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  • Junho 7, 2019
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    Booksmart (ou “Fora de Série”, como é intitulado no Brasil), é o filme de estreia de Olivia Wilde – atriz de House -, como diretora. O longa ganha como gênero o título de Coming of Age, que ganhou força nos últimos anos na indústria cinematográfica – eles são dirigidos por mulheres e apresentam uma versão mais real, sincera e doída sobre o que é crescer -. A lista é longa: Lady Bird, dirigido por Greta Gerwig, The Miseducation of Cameron Post – que traz Chloe Moretz como protagonista representando uma jovem que é obrigada pela família à passar por uma terapia de conversão sexual -, Frances Ha (também dirigido pela Greta), dentre outros. Nenhum deles é um sucesso absoluto de bilheteria, e muito menos levam o título de blockbuster, mas em uma indústria dominada por diretores homens, male gaze e representações infiéis do que é ser uma mulher jovem, essas produções ocupam um espaço até pouco tempo atrás dominado por filmes clichês e irreais.

    Duas grandes amigas conhecidas por serem os maiores prodígios da escola estão prestes a terminar o ensino médio. Faltando poucos dias para o grande momento, elas percebem que estão arrependidas por terem estudado tanto e se divertido tão pouco. Determinadas a não passarem por todo esse tempo sem nenhuma diversão, elas decidem correr atrás dos 4 anos perdidos em apenas uma noite.

    As nossas protagonistas, Amy (Kaitlyn Dever) e Molly (Beanie Feldstein) são melhores amigas fieis. Elas enfrentaram quatro anos de ensino médio juntas, e sempre se orgulharam de não fazer parte de grupos sociais; o objetivo de Amy e Molly era passar em uma faculdade de prestígio: e elas conseguiram. É o último dia de colégio – elas se sentem extremamente felizes com as suas conquistas -, e decididas que a melhor época de suas vidas está por vir: a faculdade. É com uma pitada de diálogos sarcásticos e assuntos comuns que representam os jovens contemporâneos – também conhecidos como millennials – que elas descobrem a grande verdade: seus colegas, que elas julgavam ser incapazes, também iam para boas faculdades. Tudo isso enquanto verdadeiramente aproveitaram as experiências de ser jovem.

    A dupla de protagonistas tem sua própria narrativa. Amy é uma jovem queer assumida, mas ela nunca teve uma experiência enquanto estava na escola. Ela é apoiada pela melhor amiga e pela família, e é interessante ver o filme representando a paixão dela pela colega Ryan (Victoria Ruesga), uma personagem que não se adequa nos padrões de feminilidade, e Amy em nenhum momento questiona isso; “Essa é a performance de gênero dela, não sua orientação sexual“, um debate raro em filmes que contam e falam sobre jovens. Essas cenas são um exemplo da originalidade e da honestidade de Booksmart. Ressaltado pelo The New York Times, o filme passa longe de sustentar clichês sobre mulheres lésbicas, como Mean Girls fez com a personagem de Janis lá em 2004. Já se passaram alguns anos, mas a visão masculina sobre mulheres LGBTQI+ continua sendo reforçada: Azul É A Cor Mais Quente está aí para mostrar isso.

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    Molly é a protagonista que eu mais me identifiquei. A primeira cena já mostra que a personagem vai roubar a cena na uma hora e meia de filme: Molly se prepara para viver o seu último dia no ensino médio enquanto escuta um áudio de autoajuda e meditação, lembrando-a que ela é capaz de qualquer coisa. Sua vida sempre foi toda planejada; ela é perfeccionista e a líder de tudo o que se propõe a fazer. É engraçado e muito realista ver o quanto ela se decepciona ao perceber que projetou em seus colegas uma realidade que não existia: todos eram suficientemente bons, assim como ela. Eles eram interessantes e Molly acabou se auto excluindo com algo que idealizou na sua cabeça. Mas, por mais que seja controladora, é ela quem propõe a Amy que as duas aproveitem o seu último dia e frequentem as festas que nunca se atreveram a ir.

    O filme mistura cenas hilárias com diálogos sobre feminismo, empoderamento, livros e diversas referências; o tempo todo o cenário mostra a visão política e democrata das duas personagens. No carro de Molly e no quarto de Amy vemos adesivos e cartazes de protestos, e a palavra “resist”, em consonância com as manifestações que aconteceram nos Estados Unidos nos últimos anos, são frequentes.

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    O ponto alto do filme são as cenas vergonhosas e bem vida real sobre a experiência das duas personagens. É a primeira vez que Amy realmente tenta se aproximar de uma garota, e a direção – feita por um olhar feminino – mostra a bagunça que os relacionamentos jovens podem ser: a ansiedade, e principalmente a sensação de não saber o que esperar. A decepção que Amy sente quando ela descobre que Ryan não correspondia os seus sentimentos é algo fácil de se relacionar. Desde descobrir isso em uma festa, quando a personagem espera que suas expectativas finalmente sejam alcançadas, até ver sua paixão platônica beijando outra pessoa. Molly também enfrenta as sensações da rejeição; é tudo doloroso e parece que vai durar pra sempre, mesmo que a decepção só exista até o final daquela festa.

    A única cena de sexo no filme é genial; é difícil achar um filme que relate tão bem o lado estranho e nada confortável sobre primeiras vezes tendo praticamente nenhuma experiência. E que isso tá tudo bem: não precisa ser perfeito ou ideal (e na maioria das vezes nunca é). Com séries como Riverdale, que mostram uma perfeição quase inalcançável em seus personagens de 17-18 anos, é um alívio ver filmes como Booksmart mostrando a imperfeição de ser jovem.

    Além de explorar os pontos dramáticos e mostrar personagens femininas versáteis, inteligentes e que ainda estão construindo sua personalidade, o Coming of Age não foca no par romântico de nenhuma dessas personagens. É fácil dar uma busca na Netflix sobre filmes clássicos que trazem protagonistas mulheres, e ver suas jornadas resumidas à conquistar o personagem masculino que vai, milagrosamente, mudar as suas vidas. O destaque aqui é sobre a complexidade de descobrir quem você é – ou quer ser – no início da vida adulta, quando todas suas premissas se provam erradas. E para que isso acontecesse nunca foi necessário que Amy, Molly, Lady Bird e qualquer outra personagem tivesse um homem ao seu lado.

    Booksmart estreia no Brasil em 13 de Junho.

    Maio 25, 2019
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    Título: Feminismo Para os 99%: Um Manifesto

    Autores (as): Cinzia Arruza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser

    Editora: Boitempo

    Sinopse: Moradia inacessível, salários precários, saúde pública, mudanças climáticas não são temas comuns no debate público feminista. Mas não seriam essas as questões que mais afetam a esmagadora maioria das mulheres em todo o mundo? Inspiradas pela erupção global de uma nova primavera feminista, Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser, organizadoras da Greve Internacional das Mulheres (Dia sem mulher), lançam um manifesto potente sobre a necessidade de um feminismo anticapitalista, antirracista, antiLGBTfóbico e indissociável da perspectiva ecológica do bem viver. Feminismo para os 99% é sobre um feminismo urgente, que não se contenta com a representatividade das mulheres nos altos escalões das corporações.

    Boitempo lançou em Março no Brasil “Feminismo Para Os 99%: Um Manifesto”, assim como diversos outros países, que publicaram o livro na véspera ou no dia 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher. A obra tem um viés mais acadêmico, pois foi escrito por três professoras: Cinzia Arruza, professora de Filosofia na New School for Social Research em Nova York, Tithi Bhattacharya, diretora de estudos globais em uma Universidade na Indiana, e Nancy Fraser, professora de Filosofia e Política também em Nova York.

    O prefácio da versão brasileira foi escrito por Talíria Petrone, eleita deputada pelo PSOL em 2018; a carioca é professora e ativista. Nas primeiras páginas, escritas por Talíria, já percebemos sobre o que se trata o livro: ele vai debater sobre um feminismo que vai contra às correntes liberais. Um feminismo anti-capitalista e antirracista; uma roupagem que ganha força nas últimas décadas com as greves feministas – como a Women’s March, em 2018, as greves Argentinas, brasileiras, dentre outras -, e que possui a participação da classe trabalhadora.

    O feminismo é uma urgência no mundo. O feminismo é uma urgência na América Latina. O feminismo é uma urgência no Brasil. Mas é preciso afirmar que em todo feminismo liberta, emancipa, acolhe o conjunto de mulheres que carregam tantas dores nas costas. E não é possível que nosso feminismo deixe corpos pelo caminho.” (PETRONE, Talíria, pag. 12)

    O debate incitado pelas autoras nos ajuda a enxergar a massificação do movimento e a agenda liberal. A equidade entre homens e mulheres está muito longe de ser apenas salários iguais; as autoras exemplificam líderes como Hilary Clinton, que não movem realmente a estrutura de base das mulheres trabalhadoras, das mulheres negras, das lésbicas, e das mulheres pobres.

    Então, em geral, o feminismo liberal oferece o álibi perfeito para o neoliberalismo. Ocultando políticas regressivas sob uma aura de emancipação, ele permite que as forças que sustentam o capital global retratem a si mesmas como “progressistas”. Aliado ao sistema financeiro global nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que oferece cobertura à islamofobia na Europa, este é o feminismo das fêmeas detentoras do poder (…)” (pag 39)

    É necessário questionar as supostas políticas feministas, que caminham lado a lado com a opressão de classes sociais, como mulheres imigrantes; as autoras exemplificam o quanto o capitalismo, aliado à constante busca do lucro e reprimindo camadas da sociedade, é um grande aliado do machismo. Quando o movimento se alia a uma visão comercial do que é ser feminista, dando voz apenas para mulheres brancas, de classe média alta e que possuem o poder do capital, ele perde o sentido; o Manifesto do Feminismo para os 99% busca colocar no protagonismo mulheres trabalhadoras, que enfrentam rotinas exaustivas – sendo responsáveis também pela casa -, mulheres negras, mulheres indígenas.

    Fica claro que há dois caminhos: rejeitar a política populista e reacionária, e a política neoliberal, intitulada de progressista e que mascara as atuais estruturas de poder. O livro possui onze tezes: cada uma delas debate um tema específico que o Feminismo para os 99% pretende abraçar. É importante questionar o nosso papel no movimento, e quando nos intitulamos de feministas: A quem o nosso movimento está ajudando? Ele está fazendo um trabalho de base? Ele enxerga que todas as mulheres, independente da raça e da classe, necessitam de direitos urgentemente?

    O feminismo para os 99% não opera isolado de outros movimentos de resistência e rebeldia. Não nos isolamos de batalhas contra a mudança climática ou a exploração no local de trabalho; não somos indiferentes às lutas contra o racismo institucional e a expropriação. Essas lutas são nossas lutas, parte integrante do desmantelamento do capitalismo, sem as quais não pode haver o fim da opressão sexual e de gênero.

    As autoras fazem uma introdução interessante ao feminismo marxista; no final do livro, após a apresentação das teses, em um “Posfácio”, discorrem sobre como a luta contra o capitalismo e as teorias desenvolvidas por Marx e Engels em O Manifesto Comunista e Marx em O Capital, influenciam o Manifesto Para os 99%. De maneira didática, elas conceituam algumas teorias de Marx e explicam o que é reprodução social. Esses pontos são relevantes, principalmente para justificar o que o livro mais acredita: a capacidade das mulheres trabalhadoras de realizarem greves.

    A América Latina é citada diversas vezes. Quantas vezes vemos as manifestações protagonizada pelas feministas do Sul em destaque? Pouquíssimas. e exemplos é o que não faltam nos últimos anos (principalmente na Argentina).

    REFERÊNCIAS

    FEMINISMO COM CLASSE. Marxismo, Feminismo Radical e Sociologia. Disponível em <https://medium.com/qg-feminista/marxismo-feminismo-radical-e-sociologia-3a418657f25c>. Acesso em 24 de Maio de 2018.

    Maio 20, 2019
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    Carly Rae Jepsen explodiu na indústria musical com Call Me Maybe, mas os bons amantes da música pop a conhecem por outro motivo: o álbum Emotion, lançado em 2015 e com inspiração direta dos anos 80, foi muito elogiado pela crítica e ganhou o coração de todos que apreciam uma letra honesta e sensível sobre amor. Esse é um dos principais assuntos das letras de Carly: se apaixonar, terminar, amor não correspondido, de uma maneira que mistura o disco com versos viciantes. Dedicated foi produzido por Jack Antonoff, que também foi o responsável pelo Melodrama de Lorde e o 1989 de Taylor Swift.

    A canadense já havia lançado a alguns meses atrás um EP com três músicas, “Now That I Found You”, “Your Drug” e o single carro-chefe, “Party For One”. As canções dão um gosto do que é o quarto álbum de estúdio da cantora, que diferente do Emotion, fala mais sobre estar em um relacionamento, e logo depois, o fim dele.

    Maio 18, 2019
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    Você já teve aquela sensação de estar prestes a virar uma borboleta? Como se, depois de tanto tempo, finalmente estivesse pronta para sair do casulo?

    É uma sensação maravilhosa, mas que, por algum motivo, causa desconforto nas pessoas. Antes de tudo, é preciso entender uma coisa que eu quero que você leve para o resto da sua vida: o ambiente em que você está provavelmente odeia renascimentos. E nós, meu bem, fomos feitas para renascer a todo momento.

    A verdade é que se falamos ou fizemos algo há três anos, então definitivamente não podemos contrariar nós mesmos. Acontece que a pessoa que você era há três anos está morta. E isso não é algo ruim. Tenha empatia pelo seu passado. Você tinha sentimentos, sentia dor, dava amor e tinha sonhos. E ali, no curso da história, dançava no meio da pista quando um caminhão repleto de futuro te cortou em pedaços. E você despedaçou, se perdeu por algum tempo, mas renasceu.

    Você agora está cada vez mais viva, depois de ter encarado a morte.

    Não me importa o que você fez há um ano. Não me importa se machucou alguém ou se foi machucada – mas, ainda assim, eu sinto muito.

    O que me importa é o que você é, e o que você pode ser. Não entra na minha cabeça porquê passamos tanto tempo pensando no que as pessoas foram ou fizeram, se poderíamos gastar todo esse tempo e energia focando no que elas podem ser.

    Você já parou para pensar no que você pode realizar agora mesmo? No poder que tem nas mãos?

    Ignore aqueles que dizem que você não pode entrar em constante evolução. É para isso que você está aqui, meu bem. Voe.

    Maio 13, 2019
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    Eu já falei sobre ansiedade algumas vezes aqui no blog, mas de vez em quando penso o quanto eu deveria falar mais sobre isso. No final de Abril completei três anos de medicação do tratamento para transtorno de ansiedade, dentre outros síntomas, e parece que passou rápido demais. Três anos foram voando, mas viver com um transtorno nunca é fácil e é uma jornada doída, em que você enfrenta algumas coisas difíceis no caminho. E mesmo que sejam só alguns anos, eu me vejo como uma pessoa muito diferente de quem eu era em 2015, quando se trata da minha saúde mental.

    Não existe um segredo 

    Outro dia eu li um texto no Man Repeller  em que a autora narrava a sua vida com Síndrome de Pânico. Ela confessa que durante uma época, apesar de ter mantido uma dieta balanceada, um clima “good vibes” e feito tudo o que as pessoas diziam que ela precisava fazer, ela continuava tendo ataques de pânico. E isso me lembrou o quanto, de verdade, não existe um segredo absoluto sobre como a sua doença, ou no meu caso, o transtorno de ansiedade, vai funcionar. É claro que uma rotina faz toda a diferença – e às vezes eu dedico horas no meu dia em atividades que vão me fazer bem -, mas mesmo assim, eu posso ter uma crise amanhã. Ou no outro dia. E eu não tenho culpa disso.

    Por muito tempo eu achei que ter uma crise significava que eu tinha voltado pra estaca zero. Que todo o meu trabalho em tomar a medicação e ir na aula de yoga, ou na terapia, tinha se perdido por causa disso. Mas não é verdade. Foi assim que eu descobri que é uma jornada; em alguns dias eu vou estar bem, e em outros não. E o meu progresso não precisa ser linear.

     Eu tenho medo da ansiedade atrapalhar os meus relacionamentos

    Lidar com um transtorno não afeta só você mesmo na maioria das vezes: pode afetar os seus relacionamentos também. Não é fácil conhecer alguém novo e mostrar para aquela pessoa que você enfrenta alguns problemas. Eu mesma já tentei esconder as características do transtorno de ansiedade: aquela que você pode passar mal numa festa e precisar ir pra casa porque teve um ataque de pânico, ou aquela que lida de maneira diferente com algumas situações que, para os outros, são normais. Transtornos mentais ainda são um tabu enorme e muitas pessoas nunca nem ouviram falar sobre eles, ainda menos sobre os efeitos físicos e psicológicos que eles podem causar em alguém.

    É um pouco assustador quando eu me relaciono com alguém e tento colocar para debaixo do tapete tudo isso. Em algum momento, a pessoa vai acabar descobrindo, e eu confesso que ainda estou tentando aprender a não sentir vergonha, a não ficar me culpando ou pior, ficando ainda mais ansiosa pelo que os outros vão pensar de mim ou se eles vão me rotular como instável, transtornada, etc.

    Alguns meses são mais difíceis que outros

    Às vezes eu consigo lidar super bem com a minha ansiedade e manter tudo no controle. Eu tenho muitos privilégios que me permitem conseguir cuidar da minha saúde mental, quando a gente sabe muito bem que metade da população brasileira não tem acesso à plano de saúde, a consultas esporádicas ou medicamentos. Tudo isso tem um preço, um custo, tempo, planejamento, é difícil fazer as coisas sem apoio. 

    A sociedade não conversa sobre isso e a nossa cultura invalida os transtornos mentais, as doenças psicológicas. Elas ainda são consideradas “frescura”, ou pouco relevantes comparados à um problema físico. Sem falar na dificuldade do acesso à informação. Para a sua família ou os seus amigos entenderem o que você passa, eles precisam de informação. As pessoas próximas de mim não entenderam de um dia para o outro o que era o meu transtorno de ansiedade. Foi preciso ajuda dos médicos também para eles enxergarem os sintomas e como lidar com isso.

    Sendo assim, algumas fases são mais complicadas. Se um monte de coisas novas acontecem comigo, ou problemas, ou términos, parece que eu não consigo lidar com tudo ao mesmo tempo e a minha ansiedade bate como nunca. Sem falar no desânimo, no medo de ter uma crise, na vontade de ficar na cama. Houveram semanas que eu quase não saía de casa e desaparecia da faculdade. Mas é um ciclo, como muitas coisas da vida. Por mais que pareça que você está no fundo do poço, tem uma maneira sim, de sair dele. 

    A medicação é importante

    Tá aí outro tabu. Algumas pessoas acham problemático você tomar uma medicação para o seu transtorno, mas a verdade é que faz diferença quase absoluta no seu tratamento. Com o tempo, eu parei de me importar muito com o que outras pessoas achavam e considerar a opinião apenas dos profissionais (médicos, terapeutas). É relevante seguir as instruções da minha medicação, e com isso vem várias coisas que você tem que mudar: beber pouco, não fumar, ficar longe de drogas. Coisas que podem não ser tão simples em alguns ambientes, mas eu aprendi que o que causa um efeito X nos outros, pode ser muito mais forte pra mim.

    É um compromisso consigo mesmo. É uma responsabilidade que você assume de querer melhorar. De querer estar bem, de fazer o possível para que você leve uma vida equilibrada, sabe? E mais importante, de aprender a respeitar quem eu sou, respeitar os meus sintomas, a minha jornada, e não atropelar as minhas dificuldades.

    O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma organização não-governamental que faz um trabalho importante de conscientização da saúde mental e oferece apoio para todo o Brasil pelo número 188, com ligação gratuita, 24 horas.

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