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    Séries

    Série: O Mundo Sombrio de Sabrina

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  • Novembro 21, 2018
    postado por
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    Título: O Mundo Sombrio de Sabrina

    Onde: Netflix

    Criador (a): Roberto Aguirre-Sacasa

    Elenco: Kiernan Shipka, Miranda Otto, Lucy Davis, Ross Lynch, Chance Perdomo, Michelle Gomez, Jaz Sinclair, Richard Coyle, Tati Gabrielle, Lachlan Watson

    Sinopse: Prestes a completar dezesseis anos, a jovem Sabrina Spellman (Kiernan Shipka) é obrigada a tomar uma decisão crucial que mudará sua vida para sempre. Ela deve escolher entre o mundo das bruxas e o mundo dos mortais, enquanto luta para proteger a família e os amigos de forças sombrias que os ameaçam.

    Inspirado na versão em HQ publicada pela Archie Comics, “Chilling Adventures of Sabrina” trás uma roupagem sombria do seriado que fez tanto sucesso nos anos 90, “Sabrina, Aprendiz de Feiticeira”, que foi ao ar de 1996 até 2003. No remake de 2018, lançado na Netflix em 26 de Outubro, Sabrina Spellman (Kiernan Shipka) é uma adolescente que vive com suas tias, Zelda (Miranda Otto), Hilda (Lucy Davis) e o primo mais velho, Ambrose (Chance Perdomo). Os seus pais morreram em um acidente de carro. Apesar de saber pouco sobre eles, é do pai e da mãe que Sabrina herdou sua maior característica: ela é metade humana e metade bruxa. Seu pai era o Sacerdote da Igreja da Noite, que promove à adoração a Satã e que as bruxas fazem parte, na cidade de Greendale. É no seu aniversário de dezesseis anos que Sabrina precisa escolher se vai assinar o livro que promete sua alma e devoção eterna ao Diabo, e que consequentemente, lhe dará seus poderes completos de bruxa.

    Esse é o ritual que toda a comunidade bruxa tem completo orgulho de fazer parte. É quando uma bruxa finalmente deixará sua infância para trás e ingressará na Academia de Artes Ocultas, que possui o propósito de ensinar todos os conhecimentos necessários que ela precisa saber. Porém, nossa protagonista foge um pouco da normalidade: questionadora e de personalidade forte, Sabrina sempre possuiu um elo forte com a sua vida humana. Suas melhores amigas, Rosalind (Jaz Sinclair) e Susie (Lachlan Watson) possuem uma forte conexão com ela. Sem falar no seu namorado, Harvey (Ross Lynch) pela qual ela é apaixonada. Caso ela escolha assinar o livro, vai precisar deixar toda a sua vida humana para trás.

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    É na primeira leva de episódios que já conhecemos as nuances da personagem principal, tão bem trabalhadas. Apesar de sua teimosia não agradar todos os telespectadores da série, Sabrina é uma adolescente forte, que acredita nas suas convicções. A série trabalha o elemento do feminismo muito bem, seja na representação da importância dos exemplos da tia Zelda Hilda, e na amizade que Sabrina desenvolve com suas amigas Susie e Rosalind. Susie se define como queer gender fluid, e sofre bullying na escola pelos garotos do time de futebol; sua amiga bruxa acaba usando os seus poderes para protegê-la, e de certa forma, empoderando Susie, que também possui sua própria jornada ao longo dos dez episódios.

    Por sua personalidade que Sabrina nega assinar o seu nome no Livro da Besta. Ela teria que abdicar de sua vida humana, deixando todas as suas escolhas de lado para sempre estar devota ao Diabo, que é o grande líder da Igreja da Noite. Esse é um dos primeiros dos seus vários atos de rebeldia. É também por essa decisão que ela entra em confronto com Prudence (Tati Gabrielle), bruxa que cria uma espécie de rivalidade com Sabrina.

    Um dos diálogos mais legais da série

    Um dos diálogos mais legais da série

    Mas não só da protagonista permeiam-se os episódios. Os personagens secundários – que em muitos momentos, também quase se tornam principais – conquistam o coração de quem está assistindo. Ambrose faz o papel de primo mais velho experiente e fiel escudeiro de Sabrina, que auxilia-a na execução de alguns feitiços. Por ter cometido um crime no passado, ele paga sua penitência estando aprisionado na casa que a família mora em Greendale. Mas nem por isso ele deixa de interagir com outros personagens, ganhando seu próprio arco e outras camadas. Descrito como um personagem panssexual, sua sexualidade é explorada em alguns momentos da série; porém, talvez se dê atenção demais somente para esse quesito, e eu espero que na segunda temporada ele ganhe destaque por outros arcos também, que se aprofundem mais na trajetória de Ambrose.

    As narrações de Rosalind e Susie também ganham destaque. Os amigos de Sabrina possuem o seu próprio envolvimento com o sobrenatural, e por mais que não sejam bruxos, também tem suas histórias particulares com o misterioso. Rosalind vem de uma família em que todas as mulheres possuem o sexto sentido aguçado; Susie é descendente de uma mulher guerreira e sobrevivente que apoiou as 13 bruxas que foram enforcadas em Greendale, em séculos anteriores. E os antecessores de Harvey, ironicamente, foram caçadores de bruxas.

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    Os 10 episódios são permeados por elementos sobrenaturais e muitas referências a filmes de terror clássico e histórias de horror aclamadas pela cultura pop. A série começa em uma clima mais leve, mas quando as histórias começam a se desenvolver e a aprofundar mais as mitologias sobre o mundo das bruxas, os plots ganham um tom mais sombrio e interessante. Aparições de demônios, rituais de exorcismo, simbologias e muitas histórias que misturam até mesmo religião ganham espaço nos episódios de quase uma hora de duração. Uma das cenas mais interessantes é quando Sabrina, ao fazer um feitiço, invoca o nome de mulheres que foram acusadas de ser bruxas e são lembradas pelos livros até hoje.

    Ao ser confrontada pelo próprio Dark Lord durante diversos momentos, a personagem precisa mostrar sua resiliência e força à não se curvar aquele que ela mais rejeita, enquanto tenta também equilibrar sua vida sobrenatural com a humana, enfrentando o ensino médio durante o dia e uma escola de artes ocultas a noite; a representação masculina no seriado – e do próprio Satã – é uma clara crítica ao patriarcado. Durante todos os episódios, a protagonista é subestimada pelos personagens masculinos, que tentam – seja pela violência, pela humilhação ou exposição – fazê-la mudar de ideia, para assinar O Livro da Besta, e revogar sua personalidade crítica.

    O Mundo Sombrio de Sabrina é uma adaptação que diverte e questiona. Apesar de possuir alguns furos, trás episódios bem elaborados; algumas tramas não ficaram tão bem amarradas, mas a Netflix já confirmou um episódio de Natal para o dia 14 de Dezembro, e a segunda temporada chega em 2019.

    Fevereiro 13, 2018
    postado por
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    Big Little Lies completa no dia 19 deste mês um ano da exibição do seu primeiro episódio na HBO, emissora conhecida por apostar em séries polêmicas (Game of Thrones, True Blood) e que não possuem cautela nas cenas explícitas, por exemplo. Quando esta série protagonizada por Nicole Kidman, Reese Whiterspoon e Shailene Woodley entrou para o catálogo, algumas pessoas torceram o nariz, achando que ela seria um guilty pleasure (termo que na tradução significa “prazer culposo”, e normalmente é usado para taxar séries protagonizadas por mulheres, como produções bobas). Mas Big Little Lies apresenta, tanto na sua adaptação televisiva quanto no seu script original – derivado do livro escrito pela australiana Liane Moriarty – um seriado que traz mulheres como protagonistas da própria história, esta que muitas vezes, está longe de ser fácil.

    Madeline é forte e passional. Separada, precisa lidar com o fato de que o ex e a nova mulher, além de terem matriculado a filhinha no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline, parecem estar conquistando sua filha mais velha. Celeste é dona de uma beleza estonteante. Com os filhos gêmeos entrando para a escola, ela e o marido bem-sucedido têm tudo para reinar entre os pais. Mas a realeza cobra seu preço, e ela não sabe se continua disposta a pagá-lo. Por fim, Jane, uma mãe solteira nova na cidade que guarda para si certas reservas com relação ao filho. Madeline e Celeste decidem fazer dela sua protegida, mas não têm ideia de como isso afetará a vida de todos. Reunindo na mesma cena ex-maridos e segundas esposas, mães e filhas, bullying e escândalos domésticos, o romance de Liane Moriarty explora com habilidade os perigos das meias verdades que todos contamos o tempo inteiro.

    Eu comecei a ler o livro nas férias antes de iniciar a série, mas a expectativa foi tanta que eu me revezei entre os capítulos e os episódios (o que fez eu me adentrar na história de maneira intensa). São mais de 400 páginas que narram a rotina e a vida pessoal de Madeline, Celeste e Jane, que possuem apenas uma coisa em comum: os seus filhos pequenos estudam na mesma escola, em uma cidade litorânea na Austrália. Fora isso, elas são muito diferentes, mas encontram entre si fatores em comum que fazem crescer uma amizade entre as três. Madeline e Celeste são amigas há um bom tempo, mas a chegada de Jane na cidade – que é mais nova que as duas e mãe solo -, transforma a dupla em trio.

    Há algumas diferenças leves entre o livro e a série, e elas atrapalham em pouco a trama. A maioria dos diálogos são exatamente iguais no seriado produzido por Reese Whiterspoon. O maior trunfo de Big Little Lies é narrar, de maneira honesta, a vida dessas três mulheres, e de outras personagens presentes no livro. Apesar de Madeline e Celeste viverem uma vida aparentemente “perfeita”, descobrimos que a perfeição está longe de ser uma característica da rotina delas. Elas podem ter uma casa maravilhosa, serem casadas com homem bem sucedidos e possuírem uma vida financeira estabilizada, mas suas vidas íntimas possuem traumas, dores e muitos conflitos. Jane é a única das três que é vista na cidade como alguém que não possui uma vida ideal, por ser mãe solteira e ter o filho apontado na escola como o causador de bullying contra uma colega.

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    O enredo possui como pano de fundo um assassinato, que ocorre durante um evento escolar organizado apenas para os pais da comunidade que possuem filhos na escola. Os capítulos e as cenas do seriado são mesclados com depoimentos de outras pessoas que também estavam na festa. Apesar de mover a trama, o grande foco são as relações entre os personagens e a vida das protagonistas, e como cada uma delas enfrenta suas próprias batalhas. Celeste (Nicole Kidman) é alvo de violência doméstica em um casamento que é visto pelos outros como exemplar. Porém, ninguém sabe de verdade o que se passa na vida dela, que sofre com o marido abusivo Perry (Alexander Skarsgård). As cenas de violência são tensas e cruas, levando à tona a discussão sobre violência doméstica e como ela pode acontecer, sim, com qualquer pessoa, não importa o status social.

    Jane (Shailene Woodley) não chegou perto dos 30 anos e encontra uma chance de recomeçar de novo naquela cidade. Como esperado, nem tudo ocorre como ela planejou. O seu filho Ziggy enfrenta diversos problemas na escola, ao ser acusado de praticar bullying, fazendo Jane questionar o comportamento do próprio filho. Em paralelo, descobrimos que muitas das suas aflições e traumas foram causados por uma experiência que gerou a criança: Jane foi vítima de estupro.

    Madeline (Reese Whiterspoon) tem uma rotina que inclui cuidar dos filhos, administrar a peça de teatro da cidade, manter o casamento com Ed (Adam Scott), e sobreviver à sua relação conturbada com a filha mais velha, Abigail (Kathryn Newton), que para revolta de Madeline, está passando muito tempo com o pai que sumiu quando ela era ainda bebê, e a madrasta Bonnie (Zoë Kravitz).

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    É difícil elencar todos os temas abordados pelo seriado e pelo livro, mas eles tem o traço em comum de serem conflitos que estão presentes na jornada de todas as mulheres que aparecem na série – e não só as principais -, seja o papel da maternidade (que é muito questionado durante os episódios; algumas mulheres são julgadas por não possuírem uma carreira para cuidar dos filhos, e outras, por terem!), abuso sexual, traumas e sororidade, e amizade feminina.

    Cada um deles é desenvolvido com maestria e ganha espaço em tela, nos fazendo questionar e refletir após terminar os episódios. Big Little Lies mostra o quanto a união entre mulheres pode ser poderosa e literalmente, salvar vidas. Por mais que algumas personagens tenham conflitos entre si em muitos momentos, a série não transforma isso em uma típica representação machista que mulheres não podem ser amigas de outras mulheres; pelo contrário, ela justifica o quanto essas mesmas pessoas que brigaram anteriormente, podem se unir quando necessário.

    Essa história é importante e vai mexer com você, eu garanto. Seja no papel ou na televisão, não deixe de dar uma chance.

    Janeiro 16, 2018
    postado por
    MEGHANN FAHY, KATIE STEVENS, AISHA DEE

    The Bold Type foi uma das minhas maiores surpresas no quesito séries em 2017. Após ler vários blogs indicando o seriado produzido pela Freeform (antiga ABC Family), eu resolvi dar uma chance. E sabe aqueles seriados que são classificados como guilty pleasure? Se você ler as críticas por cima, vai achar que The Bold Type é uma série bobinha, mas ela passa longe disso. Voltado para o público feminino e com um viés feminista, acompanhamos a vida de Jane Sloan (Katie Stevens), Kat Edison (Aisha Dee) e Sutton Brady (Meghann Fahy). Criada pela roteirista Sarah Watson, os episódios percorrem a vida no trabalho das três amigas que moram em Nova York.

    Elas possuem cargos diferentes na revista Scarlet (que é fictícia). Jane é escritora, Kat é diretora de mídias sociais e Sutton é assistente. Uma das personagens mais presentes é a editora-chefe da revista, Jacqueline (Melora Hardin). Em uma das primeiras cenas, é possível perceber que The Bold Type aposta em uma proposta diferente, sem cair nos milhares clichês de filmes e séries voltadas para as mulheres; Jacqueline não é uma chefe megera (como a Miranda de O Diabo Veste Prada). Pelo contrário: ela exige quando necessário das suas funcionárias, porque acredita no potencial delas. Aqui, o papel de que a chefe sempre é uma má pessoa é substituido por uma personagem poderosa e que quer dar o seu melhor como editora.

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    Cada uma das três protagonistas é super bem trabalhada, e podemos conhecê-las a fundo (você provavelmente vai se identificar mais com uma delas). Jane sempre sonhou em ser escritora e trabalhar na Scarlet. Quando é promovida, ela quer dar o seu melhor para escrever matérias que satisfaçam a sua chefe (e ganhem mais destaque na revista). Mas em muitos momentos, ela precisa desafiar a si mesma e sair da sua zona-de-conforto para fazer isso (o que nunca é fácil). Eu me enxerguei muito de mim na Jane.

    Kat cresceu em uma família com dois pais psicológos. Por isso, aparentemente, ela é a mais bem-resolvida… aparentemente. Ela sempre teve certeza que era heterossexual, até se apaixonar por Adena (Nikhol Boosheri), uma artista imigrante extremamente talentosa que vai para Nova York expor o seu trabalho. O relacionamento das duas cresce aos poucos. Enquanto Kat sempre teve uma vida privilegiada, Adena enfrenta todos os dias o preconceito por ser imigrante e muçulmana. Este tema, aliás, é bem recorrente nos episódios.

    Sutton é a que mais se envolve com o ambiente de trabalho. Quando ela se mudou para NYC não possuía uma faculdade no currículo; apenas o seu sonho de trabalhar com moda. Após três anos sendo assistente, ela quer subir de cargo. Acompanhamos a trajetória da personagem tentando lutar para provar o seu valor com o estilista que quer trabalhar, e também pedindo um salário justo. Apesar do seu romance com Richard (Sam Page) ganhar espaço, é muito legal vê-la batalhando no meio profissional.

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    A série aborda todos os temas possíveis que você possa imaginar, e que muitas vezes entram em pauta na editoria da revista. Imigração, feminismo, problemas na profissão, mulheres bissexuais, orgasmos, relacionamentos, política (e muitas alfinetadas ao Trump): tudo é tratado de maneira bem honesta e aberta. Um dos pontos chaves é a maneira como os roteiristas escolhem trabalhar cada tema. O toque de sororidade entre as protagonistas sempre está presente. Quando precisam, uma ajuda à outra. E quando a situação fica complicada, elas não deixam de dizer verdades, mas nunca se abandonam. É um exemplo de amizade feminina que ainda falta muito na televisão. Em The Bold Type, não há competição de mulheres com mulheres, e sim a união entre elas.

    Seja no ambiente de trabalho ou na vida pessoal, a mensagem que fica é que o apoio feminino pode sim, resolver muita coisa. Mesmo que a série tenha como pano de fundo o dia-dia no ambiente de quem trabalha com a moda e as mídias sociais e impressas, o foco aqui são os relacionamentos, os desafios e os problemas pessoais que muitas mulheres do século XXI enfrentam.

    A primeira temporada possui dez episódios, e uma segunda e terceira já foram confirmadas.

    Dezembro 16, 2017
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    Dark (2017) é a primeira série alemã produzida pela Netflix. Na pegada de dar carta branca para alguns países produzirem suas próprias séries, saindo do eixo EUA-UK (assim como o Brasil emplacou 3% no catálago, um dos melhores lançamentos de 2016), as boas surpresas com as produções estrangeiras continuam. O drama sci-fi, que mistura suspense, viagem no tempo e muitas teorias loucas, estreou no início de Dezembro e foi comparada constantemente com Stranger Things. Porém, é necessário dizer que as duas são muito diferentes! Enquanto a norte-americana aposta, além dos mistérios, em momentos engraçados e personagens cativantes, a alemã é muito mais obscura sem trocadilhos.

    Tudo em Dark nos leva ao mistério e aos questionamentos. A fotografia, a lentidão de algumas cenas, os detalhes (que são muito importantes!) e o clima de produção européia, em que os acontecimentos não são marcados por sequencias de ação impressionantes, característica comum das séries estadunidenses. Mas o seriado não perde em nada: pelo contrário, ele é inovador. O enredo nos leva até o ano de 2019 na pacata cidade de Winden, habitada por famílias que estão lá durante gerações. Cada um deles guarda segredos e intrigas. O número de personagens é bem grande, no estilo de Game of Thrones, por isso, fica difícil lembrar o nome de todo mundo.

    O protagonismo cabe à Jonas (Louis Hofman), um adolescente de 16 anos que perdeu o pai recentemente. Ele passou dois meses em uma instituição psiquiátrica tentando se recuperar, enquanto a mãe, Hanna (Maja Schöne), mantinha um caso com Ulrich (Oliver Masucci), policial da cidade e pai de Martha (Lisa Vicari) – o interesse amoroso de Jonas – Magnus (Moritz Jahn) Mikkel (Daan Lennard).

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    Aparentemente nada acontecia na pequena cidade, onde todos se conhecem. Cada personagem possui uma ligação entre si, mesmo que ela não seja óbvia. Os conflitos – que aconteciam por baixo dos panos – retornam com tudo quando alguns jovens começam a desaparecer misteriosamente, e seus corpos retornam com machucados e os tímpanos estourados. É o caso de Erik, que nunca foi encontrado. Quem também some é Mikkel, desencadeando acontecimentos que vão levar as famílias a desenterrarem brigas do passado, que atingem não só apenas eles, mas também os seus filhos adolescentes. E tudo isso ainda possui relação com o sumiço de Mads, irmão mais novo de Ulrich, que desapareceu no ano de 1986.

    A série, criada por Baran bo OdarJentje Friese mistura referências e muitas teorias físicas. Ou seja, se você gosta do assunto, vai curtir essa série, que é para aqueles que são fãs de montar mil teorias que explicam os acontecimentos. Os temas passam entre Teoria da Relatividade de Einsten, buraco negro de minhoca, o estudo de Stephen Hawking sobre buracos negros, e o longa “Interestelar.” Eu assisto pouco conteúdo de sci-fi, mas minha amiga que é fã do gênero comentou que o seriado segue bem esse estilo para quem se interessa pelos assuntos acima e clássicos como “De Volta para o Futuro.”

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    Se vale a pena apostar na série alemã? Não há dúvidas! A produção é impecável, com uma fotografia linda e escura, que acompanha os acontecimentos misteriosos durante os episódios, e as atuações são surpreendentes. Eu sinceramente já estou na espera da confirmação de uma segunda temporada.

    Dezembro 3, 2017
    postado por
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    Atlanta é uma aclamada série de comédia (ou dramédia) que foi lançada em 2016 nos EUA pelo canal FX. Criada e produzida por Donald Glover (conhecido também pelo seu nome artístico Childish Gambino), que trabalhou como roteirista no clássico “30 Rock“, com a Tina Fey. O seriado possui 10 episódios com duração entre 20 e 25 minutos, que mesmo parecendo pouco tempo, conseguem abordar de maneira honesta e crível a jornada de Earn (Donald Glover), um cara que vive aos tropeços: ele não tem dinheiro, precisa ajudar a pagar o aluguel do local onde ele mora com a filha e a ex-mulher Vanessa (Zazie Beetz), e sofre uma rejeição da família por ter, no passado, abandonado uma faculdade de ponta.

    Os outros dois personagens que dividem a maioria das cenas com Earn são o seu primo, Alfred (Bryan Tyree Henry) e Darius (Lakeith Stanfield). Earl está completamente quebrado, ao contrário do seu outro membro da família, que está começando uma carreira promissora na cena de rap musical em Atlanta, capital da Georgia. A cidade, aliás, é o principal cenário que permeia os episódios, e o criador da série revelou que a ideia era mostrar o local de uma maneira que ainda não havia sido feita antes. Eu tive a oportunidade de conhecer a cidade este ano, e foi muito legal poder enxergá-la pelas lentes da série, com uma representação sincera. Apesar de muitos seriados serem gravados lá, poucos se preocupam em mostrar a cidade dessa maneira.

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    É na carreira em ascensão do primo que Earl encontra a oportunidade para ingressar no mundo da música, algo que ele sempre desejou, mas que nunca teve a chance. Mesmo sem nenhuma experiência prévia, ele se oferece para ser o empresário de Alfred – conhecido como Paper Boy -, e essa é a sua única ideia (ou “salvação”) para sair do seu péssimo estado financeiro, e de quebra, talvez realizar o seu sonho de trabalhar no meio. A série, além de ser inovadora e dar visibilidade aos negros, trabalha de maneira profunda e interessante os personagens. Eles possuem camadas e mais camadas, e suas complexidades vão se tornando mais visíveis a cada episódio, algo que nós estamos cansados de saber que raramente acontece em séries produzidas por homens brancos. Por isso é tão importante que o trabalho de Donald Glover esteja sendo reconhecido.

    Alfred, no início, pode parecer alguém superficial que só liga para o dinheiro ou drogas. Mas é pelo desenvolvimento com a sua amizade com Earl que notamos que, como todo mundo, ele tem defeitos e qualidades, e os primeiros apareciam mais nos episódios iniciais. O personagem é um amigo leal, cuidadoso e também o responsável pelas melhores tiradas da série. O episódio número 7, “B.A.N”, em que Paper Boy é convidado para participar de um talk show, é um dos mais engraçados e irônicos da série.

    O fortalecimento da amizade entre os três protagonistas é um dos pontos fortes de Atlanta, que mistura cenas de momentos hilários, outros chocantes e tristes (tudo ao mesmo tempo) entre Earn, Alfred e Darius (este último é o meu personagem favorito!).

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    Apesar da série ser produzida e dirigida em sua maioria por homens (todos os episódios são dirigidos pelo japonês Hiro Murai ou Donald Glover, com exceção do nono, dirigido por Janicza Bravo), a representação das mulheres no seriado não deixa a desejar. Não há muitas personagens femininas na história, e o foco central fica para Vanessa, que é mãe e trabalha duro para fornecer dinheiro à filha dela e de Earl. O relacionamento dos dois é completamente instável. Uma hora eles estão juntos, em outra não, mas o sentimento que fica é que quando um precisa do outro, eles sempre estão lá.

    Van ganha mais espaço no episódio 6, “Value“, em que encontra uma amiga de longa data, Joyce, em um restaurante. O contraponto entre as duas é enorme: enquanto Van trabalha o tempo inteiro e mal tem tempo para ela, Joyce vive uma vida de luxo, e insiste para que a amiga se divirta mais. As duas são diferentes, possuem rotinas completamente distintas, mas ainda assim, a amizade é mais forte que as divergências. Fica claro em muitos momentos também que, por mais que Earl se esforce para ajudar a família, ele não faz mais que a sua obrigação.

    A série coleciona prêmios: Donald Glover levou o prêmio de Melhor Ator em uma Série de Comédia no Emmy e no Globo de Ouro em 2016, além de o seriado ter vencido Melhor Série de Comédia.

    A primeira temporada está disponível na Netflix Brasil!

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