Passado não volta, mas também não morre
16/04/2014 | Categoria: Escrita, Textos

A gente tem mania de perder um bocado de noites de sono só pensando no que poderia ter acontecido se tivesse feito algo diferente. Mania de ser perguntar “e se…?”. De inventar e reinventar acontecimentos em nossa mente. Trazer pessoas de volta. Isso tudo porque achamos que vai amenizar toda forma de arrependimento ou dor. O problema é que em certos casos vai, mas até quando?

É comum recordar certos momentos, o erro está em recordá-los com freqüência e esquecer-se de viver o agora e poder colecionar mais memórias que possam ser lembradas em um determinado tempo. Mas a verdade é que a vida da gente é curta demais para focarmos só no passado e deixar o nosso presente.

Passado não volta, mas também não morre.

Na maioria das vezes eles são colocados no fundo de uma gaveta e quando menos esperamos, ressurgem. Às vezes causando um caos ou só para avisar alguma coisa. Mas é passageiro. Ele não fica e nem deveria ficar, porque – como diz o ditado – se passado fosse bom, seria presente. Pode parecer clichê essa frase, mas é a verdade.

Já foi não volta mais e, caso volte, não é da mesma maneira que antes. Sempre vem com novos ensinamentos e conseqüências.

O que estou tentando dizer é que tudo bem desenterrar vez ou outra o passado, desde que seja só para certificar o ensinamento que ele nos deixou. Somos feitos de pedaços, construídos através das experiências que adquirimos ao longo da vida, nossa essência é nosso passado, por isso ele não morre, mas também não volta.

Eu acho.


Ninguém nos ensinou a lidar com perdas
12/04/2014 | Categoria: Comportamento, Textos

Perdas. Durante a nossa vida passamos por muitas delas, o tempo inteiro. Podemos ter algo hoje que amamos e amanhã não termos mais. Ou podemos ter traços da nossa personalidade, coisas que nos tornam quem a gente é, que achamos que nunca irão embora. Mas um dia elas vão. Não que isso aconteça com muita facilidade; pode levar bastante tempo. Mas estamos mudando o tempo inteiro, sempre em constante transição (eu pelo menos, quando me comparo à alguns meses atrás, vejo uma mudança significativa).

Mas a gente nunca sabe lidar direito com isso. Amigos vão, pessoas que gostamos desaparecem, coisas que gostamos de fazer de repente se tornam sem graça e aquilo que nunca gostamos muito passa a se tornar uma das nossas coisas favoritas. Ou simplesmente pararmos de torcer o nariz para o que não conhecemos. Somos obrigados a deixar o preconceito com muitas coisas de lado. Passamos a compreender que o outro, apesar de cometer muitos erros, não é uma sumidade, assim como nós. Todo mundo erra e faz coisas idiotas o tempo inteiro. Compreender isso significa saber que você cresceu.

Mesmo assim é difícil aceitar as falhas dos outros. As nossas? Quase nunca notamos. Perder algo não é simples. Passamos pela fase do luto em alguns momentos. Deixar de ter alguém que sempre esteve ao seu lado contigo, é no mínimo, estranho. Achamos que essa pessoa nunca vai ser substituída, e em alguns momentos, isso pode ser verdade. Afinal, ninguém vai chegar lá e roubar o espaço importante que tiveram na sua vida.

Esse tipo de coisa nunca é encarado com bons olhos pelo ser humano. Só queremos acrescentar coisas na nossa vida. Não nos prepararam para fracassar, perder, olhar pra trás e não enxergar coisas positivas. Ninguém nos ensina como é superar tudo isso. Não nos dão conselhos sobre como lidar com esse tipo de coisa. Nós temos que aprender isso sozinhos.

É amargo o gosto de saber que algo saiu da sua vida e não se encaixa mais ali atualmente. Talvez um dia isso volte, mas naquele momento, não. Memórias são o único jeito de relembrar coisas boas, de tentar ocupar uma falta, de matar a saudade do que também teve seus pontos ruins, mas sempre fez parte da sua história.


O medo de arriscar
10/04/2014 | Categoria: Comportamento, Textos

Será que o ser humano sabe mesmo o que quer? Será que nossas decisões e escolhas não são testadas o tempo inteiro? Nos cobram maturidade, mas é difícil quando você tem 15, 16 ou 17 anos pensar nos prós, contras e nas consequências de tudo. Como eu sou meio neurótica, sempre faço tudo isso, mas 99% das pessoas da mesma idade que eu conheço não. Não dá pra calcular o destino. As coisas são imprevisíveis, e as pessoas nos surpreendem positivamente ou negativamente. Podemos apostar todas as nossas fichas em algo, e acabar quebrando a cara depois. Assim como podemos não esperar absolutamente nada e acabar tendo uma grande surpresa.

Me dizem que eu deveria fazer algumas coisas sem pensar muito. Só pra ver qual é a sensação. É de liberdade? Mas o medo de se arrepender de qualquer coisa bate forte. Por isso eu me seguro. Não sou aquele tipo de pessoa que se joga no mar sem saber o que vai encontrar lá, que vai parar num lugar sem conhecê-lo ou aposta nas pessoas sem saber como elas realmente são. Sou cuidadosa. Tento preservar tudo. E sinto dizer, pessimista. Muito. Ou diria realista? Acho que posso ter os pés no chão, mas de vez em quando espero o pior, porque aprendemos que os outros são egoístas e não vão pensar duas vezes antes de nos magoar. Ainda mais quando são jovens e nenhum deles tem muita maturidade.

Porém, eu sei que muita gente não pensa muito no que faz. Acaba se divertindo mais, ganhando novas experiências, histórias engraçadas. Em alguns momentos se arrepende amargamente, mas em outros dá sorte e consegue sair da história com um final satisfatório. Talvez esse seja o meu problema: eu não sei lidar com o arrependimento. As outras pessoas simplesmente conseguem superar isso e não ficam remoendo pelos próximos três anos. Mas eu sou assim. Não me esqueço de nada. De nada mesmo! E se demoro para perdoar os outros, imagina para perdoar a si mesmo?

Um dia eu acho que posso me jogar de cara em algo sem saber o que vai acontecer, mas desde criança eu não gosto do desconforto de estar em um local desconhecido, onde eu não sei o que esperar. É uma sensação amarga. Sou controladora. É como ficar no escuro, e tentar prever as atitudes alheias é tão ruim quanto não saber o que fazer, não saber como agir, perante à algo totalmente novo.

Talvez no futuro eu amadureça. Ou será que isso é uma daquelas características que a gente não consegue mudar? Que faz parte de quem somos? É algo que simplesmente está ali. Não pode ser tirado ou arrancado. Não faz parte da idade, da adolescência. Só faz parte de quem a gente é.


Sobre borboletas e liberdade
30/03/2014 | Categoria: Reflexão, Textos

Sabe, gostaria de falar sobre borboletas. Vamos lá: antes de se transformarem em uma, elas passam por um processo de metamorfose – de lagartas esquisitas e desajeitadas, tornam-se insetos lindos e delicados. Nada de um dia para o outro, é um processo que requer paciência e espera, entende? Aquele casulo em que se forma também faz parte do processo de transformação. É que aquele espaço apertado foi o modo escolhido pela natureza para que o esforço exercido pela borboleta exercite-a e fortaleça suas asas, para mais tarde poder voar.

Assim somos nós. Precisamos passar por etapas para conseguirmos liberdade.

Contudo, buscamos sempre pela hora de voar, apressamos o processo de mutação e muitas vezes esquecemos de que precisamos deste processo para fortalecer nossas asas e só então conseguir voar. Trapaceamos com nós mesmos ao tentar fazer um buraco no casulo para facilitar a saída. E então, depois que saímos sofremos ao perceber que não conseguimos bater as asas e as arrastaremos pelo resto de nossas vidas.

Almejamos tanto pela liberdade que colocamos de lado toda a etapa de amadurecimento. Pulamos etapas essenciais de nossas vidas que tem o papel de nos fortalecer para conseguirmos enfrentar qualquer obstáculo no futuro. E devido a nossa falta de paciência acabamos por ficar deficientes, limitando-nos a apenas rastejar pelo caminho.

Temos o habito de associar liberdade com o ato de fazer o que se quer, sem nenhuma restrição ou impedimento. Na verdade liberdade é o direito de agir de acordo com o livre arbítrio, sem prejudicar a si ou ao outro. Mas para ser livre, há uma necessidade de amadurecimento, de mostrar se estamos prontos ou não para arcarmos com as conseqüências de nossas escolhas. E para que isso ocorra, precisamos passar pelo processo do casulo, pela hora certa de sair e forçar nossas asas a romperem as barreiras.

Todos nós vamos conquistar a liberdade que queremos. Mas precisamos passar por obstáculos e, algumas vezes, um esforço extra é justamente o que nos prepara para o próximo desafio a ser enfrentado. Sem ele, é impossível aprender a voar. Quem se recusa a fazer esse esforço, acaba sem condições de vencer a batalha seguinte e chegar onde se quer estar. Por isso, ter paciência, saber esperar, lutar, descansar, mas nunca desistir são a chave para aprender a voar.


Outro caminho
25/03/2014 | Categoria: Comportamento, Textos

Nos dizem que não devemos criar expectativas. Acho que essa é uma das frases que a gente mais ouve durante a nossa vida. Ou que eu ouvi! Sou daquelas pessoas que planeja tudo cuidadosamente. Cria imagens na cabeça, falas, e quando as coisas não aconteciam do jeito que eu esperava, eu ficava triste. Triste porque é uma das piores sensações do mundo – eu garanto – querer tanto que algo aconteça, torcer tanto por uma coisa, se dedicar à isso, e parece que a vida toma o rumo contrário. Escolhe outra estrada totalmente diferente e distante daquela. Uma no qual você não quer estar.

É comum tentar pensar positivo. Se as coisas estão ruins agora, você se esforça para que elas estejam melhores no futuro. Tenta se agarrar à algum fiapo de esperança, algum sentimento, uma pessoa, o que quer que seja. Mas e quando você aposta todas as suas fichas em algo? E se decepciona tanto que fica difícil fazer outros planos, para tentar superar essa mágoa que te atingiu em cheio? Nos dizem que devemos esperar. Que o tempo resolve tudo. Pois então, eu digo: odeio esperar. Odeio mesmo. Já fui muito boa nisso, mas experiências antigas me falaram que os meses se passam e nem tudo fica tão diferente assim.

Não temos tanto tempo. Eu aprendi uma lição dolorosa, mas que é verdade: não sabemos o que vai acontecer amanhã. Nem depois de amanhã. Ou daqui a cinco minutos. A vida pode estar normal num dia e nos surpreender nos próximos segundos e ninguém sabe se tudo não vai dar um giro de 90 graus ou onde vamos parar.

Eu não gosto de deixar as coisas para o próximo mês. E mesmo que a gente vá de cabeça erguida, aceitando as novas possibilidades, as coisas que nos acontecem, é árduo aceitar duras mudanças. É complicado se adaptar. E é ainda mais difícil para aqueles que são sonhadores, que planejam tudo nos seus pensamentos, ver seus planos tomando o rumo contrário. Pera aí. Não era nada disso que eu estava esperando! E não foi por isso que eu me esforcei tanto.

Lutamos muito por alguma coisa só para chegar lá e descobrir que nada é aquilo que esperávamos. Ou que a gente simplesmente não se encaixa ali. Ter a sensação que não tem um lugar do qual você realmente pertence, e continuar buscando-o, é só para quem é perspicaz e corajoso. Não tem medo de percorrer longas distâncias para no final não achar o que procura. Mas cansa caminhar por lugares complicados e nunca se satisfazer.

Eu não sei se essa busca incessante não acaba nunca ou é só resultado da eterna sensação do ser humano de querer mais, buscar por mais, desejar mais do que tem. Mas eu admito, sou ambiciosa. Sempre quero coisas maiores, lugares melhores, mais amigos. E sei que no fundo talvez, só o que a gente precise é de coisas simples e que nos façam feliz. Mas eu sempre quero mais coisas. E sim, eu já aprendi que não podemos ter tudo o que queremos. Isso é algo que eu já entendi faz tempo e de 90% das coisas que eu quero muito, só 15% delas se realizam, e não é por falta de vontade.


Fora da bolha
06/03/2014 | Categoria: Comportamento, Textos

Frio na barriga. Ansiedade. Nervosismo. Aquelas sensações que temos quando não sabemos o que fazer, quando não temos nem ideia do que nos espera ou do que teremos que enfrentar. O cotidiano pode ser absolutamente monótono de vez em quando, mas existe situações em que ele resolve nos surpreender, brincar com a gente. Já não te falaram que nos envolvemos com as pessoas que menos esperamos, e vivemos experiências quando menos aguardamos?

Eu tenho uma ansiedade gigante para viver coisas diferentes. E é a primeira vez que vou para outro país, fazer uma das coisas que eu mais adoro: poder observar pessoas que nunca vi, explorar lugares novos, ver como os outros se comportam, sair do meu bairro, da minha rotina, do meu mundo que é tão pequeno perto de tantas coisas que existem por ai.

Você já teve a sensação de que vivia quase numa bolha? Eu tinha, e consegui quebrá-la no início desse ano. Vi que expectativas e realidade não são a mesma coisa, e que muitas vezes, o que tanto imaginamos na nossa cabeça não chega nem perto do mundo real. Nenhum recomeço é fácil, acreditem, e nada é como a gente espera. As pessoas não agem roboticamente como imaginamos, e muito menos, as coisas tomam rumos sem que nós não nos esforcemos para isso.

Eu gosto da sensação de sair dessa bolha. Às vezes, saindo da cidade, indo para outro lugar, entrando em contato com outras pessoas que nunca vimos, temos a impressão de que nossos problemas e neuras podem ser gigantes no mundinho em que vivemos, no qual as aparências são sempre o mais importante, mas para os outros, isso pode não significar praticamente nada. Em outro lugar do mundo, tudo pode ser diferente. E dai, vamos ver que não precisamos nos preocupar tanto com coisas que na verdade são pequenas, mas que tomam grandes proporções dentro da nossa cabeça.

É difícil aceitar que nossos problemas podem não ser os maiores do mundo – por quê eles importam pra nós – mas acho que vai ser bom enxergar outras coisas, conviver com outras pessoas. Nem tudo é definitivo, nem tudo precisa ser urgente e “pra sempre.” O futuro é incerto, e nós nunca sabemos o que virá. “The world is a book and those who do not travel read only one page.”


E agora nós?
04/03/2014 | Categoria: Amor, Comportamento, Textos

Mas tudo bem, tudo bem. Pode acreditar em mim. Não devíamos ter confundido tanto as coisas. Nascemos para sermos amigos. A-m-i-g-o-s. Desses que ficam semanas sem se falar e quando se procuram nada mudou. Nem a forma de abraçar ou o “oi” através de mensagens. Esses amigos que implicam 24 horas por dia um com o outro. Tudo bem. Naquele último dia em que nos vimos, na última conversa que tivemos pessoalmente, por mais duro e difícil que foi eu descobri que não poderíamos ser nada mais que amigos. Não simples amigos, você sabe, nós dois nunca fomos simples em nada. Complicamos tudo, absolutamente tudo. “Simples amigos” não serve para nós dois. Naquela festa, eu descobri isso. Eu percebi que seria loucura tentar amar você como minha mãe ama o meu pai ou como o seu pai ama a sua madrasta. Você entende? Não dá. Simplesmente não dá. Por quê? Eu também não sei. Mas quando você estava lá, conversando com aquele seu amigo bêbado e eu te observando (in) quieta, eu tive certeza disso. Por mais difícil e triste que seja de aceitar, eu precisei parar de insistir. Porque simplesmente não era pra ser. Mesmo que eu tenha pedido você em todas as estrelas cadentes que eu já vi. E todas as moedas que eu joguei na fonte, meu pedido era você. E quando eu ouvia alguma música, meu pensamento voava até você. Nos meus sonhos, era você. Tudo. Absolutamente tudo. Os caminhos que eu seguia, os passos que eu dava, sempre pensando em você. E nada poderia ser mais triste do que aceitar o fato de que não era pra ser. De que nunca passaríamos de bons amigos. Nem mesmo uma “amizade colorida” funciona com nós dois, porque complicamos tudo. Porque sempre queremos mais e mais, além da simplicidade, além do que podemos. E assim acabamos esquecendo que isso pode ser que tanto procuramos. Mas, olha, está tudo bem. Antes perceber cedo do que insistirmos até não conseguirmos mais olharmos um para a cara do outro, não é? É. Claro que é. Melhor assim. Amigos. Como sempre foi, como sempre deveria ter sido. Nada além. Eu não te procurei porque achei que deveria sentir a minha falta. E parece que você sentiu! Por um momento, eu senti um fio de alegria, de esperança… Mas lembrei de tudo e não, só amigos. Lembra? Lembro. Então, é isso. Você vai precisar visitar o seu pai qualquer dia, vai me mandar alguma mensagem dizendo que está na cidade, se podemos nos ver. Só para conversar. E eu não vou conseguir digitar um “não” como resposta e enviar. Só que dessa vez nossas intenções serão diferentes. Você não vai mais reclamar por eu ter demorado tanto pra chegar ou pela forma que eu arrumei o cabelo. Nem mesmo vai se preocupar se eu não estou com frio ou calor com a roupa que estarei usando. Vamos sentar, pela primeira vez, a quase um quilômetro de distância um do outro e, agora, diferente das outras vezes, você não vai se importar em eu ter sentado um degrau a mais que você. Porque agora já não faz tanta diferença eu parecer um pouquinho mais alta que você. E também não vamos sair correndo, com medo, quando um casal chegar no parque e nos ver por lá. Dessa vez, somos amigos. Nada mais. E você vai olhar para o longe, e eu já não irei comentar sobre o tempo, como o céu está cinza, porque o seu silêncio me assusta e me dói. Mas é uma dor bonita. Meu telefone irá tocar algumas vezes, mensagens dos meus outros amigos. Não tão especiais e importantes como você. Não tão essenciais na minha vida como você. Não tão incríveis como você. E eu vou ler, e rir. E você vai sorrir de canto para mim, num silêncio quase infinito. E o tempo passa, as nossas conversas já não são mais as mesmas, tudo mudou. Mas meu coração ainda irá acelerar quando os teus olhos castanhos ficarem dourados no reflexo do sol. E minha risada será ainda mais verdadeira quando você contar uma das tuas histórias. Porque existem certas coisas que não mudam. Jamais. Na hora de ir embora, nos abraçaríamos. Aqueles abraços que não dá vontade de sair, nunca, você sabe? E eu iria te dar tchau, você acenaria de longe e depois desapareceria. E eu ficaria ali, por um bom tempo, tentando absorver tudo. Tudo. E depois, todo o meu pensamento se transformaria em lágrimas, em lembranças. Doces lembranças. Porque eu sei que nunca vai ter alguém como você. Nem para ser meu amigo ou meu namorado, marido. Porque você é único. A sua risada é única, seu jeito de me fazer sorrir, a cor do seu cabelo é única. Seu cheiro não se encontra nem nas melhores lojas de perfumes. Seu abraço, sua respiração, seu coração batendo junto ao meu… Nada nunca será igual com outra pessoa. Agora nós somos amigos. E você talvez nunca tenha sentido algo como eu senti, nem tenha percebido o que eu percebi. Talvez tudo aconteça diferente, quem sabe, eu olhe para trás e veja: ele é o homem da minha vida. E você é. Mas antes disso você precisa parar e perceber que também precisa de mim. Precisa voltar a me ligar às 4 da manhã, em número desconhecido, para saber se eu ainda reconheço a tua voz. Precisa voltar a me provocar até que eu sinta ciúmes de você, até sentir que eu ainda sou a mesma. Precisa me irritar, me tirar do sério, precisa dizer coisas bobas. E sabe, semana passada eu conheci um outro garoto. E ele é divertido e tem uma conversa legal. Ele tem olhos azuis e o cabelo loiro cheio de cachos. E nós ficamos abraçados por um bom tempo. Mas eu percebi que ele é só mais um, e mesmo que eu tenha pensado em ligar para ele por dois dias, eu penso em ligar para você há muito mais tempo. E eu amo você, ainda que você já saiba. Eu amo muito você, muito, muito. E não importa o que o futuro nos reserve, ainda amarei você. Nunca ninguém conseguirá o que você conseguiu de mim. Você é a minha melhor lembrança, você é uma força, você é o melhor amigo, o melhor beijo, o melhor abraço. E ninguém nunca vai tirar você de mim.


O que eu quero para o amanhã
02/03/2014 | Categoria: Comportamento, Textos

Juro que não imaginei que as coisas iam estar assim. Tudo aconteceu tão rápido que eu nem percebi. A gente muda de uma hora para a outra. Em minutos, dias, semanas. As coisas podem acontecer e você nunca mais vai ser o mesmo, nunca mais vai ver o mundo do mesmo modo ou ter os mesmos pensamentos. Estamos em constante mutação, e mesmo que de vez em quando as coisas estejam tão difíceis que você nem quer sair da cama de manhã, o futuro sempre parece lhe guardar algumas surpresas que vão te deixar feliz no dia seguinte.

Admirei sorrisos, recolhi abraços, e as memórias sempre ficam na nossa cabeça. Registradas. Os intensos sabem guardar cada detalhe na cabeça e eles nunca vão perder nenhum deles, por quê querem relembrar depois. Cada momento pequeno de felicidade fica pra sempre dentro de si mesmo e acho que ninguém, nem nada no mundo, pode nos tirar disso, arrancar isso de nós.

Às vezes eu acho que entendo tudo, compreendo todo mundo, que não tenho mais nada para descobrir. Esse é o pensamento mais ingênuo e bobo que alguém pode ter. Sempre existe mais alguma coisa do qual a gente vai ser obrigado a enfrentar. Sempre haverá uma informação nova, uma coisa que a gente não aprendeu ontem. E os dias seguintes podem nos guardar coisas novas. É cedo demais, de vez em quando, para jogar tudo para o alto e desistir.

Desistir parece decepcionante. Não é algo difícil de fazer, na verdade. Você não precisa ser corajoso. Abandonar os seus sonhos e os seus objetivos parece triste demais, mas em alguns momentos é como se fosse a única opção disponível, quando nada parece acontecer e as coisas nunca aparentam se encaixar ou estar no lugar certo. Não é simples passar por isso. É preciso ser paciente, e forte, porque as dores da vida sempre deixam marcas e não é qualquer pessoa que sabe lidar com elas, acredite.

Em muitos momentos parece tarde demais. Parece que muita coisa não tem solução, e é complicado tentar achar o lado positivo nas coisas, quando elas parecem nunca existir. Você se sente cansado, sem nenhuma força ou vontade de agir. Dá vontade de deixar as coisas agirem por si mesmas, sem fazer esforço, sem tentar mudar nada, mas você já leu aquela frase que diz que destino é só uma desculpa para esperar pelas coisas sem fazer nada para elas acontecerem?

As pessoas podem nos surpreender positivamente de vez em quando, mas nem sempre. Só que deixar tudo nas mãos do futuro é pouco pra quem quer que as coisas aconteçam agora, nesse momento. Eu não sei esperar. Me desculpem, mas eu não sou paciente. Quero as coisas naquele momento. Já aprendi que quando se aguarda demais, nunca vem nada. A gente tem mais é que enfrentar tudo, para finalmente conseguir o que quer e sair do lugar.


Novos começos
14/02/2014 | Categoria: Comportamento, Textos

O futuro é sempre incerto, pelo menos para a maioria de nós. Não sabemos o que está por vir e muito menos as coisas pelos quais vamos passar nos próximos meses, nos próximos anos. A vida de vez em quando nos leva para lugares inesperados. Se você voltasse alguns anos atrás, estaria hoje no lugar que imagina? Foi exatamente isso que você planejou? A gente sempre traça planos, faz alguns sonhos e imagina situações na nossa cabeça, mas é engraçado como tudo vai ao contrário. Vamos parar onde a gente menos imaginou que iria.

E temos em alguns momentos a chance de uma nova oportunidade. De conhecer amizades novas, pessoas que não tem nada a ver com a nossa personalidade, mas mesmo assim conseguem acrescentar alguma coisa na nossa vida. Passamos por experiências loucas, outras que acontecem de surpresa e são boas, e algumas muito ruins. E ao mesmo tempo temos que dar a volta por cima. Sem chorar demais ou ficar com aquela mágoa guardada. Por que enquanto sofremos, as coisas acontecem e os meses passam sem que a gente perceba.

A verdade é que temos que estar preparados. De mente aberta, e principalmente, com uma coragem que muitas vezes as pessoas não tem. É difícil ser corajoso, eu admito; não é a coisa mais simples do mundo. Mas temos que ter na nossa cabeça que temos que estar prontos para tudo que vier. Para os desafios e para o fato de que vai existir muita gente que vai nos olhar torto, que não vai gostar (ou entender) quem nós somos, mesmo que a gente tente.

Leva tempo para descobrir quais coisas realmente queremos e que decisões vamos tomar. Pelo caminho vamos cometer muitos erros, burradas, podemos fazer coisas que não vamos nos orgulhar no dia seguinte, mas também sempre temos a decisão de fazer uma escolha certeira. De não ter vergonha de si mesmo, e nem se deixar levar pela pressão dos outros. E fazer o que você confia que seja certo. E não olhar para trás e nem para as outras pessoas, para saber se eles aprovam ou não.

Não podemos tentar controlar tudo ao nosso redor e nem as outras pessoas. Elas vão, de um certo modo, nos decepcionar e nos agradarem em alguns momentos também. Recomeços estão ai, disponíveis pra todo mundo. Todas as pessoas podem encontrar uma nova possibilidade – por mais remota que seja – de achar o seu caminho, ou um outro caminho. Podemos estar insatisfeitos, mas as coisas não vão mudar ou sair do lugar sozinha.

É preciso um pouco mais de cara de pau, de instinto, de confiança em si mesmo. Pra sair da zona de conforto e enfrentar o mundo.


Minha abstinência de você
01/02/2014 | Categoria: Crônicas, Escrita, Textos

Você me transborda de tanta presença em mim. Provoca um rompante e quebra a ponte justamente na intercepção de meus medos e minha coragem insana de amar. Os resquícios não me deixam mentir que você passa por aqui e não permanece, ou permanece e cansa logo e vai embora deixando um turbilhão de neuras que se propagam por todo o meu corpo provocando um alagamento em meus olhos e me afogo em meio às salivas que não descem mais à garganta.

Você me provoca acidez na boca causada pela amargura de suas palavras mal escolhidas para dizer que não me quer mais. Me deixa estacionada em frente a porta da sala após sair sem nenhuma preocupação de ter ferido meu ego emocional. É que a sua ignorância não tem limites comigo e é sua forma de dizer que tem algo ai dentro de você que se importa, mesmo que seja em manter o controle para não perder a sua indestrutível arma da razão.

Mas ambos sabemos que você perde o contexto das coisas ao entrar pela porta da frente novamente e declarar que não sumirá mais e que estava de cabeça quente e que você é aquele amor-vem-e-vai que toda mulher um dia vai ter e que são esses amores os verdadeiros. Você me convence a te deixar entrar e ficar mais um dia comigo, ai é o caos total novamente.

Você me sorri e me desenha. Seus olhos conversam comigo e me dizem que você é aquele cara-com-cara-de-idiota-mesquinho-possessivo e eu sorrio da forma como me pede um abraço de reconciliação. Você não tem jeito, eu não tenho jeito e nós não temos jeitos. Somos aquele emaranhado de sensações que causam choques, desentendimentos e reconciliações. Nos chocamos com nossa teimosia. Cada qual contando uma versão, querendo descrever de forma diferente o mesmo lado da moeda.

É que você não entende o que eu quero dizer quando te digo que não importo mais e você foge de novo para o seu mundo de cafajestes que tiveram uma desilusão amorosa e bebe um porre e esquece na mesma hora que te mandei embora e me liga falando as palavras carregadas e embargadas. Custo entender o que você diz: “eu bebi para substituir a minha abstinência de você”. Vinte minutos depois entrego o dinheiro para o taxista enquanto você já deitou de qualquer jeito na minha cama e caiu no sono.

Cansada dos nossos jogos te observo dormir e decido: não vou mais te expulsar da minha casa. É porque percebo que você me pertence e eu a você. Que em cada célula do meu corpo você está presente e a cada gota do seu sangue eu habito. E não há briga que nos tira a presença do “nós” em nossas vidas.