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    “Booksmart” é um retrato engraçado e realista sobre crescer

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  • Março 16, 2019
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    Batom vermelho.

    Restos, pensamentos, emoções, flor da pele.

    Choro, lágrima, sento, espero. Você não vem, será que você vem?

    Eu não devia esperar, devia trocar de caminho, de rua, de prédio, não querer te encontrar,

    eu odeio querer te encontrar,

    sei que você não pensa o mesmo. Eu deveria quebrar esses pensamentos, jogá-los no lixo,

    “ainda dá tempo”, afirmo para mim mesma. Ainda tem tempo. Dá para se esconder, fingir que não aconteceu

    fingir que não foi verdade, eu ergo a cabeça e sigo pelos próximos meses, é melhor assim

    vou estar segura, vou estar protegida, não vai doer, não vai despedaçar nada.

    Eu sei disso, meus amigos sabem disso,

    minha intuição sabe disso

    existe alguém que ainda não percebeu?

    Talvez eu esteja enganando a mim e a todos no processo,

    não seria a primeira vez.

    Não marco o seu cheiro. Não quero lembrar dele,

    faço o mesmo com o seu sorriso, com os seus gestos, finjo que não notei nenhum deles

    esquece-los talvez seja um processo longo e difícil no futuro.

    É melhor eu quebrar agora, cortar o mal pela raiz.

    É melhor eu não observar o jeito que você revira os olhos, ou a maneira que coloca as mãos nas minhas.

    O sentimento que você me causa quando vai embora, eu odeio

    e tenho que esperar por mais um dias, e um tempo que não passa nunca

    Não sei quando te vejo de novo, não sou sua prioridade, talvez semana que vem?

    Talvez quando não houver nada melhor no seu dia, quando você também lembrar do meu abraço

    dos minutos quietos com o seu cigarro,

    são os meus favoritos.

    Esses pequenos minutos são os que eu mais gosto,

    são os que eu mais anseio.

    As pequenas partes suas que eu posso ter são as minhas favoritas.

    Dezembro 26, 2018
    postado por
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    Dezembro carrega uma mochila que pesa quase o mesmo que o seu corpo inteiro. Com os olhos cansados, procura pela festa a única coisa que o interessa: Janeiro. Não que todo o resto do universo não fosse interessante o suficiente, mas era um fato conhecido de que Dezembro era obcecado por Janeiro e todas as suas versões.

    Por mais que Dezembro estivesse ali, dançando com o peso do mundo em suas costas, não conseguia chegar perto de Janeiro de forma alguma. Se tentasse apressar os pés para o centro da pista, algo o parava. Era fisicamente impossível se aproximar de Janeiro, que brilhava na frente de todos os outros convidados, abrindo as asas como se ainda estivesse tentando chegar ao auge da atenção.

    Mas ah, Janeiro, se tu soubesse que existem almas que vivem pela tua existência, tu não se forçaria a usar essa maquiagem e essa roupa. Tu é a festa, a ressaca e o recomeço…

    Dezembro faz de tudo para se livrar da mochila e correr para os teus braços, mas não consegue. Como Dezembro seria Dezembro sem o peso de todas as existências dentro de si? E tu, Janeiro, como dançaria tão livremente se não estivesse com a essência tão vazia, à espera de ser preenchida pelos seres que te amam?

    A música aperta o coração de Dezembro, que todo ano sente o cheiro dos cabelos recém lavados de Janeiro e sabe que jamais poderá tocá-los, porque as melhores coisas são as mais distantes.

    E ali, nos fundos da sala, Dezembro percebe que nunca será capaz de conhecer os filhos de Janeiro. Mesmo estando tão próximos, nunca estiveram tão longe – são anos-luz de distância física e emocional. O coração partido de Dezembro pode ser curado por qualquer outra existência, menos a de Janeiro. Bem no meio daquela festa anual, ele chega a uma conclusão: os dois são inteiros, mas de formas completamente diferentes.

    Dezembro é recheado de palavras, poemas, experiências e dores. Mais um pouco e explode, derrama, despeja.

    Janeiro é inteiro, recheado de vazios. Tudo pode acontecer, até mesmo o que aconteceu com Dezembro.

    As coisas em comum deixam Dezembro maluco – ao menos, ele pode cair um pouco na ilusão, não pode? Deixar-se acreditar que Janeiro um dia olharia para ele com aquela vontade maluca de cair em seus braços e viajar para a estrela mais distante que existir. Mas aí, Dezembro abre os olhos e enxerga a festa: ele, no canto da parede, tomando algo que o ajude a esquecer o peso em suas costas e as rugas de preocupações. Janeiro, no meio da pista, dançando lentamente com a sua roupa fazendo o movimento que faz os outros seres virarem o pescoço exclusivamente para assistir o espetáculo.

    Enquanto espera a contagem para o descanso de Dezembro começar, ele observa o cenário ao seu redor. As cicatrizes do seu corpo ecoam pelos céus, assim como a sua sabedoria em cavar até o lugar mais fundo do íntimo. Um dia, teria a leveza do seu grande amor, mas naquele momento, se contentava com a experiência de uma vida inteira.

    No final das contas, Janeiro sempre chegaria para colocar ecos em seus pensamentos mais confusos e, mesmo distante, dar-lhe um motivo para continuar recebendo a essência de todos os seres que habitam essas montanhas perigosas.

    Novembro 27, 2018
    postado por

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    Para todos os cidadãos do mundo,

    eu quero que vocês saibam que eu entendo.

    Eu entendo esse sentimento de acolhimento que vocês sentem quando o vento bagunça os cabelos e o primeiro pensamento é “eu estou, finalmente, em casa.”

    E eu entendo que por um milésimo de segundo, esse pensamento é real, mas assim como o tempo, nada dura. A sensação de ter encontrado o seu lugar no mundo é viciante a ponto de, diferente de outros tipos de dependência, você desejar que não seja infinita, porque a procura é quase tão instigante quanto o encontro.

    Eu sei que as células do nosso corpo se renovam milhares de vezes durante a vida e isso significa que a pele que um dia morou nos lugares que vocês pisaram já não existe mais. Mesmo que voltássemos para cada pedaço de cidade que já desbravamos, nada seria igual, porque nós já morremos e renascemos muitas vezes em todos esses anos.

    Mas podem ter certeza: o mundo nos ensina diariamente sobre a selvageria que é dançar no meio da tempestade. Não importa o tamanho do oceano e nem a maneira que ele intimida o resto do planeta – de qualquer forma, ele continua sozinho, perdido dentro da sua própria intensidade.

    Os seus sonhos são mais profundos do que o universo, e é por isso que nós nos perdemos nas curvas das cidades durante a noite, observando os bares cheios e os ônibus apressados correndo pelas avenidas. Se você algum dia já se perguntou onde diabos estava o mapa, saiba: você é o mapa e a sua missão é se encontrar.

    Nós somos aquelas pessoas que já atravessaram o céu inteiro e puderam enxergar de longe as veias que interligavam uma cidade a outra. Como almas livres que somos, sentimos o desejo de aproximar a visão e nadar com as estrelas que brilham nas entranhas das cidades.

    No ato de liberdade mais corajoso, vimos que, assim como todos os lugares do mundo, existem veias dentro de nós que pulsam tão intensamente quanto.

    Para todos os cidadãos do mundo,

    quero que vocês saibam: eu nunca vou descansar a minha alma. Para sempre serei o ser mais inquieto do planeta que possui mistérios que lugar nenhum será capaz de desvendar, mas que jamais vai perder o interesse pela tentativa.

    Cada centímetro de mim tem um pouco de vocês, porque nós somos os mesmos, apesar de não sermos.

    Para todos os cidadãos do mundo,

    quando vocês estiverem beijando os lábios de uma cidade e pensando em outra, que não esqueçam: o passado é o motivo da nossa nostalgia. No exato agora, somos as almas que se abrem para as veias que ainda não foram descobertas. Jamais seremos inteiros novamente, pois deixamos pedaço de nós em todos os cantos que já passamos. Esse é o preço que se paga por amar tão intensamente todos os lugares do mundo.

    Outubro 28, 2018
    postado por
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    No desenho eu sou a menina de franja.
    Eu dei um sumiço nas últimas semanas aqui no blog, e queria contar um pouco pra vocês (e também tirar da cabeça tudo isso que eu tô sentindo). Os últimos dias foram completamente intensos, ocupados. Eu confesso que esqueci do yoga, da academia (coisas importantes pra mim), esqueci de passar maquiagem, de ouvir música, de quase tudo. As últimas semanas foram cheias. Eu não parei por um segundo, e o motivo é que a luta não podia parar. Parece que essa jornada começou na manifestação do #EleNão e não foi finalizada em nenhum dia desde o final do primeiro turno.

    Nessa jornada do mês de Outubro na caminhada das eleições eu fiz amigos incríveis, algumas inimizades e conheci colegas que passavam por mim no corredor da faculdade todos os dias e eu nunca havia conversado. Descobri neles companheirismo, abraço, força e união. Eu entrei no curso de Administração Pública em Março e desde então a minha vida não foi a mesma. Foram aprendizados, momentos felizes, muitas lágrimas, traumas e muita experiência nova e importante. Não me sinto mais a mesma, não quero mais ser a mesma, e sinto que a Ana Beatriz do início do ano é agora quase uma desconhecida.

    Eu me interessei pelo Movimento Estudantil desde o primeiro dia em que pisei naquela faculdade, e era algo que já estava dentro de mim desde o ensino médio. Mas o espaço para me manifestar era pouco, e eu de certa maneira o encontrava aqui na internet. Muitas pessoas invalidam as atividades dos estudantes; acham que aqueles que se envolvem nas manifestações e nas lutas ideológicas ignoram as aulas ou “não tem o que fazer.” Não é bem assim; eu me dedico muito para manter boas notas e mesmo assim dar importância ao que eu prezo muito: a manutenção da democracia e o espaço de voz para as minorias. Eu estudo em um Centro Acadêmico conversador, elitista, machista e majoritariamente branco. O espaço de diálogo sempre foi pouco, fechado, quase proíbido. Mas sempre existe uma brecha e nós conseguimos alcançá-la e o mais importante disso foi saber que eu não estava sozinha.

    Desde o final do primeiro turno eu mergulhei de cabeça em assembleias, manifestações, panfletagem, união com os colegas, criação de manifesto, reunião, atos corajosos de bater de frente com aqueles que eu sei que discordam extremamente de tudo que a gente faz e que talvez nos tragam retaliações; mas tudo batendo no peito e falando no microfone. Mas é claro que existe o medo. O medo tá impregnado em mim e foi muito, mas muito dificil acordar alguns dias e resistir. Nós não sabemos como o futuro do Brasil vai ser. A conjuntura política atual nos dá incerteza e pânico.

    Mas eu carrego no ombro a sensação de que fiz o meu melhor. De que fui fiel e honesta aos meus ideais. Que não me calei, mesmo que às vezes a coragem desequilbre um pouco. E que a luta nunca termina, né? A luta pela democracia sempre vai estar aí, viva. Sem final. Eu não sei o que vai acontecer amanhã. Mas eu continuarei resistindo.

    #EleNão

    Setembro 20, 2018
    postado por
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    Para todas as montanhas que eu tentei escalar, mas não consegui

    Você dá a luz ao seu próprio universo e todos os dias o seu corpo nada nessas dimensões infinitas

    Você tem fogo nas suas curvas e a cidade que é o meu corpo queimou até as cinzas pintarem o céu

    Para todas as pontes que eu tentei construir, mas não consegui

    Eu vejo a sua essência no meio da noite

    Com as luzes dos prédios embaçados no meio da multidão

    Para todos os oceanos que eu tentei nadar, mas não consegui

    As suas águas são cheias de vazio e eu me afoguei nessa overdose de vagos

    O fundo do seu mar é visto a quilômetros de distância

    Eu enxergo transparente porque eu sou transparente

    Para todos os caos que quase me engoliram, mas não conseguiram

    Você seduz através da confusão

    Você tem o coração partido e faz acreditar que sou eu

    Mas eu não sou a parte quebrada – eu sou o inteiro

    Para todos os aviões que eu quase peguei, mas não consegui

    As conexões que perdi me fizeram enxergar o desgaste

    As turbulências que eu não peguei me fazem ter saudade do caos

    Mas a confusão que me deixa acordada à noite não é o meu destino final

    Para todos os quase momentos que eu quase vivi, mas não consegui

    A sua voz ecoa na minha mente o tempo inteiro

    E se? E se? E se? E se? E se?

    Me perguntei quantos anos aquele momento completaria

    Mas o nascimento nunca aconteceu

    E ainda assim eu me sinto culpada pela morte dele

    Para todas as pessoas que estão tentando sobreviver, mas acham que não conseguem

    Às vezes, ninguém enxerga o seu coração partido

    Porque estão tentando consertar a própria existência

    Assim como você

    Para o universo quebrado

    Eu sei que você está perdendo a sua cor

    Pouco a pouco

    Mas isso acontece com todo camaleão

    Antes do renascimento

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