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  • Maio 18, 2019
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    Você já teve aquela sensação de estar prestes a virar uma borboleta? Como se, depois de tanto tempo, finalmente estivesse pronta para sair do casulo?

    É uma sensação maravilhosa, mas que, por algum motivo, causa desconforto nas pessoas. Antes de tudo, é preciso entender uma coisa que eu quero que você leve para o resto da sua vida: o ambiente em que você está provavelmente odeia renascimentos. E nós, meu bem, fomos feitas para renascer a todo momento.

    A verdade é que se falamos ou fizemos algo há três anos, então definitivamente não podemos contrariar nós mesmos. Acontece que a pessoa que você era há três anos está morta. E isso não é algo ruim. Tenha empatia pelo seu passado. Você tinha sentimentos, sentia dor, dava amor e tinha sonhos. E ali, no curso da história, dançava no meio da pista quando um caminhão repleto de futuro te cortou em pedaços. E você despedaçou, se perdeu por algum tempo, mas renasceu.

    Você agora está cada vez mais viva, depois de ter encarado a morte.

    Não me importa o que você fez há um ano. Não me importa se machucou alguém ou se foi machucada – mas, ainda assim, eu sinto muito.

    O que me importa é o que você é, e o que você pode ser. Não entra na minha cabeça porquê passamos tanto tempo pensando no que as pessoas foram ou fizeram, se poderíamos gastar todo esse tempo e energia focando no que elas podem ser.

    Você já parou para pensar no que você pode realizar agora mesmo? No poder que tem nas mãos?

    Ignore aqueles que dizem que você não pode entrar em constante evolução. É para isso que você está aqui, meu bem. Voe.

    Março 28, 2019
    postado por

    kenrick-mills-709743-unsplashUma das coisas que eu mais amo fazer é escrever, principalmente poemas. Acredito de verdade que eles são uma forma de passar pelo processo de cura que é necessário quando vivemos experiências de uma vida inteira em apenas alguns segundos.

    Decidi, então, estrear um novo tipo de post aqui no blog chamado “#PoemaDeQuinta”. Os poeminhas sairão nas quinta-feiras e, sim, é um trocadilho, pois eles são humildes! haha

    Aqui vai, então, o primeiro poema. É um pedaço do meu coração para vocês! <3

     //

    Para as almas livres

    //

    Eu vejo você lutando para resistir

    Enxergo os seus olhos caírem

    em profunda inspiração

    quando observam os quatro cantos do mundo

    //

    Eu vejo a sua confusão

    em cada um dos passos que você toma

    Eu vejo os medos dançarem

    por cima do seu corpo

    mas nunca por cima da sua alma

    //

    Eu vejo o jeito que você olha para a lua

    e se pergunta quantas vidas já pisaram na Terra

    Eu vejo a câmera nas suas mãos

    te dizendo o que e quando focar

    //

    E você

    fruto de experiências de uma vida inteira

    escolhe focar em coisas que possuam a liberdade

    que você deseja

    alcançar um dia

    //

    As árvores te enchem os olhos, não é?

    Você adoraria florescer

    mas meu bem

    você ainda não percebeu

    que das suas cicatrizes nascem flores?

    //

    Olhe um pouco para si e perceba:

    a sua alma livre despeja infinito

    onde só existem finitos

    Não seja outra coisa além de eterno

    Dezembro 26, 2018
    postado por
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    Dezembro carrega uma mochila que pesa quase o mesmo que o seu corpo inteiro. Com os olhos cansados, procura pela festa a única coisa que o interessa: Janeiro. Não que todo o resto do universo não fosse interessante o suficiente, mas era um fato conhecido de que Dezembro era obcecado por Janeiro e todas as suas versões.

    Por mais que Dezembro estivesse ali, dançando com o peso do mundo em suas costas, não conseguia chegar perto de Janeiro de forma alguma. Se tentasse apressar os pés para o centro da pista, algo o parava. Era fisicamente impossível se aproximar de Janeiro, que brilhava na frente de todos os outros convidados, abrindo as asas como se ainda estivesse tentando chegar ao auge da atenção.

    Mas ah, Janeiro, se tu soubesse que existem almas que vivem pela tua existência, tu não se forçaria a usar essa maquiagem e essa roupa. Tu é a festa, a ressaca e o recomeço…

    Dezembro faz de tudo para se livrar da mochila e correr para os teus braços, mas não consegue. Como Dezembro seria Dezembro sem o peso de todas as existências dentro de si? E tu, Janeiro, como dançaria tão livremente se não estivesse com a essência tão vazia, à espera de ser preenchida pelos seres que te amam?

    A música aperta o coração de Dezembro, que todo ano sente o cheiro dos cabelos recém lavados de Janeiro e sabe que jamais poderá tocá-los, porque as melhores coisas são as mais distantes.

    E ali, nos fundos da sala, Dezembro percebe que nunca será capaz de conhecer os filhos de Janeiro. Mesmo estando tão próximos, nunca estiveram tão longe – são anos-luz de distância física e emocional. O coração partido de Dezembro pode ser curado por qualquer outra existência, menos a de Janeiro. Bem no meio daquela festa anual, ele chega a uma conclusão: os dois são inteiros, mas de formas completamente diferentes.

    Dezembro é recheado de palavras, poemas, experiências e dores. Mais um pouco e explode, derrama, despeja.

    Janeiro é inteiro, recheado de vazios. Tudo pode acontecer, até mesmo o que aconteceu com Dezembro.

    As coisas em comum deixam Dezembro maluco – ao menos, ele pode cair um pouco na ilusão, não pode? Deixar-se acreditar que Janeiro um dia olharia para ele com aquela vontade maluca de cair em seus braços e viajar para a estrela mais distante que existir. Mas aí, Dezembro abre os olhos e enxerga a festa: ele, no canto da parede, tomando algo que o ajude a esquecer o peso em suas costas e as rugas de preocupações. Janeiro, no meio da pista, dançando lentamente com a sua roupa fazendo o movimento que faz os outros seres virarem o pescoço exclusivamente para assistir o espetáculo.

    Enquanto espera a contagem para o descanso de Dezembro começar, ele observa o cenário ao seu redor. As cicatrizes do seu corpo ecoam pelos céus, assim como a sua sabedoria em cavar até o lugar mais fundo do íntimo. Um dia, teria a leveza do seu grande amor, mas naquele momento, se contentava com a experiência de uma vida inteira.

    No final das contas, Janeiro sempre chegaria para colocar ecos em seus pensamentos mais confusos e, mesmo distante, dar-lhe um motivo para continuar recebendo a essência de todos os seres que habitam essas montanhas perigosas.

    Novembro 27, 2018
    postado por

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    Para todos os cidadãos do mundo,

    eu quero que vocês saibam que eu entendo.

    Eu entendo esse sentimento de acolhimento que vocês sentem quando o vento bagunça os cabelos e o primeiro pensamento é “eu estou, finalmente, em casa.”

    E eu entendo que por um milésimo de segundo, esse pensamento é real, mas assim como o tempo, nada dura. A sensação de ter encontrado o seu lugar no mundo é viciante a ponto de, diferente de outros tipos de dependência, você desejar que não seja infinita, porque a procura é quase tão instigante quanto o encontro.

    Eu sei que as células do nosso corpo se renovam milhares de vezes durante a vida e isso significa que a pele que um dia morou nos lugares que vocês pisaram já não existe mais. Mesmo que voltássemos para cada pedaço de cidade que já desbravamos, nada seria igual, porque nós já morremos e renascemos muitas vezes em todos esses anos.

    Mas podem ter certeza: o mundo nos ensina diariamente sobre a selvageria que é dançar no meio da tempestade. Não importa o tamanho do oceano e nem a maneira que ele intimida o resto do planeta – de qualquer forma, ele continua sozinho, perdido dentro da sua própria intensidade.

    Os seus sonhos são mais profundos do que o universo, e é por isso que nós nos perdemos nas curvas das cidades durante a noite, observando os bares cheios e os ônibus apressados correndo pelas avenidas. Se você algum dia já se perguntou onde diabos estava o mapa, saiba: você é o mapa e a sua missão é se encontrar.

    Nós somos aquelas pessoas que já atravessaram o céu inteiro e puderam enxergar de longe as veias que interligavam uma cidade a outra. Como almas livres que somos, sentimos o desejo de aproximar a visão e nadar com as estrelas que brilham nas entranhas das cidades.

    No ato de liberdade mais corajoso, vimos que, assim como todos os lugares do mundo, existem veias dentro de nós que pulsam tão intensamente quanto.

    Para todos os cidadãos do mundo,

    quero que vocês saibam: eu nunca vou descansar a minha alma. Para sempre serei o ser mais inquieto do planeta que possui mistérios que lugar nenhum será capaz de desvendar, mas que jamais vai perder o interesse pela tentativa.

    Cada centímetro de mim tem um pouco de vocês, porque nós somos os mesmos, apesar de não sermos.

    Para todos os cidadãos do mundo,

    quando vocês estiverem beijando os lábios de uma cidade e pensando em outra, que não esqueçam: o passado é o motivo da nossa nostalgia. No exato agora, somos as almas que se abrem para as veias que ainda não foram descobertas. Jamais seremos inteiros novamente, pois deixamos pedaço de nós em todos os cantos que já passamos. Esse é o preço que se paga por amar tão intensamente todos os lugares do mundo.

    Setembro 20, 2018
    postado por
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    Para todas as montanhas que eu tentei escalar, mas não consegui

    Você dá a luz ao seu próprio universo e todos os dias o seu corpo nada nessas dimensões infinitas

    Você tem fogo nas suas curvas e a cidade que é o meu corpo queimou até as cinzas pintarem o céu

    Para todas as pontes que eu tentei construir, mas não consegui

    Eu vejo a sua essência no meio da noite

    Com as luzes dos prédios embaçados no meio da multidão

    Para todos os oceanos que eu tentei nadar, mas não consegui

    As suas águas são cheias de vazio e eu me afoguei nessa overdose de vagos

    O fundo do seu mar é visto a quilômetros de distância

    Eu enxergo transparente porque eu sou transparente

    Para todos os caos que quase me engoliram, mas não conseguiram

    Você seduz através da confusão

    Você tem o coração partido e faz acreditar que sou eu

    Mas eu não sou a parte quebrada – eu sou o inteiro

    Para todos os aviões que eu quase peguei, mas não consegui

    As conexões que perdi me fizeram enxergar o desgaste

    As turbulências que eu não peguei me fazem ter saudade do caos

    Mas a confusão que me deixa acordada à noite não é o meu destino final

    Para todos os quase momentos que eu quase vivi, mas não consegui

    A sua voz ecoa na minha mente o tempo inteiro

    E se? E se? E se? E se? E se?

    Me perguntei quantos anos aquele momento completaria

    Mas o nascimento nunca aconteceu

    E ainda assim eu me sinto culpada pela morte dele

    Para todas as pessoas que estão tentando sobreviver, mas acham que não conseguem

    Às vezes, ninguém enxerga o seu coração partido

    Porque estão tentando consertar a própria existência

    Assim como você

    Para o universo quebrado

    Eu sei que você está perdendo a sua cor

    Pouco a pouco

    Mas isso acontece com todo camaleão

    Antes do renascimento

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