Sites com conteúdo feminista
16/03/2017 | Categoria: Blogs, Comportamento, Textos

Blogs e sites comconteúdofeminista

Quando eu conheci a palavra “feminismo”, eu sabia muito pouco sobre ela. Na verdade, eu quase não a ouvia na rua, e também não tinha ninguém próximo de mim que falasse: “eu sou feminista.” Eu não me lembro exatamente quando a ouvi pela primeira vez, mas eu tenho certeza que eu descobri sobre ela por meio da internet. Foi por meio de sites e blogs que eu aprendi sobre o que era a luta por igualdade de gênero, e de direitos das minorias, como as mulheres negras, trans, e a comunidade LGBTQ+.

Eu li muitos textos, artigos, e matérias de revistas para poder me informar sobre o que era esse movimento. E nos primeiros momentos, eu já me identifiquei. Hoje, eu continuo sempre tentado me informar e saber mais sobre esse assunto e diversos outros que também estão incluídos na luta do feminismo, e os meus grandes aliados são esses sites que eu cito aqui no post, que além de falar sobre o movimento, também enaltecem e divulgam o trabalho de mulheres, de maneira diferente do que já foi feito antes.

Arte da designer e ilustradora Amanda Gotsfritz

Arte da designer e ilustradora Amanda Gotsfritz

  • THINK OLGAO site é um dos mais reconhecidos do Brasil quando se fala de campanhas feministas e informação para empoderar mulheres, que é um dos lemas do portal criado pela jornalista Juliana de Faria em 2013. Além dos posts que falam sobre mulheres inspiradoras, direitos da mulher negra e violência doméstica, a Olga é responsável pela campanha Chega de Fiu Fiu, que fez uma pesquisa extensa sobre o assédio no Brasil, e que em breve, vai virar filme. Leia: “Por Um Jornalismo Não Sexista”, e “Homens Famosos Não Pagam Por Seus Crimes“.

 

  • GIRLS WITH STYLEO GWS, comandado por Nuta Vasconcellos e Marie Victorino, fala sobre moda de uma maneira diferente. Além de conteúdo sobre auto estima, e de como usar tendências ao seu favor (e não de maneira que elas te deixem insegura), o site aposta nos movimentos do slow fashion e divulga produtos veganos e eco-friendly. O que eu mais gosto no blog é de como as autoras conseguem captar as novidades do mundo fashion, sem ser artificial, e sim incentivando as mulheres a amarem a si mesmas. Tem muito texto reflexivo também! Ah, e elas promovem oficinas e workshops no espaço GWS. Leia: O Que É Empreender?” e “Nem Gorda, Nem Magra.”

 

 

  • REVISTA CAPITOLINA: Uma revista independente feita para garotas jovens, a Capitolina tem como intuito principal abordar temas de interesse do público feminino, mas de uma forma que não é encontrada facilmente por aí. Tem espaço para colunas de games, tecnologia, cinema & tv, fotografia, dentre outros. Ela possui diversas edições, cada uma com um tema específico. A nova edição saiu neste mês, com o tema “luta.” A partir daí, os posts são baseados neste tema. Os textos, além de muito bem feitos, ainda trazem diversas informações interessantes (ótimo para aprender mais). Leia: “Quem foi Harriet Tubman?“, e “Sertanejo e sofrência: o que as mulheres estão cantando?”

Sintam-se livres nos comentários para deixar sugestões de blogs que vocês conhecem, gostam e acompanhem também! E vai rolar outros posts como esse ainda!


O que 2016 me ensinou
29/12/2016 | Categoria: Textos

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Eu sempre gosto de fazer uma reflexão sobre como foi o ano que se passou. Acho importante para que eu possa encarar os próximos doze meses com uma perspectiva diferente. Eu gosto de ter a sensação de que eu aprendi muito e que eu amadureci. Eu sinto que me tornei uma pessoa diferente, e nesse ano, posso afirmar que foi para o melhor. Desde 2013 eu tenho tido anos bem caóticos (um mais doido que o outro, e não só em maneiras positivas). Eles foram super turbulentos. Um milhão de coisas aconteceram, e eu nem tive tempo para organizar tudo na minha cabeça. E 2016, apesar de ter trazido momentos instáveis, me ensinou a ter mais tranquilidade. Eu pude respirar com calma, algo estranho de se dizer, já que eu me preparei para o vestibular de novo e todo mundo sabe como é essa fase.

Depois de assistir ao vídeo da Stephanie, eu me peguei pensando no que aconteceu de legal comigo neste ano. Em 2015 eu tive experiências incríveis (como o show do The Maine e o Rock in Rio) e esse ano não trouxe tantas coisas marcantes, mas me fez superar problemas muito complicados que eu achei que ficariam comigo por mais tempo. Mas, a luz no fim do túnel existe sim, gente! Eu raramente falo sobre esse assunto, mas eu sofri muito com a ansiedade no ano anterior em níveis horríveis. Eu procurei ajuda médica e descobri – apesar de já desconfiar, claro – que eu tinha sim um problema sério com ansiedade. E eu decidi que queria enfrentar isso, que eu queria voltar a ser a pessoa que eu era. Doenças mentais podem tirar o melhor de quem nós somos. Essa é a verdade nua e crua. Mas por mais que pareça que elas não tem solução, sim, você pode superá-las. 

Eu não vou dizer que é a coisa mais fácil do mundo, porque esse foi o meu grande desafio este ano. Muito maior do que estudar para o vestibular, ou enfrentar um cursinho. Conseguir ter uma mente saudável de volta e entender que os problemas que eu tive no passado influenciaram em tudo isso, me ajudou a entender que nada importa mais do que a sua saúde mental. E que dá trabalho: você precisa se esforçar para melhorar, para começar a enxergar o mundo de uma maneira colorida de novo. Você precisa assumir um compromisso consigo mesmo. No inicio do ano, eu prometi que iria fazer exercícios físicos (eles ajudam muito!), que eu iria ser mais gentil com as pessoas ao meu redor e iria encarar tudo com mais positividade.

No começo, os dias ruins eram maiores que os bons. Mas as minhas atitudes começaram a dar resultado, e os dias legais se multiplicavam. Eu comecei a ver graça em coisas simples. A valorizar mais os momentos pequenos, como dar risada com um amigo, conhecer pessoas novas que combinavam comigo, dar um sorriso para aquela pessoa que eu via todos os dias de manhã. E aprendi algo muito importante, que eu vou levar para a vida toda: ser gentil é fácil, gratificante, e o mundo precisa de boas ações.

Eu compartilhei com as pessoas próximas de mim coisas que eu aprendi e que não quero esquecer mais. Os nossos sentimentos são válidos, e a gente tem que acreditar que é capaz de superar o que parece quase impossível. Nenhuma doença define quem você é. Nada que alguém do passado tenha te dito define quem você é. E mais importante, cuide de si mesmo, e daqueles do qual você se importa. Em 2016, eu quis vencer a ansiedade. E eu consegui. Tem dias que são complicados, tem dias que são ótimos. Mas eu consegui recuperar o sorriso no meu rosto, que tinha desaparecido faz muito tempo. E essa foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos anos.

Eu espero que o próximo ano me traga mais aprendizado, experiências boas, shows maravilhosos, muitas bandas legais e momentos com quem eu amo. E o que vier, eu vou encarar de frente. Vou tentar achar coisas boas. Mesmo que seja em um caminho que eu não havia planejado antes.


Eu quero conhecer você
20/11/2016 | Categoria: Amor, Textos

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Eu fiz esse texto curto para dizer que eu quero conhecer você. Eu sei, você nunca vai ler, mas eu queria colocar para fora. Eu quero conhecer as suas músicas favoritas. A banda que você mais ouve, o que você planeja para o futuro, o que te faz rir, o que você faz quando não está rodeado de livros, prestando atenção fixamente em um quadro branco. Sem piscar, sem olhar para o lado. Como se o mundo inteiro se resumisse em estar ali. Eu gostaria de poder te mostrar que ele não se resume: que isso é só um pedaço pequeno da terra e que, sinceramente, nem significa tanta coisa assim. Eu queria poder te perguntar coisas bobas, como qual é o grau do seu óculos e a série que você mais gosta. Queria poder conversar, saber o que tem por trás desse jeito quieto de quem guarda muita coisa e raramente compartilha algo. Talvez você seja uma daquelas pessoas difíceis de deixar alguém entrar no seu ambiente, mas que é também extremamente interessante. Ou talvez não. Pode ser que você simplesmente não tenha nada para dizer, e prefere manter tudo para si mesmo. Mas algo me diz que você não é assim: eu nunca fui muito de acreditar em sexto sentido, mas às vezes o meu insiste em falar mais alto do que tudo. Eu queria saber o que se passa por trás desses olhos azuis, que ficam o tempo inteiro contrastando com as suas roupas escuras e o cabelo preto. Você não sorri e nem gargalha muito. Mas quando faz isso, parece que poderia fazer tudo parar por alguns segundos, só para as pessoas te admirarem. Faz muito tempo que eu não via um sorriso tão bonito, que só aparece em pequenos momentos, tão rapidamente que se a gente não prestar a atenção, acaba perdendo-o. Eu quero chamar a sua atenção, mas é complicado. Eu quero falar sobre qualquer coisa aleatória, só para ouvir sua voz, sempre tão baixinha, inconstante, que eu tenho que me esforçar para não perder nada, porque qualquer palavra pode ser muito valiosa. Pode ser que eu esteja te imaginando demais. Eu sempre fui boa nisso. Eu sei que eu tenho pouco tempo e as chances de eu não te ver mais são grandes. Mas, quem sabe o que os próximos meses guardam? Essa cidade nem é tão grande assim. Talvez os nossos caminhos ainda se cruzem. Eu já achei que algumas histórias tinham acabado, quando elas ainda nem haviam começado de verdade. Talvez eu ainda tenha a chance de te conhecer.


Conselhos
07/09/2016 | Categoria: Textos

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Eu já comentei muitas vezes aqui no blog que estou em ano de vestibular. Pela segunda vez, mas sinceramente é como se fosse a primeira. Como se a experiência do ano passado não tenha sido para valer, sabe? Não que eu não tenha me esforçado. Pelo contrário, eu dei o melhor de mim. Mas eu ainda não tinha aprendido lições valiosas que descobri durante este ano. O que é algo normal da vida. Estranho seria não olhar para o ano anterior e não notar mudança nenhuma. Quanto mais mudanças positivas, melhor. Mesmo que para chegar até elas tenha sido difícil.

Acho que uma das coisas mais importantes que eu aprendi, depois de muitas crises de ansiedade, é que a nossa saúde importa mais que qualquer outra coisa. Parece óbvio, mas em momentos de cegueira nós ignoramos algo que deveria ser fundamental na vida. Os seus estudos, uma prova, a sua carreira, a pressão que as pessoas (ou você) coloca nas suas costas, não devem ser colocadas a frente da sua saúde mental e física. Reprimir os seus sentimentos só piora tudo. E raiva não colabora em nada. Só deixa tudo mais cinza e complicado de enfrentar.

Os últimos anos foram bem conturbados. Parece que tudo aconteceu ao mesmo tempo! Saída do ensino médio, autoconhecimento, problemas com ansiedade, vestibular, fim de relacionamentos, novos amigos, ambientes diferentes. Eu experienciei momentos bons e outros muito ruins. E tudo isso acabou se acumulando, até eu acabar tendo que extravasar tudo de alguma maneira. É fato: a gente precisa expressar o que sente. Por meio da escrita, da música, ou de desenhos. Seja lá qual for a forma. Mas eu sei que não quero ignorar meus sentimentos nunca mais. Enfrentá-los é a melhor maneira de superar e lidar com tudo, e nunca negligenciar os seus problemas. Eles são válidos. 

Durante um tempo eu me senti muito perdida, a ponto de não me reconhecer muito bem. De não saber o que eu queria, de não compreender o lugar que eu queria estar ou que tipo de pessoas eu deveria valorizar de verdade. Se existe crise aos 17 anos de idade, eu tive as minhas. E foram várias. Mas nessa história toda de vestibular, eu passei por um monte de problemas, mas acabei chegando em um lugar que eu me orgulho de estar. 

Eu achei um ponto de tranquilidade que fazia tanto, tanto tempo que eu não encontrava. Outro dia alguém que é muito próximo de mim disse que eu era uma pessoa calma, e era irônico o fato de tantas coisas terem acontecido comigo em um espaço de tempo. Fui obrigado a concordar. Mas depois de muitas experiências, eu aprendi a lidar melhor com o meu limite e entender que eu não preciso seguir o fluxo de todo mundo. Ninguém é obrigado a descobrir a sua vida toda tão cedo. Aliás, uma das frases que eu mais amo é “não sou obrigada.” Sério, dá pra encaixá-la em tudo na vida.

Óbvio que nem tudo são flores. A vida passa longe de ser um poço de calmaria todos os dias. Mas a gente vai levando, sempre nos respeitando, o que é afinal, a coisa mais preciosa que uma pessoa pode compreender: respeitar a si mesmo é essencial. Você deve sempre se levar como prioridade.

Se eu pudesse dar um conselho para quem também está nessa fase da vida, eu diria que você não precisa dedicar todo o seu tempo e a sua energia a uma coisa que todo mundo tenta colocar na nossa cabeça que é a coisa mais importante do mundo. Não é. Pode ser um objetivo, um sonho. Mas não precisa passar por cima de você mesmo, das suas vontades e do seu bem estar. Às vezes todas as pessoas parecem seguir o mesmo caminho e a nossa primeira reação é querer segui-los. Mas o que funciona para os outros, não é necessariamente o ideal para você também.


Amores que não se realizam
30/05/2016 | Categoria: Amor, Textos


Todo mundo sempre tá falando sobre amor. O amor correspondido, o não correspondido, o coração partido, os términos, as traições, ou seja lá o que for. Definições de amor e romance não faltam em nenhum lugar, assim como reclamações sobre relacionamento. Mas eu vejo pouca gente falando de algo que na verdade, nem é chamado de amor pela maioria. Aquele, que fica sempre esquecido, de lado. Tudo bem, é compreensível que ele não seja muito lembrado. Afinal, ele nunca chega a se concretizar: pelo menos, em 90% das vezes. Mas para as pessoas que sentem – normalmente as sonhadoras, que leram uns dez livros da Meg Cabot na adolescência – ele é real. E tem algum tipo de sentimento que não seja real, por acaso? Eu afirmo que não.

Todos podem ser, mesmo que eles nunca sejam reconhecidos, mesmo que eles não vejam à luz do dia e que só você mesmo saiba sobre eles. Eu confesso que tenho muita experiência no dito cujo. Amor platônico (quem nunca?) é algo meio engraçado e dramático para mim. Resultado de uma mente fértil que sempre gostou de idealizar praticamente todo mundo que vê pela frente, ele foi o responsável por grande parte das minhas paixões. O curioso é que elas sempre eram intensas, mas acabavam rápido, e não de  maneiras muito agradáveis.

“Mas e a outra pessoa?” Elas nunca chegavam a saber de nada. Juro. Pelo menos eu acho. A maioria nunca nem suspeitou que eu nutrisse algum sentimento afetivo por eles. A paixão platônica não tem muitos limites. Ela pode surgir do nada, literalmente: sem você menos esperar aparece aquela pessoa impossível, inalcançável, seja lá por qual motivo. E isso é o suficiente para você, romântico que adora Taylor Swift, começar a criar histórias na sua cabeça. Eu não tomava atitudes drásticas. Não tentava, de verdade, me aproximar daquelas pessoas. E isso não significa que o sentimento seja menos válido; é só que, no fundo, eu não queria destruir aquela idealização legal que eu tinha de alguém. Ou eu não queria arriscar, ou não tive coragem.

E às vezes a gente tem medo mesmo, e não há nada de errado nisso. Óbvio que um relacionamento real é muito melhor. Mas estamos falando aqui do que é platônico, algo que não se realiza; e talvez seja justamente isso que atrai tantas pessoas. Você não vai se machucar, não vai se decepcionar (em tese): então, assim tá ótimo. Por outro lado, amor platônico também pode te fazer querer ouvir músicas melancólicas e passar dois dias sem sair de casa. No meu caso, quando eu superava, eu sempre olhava para trás e dava algumas risadas das situações que aconteceram comigo.

Foram muitas: a paixão que eu tive aos 14 anos por um garoto mais velho, e quando eu finalmente arranjei coragem e falei com ele, descobri no dia seguinte que ele mudaria de colégio (e de cidade). Na época, foi triste. Hoje, eu acho engraçado. Ou quando eu fiquei três meses tentando falar com um cara, só para depois descobrir que ele tinha namorada (não tá fácil pra ninguém, né?). E não foram somente essas; existiram outras, que me provocaram frio na barriga, dor de cabeça ou tristeza por algumas semanas. Talvez elas não sejam as únicas: pode ser que eu ainda tenha muitas outras paixões platônicas.

Mas o que sempre fica na minha cabeça é que você deve se permitir sentir o que quiser. E que, modéstia a parte, arriscar é sempre melhor. Mesmo que seja só para descobrir que a realidade é bem diferente daquilo que você tanto imaginou.


Por todas nós, mulheres.
29/05/2016 | Categoria: Comportamento, Textos

large (1)“Não” significa NÃO.

Nos últimos três dias, eu fiquei meio paralisada. Não sabia o que dizer. Porém, três sentimentos me dominaram enquanto eu lia outras notícias sobre o caso da garota de 16 anos que foi alvo de um estupro coletivo no Rio de Janeiro: revolta, desprezo e nojo. E depois, senti impotência. Porque eu só queria, de alguma forma, poder ajudar essa menina. E acho que todas nós, mulheres e feministas, sentimos isso. É uma luta diária e constante. Em alguns momentos, sentimos que estamos avançando. Que o pensamento de muitas pessoas está mudando e que, quem sabe, a igualdade pode estar aí, presente no futuro. Mas então, casos como esse acontecem e somos obrigados a nos perguntar se um dia vai ser possível que as minorias alcancem o seu espaço. E também me fazem questionar os limites do ser humano. A capacidade que muitos tem de cometerem barbáries e nem por um momento, se colocarem no lugar do outro.

Precisamos falar sobre a cultura do estupro. Precisamos falar sobre como todos os estupradores não podem sair impunes. Precisamos falar e repetir que a culpa NUNCA é da vítima. É preciso propagar, falar, discutir e debater todos os dias sobre o machismo. Não tolere piadas e difamações de ninguém: quando alguém fizer isso, chame a atenção dessas pessoas. Logo depois de conhecer o feminismo, comecei a perceber como nós, mulheres, somos ridicularizadas o tempo inteiro. Na escola, na balada, no ponto de ônibus. São “brincadeiras” que acontecem o e que não são nada engraçadas: são mais um ato de perpetuar a cultura que normaliza o abuso contra a mulher.

Às vezes eu sinto que quero fazer mais. Que palavras e atitudes não são só o suficiente, mas precisamos, de todos os modos que nós tivermos, nos expressar e nunca nos calar. Apoiar umas às outras é a etapa mais importante disso tudo. Todos esses crimes contra a mulher, que tanto nos aterrorizam e machucam todas nós, devem nos lembrar que devemos estar juntas sempre. A sociedade impõe uma rivalidade entre nós: recuse-a. Nós não somos inimigas. Vamos reafirmar as nossas relações, nos unir, nos apoiar, afinal, estamos enfrentando os mesmos problemas. Se você vê que outra garota precisa de ajuda – pode ser algo simples, ou mais complicado – não tenha medo ou vergonha. Quantas vezes a gente não presencia uma menina sendo agarrada numa festa sem ser por vontade própria? É triste dizer, mas são muitas. E acontece toda hora. É nosso papel ajudá-la. O movimento “Vamos Juntas?” incentiva justamente isso.

Eu gostaria de poder tirar um pouco da dor que todas as vítimas sentiram ou irão sentir. De todos os traumas que ficarão guardados dentro delas.

O nosso sistema de justiça, como nós sabemos, falha muitas vezes e oferece poucas proteções às vitimas. São inúmeros os casos em que os criminosos saem impunes, são pouquíssimas as vezes que as mulheres acham apoio nas delegacias de polícia e que elas não são desacreditadas. Isso contribui para que mais abusos aconteçam, pois não temos leis e o amparo necessário.

Por isso, devemos continuar lutando e dizendo às nossas opiniões. Comece em casa, na escola, em qualquer lugar: nossas atitudes e nossas vozes são algumas das maneiras que temos para acabar com essa cultura que tanto nos oprime. 


Sobre não passar no vestibular
01/02/2016 | Categoria: Textos

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“Vestibular” foi a palavra que eu mais ouvi em 2015, com toda a certeza. E também foi a que eu mais repeti para mim mesma durante os últimos doze meses. Eu confesso que em Janeiro do ano passado eu não encarava o terceiro ano como algo assustador, mas isso foi mudando com o tempo. A gente sempre tem uma ideia básica de algo, ou imagina como ela seja, baseado no que as outras pessoas dizem, ou o que nós experienciamos por meio dos nossos amigos. Mas só dá pra saber mesmo quando você passa a vivenciar aquilo todos os dias. Eu tenho o hábito de que quando decido algo, dificilmente volta atrás. E apesar de isso às vezes parecer algo positivo, pode te trazer muita dor de cabeça também.

Por mais que o resto do mundo esteja te pressionando, não há nada pior do que você se tornar o seu pior inimigo. E mesmo que os professores, a escola e todo mundo que eu encontrasse na rua só falasse sobre o mesmo assunto, eu tenho certeza que eles não depositaram em mim metade da expectativa que eu coloquei nos meus ombros. O que eu admito, foi uma péssima ideia. Só fui perceber que eu não sei agir e nem trabalhar sob pressão e estresse no final do ano, quando não adiantava mais alterar as minhas atitudes.

Nunca te falam muito sobre a experiência de falhar. Todo mundo sempre fala sobre vencer e superar os obstáculos, sobre não deixar nada te atrapalhar e aquele blablabla motivador. Mas talvez falhar seja extremamente importante em alguns momentos da vida. Seja para te fazer perceber os erros que você cometeu consigo mesmo, ou sobre que atitude diferente tomar da próxima vez. Por que, vamos ser sinceros, quase sempre há uma outra vez. Você vai ter outra chance e outra oportunidade. Só que a gente sempre se esquece disso. Eu, pelo menos, esqueci. Achei que o mundo se resumia a um propósito. No fundo, eu nem sabia muito o que eu queria fazer. Entrar na faculdade parecia interessante no inicio de 2015. E depois, virou uma obrigação.

Uma prova de fogo, um tipo de desafio que se eu não conseguisse superar, eu estaria fadada ao completo fracasso. Ok, talvez eu tenha sido dramática. Mas esse não era o maior objetivo da minha vida, e de repente, se tornou. Não sei se por que a escola meio que te obriga a pensar que você tem que conseguir, tem que ser aprovado, que o número de acertos vai definir quem você vai ser hoje e amanhã. O que é bem assustador. Na maioria das vezes, eu não tenho certeza sobre muitas coisas.

E de repente você precisa ser bom em tudo, da noite para o dia. A sua rotina e os seus pensamentos precisam se resumir a apenas uma coisa. Eu não acho justo e também não acho que haja um culpado. Mas ainda acredito que deveria ser permitido que as pessoas falhassem mais vezes. Metade dos nossos planos talvez não deem certo, e tá tudo bem. Pode ser decepcionante no momento, mas é importante permitir que você erre e seja ruim em alguma coisa. Assim como eu, eu pude ver muitas pessoas que também não sabiam o que fazer e tinham um medo muito grande de falhar, e acabavam se pressionando demais. O que é normal. Eu aceitei aos poucos que sou péssima em Matemática. Horrível. E pretendo me esforçar de verdade para que isso mude (quem sabe, eu até tente começar a gostar de exatas?) e me dava vontade de falar para os outros: “se permita não ser bom em tudo. É impossível ser bom em tudo, e você não é menos do que ninguém por causa disso.”

Para resumir a ópera: não é nada legal não ver o seu nome na lista de aprovados. E pior do que isso, é ficar imaginando quantas experiências novas você vai perder no próximo ano. Eu fiquei uns seis dias realmente triste por não ter sido aprovada. Depois, comecei a superar e pensar nas maneiras que eu poderia encontrar para que 2016 fosse encarado com mais tranquilidade e menos ansiedade, em como eu posso agir para que esse seja um ano bem diferente do anterior. Mas acho que o que faltava era escrever sobre isso. Escrever sempre nos ajuda a fechar um ciclo que demorou para ser finalizado. E de maneira mais clichê possível, também nos ajuda a queimar um livro e começar outro. E perceber que nada é o fim do mundo: algo que a gente sempre soube, mas se negou a acreditar.


Escola, opiniões próprias e machistas
09/11/2015 | Categoria: Comportamento, Textos

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Ilustração no weheartit

Chegando no meu último ano do ensino médio, eu cheguei à conclusão de que a escola – além de ser o local “óbvio” para aprendermos – também é aquele onde a gente é obrigado (tipo, na marra mesmo) a lidar com pessoas muito diferentes de nós. Algumas, de modo surpreendente, são bem parecidas conosco, o que pode gerar amizades maravilhosas. Não importa se elas vão durar só os três anos de ensino médio, ou a sua vida inteira. Mas outras são o oposto da nossa personalidade; o que é totalmente comum na vida real. Afinal, nem todo mundo vai ter os mesmos ideais, objetivos e pensamentos que você. E para quem é meio cabeça dura e controlador, como eu, é sempre meio difícil aceitar isso.

Mas eu já passei dessa fase da aceitação; e acredito que estou naquela em que temos que lidar com a situação, sabe? Mas preciso confessar que às vezes é bem complicado. Principalmente quando a gente ouve tanta bobagem em um tempo curto de quatro horas e meia (desde piadas machistas, até outras homofóbicas. E não tem nada no mundo que eu odeie mais do que isso, do fundo do meu coração). Mas eu sei, nem todo mundo pensa como nós. Ás vezes alguém me diz: “você tem que entender que as pessoas são educadas de formas diferentes.” E eu entendo isso, mas como jovens e pessoas que estão (tecnicamente) amadurecendo, é interessante dispor um pouco do seu tempo para pesquisar, se informar, correr atrás, se “educar” mesmo, sabe? Pode ser mais fácil continuar com aquela ideia que seus pais te ensinaram na infância pelo resto da vida, mas o mundo muda o tempo inteiro, e a internet está aí, te dando a chance de rever seus conceitos e aprender mais (em um mar de absurdos, tem também coisas interessantes).

Eu tive a sorte de ter dois pais que sempre me incentivaram a debater assuntos, ler e pesquisar, sair da minha zona de conforto. Mas sei que muitas famílias são diferentes; por isso mesmo acho que a gente deve procurar mais informação por aí. E tentar aprender com as outras pessoas também. E não só com os mais velhos: muitas meninas da minha idade me ensinaram muitas coisas, principalmente sobre feminismo. O tempo todo somos bombardeados com milhares de opiniões, e pode ser complicado formular a sua própria no meio de tantas pessoas falando ao mesmo tempo. Mas acho que é importante não engolir tudo “mastigado”, pronto, enlatado e simplesmente concordar. Afinal, estamos sempre buscando evoluir, não é?

É super maçante quando você entra numa sala de aula e algum professor passa 10 minutos da aula fazendo comentários preconceituosos e piadas machistas. É algo que, sinceramente, me entristece. Porque no papel de um educador, ele poderia usar a oportunidade para tentar ensinar alguma coisa legal para os jovens presentes na sala. Isso me leva a crer que temos que aprender a questionar o tempo todo; não dá pra aceitar tudo e ponto.

Opiniões divergentes sempre vão existir. Mas é preciso aprender a ter respeito pelas outras pessoas; o preconceito ainda está, infelizmente, muito presente na sociedade. Nas salas de aula, no trabalho, em casa, na internet. E por isso que eu tento tirar a minha própria conclusão, formular a minha opinião. Não se deixe levar por tudo que as outras pessoas falam, pelo senso comum, por aquela ideia que te ensinam desde que você é pequeno e que você se acostumou tanto, que esqueceu de questioná-la. Ignore quando alguém te falar que as coisas são desse jeito, porque simplesmente são. Desconstruir valores e ideias que te ensinaram por anos é difícil; mas se você quiser crescer, é mais que necessário.


Rascunhos
26/09/2015 | Categoria: Comportamento, Textos

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Eu acho que toda essa confusão acabou com a minha criatividade. Ou foi levando todas as minhas ideias e a vontade de fazer coisas novas junto com a pressão, os dias lotados de compromissos (que eu não tenho o menor prazer de fazer), e as aulas que demoram mil horas para passar. Eu me pergunto, muitas vezes, se alguém não atrasou o relógio. Ás vezes, parece brincadeira. Mas é complicado tentar aceitar que algumas coisas levem tanto tempo; principalmente aquelas que a gente não gosta nem um pouco. Parece injusto ter que ser obrigado a fazer algo que não te agrada todos os dias, por horas intermináveis (literalmente), mas eu me lembro que é assim que o mundo funciona: nós crescemos e sem nem mesmo perceber, estamos fazendo que os outros querem.

Talvez você nem quisesse mesmo aquele curso, ou talvez você nem estivesse fazendo planos para o ano seguinte, mas o mundo te convence que se você não alcançar o objetivo X, nunca vai ser feliz. Se você não fizer planos, muitos planos, tudo vai dar errado e você não vai usar o seu tempo com utilidade. Aliás, eu desenvolvi um problema grande com essa história de ter que usar o seu tempo para algo produtivo. Quando a tão sonhada sexta chega, eu não tenho nem forças para querer fazer algo. É mais fácil dar o play no meu disco favorito e deixar o tempo passar. Eu desenvolvi o péssimo hábito de não ficar confortável com a simples situação de não fazer nada. E o engraçado é que eu fico literalmente cinco dias da semana tendo que fazer um milhão de coisas, e quando eu finalmente posso ter um tempo livre, entro numa paranoia terrível de simplesmente não conseguir aproveitar aquele tempo para fazer algo que eu gosto.

E aí está uma coisa perigosa. Viver nesse ciclo vicioso de que precisamos chegar no dia seguinte, na próxima semana, aguardar por algo, esperar o ano que vem. É triste e não é tão fácil quanto parece sair dessa sensação de que só precisamos que o momento a seguir, aconteça logo. Acho que eu só percebi que me faltava empolgação na vida quando assisti ao vivo minha banda favorita pela primeira vez neste ano. Fazia meses que eu não sentia uma alegria grande por alguma coisa. E acabei me lembrando, naquele momento, o quanto a gente deveria poder passar a vida inteira (ou pelo menos uma boa parte dela) fazendo o que realmente te deixa feliz. E não seguindo o caminho que todo mundo acha que você deveria seguir.

Eu já tive épocas de ansiedade bem maiores, mas é só alguém citar a palavra vestibular que já dá vontade de sair correndo. E é meio cômico o fato de que todo mundo no planeta parece dizer que é apenas uma fase do qual todo mundo passa jura? e que “difícil mesmo vai ser quando você se tornar adulto.” Poxa, obrigada pelo conselho! Ajudou bastante, então se agora tudo já é um tédio enorme eu posso ficar feliz porque o pior ainda vai chegar na idade adulta (?).

Não vou dizer que toda essa situação não me faz crescer. A pressão gigante que eu (e milhares de pessoas por aí, independentemente da idade ou do que elas fazem, ou planejam fazer) recebemos todos os dias, nos torna um pouco mais duros, afinal das contas. Mas não é a coisa mais legal do mundo enfrentar todos os dias com uma rotina extremamente maçante, sabendo que o seu dia vai ser igual aos outros sete da semana passada. E olha que eu nunca fui fã número um de mudanças, mas ultimamente quando algo diferente acontece, parece que é o universo querendo me lembrar o que eu realmente quero na vida. E com certeza, não é viver sob os olhos ou a expectativa de outras pessoas.

Me pergunto: porque, se no fundo nós sabemos o que queremos (ou não, afinal, quem sabe isso aos 17 anos?) é tão difícil seguir o que você quer e ponto? Levamos em conta a opinião de muitas pessoas, quando no fundo talvez nós devêssemos acreditar na nossa. Talvez em algum momento a única pessoa que saiba o que é melhor para você, seja você mesmo. Dai bate aquela questão: eu tenho segurança o suficiente para bancar todas as minhas decisões? Eu posso encarar isso sozinho?


Como lidar com a ansiedade?
09/08/2015 | Categoria: Comportamento, Textos

“A minha ansiedade não me define.”

Ilustração de autoria de Ambivalently Yours.

Confesso, eu queria muito saber a resposta da pergunta que dá título a esse post. Eu sempre fui uma pessoa ansiosa, desde criança. Não era só o primeiro dia de aula ou o passeio da escola que me deixavam sem dormir; coisas meio clichês para todo mundo no ensino fundamental. Mas sim outras situações relativamente normais, como ir à algum lugar aleatório, ir na casa de um amigo, e quando fui crescendo só ficou pior. O que é compreensível, porque aos 13 e 14 anos você tem aquela sensação de que os seus problemas são gigantes, e que se eles não forem resolvidos, sua vida não vai ter solução nunca mais (ok, ou talvez eu era extremamente dramática, porém melhorei nesse aspecto) Eu era mais emotiva no passado, mas com o tempo fui ficando mais racional. Aprendi a tentar “controlar” mais as coisas, com muito treino, é claro. Não foi nada fácil.

Mas tem épocas do ano em que a ansiedade volta a bater. Eu sempre tive uma característica forte de imaginar as situações na minha cabeça, querer planejar tudo, e sempre esperar, aguardar, e inventar mil coisas que poderiam acontecer. Na maioria das vezes, elas não se concretizavam. Eu sou meio pessimista, então sempre criava uma situação ruim que eu achava que aconteceria. Resultado? Mais ansiedade, nervosismo, o que resultava em situações chatas.

A ansiedade se manifesta de maneiras diferentes para muitas pessoas. Algumas não conseguem se expressar direito, outras acabam com dores físicas (meu caso) como dor de cabeça, ou sei lá, ficam paralisadas. Sem saber o que dizer. E é bem complicado aprender a contornar a situação, a confiar em você (por quê quase tudo está muito ligado à insegurança que sentimos), a tentar entender essa sensação que quando nos invade, parece muito complicado de superar. Cada um tem a sua própria maneira de tentar enfrentar isso.

Eu acredito que a ansiedade pode ser dividida em boa e ruim. Quando eu estou esperando um acontecimento legal, algo que eu sei que vai ser positivo (como por exemplo, o show que eu fui) eu encaro as coisas com uma positividade bem maior. Ou seja, tem aquele frio na barriga, mas ele não é ruim: pode trazer uma felicidade junto, uma expectativa, de algo que você sabe que vai valer a pena. Agora, quando é uma situação que você já não está encarando com bons olhos… Como por exemplo, vestibular. Minha ansiedade anda a mil. O motivo? O último ano da escola já me cansou muito, o Enem tá chegando, eu preciso passar, e mais outras milhares de questões que ficam batendo na nossa cabeça o dia inteiro, e nos atormentando.

Muito disso tem relação do lugar em que estamos. Se eu estou confortável com a situação, com as pessoas, com o local, a ansiedade pode até estar ali, mas ela não se manifesta de um jeito que me atrapalhe. Mas quando você está insatisfeito com muitas variáveis, é quase impossível fugir dela. E é fato: se você é ansioso (a) como eu, não dá para fingir que a ansiedade não existe. Ela vai aparecer, uma hora ou outra. E se você, como eu, às vezes não sabe como agir, talvez o primeiro passo para melhorá-la seja começar a falar dela. E é fundamental estar ao lado de pessoas que te ajudem. Às vezes nós achamos que os problemas de todo mundo são bobos, e estar ao lado de quem não tenta te entender nem um pouco, só deixa tudo pior.

Eu já descobri os motivos que me deixam ansiosa. Normalmente, eles não variam. Se passam anos, e continuam quase os mesmos. Mas daqui a algum tempo o cenário pode mudar, mas as razões não. Por isso é importante tentar enxergá-las, saber quais são. Eu já compreendi que fugir não adianta nada (por mais que em momentos de extremo nervosismo, isso seja o que a gente mais quer fazer. Sair correndo mesmo). E sempre vai ter alguma coisa na vida que vai tentar nos desestabilizar. Eu já fiz a primeira ação que precisava para tentar resolver esse problema: escrever sobre ele, para que nem tudo exista só na minha cabeça.