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    Comportamento, feminismo

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    Playlist: Junho

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  • Junho 7, 2019
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    Booksmart (ou “Fora de Série”, como é intitulado no Brasil), é o filme de estreia de Olivia Wilde – atriz de House -, como diretora. O longa ganha como gênero o título de Coming of Age, que ganhou força nos últimos anos na indústria cinematográfica – eles são dirigidos por mulheres e apresentam uma versão mais real, sincera e doída sobre o que é crescer -. A lista é longa: Lady Bird, dirigido por Greta Gerwig, The Miseducation of Cameron Post – que traz Chloe Moretz como protagonista representando uma jovem que é obrigada pela família à passar por uma terapia de conversão sexual -, Frances Ha (também dirigido pela Greta), dentre outros. Nenhum deles é um sucesso absoluto de bilheteria, e muito menos levam o título de blockbuster, mas em uma indústria dominada por diretores homens, male gaze e representações infiéis do que é ser uma mulher jovem, essas produções ocupam um espaço até pouco tempo atrás dominado por filmes clichês e irreais.

    Duas grandes amigas conhecidas por serem os maiores prodígios da escola estão prestes a terminar o ensino médio. Faltando poucos dias para o grande momento, elas percebem que estão arrependidas por terem estudado tanto e se divertido tão pouco. Determinadas a não passarem por todo esse tempo sem nenhuma diversão, elas decidem correr atrás dos 4 anos perdidos em apenas uma noite.

    As nossas protagonistas, Amy (Kaitlyn Dever) e Molly (Beanie Feldstein) são melhores amigas fieis. Elas enfrentaram quatro anos de ensino médio juntas, e sempre se orgulharam de não fazer parte de grupos sociais; o objetivo de Amy e Molly era passar em uma faculdade de prestígio: e elas conseguiram. É o último dia de colégio – elas se sentem extremamente felizes com as suas conquistas -, e decididas que a melhor época de suas vidas está por vir: a faculdade. É com uma pitada de diálogos sarcásticos e assuntos comuns que representam os jovens contemporâneos – também conhecidos como millennials – que elas descobrem a grande verdade: seus colegas, que elas julgavam ser incapazes, também iam para boas faculdades. Tudo isso enquanto verdadeiramente aproveitaram as experiências de ser jovem.

    A dupla de protagonistas tem sua própria narrativa. Amy é uma jovem queer assumida, mas ela nunca teve uma experiência enquanto estava na escola. Ela é apoiada pela melhor amiga e pela família, e é interessante ver o filme representando a paixão dela pela colega Ryan (Victoria Ruesga), uma personagem que não se adequa nos padrões de feminilidade, e Amy em nenhum momento questiona isso; “Essa é a performance de gênero dela, não sua orientação sexual“, um debate raro em filmes que contam e falam sobre jovens. Essas cenas são um exemplo da originalidade e da honestidade de Booksmart. Ressaltado pelo The New York Times, o filme passa longe de sustentar clichês sobre mulheres lésbicas, como Mean Girls fez com a personagem de Janis lá em 2004. Já se passaram alguns anos, mas a visão masculina sobre mulheres LGBTQI+ continua sendo reforçada: Azul É A Cor Mais Quente está aí para mostrar isso.

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    Molly é a protagonista que eu mais me identifiquei. A primeira cena já mostra que a personagem vai roubar a cena na uma hora e meia de filme: Molly se prepara para viver o seu último dia no ensino médio enquanto escuta um áudio de autoajuda e meditação, lembrando-a que ela é capaz de qualquer coisa. Sua vida sempre foi toda planejada; ela é perfeccionista e a líder de tudo o que se propõe a fazer. É engraçado e muito realista ver o quanto ela se decepciona ao perceber que projetou em seus colegas uma realidade que não existia: todos eram suficientemente bons, assim como ela. Eles eram interessantes e Molly acabou se auto excluindo com algo que idealizou na sua cabeça. Mas, por mais que seja controladora, é ela quem propõe a Amy que as duas aproveitem o seu último dia e frequentem as festas que nunca se atreveram a ir.

    O filme mistura cenas hilárias com diálogos sobre feminismo, empoderamento, livros e diversas referências; o tempo todo o cenário mostra a visão política e democrata das duas personagens. No carro de Molly e no quarto de Amy vemos adesivos e cartazes de protestos, e a palavra “resist”, em consonância com as manifestações que aconteceram nos Estados Unidos nos últimos anos, são frequentes.

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    O ponto alto do filme são as cenas vergonhosas e bem vida real sobre a experiência das duas personagens. É a primeira vez que Amy realmente tenta se aproximar de uma garota, e a direção – feita por um olhar feminino – mostra a bagunça que os relacionamentos jovens podem ser: a ansiedade, e principalmente a sensação de não saber o que esperar. A decepção que Amy sente quando ela descobre que Ryan não correspondia os seus sentimentos é algo fácil de se relacionar. Desde descobrir isso em uma festa, quando a personagem espera que suas expectativas finalmente sejam alcançadas, até ver sua paixão platônica beijando outra pessoa. Molly também enfrenta as sensações da rejeição; é tudo doloroso e parece que vai durar pra sempre, mesmo que a decepção só exista até o final daquela festa.

    A única cena de sexo no filme é genial; é difícil achar um filme que relate tão bem o lado estranho e nada confortável sobre primeiras vezes tendo praticamente nenhuma experiência. E que isso tá tudo bem: não precisa ser perfeito ou ideal (e na maioria das vezes nunca é). Com séries como Riverdale, que mostram uma perfeição quase inalcançável em seus personagens de 17-18 anos, é um alívio ver filmes como Booksmart mostrando a imperfeição de ser jovem.

    Além de explorar os pontos dramáticos e mostrar personagens femininas versáteis, inteligentes e que ainda estão construindo sua personalidade, o Coming of Age não foca no par romântico de nenhuma dessas personagens. É fácil dar uma busca na Netflix sobre filmes clássicos que trazem protagonistas mulheres, e ver suas jornadas resumidas à conquistar o personagem masculino que vai, milagrosamente, mudar as suas vidas. O destaque aqui é sobre a complexidade de descobrir quem você é – ou quer ser – no início da vida adulta, quando todas suas premissas se provam erradas. E para que isso acontecesse nunca foi necessário que Amy, Molly, Lady Bird e qualquer outra personagem tivesse um homem ao seu lado.

    Booksmart estreia no Brasil em 13 de Junho.

    Março 5, 2019
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    Título: Period. End of Sentence (Absorvendo o Tabu) – Disponível na NETFLIX

    Diretor (a): Rayka Zehtabchi

    Sinopse: Na Índia Rural, onde o estigma da menstruação persiste, mulheres produzem absorventes de baixo custo em uma nova máquina e caminham para a independência financeira.

    É raro uma mulher que não lembre onde ela estava ou como aconteceu a sua primeira menstruação. O que ela sentiu naquele momento, a primeira compra de um absorvente, a maneira de aprender a lidar com o sangramento todo mês. O primeiro ano é o mais curioso, mas depois de um tempo nós nos acostumamos: absorvente interno, externo, coletor, são diversas as formas que usamos para lidar com esses dias do mês. É claro, nem toda mulher necessariamente menstrua. Mas em 2019, nós sabemos muito sobre o assunto e lidamos com ele com mais naturalidade. “Nós”. O Ocidente carrega essa mania opressora de achar que nossos hábitos são universais; mas eles estão longe de ser.

    “Absorvendo o Tabu“, curta-metragem de apenas 26 minutos dirigido pela irano-americana Raya Zehtabchi, que possui outro curta consagrado, “Madaran” lançado em 2016 no seu currículo, coloca como protagonista as crianças e mulheres indianas de uma cidade do interior a 60km de Nova Deli. O curta se inicia com cenas que mostram a vergonha e o desconforto das garotas ao serem questionadas sobre o que é menstruação. Elas sabem, mas nunca expressaram a sua compreensão ou opinião sobre o assunto, que é tratado como um mito, algo que não deve nunca ser abordado. Logo depois a mesma pergunta é feita aos garotos: alguns acreditam que a menstruação seja até mesmo uma doença.

    Elas não usam absorventes, e o sangramento todo mês provoca muito mais que uma cólica ou uma ida cancelada à piscina: na Índia, mais de três milhões de meninas já deixaram de ir à escola por causa disso. No curta, conhecemos uma garota que interrompeu seus estudos pela vergonha e a inconveniência da menstruação. Sem estruturas, elas precisam enrolar toalhas, pedaços de pano ou outros objetos que não são limpos, para esconderem o sangramento, correndo o risco de ficarem doentes. Dessa maneira, muitas desistem de estudar.

    As coisas começaram a mudar aos poucos quando uma máquina que faz absorventes biodegradáveis é instalado na região. É uma novidade, algo surpreendente, e não demora muito para que as mulheres aprendam o processo e comecem a fazer os seus próprios absorventes. Para muitas delas, esse é o primeiro emprego de suas vidas: a independência financeira, a chance de não precisar mais do salário do marido, de poder sair de casa, e trabalhar. Coisas que para nós podem soar simples, mas para essas mulheres são um passo importante no seu empoderamento: foi assim que surgiu a linha de absorventes Fly’s, criada em Harpur, na Índia, originada pela máquina inventada por Murugananthem; o objetivo é que as mulheres possam alcançar diversos lugares.

    O curta também mostra como essas mulheres começaram a vender os primeiros absorventes. Elas possuem o sonho de vendê-los em Nova Deli. De se sustentar, se tornarem donas do próprio destino e de se tornarem parte da polícia Indiana.

    O projeto é apoiado pela ONG californiana The Pad Project, que busca arrecadar fundos para implementar máquinas em outros lugares em países em desenvolvimento, e trazer absorventes para meninas no mundo todo que não possuem acesso à eles.

    Dezembro 17, 2018
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    Título: Colette

    Diretor (a): Wash Westmoreland

    Elenco: Keira Knightley, Dominic West, Denise Gough, Eleanor Tomlinson

    Sinopse: Colette (Keira Knightley) é uma romancista francesa que sofre com o seu casamento abusivo e com o seu parceiro que tenta ganhar créditos em cima de suas obras de maneira ilegal.

    Estamos na França, um dos países mais culturais da Europa, durante a Belle Époque, era em que a efervescência da arte estava no seu auge; é em 1873, no interior da França, que nasce Sidonie Gabrielle Colette, uma garota do interior, que gosta da natureza e do clima pacato, longe da cidade. Colette (Keira Knightley) se casa ainda jovem com Henry Gauthier-Villars (Dominic West), também conhecido como Willy, um crítico de música e aspirante a escritor, e se muda para Paris com ele. A capital francesa é diferente de tudo que ela já viu, e desempenha papel importante na mudança e crescimento de Gabrielle.

    Inspirado em uma história real – como você já deve ter notado -, o longa nos transporta para o final do século 19, na pele da protagonista, que está tentando se adequar aos primeiros anos do seu casamento. No início ela é apaixonada pelo marido – que é visto quase como um “mentor”, por ela -, um homem egocêntrico e que, apesar de afirmar amá-la, é extremamente controlador. Gabrielle, como uma escritora nata, começa os rascunhos do seu primeiro livro, com inspiração nas suas experiências da infância. Claudine à l’école é lançado em 1900, se tornando um romance de grande sucesso na França –  e considerado polêmico, por falar de desejos de uma personagem adolescente pela primeira vez -, porém o livro é publicado pelo nome de Henry e não de Colette, ou seja, ele leva todos os créditos da história escrita pela esposa.

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    Com o sucesso de vendas instâneo, o marido a obriga a produzir mais livros. É da inspiração de Gabrielle – que por fim se torna Colette – que origina-se mais sucessos franceses: “Claudine em Paris”, também lançado em 1900, “Claudine e Anne”, dentre outros. O filme tem um ritmo mais lento, o que é positivo para abordar de maneira profunda as diversas fases da protagonista. Mesmo no início, sendo tímida e sem expressar sua voz, Colette já não se adequava aos padrões impostos pela sociedade francesa. Ela descobre, por meio do empoderamento da sua escrita e do sucesso, que é uma mulher capaz de se descobrir. 

    A experiência de uma mulher queer é o ponto alto do filme: Gabrielle descobre o seu interesse pelo mesmo sexo – algo que aparece de maneira sútil no início do filme -, e tem casos com mulheres durante o longa. O seu marido sabe e aceita; temos cenas interessantes, como as que Willy afirma que se ela tivesse um caso com o homem, ele não aceitaria, e Colette responde: “então o problema é com o gênero?”

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    Colette nunca quis se adaptar aos moldes que eram impostos às mulheres: um dos grandes amores de sua vida – do qual ela viveu em companhia de 1906 à 1910 – também ganha presença no filme; Matilde de Morny (Denise Cough), conhecida como Missy, possui uma presença assídua em grande parte da vida da escritora. As duas se apaixonam, e o diretor do longa, Wash Westmoreland, dá atenção devida ao tema. Missy veste roupas masculinas e é uma personagem genderfluid. Em uma das cenas, Willy insiste em chamar Missy de “ela”, e Colette o corrige várias vezes, dizendo “ele”. O casal inclusive trabalhou junto em uma peça em Moulin Rouge, não escondendo o seu relacionamento; a cena ganha destaque no filme, quando se beijam no palco e sofrem ataques do público parisiense.

    A representatividade também não ocorre só na ficção em Colette. Dois atores do filme são transsexuais interpretando personagens cisgêneros. Rachilde (Rebecca Root), personagem que prende a atenção de Colette em uma festa, e o seu marido, Gaston de Caillavet (Jake Graf), que torna-se próximo da personagem.

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    As quase duas horas de filme em alguns momentos se tornam lentas, mas o foco da descoberta e do amadurecimento de Colette, unidos da luta para ser reconhecida pelo seu próprio trabalho – do qual o marido se apossou durante anos -, são o ponto alto dessa biografia com clima de belle époque; posteriormente, a autora conseguiu provar a autoria dos livros de Claudine, e publicou mais de 30 romances durante toda sua carreira como escritora. Alguns deles polêmicos por retratarem sua vida e suas relações, que eram a inspiração principal na hora de escrever seus livros.

    Outubro 16, 2018
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    Título: Nasce Uma Estrela (A Star is Born)

    Diretor (a): Bradley Cooper

    Elenco: Lady Gaga, Bradley Cooper, Sam Elliot, Rafi Gavron

    Sinopse: Jackson Maine (Bradley Cooper) é um cantor no auge da fama. Um dia, após deixar uma apresentação, ele para em um bar para beber algo. É quando conhece Ally (Lady Gaga), uma insegura cantora que ganha a vida trabalhando em um restaurante. Jackson se encanta pela mulher e seu talento, decidindo acolhê-la debaixo de suas asas. Ao mesmo tempo em que Ally ascende ao estrelato, Jackson vive uma crise pessoal e profissional devido aos problemas com o álcool.

    A Star is Born estreou no Brasil em 11 de Outubro, e carregando boas críticas mundo afora – principalmente durante a sua estreia no festival de Veneza, e posteriormente nos Estados Unidos – o longa é inspirado no remake de mesmo nome, estrelado por Barbra Streisand e Kris Kristofferson em 1977. A nova versão começou a ser produzida em 2015, quando Bradley Cooper estava escrevendo o roteiro. Esse é o primeiro filme dirigido pelo ator, e também a estreia de Lady Gaga no cinema; os dois artistas se conheceram há um tempo atrás, e após cantarem juntos, a química imediata mostrou que Gaga era a pessoa perfeita para interpretar a protagonista Ally.

    Acompanhamos no longa, desde as primeiras cenas, a jornada de Ally, que tem 30 e poucos anos e uma voz poderosa. Apesar de todo o seu talento, ela não engatou na carreira de cantora, ao ser negada diversas vezes por gravadoras, principalmente pela sua aparência física (“diziam que o meu nariz era muito grande”, a personagem relata durante as cenas). Mesmo sem a fama, Ally se apresenta em um bar de drags à noite, quando sai do seu trabalho “fixo”. É lá que conhece, meio que por acaso, Jackson Maine (Bradley Cooper), vocalista de uma banda famosa que procurava um bar aleatório pela cidade após o seu show. Ele fica impressionado com a voz da protagonista, e encantado por ela.

    O primeiro ponto que vale destacar é como Gaga e Bradley estão confortáveis na pele dos personagens. Ambos são complexos, cheios de nuances e o filme explora, em suas quase duas horas e meia, a personalidade de Ally e Jackson. A garota é um pouco envergonhada e nunca cantou as suas próprias músicas, apesar de ser uma compositora talentosa. E Jackson tem toda a confiança de um músico famoso, mas carrega o vício em bebidas e drogas junto com ele. Os dois atores mergulham com tudo nos papéis. Destaque também para a capacidade de Bradley de representar tão bem um rockstar. O ator passou 9 dias na companhia de Eddie Vadder, vocalista do Pearl Jam, músico em que Jackson foi livremente inspirado.

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    Apesar de o filme levar o gênero de “músical”, cada canção e performance colocada nele tem um sentido, e nada é solto. O contexto das letras da músicas – escritas por Lady Gaga – e que foram todas gravadas ao vivo (sim, acredite!), possuem coerência com as cenas; “Shallow”, por exemplo, um dos grandes destaques do filme, é o momento em que Ally canta na frente de uma multidão pela primeira vez, incentivada por Jackson. Ali, ela deixa de esconder o seu talento. As vozes de Gaga e Bradley se encaixam muito bem.

    Nada destoa no filme; sejam as cenas de backstage – que eram novidade apenas para Bradley, já que Gaga está na indústria há mais de 10 anos -, são genuínas e nos dão aquele gostinho de realmente saber o que há por trás da vida de um artista tão reconhecido. O longa é uma jornada do romance de Jackson Maine e Ally, que só cresce, e da ascensão da mesma pelo sucesso. É o namorado que a incentiva a percorrer seu sonho, quando a convida para fazer parte da sua turnê.

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    Enquanto a carreira de Ally toma os seus pontapés iniciais, a de Jackson percorre o caminho contrário. O vício no álcool e nas drogas, causado por diversos problemas que o personagem já enfrentou, é um dos temas mais bem explorados no filme. É nestas cenas que vemos também uma das melhores atuações de Bradley Cooper, que consegue convencer do início ao fim do longa o sofrimento do personagem e sua grande dificuldade em lidar com os próprios demônios. Em uma das cenas, quase no final do filme, em que os dois atores contracenam, o personagem de Bradley chora e pede desculpas à Ally por ter quase estragado sua carreira com o seu vício; é uma das cenas que merece destaque, e que nos faz acreditar que A Star is Born promete indicações às principais premiações.

    O filme é tocante, dramático, e mais do que isso, surpreendentemente belo. Ele fala sobre amor, paixão, dor, traumas, doenças mentais e como a caminhada ao sucesso pode ser cruel, mas também trás muita realização ao mesmo tempo. As performances são de tirar o fôlego, e as atuações, genuínas e surpreendentes. É a história de um romance intenso, mas que não deixa de explorar as nuances particulares de seus dois protagonistas. 

    Agosto 19, 2018
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    Título: Para Todos os Garotos que Já Amei

    Diretor (a): Susan Johnson

    Roteiro: Sofia Alvarez e Jenny Han

    Elenco: Lana Condor, Noah Centineo, Janel Parrish, Israel Broussard, Anna Catchcart, John Corbett

    Sinopse: Lara Jean Song Covey (Lana Condor) escreve cartas de amor secretas para todos os seus antigos paqueras. Um dia, essas cartas são misteriosamente enviadas para os meninos sobre os quem ela escreve, virando sua vida de cabeça para baixo.

    Jenny Han é uma das minhas autoras favoritas dos livros de gênero Young Adult e eu sou apaixonada pela série protagonizada por Lara Jean. Em 2015, eu li o primeiro livro, e já faz alguns anos que a notícia de que a história viraria filme saiu. Eu, obviamente, fiquei super empolgada, mas quando somos muito fãs de um livro, sempre carregamos aquele misto de preocupação e medo da adaptação ficar muito diferente da história original, o que quase sempre acontece. Mas a boa surpresa aqui é que o filme de To All The Boys I’ve Loved Before, dirigido pela norte-americana Susan Johnson, é muito fiel ao livro.

    Para quem não conhece a história, o longa trás como protagonista a adolescente de 16 anos Lara Jean, irmã do meio de uma família composta por três garotas coreanas e o seu pai. A mãe das meninas morreu quando elas ainda eram pequenas, por isso, o pai representa um grande papel no ambiente familiar. As irmãs Song – Kitty, Lara Jean e Margot – são extremamente unidas. Kitty é a caçula da família; Lara Jean é a que está crescendo e Margot é a mais velha (e a mais madura), que está prestes a embarcar para a Escócia para iniciar a faculdade.

    Cada uma tem suas características únicas – que são bem trabalhadas durante o livro e no filme também não ficam à mercê – e a cultura coreana, tão retratada no livro, também ganha seu espaço no filme. Lembrando que a autora Jenny Hann também tem descendência coreana. Nascida na Virginia, ela se esforça para representar essa cultura e a diversidade na sua trilogia de livros. É refrescante ver uma personagem asiática sendo abordada em um filme de grande repercussão, sendo lançado na Netflix (ainda mais na época que o white-washing anda tão forte). É uma quebra de padrões das protagonistas que estamos sempre acostumados a ver.

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    Lara Jean é uma jovem extremamente romântica, apesar de nunca ter tido uma experiência amorosa real. Quando ela queria terminar uma paixão, costumava escrever cartas para o garoto do qual estava apaixonada; ao todo, foram cinco, de amores que marcaram sua vida em fases diferente. Porém, o plot twist ocorre quando suas cartas são misteriosamente enviadas, e os garotos que as inspiraram recebem-as. O que mais a preocupa é o fato de Josh, seu amigo de anos, vizinho e namorado de sua irmã mais velha, tenha recebido a sua. Lara Jean nutre uma paixão platônica por Josh há muito tempo, mas só descobriu quando viu o garoto com Margot.

    Ao mesmo tempo que Josh recebe a dele, Peter Kavinsky, menino que Lara conhece desde pequena, também tem acesso à carta. Ele é ex-namorado de uma antiga amiga de Lara Jean – Genevive -, mas as duas se afastaram devido a brigas antes do início do ensino médio. Lara Jean entra em pânico, pois Josh não pode descobrir que ela gosta dele; e Peter quer causar ciúmes na antiga namorada. Isso é o suficiente para os dois se unirem e assumirem um namoro fake.

    Pode parecer clichê, mas é um clichê bem explorado e que trás uma história convincente e personagens bem elaborados. Lara Jean encontra na companhia de Peter um suposto namorado e também um amigo: os dois trocam confidências (ela, sobre a mãe que faleceu, e ele, sobre o pai distante) e essa é a primeira experiência que ela tem de algum relacionamento. Por isso, é fácil se identificar com a personagem, principalmente se você já passou por aquela fase de inícios. É o primeiro beijo, a primeira briga, a primeira difícil sensação de como é gostar de alguém, e ter que lidar com a parte boa e ruim dessa pessoa (e tudo o que isso traz).

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    Uma das características do filme que mais me impressionou foi a semelhança com o livro e o cuidado para que o longa ficasse com a mesma essência, em todos os detalhes. A escolha do elenco, para mim, foi totalmente certeira. Lana Condor (Lara Jean) incorporou a personagem principal, seja no jeito de agir, de falar, de se vestir, e de realmente enxergarmos aquela versão dos livros na tela; assim como Noah Centineo (Peter), que foi o Peter Kevinsky perfeito. Ele é um dos personagens mais importantes da história, e o ator fez jus à personalidade encantadora, doce e (bem) confusa de Peter. No inicio, eu achei que o ator  escolhido para ser o Josh (Israel Broussard) teria sido um bom Peter; mas antes da metade do filme mudei de ideia. O Noah conseguiu ser ainda melhor do que o personagem que eu imaginei em minha cabeça tantas vezes.

    Destaque também para a estética do filme, que trabalhou as cores pastéis e claras – as favoritas da personagem – e que foram utilizadas em todas as capas do livro; tivemos até mesmo a cena de Lara Jean preparando os seus famosos cupcakes.

    A autora Jenny Han acompanhou todo o processo de filmagem, e eu acredito que isso tenha sido fundamental para que o filme tivesse o mesmo jeito especial dos livros, e não caísse no clichê caricato que já vimos em muitas produções adolescentes da Netflix (alô, Barraca do Beijo).

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    “Para Todos os Garotos que Já Amei” também ressalta um ponto importante da amizade feminina, e do companheirismo e união entre irmãs. A relação de Kitty, Margot e Lara Jean é extremamente importante para a personagem principal. Durante toda a sua vida Margot sempre foi a líder, a sua inspiração e quem ela queria seguir os passos; agora que a irmã foi para a universidade, é papel de Lara Jean cuidar da irmã mais nova de onze anos, e ser o “exemplo”. O filme, porém, também tem tropeços, como na representação da rivalidade feminina representada por Genevive e Lara Jean, tão presente no primeiro livro. Porém, são nas duas sequencias que é desenvolvida de maneira mais profunda a amizade de ambas, e a personagem de Genevive também passa a ser explorada, e conhecemos outras facetas dela.

    É um filme delicado e romântico, que respeita a versão literária e encanta ainda mais os fãs do livro, e também aqueles que não conheceram a obra. Palmas para Jenny Han e a Netflix!

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