O meu mundo paralelo
04/08/2014 | Categoria: Comportamento, Textos

Em alguns momentos da vida eu me acho super pé no chão. Realista, até um pouco pessimista, eu confesso. Daquelas pessoas meio mal humoradas (minhas amigas sabem!) que não vê graça em muita coisa. Mas em outras ocasiões eu acho que, no fundo, eu vivo em um mundo paralelo. Só imaginando minhas histórias, as falas, as cenas que eu gostaria que acontecessem. Por isso eu acho que sou mestre em me iludir o tempo todo. Porque na minha cabeça crio uma versão diferente do que as pessoas são. Normalmente, no meu pensamento elas são mais interessantes. Não são iguais à todo mundo. E a vida sempre dá o jeitinho dela de me provar que puf, eu estava errada. Mas tudo bem (ou não).

A verdade é que o jeito mais amargo de se decepcionar e se frustrar na vida é passar a maior parte do seu dia imaginando o que as coisas poderiam ser. Não, não pensem que eu sou daquelas que faz mil planos e não corre atrás de nada; eu busco bastante o que eu quero, principalmente porque sou teimosa e tenho essa mania de não querer desistir nunca (até quando é necessário). Mas eu sinto que preciso colocar a cabeça no lugar. A vida não é (mas bem que poderia) ser um livro romântico e meio clichê que eu insisto em ler umas cinco vezes por mês. Ou os personagens do John Green e da Paula Pimenta poderiam sair do papel e cruzar comigo no meio da rua.

Ou eu podia pegar um ônibus e encontrar um Park que sentaria bem do meu lado. Eu gosto bastante de imaginar a vida de algumas pessoas quando estou na rua. Já aconteceu de encontrar pessoas intrigantes no metrô, no terminal de ônibus, e ficar pensando em como elas são. Será que estão apaixonadas? Será que essa cara de preocupação é por que algo muito ruim vai acontecer? Eu sou observadora. E tenho boa memória. Nunca me esqueço dos detalhes. Então, se alguém fala alguma coisa pra mim que na minha cabeça é importante, eu nunca esqueço. E passo o dia falando sobre isso depois (minha melhor amiga, coitada, tem que me ouvir muito).

Mas já ouve situações infinitas em que eu desejei muito não ser assim. Desejei não ser dramática, querer escrever sobre tudo (não consigo guardar as coisas direito pra mim) de ver tudo de um modo mais real, sabe? De enxergar as pessoas como elas realmente são. Nem todo mundo esconde por baixo da timidez algo especial. Nem todo mundo que você gosta, vai gostar de você de volta. E as pessoas não se encantam pelas suas manias insignificantes. Não; isso só rola nas melhores histórias. E na maioria das vezes, o final não é cheio de reviravoltas e um desfecho maravilhoso. Ele é composto de mágoas que se demora muito para superar. Eu tenho que me lembrar o tempo todo que não adianta criar esperanças por nada.

E ah, como eu crio esperança! Pra mim é tão fácil me encantar por sorrisos e por pessoas que me fazem rir. Pronto, elas me conquistam de jeito assim. E eu acho que no fundo eu adoro quebrar a cara, porque não é possível a minha capacidade de mergulhar fundo em algo que eu sei que vai dar errado. Eu tenho intuição forte, mas em 90% do tempo insisto em não ouvi-la. É porque uma voz lá no fundo me diz: “vai que dá certo?” Só que eu já cansei de esperar alguma coisa dar certo.

E sabe, algumas coisas só acontecem pra me dar um tapa na cara e me fazer acordar de novo. Tipo “volta pra terra, minha filha. Já tava na hora, né?” No fim, não é culpa de ninguém quando eu me sinto levando um balde de água fria. É culpa da minha imaginação fértil (palavras alheias, não gosto dessa expressão). Eu é que imagino coisas e fico me apaixonando por versões das pessoas na minha cabeça, quando na vida real elas são diferentes. Dá uma sensação ruim descobrir que não, o que eu tô sonhando não vai acontecer. E tudo vai tomar um rumo completamente diferente. E eu sabia que quando a palavra “gostar” aparecesse na minha cabeça pela primeira vez, eu tinha mais é que sair correndo. Pra bem longe. Porque eu já tô cansada de saber que isso vai acabar mal.

Então, pessoas vítimas da minha cabeça cheia de histórias, mando minhas sinceras desculpas pra vocês. Mas é que na minha mente tudo parecia ser mais legal, com mais graça, com frases bonitinhas e uma música da Taylor Swift tocando ao fundo. Acho que ninguém mais precisa me avisar que a realidade é dura, né? É de pedra. E eu já devia ter aprendido isso faz muito, muito tempo.


Sobre feminismo (e adolescência).
27/07/2014 | Categoria: Comportamento, Textos

Feminismo é uma palavra que todo mundo anda ouvindo bastante nos últimos anos. Principalmente com o sucesso dos blogs, do Instagram, das redes sociais em geral. E a cada dia, mais garotas e mulheres começaram a se unir ao movimento. E ele tomou proporções ainda maiores quando algumas celebridades legais, como a Lorde e a Jennifer Lawrence começaram a quebrar alguns estigmas na mídia, aquele de que a mulher deveria aparecer sempre impecável, linda, magra, e com maquiagem em frente das câmeras e para o mundo. Por quê? Com o objetivo de agradar alguém que não ela mesma? Onde nasceu essa história de que a mulher precisa aparentar ser perfeita? Eu achei que todo mundo já tinha entendido que perfeição não existe.

De vez em quando eu ouço alguém falar que machismo não existe mais. Como assim não existe? Eu aposto que todo ser humano do sexo feminino já presenciou uma cena de machismo pelo menos uma vez na sua semana. Mesmo que você não perceba, ela está lá. São as piadinhas feitas para garotas que praticam esportes que seriam, supostamente, só para homens, são os julgamentos por você dizer que não tem planos em aprender a  cozinhar (“você sabe que não se arranja homem e não se casa sem saber lavar a louça, fazer comida e limpar a casa, né? Nenhuma sogra vai te querer assim!”), os rótulos de vadia e puta para meninas que ficaram com mais de algum garoto na última balada. São pequenas atitudes que você não nota, mas elas estão muito presentes na nossa rotina. E é triste quando a gente começa a achar isso normal. Isso não pode se tornar lugar comum!

Eu sou um pouco quieta, tímida e confesso que não consigo entrar na onda do tão famoso “pego e não me apego.” Porque isso faz parte da minha personalidade. Mas outro dia me peguei pensando e refletindo comigo mesma… Por quê diabos eu deveria julgar garotas que ficam com vários meninos da mesma turma, por exemplo, ou que já tiveram diversos ficantes, namorados e afins? Ué, mas eu não conheço um monte de homens que fazem a mesma coisa e não são zoados? Então porque as mulheres não podem ser tratadas igualmente? É injusto todo mundo detonar numa rodinha alguma garota que já ficou com muitos, fez o que ela estava a fim, e o cara que faz o mesmo ser ovacionado de pé: “Nossa, ele é o bom, ele pega várias.” A mulher tem direito sobre o próprio o corpo. Eu demorei para aprender, foi preciso maturidade, mas hoje eu chego a conclusão de que o corpo, a boca e a decisão é da própria garota. E não dos outros. Ela faz o que quiser, e eu não tenho absolutamente nada a ver com isso.

Vocês já ouviram falar da campanha #TerçaSemMake? O intuito dela é que as garotas, na Terça-Feira, se libertem do uso da maquiagem, mostrem a sua pele do jeito que ela é, e batam uma selfie e coloquem no Insta com a hashtag. A ideia aqui não é ser contra a maquiagem, não! E sim usá-la por diversão mas não por obrigação. Confesse: você já não se sentiu na obrigação de passar maquiagem pra ficar bonita (para os outros), de querer agradar? É difícil colocar na nossa cabeça que não precisamos de uma base da MAC para nos sentirmos bonitas. Ainda mais quando você é adolescente, sofre com acne e infelizmente a imagem e a beleza são supervalorizadas. Porém, eu confesso que faço a minha parte tentando, aos poucos, me libertar disso. Não é simples, mas há dias em que eu tomo coragem e vou para a escola de cara limpa mesmo. Sem medo.

Quando você tem só 16 anos e lida com inseguranças, opiniões alheias e diversas outras questões, se torna complicado bater de frente e dizer que os estereótipos não definem você. Mas é preciso fazer isso sim. É preciso ser corajosa! E nós temos que aprender a aceitar mais nossas colegas, amigas, companheiras, do jeito que elas são. Você com certeza já deve ter visto o termo slut-shaming por aí. Na teoria, ele consiste em xingar, julgar ou ter preconceito com uma mulher por causa do seu comportamento sexual. E é isso mesmo, mas a palavra abrange outras coisas, como o eterno culto da mulher de falar mal da outra, fofocar e brigar. Óbvio que sabemos que o respeito existe sim (quem disse que não podemos ser amigas?) porém infelizmente é fato que ainda rola muita briga no sexo feminino, quando nós deveríamos nos apoiar. Lembra quando eu falei no inicio do post que julgávamos (até eu já julguei!) garotas que ficavam com muito caras? Então. Elas tem o direito. Qualquer uma tem o direito. E se queremos respeito, nós devemos nos respeitar também.

P.S: E gente, por favor, não usem mais esse argumento que feministas “odeiam os homens.” Feminismo não significa odiar ninguém. Significa apenas querer igualdade e direitos iguais.

[+] Links incríveis sobre feminismo na internet:
Think Olga
Girls With Style
Cronicamente Carioca
Nathali Macedo


Medos
04/07/2014 | Categoria: Comportamento, Textos

De vez em quando eu tenho muito medo do futuro e em outros momentos, só quero que ele chegue o mais rápido possível. Mas as pessoas dizem que temos que aproveitar o presente, então é isso que a gente tenta fazer. Aproveitar as coisas que acontecem agora, porque é delas que vamos sentir saudades no futuro. E eu achei que isso fosse mentira, até passar por isso. Sabe quando você larga tudo e quer começar de novo? E mal pode esperar pra deixar tudo pra trás, subitamente. Mas alguns meses depois, uma das coisas que você mais queria era aqueles momentos de novo e todas as coisas do qual mal pode esperar pra se livrar.

É muito difícil caminhar sozinho. Às vezes os seus amigos buscam coisas diferentes, tem outros objetivos, vivem coisas distintas, e você se sente solitário numa situação que ninguém pode te ajudar. Sabe que, se precisar, você pode ligar para eles e pedir ajuda. Mas há um certo orgulho em aprender a se virar sozinho. É necessário. E eu sempre via as pessoas ao meu lado fazendo isso, conseguindo. Então, eu tinha que conseguir também.

Mas descobri que as coisas são mais complicadas do que eu imaginava. Que lidar com os seus temores, com os seus problemas, sem outras pessoas por perto é desafiador. É como se houvesse alguém distante falando: “bota mais um probleminha ai! Quero ver se ela consegue superar esse.” E desbravar coisas novas nem sempre te traz um final feliz. As pessoas dizem que mudanças são boas, e tudo bem, elas podem ser, mas acho que até chegar a parte positiva, a gente tem que ralar muito. Só pode.

Eu sinto falta de muitas coisas antigas. Saudades, uma vontade de resgatar o passado. E então me lembro que o que eu mais queria era sair dele; e eu consegui, então tenho que provar se agora dá certo ou não. Se eu desisto, ou continuo. Mas é necessário um gás, uma motivação, que não se acha em qualquer esquina. Sempre tem alguém pra te derrubar, sempre há alguma coisa pra te fazer querer ficar na cama e não sair dali nunca mais. Porque tem vezes que acontecem coisas cruéis e não é fácil lidar com isso.

As pessoas se aproveitam do mais fraco. Ou de quem aparenta ser o mais fraco. E não é uma tarefa pra qualquer um se provar forte, de verdade. Não ser o alvo, sabe? É preciso coragem, força, uma segurança grande dentro de si mesmo que às vezes eu procuro, mas não acho em lugar algum. E então me lembro que eu conheço pessoas que não tem medo de (quase) nada e nunca deixam ninguém pisar nelas.

Eu quero mesmo ser essa pessoa. Talvez um dia eu consiga me tornar ela. Mas há um longo caminho a percorrer até lá… e me recordo que sempre existe um longo caminho até chegar em qualquer lugar.


Inconstante
17/06/2014 | Categoria: Comportamento, Textos

Odeio me sentir boba. Ou iludida. Ou as duas coisas ao mesmo tempo. É uma sensação de vazio no estômago ou meio amarga ver que aquilo que você tinha tanta convicção que ia acontecer, não aconteceu. Ou que muitas verdades estão sempre na nossa frente, expostas bem ali, pra todo mundo ver. Mas não é sempre que queremos ver. Então a gente finge que não enxergou nada. E continuamos a nossa vida acreditando nas coisas que a gente sempre acreditou e nossos hábitos diários.

É meio triste, e talvez meio engraçado ao mesmo tempo, perceber que as pessoas não são totalmente certas ou erradas. Elas agem de modos diferentes o tempo todo; às vezes você se surpreende, em outros momentos não. E a graça deve ser que elas nunca vão fazer sempre o que a gente espera. Mas, vamos ser sinceros. Seria muito bom se às vezes tudo seguisse o curso da nossa cabeça, o nosso roteiro, a história que criamos ou o último sonho que tivemos, aquele que possui cenas que a gente queria muito que virassem realidade.

Mas as coisas não são assim. É duro aceitar. Porque existem momentos em que só queremos que as coisas deem um pouco certo. Que os problemas não apareçam do nada o tempo todo, que a vida fosse um pouco menos complicada. Que a semana fosse menos cansativa, que rir fosse mais fácil, que nossas vontades acontecessem de maneira mais natural, sem termos de penar tanto. Que a gente não se irritasse de maneira rápida, que não quisesse voltar pra cama quando ainda não deu nem 9 da manhã.

Eu nunca reparei nisso, mas ultimamente ando seguindo um ciclo meio estranho de triste-feliz-alegre-triste. Não sei se isso é muito saudável. Não sei os motivos direito. Mas os sentimentos vão, voltam, ás vezes aparecem de maneira tão rápida e desaparecem logo depois. É tudo meio inconstante, apressado. Sufocante.

A verdade é que eu guardei tantas expectativas, tantas vontades, idealizei tantas coisas, e não ver nem metade se realizando é decepcionante. A vida consegue te decepcionar de muitas maneiras. Ou seriam as pessoas? Eu não sei. Não quero por a culpa em ninguém, nem em mim. Só sei que tudo sai muito do nosso controle o tempo todo. Foge das nossas mãos, e a gente não pode controlar, e eu acho que no fundo, eu só gostaria de poder controlar as coisas um pouco mais. Não vê-las correndo tanto de mim e no final da história, ficar sem nenhuma maneira de achar o caminho de volta.


O problema é de cada um
15/06/2014 | Categoria: Comportamento, Textos

Imagine a cena: é mais um dia comum na sua semana. Uma daquelas manhãs chatas que você só torce para que passem rápido. Alguém senta do seu lado. Um amigo, um conhecido, uma pessoa qualquer, mas que tem algum nível de intimidade com você, pelo menos. E começa a contar dos seus problemas. Pede algum conselho. Fala sobre algo que está realmente incomodando eles. Ou alguma decepção pelo que passaram. O que você faz? Escuta atentamente? Dá bola? Ignora ou fala alguma coisa do tipo “vai passar”, “fica bem”, ou dá um conselho supérfluo?

A outra pessoa pode até contar dos seus problemas, das suas dores, mas isso não quer dizer que o outro vai escutar. Vai levar aquilo a sério. Costumamos achar os nossos problemas os maiores do mundo, e o dos outros, pequenos. Isso é errado? Não necessariamente. A compaixão é necessária em muitos momentos – e poucos tem a qualidade de sentir isso pelos outros – mas você não pode entender alguma coisa de verdade se nunca tiver passado por isso. Essa é a verdade.

É difícil se colocar no lugar do outro. Hoje em dia todo mundo está preocupado demais consigo mesmo. Alguns andam meio desacreditados quanto ao assunto amizade e amor. Muitas pessoas contam só com elas mesmas. E mais ninguém. Não esperam compartilhar suas mágoas ou talvez nem queiram ouvir a opinião dos outros sobre isso. É meio chato ouvir consolos que não são verdadeiros, palavras clichês que não vão te ajudar. Às vezes a gente só conta o nosso problema esperando que alguém traga uma solução mágica, uma resposta que você procurou e não achou. Mas isso quase nunca acontece.

Eu li em um livro (tenho quase certeza que foi em “As Vantagens de Ser Invisível”) um trecho que dizia que mesmo que outras pessoas estivessem passando por uma situação pior – como as que passam fome na China, por exemplo – isso não mudaria em nada pelo o que alguém está passando. Não iria alterar nada.

Os nossos problemas e as nossas dúvidas são importantes pra nós agora. E eu não acredito nessa frase de “é só drama de adolescente” ou quando os outros dizem que é só bobeira. Então, vamos fazer o quê? Esperar chegar aos 18 anos para enfrentar coisas maiores? E enquanto não chegamos até lá, fazemos o que com todas as nossas dores? Guardamos em algum lugar por que tudo é só uma simples bobeira?

Não tem nada pior do que falar alguma coisa, esperar uma resposta e não ouvir nada. Só silêncio. Pronto. É horrível quando as pessoas não te entendem. Porém, ninguém é obrigado a entender. Ou tentar. As pessoas são ensinadas a levar a sério a filosofia do cada um por si, e os outros que se virem. Quantas vezes você viu alguém chorar e passou reto, fingiu que não era contigo? Que aquela pessoa nem estava ali? Ninguém quer se envolver com os problemas dos outros.

Nos importamos somente com os nossos. Não vou ser hipócrita e fingir que nunca fiz isso. Sim, eu já fiz. Já ouvi alguém desabafando e não prestei muito a atenção. Ou não levei a sério. Mas a gente não tem o direito de duvidar o tempo inteiro do outro, de fazer piada do sofrimento alheio, de achar que as pessoas estão sempre bem, felizes. Muita gente sabe fingir. E faz isso muito bem, por isso, quase ninguém percebe o que ela realmente sente.

Eu queria poder dizer que todo mundo um dia vai nos ouvir. Nos escutar de verdade. Mas isso não é verdade. Ou talvez eu tenha que aprender a esperar menos dos outros. Mas é tão complicado lidar com quase tudo sozinho. Uma hora ou outra, você percebe que as pessoas vão parando de se identificar. Ou não ligam mais. Já se tornou repetitivo e elas não querem ouvir tudo de novo. Elas não querem saber; mas eu ainda não aprendi a resolver tudo. Eu não aprendi a achar minhas respostas, minhas soluções. Eu não sei como fazer isso. Definitivamente não sei.


Sweet sixteen
18/05/2014 | Categoria: Textos

Uma das coisas mais legais de ter um blog é poder ler os seus textos antigos e lembrar de certas fases da sua vida. Ou das coisas que você gostava ou estava fazendo há alguns meses atrás. Todo ano, quando é meu aniversário – no dia 18 de Maio – eu costumo fazer um post aqui, e o mais interessante é ler os antigos e ver o que eu esperava dessa idade ou as coisas que eu aprendi em um ano. A gente sempre guarda expectativas de tudo, e é interessante ver se elas se realizaram ou se nós tomamos caminhos completamente diferentes daqueles que esperávamos.

Os quinze anos são muito especiais. Acho que eu nunca vivi tantas experiências numa idade só. Foi um tempo de muitas descobertas, de aprender a lidar comigo mesma, com os outros, e sair da minha zona-de-conforto. Literalmente. Eu sai dos lugares que eu sempre frequentava, mudei de opinião muitas vezes, e fiz algumas coisas que eu nunca achei que faria. E também conheci pessoas diferentes, que aparentemente não tinham nada a ver comigo, mas quando você passa a conhecê-las melhor percebe que vocês podem ter muitas semelhanças.

Viajei pela primeira vez para o exterior, o que foi um dos momentos mais legais de 2014, com certeza. Descobri que eu posso me virar super bem no inglês e a vontade de conhecer muitos países e viajar só aumentou. Eu adoro conhecer outras pessoas, outros costumes, opiniões, e acho que a gente não nasceu só pra viver sempre na nossa casa, fazendo as mesmas coisas. A vontade de um intercâmbio ou um curso em outro país no futuro ficou ainda maior depois da Disney.

Passei pela experiência meio traumatizante de um primeiro dia de aula, e eu nunca havia sido a  aluna nova antes. Posso dizer que não entrou para o meu top 5 de dias favoritos, mas serve pra colocar na bagagem e aprender que temos que saber nos virar e que não podemos ficar sonhando demais, idealizando momentos, porque a vida real é meio dura e as coisas tendem a acontecer do jeito que a gente (não) quer.

Tive que aprender a lidar com o sentimento de solidão também. Muitas vezes, me senti completamente sozinha. Temos nossos melhores amigos, mas há coisas na vida em que nós temos que decidir sozinhos. Eles não podem tomar coragem por você. A única pessoa com poder de decidir certas coisas na sua vida, é só você mesmo. Quantos sábados a noite fiquei em casa assistindo séries, vendo meus filmes, e ficando na minha própria companhia? Milhares, posso afirmar (e provavelmente muitas estarão aí pela frente ainda). Percebi que temos que nos virar sozinhos muitas vezes.

Temos que valorizar nossos melhores amigos e as pessoas que podemos confiar plenamente. Temos que aprender a perdoar, aceitar desculpas, e pedir desculpas também. Cometemos erros sem perceber e isso só nos torna ainda mais humanos. Passar por essa adolescência com alguém que você confia melhora muito as coisas, eu garanto. E torna as experiências mais divertidas, engraçadas, e no final você só vai ter boas histórias pra contar.

No final das contas, acho que muitas vezes senti um turbilhão de emoções ao mesmo tempo. Tudo super intensamente. Numa noite, parece que tudo vai acabar e o mundo não tem mais solução. Mas logo depois, a gente encontra algum motivo qualquer, por menor que seja, pra continuar enfrentando os problemas da vida, mesmo que eles sejam difíceis ou muito complicados. O tempo cura muita coisa também. Eu não acreditava nessa história antes, mas o tempo define muitas coisas. Há semanas e dias em que tudo é uma completa droga e eu não tenho esperança de que as coisas vão melhorar, mas no mês que vem elas podem ser diferentes.

Tudo é questão de aprendizado. De querer fazer que as coisas aconteçam. Porque a gente sempre ouve isso, mas talvez não entenda que nada cai no nosso colo. É preciso procurar, insistir, esperar, se decepcionar, e continuar tentando. Esse é o ciclo natural da vida.


Autores (as): Isabela Freitas
02/05/2014 | Categoria: Autores, Escrita, Textos

Resolva seu amor mal resolvido

É de conhecimento geral da nação que manter contato depois que o relacionamento acaba não é sadio. Fala sério. Como manter amizade com uma pessoa que você já trocou saliva? Ops, beijos? “E aí ex namorado, quem você vai pegar hoje?” “Fala linda, hoje vou finalizar aquela sua colega de sala.” “Beleza, boa sorte amigo!”. Exageros à parte, vocês entenderam o que quis dizer.

Experiência própria, não dá certo. Lembro que quando era mais nova tinha um amigo de que gostava muito, gostava tanto que achei que ”fosse dar certo”. Digo, deu certo, só que não para sempre. Daí terminamos e tentamos reatar a amizade. Resultado? Eu morrendo de ciúme da nova namorada dele, a namorada morrendo de ciúme de mim e ele confuso com ciúme das duas. Eu não via motivos para me afastar dele e foi necessário que a vida me mostrasse na marra, que essa amizade não seria possível.

Claro que também não estou dizendo pra você passar do lado do seu ex companheiro e cuspir na cara dele, convenhamos. Respeito e consideração eu acho que nós devemos ter por todas pessoas que já passaram por nossas vidas, o que infelizmente, não é tão fácil na prática. Vai dizer que você nunca virou a cara pra nenhum ex namorado? Ou falou mal dele quando teve oportunidade? É claro que já. Somos seres humanos. Nos magoamos fácil e dificilmente superamos em tão pouco espaço de tempo. Mas chega um dia que a maturidade fala “Alô, hora de crescer”. E a gente cresce, a gente esquece. O tempo passa e ele vira apenas um pontinho na linha cronológica da nossa vida.

O que é difícil mesmo é o tal do amor mal resolvido. Todo mundo já teve – ou vai ter – um amor mal resolvido. Daqueles que por mais que se passem anos, toda vez que você o encontra em algum lugar, o seu coração dispara. Não se sabe devido a que, amor ou ódio, mas o coração reage sempre que chega perto. Isso é culpa da mágoa, sabia? Pois é. Vamos imaginar a mágoa como uma camada de poeira em uma estante. A cada ano que se passa, mais poeira é acumulada. Um ano, dois anos, três anos. E a poeira continua a acumular. Depois que se passam muitos anos, essa crosta de poeira passa a pertencer à tal estante, tornando impossível que ela seja limpa um dia. Não dá mais pra separar poeira e estante, elas são uma só. É isso que acontece quando guardamos mágoa de alguém, quando não damos um fim à história ou melhor dizendo, quando não resolvemos o que se era pra resolver. Uma coisa que aprendi é que por mais que um livro tenha muitos pontos finais, o que conta mesmo, é o ponto final da última página. Você não pode simplesmente virar as costas para os problemas e fugir deles tão facilmente, quem dera. Tudo que você deixa para depois, te consome por dentro. Aquele trabalho que você deixa pra fazer de última hora, o relatório que o chefe pediu, aquela conversa séria com a sua mãe, aquela mágoa do ex namorado… Não tem jeito. Você só vai conseguir seguir em frente quando resolver o passado.

Então não faça isso com seu coração. Abra a gaveta, pegue todas as histórias inacabadas e dê um fim a elas. Não necessariamente feliz, mas fim.

Sobre a autora: Isabela Freitas, 23 anos é blogueira e escritora, terá seu primeiro livro Não se apega, não lançado esse ano pela edita Intrínseca. Conheça mais do seu trabalho aqui


Existe um modo?
27/04/2014 | Categoria: Comportamento, Textos

Existe uma fórmula certa para não se magoar? Para não esperar demais das outras pessoas? Às vezes a gente tenta, repete dez vezes a mesma frase de auto-ajuda na nossa cabeça, mas é difícil controlar o que sentimos. Talvez seja a coisa mais complicada do mundo. Mesmo com qualquer armadura, não tem jeito que nos impeça de se magoar. De exigir algo dos outros sem nem ao menos perceber. O gosto da decepção e da frustração é amargo e te faz lembrar de todas as outras vezes que você esteve nesse lado da história. É como se viesse um lembrete na mente: “quem mandou confiar de novo?”.

Quem te disse para ter expectativas? Para desejar que as pessoas fossem legais com você o tempo todo? A maior verdade é que sim, tem gente que não vai se importar se você ficou triste, magoado, chateado, ou qualquer coisa do gênero. Elas não ligam. O egoísmo é um dos maiores defeitos do ser humano – todo mundo é um pouco egoísta, na verdade – mas as pessoas não pensam antes de falar. Ou elas simplesmente não adivinham que qualquer frase dita sem pensar vai estragar o seu dia inteiro.

Me dá uma raiva quando achamos que as pessoas são de um jeito e depois se transformam em outro totalmente diferente. Me dá raiva entrar nas mesmas roubadas de sempre. Achar que vai ser diferente. Eu posso ser pessimista, mas de vez em quando tento ser positiva. Admito que enxergo coisas boas onde não tem, espero o melhor dos outros. E é tão chato quebrar a cara de novo. É cansativo. Ficamos meio desacreditados da vida, desmotivados de criar laços, amizades, qualquer tipo de relacionamento. A rotina do dia-dia (a minha pelo menos) já é tão excruciante e mágoas feitas no caminho só deixam tudo ainda mais sem graça.

Talvez triste mesmo seja quem perde a vontade de viver. De quem não tem mais a mesma alegria de sempre ou passa os dias amargurado. Ou talvez, a verdade é que eu sou jovem demais pra achar que tudo é definitivo. As coisas estão em constante mutação. O que acontece hoje, pode ser totalmente diferente no mês que vem. A gente só tenta, de certo modo, achar vontade pra ir vivendo as coisas, enfrentando os desafios.

De vez em quando se torna uma tarefa constante tentar achar os lados positivos em tudo. Mas há coisas que simplesmente não tem.


Somos muito mais do que aparências
25/04/2014 | Categoria: Comportamento, Escrita, Textos

Dias desses li no twitter algo parecido com essa frase: “Querida, essa abertura nos seus dentes mais parecem uma entrada para Nárnia”. Li aquele tweet umas três vezes até me certificar que não havia lido errado e vou confessar: mexeu comigo. Porque, primeiro: o que uma falha estética no dente de uma pessoa vai mudar no caráter dela? Segundo: tenho dentes abertos. E não, não me importo com isso. Pelo menos não mais. Um dia me importei, mas depois de um tempo percebi que não vale à pena se preocupar com pequenos detalhes que não acrescentam nem diminuem o que eu sou. Mas quer saber por que aquela frase me deixou chateada? Porque, mais uma vez, tive a prova de que as pessoas mais se importam com a aparência do que qualquer outra coisa.

Deixa eu falar uma coisa, para quem não sabe: muitas pessoas não tem condições de usar aparelho. Felizmente, não é o meu caso. Poderia ter ido ao dentista antes, colocado esse milagroso aparelho e ter deixado meus dentes certinhos, mas eu sou lerda com essas coisas e acima de tudo ocupei minha vida preocupando com coisas que mereciam mais atenção do que apenas uma abertura nos meus dentes. Nem sempre isso foi tão simples para mim. Teve época que eu nem queria conversar, ou mesmo sorrir nas fotos por vergonha deles, mas aprendi que sou muito mais que esse pequeno errinho que nasceu comigo. Mas e quanto às pessoas que não tem condições do qual me referi no inicio desse parágrafo, será que elas também não se importam? Muitas delas importam sim e, por causa de comentários assim, algumas param de sair para não passar vergonha.

A falha no dente é apenas um exemplo que usei. Existem comentários piores que esse que acabam inferiorizando pessoas e ocasionando em diversos problemas. A gente tem mania de criar um padrão de beleza e se algo fugir daquilo ali imposto é considerado feio e conseqüentemente deve ser excluído da sociedade.

Se eu for magra estarei dentro do padrão de beleza, se eu não for serei excluída, se eu tiver um celular do momento, uma roupa da estação, ou qualquer outra coisa que é imposto pelos doutores da mídia, com certeza serei aceita por todos. Mas caso o contrário, devo ser excluída de todo e qualquer grupo existente ao meu redor. Serio que isso ainda existe? Não da para acreditar e é uma pena ver que em vez de diminuir pessoas que pensam assim, faz é aumentar.

As pessoas são muito mais do que aparências.

Uma falha no dente não determina se alguém é simpático ou não, não determina quem ela é, mas as pessoas importam muito mais com o superficial, do que com o que está lá dentro da gente, nossa essência. É fácil julgar alguém pelo que ela aparenta, mas é difícil conhecer tudo que ela passou e aprender a gostar dela pelo que ela é.

Enquanto tivermos pessoas como essa do citado tweet, continuaremos a ter comentários que inferiorizam outros. Mas se me permite o conselho, aprende que somos muito mais do que aparentamos ser e, não importa o que as pessoas digam, não vai mudar o que somos, por isso não devemos nos importar com certas coisas.


O que sabemos? E os nossos erros?
16/04/2014 | Categoria: Comportamento, Textos

Em algum momento da vida achamos que sabemos de tudo. Mas é tão estranho ter tanta certeza de algumas coisas, ter as respostas na ponta da língua, e logo depois ver que nem tudo é como você pensou. Que nem metade das coisas que a gente achava que conhecia, eram mesmo verdade. O ser humano guarda segredos e cada um tem seus defeitos. Acho que com os aprendizados, passamos a entendê-los melhor. A verdade é que passamos por transformações, erros, experiências, e isso tudo conta. Então, quando olhamos alguns meses pra trás podemos pensar: “como eu não sabia disso antes?” Sabedoria só vem com coisas que somos obrigados a superar.

Você não é a mesma pessoa do mês passado. Pode achar que é, mas no fundo, tem alguma coisa dentro de você que já mudou. Pode ser algum detalhe pequeno, que você não vai perceber ainda, eu garanto. Mas você não é mais o mesmo. No final das contas, mudamos o tempo inteiro. Por mais que a gente não goste de admitir: mudar é necessário. Se transformar e crescer é o ciclo natural da vida. Eu mesma, não gostaria de ser pra sempre a mesma pessoa. Não mesmo!

Acho que no fundo faz bem pra nós mesmos passar por alguns problemas meio necessários. Tá, na hora, ninguém gosta. Mas lá na frente você vai perceber que aquilo te fez crescer. Deixamos de ser bobinhas com as decepções. Pense em você há alguns anos atrás: não acreditava em muitas coisas que hoje em dia você sabe que não valem a pena? Não tinha aquela fantasia sobre a vida, sobre os outros, que agora se alguém te falasse, você ia achar engraçado? Quando temos 12, 13, 14 anos, somos um tipo de pessoa. Aos 15, 16 e 17, outra totalmente diferente. Muita coisa se alterou. Não, eu não voltaria atrás e faria diferente. Não me arrependo das coisas que eu fiz.

Eu não gosto de me arrepender de nada. Ou olhar pra trás e criticar pessoas que foram importantes pra mim em um certo momento da vida. O passado pode ficar no passado e não precisamos estragar o que nos fez feliz pra provar que já superamos. Tudo bem, a gente pode pensar em muitos momentos “por quê eu fui tão idiota?” e desejar voltar atrás e refazer algumas coisas, mas precisamos saber que nos perdoar, nos desculpar, é necessário. Ficar de bem conosco. Aceitar o que fizemos.

E partir pra outra.