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  • Setembro 29, 2019
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    Unbelievable – (Lançado em 13 de Setembro)

    Unbelievable é uma minissérie produzida pela Netflix e comandada por Susannah Grant. O fato de uma mulher ser uma das principais produtoras do projeto – assim como a maioria das diretoras dos oito episódios -, influenciam no modo como a história da jovem Marie Adler (Kaitlyn Dever), baseada em uma investigação real ocorrida na última década nos Estados Unidos, é contada. Ela é uma jovem de dezesseis anos que viveu boa parte de sua vida pulando de lar em lar, já que era uma criança na lista para a adoção. Acolhida por algumas famílias mas deixada de lado logo depois, a vida dela sempre foi conturbada.

    A série relata o caso de estupro que Marie sofreu. O assédio e o abuso sexual são a pauta principal da série, e o tema é tratado com honestidade e realismo. Antes do início do seu primeiro episódio, a série apresenta um aviso de gatilho. Todos os momentos que acontecem após o estupro deixam claro a quem assiste, desde a primeira cena, como é difícil para a vítima, desde o momento de pedir ajuda, contar o que aconteceu e chegar até a polícia. A série não economiza nas cenas duras: Marie é questionada o tempo todo pela polícia, tendo que recontar a sua história milhares de vezes. Os dados não mentem: mais de 40 mil casos foram registrados no Brasil em 2018. Porém, em 2014 o número estimado é que apenas 35% dos casos de estupro são relatados.

    Descreditada a todos momento pela polícia, ela é influenciada a negar o estupro; o caso é arquivado e Marie foi processada pelo próprio município da cidade onde morava.

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    O caso – real – só tomou outros rumos quando duas investigadoras começaram a trabalhar nele. Com um elenco impecável, a detetive Grace Rasmussen e Karen Duvall – as duas ainda trabalham na polícia até hoje -, interpretadas por Toni Collette e Merritt Wever, trazem novas nuances a série. No segundo episódio descobrimos que Marie não foi a única vítima. O estuprador em série, que agiu nos subúrbios de Seattle de 2008 até 2011, perseguiu e atacou outras mulheres.

    A série coloca em foco em todas as vítimas, evidenciando seus contextos, relatos, e principalmente, como os estupros afetaram suas vidas de alguma maneira, para sempre. Essas cenas apresentam diálogos carregados. No último episódio, uma das vítimas – ao encontrar o seu agressor no tribunal – questiona o que o fez persegui-la, e que se ela soubesse o que foi, mudaria esse detalhe para que isso nunca mais acontecesse em sua vida. O sentimento de culpa e as diferentes formas de lidar com um trauma são mostrados nos episódios. O processo de viver com o medo e com a injustiça de um caso não resolvido, são evidenciados pelo roteiro.

    Unbelievable é uma série forte e necessária, que questiona em todos os momentos a sociedade misógina em que vivemos, que pressiona as vítimas e as faz viver mais de uma violação: aquela que é feita pelo Estado e pela sociedade, que invalida a denúncia do estupro e do abuso sexual. Que não acredita e julga a vítima desde o início. Uma das falas consegue expor esse ponto: “Quando alguém sofre um acidente, nunca é questionado. Então porque com os crimes sexuais é diferente?” 

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    Elisa y Marcela – (Lançado em 7 de Junho)

    O primeiro casamento LGBT aconteceu pela Igreja Católica em 8 de Junho de 1901 e nunca foi anulado. O casal? Elisa Sanchez Loriga (Natalia de Molina) e Marcela Gracias Ibeas (Greta Fernández). Dirigido por Isabel Coixet, “Elisa y Marcela” narra a história real de duas mulheres que se apaixonaram – em meados de 1890 -, quando estudaram juntas em um colégio de freiras. A amizade das duas floresceu e se tornou amor. Chamando a atenção das pessoas em uma cidade pequena, a família de Elisa manda-a para um internato e as duas só se reencontram alguns anos depois, mas o romance ainda continua firme.

    O filme trata com delicadeza o romance de Elisa e Marcela, mas a vida das duas juntas está longe de ter sido fácil. Expostas a homofobia e a reprovação da sociedade – que as perseguia e agredia -, elas raramente tiveram um minuto de paz para viver como qualquer outro casal normal. Para tentar ficarem juntas, Marcela assumiu a identidade do seu primo, Mario – que havia morrido a alguns anos -, e se vestiu de homem durante muito tempo. A história convenceu o padre da província de A Coruña, mas o plano logo foi descoberto pelas pessoas da aldeia em que o casal vivia. O casamento, no entanto, nunca foi anulado, mas as duas foram descobertas em Portugal – para onde haviam fugido -, e foram presas. Na época, Elisa estava grávida.

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    O filme é todo em preto e branco e possui uma estética bastante original, que foge dos clichês Hollywoodianos e apresenta com fidelidade os traços e os detalhes da época em que viveram Elisa e Marcela na Espanha. A diretora do longa descobriu a história em uma viagem ao noroeste da Espanha, e demorou dez anos até finalmente concretizá-la para as telas. A história foi recusada por produtoras diversas vezes; e o fato do longa não ter cores desagradou. Até que finalmente a Netflix adquiriu os direitos. Exibido no Festival de Berlim no início do ano, Elisa y Marcela quase sofreu um boicote – queriam eliminar o filme da competição por ele ser originado do streaming -, mas o longa resistiu. Ele foi rodado em apenas quatro semanas.

    Setembro 23, 2019
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    arte: https://fitacola.com/torn-around-iv-2018

    arte: https://fitacola.com/torn-around-iv-2018

    Todos os dias antes de sair de casa,

    penso nos lugares que não conheci e nos becos que me parecem estranhos,

    assim como as ruas grandes e as rodovias solitárias

    ou as pessoas que vi apenas uma vez e deixei para trás sem despedida

    não gosto de me despedir, pois sempre sinto que ainda vou vê-las mais uma vez.

    Foi como naquele dia, em que te vi de longe

    e eu não quis voltar para casa nunca mais

    e dias depois, na análise, eu digo: “eu nunca quero voltar para casa”

    nunca quero voltar para os dias que são iguais,

    e as mesmas ruas que conheço, e as mesmas pessoas

    e os sentimentos que se repetem, roteiros iguais, premeditados

    são todos tão parecidos, essa é uma cidade estranha

    em que as pessoas nunca mudam.

    Cidade cheia de paisagens bonitas, mas cheiros que incomodam

    amores que cansam e vão embora,

    e que nos anos seguintes continuam os mesmos; tudo continua igual

    eu tenho a estranha sensação que se voltasse para esse lugar cinco anos depois

    nada teria mudado.

    As ruas seriam as mesmas,

    as pessoas ainda vestiriam as mesmas roupas, e teriam os mesmos pensamentos

    e você ainda estaria lá, arruinando qualquer coisa que tentasse te fazer feliz

    Por isso, quando vou embora, sinto um respiro

    sinto cada pedaço do meu corpo querendo ficar, desejando esse mundo novo

    nesse lugar de terra vermelha, de sensação quente

    nem o seco me incomoda

    nem o frio me atrapalha

    nem os lugares apinhados de gente, as luzes, o som

    eu sempre desejo ficar.

    Naquele dia os meus olhos brilharem e o meu corpo todo estremeceu

    foi a sensação bonita de ver o diferente

    de experienciar o novo

    mas eu sei que tem hora para acabar

    será que eu preciso mesmo voltar?

    Antes de ir embora tentei te guardar na minha mente

    cabelos cacheados, pretos, sorriso bonito

    ah, que sorriso lindo

    me deu vontade de ficar

    mas já era hora de ir

    olhei para trás, enquanto você se distanciava, ficava longe

    até eu não enxergar mais

    será que já é cedo demais para voltar?

    Setembro 1, 2019
    postado por
    Design sem nome

    No mês de Agosto eu tive o prazer de visitar, pela primeira vez, o Parque Gráfico, feira incrível de arte que acontece anualmente em Florianópolis, Santa Catarina. A idealização do evento, feito por Camila Petersen, e com o suporte de toda uma equipe técnica, chegou em sua quarta edição em 2019. O parque gráfico realizou a sua primeira edição em 2016.

    “A Parque Gráfico é uma feira de exposição, troca, venda e consumo de produções gráficas e publicações independentes, tais como zines, livros, livros de artista, HQs, catálogos, editoriais, postais, pôsteres, gravuras e toda uma infinidade de produtos impressos que carregam consigo as características desse tipo de produção: menor tiragem, alto valor artístico e conceito mais artesanal e menos industrial.” Fonte

    Arte para mim é algo essencial, e iniciativas como essa são um pontapé para incentivar artistas; o mais interessante é que no Parque podemos conhecê-los, conversar pessoalmente (principalmente com aqueles que você já acompanha na internet faz tempo, que foi o meu caso com a @camixvx, a Camila Rosa), e consumir produtos que são feitos por artistas independentes. Também é possível visualizar o ativismo no evento de diversas maneiras; seja nas artes representativas, nos artistas queer e nas frases de apoio ao movimento LGBTQI+, negro e feminista.

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    Eu acompanho a Camila Rosa a um bom tempo no Instagram (se você segue o Insta do blog já deve ter visto as artes dela muitas vezes por lá nos stories). Camila é do mesmo estado que eu, Santa Catarina. Quando eu comecei a segui-la nas redes sociais ela estava morando em Nova York. A artista já fez vários trabalhos incríveis por lá (um dos mais recentes faz parte da campanha Keep Fighting). Suas artes falam sobre feminismo, veganismo, e sempre mostram mulheres de corpos e etnias diferentes; eu sou apaixonada pelo traço dela e de como suas ilustrações são poderosas e impactantes. Elas transmitem muita força. Foi muito legal poder conhecer a artista no Parque Gráfico!

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    Letícia Moreno é a autora do Negapeta; eu ainda não conhecia o seu trabalho e tive a oportunidade de apreciar no Parque e também levar alguns stickers pra casa. Letícia é ilustradora, aquarelista e estuda História da Arte na UFRJ. Um detalhe muito legal é que todas as compras vinham em em envelopes com desenhos feitos por ela (cada um deles diferente!). Eu gostei muito das artes dela com aquarela. Seus desenhos trazem mulheres negras e muita representatividade. Acompanhe-a no Facebook também!

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    A fotografia também tem um espaço enorme no Parque Gráfico. Joe Nicolay, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, foi um dos meus artistas favoritos. Eu fiquei impressionada com os cartões postais que traziam fotografias conceituais, em preto & branco. O trabalho dele traz as pautas de diversidade e identidade; Joe é graduando em Artes Visuais pela UFRGS. Vale super a pena conferir o seu trabalho na internet (que é super extenso!).

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    A Naomy Rosa, conhecida artisticamente como @Batnau, foi uma das pessoas que eu mais adorei ver no Parque Gráfico. O trabalho dela está sempre presente nas Feiras de Florianópolis, em especial a Feira Afro Artesanal, uma tradição no centro da cidade, da capital de Santa Catarina. Já presenteei algumas amigas com cadernos e adesivos; o sketchbook é um dos meus favoritos! Uma característica única de seu trabalho são os desenhos feitos com café. A designer de interiores atualmente mora em Criciúma.

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    É difícil não amar as ilustrações delicadas e as personagens femininas da ilustradora e designer têxtil Caroline Bogo. O seu estande estava lotado de meninas olhando os prints, adesivos e demais trabalhos da artista. Estavam presentes desenhos com muitas cores – em especial o rosa -, cheios de detalhes e uma estética maravilhosa. Comprei de aniversário para um amigo um print lindo. Caroline também estava vendendo alguns originais na Feira.

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    Apesar dos tempos complicados no nosso país, a arte está viva e bem, obrigada. Os artistas são inspiradores e trazem mensagens importantíssimas. Não consegui fotografar tudo, mas o Parque Gráfico traz um explícito tom político e de questionamento, principalmente no trabalho dos artistas negros e LGBTQ, que mostram suas vivências, percepções e experiências em zines, ilustrações e frases. Também houve espaço para livros que exploravam temas tabus – com estandes que traziam tiragens produzidas por editoras pequenas -.

    Apoiar eventos como esse é essencial. Precisamos ocupar esse espaço e fazer questionamentos, além de acompanhar as pessoas que produzem conteúdo e arte de diversas maneiras. Essas formas de expressão carregam em si um poderoso olhar crítico, uma outra maneira de enxergar a sociedade, as angústias e crises que estamos vivendo. Muitos cartazes de artistas jovens e mais velhos questionavam a democracia, o status quo, a maneira como a sociedade está estruturada. Eu sai de lá, naquele dia, energizada e com força para continuar contribuindo coletivamente, mesmo nesses dias difíceis de 2019.

    Agosto 28, 2019
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    o amor próprio está nas revistas e nos livros de autoajuda,

    nas sessões de terapia e nos meus escritos,

    mas de alguma maneira eu sempre o vejo perdido.

     

    perdido no banheiro de estranhos quanto olhei o meu reflexo naquele espelho,

    perdido em relações tampa-vazio,

    em conversas que eu só fingi ouvir, me perguntando

    o que diabos eu estava fazendo ali

     

    jogado nas tentativas de convencimento, de “preste atenção em mim”,

    nos meus sentimentos que não segui,

    quando te procurei mesmo você querendo logo ir.

     

    causalidade, quartos desconhecidos, copos vazios.

    deixei cada pedaço do meu amor ali, sem saber seguir.

     

    na volta para casa chorei no carro, quase meia noite,

    eu mal te conheci, mas deixei outro pedaço do meu amor em ti.

     

    que mania péssima de espalha-lo por aí, sem saber para que lugar ir,

    quebrando minha jornada interminável.

     

    eu nunca soube cultivá-lo, estou tentando, mas o meu caminho

    geralmente é tropeçado. 

    Agosto 27, 2019
    postado por

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    Ultimamente eu ando pensando muito sobre as mulheres que me inspiram e aquelas que me dão força. Depois de longas jornadas de tentar me conhecer mais – que ainda estão em processo, vale dizer -, e sessões em que minha terapeuta dizia que eu precisava me amar urgentemente (não amanhã, não depois, mas começar o trabalho duro hoje) eu comecei a me cercar de livros que poderiam me ajudar, de ouvir mais as amigas que estavam do meu lado e de reparar como as mulheres que eu convivia me traziam algo de novo e de inspirador. É importante dizer que nenhuma delas é perfeita. Todas estão longe de serem. São cheias de defeitos como qualquer ser humano, como eu, e a ideia de você se inspirar em alguém que precisa ter tudo certo na sua vida é uma furada. Afinal, quem consegue ter tudo no seu lugar nos tempos de hoje? É uma tarefa quase impossível.

    Elas estavam lá nos pequenos detalhes. Desde a minha ex-chefe, que coordenava uma empresa todos os dias enquanto organizava eventos que ensinavam meninas pré-adolescentes e adolescentes a criar aplicativos que mudassem as suas comunidades, correndo atrás de suporte para que aquelas jovens tivessem alimentação durante os programas (algo difícil; em tese, todo mundo apoia o feminismo, mas na hora do vamos ver…), na minha amiga que se engaja com toda a força que tem nos projetos que acredita, por um mundo mais justo e igualitário para as mulheres negras, e que está envolvida em pautas de consciência ambiental.

    Nos meus dias mais complicados, quando parece que está difícil demais de construir a minha auto estima e o meu próprio caminho, eu tento olhar mais para o lado. Para quem eu vejo que também está na sua trajetória e no seu processo todos os dias. Trajetórias essas que podem ser duras; às vezes nós idealizamos demais as pessoas que estão ao nosso lado, que não conhecemos intimamente, e achamos que elas tem tudo acertado. Eu já tive essa ideia de muitas mulheres que trabalhavam comigo, que lideravam equipes enquanto enfrentavam um doutorado. Eu a via sendo uma profissional brilhante, mas não fazia ideia de que ela enfrentava desafios extremamente difíceis na sua vida pessoal. Que todos os dias era uma luta. E que mesmo assim ela estava lá, de pé, dando o seu melhor. E foi nesse momento que caiu a ficha pra mim que convivemos com mulheres fodas. Elas não precisam estar na internet, ou realizando uma viagem dos sonhos, ou tendo uma vida que parece incrível. Elas podem estar ali, do seu lado, lidando com os seus próprios demônios.

    Eu aprendi a tentar achar a força feminina dentro de mim. Tentar construir a minha intuição, o meu sexto sentido, a calma antes da tempestade. Me livrar do ideal romântico, que tanto me fez pensar que eu precisava doar o meu eu inteiro e perder a minha essência, quando ela é verdadeiramente a coisa mais importante que eu tenho. Sigo buscando o equilíbrio me inspirando em mulheres que estão na minha rotina, nas amigas corajosas, nos livros de Angela Davis e nos arquétipos escritos por Clarissa Pinkola Estés. Alguns dias são mais complicados que outros, mas sinto que estou no caminho certo. 

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