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    Comportamento, feminismo

    Podcasts que eu amo e indico #1

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  • Arte por Camila Rosa (@camixvx) no Instagram.
    Amor, Comportamento

    Ficar sozinha me torna confiante

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    Playlist: Junho

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  • Julho 10, 2019
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    Escrevo esse post enquanto estou ouvindo o Donas da P@#$% Toda, um podcast que descobri recentemente e é feito por duas mulheres de Florianópolis, minha cidade natal. Como amante da internet e seus milhares de conteúdo, eu descobri nos podcasts uma maneira de receber, aprender e repensar sobre diversos temas diferentes. Sempre gostei de ouvir opiniões novas, e são diversos os programas que me fazem simplesmente passar o tempo (como o trânsito ou aquela hora no ônibus) ou ouvir informações importantes e que acrescentam na nossa jornada. Foi difícil escolher, mas vamos lá!

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    Backstage – Modefica com Marina Colerato e convidaxs

    O Modefica é um dos meus sites favoritos quando se fala de moda sustentável, de repensar os meios de consumo na prática e debater e se informar sobre a origem dos processos. Eles estão há alguns anos escrevendo artigos sobre os mais diversos temas que permeiam o olhar para a moda de outra maneira: seja sobre a cultura de influencers, das semanas de moda e até onde vai a iniciativa de marcas de abraçam o rótulo eco. O podcast é uma extensão desse ótimo trabalho que já é feito no site: o papo é feito por intermédio de Marina Colerato. Indico demais para quem também é apaixonado pelo mundo fashion como eu, mas não enxerga sentido na maneira da qual ele é vendido. Ouvir o Backstage é aprender a questionar e olhar de maneira crítica para a moda.

    Indico: “O que é moda?”

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    Long Distance Friendship – Conversations with Vic Hollo and Julia Levenstein

    Vic Hollo mora em São Paulo e é estilista da C&A; Julia Levenstein vive em Los Angeles e trabalha na indústria da música. As duas protagonizam o Long Distance Friendship, que é uma conversa entre amigas para ouvir naqueles momentos que você precisa refletir, dar boas risadas, ou sentir que está trocando confidências com uma parceira. Os episódios são longos e trazem temas desde carreira à vida amorosa. O meu episódio favorito é o último que foi ao ar, sobre autoestima, que quebra os estereótipos que muitas vezes criamos sobre pessoas que acompanhamos na internet. É uma conversa reflexiva e interessante sobre como é difícil a jornada de construir o seu amor próprio.

    Indico: “#04 – Sobre autoestima”

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    Durma Com Essa – Nexo Jornal

    O Nexo Jornal é uma das minhas fontes favoritas de jornalismo independente, e os pogramas apresentados por eles não deixam nada a desejar dos conteúdos do site. O Durma com Essa é um programa que vai o ar de segunda e quinta, e explica em alguns minutos (no máximo em torno de 10), fatos políticos importantes da semana de maneira clara, com a participação de especialistas. A gente sabe que no Brasil de hoje é difícil se manter atualizado em coisas importantes que acontecem – com o milhão de notícias sobre política que somos bombardeados 24h -, e esse podcast é uma boa pedida.

    Indico: “O ritmo acelerado na liberação de agrotóxicos no Brasil.”

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    Gurls Talk Podcast – Adwoa Aboah

    A modelo e ativista britânica Adwoa Aboah é a responsável por criar o projeto Gurls Talk, que se tornou enorme na internet, alcançando diversas plataformas. A ideia é discutir a saúde mental das mulheres, e o podcast possui diversos convidados que falam abertamente sobre transtorno de ansiedade, depressão, e a jornada de se recuperar do alcoolismo e das drogas. É interessante também ouvir a jornada de nomes famosos, como Serena Williams. Esse é com certeza um dos meus podcasts favoritos. Adwoa faz um trabalho incrível usando a sua plataforma para falar sobre transtornos mentais, principalmente na perspectiva feminina, algo que ainda é pouco abordado. Lembre-se de prestar atenção nos gatilhos, caso não seja bom para você ouvir sobre determinados temas. P.S: O programa é em inglês.

    Indico: “Adwoa talks to Serena Williams to find out how to win at life.”

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    Bom Dia, Obvious –  Com Marcela Ceribelli 

    Eu acompanho a Obvious Agency no Instagram já faz um bom tempo, e apesar do podcast deles ser novíssimo (só tem dois episódios!) já entrou para a lista dos meus favoritos. O primeiro episódio trás convidadas especiais para falar de monogamia, relacionamento aberto e políamor, temas que me interessam e eu queria saber mais. O segundo episódio aborda ansiedade, um tema que é algo sempre presente na minha vida, com a presença da Luiza Brasil do Mequetrefismos (tinha como ser melhor?). O interessante é que o viés trazido pelo programa fala sobre como as redes sociais só aumentam ainda mais esses sintomas.

    Indico: “Todo mundo ansioso”

    Junho 28, 2019
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    Arte por Camila Rosa (@camixvx) no Instagram.

    Arte por Camila Rosa (@camixvx) no Instagram.

    Eu sempre fui uma pessoa que lidava bem com a minha própria companhia. Teoricamente. Mas isso nunca foi uma verdade absoluta quando se tratava de relacionamentos, sejam eles amorosos ou amizades. Meu primeiro quase-relacionamento aconteceu quando eu tinha 20 anos, talvez mais tardiamente do que todos os meus amigos que já tinham se envolvido com alguém na adolescência; por isso, quando ocorreu, foi explosivo. Sabe quando você simplesmente mergulha sem pensar duas vezes, apostando todas as suas fichas? A verdade é que há um ano atrás, pouco depois do fim dos meus 19 anos, eu sabia zero coisas sobre como era se relacionar com alguém. Eu não sabia que pessoas eram profundamente complexas; você não só gosta de alguém e ponto final. Existe um pacote completo, e nele estão contidos o contexto social, a personalidade, a jornada, as características de alguém e como ela vê o mundo, que pode ser de uma maneira muito diferente da sua.

    E essa pessoa, de certa forma, era completamente diferente de mim. É claro que é possível crescer muito se relacionando com uma pessoa distinta de você em diversos âmbitos; eu aprendi coisas que definitivamente nunca vou esquecer. Mas essa primeira experiência era apenas uma prévia do que é deixar de lado quem você é, pelo outro. Esquecer da sua rotina, dos seus gostos, de quem deve ficar em primeiro lugar na sua vida (eu simplesmente esqueci que eu devia ser minha prioridade). Essas ações possuíam um porquê – que ainda são questões para mim até hoje -, e se originam de problemas de alto estima e outras coisas que eu sempre enfrentei. Alguns dizem que a chave de tudo isso é o amor próprio.

    Minha insegurança sempre me fez, usando uma analogia terapeuta, abandonar o meu barco pelo do outro sem nem saber onde ele ia parar. Eu tenho o costume de embarcar nas relações e na vida de outras pessoas sem nem ter certeza sobre o que elas querem. Para onde elas vão. Ou se elas realmente tem coisas em comum comigo. Às vezes eu sei que não vai funcionar, mas insisto mesmo assim. Parece obrigatório ter algo para preencher aquele espaço vazio; o que me leva sempre para o mesmo ponto inicial: decepcionada e frustrada quando aquilo não dá certo no final da história.

    Eu sei que a minha maneira de se relacionar pode não se adequar tão bem à como a sociedade caminha – ou melhor, corre -, na atualidade: é tudo muito instantâneo, rápido demais, quase nem sobra tempo pra respirar e pensar na coisa certa a fazer. É algo difícil e que pressiona as suas maiores inseguranças e medos, especialmente se você acha que outra pessoa vai te dar a resposta para os seus problemas.

    No meio de toda essa jornada sobre como sobreviver a esse turbilhão, eu me apoiei em livros e autoras que me deram alívio e respostas para coisas que eu queria muito saber. “Complexo Cinderela”, lançado por Colette Dawling em 1981 é um dos livros mais famosos sobre o tema, que aborda a construção social no qual nós mulheres somos levadas a acreditar que, por mais que tenhamos uma vida bem-sucedida, uma carreira promissora, sempre vamos precisar de uma força maior para nos proteger: o homem. É um sistema e uma filosofia aplicada em mulheres desde os seus primeiros passos. Nós crescemos ouvindo que precisamos de um parceiro, que todo mundo tem um espaço a ser preenchido – especificamente nós, seres que “precisam de ajuda” -, e essa busca frustrada nos leva a relacionamentos abusivos, tóxicos e situações infelizes.

    Arte por Amy (awfullyadorable.tumblr.com).

    Uma experiência mais recente – e um pouco mais madura, mas que também me fez cometer erros semelhantes do passado -, me fez embarcar na leitura de “Mulheres que Correm com Os Lobos”, um clássico escrito pela psicóloga Clarissa Pinkola Estés, que aborda os arquétipos da Mulher Selvagem, uma característica que está presente em todas as mulheres (por mais que algumas ainda não a tenham se conectado com ela). O livro é profundo e trás contos de séculos passados, com extrema relevância cultural que se aplicam facilmente com as situações da mulher moderna de hoje, e como nós precisamos recuperar nossa intuição. A minha, por exemplo, anda enterrada e a minha maior dificuldade é conseguir escuta-la.

    É por isso que eu acredito veemente que eu preciso de um tempo sozinha. Pra mim. Pra respirar, para descobrir mais sobre o que realmente importa e depositar minha energia no que tem futuro: em coisas que envolvem a minha personalidade, que me trazem experiências positivas. Se colocar no lugar do outro e ser calejado o tempo inteiro dói; se decepcionar por algo que você simplesmente não pode controlar é quase como uma auto punição. E eu ando cansada de me tropeçar por outras pessoas. É hora de abrir espaço para que eu seja o meu foco.

    Maio 18, 2019
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    Você já teve aquela sensação de estar prestes a virar uma borboleta? Como se, depois de tanto tempo, finalmente estivesse pronta para sair do casulo?

    É uma sensação maravilhosa, mas que, por algum motivo, causa desconforto nas pessoas. Antes de tudo, é preciso entender uma coisa que eu quero que você leve para o resto da sua vida: o ambiente em que você está provavelmente odeia renascimentos. E nós, meu bem, fomos feitas para renascer a todo momento.

    A verdade é que se falamos ou fizemos algo há três anos, então definitivamente não podemos contrariar nós mesmos. Acontece que a pessoa que você era há três anos está morta. E isso não é algo ruim. Tenha empatia pelo seu passado. Você tinha sentimentos, sentia dor, dava amor e tinha sonhos. E ali, no curso da história, dançava no meio da pista quando um caminhão repleto de futuro te cortou em pedaços. E você despedaçou, se perdeu por algum tempo, mas renasceu.

    Você agora está cada vez mais viva, depois de ter encarado a morte.

    Não me importa o que você fez há um ano. Não me importa se machucou alguém ou se foi machucada – mas, ainda assim, eu sinto muito.

    O que me importa é o que você é, e o que você pode ser. Não entra na minha cabeça porquê passamos tanto tempo pensando no que as pessoas foram ou fizeram, se poderíamos gastar todo esse tempo e energia focando no que elas podem ser.

    Você já parou para pensar no que você pode realizar agora mesmo? No poder que tem nas mãos?

    Ignore aqueles que dizem que você não pode entrar em constante evolução. É para isso que você está aqui, meu bem. Voe.

    Maio 13, 2019
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    Eu já falei sobre ansiedade algumas vezes aqui no blog, mas de vez em quando penso o quanto eu deveria falar mais sobre isso. No final de Abril completei três anos de medicação do tratamento para transtorno de ansiedade, dentre outros síntomas, e parece que passou rápido demais. Três anos foram voando, mas viver com um transtorno nunca é fácil e é uma jornada doída, em que você enfrenta algumas coisas difíceis no caminho. E mesmo que sejam só alguns anos, eu me vejo como uma pessoa muito diferente de quem eu era em 2015, quando se trata da minha saúde mental.

    Não existe um segredo 

    Outro dia eu li um texto no Man Repeller  em que a autora narrava a sua vida com Síndrome de Pânico. Ela confessa que durante uma época, apesar de ter mantido uma dieta balanceada, um clima “good vibes” e feito tudo o que as pessoas diziam que ela precisava fazer, ela continuava tendo ataques de pânico. E isso me lembrou o quanto, de verdade, não existe um segredo absoluto sobre como a sua doença, ou no meu caso, o transtorno de ansiedade, vai funcionar. É claro que uma rotina faz toda a diferença – e às vezes eu dedico horas no meu dia em atividades que vão me fazer bem -, mas mesmo assim, eu posso ter uma crise amanhã. Ou no outro dia. E eu não tenho culpa disso.

    Por muito tempo eu achei que ter uma crise significava que eu tinha voltado pra estaca zero. Que todo o meu trabalho em tomar a medicação e ir na aula de yoga, ou na terapia, tinha se perdido por causa disso. Mas não é verdade. Foi assim que eu descobri que é uma jornada; em alguns dias eu vou estar bem, e em outros não. E o meu progresso não precisa ser linear.

     Eu tenho medo da ansiedade atrapalhar os meus relacionamentos

    Lidar com um transtorno não afeta só você mesmo na maioria das vezes: pode afetar os seus relacionamentos também. Não é fácil conhecer alguém novo e mostrar para aquela pessoa que você enfrenta alguns problemas. Eu mesma já tentei esconder as características do transtorno de ansiedade: aquela que você pode passar mal numa festa e precisar ir pra casa porque teve um ataque de pânico, ou aquela que lida de maneira diferente com algumas situações que, para os outros, são normais. Transtornos mentais ainda são um tabu enorme e muitas pessoas nunca nem ouviram falar sobre eles, ainda menos sobre os efeitos físicos e psicológicos que eles podem causar em alguém.

    É um pouco assustador quando eu me relaciono com alguém e tento colocar para debaixo do tapete tudo isso. Em algum momento, a pessoa vai acabar descobrindo, e eu confesso que ainda estou tentando aprender a não sentir vergonha, a não ficar me culpando ou pior, ficando ainda mais ansiosa pelo que os outros vão pensar de mim ou se eles vão me rotular como instável, transtornada, etc.

    Alguns meses são mais difíceis que outros

    Às vezes eu consigo lidar super bem com a minha ansiedade e manter tudo no controle. Eu tenho muitos privilégios que me permitem conseguir cuidar da minha saúde mental, quando a gente sabe muito bem que metade da população brasileira não tem acesso à plano de saúde, a consultas esporádicas ou medicamentos. Tudo isso tem um preço, um custo, tempo, planejamento, é difícil fazer as coisas sem apoio. 

    A sociedade não conversa sobre isso e a nossa cultura invalida os transtornos mentais, as doenças psicológicas. Elas ainda são consideradas “frescura”, ou pouco relevantes comparados à um problema físico. Sem falar na dificuldade do acesso à informação. Para a sua família ou os seus amigos entenderem o que você passa, eles precisam de informação. As pessoas próximas de mim não entenderam de um dia para o outro o que era o meu transtorno de ansiedade. Foi preciso ajuda dos médicos também para eles enxergarem os sintomas e como lidar com isso.

    Sendo assim, algumas fases são mais complicadas. Se um monte de coisas novas acontecem comigo, ou problemas, ou términos, parece que eu não consigo lidar com tudo ao mesmo tempo e a minha ansiedade bate como nunca. Sem falar no desânimo, no medo de ter uma crise, na vontade de ficar na cama. Houveram semanas que eu quase não saía de casa e desaparecia da faculdade. Mas é um ciclo, como muitas coisas da vida. Por mais que pareça que você está no fundo do poço, tem uma maneira sim, de sair dele. 

    A medicação é importante

    Tá aí outro tabu. Algumas pessoas acham problemático você tomar uma medicação para o seu transtorno, mas a verdade é que faz diferença quase absoluta no seu tratamento. Com o tempo, eu parei de me importar muito com o que outras pessoas achavam e considerar a opinião apenas dos profissionais (médicos, terapeutas). É relevante seguir as instruções da minha medicação, e com isso vem várias coisas que você tem que mudar: beber pouco, não fumar, ficar longe de drogas. Coisas que podem não ser tão simples em alguns ambientes, mas eu aprendi que o que causa um efeito X nos outros, pode ser muito mais forte pra mim.

    É um compromisso consigo mesmo. É uma responsabilidade que você assume de querer melhorar. De querer estar bem, de fazer o possível para que você leve uma vida equilibrada, sabe? E mais importante, de aprender a respeitar quem eu sou, respeitar os meus sintomas, a minha jornada, e não atropelar as minhas dificuldades.

    O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma organização não-governamental que faz um trabalho importante de conscientização da saúde mental e oferece apoio para todo o Brasil pelo número 188, com ligação gratuita, 24 horas.

    Março 10, 2019
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    Esse post é um pouco diferente dos que eu costumo fazer aqui no blog, mas vamos lá: há um ano eu entrei na faculdade no curso de Administração Pública. Durante meus anos de ensino médio ou cursinho eu não imaginei que essa seria a minha graduação (jornalismo, relações internacionais, direito, todos esses cursos passaram pela minha cabeça). Eu fiquei um bom tempo tentando tomar uma decisão; entrar na faculdade pública não era fácil e eu já havia me formado faz dois anos. O curso acabou caindo como uma luva, e aqui estou eu, tendo algumas disciplinas administrativas e outras com pegada política.

    Apesar de nunca ter me imaginado cursando Pública, eu descobri um caminho que me proporcionou muitas coisas diferentes, e várias delas relacionadas com uma área que eu sempre fui apaixonada: a Comunicação. Escrever sempre foi parte da minha vida. Eu escrevo no Elas Disseram desde 2011, e desde então engatei em outros projetos paralelos. Na faculdade, fui bolsista justamente nessa área. Aprendi muito com um chefe formado em Jornalismo (fotografia, técnicas de escrita), e também embarquei na área do marketing (outra que eu nunca havia imaginado trabalhar!).

    Todo esse contexto inicial é para chegar no ponto de contar um pouco sobre a minha experiência trabalhando em uma start up. Para quem não sabe, esses são modelos de empresas desenvolvidos para solucionar determinado problema de um consumidor; elas trazem a proposta de serem diferentes das empresas tradicionais (mais dinâmicas e muito mais tecnológicas). Após um bom tempo procurando estágio, eu encontrei a minha primeira experiência após a entrada na faculdade (real oficial, mesmo já tendo trabalhado em anos anteriores).


    Foi aí que eu dei de cara com a tecnologia, ao ser contratada na área de Marketing e Comunicação em uma empresa que fabrica placas eletrônicas PCB (é um assunto meio complexo, mas bem interessante!). Durante toda minha rotina eu ouço o vocabulário sobre programação, software, SEO, dentre outros. É um mundo novo, mas muito interessante. E o que mais me incentivou a mergulhar de cabeça em tudo isso é o envolvimento das mulheres na área da tecnologia. Sim, nós ainda somos minorias. Mas aos poucos, elas dominam diversas áreas. A programação, por exemplo, ainda é muito representada pelos homens, mas iniciativas incríveis como o PrograMaria, PyLadies, Anitas, Girls Who Code, dentre muitas outras, constroem uma comunidade forte e potente para que nós nos sintamos mais incluídas nesse mundo.

    Parte disso é também responsabilidade de trabalhar com mulheres esforçadas. A CEO da empresa é uma mulher, que nos incentiva todos dias (a aprender mais e fortalecer a rotina de quem está nessa área). Claro, não dá para romantizar: é muito trabalho duro o tempo todo. Além dos cinco dias na semana, os sábados da minha chefe e das outras coworkers são dedicados a projetos, palestras e eventos importantes. É suor e esforço. Nada vem fácil, e eu já percebi que somos mais testadas e cobradas do que os homens.


    O mercado de trabalho não é fácil pra quase ninguém. A faculdade também não. E o tempo todo alguns caras tentam nos explicar o nosso trabalho. Insistem que sabem mais que você, querem tentar te ensinar o que você sabe fazer de melhor. Aconteceu comigo, acontece com a minha discente de Teoria Econômica. E o tempo todo, eu vejo que os homens que estão na mesma posição não são questionados como nós somos. Manterrupting, mansplaining, os termos são muitos. A verdade é que vamos experienciar isso quase o tempo todo.

    A luta pela inclusão ainda é longa. Algumas empresas apostam nisso, outras só levam como aparência, mas ainda temos muito pela frente. Quantas mulheres negras programadoras você conhece? Ou criadoras de startups? A internet é um espaço incrível para podermos fazer uma conexão e entrar em contato com outras pessoas; temos muitos exemplos, como a Ana Paula Xongani. É preciso observar o nosso local de trabalho, nossas salas de aulas, os espaços de reuniões, e se questionar: quais mulheres não estão aqui e o que eu posso fazer para ajudá-las a também ocupar esse lugar?

    Com essas últimas experiências eu pude conhecer diversas mulheres incríveis, que empreenderam, criaram seus negócios a partir de ideias diferentes, que buscam alterar o sistema de onde trabalham, e outras que seguem na luta para tirar suas ideias do papel. Essas conexões são importantes e é muito legal fazer parte de iniciativas que querem mudar esse cenário (foi assim que eu passei o meu 8 de Março!).

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