Como lidar com pontos finais?
06/06/2015 | Categoria: Textos

Como a gente sabe que alguma coisa acabou? Digo, que ela realmente chegou ao fim? Pode parecer óbvio, mas nem sempre é tão simples perceber que temos que fechar um ciclo. E da maneira mais clichê possível, “rasgar um livro” e começar outro. Escrever novas páginas. Deixar para trás. Mas eu não vou escrever sobre a parte mais óbvia, que é aquele momento em que você é obrigado a superar algo que perdeu. Ás vezes, perdemos algo e naquela situação, parece bem ruim. Achamos que não podemos mais viver sem aquilo. Mas, em muitos casos, é uma enganação que fazemos com nós mesmos. E aprendemos que é possível sobreviver à maioria dos fins, por mais que o mundo inteiro te diga que não.

E dali a alguns meses, ou até mais tempo (varia de pessoa para pessoa) notamos que foi possível. Você superou um fim. Não tem solução mágica, e nem conselhos milagrosos que vão te fazer fechar uma etapa da vida. E já adianto: não é simples. Mas você provavelmente sabe disso, já que todos nós enfrentamos uma situação assim ao longo da vida.

A questão que fica na minha cabeça é: quando a gente se toca que não adianta mais ficar insistindo? Que percebemos que a gente vale mais do que tudo isso? Orgulho demais não ajuda em nada, pois pode te fazer perder pessoas importantes, mas em algumas situações é necessário. É o que dizem: você precisa amar a si mesmo antes. E eu percebi, com algumas experiências, que podemos tentar resolver as coisas, consertar as situações – milhares de vezes – mas às vezes não adianta. Ou, não vale mais a pena. Simplesmente. E que se você vai passando por cima dos seus próprios valores e se magoando constantemente por quê está tentando salvar alguma relação… Pode ser um indício forte de que chegou a hora de colocar um ponto final.

É difícil saber exatamente quando é hora de parar. E de começar a se preparar para superar algo. Seria quando nada mais dá certo? A gente sabe que relações não são simples, então, alguns problemas e brigas no caminho são normais. Ou seria naquele momento em que olhamos para a pessoa e não a reconhecemos mais? Não sabemos quem está ali? Não conseguimos nos identificar mais, e as semelhanças, as coisas em comum, desapareceram completamente. E de repente, o motivo para se estar ali, desaparece. Parece que nada mais é como antes.

Nos falam desde pequenos que as pessoas mudam: isso é um fato. E se não mudássemos, nunca iríamos evoluir. Mas é triste e amarga a sensação de olhar para uma pessoa e não vê-la mais como antes. E tentar (tentar mesmo) enxergar pontos positivos, mas não encontrá-los.

Eu confesso que nunca lidei bem com finais. Principalmente por quê quando crio vínculos com as pessoas, eu imagino que eles vão durar por muito, muito tempo. Mas eu descobri – assim como muitas outras coisas que aprendi nos últimos tempos – que realmente não vale a pena a partir do momento que você se cansa, machuca os seus próprios sentimentos diversas vezes e não se sente mais respeitado. Quando o respeito acaba… daí, é porque você precisa partir para outra. Outra história e outro ciclo.


24/05/2015 | Categoria: Comportamento, Textos

Odeio quando não consigo escrever. Quando não consigo me expressar, colocar no papel (ou na pasta do computador) os sentimentos. A raiva, a insegurança, a vontade de sair correndo que de vez em sempre, aparece no meu dia. Ou aquela sensação estranha de que algumas coisas que no passado significavam muito para você, agora simplesmente não tem a menor importância. Parecem algo que saiu do lugar, que não se encaixa mais ali. E de repente, você cresceu sem perceber. E não consegue mais levar nas costas algumas coisas que antes eram tão fácil de serem suportadas.

É difícil se sentir sozinho. As pessoas mudam, você também. Ainda bem, né? Porque eu não acho que conseguiria continuar sempre seguindo em frente se não acontecessem mudanças dentro de mim; mesmo que elas demorem, às vezes, alguns meses. Ou em outros momentos, apenas semanas.

Não há sentimento pior que a frustração, eu arrisco dizer. Ou quando você cria teorias pessimistas na sua cabeça só para vê-las se provarem pouco tempo depois. É como se uma voz falasse que as coisas são assim e ponto. E elas não vão mudar. O jeito seria se conformar.

Se sentir preso pode ser aterrorizante. Na sua própria cidade, no seu bairro. O local mais confortável seria o seu quarto; mas eu sei, melhor do que ninguém, que nada acontece na zona de conforto. Que as coisas permanecem exatamente do jeito que estão quando não nos arriscamos, quando não arranjamos coragem e enfrentamos o mundo.

Nada parece certo. Ao contrário: tudo parece meio sem rumo. Esperar os dias passarem é sempre muito entediante. Aguardar pelo final de semana, ou pela noite, quando você pode dormir e se desligar de tudo por algumas (poucas) horas.

É engraçado, porque até alguns meses atrás eu tinha muita certeza das coisas que queria, e fazia mil esforços para alcançá-las. Até a gente conseguir o que quer e perceber que aquilo que tanto desejávamos não passava de uma ilusão da nossa cabeça, de uma fantasia criada por nós mesmos. A realidade é sempre mais dura. E eu sempre tive essa mania de romantizar tudo, criar uma versão mais especial das pessoas. Até conhecê-las de verdade e perceber como podemos ser ingênuos e bobos de vez em quando.

E a realidade me chamou de verdade dessa vez. Me deu um pontapé para me mostrar que grande parte das coisas não são nada como a gente imagina. Continuo distraída, mas não escapo mais de tudo tão rapidamente como antes.

É desconfortável perceber que cada vez mais, você não acha nenhum lugar do qual realmente pertença. Mas eu me prendo ao futuro. Ao fato de que talvez um dia eu possa buscar as coisas que eu desejo, ter chances de viajar, conhecer muitas pessoas, viver experiências.

Enfrento tudo de boca calada. Sempre fui assim. E é por isso que eu prefiro escrever, ao invés de falar. Mas guardo tanta coisa dentro de mim que uma hora, elas vão explodir. Não tenho mais paciência para falta de honestidade e companheirismo. Acho que minha tolerância com sacanagem acabou, sabe? E eu sempre fui uma pessoa paciente. Compreensiva até dizer chega. Até entender que, se você releva tudo, as pessoas irão continuar te decepcionando.

Confesso que eu não tenho ideia de onde os meus caminhos vão me levar. Só quero me sentir um pouco menos perdida.


Compaixão
07/05/2015 | Categoria: Comportamento, Textos

large

Eu sou uma pessoa muito observadora. Tenho esse costume de prestar a atenção no comportamento dos outros, nas manias, e sempre vejo os detalhes em praticamente tudo. Às vezes, não sei se isso é bom ou ruim (é mais uma característica que me faz ser muito avoada no dia-dia, e acabo me esquecendo do mundo real de vez em quando).

Mas ultimamente, o que eu mais tenho notado – e acho que outras pessoas também, provavelmente – é como o ser humano está ficando cada vez mais egoísta. Eu sei, na sociedade em que vivemos somos ensinados a ser sempre individualistas, afinal, vivemos no capitalismo. Pensamos no futuro, em executar nossa rotina todos os dias e depois voltar para casa, dormir, e na manhã seguinte começar tudo de novo. Todos nós temos problemas, e tem dias que eles não são poucos, então não é a coisa mais simples do mundo deixar um pouco isso de lado e prestar mais atenção nos outros.

Porém, existem momentos em que isso é necessário. Todo mundo conhece algumas pessoas que tem certeza que o mundo gira em torno delas; em algum momento da vida, todos nós já fomos assim. Quando eu tinha uns treze, eu tinha certeza que o mundo estava conspirando contra mim. E não, isso não acontece só quando você tem essa idade; pode ser aos 10, 20 aos 30 anos.

Mas uma hora o ser humano cresce. E eu não sei se isso já aconteceu com você, mas se ainda não, provavelmente ainda vai, pelo menos alguma vez. Você vai ter que enfrentar experiências difíceis, vai ter dúvidas consigo mesmo e vai precisar de verdade amadurecer, nem que o mundo ao seu redor acabe te obrigando. E vai ser nesse momento que você vai notar que todas as outras milhares de pessoas que estão ai também tem inseguranças enormes. Tem medos, defeitos e que ninguém sabe com certeza absoluta o que fará nos próximos cinco anos.

E que não é tão complicado assim tentar compreender o outro. Tentar ajudar às pessoas, sem julgar tudo e todos instantaneamente. É meio triste notar isso, mas todo mundo tem a sua opinião pronta para jogar na cara dos outros. Sem pensar, nem por dois segundos, se eles vão se machucar ou não com isso.

Olha ai, te trago uma novidade: não é só você que tem sentimentos. Não é só você que se magoa e não quer sair da cama em alguns dias. O seu melhor amigo, os seus pais, e aquela pessoa que você não conhece muito bem, também passam por isso.

Às vezes é bom fazer esse exercício de tentar se colocar no lugar dos outros. Uma coisa que quase ninguém faz hoje em dia. Nunca tentamos ver o outro lado da história, só o nosso. Só levamos nossa vontade em conta; ignoramos a dos outros. Pode ser uma fase que o ser humano passa ao longo da vida, mas não dá pra achar que o sofrimento do outro nunca é válido.

Não dá pra saber o que uma pessoa sente de verdade, se você não for ela. Tentamos entender, mas é complicado. Quando nos decepcionamos e parece que tudo sai do lugar, temos a sensação de que não tem ninguém no mundo que compreenda isso. E talvez não tenha mesmo alguém que tenha sentido algo semelhante, mas com certeza, outra pessoa também já passou por isso.

O que eu estou tentando dizer é que eu sinto que nós precisamos tentar entender melhor as pessoas. Tentar ser mais compreensivo, sabe? Todo mundo sente falta de uma pessoa assim em alguns momentos; alguém que realmente tente te entender, e não só questione, coloque mais dúvidas na sua cabeça, ache que você só está sempre dramatizando tudo.

E por mais que a gente espere que não, ainda vamos encontrar por ai muitas pessoas que são extremamente frias. E quando eu digo frio, não quero dizer aquela pessoa que não se apaixona, que não se apega aos outros, que não demonstra tanto empolgação. Eu quero dizer o tipo de pessoa que simplesmente não liga para os sentimentos dos outros. Que é totalmente alheio à isso. Ela não se importa se vai te machucar ou não, se os outros tem problemas e precisam de ajuda, de uma mão. Elas apenas ignoram.

E não dá para fugir disso; mas cabe a nós tentar fazer alguma coisa diferente. Tentar ajudar, pensar por alguns minutos em como seria ruim se você estivesse naquela situação, ou precisasse de ajuda e ninguém te desse uma mão.

Compaixão. É isso que as pessoas precisam ter mais.


Sentimentos solitários
03/05/2015 | Categoria: Comportamento, Textos

large (1)

Eu cansei de me sentir sozinha. Não de estar sozinha. São coisas muito diferentes, dependendo do seu ponto de vista. Eu sei gostar da minha própria companhia; aliás, sou boa nisso, e sei que muitas pessoas não conseguem ficar um tempo sem outros ao seu lado. Eu até prefiro, às vezes, fazer meus compromissos e minhas coisas favoritas sem ninguém por perto. Depois que conquistei a minha independência – que pode ser pequena, por enquanto, mas já é algo grande para quem, até um ano atrás, não conseguia enfrentar nada sem apoio – percebi que podemos fazer milhares de coisas sem precisar que os outros estejam te acompanhando.

É óbvio que é bom ter alguém ali para você segurar a mão quando for precisar, mas não é sempre que isso acontece. Quando você cresce, isso se torna algo raro. E é legal saber que você tem coragem e liberdade para tomar decisões e enfrentar o que antes achava ser impossível, de maneira totalmente só.

Não que isso não exija uma dose enorme de confiança que pode durar só alguns segundos, mas que em alguma situações é o suficiente para que você faça o que realmente quer. E isso também não significa que a nossa mente não crie mil versões assustadoras do que pode acontecer; um problema que os ansiosos sempre são obrigados a enfrentar.

A solidão (segundo o próprio dicionário online, “estado de quem está só, retirado do mundo; isolamento: os encantos da solidão) vai te cansando aos poucos. Ou vai deixando as coisas mais cinzas. Sem graça. É que, com o tempo, você sente falta de companheirismo. De poder sentir que realmente pode contar mais com as pessoas, confessar medos, falar sobre o mundo, falar sobre tudo, suas vontades. Não, não estou dizendo que eu quero ficar falando sobre mim mesma por 30 minutos seguidos para alguém. É só que de vez em quando, faz falta não poder compartilhar algumas coisas.

A gente vai se refugindo aos poucos. Sem perceber muito. E de repente, o seu quarto parece o lugar mais confortável do mundo no Sábado a noite. E acredite, não dá nenhuma vontade de sair de lá. É meio agoniante esse sentimento de se sentir fora do contexto. Você tenta ir se encaixando em alguns lugares pelo caminho, mas não consegue.

Acredito que eu não sou a única que tem aquela sensação de que quer enfrentar o mundo mas ao mesmo tempo, quando está fora de casa, quer voltar desesperadamente para lá.

Ou talvez seja só a acomodação, a zona-de-conforto. Eu não sou muito fã de lugares do qual eu já conheço e sei tudo; que eu sei que quase nada vai me surpreender mais. E é exatamente onde eu estou agora.

Tem dias que você quer ir ao cinema acompanhado, quer falar sobre suas bandas favoritas, quer poder saber que é só surgir com alguma proposta aleatória em um final de semana para alguém que essa pessoa vai topar na hora, quer respostas imediatas no celular quando você só quer conversar sobre o nada.

É muito possível, sim, fazer algumas coisas por ai sem precisar dos outros. Mas, vou confessar que nas últimas semanas pareceu mais difícil. Pareceu mais solitário enfrentar as coisas sozinha. E lidar com tudo, guardar coisas amargas para si mesmo. E não poder contá-las a ninguém, a não ser para você mesmo.


Não espero mais
11/04/2015 | Categoria: Textos

Às vezes a gente se levanta de manhã sem saber muito bem o que esperar do dia. Ou melhor: resolve não esperar mais nada. E eu deveria ter descoberto há muito tempo atrás que não esperar e nem procurar qualquer coisa podem ser as curas para não se magoar mais. É claro que você não vai ter muitas surpresas e  nem momentos de empolgação. E é difícil, mas um dia se aprende a controlar todas as suas expectativas. E pode ser meio triste, mas é melhor quando você não cria nenhuma versão melhor das pessoas na sua cabeça e enxerga elas exatamente como são, daquele jeito honesto. Sem fantasias. Sem romantizar nada.

E eu, que sempre criei mil coisas na minha cabeça, parei de romantizar tudo. Os outros, as experiências, as amizades. E qualquer coisa que nos faça se prender ao futuro e esperar pelo próximo final de semana, achando que alguma coisa muito incrível vai acontecer. Chato encarar, mas quase nunca acontece.  Ninguém nos dá nenhuma medalha por ser genuíno o tempo todo com os outros. Algumas pessoas são porque faz parte da essência delas; e não espere por nada em troca. Seja quem você é, apenas pelo prazer de nunca perder os seus verdadeiros valores.

Uma vez ou outra eu quase enfraqueço. Volto atrás e penso que a gente tá aqui pra se ferrar mesmo e dar segundas chances. Quase. Dai eu me lembro como a tranquilidade e a calma por fora, mesmo que por dentro tudo esteja um furacão, é melhor do que ter que encarar todos os dias coisas que te dão raiva e te dão vontade de sair correndo, fugir. Não encarar os problemas; é tão mais fácil fingir que não é com a gente.

Parece que tudo perdeu a graça. Que todas as coisas se tornaram cinzas. E os dias vão passando devagar… e às vezes, rápidos demais. Sem nada de diferente. Algumas coisas que acontecem são quase um lembrete que se fechar pode ser ruim, mas me poupa de muita coisa. Acho que já tolerei demais coisas que não valiam a pena. Pessoas que só brincam com a nossa cara. Já tentei demais que gostassem de mim, tentei também me encaixar em um lugar qualquer, e percebi que não dá. Que não é todo mundo que consegue.

Então prefiro ficar sozinha mesmo. Não me preocupo muito com isso, porque já aprendi a gostar da minha companhia faz muito tempo e acho melhor assim, do que ficar rodeada de pessoas que não te ouvem, pisam no seu calo, sabem quais são as coisas que te magoam e insistem em pisar ali umas duas, três, quatro vezes, pra ver se você vai finalmente explodir. E cuidado, viu? Porque você pode achar que se livrou, mas eles voltam… Querem aparecer mais uma vez, só pra tirar um sarro de você. Chega. Não tem mais espaço, nem força, nem vontade aqui pra tentar estar em qualquer lugar onde eu não sou bem-vinda.

Não quero mudar a opinião de ninguém. Não tento agradar os outros mais. Acabou; já deu. Uma hora ou outra as forças se esgotam. E a gente prefere ligar aquele botão vermelho e simplesmente parar, parar de ligar porque não vale a pena nem por dois segundos gastar o nosso tempo, que já é ocupado por mais um milhão de outras coisas, com o que não vai levar a nada. E no fundo nós quase sempre sabemos quando algo não vale a pena. Só insistimos naquilo pra ver se nossa intuição pode errar. Mas ela raramente erra.

Pode parecer pessimismo, mas é só ser mais realista mesmo. Estou dando um tempo pra mim, e só pra mim. Sem outras coisas incluídas no pacote. No momento, não tem espaço pra mais nada. E eu também não estou procurando.


Relacionamentos
28/03/2015 | Categoria: Comportamento, Textos

Eu nunca estive em muitos relacionamentos. Só de amizades. Amorosos? Acho que se me perguntarem, eu nem sei explicar direito o que é isso; afinal, não dá pra gente fingir que sabe tudo sobre algo que mal conhece. Mas o que eu entendi, nesses poucos quase dezessete anos de vida, é como o ser humano é extremamente confuso em 90% do tempo. Possessivo, inseguro, e quer ser dono – além de si mesmo, é claro – um pouco dos outros também. Eu sempre fui controladora, mesmo que nos últimos anos essa característica em mim tenha diminuído de modo significativo. Então, por isso, posso compreender um pouco o fato das pessoas verem nas relações uma ótima forma de poder sentir aquela falsa sensação de que estão conseguindo controlar tudo ao seu redor. Seja o namorado, os amigos, algum parente. Mesmo que seja uma mentira deslavada (que nós alimentamos), porque ninguém pertence ao outro. Só a si mesmo.

Não nascemos com o objetivo de “pertencer à alguém” e eu também sinceramente não acredito na ideia de que alguma pessoa está aí vivendo o seu dia, apenas esperando pelo dia que ela será “sua” e todo esse papo que parece que acabou de sair das páginas de um livro do Nicholas Sparks. Já tentei, muitas vezes, compreender porque apostamos tanto no ciúmes. Ou porque algumas pessoas possuem um sentimento tão grande de posse. Pode ser difícil entender, caso você tenha sempre acreditado nessa ideia de que precisamos de outra pessoa para sermos completos (não!!!), mas eventualmente temos que aprender a lidar com o fato que não dá pra decidir o que os outros vão sentir, falar, e muito menos se um dia elas vão nos corresponder.

Demorou um tempão, mas eu me orgulho de dizer que eu consegui aceitar isso. E ah, que alivio que dá, hein? Deixei pra trás um monte de incomodações. Parece que há uma grande preocupação em entrar em relacionamentos. Em encontrar uma pessoa, em ter uma companhia; e podem dizer que não, mas existe sim. As pessoas cobram, mesmo sem perceber, isso dos outros.

Na minha opinião, antes de embarcar em qualquer relação, é melhor entender a si mesmo. E não estou falando só de namoro. Amizades também. Há milhares de relacionamentos tóxicos por ai. Muitos de nós já podemos ter enfrentado um. Mas insistimos, não saímos do lugar. Ficamos com medo de perder as pessoas. Mas quer saber a real? Quando você finalmente consegue deixar para trás as coisas que te fazem mal, você percebe o quanto é melhor, sim, estar sozinho do que lidar com coisas que te decepcionam e te fazem perder qualquer vontade de sair da cama de manhã.

Eu confesso, tenho um pouco de preguiça de lidar com algumas coisas. Por isso, continuo as evitando. E não sinto muita falta, não. Afinal, tô aqui, viva e bem, viu gente? Não temos que perder tempo com o que no final, não nos ensina muita coisa e só faz a gente carregar aquele peso nas costas. E se você tem alguma dúvida sobre se deve ou não continuar onde está, eu te encorajo à seguir em frente. Às vezes, é preciso deixar para trás o que te entristece, e finalmente apostar em novos caminhos. Não tenha, nunca, medo de se sentir solitário. Eu juro que não incomoda!


Como lidar com quem não deve fazer diferença
05/03/2015 | Categoria: Comportamento, Textos


Uma das coisas que eu ando refletindo nos últimos tempos é como a gente vai amadurecendo e também, ao mesmo tempo, aprendendo a lidar mais com as pessoas. E com as diferenças enormes que às vezes existem entre um ser humano e outro. A realidade é meio dura e o fato é: você não vai poder conviver só com aquele seu grupo de amigos, do qual você já conhece muito bem. Durante a vida, vai encontrar milhares de pessoas com personalidades que não tem nada a ver com a sua. E isso pode ser ótimo, porque acrescenta muito conviver com alguém que te ensina valores que você não conhecia, ou um outro jeito de ver a vida, de pensar. Isso só nos torna mais experientes.

Mas é óbvio que não é só com gente legal que você vai esbarrar por ai. Não mesmo. A vida também coloca algumas pessoas que te fazem questionar algumas coisas. Uma delas, é porque o ser humano de vez em quando consegue ser extremamente cruel e não levar em consideração nem por dois segundos os sentimentos alheios. É triste, mas muita gente ainda não acredita naquela filosofia de que é bom sempre tentar achar pontos positivos nos outros. E elas simplesmente não ligam se a outra pessoa vai ficar magoado ou não. Porque palavras, acreditem, marcam mais do que qualquer coisa.

O melhor exemplo de local onde você tem que aprender a conviver na marra com todo os tipos de pessoa? A escola. Claro que é um dos lugares onde a maioria das pessoas faz amizades que marcam a sua vida por muito tempo (é onde eu encontrei os meus melhores amigos) mas eu reparei que a escola é quase uma preparação para a vida real, pós terceiro ano, quando você é obrigado à crescer, querendo ou não. Eu fiz uma comparação de como eu lidava com pessoas do qual não me identificava nem um pouco (tenho tolerância zero pra quem faz a) piadinhas com os outros b) acha que é engraçado zoar as pessoas c) divide/coloca esterótipos nos outros baseado na aparência delas) há alguns anos atrás. E me lembro que eu ficava irritada. E queria brigar, ou deixava aquilo definir a minha vida. Hoje percebo que a opinião dos outros sobre você não é quem você é.

Eu costumava pensar que mal podia esperar por uma nova etapa da vida onde beleza, roupa e balada não importassem tanto. Mas eu sei, estava sendo ingênua. Reparei algum tempo demais que a vida adulta também é assim. E que sempre vão existir rótulos, e pessoas que quase te fazem perder a fé na humanidade em alguns momentos. Mas que a gente tem que enfrentar isso. E de algum jeito, continuar sempre vivendo. Não dá pra parar pelos outros.

Aos poucos vamos aprendendo formas distintas de não deixar isso te afetar. É difícil, eu sei. Eu sou daquelas pessoas que leva quase tudo à sério, mas percebi que quando você conhece a si mesmo, e sabe quem é, não há dúvidas: não se deixa incomodar pelo que os outros dizem. E sim, sempre vão existir mil pessoas idiotas por ai. Estamos cansados de saber disso. A solução? Não deixá-las entrar nem por um momento na sua vida (ou na sua cabeça!).


O tempo nos deixa amargos?
01/03/2015 | Categoria: Comportamento, Textos


Algumas pessoas dizem que o tempo pode curar muita coisa. Eu não acho que ele seja milagroso. As suas decepções não vão sumir em questão de meses. Na verdade, eu sinceramente acho que o que mais contribui pra que a gente supere alguma coisa é a nossa força de vontade, no final das contas. Também é nossa decisão se quisermos guardar mágoas. Eu confesso que sou daquelas pessoas que não apaga quase nada da memória. Então, sim, eu provavelmente lembro o que você fez há uns quatro/três anos atrás (eu sei, isso não é a coisa mais saudável do mundo. Não recomendo).

Eu andei pensando se o tempo realmente pode deixar as pessoas um pouco mais amargas. Pode te fazer mudar radicalmente algumas ideias que você possuía. Acabar, mesmo que aos poucos, com algumas das fantasias que você alimentava quando era mais novo, e tinha certeza que elas poderiam um dia serem reais. E por fim, também te fazer acreditar (muito) menos em tudo e nas pessoas ao seu redor.

Mas talvez não seja culpa dele. E sim de algumas decepções que você teve; que no fim, eu acho que são muito úteis. Eu sei que é ruim, mas não tenha medo de se decepcionar. De acreditar muito em alguma coisa para depois perceber que ou você era ingênuo demais, ou esqueceu de colocar os seus pés no chão. É bom levar alguns tapas na cara de vez em quando pra voltar à realidade. Depois que isso acontece com muita frequência, começamos a ser mais realistas. Não estou dizendo pessimista. Isso é outra história. É aprender a enxergar as coisas como elas são bem mais rapidamente.

Eu ando numa fase meio desacreditada com tudo ao meu redor (já comentei isso há um tempo aqui) e acho que é consequência de algumas coisas que sempre fizeram parte da minha personalidade. Eu acreditava em tudo de primeira. Se tinha uma situação que eu sabia que não podia acabar muito bem, eu não ligava; ia lá e apostava tudo, mesmo assim. Mesmo que a minha intuição me alertasse. Mas a gente nunca sabe né? Algumas coisas valem o risco no final. Outras não. Mas eu ainda acredito naquela filosofia que se jogar no desconhecido às vezes pode trazer um bom resultado.

Vamos aprendendo, aos poucos, que em muitos momentos a sua companhia ideal vai ser você mesmo. E ponto. E que ninguém é obrigado a te entender. E que é bom ser cuidadoso. Eu sei, todo mundo diz que a gente tem que fazer o que der na telha, que temos que apostar em coisas malucas de vez em quando, que se a gente tentar nunca vai saber… Eu sei de tudo isso. E concordo com alguns pontos. Mas a realidade é que é bom ter um pouco de segurança sim.

É impressionante como os nossos valores podem mudar bastante em alguns meses. Nossa visão sobre as coisas, sobre o mundo. Olhamos pra trás e pensamos, às vezes: “como eu era bobo.” E eu tenho certeza que daqui a algum tempo podemos nos ver agora e pensar algo semelhante. Mas as experiências são fundamentais pra tudo isso. Todas aquelas situações que te machucaram servem pra algo depois. E te tornam mais resistente também.

Pela primeira vez, posso afirmar que eu ando aprendendo a levar tudo menos a sério. Principalmente as pessoas. Algumas coisas que os outros dizem, literalmente, entram por um ouvido e saem pelo outro. Tem coisas que a gente ouve e simplesmente não vão afetar a nossa vida.

Acho que devemos saber nos virar sozinhos, sempre. E isso é algo que eu ando fazendo ainda mais nos últimos tempos. Seja independente. Não deposite nas mãos de ninguém a responsabilidade de qualquer coisa na sua vida. Quer ser feliz? Faça isso por si mesmo. Busque coisas que te tragam felicidade. Quer gostar mais de si mesmo? Então não espere que isso aconteça só quando você estiver em um relacionamento. Tente diminuir as expectativas que você tem pelos outros.

Lembrando que isso é só um ponto de vista. Se você quer se jogar em todas as coisas sem medo mesmo, viver os seus sentimentos ao máximo e não tem receio (de verdade!) de qualquer decepção ou realidade dura que possa vir (porque a vida nos prega peças) eu apoio. Porque eu já fiz isso muitas vezes. Talvez esse momento que eu esteja vivendo seja apenas uma fase. E ela acabe daqui a um ou dois meses. Não posso prever o futuro.

Há alguns dias alguém me falou que eu estava diferente. Que eu era uma pessoa bem menos empolgada hoje em dia. E sabe quando a gente não encontra nenhuma explicação? Não sabe muito bem o que anda acontecendo (aliás, ultimamente, eu quase nunca sei o que anda acontecendo). Percebi que eu não preciso ter sempre uma resposta na ponta da língua. Que não preciso saber tudo agora, nesse momento. Nem sempre dá pra entender essa confusão que acontece dentro de todos nós.


Sobre ser jovem (e suas possibilidades)
04/02/2015 | Categoria: Comportamento, Textos


Quando somos jovens, sentimos que o mundo é cheio de possibilidades. Que a nossa vida pode tomar rumos inesperados, surpreendentes. E sonhamos bastante também. Sonhamos coisas que podem ser mais possíveis, outras, que são quase dignas de filme. Ou quem tem a mente fértil e vive pensando em mil coisas ao mesmo tempo (como eu) tem uns sonhos meio bizarros. No fundo não sei se nenhum deles vai se realizar, mas gosto de pensar que talvez, sim. Quem sabe, né? Mas acho que nada cai do céu. Já aprendi isso faz um tempo.

Nos últimos meses venho me questionando sobre os rumos da vida. Percebi que não adianta planejar todos os detalhes, porque na nossa cabeça, as coisas são sempre muito diferentes. Na vida real, no dia-dia, nem tudo é como esperamos. Você pode pensar em como quer que as coisas sejam – ou como elas irão ser – mas na hora H, a situação pode sair totalmente diferente do que você imaginou (isso acontece muito comigo). Eu sei, temos que manter as expectativas baixas. Mas eu uso esse mantra há anos e não sei colocar ele muito bem em prática.

Eu sei que pode parecer papo antigo, mas a gente nunca sabe o dia do amanhã. E isso me assusta. Mas é claro que não dá pra viver na base do “finja que esse é o seu último dia na terra” (porque se fosse, eu não estaria aqui em casa agora) mas o futuro me assusta bastante. Ao mesmo tempo que eu sei que ainda tenho muita coisa pela frente, também sei que o tempo passa rápido demais. Sem a gente nem perceber direito, ou levá-lo muito à sério. Parece que somos obrigados a tomar mil decisões ao mesmo tempo. Eu sempre achei que fosse demorar um tempão para sair da escola, e este já vai ser meu último ano. Eu via a faculdade como algo muito distante, mas agora já terei que fazer o vestibular e pensar numa profissão.

Profissão (?) eu mal vou fazer 17 anos. E tenho que decidir várias coisas. Na verdade, na maioria do tempo, pra ser sincera, eu quase nunca sei muito bem o que eu estou fazendo. Eu mudo de opinião sobre o mundo, sobre as pessoas, constantemente. Mas ando preferindo, nos últimos tempos, a minha própria companhia. Mas é incrível como alguns meses podem alterar várias coisas (e em alguns outros casos, quase nada). Há uns 3 meses atrás eu tinha tantas opiniões formadas sobre algumas situações e elas se desconstruíram totalmente, enquanto outras diferentes tomaram seu lugar.

Eu normalmente não me sinto confusa. Aliás, eu sempre fui muito decidida. Sabia o que eu queria ao pé da letra; nunca tive muitas dúvidas. Quando eu colocava alguma coisa na cabeça, ia até o final. Mas ultimamente parece que as coisas mudaram. Eu já mudei de ideia de curso umas 4 vezes. Eu sei que é normal. Mas é que é estranho, de repente, parecer que todas aquelas suas ideias vão pro espaço e você tem que levar  um choque de realidade, sabe?

Uma coisa eu não consigo mudar de opinião: gostaria que o meu futuro não fosse monótono. Tudo bem, eu ainda sou adolescente. Mas eu não me vejo, sei lá, casando, tendo um cachorro e indo ao shopping nos finais de semana. Queria uma vida mais surpreendente, com desafios. Ah, eu me formo no inglês este ano também (minha língua favorita no mundo!) e espero que isso dê vários resultados.

Não tenho certeza de muita coisa ainda. Mas no fundo, as coisas são assim: reviravoltas, um monte de incertezas. Algumas perguntas, poucas respostas. Eu não sei. Tenho 11 meses pela frente ainda. Muitas coisas me aguardam.


Precisamos de nós mesmos
12/01/2015 | Categoria: Comportamento, Textos

Vivemos a vida achando que precisamos de alguém. De uma outra pessoa para nos completar, pra nos fazer companhia, pra não ter que andar sozinho por ai. Pra tapar algum vazio ou buraco que está exposto e não consegue mais ser escondido. Mas a verdade é que não dá pra deixar nas mãos de outra pessoa a sua felicidade ou depositar nela as esperanças que as suas inseguranças sejam superadas de uma hora pra outra. Dizem que fica mais fácil gostar de si mesmo quando outra pessoa também gosta, mas eu não sei, não. Acho que essa história é meio farjuta; no final, a gente sempre vai ficar se questionando se vai conseguir suprir as expectativas de alguém. E não tem nada pior no mundo que achar que as outras pessoas são sempre melhores do que nós.

Se você não entender quais são as suas qualidades e defeitos, e começar a aceitá-los (porque nós sempre esperamos que os outros façam isso, mas você mesmo aceita os seus problemas, os seus medos?) não adianta. Uma pessoa incrível pode se materializar na sua frente que nada vai mudar. Mas não se supera tudo da noite para o dia. Não se deixa as coisas de lado como se fossem nada.

Cada um sabe dos seus problemas. Das coisas que tem que enfrentar todos os dias, e mesmo que alguém pareça ter uma vida perfeita, ela não tem. Eu descobri ano passado que as pessoas conseguem esconder muito bem o que elas passam; hoje em dia, todo mundo está correndo o mais rápido possível todos os dias e acaba nem reparando direito nos outros (de verdade). Não digo reparar em redes sociais e na última foto que alguém postou; mas sim no que jeito que os amigos, os familiares, realmente agem. Não espere muita compreensão das pessoas, porque quase ninguém faz muita força pra compreender o próximo, então você mesmo tem que tentar fazer isso por si.

A gente tem que sempre continuar andando, sem parar no meio do caminho. Sem se arrepender demais ou ter um medo absurdo de deixar as coisas pra trás. O futuro sempre nos aguarda coisas novas. Podem ser boas ou ruins, mas não dá pra desistir. Eu sei que tem momentos que a vontade de jogar tudo pro alto é grande (eu vivo tendo esse sentimento, admito) mas é preciso ter segurança. Ou tentar. E saber que não dá pra viver esperando que alguém satisfaça todas as suas vontades, os seus sonhos.

As pessoas podem nos decepcionar, nos surpreender, estarem do nosso lado em um momento e no outro não. Mas com o tempo, e com experiência, vamos aprendendo a lidar com as inconstâncias da vida, que não são poucas. E que assim como os outros erram com a gente, nós também vamos errar com eles. Eu percebi que existem momentos em que temos que agradar a nós mesmos. E não os outros. Que é preciso saber enfrentar algumas coisas sozinho. Porque, acredite, você vai ter que passar por muitas coisas na vida em que não haverá outra pessoa ali do seu lado pra te dar a mão.