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    Um adeus para 2017

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  • December 17, 2017
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    Foto: Paolo Raeli (coltre.tumblr.com)

    Foto: Paolo Raeli (coltre.tumblr.com)

    Sempre quando o ano chega ao fim, eu gosto de olhar para trás e refletir, pensando no que eu aprendi nos últimos 12 meses. Quem acompanha o blog faz um tempo provavelmente já percebeu que, no final do ano, eu sempre faço um post nesse estilo. Acho que é importante reconhecer o que foi bom, o que foi ruim, e o que a gente quer mudar para o próximo ano. Eu não sou de fazer listas de mudanças, mas coloco algumas metas que eu quero cumprir. Esse ano, cuidar da minha saúde mental era uma delas. E em 2018, vai continuar sendo. Esse é o bem mais valioso que eu possuo, e eu nunca posso esquecer da importância dele.

    Foi isso que me impulsionou no final de Março a começar a fazer aulas de yoga. Depois que eu encontrei essa prática, nunca mais vou conseguir abandoná-la. É incrível reservar um tempo pra gente – mesmo que seja uma hora, quarenta cinco minutos – para aprender coisas que são básicas, mas que esquecemos. Sentar, respirar, meditar, aliviar os seus pensamentos. É impressionante como isso afeta sua vida positivamente. E com certeza, é um dos pontos chaves na minha luta contra a ansiedade. Se eu puder dizer algo que sou grata à esse ano, seria a descoberta do yoga.

    Mesmo fazendo exercícios quase todos os dias, indo para a terapia e tomando toda a minha medicação certinha, alguns dias ainda foram complicados. Doídos. Ainda mais na tarefa árdua de prestar vestibular. Eu admito, não sei como encontrei forças para tentar outra vez; mas em alguns momentos eu sou obrigada a achar vontade em lugares inusitados. A esperança e a expectativa surgiram de novo com força total, o que me frustrou. Mas eu não me arrependo de tentar de novo. Sei lá, às vezes eu acho que vestibular é só um teste pra vida, pra nos ensinar que nós podemos querer muita coisa, mas nem tudo vai funcionar. E tudo bem. Não é o fim do mundo, né?

    Eu admito que não sei para que lado o meu futuro vai. Ele é incerto. Eu não sei que faculdade vou começar, se espero os resultados finais, se vou para uma privada… Eu não faço ideia. Eu admito, a inconstância me assusta, como sempre faz. E também  é doloroso ver que alguns dos meus planos não deram certo. Acho que se fosse colocar algo no meu caderno imaginário de objetivos para o ano que vem, seria: não idealizar demais uma coisa e achar que só ela funciona. Desde o último ano do colégio eu botei na minha cabeça que só poderia estudar na faculdade se fosse na pública, que eu tinha que passar na maldita prova. Mas hoje, agora, eu percebo que não. Eu não tenho que passar em nada. Eu não sou obrigada a nada disso. E o meu valor não deve ser medido por um pedaço de papel.

    Valor. Essa foi uma palavra tão presente nos meus últimos meses. Valorizar, auto confiança, segurança. Essas três estão intimamente ligadas na minha vida. São uma constante que me rodeiam. E que me lembram que antes de tudo, eu não posso me sabotar. Eu não posso procurar a felicidade nos outros, ou até mesmo a rejeição, a culpa, o último problema que falta para tudo desmoronar. Eu preciso buscar quem me faz bem. Mesmo que algumas coisas pareçam muito atraentes, às vezes elas simplesmente não funcionam. E eu sei disso. Só preciso entender, e aceitar.

    É possível que haja um pequeno sumiço meu aqui no blog até 2018. Eu não sei se vai ser possível fazer posts até o dia 13 de Janeiro, mas caso isso aconteça, quero agradecer todo mundo que me acompanhou por mais um ano por aqui. <3 E avisar que o meu desaparecimento vai ser positivo, pois vou estar viajando e preparando muitos posts legais de viagem para cá (e quem sabe, alguns vídeos!).

    September 21, 2017
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    Às vezes me sinto sem ar. Perdida. Quando a minha ansiedade aparece, tudo para de funcionar. Eu tenho a sensação de que todas as coisas do mundo colidem e começam a acontecer ao mesmo tempo. Piadas, sorrisos, tristezas, dor, mágoa, calor. Tudo. É difícil de enxergar outras coisas, é complicado ver algo que está bem ali, mas eu simplesmente não consigo perceber. Me sinto sufocada. Sozinha. Eu achei que já tinha me acostumado a ficar sozinha, mas recentemente descobri que eu não gosto dessa sensação. Parece que eu preciso de alguém ao meu lado, se não, é complicado funcionar. Ou talvez eu só esteja jogando um monte de expectativas em cima das outras pessoas, o que é injusto. Ninguém pode arrumar a bagunça que você mesmo causa.

    Eu sinto medo. Medo de sair da zona de conforto – e também de ficar parada nela para sempre – de arriscar, de levar um tapa na cara, de me magoar. O medo me paralisa, me impede. É quase pior que a própria ansiedade; ele não me deixa viver, mesmo quando eu sei que deveria dar uma chance para as experiências novas. Engraçado: logo eu, que sempre gostei de rotina, não aguento mais repetir sempre os mesmos passos e cair nas mesmas situações. Cansei de sempre idealizar tudo. Quero começar a agir, mas o que fazer quando parece que o seu primeiro instinto é ficar com os pés fincados no chão? Quando parece que nada de tira daquele lugar?

    Eu sei que vai passar. Eu já aprendi anteriormente que a ansiedade é a coisa mais desafiante que eu já encarei, mas ela não vai ficar aqui por tempo determinado. Eu me esforço, tento uma vez, e mais outra. Insisto. Uma das minhas maiores qualidades é, mesmo depois de conseguir juntar os caquinhos, ter coragem para mergulhar em algo que pode quebrar tudo outra vez.

    Só quero um tempo pra mim.

    Um respiro profundo. Alguns minutinhos.

    Qualquer coisa, que me faça recuperar o equilibrio que eu já tive, mas que agora se perdeu em algum lugar dentro de mim.

    August 16, 2017
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    Eu não sei vocês, mas todas as coisas que acontecem no mundo me afetam pessoalmente. Eu sempre fui uma pessoa que se revoltava com as coisas (desde criança) e quando eu cheguei na adolescência isso só aumentou; principalmente porque essa é a época em que nós entramos em contato com outras ideias, movimentos e opiniões que não estávamos acostumados a ouvir e que não foram os que os nossos pais nos ensinaram. E assim vamos crescendo, amadurecendo e nos tornando pessoas diferentes. Com as nossas próprias opiniões e ideais.E nos últimos anos os meus ideais se tornaram ainda mais importantes para mim. Desde que eu conheci o feminismo comecei a participar também de outros movimentos, que estão interligados, como o de direitos dos LGBTQs+.

    É algo que faz parte do meu dia dia faz algum tempo, pois os amigos que eu convivo também fazem parte de tudo isso, e diferente de mim, tem que lidar com os preconceitos e visões da sociedade sobre eles todos os dias, pelo simples fato de eles amarem alguém do mesmo sexo. Fazer parte de algo que luta por igualdade é importante. Quando você percebe que outras pessoas também compartilham a mesma opinião, você se sente mais forte. 

    Mas às vezes eu confesso que fico em uma bolha em que todas as pessoas que estão no meu círculo de amigos respeitam as diferenças e apoiam os outros. E quando eu me deparo com a realidade – em que o extremismo e o preconceito parecem ganhar mais força a cada dia – eu fico surpresa. Meu estômago embrulha, a minha ansiedade bate e eu tenho uma sensação horrível de impotência.

    E foi exatamente isso que eu senti nesse final de semana, quando vi as notícias do “evento” (eu me recuso a chamar aquela aglomeração de protesto) em prol do nazismo nos Estados Unidos na cidade de Charlottesville. No inicio eu fiquei com muita raiva. E depois, me bateu uma tristeza enorme. O racismo, a homofobia e o machismo não param de sair dos noticiários. Toda semana nós vemos milhares de exemplos de pessoas intolerantes, que simplesmente não se importam com o direito dos outros indíviduos. Todo dia eu ouço alguma coisa ruim sobre os homossexuais, sobre os negros, sobre as mulheres. Eu reajo, ao mesmo tempo que sinto uma sensação de impotência. Porque eu queria fazer alguma coisa, mesmo que fosse pequena.

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    E é claro que isso não está ocorrendo apenas na América do Norte. Nós, brasileiros, sabemos melhor do que ninguém que o nosso país possui um racismo velado fortíssimo. Somos uma nação miscigenada, com etnias e culturas diferentes – o que só contribui para a riqueza cultural do país – mas infelizmente a maioria dos brasileiros carrega pré-conceitos enormes consigo. Um exemplo é os ataques de islamofobia que aconteceram recentemente com um refugiado sírio no Rio de Janeiro, em que ele foi ofendido enquanto trabalhava, por alguém que mandou-o “voltar para o seu país”.

    “Mas eu já sei de tudo isso”, você pensa. É, eu sei. É muita coisa negativa para pensar. Se você, como eu, não consegue ignorar (e também tem dificuldade em lidar com tudo isso e principalmente com os sentimentos originados pela raiva e a insatisfação), esse post tem como intuíto de te lembrar de cuidar de você mesmo, enquanto luta pelas suas ideologias. É complicado encarar o mundo e as nossas lutas de vez em quando.

    Não é fácil buscar os seus objetivos enquanto o mundo parece andar milhares de passos para trás, regredindo. Mas é importante saber que, por mais que as notícias na TV mostrem o contrário, existem muitas pessoas que ainda apoiam a igualdade e a harmônia entre as culturas e etnias distintas. Na internet, nós temos muitos exemplos disso. São ONGs, projetos e personalidades que divulgam uma mensagem consciente com êxito.

    Então, no meio de tudo isso, pratique o self-care, o ato de estar observando você e a sua rotina. As suas atitudes, a sua respiração e se você não está se sentindo ansioso ou sobrecarregado. Eu já falei sobre yoga aqui no blog, que é algo que me ajuda muito neste objetivo de estar mais segura e tranquila.

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    A atriz e ativista de 18 anos Amandla Stenberg fez um vídeo bem interessante para a revista Teen Vogue, inspirado na ideia de que a nossa geração precisa prestar mais atenção à sua saúde mental (principalmente nesta época tão conturbada, onde tudo acontece ao mesmo tempo).

    Eu vi muitos adolescentes e pessoas da minha geração desenvolver doenças mentais sérias, normalmente devido ao que está acontecendo na política e como é assustador se tornar um adulto, enquanto o mundo te joga nesse ambiente caótico. (…) Esse vídeo é para ser uma espécie de recurso, para que os leitores da Teen Vogue possam tomar como referência, toda vez que eles precisarem de um pouco de ajuda.

    August 9, 2017
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    Eu gosto de observar casais. Pode parecer estranho, mas eu sempre encontro alguma beleza nos casais que andam pela rua. Eles não precisam estar expressando nenhum tipo de afeto: é possível reconhecer um sentimento mútuo só pelos olhares. Outras pessoas preferem demonstrar de outras maneiras. E o que eu percebo é que as palavras sempre ficam como segunda opção. Pode ser um abraço, um afago no braço ou o leve tocar de mãos. Cada coisa pequena carrega um significado enorme. E tem algo de charmoso em perceber o quanto um olhar pode dizer tudo: mesmo que a boca não diga simplesmente nada.

    Eu sei que todos os dias a gente sai de casa apressado e correndo contra o relógio. Eu mesma sempre tenho milhares de coisas para fazer, e eu acabo não enxergando nada no caminho. Parece que tudo é um borrão. E inevitavelmente esquecemos de reparar em coisas significativas que acontecem ao nosso redor. Elas não precisam ser grandes: mas elas estão sempre ali. O mundo é caótico e todo mundo está meio perdido, eu sei. Mas eu tento não deixar o meu lado sensível desaparecer. Por mais que o meu lado realista seja mais forte que o meu lado romântico, eu ainda quero manter a minha sensibilidade. Para mim, conseguir enxergar o outro é importante. Eu não quero ver só eu mesma, ou ter a minha visão limitada à minha rotina e aos meus problemas.

    Eu passei anos enxergando o mundo de uma maneira extremamente cinza. Eu não via graça em nada. Tudo era difícil, complicado e trabalhoso demais. E até as coisas leves me irritavam. A minha ansiedade tem uma boa parcela de culpa nisso tudo. E quando eu consegui me desamarrar dela, eu decidi que seria um pouco mais gentil. Eu só consegui fazer isso após aprender a ser gentil comigo mesma; e há mais de um ano, eu prometi que tentaria ver as coisas de outro modo. De uma maneira melhor. De vez em quando eu observo uma situação que faz o meu coração se sentir confortado. Até mesmo quando eu não estou tendo um dia bom.

    Eu não comecei a ter essa visão de um dia para o outro; demora um tempo até a gente se acostumar a ver os dias de uma maneira mais positiva. Pode ser complicado encontrar beleza em certos lugares. E de fato, existem momentos em que ela parece realmente não existir. É aí que eu me dou o direito de ficar no meu canto, sem exigir demais de mim mesma.

    Depois de algumas decepções e caras quebradas, eu achei que deveria ser mais realista. Que eu tinha que parar de idealizar as coisas na minha cabeça, vê-las de uma forma totalmente diferente do que elas eram. Eu achei que para ser forte eu não podia me apegar demais, deixar os meus sentimentos expostos. Parar de me doar tanto. E até hoje, eu confesso que ainda sou fechada. Demoro para me envolver e mais ainda para dizer o que eu sinto. Mas eu percebi que cultivar a sua sensibilidade não tem nada a ver com ser fraco. Decidir ir contra a maré e assumir o que você sente, chorar quando quiser e não ter medo de sentir, é a atitude mais forte que existe. É preciso coragem para bancar os seus sentimentos.

    E às vezes, não tem nada que demonstre mais a sua força que isso. E eu sinto orgulho de mim mesma por tentar, mesmo que aos poucos, ver as coisas que estão tão perto de nós, de um jeito um pouco mais belo.

    July 12, 2017
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    Às vezes eu tiro uma força de dentro de mim que eu nem sei de onde saiu. Às vezes penso que não tenho mais vontade, nem paciência, nem mente para encarar alguns desafios. Passo semanas na fossa, ou meses. E cometo o erro de achar que não vou conseguir sair de lá. Que as coisas não tem mais sentido, que tudo é complicado demais, que não é pra mim. Não é vitimismo: é apenas quando o corpo cansa e você fica exausto de repetir as mesmas ações, e ter os mesmos objetivos que ainda não se realizaram.

    Mas aos poucos, eu me reconstruo de novo. Não se engane: leva tempo. Eu nunca fui de fazer as coisas rápido. Minhas decisões demoram para serem tomadas, as mudanças não são encaradas em cinco dias e eu sempre repenso tudo na minha mente. Converso, reflito, choro, tenho crises, volto, peço ajuda, peço um abraço. Respiro fundo, começo outro ciclo, acho que não vou conseguir. Consigo. Por mais que a gente ache que está sozinho, sempre tem alguém que pode te estender a mão. Que pode te ouvir, te aconselhar, e vai te ajudar a acreditar de novo em quem você é.

    Desde criança eu resistia até o final, mesmo nas situações mais difíceis. Ir embora quase sempre nunca foi uma opção; até eu aprender que finalmente ir pode ser o melhor remédio. Mas eu costumo segurar as pontas até o final, até elas escorregarem dos meus dedos. Em resumo, eu não desisto facilmente. Essa característica pode nos levar a boas ou más experiências. Boas, porque sempre tentamos de novo. Más, porque algumas pessoas ou situações não valem a insistência.

    O fato é que depois que eu consigo me curar, sempre tem um ponto de esperança e positividade que me fazem seguir em frente. No início eu não acho que vou encontrar essa sensação, essa força física e mental novamente, mas o processo de reconstrução nos ensina que devemos lutar e persistir por aquilo que acreditamos. Mesmo que doa, mesmo que seja complicado, se você quer muito algo – de verdade – é necessário tentar. É preciso dar uma outra chance. E é o que eu estou fazendo agora: me dando mais uma chance. Mais uma tentativa. Abrindo outra oportunidade para mim.

    Eu mereço. Eu mereço. 

    Afinal, mesmo que vez ou outra eu me quebre, eu sempre acho um jeito de me reconstruir. Eu sempre acho um jeito de me curar.

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