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    Comportamento, Textos

    As mulheres que eu admiro estão do meu lado

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    Blogs, Comportamento, Escrita, feminismo, Videos

    Ronda Quinzenal #1 – O que há de mais interessante na internet

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  • Agosto 9, 2017
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    Eu gosto de observar casais. Pode parecer estranho, mas eu sempre encontro alguma beleza nos casais que andam pela rua. Eles não precisam estar expressando nenhum tipo de afeto: é possível reconhecer um sentimento mútuo só pelos olhares. Outras pessoas preferem demonstrar de outras maneiras. E o que eu percebo é que as palavras sempre ficam como segunda opção. Pode ser um abraço, um afago no braço ou o leve tocar de mãos. Cada coisa pequena carrega um significado enorme. E tem algo de charmoso em perceber o quanto um olhar pode dizer tudo: mesmo que a boca não diga simplesmente nada.

    Eu sei que todos os dias a gente sai de casa apressado e correndo contra o relógio. Eu mesma sempre tenho milhares de coisas para fazer, e eu acabo não enxergando nada no caminho. Parece que tudo é um borrão. E inevitavelmente esquecemos de reparar em coisas significativas que acontecem ao nosso redor. Elas não precisam ser grandes: mas elas estão sempre ali. O mundo é caótico e todo mundo está meio perdido, eu sei. Mas eu tento não deixar o meu lado sensível desaparecer. Por mais que o meu lado realista seja mais forte que o meu lado romântico, eu ainda quero manter a minha sensibilidade. Para mim, conseguir enxergar o outro é importante. Eu não quero ver só eu mesma, ou ter a minha visão limitada à minha rotina e aos meus problemas.

    Eu passei anos enxergando o mundo de uma maneira extremamente cinza. Eu não via graça em nada. Tudo era difícil, complicado e trabalhoso demais. E até as coisas leves me irritavam. A minha ansiedade tem uma boa parcela de culpa nisso tudo. E quando eu consegui me desamarrar dela, eu decidi que seria um pouco mais gentil. Eu só consegui fazer isso após aprender a ser gentil comigo mesma; e há mais de um ano, eu prometi que tentaria ver as coisas de outro modo. De uma maneira melhor. De vez em quando eu observo uma situação que faz o meu coração se sentir confortado. Até mesmo quando eu não estou tendo um dia bom.

    Eu não comecei a ter essa visão de um dia para o outro; demora um tempo até a gente se acostumar a ver os dias de uma maneira mais positiva. Pode ser complicado encontrar beleza em certos lugares. E de fato, existem momentos em que ela parece realmente não existir. É aí que eu me dou o direito de ficar no meu canto, sem exigir demais de mim mesma.

    Depois de algumas decepções e caras quebradas, eu achei que deveria ser mais realista. Que eu tinha que parar de idealizar as coisas na minha cabeça, vê-las de uma forma totalmente diferente do que elas eram. Eu achei que para ser forte eu não podia me apegar demais, deixar os meus sentimentos expostos. Parar de me doar tanto. E até hoje, eu confesso que ainda sou fechada. Demoro para me envolver e mais ainda para dizer o que eu sinto. Mas eu percebi que cultivar a sua sensibilidade não tem nada a ver com ser fraco. Decidir ir contra a maré e assumir o que você sente, chorar quando quiser e não ter medo de sentir, é a atitude mais forte que existe. É preciso coragem para bancar os seus sentimentos.

    E às vezes, não tem nada que demonstre mais a sua força que isso. E eu sinto orgulho de mim mesma por tentar, mesmo que aos poucos, ver as coisas que estão tão perto de nós, de um jeito um pouco mais belo.

    Julho 12, 2017
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    Às vezes eu tiro uma força de dentro de mim que eu nem sei de onde saiu. Às vezes penso que não tenho mais vontade, nem paciência, nem mente para encarar alguns desafios. Passo semanas na fossa, ou meses. E cometo o erro de achar que não vou conseguir sair de lá. Que as coisas não tem mais sentido, que tudo é complicado demais, que não é pra mim. Não é vitimismo: é apenas quando o corpo cansa e você fica exausto de repetir as mesmas ações, e ter os mesmos objetivos que ainda não se realizaram.

    Mas aos poucos, eu me reconstruo de novo. Não se engane: leva tempo. Eu nunca fui de fazer as coisas rápido. Minhas decisões demoram para serem tomadas, as mudanças não são encaradas em cinco dias e eu sempre repenso tudo na minha mente. Converso, reflito, choro, tenho crises, volto, peço ajuda, peço um abraço. Respiro fundo, começo outro ciclo, acho que não vou conseguir. Consigo. Por mais que a gente ache que está sozinho, sempre tem alguém que pode te estender a mão. Que pode te ouvir, te aconselhar, e vai te ajudar a acreditar de novo em quem você é.

    Desde criança eu resistia até o final, mesmo nas situações mais difíceis. Ir embora quase sempre nunca foi uma opção; até eu aprender que finalmente ir pode ser o melhor remédio. Mas eu costumo segurar as pontas até o final, até elas escorregarem dos meus dedos. Em resumo, eu não desisto facilmente. Essa característica pode nos levar a boas ou más experiências. Boas, porque sempre tentamos de novo. Más, porque algumas pessoas ou situações não valem a insistência.

    O fato é que depois que eu consigo me curar, sempre tem um ponto de esperança e positividade que me fazem seguir em frente. No início eu não acho que vou encontrar essa sensação, essa força física e mental novamente, mas o processo de reconstrução nos ensina que devemos lutar e persistir por aquilo que acreditamos. Mesmo que doa, mesmo que seja complicado, se você quer muito algo – de verdade – é necessário tentar. É preciso dar uma outra chance. E é o que eu estou fazendo agora: me dando mais uma chance. Mais uma tentativa. Abrindo outra oportunidade para mim.

    Eu mereço. Eu mereço. 

    Afinal, mesmo que vez ou outra eu me quebre, eu sempre acho um jeito de me reconstruir. Eu sempre acho um jeito de me curar.

    Julho 5, 2017
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    Ás vezes pequenas coisas abalam quem nós somos. Uma mensagem, uma briga, uma situação que não estamos acostumados, o comentário de alguma pessoa. E é nesses momentos que eu me sinto frágil: como se toda a minha construção ficasse pendendo para os lados. Como se o equílibrio – que eu luto tanto para conseguir – se quebrasse em alguns segundos. Eu sei que evoluir é algo que leva tempo. E que só porque caímos nos conceitos antigos de novo, não quer dizer que tenhamos voltado para à estaca zero novamente. Mas é difícil não pensar que partes de mim que eu achei que não existiam mais, ainda estão guardadas em algum lugar aqui dentro. Como se estivessem só esperando para renascerem de novo.

    A parte que se sente extremamente insegura, que fica ansiosa por coisas bobas e que acaba colocando os seus julgamentos e percepções na frente de outras coisas. O desconforto volta e eu me sinto fora do lugar e do eixo, coisas que eram comuns para mim quando eu tinha 16 e 17 anos. Parece que algumas tendências nos acompanham por muito tempo, e acabamos achando que elas são parte de nós. Mas não é verdade. Só que dói encará-las novamente.

    Se sentir sozinho, também traz o sentimento de se sentir perdido. Você sabe para onde ir, mas não tem certeza que aquele lugar que está chegando é o que você realmente quer. A minha vida tomou rumos inesperados: algumas vezes isso foi bom, e em outras, ruim. Por isso, tento seguir sem expectativas. Sem criar visões na minha cabeça, e tentando matar todas as borboletas que surgem, porque eu não quero me decepcionar. E é por isso que eu sempre encaro o que eu não conheço com um monte de armaduras no corpo. Sabe quando você está sempre na defensiva? Carregando o medo ao seu lado?

    Um dos meus maiores desejos é deixar de ser pessimista. E eu juro que vou tentando a cada dia ser mais positiva. Olhar para tudo de maneira mais gentil. Eu fiz um grande progresso nos últimos meses, quando finalmente entendi que não podemos controlar nada, mas ainda carrego comigo alguns traumas e sentimentos complicados que vez ou outra, reaparecem.

    E encará-los de frente, ver que eles ainda estão ali, como um desafio, é assustador. Mas eu quero ter coragem. Para mudar, para descobrir, para abraçar as novas experiências, estar aberta à elas. Mesmo que a minha personalidade insista em carregar a verdade absoluta de que as coisas devem ser imutáveis, eu sei que isso não é bom pra mim. Nem pra ninguém.

    Eu quero ter coragem. Eu quero enfrentar as coisas de peito aberto, e sem achar que estou regredindo, quando eu paro um pouco no caminho para simplesmente chorar, e expressar os meus sentimentos.

    Março 16, 2017
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    Quando eu conheci a palavra “feminismo”, eu sabia muito pouco sobre ela. Na verdade, eu quase não a ouvia na rua, e também não tinha ninguém próximo de mim que falasse: “eu sou feminista.” Eu não me lembro exatamente quando a ouvi pela primeira vez, mas eu tenho certeza que eu descobri sobre ela por meio da internet. Foi por meio de sites e blogs que eu aprendi sobre o que era a luta por igualdade de gênero, e de direitos das minorias, como as mulheres negras, trans, e a comunidade LGBTQ+.

    Eu li muitos textos, artigos, e matérias de revistas para poder me informar sobre o que era esse movimento. E nos primeiros momentos, eu já me identifiquei. Hoje, eu continuo sempre tentado me informar e saber mais sobre esse assunto e diversos outros que também estão incluídos na luta do feminismo, e os meus grandes aliados são esses sites que eu cito aqui no post, que além de falar sobre o movimento, também enaltecem e divulgam o trabalho de mulheres, de maneira diferente do que já foi feito antes.

    Arte da designer e ilustradora Amanda Gotsfritz

    Arte da designer e ilustradora Amanda Gotsfritz

    • THINK OLGAO site é um dos mais reconhecidos do Brasil quando se fala de campanhas feministas e informação para empoderar mulheres, que é um dos lemas do portal criado pela jornalista Juliana de Faria em 2013. Além dos posts que falam sobre mulheres inspiradoras, direitos da mulher negra e violência doméstica, a Olga é responsável pela campanha Chega de Fiu Fiu, que fez uma pesquisa extensa sobre o assédio no Brasil, e que em breve, vai virar filme. Leia: “Por Um Jornalismo Não Sexista”, e “Homens Famosos Não Pagam Por Seus Crimes“.

     

    • GIRLS WITH STYLEO GWS, comandado por Nuta Vasconcellos e Marie Victorino, fala sobre moda de uma maneira diferente. Além de conteúdo sobre auto estima, e de como usar tendências ao seu favor (e não de maneira que elas te deixem insegura), o site aposta nos movimentos do slow fashion e divulga produtos veganos e eco-friendly. O que eu mais gosto no blog é de como as autoras conseguem captar as novidades do mundo fashion, sem ser artificial, e sim incentivando as mulheres a amarem a si mesmas. Tem muito texto reflexivo também! Ah, e elas promovem oficinas e workshops no espaço GWS. Leia: O Que É Empreender?” e “Nem Gorda, Nem Magra.”

     

     

    • REVISTA CAPITOLINA: Uma revista independente feita para garotas jovens, a Capitolina tem como intuito principal abordar temas de interesse do público feminino, mas de uma forma que não é encontrada facilmente por aí. Tem espaço para colunas de games, tecnologia, cinema & tv, fotografia, dentre outros. Ela possui diversas edições, cada uma com um tema específico. A nova edição saiu neste mês, com o tema “luta.” A partir daí, os posts são baseados neste tema. Os textos, além de muito bem feitos, ainda trazem diversas informações interessantes (ótimo para aprender mais). Leia: “Quem foi Harriet Tubman?“, e “Sertanejo e sofrência: o que as mulheres estão cantando?”

    Sintam-se livres nos comentários para deixar sugestões de blogs que vocês conhecem, gostam e acompanhem também! E vai rolar outros posts como esse ainda!

    Dezembro 29, 2016
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    Eu sempre gosto de fazer uma reflexão sobre como foi o ano que se passou. Acho importante para que eu possa encarar os próximos doze meses com uma perspectiva diferente. Eu gosto de ter a sensação de que eu aprendi muito e que eu amadureci. Eu sinto que me tornei uma pessoa diferente, e nesse ano, posso afirmar que foi para o melhor. Desde 2013 eu tenho tido anos bem caóticos (um mais doido que o outro, e não só em maneiras positivas). Eles foram super turbulentos. Um milhão de coisas aconteceram, e eu nem tive tempo para organizar tudo na minha cabeça. E 2016, apesar de ter trazido momentos instáveis, me ensinou a ter mais tranquilidade. Eu pude respirar com calma, algo estranho de se dizer, já que eu me preparei para o vestibular de novo e todo mundo sabe como é essa fase.

    Depois de assistir ao vídeo da Stephanie, eu me peguei pensando no que aconteceu de legal comigo neste ano. Em 2015 eu tive experiências incríveis (como o show do The Maine e o Rock in Rio) e esse ano não trouxe tantas coisas marcantes, mas me fez superar problemas muito complicados que eu achei que ficariam comigo por mais tempo. Mas, a luz no fim do túnel existe sim, gente! Eu raramente falo sobre esse assunto, mas eu sofri muito com a ansiedade no ano anterior em níveis horríveis. Eu procurei ajuda médica e descobri – apesar de já desconfiar, claro – que eu tinha sim um problema sério com ansiedade. E eu decidi que queria enfrentar isso, que eu queria voltar a ser a pessoa que eu era. Doenças mentais podem tirar o melhor de quem nós somos. Essa é a verdade nua e crua. Mas por mais que pareça que elas não tem solução, sim, você pode superá-las. 

    Eu não vou dizer que é a coisa mais fácil do mundo, porque esse foi o meu grande desafio este ano. Muito maior do que estudar para o vestibular, ou enfrentar um cursinho. Conseguir ter uma mente saudável de volta e entender que os problemas que eu tive no passado influenciaram em tudo isso, me ajudou a entender que nada importa mais do que a sua saúde mental. E que dá trabalho: você precisa se esforçar para melhorar, para começar a enxergar o mundo de uma maneira colorida de novo. Você precisa assumir um compromisso consigo mesmo. No inicio do ano, eu prometi que iria fazer exercícios físicos (eles ajudam muito!), que eu iria ser mais gentil com as pessoas ao meu redor e iria encarar tudo com mais positividade.

    No começo, os dias ruins eram maiores que os bons. Mas as minhas atitudes começaram a dar resultado, e os dias legais se multiplicavam. Eu comecei a ver graça em coisas simples. A valorizar mais os momentos pequenos, como dar risada com um amigo, conhecer pessoas novas que combinavam comigo, dar um sorriso para aquela pessoa que eu via todos os dias de manhã. E aprendi algo muito importante, que eu vou levar para a vida toda: ser gentil é fácil, gratificante, e o mundo precisa de boas ações.

    Eu compartilhei com as pessoas próximas de mim coisas que eu aprendi e que não quero esquecer mais. Os nossos sentimentos são válidos, e a gente tem que acreditar que é capaz de superar o que parece quase impossível. Nenhuma doença define quem você é. Nada que alguém do passado tenha te dito define quem você é. E mais importante, cuide de si mesmo, e daqueles do qual você se importa. Em 2016, eu quis vencer a ansiedade. E eu consegui. Tem dias que são complicados, tem dias que são ótimos. Mas eu consegui recuperar o sorriso no meu rosto, que tinha desaparecido faz muito tempo. E essa foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos anos.

    Eu espero que o próximo ano me traga mais aprendizado, experiências boas, shows maravilhosos, muitas bandas legais e momentos com quem eu amo. E o que vier, eu vou encarar de frente. Vou tentar achar coisas boas. Mesmo que seja em um caminho que eu não havia planejado antes.

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