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  • Junho 24, 2019
    postado por

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    Eu nunca gostei de incertezas,

    mas você sempre foi o meu maior talvez

    misturado de agora-vai-dar-certo, ou de mentiras que eu contava para mim mesma,

    dizendo que eu estava com os pés no chão.

    Sempre fui um talvez carregado de esperança,

    com a certeza que a semana que vem chegaria,

    talvez você tenha tempo para um café,

    para um filme

    talvez eu consiga convencer a mim e aos outros,

    talvez dessa vez eu não terminasse carregando os pedaços, colhendo-os do chão.

    Quem sabe Quinta-Feira que vem vai ser diferente,

    talvez com a luz da noite você me ache melhor, ou talvez depois de três copos de bebida

    a gente tenha chance de existir de novo.

    Ou no próximo mês, quando as coisas melhorarem

    quando os seus machucados sararem,

    quando você resolver voltar, quando a sua vida estiver resolvida.

    Mas a verdade é que as suas coisas já estão resolvidas faz tempo.

    O café nunca esteve nos planos, muito menos o filme,

    as Quintas eram só uma distração falha,

    não importa a luz, ou a bebida,

    ou a cor do batom.

    O talvez sempre foi muito frágil,

    negável e quebradiço,

    nunca se sabe até quando ele vai existir.

    Ele não tem força.

    Não há como o talvez tentar resistir.

    Junho 10, 2019
    postado por

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    Me sinto sempre o plano B

    nunca bom o suficiente

    sempre o talvez ou o quem sabe

    Me encontro na ilusão de ser prioridade, e no final me pergunto

    como eu vim parar aqui?

    Há um breve momento de achar a suficiência,

    sempre revestida de migalha,

    de dias marcados e do relógio correndo

    é sempre pouco, e eu vou embora esperando mais

    Exceto que o mais nunca vai chegar,

    pois ele não me pertence

    os sábados, os cafés, as risadas

    elas não são para mim

    eles nunca verdadeiramente foram para mim

    Por isso sempre me contentei com o incerto,

    com o mais ou menos,

    com o copo de leite meio aguado e o cigarro quase acabado,

    a declaração mal feita,

    o tempo esgotado, o adeus nunca verdadeiramente finalizado.

    Acordei de manhã querendo ser inteira

    mas eu nunca sei como

    pois deixo minhas metades em todos os lugares.

    Acordei querendo um alívio

    querendo não existir ou ser sugada pelo vazio.

    Não sei ser inteira

    não sei coletar todos os meus pedaços

    não aprendi a ser a primeira escolha.

    nem para mim,

    nem para mais alguém.

    Maio 18, 2019
    postado por

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    Você já teve aquela sensação de estar prestes a virar uma borboleta? Como se, depois de tanto tempo, finalmente estivesse pronta para sair do casulo?

    É uma sensação maravilhosa, mas que, por algum motivo, causa desconforto nas pessoas. Antes de tudo, é preciso entender uma coisa que eu quero que você leve para o resto da sua vida: o ambiente em que você está provavelmente odeia renascimentos. E nós, meu bem, fomos feitas para renascer a todo momento.

    A verdade é que se falamos ou fizemos algo há três anos, então definitivamente não podemos contrariar nós mesmos. Acontece que a pessoa que você era há três anos está morta. E isso não é algo ruim. Tenha empatia pelo seu passado. Você tinha sentimentos, sentia dor, dava amor e tinha sonhos. E ali, no curso da história, dançava no meio da pista quando um caminhão repleto de futuro te cortou em pedaços. E você despedaçou, se perdeu por algum tempo, mas renasceu.

    Você agora está cada vez mais viva, depois de ter encarado a morte.

    Não me importa o que você fez há um ano. Não me importa se machucou alguém ou se foi machucada – mas, ainda assim, eu sinto muito.

    O que me importa é o que você é, e o que você pode ser. Não entra na minha cabeça porquê passamos tanto tempo pensando no que as pessoas foram ou fizeram, se poderíamos gastar todo esse tempo e energia focando no que elas podem ser.

    Você já parou para pensar no que você pode realizar agora mesmo? No poder que tem nas mãos?

    Ignore aqueles que dizem que você não pode entrar em constante evolução. É para isso que você está aqui, meu bem. Voe.

    Maio 13, 2019
    postado por
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    Eu já falei sobre ansiedade algumas vezes aqui no blog, mas de vez em quando penso o quanto eu deveria falar mais sobre isso. No final de Abril completei três anos de medicação do tratamento para transtorno de ansiedade, dentre outros síntomas, e parece que passou rápido demais. Três anos foram voando, mas viver com um transtorno nunca é fácil e é uma jornada doída, em que você enfrenta algumas coisas difíceis no caminho. E mesmo que sejam só alguns anos, eu me vejo como uma pessoa muito diferente de quem eu era em 2015, quando se trata da minha saúde mental.

    Não existe um segredo 

    Outro dia eu li um texto no Man Repeller  em que a autora narrava a sua vida com Síndrome de Pânico. Ela confessa que durante uma época, apesar de ter mantido uma dieta balanceada, um clima “good vibes” e feito tudo o que as pessoas diziam que ela precisava fazer, ela continuava tendo ataques de pânico. E isso me lembrou o quanto, de verdade, não existe um segredo absoluto sobre como a sua doença, ou no meu caso, o transtorno de ansiedade, vai funcionar. É claro que uma rotina faz toda a diferença – e às vezes eu dedico horas no meu dia em atividades que vão me fazer bem -, mas mesmo assim, eu posso ter uma crise amanhã. Ou no outro dia. E eu não tenho culpa disso.

    Por muito tempo eu achei que ter uma crise significava que eu tinha voltado pra estaca zero. Que todo o meu trabalho em tomar a medicação e ir na aula de yoga, ou na terapia, tinha se perdido por causa disso. Mas não é verdade. Foi assim que eu descobri que é uma jornada; em alguns dias eu vou estar bem, e em outros não. E o meu progresso não precisa ser linear.

     Eu tenho medo da ansiedade atrapalhar os meus relacionamentos

    Lidar com um transtorno não afeta só você mesmo na maioria das vezes: pode afetar os seus relacionamentos também. Não é fácil conhecer alguém novo e mostrar para aquela pessoa que você enfrenta alguns problemas. Eu mesma já tentei esconder as características do transtorno de ansiedade: aquela que você pode passar mal numa festa e precisar ir pra casa porque teve um ataque de pânico, ou aquela que lida de maneira diferente com algumas situações que, para os outros, são normais. Transtornos mentais ainda são um tabu enorme e muitas pessoas nunca nem ouviram falar sobre eles, ainda menos sobre os efeitos físicos e psicológicos que eles podem causar em alguém.

    É um pouco assustador quando eu me relaciono com alguém e tento colocar para debaixo do tapete tudo isso. Em algum momento, a pessoa vai acabar descobrindo, e eu confesso que ainda estou tentando aprender a não sentir vergonha, a não ficar me culpando ou pior, ficando ainda mais ansiosa pelo que os outros vão pensar de mim ou se eles vão me rotular como instável, transtornada, etc.

    Alguns meses são mais difíceis que outros

    Às vezes eu consigo lidar super bem com a minha ansiedade e manter tudo no controle. Eu tenho muitos privilégios que me permitem conseguir cuidar da minha saúde mental, quando a gente sabe muito bem que metade da população brasileira não tem acesso à plano de saúde, a consultas esporádicas ou medicamentos. Tudo isso tem um preço, um custo, tempo, planejamento, é difícil fazer as coisas sem apoio. 

    A sociedade não conversa sobre isso e a nossa cultura invalida os transtornos mentais, as doenças psicológicas. Elas ainda são consideradas “frescura”, ou pouco relevantes comparados à um problema físico. Sem falar na dificuldade do acesso à informação. Para a sua família ou os seus amigos entenderem o que você passa, eles precisam de informação. As pessoas próximas de mim não entenderam de um dia para o outro o que era o meu transtorno de ansiedade. Foi preciso ajuda dos médicos também para eles enxergarem os sintomas e como lidar com isso.

    Sendo assim, algumas fases são mais complicadas. Se um monte de coisas novas acontecem comigo, ou problemas, ou términos, parece que eu não consigo lidar com tudo ao mesmo tempo e a minha ansiedade bate como nunca. Sem falar no desânimo, no medo de ter uma crise, na vontade de ficar na cama. Houveram semanas que eu quase não saía de casa e desaparecia da faculdade. Mas é um ciclo, como muitas coisas da vida. Por mais que pareça que você está no fundo do poço, tem uma maneira sim, de sair dele. 

    A medicação é importante

    Tá aí outro tabu. Algumas pessoas acham problemático você tomar uma medicação para o seu transtorno, mas a verdade é que faz diferença quase absoluta no seu tratamento. Com o tempo, eu parei de me importar muito com o que outras pessoas achavam e considerar a opinião apenas dos profissionais (médicos, terapeutas). É relevante seguir as instruções da minha medicação, e com isso vem várias coisas que você tem que mudar: beber pouco, não fumar, ficar longe de drogas. Coisas que podem não ser tão simples em alguns ambientes, mas eu aprendi que o que causa um efeito X nos outros, pode ser muito mais forte pra mim.

    É um compromisso consigo mesmo. É uma responsabilidade que você assume de querer melhorar. De querer estar bem, de fazer o possível para que você leve uma vida equilibrada, sabe? E mais importante, de aprender a respeitar quem eu sou, respeitar os meus sintomas, a minha jornada, e não atropelar as minhas dificuldades.

    O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma organização não-governamental que faz um trabalho importante de conscientização da saúde mental e oferece apoio para todo o Brasil pelo número 188, com ligação gratuita, 24 horas.

    Março 28, 2019
    postado por

    kenrick-mills-709743-unsplashUma das coisas que eu mais amo fazer é escrever, principalmente poemas. Acredito de verdade que eles são uma forma de passar pelo processo de cura que é necessário quando vivemos experiências de uma vida inteira em apenas alguns segundos.

    Decidi, então, estrear um novo tipo de post aqui no blog chamado “#PoemaDeQuinta”. Os poeminhas sairão nas quinta-feiras e, sim, é um trocadilho, pois eles são humildes! haha

    Aqui vai, então, o primeiro poema. É um pedaço do meu coração para vocês! <3

     //

    Para as almas livres

    //

    Eu vejo você lutando para resistir

    Enxergo os seus olhos caírem

    em profunda inspiração

    quando observam os quatro cantos do mundo

    //

    Eu vejo a sua confusão

    em cada um dos passos que você toma

    Eu vejo os medos dançarem

    por cima do seu corpo

    mas nunca por cima da sua alma

    //

    Eu vejo o jeito que você olha para a lua

    e se pergunta quantas vidas já pisaram na Terra

    Eu vejo a câmera nas suas mãos

    te dizendo o que e quando focar

    //

    E você

    fruto de experiências de uma vida inteira

    escolhe focar em coisas que possuam a liberdade

    que você deseja

    alcançar um dia

    //

    As árvores te enchem os olhos, não é?

    Você adoraria florescer

    mas meu bem

    você ainda não percebeu

    que das suas cicatrizes nascem flores?

    //

    Olhe um pouco para si e perceba:

    a sua alma livre despeja infinito

    onde só existem finitos

    Não seja outra coisa além de eterno

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