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  • May 3, 2015
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    Eu cansei de me sentir sozinha. Não de estar sozinha. São coisas muito diferentes, dependendo do seu ponto de vista. Eu sei gostar da minha própria companhia; aliás, sou boa nisso, e sei que muitas pessoas não conseguem ficar um tempo sem outros ao seu lado. Eu até prefiro, às vezes, fazer meus compromissos e minhas coisas favoritas sem ninguém por perto. Depois que conquistei a minha independência – que pode ser pequena, por enquanto, mas já é algo grande para quem, até um ano atrás, não conseguia enfrentar nada sem apoio – percebi que podemos fazer milhares de coisas sem precisar que os outros estejam te acompanhando.

    É óbvio que é bom ter alguém ali para você segurar a mão quando for precisar, mas não é sempre que isso acontece. Quando você cresce, isso se torna algo raro. E é legal saber que você tem coragem e liberdade para tomar decisões e enfrentar o que antes achava ser impossível, de maneira totalmente só.

    Não que isso não exija uma dose enorme de confiança que pode durar só alguns segundos, mas que em alguma situações é o suficiente para que você faça o que realmente quer. E isso também não significa que a nossa mente não crie mil versões assustadoras do que pode acontecer; um problema que os ansiosos sempre são obrigados a enfrentar.

    A solidão (segundo o próprio dicionário online, “estado de quem está só, retirado do mundo; isolamento: os encantos da solidão) vai te cansando aos poucos. Ou vai deixando as coisas mais cinzas. Sem graça. É que, com o tempo, você sente falta de companheirismo. De poder sentir que realmente pode contar mais com as pessoas, confessar medos, falar sobre o mundo, falar sobre tudo, suas vontades. Não, não estou dizendo que eu quero ficar falando sobre mim mesma por 30 minutos seguidos para alguém. É só que de vez em quando, faz falta não poder compartilhar algumas coisas.

    A gente vai se refugindo aos poucos. Sem perceber muito. E de repente, o seu quarto parece o lugar mais confortável do mundo no Sábado a noite. E acredite, não dá nenhuma vontade de sair de lá. É meio agoniante esse sentimento de se sentir fora do contexto. Você tenta ir se encaixando em alguns lugares pelo caminho, mas não consegue.

    Acredito que eu não sou a única que tem aquela sensação de que quer enfrentar o mundo mas ao mesmo tempo, quando está fora de casa, quer voltar desesperadamente para lá.

    Ou talvez seja só a acomodação, a zona-de-conforto. Eu não sou muito fã de lugares do qual eu já conheço e sei tudo; que eu sei que quase nada vai me surpreender mais. E é exatamente onde eu estou agora.

    Tem dias que você quer ir ao cinema acompanhado, quer falar sobre suas bandas favoritas, quer poder saber que é só surgir com alguma proposta aleatória em um final de semana para alguém que essa pessoa vai topar na hora, quer respostas imediatas no celular quando você só quer conversar sobre o nada.

    É muito possível, sim, fazer algumas coisas por ai sem precisar dos outros. Mas, vou confessar que nas últimas semanas pareceu mais difícil. Pareceu mais solitário enfrentar as coisas sozinha. E lidar com tudo, guardar coisas amargas para si mesmo. E não poder contá-las a ninguém, a não ser para você mesmo.

    April 11, 2015
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    Às vezes a gente se levanta de manhã sem saber muito bem o que esperar do dia. Ou melhor: resolve não esperar mais nada. E eu deveria ter descoberto há muito tempo atrás que não esperar e nem procurar qualquer coisa podem ser as curas para não se magoar mais. É claro que você não vai ter muitas surpresas e  nem momentos de empolgação. E é difícil, mas um dia se aprende a controlar todas as suas expectativas. E pode ser meio triste, mas é melhor quando você não cria nenhuma versão melhor das pessoas na sua cabeça e enxerga elas exatamente como são, daquele jeito honesto. Sem fantasias. Sem romantizar nada.

    E eu, que sempre criei mil coisas na minha cabeça, parei de romantizar tudo. Os outros, as experiências, as amizades. E qualquer coisa que nos faça se prender ao futuro e esperar pelo próximo final de semana, achando que alguma coisa muito incrível vai acontecer. Chato encarar, mas quase nunca acontece.  Ninguém nos dá nenhuma medalha por ser genuíno o tempo todo com os outros. Algumas pessoas são porque faz parte da essência delas; e não espere por nada em troca. Seja quem você é, apenas pelo prazer de nunca perder os seus verdadeiros valores.

    Uma vez ou outra eu quase enfraqueço. Volto atrás e penso que a gente tá aqui pra se ferrar mesmo e dar segundas chances. Quase. Dai eu me lembro como a tranquilidade e a calma por fora, mesmo que por dentro tudo esteja um furacão, é melhor do que ter que encarar todos os dias coisas que te dão raiva e te dão vontade de sair correndo, fugir. Não encarar os problemas; é tão mais fácil fingir que não é com a gente.

    Parece que tudo perdeu a graça. Que todas as coisas se tornaram cinzas. E os dias vão passando devagar… e às vezes, rápidos demais. Sem nada de diferente. Algumas coisas que acontecem são quase um lembrete que se fechar pode ser ruim, mas me poupa de muita coisa. Acho que já tolerei demais coisas que não valiam a pena. Pessoas que só brincam com a nossa cara. Já tentei demais que gostassem de mim, tentei também me encaixar em um lugar qualquer, e percebi que não dá. Que não é todo mundo que consegue.

    Então prefiro ficar sozinha mesmo. Não me preocupo muito com isso, porque já aprendi a gostar da minha companhia faz muito tempo e acho melhor assim, do que ficar rodeada de pessoas que não te ouvem, pisam no seu calo, sabem quais são as coisas que te magoam e insistem em pisar ali umas duas, três, quatro vezes, pra ver se você vai finalmente explodir. E cuidado, viu? Porque você pode achar que se livrou, mas eles voltam… Querem aparecer mais uma vez, só pra tirar um sarro de você. Chega. Não tem mais espaço, nem força, nem vontade aqui pra tentar estar em qualquer lugar onde eu não sou bem-vinda.

    Não quero mudar a opinião de ninguém. Não tento agradar os outros mais. Acabou; já deu. Uma hora ou outra as forças se esgotam. E a gente prefere ligar aquele botão vermelho e simplesmente parar, parar de ligar porque não vale a pena nem por dois segundos gastar o nosso tempo, que já é ocupado por mais um milhão de outras coisas, com o que não vai levar a nada. E no fundo nós quase sempre sabemos quando algo não vale a pena. Só insistimos naquilo pra ver se nossa intuição pode errar. Mas ela raramente erra.

    Pode parecer pessimismo, mas é só ser mais realista mesmo. Estou dando um tempo pra mim, e só pra mim. Sem outras coisas incluídas no pacote. No momento, não tem espaço pra mais nada. E eu também não estou procurando.

    March 28, 2015
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    Eu nunca estive em muitos relacionamentos. Só de amizades. Amorosos? Acho que se me perguntarem, eu nem sei explicar direito o que é isso; afinal, não dá pra gente fingir que sabe tudo sobre algo que mal conhece. Mas o que eu entendi, nesses poucos quase dezessete anos de vida, é como o ser humano é extremamente confuso em 90% do tempo. Possessivo, inseguro, e quer ser dono – além de si mesmo, é claro – um pouco dos outros também. Eu sempre fui controladora, mesmo que nos últimos anos essa característica em mim tenha diminuído de modo significativo. Então, por isso, posso compreender um pouco o fato das pessoas verem nas relações uma ótima forma de poder sentir aquela falsa sensação de que estão conseguindo controlar tudo ao seu redor. Seja o namorado, os amigos, algum parente. Mesmo que seja uma mentira deslavada (que nós alimentamos), porque ninguém pertence ao outro. Só a si mesmo.

    Não nascemos com o objetivo de “pertencer à alguém” e eu também sinceramente não acredito na ideia de que alguma pessoa está aí vivendo o seu dia, apenas esperando pelo dia que ela será “sua” e todo esse papo que parece que acabou de sair das páginas de um livro do Nicholas Sparks. Já tentei, muitas vezes, compreender porque apostamos tanto no ciúmes. Ou porque algumas pessoas possuem um sentimento tão grande de posse. Pode ser difícil entender, caso você tenha sempre acreditado nessa ideia de que precisamos de outra pessoa para sermos completos (não!!!), mas eventualmente temos que aprender a lidar com o fato que não dá pra decidir o que os outros vão sentir, falar, e muito menos se um dia elas vão nos corresponder.

    Demorou um tempão, mas eu me orgulho de dizer que eu consegui aceitar isso. E ah, que alivio que dá, hein? Deixei pra trás um monte de incomodações. Parece que há uma grande preocupação em entrar em relacionamentos. Em encontrar uma pessoa, em ter uma companhia; e podem dizer que não, mas existe sim. As pessoas cobram, mesmo sem perceber, isso dos outros.

    Na minha opinião, antes de embarcar em qualquer relação, é melhor entender a si mesmo. E não estou falando só de namoro. Amizades também. Há milhares de relacionamentos tóxicos por ai. Muitos de nós já podemos ter enfrentado um. Mas insistimos, não saímos do lugar. Ficamos com medo de perder as pessoas. Mas quer saber a real? Quando você finalmente consegue deixar para trás as coisas que te fazem mal, você percebe o quanto é melhor, sim, estar sozinho do que lidar com coisas que te decepcionam e te fazem perder qualquer vontade de sair da cama de manhã.

    Eu confesso, tenho um pouco de preguiça de lidar com algumas coisas. Por isso, continuo as evitando. E não sinto muita falta, não. Afinal, tô aqui, viva e bem, viu gente? Não temos que perder tempo com o que no final, não nos ensina muita coisa e só faz a gente carregar aquele peso nas costas. E se você tem alguma dúvida sobre se deve ou não continuar onde está, eu te encorajo à seguir em frente. Às vezes, é preciso deixar para trás o que te entristece, e finalmente apostar em novos caminhos. Não tenha, nunca, medo de se sentir solitário. Eu juro que não incomoda!

    March 5, 2015
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    Uma das coisas que eu ando refletindo nos últimos tempos é como a gente vai amadurecendo e também, ao mesmo tempo, aprendendo a lidar mais com as pessoas. E com as diferenças enormes que às vezes existem entre um ser humano e outro. A realidade é meio dura e o fato é: você não vai poder conviver só com aquele seu grupo de amigos, do qual você já conhece muito bem. Durante a vida, vai encontrar milhares de pessoas com personalidades que não tem nada a ver com a sua. E isso pode ser ótimo, porque acrescenta muito conviver com alguém que te ensina valores que você não conhecia, ou um outro jeito de ver a vida, de pensar. Isso só nos torna mais experientes.

    Mas é óbvio que não é só com gente legal que você vai esbarrar por ai. Não mesmo. A vida também coloca algumas pessoas que te fazem questionar algumas coisas. Uma delas, é porque o ser humano de vez em quando consegue ser extremamente cruel e não levar em consideração nem por dois segundos os sentimentos alheios. É triste, mas muita gente ainda não acredita naquela filosofia de que é bom sempre tentar achar pontos positivos nos outros. E elas simplesmente não ligam se a outra pessoa vai ficar magoado ou não. Porque palavras, acreditem, marcam mais do que qualquer coisa.

    O melhor exemplo de local onde você tem que aprender a conviver na marra com todo os tipos de pessoa? A escola. Claro que é um dos lugares onde a maioria das pessoas faz amizades que marcam a sua vida por muito tempo (é onde eu encontrei os meus melhores amigos) mas eu reparei que a escola é quase uma preparação para a vida real, pós terceiro ano, quando você é obrigado à crescer, querendo ou não. Eu fiz uma comparação de como eu lidava com pessoas do qual não me identificava nem um pouco (tenho tolerância zero pra quem faz a) piadinhas com os outros b) acha que é engraçado zoar as pessoas c) divide/coloca esterótipos nos outros baseado na aparência delas) há alguns anos atrás. E me lembro que eu ficava irritada. E queria brigar, ou deixava aquilo definir a minha vida. Hoje percebo que a opinião dos outros sobre você não é quem você é.

    Eu costumava pensar que mal podia esperar por uma nova etapa da vida onde beleza, roupa e balada não importassem tanto. Mas eu sei, estava sendo ingênua. Reparei algum tempo demais que a vida adulta também é assim. E que sempre vão existir rótulos, e pessoas que quase te fazem perder a fé na humanidade em alguns momentos. Mas que a gente tem que enfrentar isso. E de algum jeito, continuar sempre vivendo. Não dá pra parar pelos outros.

    Aos poucos vamos aprendendo formas distintas de não deixar isso te afetar. É difícil, eu sei. Eu sou daquelas pessoas que leva quase tudo à sério, mas percebi que quando você conhece a si mesmo, e sabe quem é, não há dúvidas: não se deixa incomodar pelo que os outros dizem. E sim, sempre vão existir mil pessoas idiotas por ai. Estamos cansados de saber disso. A solução? Não deixá-las entrar nem por um momento na sua vida (ou na sua cabeça!).

    March 1, 2015
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    Algumas pessoas dizem que o tempo pode curar muita coisa. Eu não acho que ele seja milagroso. As suas decepções não vão sumir em questão de meses. Na verdade, eu sinceramente acho que o que mais contribui pra que a gente supere alguma coisa é a nossa força de vontade, no final das contas. Também é nossa decisão se quisermos guardar mágoas. Eu confesso que sou daquelas pessoas que não apaga quase nada da memória. Então, sim, eu provavelmente lembro o que você fez há uns quatro/três anos atrás (eu sei, isso não é a coisa mais saudável do mundo. Não recomendo).

    Eu andei pensando se o tempo realmente pode deixar as pessoas um pouco mais amargas. Pode te fazer mudar radicalmente algumas ideias que você possuía. Acabar, mesmo que aos poucos, com algumas das fantasias que você alimentava quando era mais novo, e tinha certeza que elas poderiam um dia serem reais. E por fim, também te fazer acreditar (muito) menos em tudo e nas pessoas ao seu redor.

    Mas talvez não seja culpa dele. E sim de algumas decepções que você teve; que no fim, eu acho que são muito úteis. Eu sei que é ruim, mas não tenha medo de se decepcionar. De acreditar muito em alguma coisa para depois perceber que ou você era ingênuo demais, ou esqueceu de colocar os seus pés no chão. É bom levar alguns tapas na cara de vez em quando pra voltar à realidade. Depois que isso acontece com muita frequência, começamos a ser mais realistas. Não estou dizendo pessimista. Isso é outra história. É aprender a enxergar as coisas como elas são bem mais rapidamente.

    Eu ando numa fase meio desacreditada com tudo ao meu redor (já comentei isso há um tempo aqui) e acho que é consequência de algumas coisas que sempre fizeram parte da minha personalidade. Eu acreditava em tudo de primeira. Se tinha uma situação que eu sabia que não podia acabar muito bem, eu não ligava; ia lá e apostava tudo, mesmo assim. Mesmo que a minha intuição me alertasse. Mas a gente nunca sabe né? Algumas coisas valem o risco no final. Outras não. Mas eu ainda acredito naquela filosofia que se jogar no desconhecido às vezes pode trazer um bom resultado.

    Vamos aprendendo, aos poucos, que em muitos momentos a sua companhia ideal vai ser você mesmo. E ponto. E que ninguém é obrigado a te entender. E que é bom ser cuidadoso. Eu sei, todo mundo diz que a gente tem que fazer o que der na telha, que temos que apostar em coisas malucas de vez em quando, que se a gente tentar nunca vai saber… Eu sei de tudo isso. E concordo com alguns pontos. Mas a realidade é que é bom ter um pouco de segurança sim.

    É impressionante como os nossos valores podem mudar bastante em alguns meses. Nossa visão sobre as coisas, sobre o mundo. Olhamos pra trás e pensamos, às vezes: “como eu era bobo.” E eu tenho certeza que daqui a algum tempo podemos nos ver agora e pensar algo semelhante. Mas as experiências são fundamentais pra tudo isso. Todas aquelas situações que te machucaram servem pra algo depois. E te tornam mais resistente também.

    Pela primeira vez, posso afirmar que eu ando aprendendo a levar tudo menos a sério. Principalmente as pessoas. Algumas coisas que os outros dizem, literalmente, entram por um ouvido e saem pelo outro. Tem coisas que a gente ouve e simplesmente não vão afetar a nossa vida.

    Acho que devemos saber nos virar sozinhos, sempre. E isso é algo que eu ando fazendo ainda mais nos últimos tempos. Seja independente. Não deposite nas mãos de ninguém a responsabilidade de qualquer coisa na sua vida. Quer ser feliz? Faça isso por si mesmo. Busque coisas que te tragam felicidade. Quer gostar mais de si mesmo? Então não espere que isso aconteça só quando você estiver em um relacionamento. Tente diminuir as expectativas que você tem pelos outros.

    Lembrando que isso é só um ponto de vista. Se você quer se jogar em todas as coisas sem medo mesmo, viver os seus sentimentos ao máximo e não tem receio (de verdade!) de qualquer decepção ou realidade dura que possa vir (porque a vida nos prega peças) eu apoio. Porque eu já fiz isso muitas vezes. Talvez esse momento que eu esteja vivendo seja apenas uma fase. E ela acabe daqui a um ou dois meses. Não posso prever o futuro.

    Há alguns dias alguém me falou que eu estava diferente. Que eu era uma pessoa bem menos empolgada hoje em dia. E sabe quando a gente não encontra nenhuma explicação? Não sabe muito bem o que anda acontecendo (aliás, ultimamente, eu quase nunca sei o que anda acontecendo). Percebi que eu não preciso ter sempre uma resposta na ponta da língua. Que não preciso saber tudo agora, nesse momento. Nem sempre dá pra entender essa confusão que acontece dentro de todos nós.

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