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    Ronda Quinzenal #1 – O que há de mais interessante na internet

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    Comportamento, feminismo

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  • Arte por Camila Rosa (@camixvx) no Instagram.
    Amor, Comportamento

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  • Abril 12, 2019
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    “Coisa Mais Linda”, dirigido por Heather Roth e Giuliano Cedroni, estreou no início de Abril na Netflix e é a segunda produção nacional a chegar no serviço mundial de streaming. O elenco principal é formado por Maria Casadevall, Patrícia Dejesus, Fernanda Vasconcellos e Mel Lisboa; desde o momento que foi ao ar, a série ganhou posts e comentários na internet por todo o lugar, por trazer o debate do feminismo à tona. Por mais que nas Universidades, na música e em espaços que há ativismo e formação de opinião o termo seja discutido faz alguns anos, ele ainda é desconhecido de boa parte do público brasileiro. É claro que estamos falando de um serviço pago, ou seja, que também possui seu próprio nicho.

    De certa maneira, a série faz uma boa introdução ao debate da equidade de gêneros, trazendo o panorama de 1959 no Rio de Janeiro, focando na protagonista Maria Luíza (Maria Casadevall), que é abandonada pelo marido em São Paulo, que foge com todo o seu dinheiro. Vinda de família de classe média rica, ela possui seus privilégios e nunca questionou muito bem a sua situação de ser criada para servir ao marido e aos filhos. Essa reviravolta só ocorre quando ela vai até o Rio de Janeiro para tentar encontrar o marido; e ao perceber que foi enganada – após quase uma crise existencial -, precisa rever toda a sua vida.

    Os primeiros episódios fazem uma introdução à vida das personagens, relatando como todas elas possuem suas próprias trajetórias e batalhas internas. Adélia (Patrícia Dejesus) é de longe uma das mais interessantes; inclusive, se houvesse uma segunda temporada, eu iria adorar vê-la como protagonista, dando foco principal à sua narrativa. Adélia possui uma vivência completamente diferente das outras personagens, que sempre estiveram confortáveis no seu privilégio branco. Ela é responsável por criar a filha Conceição, e trabalhar na pensão que Malu mora; divide a casa com a sua irmã e o marido, Capitão, que é músico.

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    A série ganhou destaque ainda maior nos debates por mostrar a clara diferença entre a trajetória da mulher negra e da mulher branca. As duas cenas mais emblemáticas da série mostram como a amizade entre Maria Luiza e Adélia não altera o fato de a primeira não enxergar o quanto Adélia é colocada como subordinada: como por exemplo, na cena em que Lígia chega no bar e automaticamente ordena que a personagem entregue um copo d’água para ela, como se fosse sua empregada. Isso fica bem explícito quando entendemos a ideia do Complexo de Sinhádiscutido por diversas autoras negras:

    Pois bem, um desses entraves podemos seguramente chamar de Síndrome de Sinhô/Sinhá, que acomete pessoas brancas de ambos os gêneros. É a continuidade do comportamento e pensamento colonial que habita no cerne emocional das pessoas brancas, alimentando sua noção de supremacia, de superioridade humana, herdada quase que geneticamente de seus antepassados violentos e gananciosos.” BERTH, Joice para Carta Capital

    No episódio quatro, também vemos a briga entre as duas sócias do bar: Maria Luíza pensa em desistir de tudo, e diz para Adélia que a mesma só está a ajudando por causa do dinheiro. É nesse momento que Adélia diz que a primeira só  enxerga a si mesma, ao dizer o quanto ela está sofrendo, que ela está lutando pelo direito de trabalhar, quando Adélia já faz isso desde criança para sustentar a família. É possível também fazer um parâmetro desses privilégios tão escancarados: ao desistir do bar, Maria Luíza volta para a casa da família rica em São Paulo, enquanto Adélia precisa voltar ao emprego na pensão, onde precisa lidar todos os dias com a sua chefe racista, que inclusive a proíbe de usar o elevador.

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    Nos outros arcos da história, o seriado coloca enfoque em temas que são pautas importantes do movimento feminista. Talvez ao tentar inserir todos eles naquele contexto não consegue trabalhá-los com profundidade (afinal, precisaria-se de muitos episódios para realmente debater esses questões com o espaço que eles precisam). Lígia (Fernanda Vasconcellos), prima de Maria Luíza, é vista no início como a mulher perfeita e esposa ideal; aquela que todos os padrões de 1960 se encaixariam. Mas o seu sonho é ser cantora, algo inimaginável para o seu marido, que quer manter as aparências ao se candidatar para prefeito do Rio de Janeiro.

    Entra em cena o estupro marital e a violência doméstica. Lígia é aprisionada, vive em uma relacionamento abusiva ao pior dos seus extremos, tudo enquanto o casal tenta – de maneira falha – manter as aparências. É por meio da libertação de encontrar o seu próprio caminho que ela consegue sair daquela relação. Tudo com muita dor, mágoa, e violência física e psicológica. O desfecho dela pode ter parecido “novelesco”, à primeira vista, como foi apontado por algumas críticas, mas é totalmente crível na realidade do feminicídio no Brasil, em que temos casos novos todos dias.

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    Na outra ponta da iceberg temos Thereza (Mel Lisboa), que em algumas reflexões que tive, pude enxergá-la quase como uma representação da mulher contemporânea. Ela não usa a palavra feminismo em nenhum momento, mas já se reconhece como uma mulher que luta pelos seus direitos; seu casamento é aberto e desconstruído. Seu marido aceita que ela tenha relações sexuais com outras pessoas: de longe tudo parece belo, mas os conflitos entre o casal e na vida da própria Thereza também são profundos e nos levam a questionamentos.

    Sendo a única mulher a trabalhar em uma revista feminina – em que todos os repórteres homens escrevem sob pseudônimos -, ela é considerada revolucionária por já estar no mercado de trabalho. Quando contrata uma nova jornalista, Helô (Thaila Ayla), as coisas começam a mudar. As duas se relacionam, mas por mais que Helô queira levar a relação a outro patamar, Thereza insiste que isso não funcionaria no seu casamento. Eu espero que na segunda temporada essa relação seja mais desenvolvida, pois eu notei que a cena entre as duas na série, por fim, se tornou um fetiche da representação de um relacionamento bissexual, já que o arco não foi mais trabalhado nos episódios seguintes.

    Essa também é outra questão: o male gaze se fez presente em diversas cenas. Male gaze é a visão de uma história pelo olhar masculino (algo que ganhou ainda mais pauta após o lançamento do filme Azul É A Cor Mais Quente, dirigido por um homem); nas cenas de sexo, vemos foco nos seios e na bunda das personagens, enquanto o homem praticamente não aparece. Foi assim nas duas relações de Chico e Maria Luiza. 

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    Coisa Mais Linda cumpre um papel necessário ao introduzir debates complexos nas rodas de conversa do brasileiro; é uma série que traz uma versão mais comercial do feminismo, que sim, possui diversos erros e clichês, mas trás aquela cutucada necessária para começar uma troca de informações importantes, que no momento político que estamos caminhando, se faz extremamente necessário. A segunda temporada foi confirmada, e eu espero que os temas sejam debatidos com mais profundidade e mais tempo de tela; é sempre importante fazermos uma análise crítica do produto que consumimos, especialmente quando fala-se de movimentos sociais, que devem possuir caráter questionadores e radicais:

    “Este paternalismo neocolonial já havia sido promulgado para manter as mulheres não-brancas no fundo, de modo que apenas as mulheres brancas conservadoras/liberais fossem as autênticas representantes do feminismo. As mulheres brancas radicais tendem a não ser “representadas”, e, se representadas, elas são retratadas como um elemento fraco. Não é de admirar, então, que o “poder feminista” dos anos 1990 ofereça mulheres heterossexuais brancas ricas como exemplos de sucesso feminista.” HOOKS, Bell, “O Feminismo É para Todo Mundo”

    REFERÊNCIAS

    • “A Síndrome de Sinhá/Sinhô: fragilidade branca elevada à (pre)potência”, BERTH, JOICE, para Carta Capital, acessado em 12/04/2018: https://www.cartacapital.com.br/justica/a-sindrome-de-sinha-sinho-fragilidade-branca-elevada-a-prepotencia/
    • “Feminismo É Para Todo Mundo”, HOOKS, bell, traduzido no Medium por Carol Correia, acessado em 12/04/2018: https://medium.com/qg-feminista/cap%C3%ADtulo-8-de-feminismo-é-para-todos-por-bell-hooks-32bd54af202a
    Janeiro 7, 2019
    postado por

    Eu confesso que nas férias um dos meus lugares favoritos é o sofá. Eu aproveito pra ler um monte de livros, que eu não pude ler por falta de tempo durante o semestre, e assistir muitas séries e filmes na Netflix sem sentir culpa por precisar fazer trabalhos e artigos. Em Janeiro temos diversos lançamentos; é até dificil filtrar o que vale a pena ou não. Selecionei os meus favoritos que eu assisti neste mês e no final de Dezembro!

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    Plan Cœur – 1 Temporada (8 episódios)

    Essa é a segunda aposta da Netflix da França. O seriado, todo produzido no país francôfono, é uma comédia romântica bem gostosa de assistir, principalmente se você gosta de produções francesas, que costumam ter uma pegada diferente (eu fiquei ansiosa para acompanhar, pois também é legal para praticar a língua). A protagonista é Elsa (Zita Hanrot), que está na casa dos 30 anos e trabalha na prefeitura de Paris. Ela terminou um namoro longo e ainda tenta superar o ex, que a traiu e agora está noivo. Suas amigas, Charlotte (Sabrina Ouazani) e Emilie (Joséphine Drai) a acompanham nesta jornada; a série fala sobre relacionamentos numa perspectativa do mundo adulto, principalmente como as relações funcionam: seja com o casal que está esperando um bebê, a mulher que não quer assumir um namoro sério ou Elsa, que se vê apaixonada por Jules (Marc Ruchmann) um gigolô (!) que foi contratado para sair com ela.

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    YOU – 1 temporada (10 episódios)

    Se você gosta de suspenses como “Garota Exemplar”, considere YOU um dos melhores lançamentos de final de ano da Netflix. Sabe aquelas séries que são intrigantes e você não consegue parar de assistir? Baseado no livro homônimo da autora Caroline Kepnes, a série retrata a obsessão que o protagonista – e narrador da história -, Joe (Penn Badgley), desenvolve pelo seu interesse amoroso, Beck (Elizabeth Lail), uma aspirante a escritora em Nova York. Mas não espere por romantizações: tudo acontece pelo ponto de vista de Joe, mas é preciso ser um telespectador esperto para não cair na armadilha que o próprio personagem propõe, ao explicar os acontecimentos na sua versão. A série também faz críticas ao mundo das redes sociais, da exposição e dos namoros em que ciúmes e “preocupação excessiva”, passam despercebidos e justificados como “amor”.

    A verdade é que a série possui diversas camadas. Apesar de trabalhar com clichês em diversos episódios, é possível fazer uma análise profunda de muitos momentos, como o machismo que Beck sofre o tempo inteiro; ele parte de todos os lados, e não só do seu namorado possessivo e problemático, que sabe muito bem se passar pelo cara ideal, escondendo sua personalidade manipuladora. Vale muito a pena assistir.

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    Soltera Codiciada (Como Superar Um Fora)

    Na fase da Netflix em apostar em produções internacionais, fomos presenteados com o longa peruano Soltera Codiciada, um dos filmes mais legais que a plataforma já apostou. Com a cidade de Lima como pano de fundo, somos apresentados a María Fe (Gisele Ponce de Léon), que trabalha numa empresa de marketing e namora há seis anos com Matias; o casal chegou a morar junto, até Matias se mudar para a Espanha para fazer um mestrado. María Fe continua gostando dele, até o dia que o cara termina o namoro. Superar o término é a parte mais complicada; e o longa, dirigido por Bruno Ascenzo Joanna Lombardi, retrata todas as fases de tentativa de superação de um relacionamento que marcou muito. É bem fácil se identificar; quase todo mundo já passou por um fim de namoro complicado, e o destaque fica para a jornada de conhecimento que a protagonista passa.

    Os personagens secundários também ganham espaço. Natalia (Karina Jórdan) e Carolina (Jely Reátegui) são as amigas fieis que acompanham María Fe em todo o seu processo de descobrimento, de como é ficar sozinha. É interessante ver como a amizade feminina, tanto nas telas, tanto quanto na vida real, tem papel fundamental na reconstrução daquela mulher que precisa se encontrar novamente. São as melhores amigas que dizem as verdades que María Fe não quer ouvir, e as pessoas que a incentivam a buscar sua verdadeira paixão: a escrita.

    Novembro 21, 2018
    postado por
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    Título: O Mundo Sombrio de Sabrina

    Onde: Netflix

    Criador (a): Roberto Aguirre-Sacasa

    Elenco: Kiernan Shipka, Miranda Otto, Lucy Davis, Ross Lynch, Chance Perdomo, Michelle Gomez, Jaz Sinclair, Richard Coyle, Tati Gabrielle, Lachlan Watson

    Sinopse: Prestes a completar dezesseis anos, a jovem Sabrina Spellman (Kiernan Shipka) é obrigada a tomar uma decisão crucial que mudará sua vida para sempre. Ela deve escolher entre o mundo das bruxas e o mundo dos mortais, enquanto luta para proteger a família e os amigos de forças sombrias que os ameaçam.

    Inspirado na versão em HQ publicada pela Archie Comics, “Chilling Adventures of Sabrina” trás uma roupagem sombria do seriado que fez tanto sucesso nos anos 90, “Sabrina, Aprendiz de Feiticeira”, que foi ao ar de 1996 até 2003. No remake de 2018, lançado na Netflix em 26 de Outubro, Sabrina Spellman (Kiernan Shipka) é uma adolescente que vive com suas tias, Zelda (Miranda Otto), Hilda (Lucy Davis) e o primo mais velho, Ambrose (Chance Perdomo). Os seus pais morreram em um acidente de carro. Apesar de saber pouco sobre eles, é do pai e da mãe que Sabrina herdou sua maior característica: ela é metade humana e metade bruxa. Seu pai era o Sacerdote da Igreja da Noite, que promove à adoração a Satã e que as bruxas fazem parte, na cidade de Greendale. É no seu aniversário de dezesseis anos que Sabrina precisa escolher se vai assinar o livro que promete sua alma e devoção eterna ao Diabo, e que consequentemente, lhe dará seus poderes completos de bruxa.

    Esse é o ritual que toda a comunidade bruxa tem completo orgulho de fazer parte. É quando uma bruxa finalmente deixará sua infância para trás e ingressará na Academia de Artes Ocultas, que possui o propósito de ensinar todos os conhecimentos necessários que ela precisa saber. Porém, nossa protagonista foge um pouco da normalidade: questionadora e de personalidade forte, Sabrina sempre possuiu um elo forte com a sua vida humana. Suas melhores amigas, Rosalind (Jaz Sinclair) e Susie (Lachlan Watson) possuem uma forte conexão com ela. Sem falar no seu namorado, Harvey (Ross Lynch) pela qual ela é apaixonada. Caso ela escolha assinar o livro, vai precisar deixar toda a sua vida humana para trás.

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    É na primeira leva de episódios que já conhecemos as nuances da personagem principal, tão bem trabalhadas. Apesar de sua teimosia não agradar todos os telespectadores da série, Sabrina é uma adolescente forte, que acredita nas suas convicções. A série trabalha o elemento do feminismo muito bem, seja na representação da importância dos exemplos da tia Zelda Hilda, e na amizade que Sabrina desenvolve com suas amigas Susie e Rosalind. Susie se define como queer gender fluid, e sofre bullying na escola pelos garotos do time de futebol; sua amiga bruxa acaba usando os seus poderes para protegê-la, e de certa forma, empoderando Susie, que também possui sua própria jornada ao longo dos dez episódios.

    Por sua personalidade que Sabrina nega assinar o seu nome no Livro da Besta. Ela teria que abdicar de sua vida humana, deixando todas as suas escolhas de lado para sempre estar devota ao Diabo, que é o grande líder da Igreja da Noite. Esse é um dos primeiros dos seus vários atos de rebeldia. É também por essa decisão que ela entra em confronto com Prudence (Tati Gabrielle), bruxa que cria uma espécie de rivalidade com Sabrina.

    Um dos diálogos mais legais da série

    Um dos diálogos mais legais da série

    Mas não só da protagonista permeiam-se os episódios. Os personagens secundários – que em muitos momentos, também quase se tornam principais – conquistam o coração de quem está assistindo. Ambrose faz o papel de primo mais velho experiente e fiel escudeiro de Sabrina, que auxilia-a na execução de alguns feitiços. Por ter cometido um crime no passado, ele paga sua penitência estando aprisionado na casa que a família mora em Greendale. Mas nem por isso ele deixa de interagir com outros personagens, ganhando seu próprio arco e outras camadas. Descrito como um personagem panssexual, sua sexualidade é explorada em alguns momentos da série; porém, talvez se dê atenção demais somente para esse quesito, e eu espero que na segunda temporada ele ganhe destaque por outros arcos também, que se aprofundem mais na trajetória de Ambrose.

    As narrações de Rosalind e Susie também ganham destaque. Os amigos de Sabrina possuem o seu próprio envolvimento com o sobrenatural, e por mais que não sejam bruxos, também tem suas histórias particulares com o misterioso. Rosalind vem de uma família em que todas as mulheres possuem o sexto sentido aguçado; Susie é descendente de uma mulher guerreira e sobrevivente que apoiou as 13 bruxas que foram enforcadas em Greendale, em séculos anteriores. E os antecessores de Harvey, ironicamente, foram caçadores de bruxas.

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    Os 10 episódios são permeados por elementos sobrenaturais e muitas referências a filmes de terror clássico e histórias de horror aclamadas pela cultura pop. A série começa em uma clima mais leve, mas quando as histórias começam a se desenvolver e a aprofundar mais as mitologias sobre o mundo das bruxas, os plots ganham um tom mais sombrio e interessante. Aparições de demônios, rituais de exorcismo, simbologias e muitas histórias que misturam até mesmo religião ganham espaço nos episódios de quase uma hora de duração. Uma das cenas mais interessantes é quando Sabrina, ao fazer um feitiço, invoca o nome de mulheres que foram acusadas de ser bruxas e são lembradas pelos livros até hoje.

    Ao ser confrontada pelo próprio Dark Lord durante diversos momentos, a personagem precisa mostrar sua resiliência e força à não se curvar aquele que ela mais rejeita, enquanto tenta também equilibrar sua vida sobrenatural com a humana, enfrentando o ensino médio durante o dia e uma escola de artes ocultas a noite; a representação masculina no seriado – e do próprio Satã – é uma clara crítica ao patriarcado. Durante todos os episódios, a protagonista é subestimada pelos personagens masculinos, que tentam – seja pela violência, pela humilhação ou exposição – fazê-la mudar de ideia, para assinar O Livro da Besta, e revogar sua personalidade crítica.

    O Mundo Sombrio de Sabrina é uma adaptação que diverte e questiona. Apesar de possuir alguns furos, trás episódios bem elaborados; algumas tramas não ficaram tão bem amarradas, mas a Netflix já confirmou um episódio de Natal para o dia 14 de Dezembro, e a segunda temporada chega em 2019.

    Fevereiro 13, 2018
    postado por
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    Big Little Lies completa no dia 19 deste mês um ano da exibição do seu primeiro episódio na HBO, emissora conhecida por apostar em séries polêmicas (Game of Thrones, True Blood) e que não possuem cautela nas cenas explícitas, por exemplo. Quando esta série protagonizada por Nicole Kidman, Reese Whiterspoon e Shailene Woodley entrou para o catálogo, algumas pessoas torceram o nariz, achando que ela seria um guilty pleasure (termo que na tradução significa “prazer culposo”, e normalmente é usado para taxar séries protagonizadas por mulheres, como produções bobas). Mas Big Little Lies apresenta, tanto na sua adaptação televisiva quanto no seu script original – derivado do livro escrito pela australiana Liane Moriarty – um seriado que traz mulheres como protagonistas da própria história, esta que muitas vezes, está longe de ser fácil.

    Madeline é forte e passional. Separada, precisa lidar com o fato de que o ex e a nova mulher, além de terem matriculado a filhinha no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline, parecem estar conquistando sua filha mais velha. Celeste é dona de uma beleza estonteante. Com os filhos gêmeos entrando para a escola, ela e o marido bem-sucedido têm tudo para reinar entre os pais. Mas a realeza cobra seu preço, e ela não sabe se continua disposta a pagá-lo. Por fim, Jane, uma mãe solteira nova na cidade que guarda para si certas reservas com relação ao filho. Madeline e Celeste decidem fazer dela sua protegida, mas não têm ideia de como isso afetará a vida de todos. Reunindo na mesma cena ex-maridos e segundas esposas, mães e filhas, bullying e escândalos domésticos, o romance de Liane Moriarty explora com habilidade os perigos das meias verdades que todos contamos o tempo inteiro.

    Eu comecei a ler o livro nas férias antes de iniciar a série, mas a expectativa foi tanta que eu me revezei entre os capítulos e os episódios (o que fez eu me adentrar na história de maneira intensa). São mais de 400 páginas que narram a rotina e a vida pessoal de Madeline, Celeste e Jane, que possuem apenas uma coisa em comum: os seus filhos pequenos estudam na mesma escola, em uma cidade litorânea na Austrália. Fora isso, elas são muito diferentes, mas encontram entre si fatores em comum que fazem crescer uma amizade entre as três. Madeline e Celeste são amigas há um bom tempo, mas a chegada de Jane na cidade – que é mais nova que as duas e mãe solo -, transforma a dupla em trio.

    Há algumas diferenças leves entre o livro e a série, e elas atrapalham em pouco a trama. A maioria dos diálogos são exatamente iguais no seriado produzido por Reese Whiterspoon. O maior trunfo de Big Little Lies é narrar, de maneira honesta, a vida dessas três mulheres, e de outras personagens presentes no livro. Apesar de Madeline e Celeste viverem uma vida aparentemente “perfeita”, descobrimos que a perfeição está longe de ser uma característica da rotina delas. Elas podem ter uma casa maravilhosa, serem casadas com homem bem sucedidos e possuírem uma vida financeira estabilizada, mas suas vidas íntimas possuem traumas, dores e muitos conflitos. Jane é a única das três que é vista na cidade como alguém que não possui uma vida ideal, por ser mãe solteira e ter o filho apontado na escola como o causador de bullying contra uma colega.

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    O enredo possui como pano de fundo um assassinato, que ocorre durante um evento escolar organizado apenas para os pais da comunidade que possuem filhos na escola. Os capítulos e as cenas do seriado são mesclados com depoimentos de outras pessoas que também estavam na festa. Apesar de mover a trama, o grande foco são as relações entre os personagens e a vida das protagonistas, e como cada uma delas enfrenta suas próprias batalhas. Celeste (Nicole Kidman) é alvo de violência doméstica em um casamento que é visto pelos outros como exemplar. Porém, ninguém sabe de verdade o que se passa na vida dela, que sofre com o marido abusivo Perry (Alexander Skarsgård). As cenas de violência são tensas e cruas, levando à tona a discussão sobre violência doméstica e como ela pode acontecer, sim, com qualquer pessoa, não importa o status social.

    Jane (Shailene Woodley) não chegou perto dos 30 anos e encontra uma chance de recomeçar de novo naquela cidade. Como esperado, nem tudo ocorre como ela planejou. O seu filho Ziggy enfrenta diversos problemas na escola, ao ser acusado de praticar bullying, fazendo Jane questionar o comportamento do próprio filho. Em paralelo, descobrimos que muitas das suas aflições e traumas foram causados por uma experiência que gerou a criança: Jane foi vítima de estupro.

    Madeline (Reese Whiterspoon) tem uma rotina que inclui cuidar dos filhos, administrar a peça de teatro da cidade, manter o casamento com Ed (Adam Scott), e sobreviver à sua relação conturbada com a filha mais velha, Abigail (Kathryn Newton), que para revolta de Madeline, está passando muito tempo com o pai que sumiu quando ela era ainda bebê, e a madrasta Bonnie (Zoë Kravitz).

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    É difícil elencar todos os temas abordados pelo seriado e pelo livro, mas eles tem o traço em comum de serem conflitos que estão presentes na jornada de todas as mulheres que aparecem na série – e não só as principais -, seja o papel da maternidade (que é muito questionado durante os episódios; algumas mulheres são julgadas por não possuírem uma carreira para cuidar dos filhos, e outras, por terem!), abuso sexual, traumas e sororidade, e amizade feminina.

    Cada um deles é desenvolvido com maestria e ganha espaço em tela, nos fazendo questionar e refletir após terminar os episódios. Big Little Lies mostra o quanto a união entre mulheres pode ser poderosa e literalmente, salvar vidas. Por mais que algumas personagens tenham conflitos entre si em muitos momentos, a série não transforma isso em uma típica representação machista que mulheres não podem ser amigas de outras mulheres; pelo contrário, ela justifica o quanto essas mesmas pessoas que brigaram anteriormente, podem se unir quando necessário.

    Essa história é importante e vai mexer com você, eu garanto. Seja no papel ou na televisão, não deixe de dar uma chance.

    Janeiro 16, 2018
    postado por
    MEGHANN FAHY, KATIE STEVENS, AISHA DEE

    The Bold Type foi uma das minhas maiores surpresas no quesito séries em 2017. Após ler vários blogs indicando o seriado produzido pela Freeform (antiga ABC Family), eu resolvi dar uma chance. E sabe aqueles seriados que são classificados como guilty pleasure? Se você ler as críticas por cima, vai achar que The Bold Type é uma série bobinha, mas ela passa longe disso. Voltado para o público feminino e com um viés feminista, acompanhamos a vida de Jane Sloan (Katie Stevens), Kat Edison (Aisha Dee) e Sutton Brady (Meghann Fahy). Criada pela roteirista Sarah Watson, os episódios percorrem a vida no trabalho das três amigas que moram em Nova York.

    Elas possuem cargos diferentes na revista Scarlet (que é fictícia). Jane é escritora, Kat é diretora de mídias sociais e Sutton é assistente. Uma das personagens mais presentes é a editora-chefe da revista, Jacqueline (Melora Hardin). Em uma das primeiras cenas, é possível perceber que The Bold Type aposta em uma proposta diferente, sem cair nos milhares clichês de filmes e séries voltadas para as mulheres; Jacqueline não é uma chefe megera (como a Miranda de O Diabo Veste Prada). Pelo contrário: ela exige quando necessário das suas funcionárias, porque acredita no potencial delas. Aqui, o papel de que a chefe sempre é uma má pessoa é substituido por uma personagem poderosa e que quer dar o seu melhor como editora.

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    Cada uma das três protagonistas é super bem trabalhada, e podemos conhecê-las a fundo (você provavelmente vai se identificar mais com uma delas). Jane sempre sonhou em ser escritora e trabalhar na Scarlet. Quando é promovida, ela quer dar o seu melhor para escrever matérias que satisfaçam a sua chefe (e ganhem mais destaque na revista). Mas em muitos momentos, ela precisa desafiar a si mesma e sair da sua zona-de-conforto para fazer isso (o que nunca é fácil). Eu me enxerguei muito de mim na Jane.

    Kat cresceu em uma família com dois pais psicológos. Por isso, aparentemente, ela é a mais bem-resolvida… aparentemente. Ela sempre teve certeza que era heterossexual, até se apaixonar por Adena (Nikhol Boosheri), uma artista imigrante extremamente talentosa que vai para Nova York expor o seu trabalho. O relacionamento das duas cresce aos poucos. Enquanto Kat sempre teve uma vida privilegiada, Adena enfrenta todos os dias o preconceito por ser imigrante e muçulmana. Este tema, aliás, é bem recorrente nos episódios.

    Sutton é a que mais se envolve com o ambiente de trabalho. Quando ela se mudou para NYC não possuía uma faculdade no currículo; apenas o seu sonho de trabalhar com moda. Após três anos sendo assistente, ela quer subir de cargo. Acompanhamos a trajetória da personagem tentando lutar para provar o seu valor com o estilista que quer trabalhar, e também pedindo um salário justo. Apesar do seu romance com Richard (Sam Page) ganhar espaço, é muito legal vê-la batalhando no meio profissional.

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    A série aborda todos os temas possíveis que você possa imaginar, e que muitas vezes entram em pauta na editoria da revista. Imigração, feminismo, problemas na profissão, mulheres bissexuais, orgasmos, relacionamentos, política (e muitas alfinetadas ao Trump): tudo é tratado de maneira bem honesta e aberta. Um dos pontos chaves é a maneira como os roteiristas escolhem trabalhar cada tema. O toque de sororidade entre as protagonistas sempre está presente. Quando precisam, uma ajuda à outra. E quando a situação fica complicada, elas não deixam de dizer verdades, mas nunca se abandonam. É um exemplo de amizade feminina que ainda falta muito na televisão. Em The Bold Type, não há competição de mulheres com mulheres, e sim a união entre elas.

    Seja no ambiente de trabalho ou na vida pessoal, a mensagem que fica é que o apoio feminino pode sim, resolver muita coisa. Mesmo que a série tenha como pano de fundo o dia-dia no ambiente de quem trabalha com a moda e as mídias sociais e impressas, o foco aqui são os relacionamentos, os desafios e os problemas pessoais que muitas mulheres do século XXI enfrentam.

    A primeira temporada possui dez episódios, e uma segunda e terceira já foram confirmadas.

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