar a segurança em outras mulheres.

    “parece que é deselegante

    falar da minha menstruação em público

    porque a verdadeira biologia do meu corpo

    é real demais

    é legal vender o que

    uma mulher tem entre as pernas

    mas não é tão legal

    mencionar suas entranhas

    o uso recreativo deste

    corpo é considerado

    uma beleza mas

    sua natureza é

    considerada feia”

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    Os padrões de beleza são questionados, e todas as dores que as mulheres – como um coletivo – já tiveram que enfrentar durante a sua vida são detalhadas por meio dos seus poemas. O fato de sermos bombardeadas pela mídia com versões “perfeitas” de como deveríamos ser, ou o fato de sermos expostas como um objeto em diversos momentos. Fica claro, no poema acima, o quanto o nosso físico é importante: mas o nosso íntimo, aquilo que é real sobre o sexo feminino “deve” ser escondido e ignorado. Sim, mulheres mestruam. E sim, mulheres tem pelos. E ao contrário do que muitos pensam, nós não precisamos esconder isso.

    “quero pedir desculpa a todas as mulheres

    que descrevi como bonitas

    antes de dizer inteligentes ou corajosas

    fico triste por ter falado como se

    algo tão simples como aquilo que nasceu com você

    fosse seu maior orgulho quando seu

    espírito já despedaçou montanhas

    de agora em diante vou dizer coisas como

    você é forte ou você é incrível

    não porque eu não te ache bonita

    mas porque você é muito mais do que isso”

    O livro se tornou o meu favorito de 2017 (sem dúvidas), e é o tipo de leitura que eu indico para basicamente todo mundo que eu conheço. É importante valorizar o trabalho de Rupi Kaur, para que seja possível que as poetas contemporâneas ganhem mais espaço, e nós também ganhamos com isso, pois podemos ver realidades e dores de milhares de mulheres refletidas no papel.

    A obra já foi traduzida para várias línguas nos últimos dois anos. No momento, a autora finalizou o livro sucessor. Você pode acompanhá-la nas redes sociais, como o Instagram e o Twitter, em que ela é super ativa.

    Maio 30, 2017
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    A autora que eu quero apresentar para vocês essa semana é a Jennifer Niven. Norte-americana nascida em Charlotte, na Carolina do Norte, ela despontou de vez no mundo do gênero Young Adult em 2015, quando lançou “All The Bright Places” (Por Lugares Incríveis), o seu livro mais reconhecido até então, que ganhou diversos prêmios. A autora, além de ser muito talentosa, tem uma preferência por abordar temas difíceis. Jennifer escreve livros para jovens, mas eles não são romantizados. Os temas abordados passam entre depressão, suícidio, transtorno bipolar, gordofobia e prosopagnosia. Eles são retratados a partir dos seus personagens, que são na maioria das vezes adolescentes.

    Os protagonistas de Jennifer são complexos e bem trabalhados durante toda a leitura, e acima de tudo, são humanos. Uma das características dela é de realmente tocar o leitor: ela consegue te sensibilizar durante toda a leitura, nos fazendo refletir sobre tudo o que os personagens passam e nós realmente nos apegamos a eles, desenvolvendo a nossa empatia. Além de entender a importância de falar sobre os transtornos mentais, Jennifer já enfrentou muitos deles durante a sua vida. Alguns personagens tem inspiração em pessoas que ela conheceu na vida real, e isso fica claro na parte dos agradecimentos no final de cada livro.

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    O meu livro favorito (olha, é complicado escolher, mas esse está em primeiro lugar) se tornou Por Lugares Incríveis. Violet Theodore Finch são dois jovens muito diferentes. Porém, eles tem em comum o fato de estarem passando por um momento bem difícil em suas vidas. Eles se conhecem quando estão quase desistindo da própria vida, mas encontram um no outro uma maneira de continuar. No inicio, eles não se dão muito bem. Afinal, ambos tem poucas coisas em comum. Mas um trabalho da escola os une e eles descobrem diversos lugares novos juntos; e vão aprendendo a lidar mais com a vida. Finch ajuda Violet, que ainda não havia conseguido superar a morte da irmã.

    O livro aborda muito os transtornos psicológicos de Finch, que não tem consciência total sobre eles. Ele sofre de ansiedade, depressão e possívelmente transtorno bipolar. Mas ele não tem o apoio da família e possui poucos amigos na escola. Violet é a pessoa que tenta entendê-lo. Jennifer consegue trabalhar bem o personagem, apesar dele ter uma grande complexidade. Nós terminamos o livro sentindo que queríamos ter feito algo por ele, e a autora consegue nos ensinar a lição do quanto nós devemos prestar a atenção nas pessoas, mesmo que um ser humano, sozinho, não consiga salvar o outro.

    https://thatldiotfranklin.tumblr.com

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    “Juntando os Pedaços”, lançado em 2016, se tornou best seller do The New York Times e abordou um tema até então desconhecido do grande público: a prosopagnosia, uma doença rara que faz com que o cérebro não seja capaz de identificar rostos. Jack vive grande parte da sua vida baseado na mentira em que ele não reconhece ninguém, até mesmo a namorada, os familiares e os seus melhores amigos. Ele passa pelo ensino médio tentando não se destacar demais – ao mesmo tempo que tem um círculo grande de amigos -, porque o seu maior medo é que descubram a sua doença.

    Libby ganhou as manchetes dos jornais por ter que ser resgatada da sua casa após atingir um peso em que não conseguia fazer mais nada sozinha, e vivia em casa apenas com a companhia do pai. Depois de anos tentando se recuperar ela tenta voltar à escola, algo difícil, pois ela tem um medo constante do bullying e das críticas sobre o seu peso. A gordofobia que ela sofre no dia-dia e principalmente no ambiente escolar são intensos. O livro aborda muito esse assunto, que está extremamente presente na nossa sociedade, principalmente em locais ambientados pelos jovens.

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    “Por Lugares Incríveis” vai virar filme e a Violet será interpretada por ninguém menos que Elle Fanning. Eu amei a decisão e acho que ela pode ficar ótima no papel, já que a Elle atua muito bem. O roteiro do filme está sendo escrito pela própria Jennifer, e a direção ficará por conta do porto-riquenho Miguel Arteta. Porém, o Finch ainda não foi escolhido, e a autora está em busca do ator ideal para o papel. Toda semana, ela posta no Instagram uma lista de possíveis atores, e pede a opinião dos fãs. Estão presentes na lista o Freddie Highmore, Cole Sprouse, Asa Butterfield, Miles Heizer, e outros.

    Na minha opinião, o Freddie e o Asa se parecem muito fisicamente com o Finch e eu acho que os dois são ótimos atores (o Freddie simplesmente arrasa em Bates Motel). E vocês, o que acham?

    Abril 8, 2017
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    Título: A Rainha Vermelha

    Editora: Seguinte

    Autor(a): Victoria Aveyard

    Sinopse: O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho? Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe — e Mare contra seu próprio coração.

    Fazia um bom tempo em que eu não lia um livro com o tema de distopia. Esse gênero literário pode estar meio batido, mas The Red Queen foi uma surpresa agradável que me cativou bastante. Eu comecei a leitura com expectativas, afinal, ele havia ganhado o prêmio de melhor estréia de autor do Goodreads em 2015, e também ficou em primeiro lugar na lista do The New York Times.

    A protagonista desta história é Mare, uma garota de 17 anos que vive junto com a sua família – e mais milhares de pessoas – em extrema pobreza. Eles estão acostumados a lutar por suas vidas todos os dias, simplesmente porque possuem sangue vermelho, o que significa que eles fazem parte da população que é separada dos prateados, que possuem poderes e uma vida de luxo. Só o que essas pessoas conhecem é o medo, a fome e a impotência. Qualquer pessoa que se atreva a questionar esse sistema não sobrevive.

    Algumas pessoas são contra a segregação que impera nesta sociedade distópica, mas eles vivem às espreitas e poucos realmente sabem que esse grupo existe. A Guarda Escarlate é uma organização que luta contra a corte, e Mare toma conhecimento deles aos poucos. Ela vive momentos de conflito com a sua família. O seu irmão mais velho foi para a guerra – assim como todos os outros garotos jovens – e nunca mais retornou. Ela não sabe se ele está vivo ou morto.

    A sua vida muda de cabeça para baixo quando Mare é colocada em situações de perigo e descobre que ela não é quem imaginava ser. A personagem também possui poderes: ela pode controlar a eletricidade. Mas como isso é possível, se os vermelhos não tem poderes? Existem mais pessoas como ela? Mare, que sempre viveu com muito pouco, se vê de uma hora para a outra no meio da família real e dos prateados, tendo que esconder a sua identidade como uma peça no jogo da rainha Elara, e sendo noiva de Maven, o filho mais novo do rei Tiberias VI. Essas são as pessoas que ela mais odiou durante a sua vida inteira; sendo manipulada por eles e com todos os seus passos sendo observados, Mare não sabe como agir.

    O livro é repleto de ação e capítulos que nos deixam super curioso para saber o que vai acontecer em seguida. A autora sabe colocar diversos elementos surpresa ao longo da história, e por mais que o livro seja grande, a sua narrativa é rápida. Mare Barrow é super bem trabalhada durante cada parte do enredo, e temos uma heroína forte, corajosa e muito teimosa. A minha característica favorita das distopias são as protagonistas poderosas. Por mais que ela passe por milhares de dúvidas e momentos em que sua vida é colocada em jogo, Mare não deixa ninguém domina-la.

    O romance é desenvolvido aos poucos, e temos uma rivalidade acirrada entre dois irmãos que são muito diferentes: Maven tem todas as qualidades que um próximo rei precisa, mas quem realmente é o sucessor do trono é Cal, seu irmão mais velho. Mare se torna próxima de ambos, e cada um deles desperta um lado diferente nela. Apesar de incrementar a história e Maven e Cal serem ótimos personagens, o foco aqui não é o romance.

    O elemento sobrenatural é um dos pontos chave. Cada prateado possui um poder: há até mesmo uma hierarquia entre eles. Alguns poderes e algumas famílias são mais valorizadas do que outras, e entre este povo – que se acha tão melhor que os vermelhos – também existem disputas acirradas e muitas mentiras. É interessante ver como a autora trabalha com tudo isso. Temos muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, mas ela consegue equilibrar bem isso durante a leitura. Só resta ler a sequencia para saber quais focos serão mais explorados no segundo livro.

    O livro me conquistou muito, e eu me empolguei com a história rapidamente. É uma indicação certeira, e quem é fã de A Seleção e Jogos Vorazes, por exemplo, vai curtir.

    Março 4, 2017
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    jenny han

    Título: The Summer I Turned Pretty – O Verão Que Mudou A Minha Vida

    Autor (a): Jenny Han

    Editora: Galera Record

    Gênero: Young Adult

    Sinopse: A vida de Belly é medida em férias de verão. Para ela, todas as coisas boas só acontecem entre os meses de junho e agosto, quando está na casa de praia junto a Susannah, única e melhor amiga de sua mãe e uma espécie de tia, e seus dois filhos, Jeremiah e Conrad. Mais do que irmãos postiços e companheiros de férias, os filhos de Susannah tornaram-se o centro das suas emoções. A véspera do aniversário de 16 anos de Belly marca também o fim daquele que parece ser o último verão onde estarão todos reunidos em Cousins Beach. A partir do ano seguinte todos estarão ocupados demais e talvez algum deles já nem esteja mais entre nós…

    A Jenny Han é uma das minhas autoras favoritas, e eu sempre tive vontade de ler essa série, que é uma das mais famosas dela. Um livro que mistura romance, amizade, e te envolve de uma maneira que só essa autora sabe fazer, “The Summer I Turned Pretty” traz como protagonista Belly, uma garota prestes a fazer 16 anos. Ela sempre passa as suas férias de verão na praia. Jeremiah e Conrad são seus amigos de infância, e desde os onze anos de idade, ela possui uma paixão (quase) platônica por um dos irmãos, que nunca a correspondeu, e sempre a viu como uma menina mais nova.

    Enquanto Conrad é mais tímido e fechado – e também o mais velho -, Jeremiah é alguém com quem Belly sempre pode contar nos momentos de companheirismo. Ele é engraçado e tem uma conexão especial com ela. Os dois a encantam de uma maneira diferente. Apesar do triângulo amoroso ser o ponto chave do livro, as relações familiares e o amadurecimento são os protagonistas da história. 

    A personagem ainda é uma adolescente, mas ela tem que crescer e entender que nem tudo é do jeito que a gente quer. Belly é mimada demais no início do enredo, e aos poucos ela vai aprendendo a respeitar mais os rumos que as outras pessoas escolhem, mesmo que ela não tenha as mesmas vontades. Eu confesso que me vi um pouco nela em alguns momentos. Quando nós temos 15 ou 16 anos, parece que aquelas paixões são definitivas e que vão definir muita coisa na nossa vida. Mas, mais tarde, a gente descobre que não é bem assim. 

    É um livro super envolvente e eu com certeza quero terminar a série. No final da história, eu já sentia que conhecia muito bem os personagens.

     sarah dessen

    Título: Aquele Verão

    Autor (a): Sarah Dessen

    Editora: iD

    Gênero: Young Adult

    Sinopse: Há muita coisa acontecendo na vida de Haven… Primeiro, o casamento do pai com Lorna Queen, a “Mulher do Tempo” da televisão local. Depois, o casamento da irmã Ashley com o chato Lewis Warsher, que não parece combinar com Ashley de jeito algum. Haven também não consegue ignorar o fato de ter quase um metro e oitenta e cinco de altura e ainda continuar crescendo. Ela mal consegue ver quem ela é agora ou onde ela pode se ajustar. Então, o antigo namorado de Ashley, Sumner Lee, aparece e reacende as lembranças de Haven do verão quando seus pais eram felizes, a irmã era descolada e despreocupada, e tudo era perfeito… ou pelo menos assim parecia.

    Aquele Verão é o livro de estreia de Sarah Dessen, publicado em 1996. Mesmo sendo apenas o seu primeiro livro, nós já temos um gostinho enorme do seu estilo, sempre tão próprio: suas personagens estão constantemente lidando com a família. Seja com o pai, em “O Que Aconteceu Com o Adeus“, ou com o irmão, em “Bons Segredos“. Haven é uma adolescente que passa por momentos confusos. A sua vida mudou completamente após a separação dos seus pais, e o ideal de “família feliz” terminou em poucos meses, quando o seu pai traiu sua mãe. Após pouco tempo, ele está casando novamente. Lorna Queen, sua colega de trabalho – ambos são jornalistas – é a sua noiva, e Haven não consegue lidar com ela. A ideia de outro casamento a assusta, mesmo que sua irmã mais velha, Ashley, pareça estar aceitando tudo tão bem, ela não sente o mesmo.

    Casamentos são uma grande questão na vida da protagonista: sua irmã também está prestes a pisar no altar, e agora será apenas Haven e a mãe morando em casa. Apesar dela e de Ashley serem próximas, a relação entre as duas nunca foi das melhores. Um misto de admiração e ciúmes sempre esteve presente. Haven é mais tímida, e Ashley é o destaque da família, seja com os seus namorados, o noivo e a cerimônia chegando.

    As coisas começam a mudar quando Sumner Lee, ex-namorado de Ashley, reaparece na cidade. Haven mantinha uma boa relação de amizade com ele, mas que chegou ao fim após ele e Ashley terminarem, há alguns anos. Sumner encanta todos ao seu redor. Ele é comunicativo, divertido, e consegue trazer o melhor de Haven vir à tona. Porém, ele é mais velho que ela, e sempre a enxergou como uma “irmã mais nova”, mesmo que agora Haven tenha crescido, e ela mesma não consiga mais se reconhecer ao se olhar no espelho.

    O enredo toma rumos inesperados, e a Sarah Dessen sempre gosta de fazer reviravoltas: eu desejava um final para a personagem, mas ela conseguiu fazer algo diferente e realista. Para os fãs da autora, essa leitura é muito legal para perceber o quanto ela evoluiu no seu trabalho, mas sempre soube fazer histórias especiais.

    Janeiro 15, 2017
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    Título: Juntando Os Pedaços – Holding Up The Universe

    Autor (a): Jennifer Niven

    Editora: Seguinte

    Sinopse: Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer o rosto das pessoas. Quando ele olha para alguém, vê os olhos, o nariz, a boca… mas não consegue juntar todas as peças do quebra-cabeça para gravar na memória. Então ele usa marcas identificadoras, como o cabelo, a cor da pele, o jeito de andar e de se vestir, para tentar distinguir seus amigos e familiares. Mas ninguém sabe disso — até o dia em que ele encontra a Libby. Libby é nova na escola. Ela passou os últimos anos em casa, juntando os pedaços do seu coração depois da morte de sua mãe. A garota finalmente se sente pronta para voltar à vida normal, mas logo nos primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa de seu peso e vai parar na diretoria. Junto com Jack. Aos poucos essa dupla improvável se aproxima e, juntos, eles aprendem a enxergar um ao outro como ninguém antes tinha feito.

    Uma das minhas primeiras leituras de 2017 é o livro da minha nova autora favorita, Jennifer Niven. Os temas escolhidos por ela fizeram eu me apaixonar pelas suas histórias, como aconteceu com “Por Lugares Incríveis.”  E dessa vez eu também consegui me identificar com os personagens. Os dois protagonistas possuem as suas próprias dificuldades: Jack tem 17 anos e sofre de uma doença que o faz não lembrar de nenhum rosto, inclusive o dos familiares e das pessoas que ele mais ama. Mas, apesar de sofrer com isso há um tempo, ele nunca revelou para ninguém, e acaba levando uma vida superficial no ensino médio, com a esperança de agradar a todos para que não descubram a sua doença e ele não seja excluído.

    Libby recebeu o título de “a adolescente mais gorda dos Estados Unidos” quando, após a morte da mãe, atingiu o limite e descontou toda a sua raiva, frustração e tristeza na comida. Ela teve que ser retirada de casa com ajuda médica, pois precisava se tratar. Além dos problemas com ansiedade e depressão, ela sofreu bullying na infância, o que dificultou ainda mais a sua jornada. Mas depois de passar anos se recuperando em casa, ela decide ir para a escola novamente.

    Os dois, mesmo sendo diferentes, tem os seus caminhos cruzados na escola. Jack faz parte do grupo de meninos que zoa Libby por causa do seu peso, e uma situação infeliz logo no primeiro dia de aula dela, faz com que os dois se conheçam, mas não de uma maneira favorável. Libby perde as esperanças de ter o ano letivo que ela esperava, ao ser vítima novamente de bullying.

    Os dois personagens são profundamente trabalhados e dividem a narração do livro. Ao mesmo tempo que o leitor começa a entendê-los, eles também vão amadurecendo e encontrando a si mesmos. Jack e Libby são de mundos opostos, mas tem muito mais em comum do que eles imaginam. Os dois são muito solitários e tem medo de mostrar quem são – seja pela opinião alheia, ou porque não querem se magoar – e carregam questões importantes dentro de si. Libby precisa vencer a sua insegurança enorme, e Jack, o fato de que possui uma doença incurável e que modifica toda a sua vida.

    A autora consegue mostrar de maneira honesta como os padrões sociais e os preconceitos que acompanham a vida dos jovens podem afetar alguém de maneira muito séria. Libby é rejeitada por muitos dos seus colegas, e pessoas enviam mensagens anônimas para ela a ofendendo, e questionando o motivo dela ser gorda. Achei importante a Jennifer Niven tocar no assunto da gordofobia – apesar de não ter utilizado a palavra –  e mostrar como a sociedade acha que é errado alguém ser acima do peso, ao invés de enxergá-la pelo que ela é. E não pela sua aparência. O tempo todo, os rótulos são questionados no decorrer dos capítulos.

    O romance dos protagonistas serve de pano de fundo para problemas complexos que eles possuem em suas vidas. Eu também achei interessante conhecer mais sobre a prosopagnosia, uma doença que atinge milhares de pessoas no mundo todo: e muitas delas nem sabem disso. A narração acompanha a luta de dois jovens que precisam se encontrar, e se aceitarem pelo que eles são. E também se permitirem apaixonar-se e amar de verdade pela primeira vez.

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