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  • Junho 26, 2018
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    Garotas sensíveis são fortes. @AmbivalentlyYours

    Garotas sensíveis são fortes. @AmbivalentlyYours

    Eu sinto que preciso fugir. Ou sumir. Ou ir para qualquer lugar que não seja esse que eu estou agora. É um sentimento desesperador. Eu achei que ele fosse desaparecer com o tempo, mas nas últimas semanas a vontade de não sair da cama só cresceu. Eu queria poder apagar todos os momentos. Queria de verdade me livrar deles: assim você não precisaria existir nos lugares que eu te levei. Nos lugares que de algum jeito ou de outro, eram os meus favoritos; e você acabou roubando a mágica de todos eles. Na minha rua, no meu café, no meu restaurante com cheiro de batata-frita que todo mundo odeia, menos eu. No meu quarto. No meu banheiro. Eu queria apagar, exterminar, todos os rastros.

    Eu queria poder tirar cada pedaço seu que já esteve dentro de mim. Jogar todos eles pra debaixo da terra, e torcer para que nunca mais voltassem. Às vezes eu sinto vontade até de tirar as minhas partes, que eu gosto tanto. Porque eu sinto que já me cansei de todas elas, e continuar se torna mais difícil e complicado quando você não consegue nem gostar de si mesmo. E então você tenta encontrar em outras pessoas o que precisa pra se sentir melhor. Talvez parte disso seja culpa minha, por ter sido boba demais, por ter acreditado tão fácil e, para variar, ter ignorado minha intuição. Mas será que é tão ruim assim a gente se arriscar e ir com tudo? É preciso coragem. E eu tive. Mas nem todas as pessoas são dignas da nossa coragem.

    Tudo se tornou uma bola de neve. Um ciclo vicioso que não para, não termina. E tudo só vai se acumulando nas beiradas até que eu preciso gritar, colocar tudo pra fora, segurar todos os sentimentos que vão transbordando. Me tranco numa cabine de banheiro aleatória e deixo eles saírem. Me tranco numa sala que não tenha mais ninguém. Me liberto apenas na minha cama. Um lugar que você também habitou, mas ela é tão minha e de mais ninguém, que nem o seu cheiro conseguiu ficar impregnado aqui. Eu respiro aliviada. Pelo menos alguma coisa na minha vida não foi dominada pela sua presença.

    Todos os dias eu tenho vontade de ir pra um lugar desconhecido. Nos últimos meses eu passei por mudanças e situações difíceis foram jogadas com força total em cima de mim. Não deu tempo pra respirar, nem pra pensar. Foi só uma coisa atrás da outra. E pequenas coisas que me faziam feliz foram sendo destruídas nesse caminho. É triste pensar que você era uma delas. Mas foi você que preferiu se autodestruir.

    Acho que só preciso de uma respiração aliviada. De um tempo. De uma distância. De dias em que eu não precise ver ninguém. Eu quero me recuperar, me reconstruir. Eu cai de novo e agora preciso juntar tudo e recomeçar mais uma vez. Como eu já fiz milhares de vezes antes.

    Junho 24, 2018
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    Em dias como esse, chuvosos na alma e quentes no coração, eu me pergunto onde estou.

    Mas não fisicamente.

    Onde os meus pensamentos estão? Será que o meu corpo cansado ainda consegue caminhar mais alguns quilômetros até o auge da minha sensibilidade? Será que eu tenho coragem o suficiente para mergulhar dentro de mim e responder às minhas próprias perguntas?

    A questão é que eu sei as perguntas e sei as respostas.

    Eu sei o que se passa aqui e acolá. Eu não sei é admitir que sei.

    É aterrorizante perceber que nas minhas mãos cabem o meu destino e parte do destino das pessoas ao meu redor.

    E se eu não quiser mais a companhia de ninguém, o que devo fazer? Apenas jogar as memórias no fundo do oceano e tentar nadar para o raso?

    Eu sou um oceano e eu não sei lidar com rasos.

    Eu sou o fundo do oceano e só sei lidar com fundos.

    Talvez, em dias como esse, eu deva apenas afundar no fundo das palavras e vomitar os sentimentos que engoli.

    Se os meus olhos, sóbrios ou não, enxergam a abundância no lugar da escassez, isso significa que eu posso nadar contra a correnteza que grita dentro de mim?

    Talvez.

    Maio 29, 2018
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    Para todas as almas perdidas, escrevo de coração:

    eu espero que você saiba que eu entendo a sua necessidade de continuar fugindo de si mesmo. Eu entendo que você precisa morar em lugar nenhum, porque é lá que todos nós habitamos e pertencemos. Nossas mentes são tão cheias de pensamentos que não conseguimos nos concentrar nas coisas mais básicas da vida. Mas me responda: o que é básico? Respirar é algo básico?

    Respirar é difícil e trabalhoso, você me diz. Eu escuto e concordo. Nós somos almas perdidas, nós temos flores que não param de crescer em nossos corações. Apesar de serem bonitas, elas nos impedem de respirar. Não mate as flores. De alguma maneira misteriosa, a sua essência conseguirá emergir e você irá aparecer novamente.

    Você é um oceano de sentimentos e o ato de respirar, às vezes, é um tornado aquático atrapalhando a sua existência no mapa.

    Mas quando você estiver no auge da sua bagunça, você irá olhar para o céu roxo e perceber que o universo é tão grande que é capaz de aguentar todos os seus pesos. A partir disso, você não estará mais sozinho – existe uma constelação inteira aguardando o melhor momento para intervir e trazer a calmaria para as suas águas confusas.

    Não continue tentando se encontrar – as respostas virão. E mais perguntas. E mais respostas. E mais perguntas. E mais vida e mais morte. E tristeza e vazio. E felicidade e intensidade. Apenas continue.

    E quando você estiver continuando e tentarem te arrancar a liberdade ao perguntarem o que você quer ser quando crescer,

    que você tenha forças para levantar a mão o mais alto que puder e diga “eu não quero crescer.”

    Eventualmente o seu corpo vai crescer, mas isso não significa que você vai, de fato, crescer. Não é preciso envelhecer a alma para envelhecer o corpo.

    Maio 10, 2018
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    Caro amigo,

    eu me sinto como uma viajante embarcando em um trem com destino à lugar nenhum.

    Gostaria de voltar para as noites em que eu corria pelas montanhas e sentia-me à vontade com os meus pensamentos explodindo sem medo das reações externas. Eu vivo dentro de um mundo cercado pela minha alma inquieta, o que significa que não estou nem um pouco acostumada com o mundo exterior. Sei até onde a minha inquietude vai, mas não faço a menor ideia até onde o mundo exterior rasga a pele das pessoas para conseguir o que quer. Isso é assustador.

    Pego minhas malas e subo no trem com o coração na mão – será que estou tomando a decisão certa? Não estou gostando muito das minhas companhias. Preciso de um mergulho em mim. Os meus sentimentos estão prestes a voar quilômetros para longe de mim e eu não sei onde estou nesse exato momento. O trem está parando em uma estação lotada de seres que morrem, mas que não vivem. Deveria descer aqui? Eu realmente só queria que minha cabeça fizesse sentido.

    Escrevo esta carta porque você me escuta e não precisa forçar palavras exageradas para me consolar. Não quero um ombro-amigo, só quero um amigo. Eu sei que você entende o que sinto, mesmo estando tão cansado quanto eu. A estrada é cansativa, não é? A minha sensibilidade me faz sentir como um fardo na minha própria vida. Não entendo o por quê de eu me machucar com coisas que ninguém jamais pensaria duas vezes. Os olhares costumam arder, enquanto o meu medo me engole nas menores situações diárias.

    Minha essência derrete pelos outros, o que é bom a partir do momento em que me coloco no lugar deles para entendê-los e ajudá-los, mas acaba com a minha saúde quando eu estou em qualquer outro local. A maior parte do meu verão tem sido nadar na minha cama e ficar confortável com o vazio. Eu não deveria fazer isso. Você não deveria fazer isso. Sei que estou sendo confusa, é só que é exatamente assim que me sinto. Sou uma pessoa sensível com muito amor para dar, mas não dou amor à pessoa que está do meu lado o tempo inteiro: eu.

    Nós vivemos em um universo de estrelas partidas ao meio, onde somos ensinados a odiar a própria pele e invejar as demais. Eu quero que saiba que eu não invejo você, tampouco odeio você. Quero que pegue a minha mão e caminhe pela areia movediça chamada sensibilidade. Não iremos afundar, apenas tropeçar e levantar, tropeçar e levantar, tropeçar e… Renascer. Não posso deixar o mundo exterior matar a minha alma sensível. Sou uma poeta de palavras tortas, mas intenções boas. Eu tenho medo de ser machucada mais uma vez, mas honestamente, é o que irá acontecer. Só preciso me manter forte, afinal, a tempestade traz a purificação dos corpos.

    P.S Não ceda à dor deste mundo, amigo, a sua sensibilidade vale a pena.

    Maio 2, 2018
    postado por

    2049e49be7b9a2756bf9d5d537046bb9Eu fiz de novo.

    Eu depositei tudo em cima de alguém que eu nem sabia se queria segurar todas as minhas dores ou as coisas bonitas que eu queria mostrar. E é injusto, eu sei. Ninguém vai nos consertar. Só nós mesmos podemos fazer isso, se é que prencher o nosso vazio seja algo possível de verdade.

    É uma história que se repete sempre. Eu nunca consigo sair dela.

    E dessa vez eu tenho esperanças de que vai dar certo. Por que não? Tudo começou bem. O pote de esperanças se enche até o final. Eu começo a rir de coisas bobas, eu vejo graça no que antes era invisível. As flores renascem, o futuro não parece algo tão assustador. Parece que eu realmente superei a fase ruim.

    Mas a ilusão não dura pra sempre.

    Em algum momento ou outro, a verdade aparece. E ela dói. É horrível ter que encará-la de frente, porque de repente tudo parece ruim de novo, e cinza, e irremediável, e eu só quero sumir e não aparecer nunca mais. E é a coisa mais difícil do mundo se reerguer quando você já caiu milhares de vezes, e ter que encarar todo mundo e fingir que você está bem. Que aquilo não te magoou. Que você não é tão sensível quanto parece.

    Mas eu sou.

    A verdade é que eu sinto tudo demais, quando deveria sentir de menos. Levo as coisas até o final, nunca paro até que acabe de vez, até que eu tenha certeza que isso não vai mais me levar a lugar nenhum. Me prendo ao que não vale a pena, finjo para mim mesma que essas coisas podem funcionar. Por mais que o resto do mundo esteja enxergando que está longe de dar certo. Eu me engano profundamente, e isso é amargo demais.

    Eu preciso ter os pés no chão.

    Eu necessito encarar as coisas como elas são de verdade. Nem tudo tem uma beleza escondida, nem tudo vai ser como eu quero ou as pessoas vão ser do jeito que eu imaginei. E eu sempre imagino uma versão mais bonita, mais inalcançável, do que elas realmente são; e isso é praticamente pedir para se machucar. Apostar tantas coisas em algo que não existe, é quase como pular no mar mesmo sabendo que você não sabe nadar. É ter a certeza de que você está repetindo aquele comportamento, só para ter certeza se dessa vez vai funcionar.

    É um ciclo vicioso.

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