• Arte publicada no Instagram por @obviousagency
    Comportamento, Textos

    As particularidades do autocuidado

    ver post
  • d0bf7cba72b4deb73d4861ea37e567e9
    Livros

    O que eu estou lendo? – Outubro

    ver post
  • Colagem por https://www.simplywhytedesign.co.nz/portfolio/digital-collages
    Blogs, Comportamento, Filmes, Música

    Ronda Virtual #2 – O que há de mais interessante na internet

    ver post
  • 2291f002dffe5a86eb3419ef5c2bb542
    Comportamento, Textos

    desculpe incomodar

    ver post
  • Março 10, 2019
    postado por
    0

    Esse post é um pouco diferente dos que eu costumo fazer aqui no blog, mas vamos lá: há um ano eu entrei na faculdade no curso de Administração Pública. Durante meus anos de ensino médio ou cursinho eu não imaginei que essa seria a minha graduação (jornalismo, relações internacionais, direito, todos esses cursos passaram pela minha cabeça). Eu fiquei um bom tempo tentando tomar uma decisão; entrar na faculdade pública não era fácil e eu já havia me formado faz dois anos. O curso acabou caindo como uma luva, e aqui estou eu, tendo algumas disciplinas administrativas e outras com pegada política.

    Apesar de nunca ter me imaginado cursando Pública, eu descobri um caminho que me proporcionou muitas coisas diferentes, e várias delas relacionadas com uma área que eu sempre fui apaixonada: a Comunicação. Escrever sempre foi parte da minha vida. Eu escrevo no Elas Disseram desde 2011, e desde então engatei em outros projetos paralelos. Na faculdade, fui bolsista justamente nessa área. Aprendi muito com um chefe formado em Jornalismo (fotografia, técnicas de escrita), e também embarquei na área do marketing (outra que eu nunca havia imaginado trabalhar!).

    Todo esse contexto inicial é para chegar no ponto de contar um pouco sobre a minha experiência trabalhando em uma start up. Para quem não sabe, esses são modelos de empresas desenvolvidos para solucionar determinado problema de um consumidor; elas trazem a proposta de serem diferentes das empresas tradicionais (mais dinâmicas e muito mais tecnológicas). Após um bom tempo procurando estágio, eu encontrei a minha primeira experiência após a entrada na faculdade (real oficial, mesmo já tendo trabalhado em anos anteriores).


    Foi aí que eu dei de cara com a tecnologia, ao ser contratada na área de Marketing e Comunicação em uma empresa que fabrica placas eletrônicas PCB (é um assunto meio complexo, mas bem interessante!). Durante toda minha rotina eu ouço o vocabulário sobre programação, software, SEO, dentre outros. É um mundo novo, mas muito interessante. E o que mais me incentivou a mergulhar de cabeça em tudo isso é o envolvimento das mulheres na área da tecnologia. Sim, nós ainda somos minorias. Mas aos poucos, elas dominam diversas áreas. A programação, por exemplo, ainda é muito representada pelos homens, mas iniciativas incríveis como o PrograMaria, PyLadies, Anitas, Girls Who Code, dentre muitas outras, constroem uma comunidade forte e potente para que nós nos sintamos mais incluídas nesse mundo.

    Parte disso é também responsabilidade de trabalhar com mulheres esforçadas. A CEO da empresa é uma mulher, que nos incentiva todos dias (a aprender mais e fortalecer a rotina de quem está nessa área). Claro, não dá para romantizar: é muito trabalho duro o tempo todo. Além dos cinco dias na semana, os sábados da minha chefe e das outras coworkers são dedicados a projetos, palestras e eventos importantes. É suor e esforço. Nada vem fácil, e eu já percebi que somos mais testadas e cobradas do que os homens.


    O mercado de trabalho não é fácil pra quase ninguém. A faculdade também não. E o tempo todo alguns caras tentam nos explicar o nosso trabalho. Insistem que sabem mais que você, querem tentar te ensinar o que você sabe fazer de melhor. Aconteceu comigo, acontece com a minha discente de Teoria Econômica. E o tempo todo, eu vejo que os homens que estão na mesma posição não são questionados como nós somos. Manterrupting, mansplaining, os termos são muitos. A verdade é que vamos experienciar isso quase o tempo todo.

    A luta pela inclusão ainda é longa. Algumas empresas apostam nisso, outras só levam como aparência, mas ainda temos muito pela frente. Quantas mulheres negras programadoras você conhece? Ou criadoras de startups? A internet é um espaço incrível para podermos fazer uma conexão e entrar em contato com outras pessoas; temos muitos exemplos, como a Ana Paula Xongani. É preciso observar o nosso local de trabalho, nossas salas de aulas, os espaços de reuniões, e se questionar: quais mulheres não estão aqui e o que eu posso fazer para ajudá-las a também ocupar esse lugar?

    Com essas últimas experiências eu pude conhecer diversas mulheres incríveis, que empreenderam, criaram seus negócios a partir de ideias diferentes, que buscam alterar o sistema de onde trabalham, e outras que seguem na luta para tirar suas ideias do papel. Essas conexões são importantes e é muito legal fazer parte de iniciativas que querem mudar esse cenário (foi assim que eu passei o meu 8 de Março!).

    1. Bruna Morgan Mar 10, 2019

      Você é maravilhosa demais e eu torço pelo seu sucesso ser cada vez maior <3 <3

    2. Gabriela Soares Mar 10, 2019

      Que post INCRÍVEL! Eu quero muito me encontrar em alguma área assim como tu descreveu no post, deve ser uma sensação muito boa. Esse questionamento de “quais mulheres não estão aqui e o que eu posso fazer para ajudá-las a também ocupar esse lugar?” eu me faço diariamente. Faço faculdade particular de moda, e se eu vejo 5 mulheres negras pelos corredores é muito, fico bem frustrada, mas vamos lá: lutando pra mudar esse cenário. Enfim, amei esse post, tu é maravilhosa.

      Um beijão,
      GABS | likegabs.blogspot.com

    3. Taís Mar 22, 2019

      Que maravilhoso isso, Ana! Que post mais inspirador e fico aqui torcendo cada vez mais pelo seu sucesso. É foda isso de que por sermos mulheres temos que mostrar o dobro do serviço, mostrar que somos completamente capazes. É um caminho longo, mas enche o coração de esperança ver pessoas como vc e tantas outras nessa luta!
      :)

    4. BA MORETTI Jun 30, 2019

      oi ana, chegando aqui agora! :) ler esse tipo de post me deixa ainda mais animada a discutir o tema que escolhi para o meu TCC, que é justamente sobre todas essas situações que somos sujeitas no mercado de trabalho, simplesmente por sermos mulheres. a desigualdade salarial, as dificuldade em sermos vistas e reconhecidas mesmo possuindo qualificações muitas vezes maiores, todo o descrédito, as coisas que ouvimos, etc etc etc. enquanto as coisas mudam a passos curtíssimos a gente bate na tecla até fazer funcionar né?

    subir
    elas disseram TODOS OS DIREITOS RESERVADOS © 2017 // DESIGN POR SARA SILVA