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    Autores, Comportamento, Textos

    Eu renasço a cada extinção

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  • Maio 18, 2018
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    É impossível começar a playlist desse mês sem falar do clipe de This is America, lançado por Childish Gambino no último dia seis. O ator, produtor, escritor e cantor (e mais um milhão de coisas) Donald Glover se tornou o destaque nas últimas semanas com o lançamento do vídeo de sua nova faixa. Ela fala sobre a situação atual dos Estados Unidos e aborda diversos temas, dentre eles a morte da população negra, e a perseguição brutal da polícia contra eles; o ato de resistência e diversas referências que, para entender, é necessário mesmo ler as análises feitas sobre o vídeo, que é um dos mais revolucionários e político dos últimos tempos no mundo da música.

    Maio 10, 2018
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    Caro amigo,

    eu me sinto como uma viajante embarcando em um trem com destino à lugar nenhum.

    Gostaria de voltar para as noites em que eu corria pelas montanhas e sentia-me à vontade com os meus pensamentos explodindo sem medo das reações externas. Eu vivo dentro de um mundo cercado pela minha alma inquieta, o que significa que não estou nem um pouco acostumada com o mundo exterior. Sei até onde a minha inquietude vai, mas não faço a menor ideia até onde o mundo exterior rasga a pele das pessoas para conseguir o que quer. Isso é assustador.

    Pego minhas malas e subo no trem com o coração na mão – será que estou tomando a decisão certa? Não estou gostando muito das minhas companhias. Preciso de um mergulho em mim. Os meus sentimentos estão prestes a voar quilômetros para longe de mim e eu não sei onde estou nesse exato momento. O trem está parando em uma estação lotada de seres que morrem, mas que não vivem. Deveria descer aqui? Eu realmente só queria que minha cabeça fizesse sentido.

    Escrevo esta carta porque você me escuta e não precisa forçar palavras exageradas para me consolar. Não quero um ombro-amigo, só quero um amigo. Eu sei que você entende o que sinto, mesmo estando tão cansado quanto eu. A estrada é cansativa, não é? A minha sensibilidade me faz sentir como um fardo na minha própria vida. Não entendo o por quê de eu me machucar com coisas que ninguém jamais pensaria duas vezes. Os olhares costumam arder, enquanto o meu medo me engole nas menores situações diárias.

    Minha essência derrete pelos outros, o que é bom a partir do momento em que me coloco no lugar deles para entendê-los e ajudá-los, mas acaba com a minha saúde quando eu estou em qualquer outro local. A maior parte do meu verão tem sido nadar na minha cama e ficar confortável com o vazio. Eu não deveria fazer isso. Você não deveria fazer isso. Sei que estou sendo confusa, é só que é exatamente assim que me sinto. Sou uma pessoa sensível com muito amor para dar, mas não dou amor à pessoa que está do meu lado o tempo inteiro: eu.

    Nós vivemos em um universo de estrelas partidas ao meio, onde somos ensinados a odiar a própria pele e invejar as demais. Eu quero que saiba que eu não invejo você, tampouco odeio você. Quero que pegue a minha mão e caminhe pela areia movediça chamada sensibilidade. Não iremos afundar, apenas tropeçar e levantar, tropeçar e levantar, tropeçar e… Renascer. Não posso deixar o mundo exterior matar a minha alma sensível. Sou uma poeta de palavras tortas, mas intenções boas. Eu tenho medo de ser machucada mais uma vez, mas honestamente, é o que irá acontecer. Só preciso me manter forte, afinal, a tempestade traz a purificação dos corpos.

    P.S Não ceda à dor deste mundo, amigo, a sua sensibilidade vale a pena.

    Maio 7, 2018
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    Título: Simon vs A Agenda Homo Sapiens (Com amor, Simon)

    Autor (a): Becky Albertalli

    Editora: Intrínseca

    Sinopse: Simon tem dezesseis anos e é gay, mas ninguém sabe. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Tudo muda quando Martin, um colega da escola, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso que se identifica como Blue e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte. Martin começa a chantageá-lo, e, se Simon não ceder, seu segredo cairá na boca de todos. Pior: sua relação com Blue poderá chegar ao fim, antes mesmo de começar. Agora, o adolescente avesso a mudanças precisará encontrar uma forma de sair de sua zona de conforto e dar uma chance à felicidade ao lado do menino mais confuso e encantador que ele já conheceu. Uma história que trata com naturalidade e bom humor de questões delicadas, explorando a difícil tarefa que é amadurecer e as mudanças e os dilemas pelos quais todos nós, adolescentes ou não, precisamos enfrentar para nos encontramos.

    “Com Amor, Simon” pode ser considerado um dos livros de literatura young adult que mais ganhou espaço no Brasil esse ano. O enredo ganhou destaque com o filme, que foi lançado em Abril (eu ainda não assisti! E tô louca para poder ver!). Antes de assistir o longa, eu queria ler o livro. Eu já sabia um pouquinho do que me esperava: a autora Becky Albertalli é a mesma de Os 27 Crushes de Molly, romance que eu li no final de 2017. A autora de Atlanta é conhecida por escolher protagonistas que não se encaixam no padrão que sempre vemos nos livros jovens. Molly tinha transtorno de ansiedade e era gorda, fugindo dos padrões estéticos; e Simon é gay.

    Simon está no último ano do ensino médio e ele tem certeza da sua sexualidade; a única coisa que ele não sabe é como vai compartilhar isso com os seus amigos, e com o mundo. Ele não quer que o fato de ele ser gay se torne uma grande coisa, principalmente entre a sua família. Os seus dois pais sempre querem se envolver na vida dos filhos (o protagonista tem duas irmãs), e Simon não sabe qual será a reação dos seus pais quando ele revelar o seu segredo.

    A única pessoa que sabe da verdade sobre Simon é Blue, um garoto anônimo da sua escola que ele se corresponde por e-mails, que também é gay. Os dois, apesar de serem extramamente próximos, não se conhecem pessoalmente. Eles apenas sabem que frequentam o mesmo ensino médio. Blue também está encarando, assim como Simon, a jornada de se assumir: para a família e para os outros. Porém, cada um deles tem ritmos diferentes. Em alguns momentos, Simon se sente mais confiante que Blue e vice-versa.

    Apesar de ter amigos muito próximo e que o conhecem pela vida inteira (Leah e Nick), Simon constrói um laço de amizade forte com a nova recém chegada no grupo, Abby. Ela é a primeira pessoa o qual ele confia para contar sobre o fato de ser gay. E aqui entram questões que o personagem encara: ele tem medo de os amigos não o verem mais do mesmo jeito. A diferença entre Leah, Nick e Abby é que a última não conhece a vida inteira de Simon. Por isso, ele se sente mais livre para mostrar quem é.

    O mais interessante da história é como Becky Albertalli – que é experiente nisso – sabe tratar de temas complicados de forma delicada e honesta com os seus personagens. Simon não é perfeito – ele está longe de ser o melhor amigo do mundo ou o melhor filho -, e acompanhamos a sua jornada de autoconhecimento aos poucos. Sair da zona-de-conforto depois de tantos anos não é nada fácil para ninguém: mas é ainda mais difícil quando você não se encaixa no padrão heterossexual. Inclusive, surgiu um debate quando o filme foi lançado, se assumir-se gay era um tema que “ainda” valia um filme. A resposta é: sim. Os LGBTQ+ sofrem com preconceito e exclusão todos os dias, e o ato de bater no peito e dizer quem você é, é pura resistência.

    A relação de Blue e Simon não é forçada e acontece naturalmente. Mas o menino não é o único apoio que ele tem. Os seus amigos, Leah, Abby e Nick, também estarão ao lado dele, mas Simon encontra dificuldades em se relacionar com Leah – que ele conhece há anos -, e revelar seu segredo para ela. Os dois parecem seguir caminhos diferentes ao longo da história; este ponto também foi bem realista para mim. Muitas vezes temos amigos que amamos, mas que em determinados momentos conflitos entram no meio e balançam a amizade. Isso não quer dizer que você deixe de amar menos aquela pessoa.

    A leitura fluiu rapidamente; “Simon” é daqueles livros gostosos de ler que você se encanta rapidamente. A sua importância também é enorme: a literatura LGBTQ+ jovem ainda está ganhando espaço no mercado editorial, e o sucesso deste livro só abre mais chances para outros também ganharem as livrarias. Vários amigos estavam lendo ao mesmo tempo que eu, e a opinião deles me marcou: “eu gostaria de ter lido um livro como esse quando estava me descobrindo.”

    Maio 2, 2018
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    2049e49be7b9a2756bf9d5d537046bb9Eu fiz de novo.

    Eu depositei tudo em cima de alguém que eu nem sabia se queria segurar todas as minhas dores ou as coisas bonitas que eu queria mostrar. E é injusto, eu sei. Ninguém vai nos consertar. Só nós mesmos podemos fazer isso, se é que prencher o nosso vazio seja algo possível de verdade.

    É uma história que se repete sempre. Eu nunca consigo sair dela.

    E dessa vez eu tenho esperanças de que vai dar certo. Por que não? Tudo começou bem. O pote de esperanças se enche até o final. Eu começo a rir de coisas bobas, eu vejo graça no que antes era invisível. As flores renascem, o futuro não parece algo tão assustador. Parece que eu realmente superei a fase ruim.

    Mas a ilusão não dura pra sempre.

    Em algum momento ou outro, a verdade aparece. E ela dói. É horrível ter que encará-la de frente, porque de repente tudo parece ruim de novo, e cinza, e irremediável, e eu só quero sumir e não aparecer nunca mais. E é a coisa mais difícil do mundo se reerguer quando você já caiu milhares de vezes, e ter que encarar todo mundo e fingir que você está bem. Que aquilo não te magoou. Que você não é tão sensível quanto parece.

    Mas eu sou.

    A verdade é que eu sinto tudo demais, quando deveria sentir de menos. Levo as coisas até o final, nunca paro até que acabe de vez, até que eu tenha certeza que isso não vai mais me levar a lugar nenhum. Me prendo ao que não vale a pena, finjo para mim mesma que essas coisas podem funcionar. Por mais que o resto do mundo esteja enxergando que está longe de dar certo. Eu me engano profundamente, e isso é amargo demais.

    Eu preciso ter os pés no chão.

    Eu necessito encarar as coisas como elas são de verdade. Nem tudo tem uma beleza escondida, nem tudo vai ser como eu quero ou as pessoas vão ser do jeito que eu imaginei. E eu sempre imagino uma versão mais bonita, mais inalcançável, do que elas realmente são; e isso é praticamente pedir para se machucar. Apostar tantas coisas em algo que não existe, é quase como pular no mar mesmo sabendo que você não sabe nadar. É ter a certeza de que você está repetindo aquele comportamento, só para ter certeza se dessa vez vai funcionar.

    É um ciclo vicioso.

    Abril 27, 2018
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    King Princess é uma artista do Brooklyn, em NYC, que apareceu de maneira tímida no mundo da música em Fevereiro, mas conquistou mais espaço em poucos meses. Ela lançou o seu primeiro single, “1950”, no início do ano, e chamou a atenção pelas suas letras saírem do comum e abordarem a visão do amor queer. A cantora escreve sobre amar outra mulher e na sua música de estréia, faz referência a época em que os LGBTQs+ não podiam demonstrar seus sentimentos em público (o que como nós sabemos, ainda é muito comum). A canção também descreve a insegurança que você sente quando está apaixonado, e que mesmo assim, ainda querer esperar por aquela pessoa.

    A artista foi contratada pela gravadora recém criada de Mark Ronson (que trabalhou com Lady Gaga no álbum Joanne e escreveu e produziu Uptown Funk com Bruno Mars). Ela é derivada da gravadora Columbia, que é a mesma de Harry Styles (fã assumido da cantora).

    A previsão é de que o seu primeiro EP saía ainda esse ano. O som dela é pop, delicioso de ouvir e tem letras com uma pegada honesta, que saem do clichê de pronomes e amor heterossexual. Todos os instrumentos usados em “1950” foram tocados por ela.

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    O segundo lançamento segue a vibe do primeiro, mas ambas as músicas possuem suas próprias identidades. “Talia” foi lançada em pouco menos de duas semanas e já possui dois milhões de execuções no Spotify. A letra narra o fim de um relacionamento; a pessoa não vai mais voltar, mas você ainda tem esperanças e queria que ela tivesse lá. E é exatamente esse o sentimento do refrão: “I can taste your lipstick, I can lay down next to you but it’s all in my head” (eu posso sentir o gosto do seu batom, eu posso deitar ao lado de você, mas está tudo na minha cabeça).

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