• Colagem por https://www.simplywhytedesign.co.nz/portfolio/digital-collages
    Blogs, Comportamento, Filmes, Música

    Ronda Virtual #2 – O que há de mais interessante na internet

    ver post
  • 2291f002dffe5a86eb3419ef5c2bb542
    Comportamento, Textos

    desculpe incomodar

    ver post
  • 58520cec17184311ac3fac39ff8c0309
    Música

    Playlist: Outubro – Brasilidades

    ver post
  • s114329664
    Séries, TV

    O que vale a pena assistir – Netflix

    ver post
  • Junho 7, 2019
    postado por
    MV5BMjEzMjcxNjA2Nl5BMl5BanBnXkFtZTgwMjAxMDM2NzM@._V1_

    Booksmart (ou “Fora de Série”, como é intitulado no Brasil), é o filme de estreia de Olivia Wilde – atriz de House -, como diretora. O longa ganha como gênero o título de Coming of Age, que ganhou força nos últimos anos na indústria cinematográfica – eles são dirigidos por mulheres e apresentam uma versão mais real, sincera e doída sobre o que é crescer -. A lista é longa: Lady Bird, dirigido por Greta Gerwig, The Miseducation of Cameron Post – que traz Chloe Moretz como protagonista representando uma jovem que é obrigada pela família à passar por uma terapia de conversão sexual -, Frances Ha (também dirigido pela Greta), dentre outros. Nenhum deles é um sucesso absoluto de bilheteria, e muito menos levam o título de blockbuster, mas em uma indústria dominada por diretores homens, male gaze e representações infiéis do que é ser uma mulher jovem, essas produções ocupam um espaço até pouco tempo atrás dominado por filmes clichês e irreais.

    Duas grandes amigas conhecidas por serem os maiores prodígios da escola estão prestes a terminar o ensino médio. Faltando poucos dias para o grande momento, elas percebem que estão arrependidas por terem estudado tanto e se divertido tão pouco. Determinadas a não passarem por todo esse tempo sem nenhuma diversão, elas decidem correr atrás dos 4 anos perdidos em apenas uma noite.

    As nossas protagonistas, Amy (Kaitlyn Dever) e Molly (Beanie Feldstein) são melhores amigas fieis. Elas enfrentaram quatro anos de ensino médio juntas, e sempre se orgulharam de não fazer parte de grupos sociais; o objetivo de Amy e Molly era passar em uma faculdade de prestígio: e elas conseguiram. É o último dia de colégio – elas se sentem extremamente felizes com as suas conquistas -, e decididas que a melhor época de suas vidas está por vir: a faculdade. É com uma pitada de diálogos sarcásticos e assuntos comuns que representam os jovens contemporâneos – também conhecidos como millennials – que elas descobrem a grande verdade: seus colegas, que elas julgavam ser incapazes, também iam para boas faculdades. Tudo isso enquanto verdadeiramente aproveitaram as experiências de ser jovem.

    A dupla de protagonistas tem sua própria narrativa. Amy é uma jovem queer assumida, mas ela nunca teve uma experiência enquanto estava na escola. Ela é apoiada pela melhor amiga e pela família, e é interessante ver o filme representando a paixão dela pela colega Ryan (Victoria Ruesga), uma personagem que não se adequa nos padrões de feminilidade, e Amy em nenhum momento questiona isso; “Essa é a performance de gênero dela, não sua orientação sexual“, um debate raro em filmes que contam e falam sobre jovens. Essas cenas são um exemplo da originalidade e da honestidade de Booksmart. Ressaltado pelo The New York Times, o filme passa longe de sustentar clichês sobre mulheres lésbicas, como Mean Girls fez com a personagem de Janis lá em 2004. Já se passaram alguns anos, mas a visão masculina sobre mulheres LGBTQI+ continua sendo reforçada: Azul É A Cor Mais Quente está aí para mostrar isso.

    booksmart_BS_03163_R_rgb.0

    Molly é a protagonista que eu mais me identifiquei. A primeira cena já mostra que a personagem vai roubar a cena na uma hora e meia de filme: Molly se prepara para viver o seu último dia no ensino médio enquanto escuta um áudio de autoajuda e meditação, lembrando-a que ela é capaz de qualquer coisa. Sua vida sempre foi toda planejada; ela é perfeccionista e a líder de tudo o que se propõe a fazer. É engraçado e muito realista ver o quanto ela se decepciona ao perceber que projetou em seus colegas uma realidade que não existia: todos eram suficientemente bons, assim como ela. Eles eram interessantes e Molly acabou se auto excluindo com algo que idealizou na sua cabeça. Mas, por mais que seja controladora, é ela quem propõe a Amy que as duas aproveitem o seu último dia e frequentem as festas que nunca se atreveram a ir.

    O filme mistura cenas hilárias com diálogos sobre feminismo, empoderamento, livros e diversas referências; o tempo todo o cenário mostra a visão política e democrata das duas personagens. No carro de Molly e no quarto de Amy vemos adesivos e cartazes de protestos, e a palavra “resist”, em consonância com as manifestações que aconteceram nos Estados Unidos nos últimos anos, são frequentes.

      QEIVQ6CZMFFBJHZLGHJQSTE3IU

    O ponto alto do filme são as cenas vergonhosas e bem vida real sobre a experiência das duas personagens. É a primeira vez que Amy realmente tenta se aproximar de uma garota, e a direção – feita por um olhar feminino – mostra a bagunça que os relacionamentos jovens podem ser: a ansiedade, e principalmente a sensação de não saber o que esperar. A decepção que Amy sente quando ela descobre que Ryan não correspondia os seus sentimentos é algo fácil de se relacionar. Desde descobrir isso em uma festa, quando a personagem espera que suas expectativas finalmente sejam alcançadas, até ver sua paixão platônica beijando outra pessoa. Molly também enfrenta as sensações da rejeição; é tudo doloroso e parece que vai durar pra sempre, mesmo que a decepção só exista até o final daquela festa.

    A única cena de sexo no filme é genial; é difícil achar um filme que relate tão bem o lado estranho e nada confortável sobre primeiras vezes tendo praticamente nenhuma experiência. E que isso tá tudo bem: não precisa ser perfeito ou ideal (e na maioria das vezes nunca é). Com séries como Riverdale, que mostram uma perfeição quase inalcançável em seus personagens de 17-18 anos, é um alívio ver filmes como Booksmart mostrando a imperfeição de ser jovem.

    Além de explorar os pontos dramáticos e mostrar personagens femininas versáteis, inteligentes e que ainda estão construindo sua personalidade, o Coming of Age não foca no par romântico de nenhuma dessas personagens. É fácil dar uma busca na Netflix sobre filmes clássicos que trazem protagonistas mulheres, e ver suas jornadas resumidas à conquistar o personagem masculino que vai, milagrosamente, mudar as suas vidas. O destaque aqui é sobre a complexidade de descobrir quem você é – ou quer ser – no início da vida adulta, quando todas suas premissas se provam erradas. E para que isso acontecesse nunca foi necessário que Amy, Molly, Lady Bird e qualquer outra personagem tivesse um homem ao seu lado.

    Booksmart estreia no Brasil em 13 de Junho.

    1. Gabriela Soares Jun 08, 2019

      Amei, amei, amei! Eu já tinha ficado interessada pelo filme quando assisti um trechinho dele nos stories da @obviousagency, mas o teu post foi a cereja do bolo pra fazer a minha vontade ficar maior ainda. Me parece ser um desses filmes que vai virar um comfort movie pra muita gente (eu incluída hahah).

      Um beijão,
      Gabs | likegabs.com.br

    2. Marina Rosa Jun 09, 2019

      Meu programa de sexta a noite está sendo assistir a esse filme e eu nem terminei mas já estou aqui só pra dizer obrigada! Ai, como é boa a sensação de acertar na escolha do filme aduhuaudhau.
      Abraços!

    subir
    elas disseram TODOS OS DIREITOS RESERVADOS © 2017 // DESIGN POR SARA SILVA