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    Ronda Quinzenal #1 – O que há de mais interessante na internet

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  • Maio 13, 2019
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    Eu já falei sobre ansiedade algumas vezes aqui no blog, mas de vez em quando penso o quanto eu deveria falar mais sobre isso. No final de Abril completei três anos de medicação do tratamento para transtorno de ansiedade, dentre outros síntomas, e parece que passou rápido demais. Três anos foram voando, mas viver com um transtorno nunca é fácil e é uma jornada doída, em que você enfrenta algumas coisas difíceis no caminho. E mesmo que sejam só alguns anos, eu me vejo como uma pessoa muito diferente de quem eu era em 2015, quando se trata da minha saúde mental.

    Não existe um segredo 

    Outro dia eu li um texto no Man Repeller  em que a autora narrava a sua vida com Síndrome de Pânico. Ela confessa que durante uma época, apesar de ter mantido uma dieta balanceada, um clima “good vibes” e feito tudo o que as pessoas diziam que ela precisava fazer, ela continuava tendo ataques de pânico. E isso me lembrou o quanto, de verdade, não existe um segredo absoluto sobre como a sua doença, ou no meu caso, o transtorno de ansiedade, vai funcionar. É claro que uma rotina faz toda a diferença – e às vezes eu dedico horas no meu dia em atividades que vão me fazer bem -, mas mesmo assim, eu posso ter uma crise amanhã. Ou no outro dia. E eu não tenho culpa disso.

    Por muito tempo eu achei que ter uma crise significava que eu tinha voltado pra estaca zero. Que todo o meu trabalho em tomar a medicação e ir na aula de yoga, ou na terapia, tinha se perdido por causa disso. Mas não é verdade. Foi assim que eu descobri que é uma jornada; em alguns dias eu vou estar bem, e em outros não. E o meu progresso não precisa ser linear.

     Eu tenho medo da ansiedade atrapalhar os meus relacionamentos

    Lidar com um transtorno não afeta só você mesmo na maioria das vezes: pode afetar os seus relacionamentos também. Não é fácil conhecer alguém novo e mostrar para aquela pessoa que você enfrenta alguns problemas. Eu mesma já tentei esconder as características do transtorno de ansiedade: aquela que você pode passar mal numa festa e precisar ir pra casa porque teve um ataque de pânico, ou aquela que lida de maneira diferente com algumas situações que, para os outros, são normais. Transtornos mentais ainda são um tabu enorme e muitas pessoas nunca nem ouviram falar sobre eles, ainda menos sobre os efeitos físicos e psicológicos que eles podem causar em alguém.

    É um pouco assustador quando eu me relaciono com alguém e tento colocar para debaixo do tapete tudo isso. Em algum momento, a pessoa vai acabar descobrindo, e eu confesso que ainda estou tentando aprender a não sentir vergonha, a não ficar me culpando ou pior, ficando ainda mais ansiosa pelo que os outros vão pensar de mim ou se eles vão me rotular como instável, transtornada, etc.

    Alguns meses são mais difíceis que outros

    Às vezes eu consigo lidar super bem com a minha ansiedade e manter tudo no controle. Eu tenho muitos privilégios que me permitem conseguir cuidar da minha saúde mental, quando a gente sabe muito bem que metade da população brasileira não tem acesso à plano de saúde, a consultas esporádicas ou medicamentos. Tudo isso tem um preço, um custo, tempo, planejamento, é difícil fazer as coisas sem apoio. 

    A sociedade não conversa sobre isso e a nossa cultura invalida os transtornos mentais, as doenças psicológicas. Elas ainda são consideradas “frescura”, ou pouco relevantes comparados à um problema físico. Sem falar na dificuldade do acesso à informação. Para a sua família ou os seus amigos entenderem o que você passa, eles precisam de informação. As pessoas próximas de mim não entenderam de um dia para o outro o que era o meu transtorno de ansiedade. Foi preciso ajuda dos médicos também para eles enxergarem os sintomas e como lidar com isso.

    Sendo assim, algumas fases são mais complicadas. Se um monte de coisas novas acontecem comigo, ou problemas, ou términos, parece que eu não consigo lidar com tudo ao mesmo tempo e a minha ansiedade bate como nunca. Sem falar no desânimo, no medo de ter uma crise, na vontade de ficar na cama. Houveram semanas que eu quase não saía de casa e desaparecia da faculdade. Mas é um ciclo, como muitas coisas da vida. Por mais que pareça que você está no fundo do poço, tem uma maneira sim, de sair dele. 

    A medicação é importante

    Tá aí outro tabu. Algumas pessoas acham problemático você tomar uma medicação para o seu transtorno, mas a verdade é que faz diferença quase absoluta no seu tratamento. Com o tempo, eu parei de me importar muito com o que outras pessoas achavam e considerar a opinião apenas dos profissionais (médicos, terapeutas). É relevante seguir as instruções da minha medicação, e com isso vem várias coisas que você tem que mudar: beber pouco, não fumar, ficar longe de drogas. Coisas que podem não ser tão simples em alguns ambientes, mas eu aprendi que o que causa um efeito X nos outros, pode ser muito mais forte pra mim.

    É um compromisso consigo mesmo. É uma responsabilidade que você assume de querer melhorar. De querer estar bem, de fazer o possível para que você leve uma vida equilibrada, sabe? E mais importante, de aprender a respeitar quem eu sou, respeitar os meus sintomas, a minha jornada, e não atropelar as minhas dificuldades.

    O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma organização não-governamental que faz um trabalho importante de conscientização da saúde mental e oferece apoio para todo o Brasil pelo número 188, com ligação gratuita, 24 horas.

    Março 28, 2019
    postado por

    kenrick-mills-709743-unsplashUma das coisas que eu mais amo fazer é escrever, principalmente poemas. Acredito de verdade que eles são uma forma de passar pelo processo de cura que é necessário quando vivemos experiências de uma vida inteira em apenas alguns segundos.

    Decidi, então, estrear um novo tipo de post aqui no blog chamado “#PoemaDeQuinta”. Os poeminhas sairão nas quinta-feiras e, sim, é um trocadilho, pois eles são humildes! haha

    Aqui vai, então, o primeiro poema. É um pedaço do meu coração para vocês! <3

     //

    Para as almas livres

    //

    Eu vejo você lutando para resistir

    Enxergo os seus olhos caírem

    em profunda inspiração

    quando observam os quatro cantos do mundo

    //

    Eu vejo a sua confusão

    em cada um dos passos que você toma

    Eu vejo os medos dançarem

    por cima do seu corpo

    mas nunca por cima da sua alma

    //

    Eu vejo o jeito que você olha para a lua

    e se pergunta quantas vidas já pisaram na Terra

    Eu vejo a câmera nas suas mãos

    te dizendo o que e quando focar

    //

    E você

    fruto de experiências de uma vida inteira

    escolhe focar em coisas que possuam a liberdade

    que você deseja

    alcançar um dia

    //

    As árvores te enchem os olhos, não é?

    Você adoraria florescer

    mas meu bem

    você ainda não percebeu

    que das suas cicatrizes nascem flores?

    //

    Olhe um pouco para si e perceba:

    a sua alma livre despeja infinito

    onde só existem finitos

    Não seja outra coisa além de eterno

    Março 16, 2019
    postado por

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    Batom vermelho.

    Restos, pensamentos, emoções, flor da pele.

    Choro, lágrima, sento, espero. Você não vem, será que você vem?

    Eu não devia esperar, devia trocar de caminho, de rua, de prédio, não querer te encontrar,

    eu odeio querer te encontrar,

    sei que você não pensa o mesmo. Eu deveria quebrar esses pensamentos, jogá-los no lixo,

    “ainda dá tempo”, afirmo para mim mesma. Ainda tem tempo. Dá para se esconder, fingir que não aconteceu

    fingir que não foi verdade, eu ergo a cabeça e sigo pelos próximos meses, é melhor assim

    vou estar segura, vou estar protegida, não vai doer, não vai despedaçar nada.

    Eu sei disso, meus amigos sabem disso,

    minha intuição sabe disso

    existe alguém que ainda não percebeu?

    Talvez eu esteja enganando a mim e a todos no processo,

    não seria a primeira vez.

    Não marco o seu cheiro. Não quero lembrar dele,

    faço o mesmo com o seu sorriso, com os seus gestos, finjo que não notei nenhum deles

    esquece-los talvez seja um processo longo e difícil no futuro.

    É melhor eu quebrar agora, cortar o mal pela raiz.

    É melhor eu não observar o jeito que você revira os olhos, ou a maneira que coloca as mãos nas minhas.

    O sentimento que você me causa quando vai embora, eu odeio

    e tenho que esperar por mais um dias, e um tempo que não passa nunca

    Não sei quando te vejo de novo, não sou sua prioridade, talvez semana que vem?

    Talvez quando não houver nada melhor no seu dia, quando você também lembrar do meu abraço

    dos minutos quietos com o seu cigarro,

    são os meus favoritos.

    Esses pequenos minutos são os que eu mais gosto,

    são os que eu mais anseio.

    As pequenas partes suas que eu posso ter são as minhas favoritas.

    Dezembro 26, 2018
    postado por
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    Dezembro carrega uma mochila que pesa quase o mesmo que o seu corpo inteiro. Com os olhos cansados, procura pela festa a única coisa que o interessa: Janeiro. Não que todo o resto do universo não fosse interessante o suficiente, mas era um fato conhecido de que Dezembro era obcecado por Janeiro e todas as suas versões.

    Por mais que Dezembro estivesse ali, dançando com o peso do mundo em suas costas, não conseguia chegar perto de Janeiro de forma alguma. Se tentasse apressar os pés para o centro da pista, algo o parava. Era fisicamente impossível se aproximar de Janeiro, que brilhava na frente de todos os outros convidados, abrindo as asas como se ainda estivesse tentando chegar ao auge da atenção.

    Mas ah, Janeiro, se tu soubesse que existem almas que vivem pela tua existência, tu não se forçaria a usar essa maquiagem e essa roupa. Tu é a festa, a ressaca e o recomeço…

    Dezembro faz de tudo para se livrar da mochila e correr para os teus braços, mas não consegue. Como Dezembro seria Dezembro sem o peso de todas as existências dentro de si? E tu, Janeiro, como dançaria tão livremente se não estivesse com a essência tão vazia, à espera de ser preenchida pelos seres que te amam?

    A música aperta o coração de Dezembro, que todo ano sente o cheiro dos cabelos recém lavados de Janeiro e sabe que jamais poderá tocá-los, porque as melhores coisas são as mais distantes.

    E ali, nos fundos da sala, Dezembro percebe que nunca será capaz de conhecer os filhos de Janeiro. Mesmo estando tão próximos, nunca estiveram tão longe – são anos-luz de distância física e emocional. O coração partido de Dezembro pode ser curado por qualquer outra existência, menos a de Janeiro. Bem no meio daquela festa anual, ele chega a uma conclusão: os dois são inteiros, mas de formas completamente diferentes.

    Dezembro é recheado de palavras, poemas, experiências e dores. Mais um pouco e explode, derrama, despeja.

    Janeiro é inteiro, recheado de vazios. Tudo pode acontecer, até mesmo o que aconteceu com Dezembro.

    As coisas em comum deixam Dezembro maluco – ao menos, ele pode cair um pouco na ilusão, não pode? Deixar-se acreditar que Janeiro um dia olharia para ele com aquela vontade maluca de cair em seus braços e viajar para a estrela mais distante que existir. Mas aí, Dezembro abre os olhos e enxerga a festa: ele, no canto da parede, tomando algo que o ajude a esquecer o peso em suas costas e as rugas de preocupações. Janeiro, no meio da pista, dançando lentamente com a sua roupa fazendo o movimento que faz os outros seres virarem o pescoço exclusivamente para assistir o espetáculo.

    Enquanto espera a contagem para o descanso de Dezembro começar, ele observa o cenário ao seu redor. As cicatrizes do seu corpo ecoam pelos céus, assim como a sua sabedoria em cavar até o lugar mais fundo do íntimo. Um dia, teria a leveza do seu grande amor, mas naquele momento, se contentava com a experiência de uma vida inteira.

    No final das contas, Janeiro sempre chegaria para colocar ecos em seus pensamentos mais confusos e, mesmo distante, dar-lhe um motivo para continuar recebendo a essência de todos os seres que habitam essas montanhas perigosas.

    Novembro 27, 2018
    postado por

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    Para todos os cidadãos do mundo,

    eu quero que vocês saibam que eu entendo.

    Eu entendo esse sentimento de acolhimento que vocês sentem quando o vento bagunça os cabelos e o primeiro pensamento é “eu estou, finalmente, em casa.”

    E eu entendo que por um milésimo de segundo, esse pensamento é real, mas assim como o tempo, nada dura. A sensação de ter encontrado o seu lugar no mundo é viciante a ponto de, diferente de outros tipos de dependência, você desejar que não seja infinita, porque a procura é quase tão instigante quanto o encontro.

    Eu sei que as células do nosso corpo se renovam milhares de vezes durante a vida e isso significa que a pele que um dia morou nos lugares que vocês pisaram já não existe mais. Mesmo que voltássemos para cada pedaço de cidade que já desbravamos, nada seria igual, porque nós já morremos e renascemos muitas vezes em todos esses anos.

    Mas podem ter certeza: o mundo nos ensina diariamente sobre a selvageria que é dançar no meio da tempestade. Não importa o tamanho do oceano e nem a maneira que ele intimida o resto do planeta – de qualquer forma, ele continua sozinho, perdido dentro da sua própria intensidade.

    Os seus sonhos são mais profundos do que o universo, e é por isso que nós nos perdemos nas curvas das cidades durante a noite, observando os bares cheios e os ônibus apressados correndo pelas avenidas. Se você algum dia já se perguntou onde diabos estava o mapa, saiba: você é o mapa e a sua missão é se encontrar.

    Nós somos aquelas pessoas que já atravessaram o céu inteiro e puderam enxergar de longe as veias que interligavam uma cidade a outra. Como almas livres que somos, sentimos o desejo de aproximar a visão e nadar com as estrelas que brilham nas entranhas das cidades.

    No ato de liberdade mais corajoso, vimos que, assim como todos os lugares do mundo, existem veias dentro de nós que pulsam tão intensamente quanto.

    Para todos os cidadãos do mundo,

    quero que vocês saibam: eu nunca vou descansar a minha alma. Para sempre serei o ser mais inquieto do planeta que possui mistérios que lugar nenhum será capaz de desvendar, mas que jamais vai perder o interesse pela tentativa.

    Cada centímetro de mim tem um pouco de vocês, porque nós somos os mesmos, apesar de não sermos.

    Para todos os cidadãos do mundo,

    quando vocês estiverem beijando os lábios de uma cidade e pensando em outra, que não esqueçam: o passado é o motivo da nossa nostalgia. No exato agora, somos as almas que se abrem para as veias que ainda não foram descobertas. Jamais seremos inteiros novamente, pois deixamos pedaço de nós em todos os cantos que já passamos. Esse é o preço que se paga por amar tão intensamente todos os lugares do mundo.

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