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  • Agosto 28, 2019
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    o amor próprio está nas revistas e nos livros de autoajuda,

    nas sessões de terapia e nos meus escritos,

    mas de alguma maneira eu sempre o vejo perdido.

     

    perdido no banheiro de estranhos quanto olhei o meu reflexo naquele espelho,

    perdido em relações tampa-vazio,

    em conversas que eu só fingi ouvir, me perguntando

    o que diabos eu estava fazendo ali

     

    jogado nas tentativas de convencimento, de “preste atenção em mim”,

    nos meus sentimentos que não segui,

    quando te procurei mesmo você querendo logo ir.

     

    causalidade, quartos desconhecidos, copos vazios.

    deixei cada pedaço do meu amor ali, sem saber seguir.

     

    na volta para casa chorei no carro, quase meia noite,

    eu mal te conheci, mas deixei outro pedaço do meu amor em ti.

     

    que mania péssima de espalha-lo por aí, sem saber para que lugar ir,

    quebrando minha jornada interminável.

     

    eu nunca soube cultivá-lo, estou tentando, mas o meu caminho

    geralmente é tropeçado. 

    Junho 28, 2019
    postado por
    Arte por Camila Rosa (@camixvx) no Instagram.

    Arte por Camila Rosa (@camixvx) no Instagram.

    Eu sempre fui uma pessoa que lidava bem com a minha própria companhia. Teoricamente. Mas isso nunca foi uma verdade absoluta quando se tratava de relacionamentos, sejam eles amorosos ou amizades. Meu primeiro quase-relacionamento aconteceu quando eu tinha 20 anos, talvez mais tardiamente do que todos os meus amigos que já tinham se envolvido com alguém na adolescência; por isso, quando ocorreu, foi explosivo. Sabe quando você simplesmente mergulha sem pensar duas vezes, apostando todas as suas fichas? A verdade é que há um ano atrás, pouco depois do fim dos meus 19 anos, eu sabia zero coisas sobre como era se relacionar com alguém. Eu não sabia que pessoas eram profundamente complexas; você não só gosta de alguém e ponto final. Existe um pacote completo, e nele estão contidos o contexto social, a personalidade, a jornada, as características de alguém e como ela vê o mundo, que pode ser de uma maneira muito diferente da sua.

    E essa pessoa, de certa forma, era completamente diferente de mim. É claro que é possível crescer muito se relacionando com uma pessoa distinta de você em diversos âmbitos; eu aprendi coisas que definitivamente nunca vou esquecer. Mas essa primeira experiência era apenas uma prévia do que é deixar de lado quem você é, pelo outro. Esquecer da sua rotina, dos seus gostos, de quem deve ficar em primeiro lugar na sua vida (eu simplesmente esqueci que eu devia ser minha prioridade). Essas ações possuíam um porquê – que ainda são questões para mim até hoje -, e se originam de problemas de alto estima e outras coisas que eu sempre enfrentei. Alguns dizem que a chave de tudo isso é o amor próprio.

    Minha insegurança sempre me fez, usando uma analogia terapeuta, abandonar o meu barco pelo do outro sem nem saber onde ele ia parar. Eu tenho o costume de embarcar nas relações e na vida de outras pessoas sem nem ter certeza sobre o que elas querem. Para onde elas vão. Ou se elas realmente tem coisas em comum comigo. Às vezes eu sei que não vai funcionar, mas insisto mesmo assim. Parece obrigatório ter algo para preencher aquele espaço vazio; o que me leva sempre para o mesmo ponto inicial: decepcionada e frustrada quando aquilo não dá certo no final da história.

    Eu sei que a minha maneira de se relacionar pode não se adequar tão bem à como a sociedade caminha – ou melhor, corre -, na atualidade: é tudo muito instantâneo, rápido demais, quase nem sobra tempo pra respirar e pensar na coisa certa a fazer. É algo difícil e que pressiona as suas maiores inseguranças e medos, especialmente se você acha que outra pessoa vai te dar a resposta para os seus problemas.

    No meio de toda essa jornada sobre como sobreviver a esse turbilhão, eu me apoiei em livros e autoras que me deram alívio e respostas para coisas que eu queria muito saber. “Complexo Cinderela”, lançado por Colette Dawling em 1981 é um dos livros mais famosos sobre o tema, que aborda a construção social no qual nós mulheres somos levadas a acreditar que, por mais que tenhamos uma vida bem-sucedida, uma carreira promissora, sempre vamos precisar de uma força maior para nos proteger: o homem. É um sistema e uma filosofia aplicada em mulheres desde os seus primeiros passos. Nós crescemos ouvindo que precisamos de um parceiro, que todo mundo tem um espaço a ser preenchido – especificamente nós, seres que “precisam de ajuda” -, e essa busca frustrada nos leva a relacionamentos abusivos, tóxicos e situações infelizes.

    Arte por Amy (awfullyadorable.tumblr.com).

    Uma experiência mais recente – e um pouco mais madura, mas que também me fez cometer erros semelhantes do passado -, me fez embarcar na leitura de “Mulheres que Correm com Os Lobos”, um clássico escrito pela psicóloga Clarissa Pinkola Estés, que aborda os arquétipos da Mulher Selvagem, uma característica que está presente em todas as mulheres (por mais que algumas ainda não a tenham se conectado com ela). O livro é profundo e trás contos de séculos passados, com extrema relevância cultural que se aplicam facilmente com as situações da mulher moderna de hoje, e como nós precisamos recuperar nossa intuição. A minha, por exemplo, anda enterrada e a minha maior dificuldade é conseguir escuta-la.

    É por isso que eu acredito veemente que eu preciso de um tempo sozinha. Pra mim. Pra respirar, para descobrir mais sobre o que realmente importa e depositar minha energia no que tem futuro: em coisas que envolvem a minha personalidade, que me trazem experiências positivas. Se colocar no lugar do outro e ser calejado o tempo inteiro dói; se decepcionar por algo que você simplesmente não pode controlar é quase como uma auto punição. E eu ando cansada de me tropeçar por outras pessoas. É hora de abrir espaço para que eu seja o meu foco.

    Dezembro 26, 2018
    postado por
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    Dezembro carrega uma mochila que pesa quase o mesmo que o seu corpo inteiro. Com os olhos cansados, procura pela festa a única coisa que o interessa: Janeiro. Não que todo o resto do universo não fosse interessante o suficiente, mas era um fato conhecido de que Dezembro era obcecado por Janeiro e todas as suas versões.

    Por mais que Dezembro estivesse ali, dançando com o peso do mundo em suas costas, não conseguia chegar perto de Janeiro de forma alguma. Se tentasse apressar os pés para o centro da pista, algo o parava. Era fisicamente impossível se aproximar de Janeiro, que brilhava na frente de todos os outros convidados, abrindo as asas como se ainda estivesse tentando chegar ao auge da atenção.

    Mas ah, Janeiro, se tu soubesse que existem almas que vivem pela tua existência, tu não se forçaria a usar essa maquiagem e essa roupa. Tu é a festa, a ressaca e o recomeço…

    Dezembro faz de tudo para se livrar da mochila e correr para os teus braços, mas não consegue. Como Dezembro seria Dezembro sem o peso de todas as existências dentro de si? E tu, Janeiro, como dançaria tão livremente se não estivesse com a essência tão vazia, à espera de ser preenchida pelos seres que te amam?

    A música aperta o coração de Dezembro, que todo ano sente o cheiro dos cabelos recém lavados de Janeiro e sabe que jamais poderá tocá-los, porque as melhores coisas são as mais distantes.

    E ali, nos fundos da sala, Dezembro percebe que nunca será capaz de conhecer os filhos de Janeiro. Mesmo estando tão próximos, nunca estiveram tão longe – são anos-luz de distância física e emocional. O coração partido de Dezembro pode ser curado por qualquer outra existência, menos a de Janeiro. Bem no meio daquela festa anual, ele chega a uma conclusão: os dois são inteiros, mas de formas completamente diferentes.

    Dezembro é recheado de palavras, poemas, experiências e dores. Mais um pouco e explode, derrama, despeja.

    Janeiro é inteiro, recheado de vazios. Tudo pode acontecer, até mesmo o que aconteceu com Dezembro.

    As coisas em comum deixam Dezembro maluco – ao menos, ele pode cair um pouco na ilusão, não pode? Deixar-se acreditar que Janeiro um dia olharia para ele com aquela vontade maluca de cair em seus braços e viajar para a estrela mais distante que existir. Mas aí, Dezembro abre os olhos e enxerga a festa: ele, no canto da parede, tomando algo que o ajude a esquecer o peso em suas costas e as rugas de preocupações. Janeiro, no meio da pista, dançando lentamente com a sua roupa fazendo o movimento que faz os outros seres virarem o pescoço exclusivamente para assistir o espetáculo.

    Enquanto espera a contagem para o descanso de Dezembro começar, ele observa o cenário ao seu redor. As cicatrizes do seu corpo ecoam pelos céus, assim como a sua sabedoria em cavar até o lugar mais fundo do íntimo. Um dia, teria a leveza do seu grande amor, mas naquele momento, se contentava com a experiência de uma vida inteira.

    No final das contas, Janeiro sempre chegaria para colocar ecos em seus pensamentos mais confusos e, mesmo distante, dar-lhe um motivo para continuar recebendo a essência de todos os seres que habitam essas montanhas perigosas.

    Novembro 22, 2017
    postado por
    space love xx Scott Brian Madeiras

    Arte: space love –  Scott Brian Madeiras

    Eu sinto raiva de você.
    Mas também sinto afeição.
    Eu acho que você não sente nada.
    Mas no dia seguinte, você parece sentir tudo.
    Ou seria só uma ilusão minha?
    Eu gosto de tudo em você
    Mas eu também odeio todas essas coisas
    Não quero sentir nada disso
    Mas ao mesmo tempo, quero sentir tudo
    Eu não quero te ver
    Mas sei que estou mentindo, porque só o que eu desejo é poder
    te ver no dia seguinte, e depois de amanhã, e talvez sempre
    Só para nos minutos seguintes desejar que você suma
    Que você exploda
    Que você nunca mais volte
    Eu prometo que vou desistir, esquecer
    E logo depois, eu sinto falta de você
    Mesmo que você nunca esteja presente de verdade
    Talvez seja só uma invenção da minha cabeça
    Querer afagar o seu cabelo
    Querer ver o seu sorriso
    Que nunca aparece
    Te enxergar de perto, te ouvir falar
    Enquanto quero fugir, correr
    Porque eu não sinto orgulho disso
    O meu orgulho está perdido em algum lugar por ai, temo dizer também que o meu amor próprio sumiu, se escondeu
    E eu repito para todo mundo que vou conseguir
    Eu repito para mim, para quem quiser ouvir
    Talvez seja uma mentira deslavada que eu insisto em contar
    Fingir que não te vejo, fingir que não quero cada pedacinho de você
    Até aqueles que são sem graça, que ninguém gosta, que ninguém vê
    Eu quero todos eles
    Mesmo que no meio desse querer, você esteja
    afagando outro cabelo e vendo outro sorriso
    que nunca será o meu.

    Outubro 8, 2017
    postado por

    Eu não quero que esse texto seja romântico. Mas talvez seja difícil evitar. Aliás, evitar você é quase impossível. Eu tento, eu juro. Eu fiz uma promessa para mim mesma que arriscaria mais. Que iria me permitir sentir mais. Eu não quero ser um robô que tenta controlar todos os meus sentimentos. E afinal, se eu estou aqui, é para viver, não é? Mas as coisas são mais complicadas que parecem. Você apareceu do nada, mas eu sei que quem procurou foi eu. Então, seria injusto dizer que você surgiu sem eu querer de verdade. Mas eu ainda sei muito pouco sobre mim e você bagunça todas as minhas tentativas de autocontrole, sem ao menos saber. Parece que eu chego no meu limite; e eu não faço ideia se são borboletas no estômago ou a minha ansiedade pedindo ajuda.

    Controlar a mim mesma é algo que simplesmente não existe quando você está perto. E o pior é que você nem precisa fazer nada. É só dar um sorriso que parece que alguma coisa no meu estômago se revira 10 vezes seguida, e eu confesso, minha primeira ação é ficar paralisada. E depois querer correr. Eu sei, eu estou me auto sabotando e isso é horrível. É péssimo que a minha cabeça queira fugir de uma coisa que pode se transformar em algo bom.

    Deixar as pessoas entrar às vezes pode ser muito difícil. E eu sei que estou sendo resistente e dura demais comigo mesma. Mas é que eu tenho medo de verdade de depois, eu ter que recolher todos os pedacinhos sozinha. Porque isso já aconteceu antes. E eu tentei te deixar de lado. Tentei não prestar atenção, nem me importar. E funcionou. Por dois dias. Foi só você aparecer de novo que eu já voltei à estaca zero.

    Eu não sei se quero ficar nessa estaca zero. Eu não sei, de verdade, se devo dar uma chance para mim, para você, e simplesmente deixar as coisas acontecerem. É complicado, quando existem dias que a minha cabeça anda a milhão e eu só quero não pensar em nada. Mas não adianta: você achou um lugar na minha mente faz algumas semanas e não saiu mais. Grudou aqui e se recusa a ir embora. E eu confesso que gosto. Às vezes eu fico irritada, e digo pra mim mesma e todo mundo que chega, eu tenho prioridades importantes, mas você se tornou uma prioridade instável no meio de um turbilhão de ansiedades.

    Acho que gosto de não saber o que você vai fazer, mesmo que a instabilidade me assuste um pouquinho. Sempre foi assim. Eu gosto do que é fixo, imutável, e só precisa de cinco minutos para saber que você está bem longe de ser essas duas coisas. Mas talvez isso seja algo positivo para alguém como eu, que corre o risco de se estagnar onde está.

    Eu não quero depositar um monte de expectativas em você. De idealizar alguém que não existe, de imaginar qualidades e defeitos que não estão ali. Eu quero ser mais sincera comigo, com os outros, e não cobrar coisas impossíveis de pessoas que não merecem isso (e ninguém merece). Então, desculpa se no meio do caminho eu vou tropeçando e criando coisas na minha cabeça que nem existem. Eu custumo fazer isso. Mas quero melhorar. Tô aqui, me dispondo a alterar esse hábito.

    Daqui a uma semana, três dias, tudo pode mudar. Talvez a minha opinião não seja mais a mesma. Talvez sua paciência acabe. Mas eu queria colocar isso para fora. Quero dizer que, apesar dos pesares, é muito bom, em alguns momentos, estar próxima de alguém como você.

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