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    Playlist: Fevereiro

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    Os melhores livros de Janeiro

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    Livros

    Livro: Me Chame Pelo Seu Nome

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    O verão ainda está longe de acabar

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  • Janeiro 7, 2019
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    Eu confesso que nas férias um dos meus lugares favoritos é o sofá. Eu aproveito pra ler um monte de livros, que eu não pude ler por falta de tempo durante o semestre, e assistir muitas séries e filmes na Netflix sem sentir culpa por precisar fazer trabalhos e artigos. Em Janeiro temos diversos lançamentos; é até dificil filtrar o que vale a pena ou não. Selecionei os meus favoritos que eu assisti neste mês e no final de Dezembro!

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    Plan Cœur – 1 Temporada (8 episódios)

    Essa é a segunda aposta da Netflix da França. O seriado, todo produzido no país francôfono, é uma comédia romântica bem gostosa de assistir, principalmente se você gosta de produções francesas, que costumam ter uma pegada diferente (eu fiquei ansiosa para acompanhar, pois também é legal para praticar a língua). A protagonista é Elsa (Zita Hanrot), que está na casa dos 30 anos e trabalha na prefeitura de Paris. Ela terminou um namoro longo e ainda tenta superar o ex, que a traiu e agora está noivo. Suas amigas, Charlotte (Sabrina Ouazani) e Emilie (Joséphine Drai) a acompanham nesta jornada; a série fala sobre relacionamentos numa perspectativa do mundo adulto, principalmente como as relações funcionam: seja com o casal que está esperando um bebê, a mulher que não quer assumir um namoro sério ou Elsa, que se vê apaixonada por Jules (Marc Ruchmann) um gigolô (!) que foi contratado para sair com ela.

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    YOU – 1 temporada (10 episódios)

    Se você gosta de suspenses como “Garota Exemplar”, considere YOU um dos melhores lançamentos de final de ano da Netflix. Sabe aquelas séries que são intrigantes e você não consegue parar de assistir? Baseado no livro homônimo da autora Caroline Kepnes, a série retrata a obsessão que o protagonista – e narrador da história -, Joe (Penn Badgley), desenvolve pelo seu interesse amoroso, Beck (Elizabeth Lail), uma aspirante a escritora em Nova York. Mas não espere por romantizações: tudo acontece pelo ponto de vista de Joe, mas é preciso ser um telespectador esperto para não cair na armadilha que o próprio personagem propõe, ao explicar os acontecimentos na sua versão. A série também faz críticas ao mundo das redes sociais, da exposição e dos namoros em que ciúmes e “preocupação excessiva”, passam despercebidos e justificados como “amor”.

    A verdade é que a série possui diversas camadas. Apesar de trabalhar com clichês em diversos episódios, é possível fazer uma análise profunda de muitos momentos, como o machismo que Beck sofre o tempo inteiro; ele parte de todos os lados, e não só do seu namorado possessivo e problemático, que sabe muito bem se passar pelo cara ideal, escondendo sua personalidade manipuladora. Vale muito a pena assistir.

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    Soltera Codiciada (Como Superar Um Fora)

    Na fase da Netflix em apostar em produções internacionais, fomos presenteados com o longa peruano Soltera Codiciada, um dos filmes mais legais que a plataforma já apostou. Com a cidade de Lima como pano de fundo, somos apresentados a María Fe (Gisele Ponce de Léon), que trabalha numa empresa de marketing e namora há seis anos com Matias; o casal chegou a morar junto, até Matias se mudar para a Espanha para fazer um mestrado. María Fe continua gostando dele, até o dia que o cara termina o namoro. Superar o término é a parte mais complicada; e o longa, dirigido por Bruno Ascenzo Joanna Lombardi, retrata todas as fases de tentativa de superação de um relacionamento que marcou muito. É bem fácil se identificar; quase todo mundo já passou por um fim de namoro complicado, e o destaque fica para a jornada de conhecimento que a protagonista passa.

    Os personagens secundários também ganham espaço. Natalia (Karina Jórdan) e Carolina (Jely Reátegui) são as amigas fieis que acompanham María Fe em todo o seu processo de descobrimento, de como é ficar sozinha. É interessante ver como a amizade feminina, tanto nas telas, tanto quanto na vida real, tem papel fundamental na reconstrução daquela mulher que precisa se encontrar novamente. São as melhores amigas que dizem as verdades que María Fe não quer ouvir, e as pessoas que a incentivam a buscar sua verdadeira paixão: a escrita.

    Dezembro 27, 2018
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    Eu sou apaixonada por música e sempre existem álbuns que marcam o meu ano. Pode depender da situação ou das letras, mas eles se tornam a trilha sonora de diversos momentos; e é claro, cada ano trás a oportunidade de conhecer outro artista e se identificar com sons diferentes. Em Dezembro saem listas e mais listas dos melhores discos dos últimos doze meses. Pitchfork, site especializado em música, já lançou a sua, e o brasileiro Miojo Indie também.

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    Alessia Cara – The Pains of Growing (Ouça)

    A canadense de 22 anos tem na bagagem um EP e um disco de estréia, intitulado de “Seventeen”. As músicas deste primeiro trabalho foram escritas quando Alessia ainda era adolescente, estava no ensino médio e não fazia nem ideia de como seria conhecer a fama. The Pains of Growing trata com maestria do que é crescer – como o nome do álbum já revela -. É muito fácil se identificar com as letras, que falam sobre como entrar na vida adulta é difícil. Dor, depressão, superar o fim de um relacionamento: tudo isso é narrado.

    O primeiro single, “Growing Pains”, é sobre uma melancolia que Alessia aborda durante todo o álbum: “The growing pains will keep me up at night“, (as dores de crescer estão me mantendo acordada a noite), que também aparece em Not Today: you don’t know what sadness mean, until you’re too sad to fall asleep” (você não sabe o que é tristeza, até estar tão triste que não consegue dormir). Uma das letras mais honestas – mas que trás um instrumental alegre enquanto acompanha as verdades da cantora -, é “Trust My Lonely”, que aborda a dedicação e o amor que você dá alguém, que no fim, não te faz nada bem. É hora de ir embora, e a sua própria companhia é muito melhor do que ficar acompanhado, “don’t you know that you’re bad for me, I gotta trust my lonely”, (você não sabe que é ruim para mim? Eu preciso confiar na minha solidão).

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    The 1975 – A Briefly Inquiry Into Online Relationships (Ouça)

    A banda britânica The 1975 lançou seu último CD em 2016. Os títulos grandes já fazem parte da trajetória do grupo, e todas as características que eram notadas nos dois primeiros álbuns (músicas instrumentais e temas políticos) só se tornam ainda maiores em A Briefly Inquiry (que terá sua sequência lançada em 2019). Produzido por Matty Healy, vocalista, e George Daniel, o baterista, o terceiro disco abre espaço para a música pop, tão amada pelos fãs do grupo, mas dá destaque ainda maior ao jazz, ao violino e outros toques clássicos, e as músicas mais sentimentais, como “Inside Your Mind”, “Mine”, e “I Couldn’t Be More in Love”. Se as músicas anteriores do grupo sobre romance falavam mais sobre brigas e sexo, agora elas narram uma visão apaixonada e bem mais profunda de Matty Healy.

    Mas o ponto alto fica para o toque político e crítico: “Love It If We Made It”, cita a obsessão pela internet, o fato de Kanye West apoiar Donald Trump (que tem uma de suas frases misóginas citadas na segunda ponte da música), e a apropriação cultural da cultura de matriz africana pela mídia, enquanto põe a vida dos negros em risco. A recuperação do vocalista da banda, que passou um tempo na rehab este ano, também é tema de canções: “It’s Not Living If It’s Not With You” poderia ser uma declaração de amor à alguém do qual você não vive sem, mas é sobre heroína. O álbum fecha com maestria com uma das melhores músicas já lançadas pelo grupo, que lembra Oasis e Radiohead: “I Always Wanna Die (Sometimes)”. 

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    IZA – Dona de Mim (Ouça)

    Isabela Cristina Corrêa Lima, também conhecida como Iza, é carioca da gema, mas morou no Nordeste durante a infância. A cantora, que tem na sua lista de inspiração divas como Beyoncé, Whitney Houston e Lauryn Hill, possui uma voz poderosa, que começou a aparecer na mídia em 2016. Antes do lançamento do seu tão esperado primeiro álbum – que aconteceu em Abril deste ano -, ela divulgou diversos singles, também durante o ano de 2017. Contando com 14 faixas, as músicas apresentam letras coesas: o grande destaque fica para o último single lançado pela cantora, e que leva o título do CD, “Dona de Mim”, uma das mais brilhantes da sua carreira. E isso não se deve somente à letra, tão significativa, em que IZA assume: “já chorei mares e rios, mas não afogo não (…) porque Deus me fez assim, dona de mim”, mas também ao clipe sensacional, que apresenta a narrativa de diferentes mulheres (escolhidas à dedo por Isabela, como ela revela neste mini documentário).

    O álbum também é recheado de hits, que a levaram a atingir boas posições nas paradas nacionais (quem nunca ouviu “Pesadão” milhares de vezes nas rádios?). Esse single, inclusive, é o que mais conquistou êxito – quando falamos de números -, com mais de 58 milhões de execuções no Spotify. “Ginga“, em parceria com Rincon Sapiência, vem logo em seguida. Tanto bom trabalho rendeu a IZA uma indicação ao Grammy latino, na categoria Melhor Álbum Pop Contemporâneo Brasileiro.

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    Hayley Kiyoko – Expectations (Ouça)

    A cantora californiana de 27 anos já estava preparando o terreno para o primeiro álbum, Expectations, faz algum tempo. Kiyoko lançou três EPs nos últimos anos, sendo “This Side of Paradise” o que trouxe um dos seus maiores hits, “Girls Like Girls”, aquele em que ela expôs de vez o seu amor por mulheres, levando-a se tornar um ícone LGBTQ+ em 2018. A letra é simples, mas direta: “girls like girls like boys do, nothing new” (garotas gostam de garotas assim como garotos, não é nada novo). O espaço que Hayley ganhou no cenário pop é significativo. A representatividade lésbica é enxuta nas paradas musicais. Podemos citar algumas cantoras, como St. Vincent, que tem esse espaço. As canções da cantora falam sobre amor, sobre dores de relacionamentos, e também sobre não ser correspondido; ou querer saber se aquela menina quer mesmo estar com ela, ou se é apenas curiosidade, como em “Curious.”

    Os pontos altos também ganham destaque nas músicas chicletes e pop, como “Feelings”, uma das letras mais fáceis de se relacionar do álbum, e “What I Need”, em parceria com a cantora queer Kehlani: “I only want a girl who ain’t fraid to love me” (eu só quero uma garota que não tenha medo de me amar).

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    Pantera Negra – Trilha Sonora – Kendrick Lamar (Ouça)

    Pantera Negra foi lançado no início do ano, e o sucesso do filme não ficou apenas nos cinemas; a trilha sonora, produzida e curada pelo rapper Kendrick Lamar foi com certeza um dos pontos altos do lançamento do longa. Foi pensado e criado em pouco tempo por Kendrick – em parceria com diversos artistas -, e Ludwig Gõransson, sueco compositor de soundtracks de longas como Creed. Todas as faixas possuem inspirações na música e nos ritmos africanos; antes do disco começar a ser feito, ouve uma extensa pesquisa da produção do disco para relacionar as canções com ritmos da África, fossem eles antigos ou contemporâneos; diversos artistas da África do Sul marcam presença nas faixas, como Sjava, Saudi e Babes Wodumo.

    Durante as 14 faixas, podemos ver um trabalho que conta com a parceria de diversos artistas renomados – alguns que já trabalharam com Kendrick anteriormente -, e que dão um toque especial à trilha sonora; começando pela faixa que se tornou um dos singles, “All The Stars”, com a presença de SZA, assim como “Pray For Me”, em parceria com The Weeknd, uma das faixas mais eletrizantes do trabalho e que embala cenas de lutas durante o filme. Também vale destacar a presença de Khalid, uma das revelações do ano, em “The Ways”, com Swae Lee.

    Dezembro 26, 2018
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    Dezembro carrega uma mochila que pesa quase o mesmo que o seu corpo inteiro. Com os olhos cansados, procura pela festa a única coisa que o interessa: Janeiro. Não que todo o resto do universo não fosse interessante o suficiente, mas era um fato conhecido de que Dezembro era obcecado por Janeiro e todas as suas versões.

    Por mais que Dezembro estivesse ali, dançando com o peso do mundo em suas costas, não conseguia chegar perto de Janeiro de forma alguma. Se tentasse apressar os pés para o centro da pista, algo o parava. Era fisicamente impossível se aproximar de Janeiro, que brilhava na frente de todos os outros convidados, abrindo as asas como se ainda estivesse tentando chegar ao auge da atenção.

    Mas ah, Janeiro, se tu soubesse que existem almas que vivem pela tua existência, tu não se forçaria a usar essa maquiagem e essa roupa. Tu é a festa, a ressaca e o recomeço…

    Dezembro faz de tudo para se livrar da mochila e correr para os teus braços, mas não consegue. Como Dezembro seria Dezembro sem o peso de todas as existências dentro de si? E tu, Janeiro, como dançaria tão livremente se não estivesse com a essência tão vazia, à espera de ser preenchida pelos seres que te amam?

    A música aperta o coração de Dezembro, que todo ano sente o cheiro dos cabelos recém lavados de Janeiro e sabe que jamais poderá tocá-los, porque as melhores coisas são as mais distantes.

    E ali, nos fundos da sala, Dezembro percebe que nunca será capaz de conhecer os filhos de Janeiro. Mesmo estando tão próximos, nunca estiveram tão longe – são anos-luz de distância física e emocional. O coração partido de Dezembro pode ser curado por qualquer outra existência, menos a de Janeiro. Bem no meio daquela festa anual, ele chega a uma conclusão: os dois são inteiros, mas de formas completamente diferentes.

    Dezembro é recheado de palavras, poemas, experiências e dores. Mais um pouco e explode, derrama, despeja.

    Janeiro é inteiro, recheado de vazios. Tudo pode acontecer, até mesmo o que aconteceu com Dezembro.

    As coisas em comum deixam Dezembro maluco – ao menos, ele pode cair um pouco na ilusão, não pode? Deixar-se acreditar que Janeiro um dia olharia para ele com aquela vontade maluca de cair em seus braços e viajar para a estrela mais distante que existir. Mas aí, Dezembro abre os olhos e enxerga a festa: ele, no canto da parede, tomando algo que o ajude a esquecer o peso em suas costas e as rugas de preocupações. Janeiro, no meio da pista, dançando lentamente com a sua roupa fazendo o movimento que faz os outros seres virarem o pescoço exclusivamente para assistir o espetáculo.

    Enquanto espera a contagem para o descanso de Dezembro começar, ele observa o cenário ao seu redor. As cicatrizes do seu corpo ecoam pelos céus, assim como a sua sabedoria em cavar até o lugar mais fundo do íntimo. Um dia, teria a leveza do seu grande amor, mas naquele momento, se contentava com a experiência de uma vida inteira.

    No final das contas, Janeiro sempre chegaria para colocar ecos em seus pensamentos mais confusos e, mesmo distante, dar-lhe um motivo para continuar recebendo a essência de todos os seres que habitam essas montanhas perigosas.

    Dezembro 21, 2018
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    Apesar de ter família na cidade, eu ainda não conhecia Brasília, capital do país e um dos maiores centros culturais do Brasil. Aliás, esse está sendo o ponto forte da cidade para mim: museus, exposições, cafés; tem muita coisa legal para ver e conhecer no universo brasiliense. O clima é seco – o calor é bem menos escaldante do que no Sul -, e eu queria conhecer a cidade faz alguns anos! A próxima parada depois daqui é Goiás.

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    O meu primeiro dia na cidade (17/12) foi programado com passeios tradicionais, aqueles que não podem faltar; eu visitei o STF, a Praça dos Três Poderes, o Museu Nacional (de longe o meu favorito), e a Catedral Metropolitana, enfim, quase tudo na Esplanada dos Ministérios. Lembrando que todos esses passeios que eu fiz foram de graça.

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    Você pode fazer uma visita guiada ao Supremo Tribunal Federal. Claro que para muitas pessoas isso pode não ser tão interessante, mas explico: eu terminei há um mês o primeiro ano de Administração Pública. Eu já gostava de política, mas o meu curso na faculdade acabou sendo uma verdadeira imersão nesse mundo. Para agendar sua visita, é só se inscrever no site. Ela dura em torno de 30 minutos; para quem curte História do Brasil, é uma boa pedida.

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    Inaugurada em 1970, a Catedral de Brasília foi mais um dos projetos de Oscar Niemeyer em Brasília. Uma das características mais interessantes da cidade é, sem dúvidas, as obras do arquiteto, que deixam a capital com um toque moderno e cultural muito forte. Elas poderiam ter sido feitas nos dias atuais e trazem um simbolismo marcante em cada parte (o que você descobre em alguns passeios, que são guiados). Construída em concreto e vidro, dois anjos enormes são o centro da Catedral, que é acompanhada por diversos detalhes artísticos.

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    Um dos destaques da Catedral é a réplica milimetricamente igual em tamanho de Pietà, de Michelangelo. Ela demorou três anos para ser feita. Lembrando que a original encontra-se na Basílica de São Pedro no Vaticano.

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    Mudando de foco, eu não poderia deixar de visitar a UNB – Universidade Federal de Brasília. É sempre legal conhecer outras universidades – principalmente após a minha entrada no movimento estudantil -, e também é surpreendente ver como a infraestrutura é tão distinta das faculdades de Santa Catarina.. A minha característica favorita das federais e estaduais são as expressões de arte; os desenhos nas paredes, os cartazes, eles falam por si só quais são os pensamentos dos estudantes e o que eles querem representar.

    Dezembro 17, 2018
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    Título: Colette

    Diretor (a): Wash Westmoreland

    Elenco: Keira Knightley, Dominic West, Denise Gough, Eleanor Tomlinson

    Sinopse: Colette (Keira Knightley) é uma romancista francesa que sofre com o seu casamento abusivo e com o seu parceiro que tenta ganhar créditos em cima de suas obras de maneira ilegal.

    Estamos na França, um dos países mais culturais da Europa, durante a Belle Époque, era em que a efervescência da arte estava no seu auge; é em 1873, no interior da França, que nasce Sidonie Gabrielle Colette, uma garota do interior, que gosta da natureza e do clima pacato, longe da cidade. Colette (Keira Knightley) se casa ainda jovem com Henry Gauthier-Villars (Dominic West), também conhecido como Willy, um crítico de música e aspirante a escritor, e se muda para Paris com ele. A capital francesa é diferente de tudo que ela já viu, e desempenha papel importante na mudança e crescimento de Gabrielle.

    Inspirado em uma história real – como você já deve ter notado -, o longa nos transporta para o final do século 19, na pele da protagonista, que está tentando se adequar aos primeiros anos do seu casamento. No início ela é apaixonada pelo marido – que é visto quase como um “mentor”, por ela -, um homem egocêntrico e que, apesar de afirmar amá-la, é extremamente controlador. Gabrielle, como uma escritora nata, começa os rascunhos do seu primeiro livro, com inspiração nas suas experiências da infância. Claudine à l’école é lançado em 1900, se tornando um romance de grande sucesso na França –  e considerado polêmico, por falar de desejos de uma personagem adolescente pela primeira vez -, porém o livro é publicado pelo nome de Henry e não de Colette, ou seja, ele leva todos os créditos da história escrita pela esposa.

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    Com o sucesso de vendas instâneo, o marido a obriga a produzir mais livros. É da inspiração de Gabrielle – que por fim se torna Colette – que origina-se mais sucessos franceses: “Claudine em Paris”, também lançado em 1900, “Claudine e Anne”, dentre outros. O filme tem um ritmo mais lento, o que é positivo para abordar de maneira profunda as diversas fases da protagonista. Mesmo no início, sendo tímida e sem expressar sua voz, Colette já não se adequava aos padrões impostos pela sociedade francesa. Ela descobre, por meio do empoderamento da sua escrita e do sucesso, que é uma mulher capaz de se descobrir. 

    A experiência de uma mulher queer é o ponto alto do filme: Gabrielle descobre o seu interesse pelo mesmo sexo – algo que aparece de maneira sútil no início do filme -, e tem casos com mulheres durante o longa. O seu marido sabe e aceita; temos cenas interessantes, como as que Willy afirma que se ela tivesse um caso com o homem, ele não aceitaria, e Colette responde: “então o problema é com o gênero?”

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    Colette nunca quis se adaptar aos moldes que eram impostos às mulheres: um dos grandes amores de sua vida – do qual ela viveu em companhia de 1906 à 1910 – também ganha presença no filme; Matilde de Morny (Denise Cough), conhecida como Missy, possui uma presença assídua em grande parte da vida da escritora. As duas se apaixonam, e o diretor do longa, Wash Westmoreland, dá atenção devida ao tema. Missy veste roupas masculinas e é uma personagem genderfluid. Em uma das cenas, Willy insiste em chamar Missy de “ela”, e Colette o corrige várias vezes, dizendo “ele”. O casal inclusive trabalhou junto em uma peça em Moulin Rouge, não escondendo o seu relacionamento; a cena ganha destaque no filme, quando se beijam no palco e sofrem ataques do público parisiense.

    A representatividade também não ocorre só na ficção em Colette. Dois atores do filme são transsexuais interpretando personagens cisgêneros. Rachilde (Rebecca Root), personagem que prende a atenção de Colette em uma festa, e o seu marido, Gaston de Caillavet (Jake Graf), que torna-se próximo da personagem.

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    As quase duas horas de filme em alguns momentos se tornam lentas, mas o foco da descoberta e do amadurecimento de Colette, unidos da luta para ser reconhecida pelo seu próprio trabalho – do qual o marido se apossou durante anos -, são o ponto alto dessa biografia com clima de belle époque; posteriormente, a autora conseguiu provar a autoria dos livros de Claudine, e publicou mais de 30 romances durante toda sua carreira como escritora. Alguns deles polêmicos por retratarem sua vida e suas relações, que eram a inspiração principal na hora de escrever seus livros.

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