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  • Dezembro 26, 2018
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    Dezembro carrega uma mochila que pesa quase o mesmo que o seu corpo inteiro. Com os olhos cansados, procura pela festa a única coisa que o interessa: Janeiro. Não que todo o resto do universo não fosse interessante o suficiente, mas era um fato conhecido de que Dezembro era obcecado por Janeiro e todas as suas versões.

    Por mais que Dezembro estivesse ali, dançando com o peso do mundo em suas costas, não conseguia chegar perto de Janeiro de forma alguma. Se tentasse apressar os pés para o centro da pista, algo o parava. Era fisicamente impossível se aproximar de Janeiro, que brilhava na frente de todos os outros convidados, abrindo as asas como se ainda estivesse tentando chegar ao auge da atenção.

    Mas ah, Janeiro, se tu soubesse que existem almas que vivem pela tua existência, tu não se forçaria a usar essa maquiagem e essa roupa. Tu é a festa, a ressaca e o recomeço…

    Dezembro faz de tudo para se livrar da mochila e correr para os teus braços, mas não consegue. Como Dezembro seria Dezembro sem o peso de todas as existências dentro de si? E tu, Janeiro, como dançaria tão livremente se não estivesse com a essência tão vazia, à espera de ser preenchida pelos seres que te amam?

    A música aperta o coração de Dezembro, que todo ano sente o cheiro dos cabelos recém lavados de Janeiro e sabe que jamais poderá tocá-los, porque as melhores coisas são as mais distantes.

    E ali, nos fundos da sala, Dezembro percebe que nunca será capaz de conhecer os filhos de Janeiro. Mesmo estando tão próximos, nunca estiveram tão longe – são anos-luz de distância física e emocional. O coração partido de Dezembro pode ser curado por qualquer outra existência, menos a de Janeiro. Bem no meio daquela festa anual, ele chega a uma conclusão: os dois são inteiros, mas de formas completamente diferentes.

    Dezembro é recheado de palavras, poemas, experiências e dores. Mais um pouco e explode, derrama, despeja.

    Janeiro é inteiro, recheado de vazios. Tudo pode acontecer, até mesmo o que aconteceu com Dezembro.

    As coisas em comum deixam Dezembro maluco – ao menos, ele pode cair um pouco na ilusão, não pode? Deixar-se acreditar que Janeiro um dia olharia para ele com aquela vontade maluca de cair em seus braços e viajar para a estrela mais distante que existir. Mas aí, Dezembro abre os olhos e enxerga a festa: ele, no canto da parede, tomando algo que o ajude a esquecer o peso em suas costas e as rugas de preocupações. Janeiro, no meio da pista, dançando lentamente com a sua roupa fazendo o movimento que faz os outros seres virarem o pescoço exclusivamente para assistir o espetáculo.

    Enquanto espera a contagem para o descanso de Dezembro começar, ele observa o cenário ao seu redor. As cicatrizes do seu corpo ecoam pelos céus, assim como a sua sabedoria em cavar até o lugar mais fundo do íntimo. Um dia, teria a leveza do seu grande amor, mas naquele momento, se contentava com a experiência de uma vida inteira.

    No final das contas, Janeiro sempre chegaria para colocar ecos em seus pensamentos mais confusos e, mesmo distante, dar-lhe um motivo para continuar recebendo a essência de todos os seres que habitam essas montanhas perigosas.

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